Memórias de Salazar ou o regresso dos pobrezinhos

Luís Manuel Cunha

vinho-salazarEm Santa Comba Dão pretendia-se lançar uma marca de vinhos chamada Memórias de Salazar. O nome não foi autorizado sem que se perceba muito bem porquê. O facto é que, a marca do tintol nunca veio tão a propósito, arrastando consigo uma infinidade de recordações e de reminiscências de tempos que se julgavam para sempre desaparecidos.
Lembro-me ainda muito bem. No mundo da minha infância e por esta altura em que “a estrela de Belém corre pelos céus à procura da manjedoura e das palhinhas”, “não havia conto de Natal, não havia lenda infantil, não havia fábula natalícia que não trouxesse consigo, sempre disponíveis, os pobrezinhos”. A tradução narrativa de um mundo a preto e branco mas bem real, um mundo frio e famélico, tristemente alumiado pela luz da candeia que, no meio do casebre, projectava uma palidez esfomeada de um tempo disperso, “algures entre o apito da fábrica e o chiar da charrua”. Era a “casa portuguesa” salazarenta, documentada nos livros da escola primária e plasmada na imagem de capa do lavrador caseiro desgraçadamente feliz, de sachola ao ombro, regressando a casa, escancarada pela mulher desgrenhadamente feia, rodeada de filhos ranhosos e sujos pendurados nas saias. Depois, a broa embrulhada num caldo de couves e o terço murmurado maquinalmente sob o olhar protector de uma imagem da virgem de Fátima, como agradecimento ao Senhor por tamanha dádiva. Ao Senhor e a Salazar. Era o tempo do “pão e vinho sobre a mesa” e da disponibilidade de abrir a porta a quem a ela batesse, para se “sentar à mesa com a gente”. Só que, à porta dos pobrezinhos, ninguém batia.
Era um mundo de diminutivos e de diminuídos” do catecismo do Estado Novo e da Igreja Católica que, na ficção piedosa da padralhada debochada e rubicunda, entendia que o sofrimento e a miséria eram condições sine qua non se lhes abriria, aos pobres, o reino dos céus. Por esta altura, a beatada em peso, o professor e o padre derretiam-se em homilias da necessidade de ajuda ao pobrezinho. Que vivia “tristemente sentado nos degraus da igreja” ou “pacatamente esfomeado às portas das casas”. Era uma obra de caridade ajudar os pobrezinhos, dizia-se. “Minha senhora, está ali um pobrezinho a pedir esmola”. “Maria, dá qualquer coisa ao pobrezinho”. E a Maria dava. E o pobrezinho lá ia, reverente e agradecido. “Que Deus Nosso Senhor o ajude. Seja pelas alminhas de quem lá tem”. Havia um ou outro pobrezinho com mais sorte, abrindo-se-lhe as portas onanistas dos seminários, por influência de alguma tia velha junto do senhor prior, que era o representante de Deus na terra. Outros acabavam a criados de servir, agradecendo reverentemente os restos que sobravam das mesas dos seus senhores e que, não raramente, repartiam com os cães. Muitos deles, analfabetos e embrutecidos pelo álcool, viviam no terror de incomodar a autoridade ou a caridade que lhes matava a fome. Era o esplendor do salazarismo, antes que a emigração da década de 60 espalhasse o analfabetismo escravo dos portugueses pelos bidonvilles da periferia das principais cidades francesas.
Alguns dos meus leitores mais jovens espantar-se-ão com este retrato de um país que lhes parecerá surrealista. Infelizmente, é bem real. E trazê-lo hoje aqui é recordar que a história, dizem, se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. E o que o Gaspar e o Passos nos dão hoje não passa de uma farsa. Uma farsa salazarista com a conivência de um presidente da República absolutamente inócuo e senil. Quando hoje se lê que mais de doze mil crianças vão para a escola com fome, não é mais que o retrato actual da miséria salazarista. Quando se sabe que há pessoas que vasculham caixotes de lixo à procura de restos de comida com que possam matar a fome, não é outra coisa senão o regresso dos pobrezinhos da minha infância. Que agora, envergonhados, interiorizam essa miséria e alimentam-se dela.

Escrevia Clara Ferreira Alves que “numa sociedade com graves desigualdades e herdeira de uma sociedade salazarista e colonial, de senhores e servos, de relações de potestade assentes sobre a escravidão e a ignorância, a subserviência interiorizou-se e ficou um traço de carácter”.
Pois é… Esta sociedade de eunucos tem feito da subserviência um traço do seu carácter. E, como cantava Zeca Afonso, os eunucos “não matam os tiranos, pedem mais”. Até um dia…

in Jornal de Barcelos, 05 de Dezembro de 2012

Comments

  1. ramila says:

    Excelente texto.

    • Duarte Batista says:

      Muito obrigado pelo texto,tudo o que escreveu eu e muitos vivemos pois eramos os pobrezinhos , só não não fui bater ás portas porque o meu pai fugiu deste pais para me poder matar a fome.


  2. Qual é a votação dos partidos de esquerda na asia? Na India, no Japão, na Coreia? Esses países têm sistemas de segurança social desenvolvidos? Singapura preocupa-se com os seus pobres? E a Malásia?
    Pois é, são paises aonde a “padralhada debochada e rubicunda” não se fazia homilias sobre a necessidade de ajudar os pobrezinhos. É por isso que é raro a esquerda “económica” tem apoio que se veja fora dos países de influência cristã e em particular católica. Na america latina os USA, a partir de Reagan, apoiaram a implantação dos grupos protestantes para combater a influência católica que os USA viam como favorecendo as ideologias de esquerda.
    Gostava mesmo de saber, alguém aqui conhece um país democratico em que a esquerda tenha um peso significativo e não tenha uma forte herança cultural cristã?

    • John Silva says:

      Palestina?


    • Também na Igreja Católica há correntes mais à esquerda e mais à direita. A própria CGTP tem uma sensibilidade Católica. A Opus Dei, por outro lado, é uma das suas faces mais conservadoras. Durante o Salazarismo, foi a corrente mais conservadora e retrógrada da Igreja que dominou a hierarquia, que se comprometeu com o regime e que lhe deu um dos pilares ideológicos.

    • Maquiavel says:

      O estado indiano de Bangala Ocidental teve os comunistas no poder ininterruptamente durante 34 anos.
      Religiäo: Hindus 72,5%; Muçulmanos 25,2%.
      Os 91,5 milhöes de habitantes devem ser muitíssimo influenciados pelo cristianismo… ah, já sei, foi da Madre Teresa de Calcutá!

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Eu sei de que é que fala quem escreve – as “sopas de cavalo cansado” – e é pena os jovens de hoje não quererem saber o que sabem seus avós – porque é história – porque a vida é MEMÓRIA – e eu tenho memória de elefante – foi há tantos anos que tudo aconteceu do que se diz aqui neste texto – mas hoje por acaso vim para casa às 22 horas e na minha rua estava alguém, adulto – a vasculhar nos caixotes do lixo que proliferam nesta rua – há tempos que não via mas voltou esta situação – não sei sequer o que diizer – fui jantar com amigos em restaurante da minha rua e conheci um médico que resolveu falar comigo – É Basco e veio para Portugal trabalhar – é médico em StªMaria – falámos muito dos nossos países – diz que não quer sair daqui e está encantado com os portugueses mesmo com aqules que trata no hospital e lamenta muito o que se passa no seu país e que como Portugal nunca viu no mundo – e conheceu alemanha onde estagiuou e não quer voltar e sentiu o que eu senti e que o nazismo está até nas parêdes – Acresce o facto de se sentir mais feliz pois que casou com uma Uruguaia que viveu em Itália e veio, também, aqui parar – Que país o meu que só é amado pelos que não nasceram aqui e já conhecem mais mundos e não têm apenas a 4ª classe – hoje foi um dia bom por ter conhecido este médico que falou connosco e triste porque um aduto que tem idade para trabalhar e ser útil a si mesmo e família e país, vasculhava nos caixotes do lixo da CML à procura – à procura de quê ??
    Desculpai os que adoram estes governantes mas eu já vivi no mais baixo da curc«va do país que vi subir e que agora vejo descer a pique e se acrescentar a notícia de ontem de barcos portugueses arrestados em França em que a tripulação não tem de comer nem beber nem pode sair dos barcos cujos armadores não lhes pagam há 3 meses – mais uma vez uma pergunto como se pode ficar quieto e calado e auvir o que é dito na AR que não serve para nada de nada a não ser um bom salário e todas as regalias que desconhecemos – como se caíu tão fundo ?? depois de tanto sacrifício de tantos, como eu, para se sair das “sopas de cavalo cansado” ?? Pois é a tal Europa que recebeu ontem o NOBEL da PAZ – A europa do ferro e do aço ?? que tem 60 anos ?? Está a ferro e fogo ?? – A europa tem mais lixo do que os caixotes verdes da minha rua – isto é o que vejo mas o que haverá por aí que eu não vejo ?? – mas há dias vi a Baixa de Lisboa tão miserável que fazia doer – a capital do império que tem rotundas em todo o pais e só faltava a de Lisboa do Marquês que acaba de ser inaugurada e detestada pelos taxistas – é melhor ir ver o odioso representante do benfica (jurista ??) que discute com o sportinguista Ferreira Leite e o do Porto – nem no futebol se aguentam merdosos como este vice-presidente do Benfica – este senhor é tão odioso que devia ser proibido – ranhoso e odioso não por ser comentador de futebol mas por ser JURISTA que se chama Rui não sei quê – jurista ?? que gente odiosa anda por aí – jurista ?? Tirem-me o LIXO da TV porque quando não há nem um mau programa, oiço os comentadores da bola
    Viva o Benfica (Programa O Dia Seguinte) – ao menos ontem vi um superprograma na TV2 depois de meses de lixo em todos os canais – são 3 canais com programa de futebol e passei para o canal 9 (SIC) – Jorge Machado diz horrores da UE que diz que há gente a morrer de fome por causa da austeridade e que a Grécia é a carta de Tarot do “enforcado” – e que dão uns pinguinhos à Grécia para continuar a pagar para salvar os mega bancos franceses e holandeses e alemães – e a alemanha é a mais imcumpridora da divida + Ribeiro e Castro (CDS) cho tudo grave e os responsáveis têm de dar contas políticas e a grécia tem de dar contas e portugal também – S´crates a divida estana no nível máximo e não houve travão e estamos em situação de desiste incluindo Espanha e França e Holanda teos aeroporto de Beja mas em Espanha foram 7 + Italia + (bem não disse nada mas que temos de mudar de vida) – Que culpa Tem as pessoas pergunta outro convidado – (este CDS á pior do que o jurista futebolista) – (2007+2008 )+ frança e alemanha foram os que mais falaram e tudo bem dos USA e agora frança e alemanha querem comptar tudo e tomar conta de negócios rentáveis com o saúde e educação – diz outro porque se ataca a divida soberana ?? e as empresas de notação fincaira como Lehmons arruinam o mundo (não percebi o nome deste 2º convdado) – outro 3º convidado – agora há 2 que se mordem e falam no passado – será a hora de privatizar ?’ – bem estes senhores têm linas gravatas e como não escrevem no écran o nome dos outros 2 convidados – mas que putedo que dizem as mesmas putices – UM é Renato Sampaio e agora de novo o PC – dívida e défit aumentam ambos e as privatizaçºoes são crimes económicos e socias (tambbém acho) e os grupos económicos ficam com tudo (os ingleses arreenderam-se de privatizar aeroportos) – falam todos ao mesmo tempo como os futebolistas-fim 23:55H- mas acho-os bem piores – estou cansada de ouvir sempre o mesmo são todos da mesma “turma”

  4. manuel says:

    Boa, meu velho professor do Liceu Sá Carneiro de Barcelinhos!!


  5. ninguém sabe responder à pergunta que fiz?


    • O xyz está a sugerir que temos tido esquerda no poder desde os anos 80?
      A sério?

      • Pedro Marques says:

        Nem dos anos 80, nem 90, nem mais tarde, só em 74 quando esteve o PCP, mas era governo Provisório.


    • O que e que quer dizer com “Pais democratico” ? Acha que Portugal e democratico ? Alias, neste momento penso que temos que englobar toda a Europa numa corrente “neo-Liberal” cada vez menos virada para os cidadaos, como tal cada vez menos democrata…
      O grande busilis continua a ser que, toda a gente, de cada vez que se fala em “esquerda” e nomeadamente “comunismo”, associa logo com URSS, China, Cuba, etc…, esquecendo que cada Pais, cada Povo, tem a sua propria cultura e maneira de ser, como tal, um “comunista Portugues” nunca sera igual a um “comunista Russo ou Chines”…
      Nos temos o PCP, fundado a 90 anos, por homens que, na sua grande maioria, eram tambem eles “tementes a Deus”…
      Nao nos podemos tambem esquecer que, assim como o maior “fervor religioso” grassa entre os mais desfavorecidos, tambem a sua abertura para aceitar ideologias que vao mais de encontro as suas necessidades, e maior…, o que faz com que, apesar de nao serem duas “correntes” incompativeis, tambem normalmente nao se misturam… Ou teriamos que chamar realmente ao JC o “fundador do comunismo”… Ele que alem de dividir tudo o que “arranjava”, ainda fazia milagres para “multiplicar”…

      • Pedro Marques says:

        Nunca se pode ter um país Socialista, com os Estados Unidos à perna, Hitler à perna…


  6. Só estou a sugerir que países com uma herança cultural cristã, em particular católica e ortodoxa, tendem mais a votar à esquerda que países que não tenham essa herança cultural.
    Li alguma coisa sobre isso, mas foi curto. Por exemplo, segundo li na Índia, os partidos mais à esquerda têm as suas maiores votações precisamente nos estados em que a presença católica é mais forte. A índia tem desigualdades sociais gravissimas, piores que as da América Latina, mas na América Latina essas desigualdades provocam frequentemente lutas intensas, conflitos, e a subido ao poder de partidos de esquerda. Na Índia nem salário mínimo havia até há pouco e penso que ainda não há. As desigualdades sociais são aceites com resignação, não provocam grandes revoltas, nem suscitam nos partidos de esquerda o mesmo apoio que situações menos graves provocam na América Latina. O Japão tem sido, quase sempre, governado à direita.
    Verdade que fora dos países de maioria cristã só muito recentemente começaram a existir democracias, por isso as amostras são curtas. Mesmo a Coreia do Sul tem agora mais cristãos que budistas.
    Podia ser que aqui alguém tivesse alguma informação que fosse minimamente útil para completar o quadro que eu conheço (e não conheço lá muito bem, admito), que basicamente é, países com forte cultura católica votam mais à esquerda que países de influência luterana, os de influência calvinista ainda mais à direita que os países luteranos, os poucos países não cristãos que têm democracias razoavelmente abertas tendem a votar mais à direita. Mas a verdade é que poucos países não cristãos têm uma historia democrática que se veja,
    Décadas, séculos de doutrinação de “padralhada debochada e rubicunda” a dizer que se devia ajudar os mais pobres deixaram uma marca cultural que favorece a criação de uma sociedade solidária, favorece que os partidos implementem politicas solidárias. Nos USA aonde prevalece o calvinismo e uma “teologia da prosperidade” os pobres são vistos como responsáveis pela sua situação e a sociedade não procura implementar politicas que combatam ativamente a miséria.
    O que o autor do post não percebe é que uma politica solidária só existe se antes existir uma sociedade aonde a solidariedade seja valorizada.


  7. Caridade, caridadezinha, solidariedade… só uma sociedade aonde as pessoas estejam abertas ao próximo, no tempo da ditadura de Salazar isso manifestava-se através da caridade ou da caridadezinha, é que as pessoas estão dispostas a apoiar partidos solidários. Claro que em muitos casos votam em partidos solidários por motivos egoístas, não para serem solidários com ninguém, mas para obrigar os outros a serem solidários com eles. Assim como entre os militantes dos partidos há quem o seja para servir a causa publica e quem o seja para assaltar o cofre publico.
    Mas creio que não é por acaso que Lula e Chavez chegam ao poder através de eleições em países católicos e no Japão um partido de direita se mantém no poder, ganhando eleições atrás de eleições, praticamente desde a 2ª guerra mundial.
    A depreciação do ato individual de ajuda a alguém apodando-o de caridadezinha muitas vezes não é mais que uma boa desculpa para ser egoísta, resumindo a sua participação na vida social a um voto de 4 em 4 anos. Vejo muitas vezes que quem despreza a “caridadezinha” apenas apoia os partidos de esquerda não para ser solidário com ninguém, mas simplesmente porque quer assaltar o bolso dos outros e obrigá-los através do estado a serem solidários com ele.


    • A diferença entre solidariedade e caridadezinha está em ajudar a libertar ou manter a vassalagem. Lembre-se que a Igreja Católica tem tradições libertárias (acho que não é exagero usar o termo) na América do Sul, ao contrário do que aconteceu em Portugal durante a ditadura.


    • Mas nesse mesmo raciocinio teremos tambem que englobar os “caridosos” que mais nao querem senao que lhes continuem a fazer venia e “beija mao” e a chamarem-lhe “doutor”… “os meus caseiros…”
      O que e que a igreja catolica ensinou ? Ao contrario dos Jesuitas por exemplo…
      E por favor, pare de insistir nos “governos de esquerda” em Portugal, porque o ultimo foi talvez o unico, e reporta ao Vasco Goncalves…
      O texto postado e excelente, e retrata tambem as minhas memorias do tempo salazarista…


  8. No entanto o Vasco Gonçalves criou uma economia comunizante, mas não um estado social solidário. Esse só teve desenvolvimentos significativos com Maria de Lurdes Pintassilgo… que por acaso até era católica. Mas lá, está o governo dela apesar de ter desenvolvido bastante o apoio social, não era de esquerda.

    • Maquiavel says:

      Pois o governo de Pintassilgo era täo de direita que só o PCP a apoiou… e por isso caiu logo!


  9. E a China supostamente é comunista, mas não tem estado social.


  10. Obrigado pelo texto fantástico que escreveu. Se Jonets & Cª tivessem a mesma sensibilidade, talvez o país estivesse mais bem encaminhado.

  11. Pedro Marques says:

    Já fez um mês que publicou o texto. Não cheguei tarde a ler, felizmente estou muito atento a isso tudo, e também que não sendo só curioso, o Deus nosso senhor já anda nas bocas do mundo de novo, o isto é inevitável, não há volta a dar, isto há-de passar, o medo… Tudo coisas do tempo do Salazar, um nazi sem tropas – que matava as pessoas à fome, e nos seus campos de concentração.

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