Balaústre apócrifo

balaustrada

“Não vai assim há tanto tempo que as nossas cidades eram verdadeiras estrumeiras a céu aberto. Havia o bizarro costume de despejar nas ruas, muitas vezes lançando-a da janela ou da varanda, toda a espécie de porcaria, espalhando por todo o lado um odor nauseabundo, fazendo do espaço público uma gigante latrina, caldo de pestes e outras maleitas antigas.
É, contudo, da natureza humana, rapidamente habituar-se à sujidade e até fazer dela um modo de vida, pelo que depressa deixa de estranhar o cheiro a estrebaria e mais depressa ainda faz dele o seu bafo natural. Quanto mais se espalhar o esterco – julgarão -, menos se notará a sua pestilência, como tão bem fará notar o poeta no seu futuro slogan:

– Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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