Os Deolinda e os parvos da santa terrinha

Sempre achei este comentador tosco e trauliteiro. Problema dele, de quem o segue e de quem lhe paga.
Agora deu-lhe para sair do seu campo de conforto – dizer mal de políticos  cá do sítio – para chamar parvos aos Deolinda e a quem deles gosta.
É verdade que, a propósito da canção que fala em ser-se parvo, se têm escrito muitas loas e alguns exageros, como esse de se tratar do hino de uma geração.
Eu, que não tenho hino nem geração – o que se compreende se pensarmos que Sócrates ou até o plumitivo primário a quem me refiro têm, mais coisa menos coisa, uma idade aproximada da minha e que um facto desses é suficiente para acabar de vez com qualquer ideia de pertença – acho que parvo é o senhor.
Saberá ele que os Deolinda são uma banda e fazem canções? Canções, isso mesmo, como o parvo do Rui Veloso fez sobre um tal Chico Fininho, a parva da Amália sobre a casa de uma dita Mariquinhas ou outros idiotas fazem sobre temas do seu tempo, como homens que vendem castanhas, touradas, bikinis às bolinhas, cargas em contentores ou comboios a apitar? Sabe o putativo comentarista que as canções não se fazem para salvar pátrias falidas ou indigentes? Sabe que as letras – medíocres, como diz – são apenas letras e devem tanto à literatura como  a ela são devedoras as suas croniquetas comuns e repetitivas? [Read more…]

Ainda a propósito da letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!”

Antes de mais nada: os agradecimentos por ter publicado no Aventar a letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!” deveriam ser endereçados a quem fez a transcrição. Infelizmente encontrei-a por mero acaso e indecentemente limitei-me a fazer corte-e-cola sem atribuir os devidos créditos, sendo que agora, espalhada viralmente como se encontra, é impossível corrigir o disparate.

Igualmente por mero acaso dei com este comentário no blogue Cravo de Abril:

Afonso Gonçalves disse…

Uma canção que olha apenas para o umbigo da juventude da pequena burguesia que agora vê a gasolina mais cara e a prestação do carro em falta. Ainda há pouco tempo, riam-se dos marxistas como dinossauros atrasados, agora fazem estas figuras tristes!

Como estão longe de J. Afonso, J.M. Branco e do Fausto.

Pobre música e pobre letra.

E não posso deixar de responder alto e bom som: que parvo que ele é.

Ora expliquem-me lá onde está aqui a “pequena burguesia” preocupada com a gasolina e a prestação do carro. Para alguns idiotas o proletariado é que é, e não pode ter estudos para ser escravo. É desta esquerda que a direita precisa para continuar a fazer de nós parvos.

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