coniunctio oppositorium

Algo de extraordinário sucedeu nas últimas semanas, sem que, aparentemente, alguém tivesse reparado. Na questão venezuelana, que tem trazido ocupada a comunidade internacional depois de ter sido (in)devidamente encerrado o “dossiê Brasil”, dá-se o caso bizarro de termos do mesmo lado da barricada o Ministro dos Negócio Estrangeiros do governo português, o Dr. Augusto Santos Silva, e o “terrível fascista” – assim, pelo menos, designado por muitos – e alegado estratega e mentor dos movimentos globais de extrema-direita, o senhor Steve Bannon.

É sabido – embora mal sabido – que a política internacional tem muitas vezes destes paradoxos e que a História da humanidade se fez e vem fazendo sobre os despojos de insanáveis e aparentes contradições, as quais emergem tantas vezes da necessidade, como da necessidade emerge também a manifestação completa da essência humana, expressa no coniunctio oppositorium que Nicolau Krebs entreviu há 500 anos, mas que talvez Augusto Santos Silva não tenha interpretado do modo mais fiel ao espírito filosófico do conceito. É que, no fim de tudo, entre ele, Santos Silva, e o “terrível fascista” Steve Bannon, é bem possível que os Homens escolham aquele que se manteve fiel aos seus princípios e em nome deles actuou com coerência, desprezando o que agiu de acordo com os interesses de circunstância e jamais foi coerente com coisa nenhuma. Nem com os princípios que jamais teve.