Remember, remember…

Se há coisa que aprecio nas manifestações, para além das pessoas que levam os filhos, são as máscaras do V for vendetta. É um excelente filme com uma excelente mensagem, sem ironias nem sarcasmos. “Government should be afraid of the people”. É verdade.

O que não deixa de ser fantástico é que para a maioria dos manifestantes – os que agora estão em Lisboa e todos os outros que se apropriam do símbolo, os “indignados” – a máscara é apenas sinónimo do V for Vendetta. Mas a ironia do Destino é que aquela máscara simboliza um homem que tinha pouco de revolucionário. Guy Fawkes e os seus conspiradores queriam o regresso a uma “antiga ordem” (para sermos dramáticos). Católicos que queriam rebentar com o Parlamento inglês e com o Rei porque este era protestante. Católicos que queriam que Inglaterra regressasse ao catolicismo. E uma conspiração que serviu, em termos muito práticos, para aumentar o ódio em relação aos “papistas”.

Tenho muitas dúvidas em relação à liberdade dos católicos ingleses. Não o eram. Mas também tenho a certeza que um homem que queria o regresso ao catolicismo não é propriamente a personificação que os indignados almejam. Guy Fawkes e os restantes conspiradores não eram uns revolucionários. Eram homens do século XVII inflamados pelas lutas religiosas, influenciados pelas intolerâncias da altura. Não se enganem e que não vos suba à cabeça. Embora, talvez seja apropriado. As máscaras estão como os protestos, claramente. Os “indignados”, os grevistas, as CGTP’s etc. não são revolucionários.