PAN tenta travar a ritalina

Um esforço muito meritório em defesa das crianças e do futuro.

5 milhões de doses de Ritalina

O Bloco de Esquerda apresentou hoje um Projecto de Resolução no sentido de tentar combater o consumo excessivo de Ritalina (Metilfenidato) pelas crianças e jovens portugueses.

Segundo as estatísticas oficiais, o consumo desta substância situa-se nas 5 milhões de doses por ano, um número assustador, tendo em conta a idade das crianças e os efeitos adversos do Metilfenidato, um químico extremamente potente com acção sobre o sistema nervoso central.

O TDAH (Transtorno do Défice de Atenção e Hiperactividade) vem descrito no DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), a “bíblia” do diagnóstico em Psiquiatria, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria e seguido por psiquiatras de todo o mundo, incluindo Portugal. Este “transtorno” é descrito imediatamente a seguir ao TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), com o qual comunga muitos sintomas, assim como a própria terapêutica farmacológica.

Um aspecto extremamente preocupante da actual abordagem clínica à TDAH (Hiperactividade), é a crescente tendência para a sua captura farmacológica, havendo já múltiplos casos em que, a somar ao potente Metilfenidato, se estão a administrar a crianças Anti-Psicóticos de segunda geração, como a Risperidona, usada normalmente no tratamento da esquizofrenia. Este assunto afigura-se da mais alta gravidade e urgência, uma vez que não só está em causa a saúde de milhares de crianças como, por essa via, o futuro do próprio país. Uma palavra de apreço para o Bloco de Esquerda, que soube identificar a premência do problema e está a agir em conformidade.

INFARMED acrescenta um “novo” efeito adverso à Ritalina

A comunicação social deu ontem, 14 de Março de 2017, notícia de que o INFARMED tinha actualizado durante a tarde a “bula da substância metilfenidato”, o principal princípio activo de medicamentos como a Ritalina, usada no “tratamento” da Hiperactividade e Défice de Atenção.

Esta actualização serviu para incluir um “novo” efeito adverso, que dá pelo nome de Priapismo.

Esta informação que o INFARMED adianta agora sobre a Ritalina e outros medicamentos contendo Metilfenidato, foi anunciada já em Dezembro de 2013, há mais de três anos, pela FDA (U.S. Food & Drug Administration), a autoridade do medicamento dos Estado Unidos.

Sabe-se que os protocolos seguidos nos Estados Unidos, no que à política dos medicamentos diz respeito, são diferentes dos europeus. Ainda assim, trata-se de mais um efeito adverso grave, e mais grave ainda se tivermos em conta que este medicamento é prescrito a crianças, não se compreendendo muito bem este “atraso” na correcção da bula.

Algo vai mal no reino da Ritalina.

 

Imagem: Internet

Alguns riscos da Ritalina segundo o INFARMED

Risco cerebral vascular – Enxaquecas, acidente vascular cerebral e vasculite cerebral: as secções relevantes do RCM e FI devem ser alteradas de forma a harmonizar a informação de segurança existente.

Risco de distúrbios psiquiátricos – Comportamento agressivo, depressão, psicose, mania, irritabilidade e ideação suicida: a utilização de metilfenidato pode causar ou agravar alguns distúrbios psiquiátricos, pelo que todos os doentes devem ser cuidadosamente avaliados relativamente a este tipo de distúrbios antes de se iniciar o tratamento e devem ser regularmente monitorizados relativamente a sintomatologia psiquiátrica, durante o tratamento. Os termos “concentração excessiva” e “comportamentos repetitivos” reflectem efeitos observados do metilfenidato, devendo ser adicionados como efeitos adversos possíveis ao RCM e FI.

Efeitos sobre o crescimento – Para assegurar que qualquer eventual efeito sobre o crescimento seja minimizado, devem ser incluídas no RCM e FI orientações sobre monitorização regular (altura e peso dos doentes) e advertências melhoradas e harmonizadas.

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A Ritalina correu mal

O artigo que a seguir se transcreve não aborda em profundidade os efeitos secundários provocados pelo consumo de Metilfenidato, uma substância que já foi considerada doping e que chegou mesmo a retirar, por duas vezes, ao famigerado Joaquim Agostinho, a vitória na Volta a Portugal em Bicicleta.

O Metilfenidato, princípio activo dos medicamentos usados no tratamento da Hiperactividade e Défice de Atenção ( já em crianças de 3 anos), é um estimulante equivalente às drogas de rua conhecidas por Speeds. Só o nome é mais pomposo.

Já por mais do que uma vez o deputado do PAN, André Silva, levou o assunto ao Parlamento. Desta feita regista-se a pergunta e a resposta do senhor Primeiro-Ministro.

 

A Ritalina correu mal*
Por L. Alan Sroufe
The New York Times, 28 de Janeiro de 2012

Há neste país [EUA] três milhões de crianças que tomam drogas para tratar problemas de atenção. Por volta do final do ano passado [2011], muitos dos seus pais estavam profundamente alarmados por causa da falha de fornecimento nas farmácias de drogas como a Ritalina e o Adderall, drogas essas que esses pais consideravam absolutamente essenciais ao funcionamento dos seus filhos. Mas estarão estas drogas realmente a ajudar estas crianças? Será que deve prosseguir este aumento exponencial da prescrição destes medicamentos?

Em 30 anos aumentou vinte vezes o consumo de drogas destinadas a tratar o Défice de Atenção.

Como Psicólogo que estuda o desenvolvimento de crianças problemáticas há mais de 40 anos, acho que nos deveríamos perguntar por que motivo confiamos tão convictamente nestas drogas.

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O problema das Crianças Hiperactivas

O debate ocorrido hoje na Assembleia da República demonstrou uma vez mais a solidez da maioria parlamentar que apoia este governo e a coerência das políticas implementadas em contexto nacional e internacional de grande imprevisibilidade.

O governo do Partido Socialista mantém-se fiel aos compromissos assumidos com o eleitorado e com as forças políticas com as quais firmou posições conjuntas visando a inauguração de um novo ciclo na nossa vida colectiva.

A última intervenção do debate de hoje coube ao deputado André Silva, do Partido PAN, que dirigiu ao Primeiro-Ministro duas questões relevantes, a última das quais relativa ao consumo preocupante e crescente de Metilfenidato (Ritalina), por crianças portuguesas em idade escolar.

Este tema, acerca do qual se deverá liminarmente recusar qualquer tentativa de aproveitamento político ou demagogia perversa, reputa-se de importância decisiva, merecendo, sem dúvida, o destaque que o deputado André Silva decidiu dar-lhe, ao trazê-lo para o debate na Assembleia da República.

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Ritalina ou a lobotomização química preventiva

Um aumento exponencial do consumo de Metilfenidato (Ritalina) entre as crianças, com custos a rondar os 8 milhões de euros, a ser verdadeira a informação prestada pelo Infarmed, ainda assim extremamente lacónica. Já os esclarecimentos prestados pelo presidente do Conselho Nacional de Educação não são apenas lacónicos, mas denotam, numa visão benigna, preocupante falta de informação.