Também eu falo de Charlie

Deixei passar esta semana para escrever sobre os acontecimentos de dia sete de Janeiro. Li bastante, várias opiniões, passei eu também por várias fases e agora cá estou.

Charlie Hebdo é uma revista satírica que faz parte de uma tradição humorística não só “muito francesa”, como se tem dito por aí, mas ainda mais relevante, uma tradição que deriva do Maio 68. Nem Deus nem mestres, como Wolinski dizia. Independentemente do que faziam ou escreviam ou desenhavam, nada, mas nada, mas mesmo – garanto-vos – nada justifica a morte de alguém. As pessoas civilizadas como eu e espero também como o leitor são contra a violência, são contra a morte de alguém em retaliação por ofensas reais ou imaginadas no cérebro de loucos.

Contudo, não foi a esta conclusão que muitas das pessoas chegaram. Temos agora debates sobre a liberdade de expressão. “Afinal eles provocavam…”. Foi-se desencantar a história sobre o Philippe Val e o Siné que foi despedido por antissemitismo. “Ai, afinal eles próprios não eram assim tão pela liberdade de expressão…”dizem as pessoas com uma desonestidade intelectual estonteante porque sabem perfeitamente que Val não estava no jornal desde 2009.

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