Porto e Gaia – idoneidade política em Democracia

As Câmaras Municipais das cidades que partilham a foz do Douro, Porto e Gaia, duas das maiores do país, têm suscitado atenções e polémicas nos últimos meses, por via de notícias que colocam em causa a idoneidade dos respectivos presidentes. Na verdade, o jornal PÚBLICO tem dado a conhecer factos sobre a gestão autárquica de Rui Moreira e de Eduardo Vitor Rodrigues, que lançam a suspeita sobre o cruzamento de interesses pessoais e familiares dos dois políticos e o superior interesse dos municípios que lideram.

Apesar de ambos se terem apressado a negar as notícias do PÚBLICO e de o jornal, em particular uma das suas melhores jornalistas, ter sido injusta e violentamente atacado nas redes sociais, pelo menos num dos casos, a verdade é que as informações avançadas firmam-se em sólidas provas documentais.

Tanto no caso de Rui Moreira, como no de Eduardo Vítor Rodrigues, estabeleceu-se irreversivelmente a dúvida sobre a isenção e a imparcialidade com que cada um norteia o exercício de funções de elevada responsabilidade em que está investido, dúvida essa incompatível com a transparência e a idoneidade que lhes são exigidas enquanto autarcas e representantes eleitos.

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Blade Runner

O Reitor da Universidade de Coimbra defende que as máquinas deveriam pagar impostos. João Gabriel Silva afirmou, num encontro que teve lugar na cidade de Coimbra e que contou com a presença do ministro Vieira da Silva, que existe, do ponto de vista fiscal, “uma enorme motivação económica para a substituição de pessoas por máquinas, o que coloca os seres humanos numa desvantagem fiscal brutal”.

Esta é a Academia que eu gostaria de ver manifestar-se mais vezes. A que traz ao debate público as questões que, de tão óbvias, passam em silêncio, sem reflexão e sem existência. O Reitor da Universidade de Coimbra obrigou o ministro Vieira da Silva a afirmar também o óbvio, ou seja, que as empresas já se encontram sobrecarregadas do ponto de vista fiscal e que taxar a tecnologia seria “dificultar o progresso”.

Tenho simpatia pelo ministro Vieira da Silva e admiração pela sua competência, mas devo lembrar que a ideia de Progresso, pelo menos aquela que resulta dos movimentos Humanistas da História nos quais, em grande medida, se funda o próprio corpo ideológico e filosófico do Partido Socialista, tem como razão de existência o Ser Humano, e não a Máquina. É certo que muito dificilmente o ministro Vieira da Silva, tendo em conta as funções que ocupa, poderia afirmar outra coisa, tal é a força do dogma que entre nós se instalou sobre a primazia da Máquina. Mais ainda quando terá sido o próprio Humanismo a produzir esse dogma e a cimentá-lo na cultura e na consciência.

É esta, contudo, a fronteira do nosso Tempo.