Depois do BPN, BPP, BES e BANIF, supõem-se que exista um forte controlo sobre os produtos bancários, certo?

Errado.

Tal como explica Helena Garrido na Antena 1, aos balcões da Caixa Económica do Montepio Geral está a ser vendido um produto chamado “Capital Certo”, o qual de certo apenas tem o risco associado.

Com efeito, o produto em causa não é do banco, mas sim da Associação Mutualista, estando a ser publicitado no banco como tendo retorno  de investimento garantido. Acontece que as letras miudinhas referem que é preciso ler as condições e estas, depois de uma vastidão de páginas (cerca de 40), com complicadas condições, dizem que o retorno, afinal, não é garantido.

Mas ainda pior é o Banco de Portugal ter proibido a venda deste tipo de produtos  aos balcões dos bancos e este continuar a ser vendido. E, igualmente inacreditável, é o produto não estar sujeito a nenhuma fiscalização.

Será que não se aprende nada neste país? E admite-se que a lei, tão escrupulosamente aplicada aos cidadãos, seja apenas uma linha de orientação para a banca, ainda para mais depois das fraudes por ela praticadas?

A revista Proteste já recentemente tinha alertado os clientes para se manterem afastados deste produto. Apesar de, em 2013, ter afirmado que o “Montepio Capital Certo é uma alternativa de poupança a considerar“. Sendo o mesmo produto, é caso para, novamente, se questionarem as recomendações desta revista.

Aqui fica o podcast com os detalhes do caso.

Leitura adicional:

– Montepio vende produtos da mutualista sem distinção clara face a depósitos (Público)

– Qual é coisa, qual é ela, parece o Montepio, mas não é o Montepio? (Eco)

A luz de Centeno

O percurso político do actual ministro das finanças pode considerar-se atípico. Atípico e meteórico. Na verdade, em apenas dois anos, Mário Centeno passou de anónimo técnico do Banco de Portugal – e presidente do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento das Estatísticas Macroeconómicas – a companheiro de selfies da senhora Lili Caneças, Ministro das Finanças da República, Presidente e CR7 do Eurogrupo e cativo da tribuna presidencial do estádio da Luz. Há que reconhecer que não abundam os casos de tão rápida e íngreme escalada social.

Há quem assegure, como é o caso do senhor Primeiro-Ministro, que a rápida ascensão ao estrelato de Mário Centeno se deve exclusivamente ao seu talento invulgar, talento esse que terá ficado demonstrado no milagre operado na economia e nas finanças portuguesas, bem como em diversos indicadores estatísticos – uma das especialidades de Centeno – que dão corpo a esse milagre.

[Read more…]

In Delgado they trust

Luís Delgado pegou em 10, 2 milhões e comprou vários objectos que Francisco Pinto Balsemão tinha em sua posse, nomeadamente revistas como Visão e Caras.

Delgado, que tem feito carreira como defensor das ideias mais indefensáveis da direita mundial, é dono de uma empresa com a irónica designação Trust in News. A primeira palavra pode, também, significar “confiança”. Luís Delgado é, sem dúvida, um homem de confiança, bastando lembrar o facto de ter defendido, como muitos outros, a bondade da guerra do Iraque. [Read more…]

Ano novo, impostos novos

Governo anuncia aumento do imposto sobre os combustíveis
O Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) vai ser aumentado a partir de segunda-feira [amanhã], segundo uma portaria publicada hoje [31/12/2017] pelo Governo em Diário da República. [DN, 31/12/2017]

A taxa do ISP aplicável à gasolina passa a ser, respectivamente, 0,556 euros e 0,343 euros por litro para gasolina* e gasóleo, o que se traduz num aumento de 0,9 cêntimos por litro de gasolina e de 0,6 cêntimos por litro de gasóleo.

Escolher o dia da passagem de ano para anunciar este aumento é uma sacanice em dose dupla. Primeiro, por aumentar os impostos num produto cujo preço já é maioritariamente composto por impostos e, em segundo lugar, por novamente se ir pelo caminho de anunciar medidas quando os portugueses andam entretidos com outras coisas. Pelo andar da carroça, já estou a olhar para o calendário para me preparar para futuras más notícias.

* com teor de chumbo igual ou inferior a 0,013 g por litro

 

Socialismo no século XXI

A doutrina socialista apregoa igualdade, mas o resultado palpável obtido sempre que algum país leva à prática as ideias de Marx, acaba por ser a miséria generalizada, excepção feita aos iluminados camaradas dirigentes que conduzem o rebanho se sacrificam liderando as massas.
A Venezuela é hoje um triste e lamentável exemplo do resultado a que conduzem o desrespeito pelas liberdades, pela propriedade e iniciativa privada. Não faltam por esse mundo fora invejosos aspirando a meter as mãos nos bolsos de quem produz, em nome do Estado social e outros disparates do género. A bizarria começou com Chavez, mas agravou-se com Maduro, que incapaz de encarar o fracasso da sua política, recorre a delirantes desculpas inventando inimigos e teorias da conspiração, esquecendo o essencial, que o seu regime socialista nada produz à excepção do petróleo, uma riqueza natural que nada tem a ver com política. Ainda assim, nem ao combustível a população consegue aceder. [Read more…]

Investimento estrangeiro, ditaduras e paraísos fiscais

Um estudo do Ministério da Economia aponta para um investimento estrangeiro na casa dos 119 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2017, do qual 44% tem origem no Luxemburgo e na Holanda. Porque os nossos parceiros luxemburgueses e holandeses têm interesse nas oportunidades disponíveis no nosso país? Nem por isso.

O que acontece é que, como todos sabemos, apesar do esforço hercúleo de alguns para o negar, Luxemburgo e Holanda são paraísos fiscais. Daí decorre que funcionam como base operacional para diferentes tipos de investidores, de variadas nacionalidades, que usam as habilidades fiscais dos nossos parceiros europeus para uma vasta gama de negócios, que vão das simples lavandarias de dinheiro até subsidiárias de interesses oligarcas e estatais autoritários, como é o caso da China Three Gorges, que investe no nosso país através de uma holding sediada no Luxemburgo. [Read more…]

2 pesos e 2 medidas é que não pode ser, explicações precisam-se…

54 mil Euros pagos em 6 prestações a 3 familiares entre 2009 e 2011, por alguém que tem declarados rendimentos de trabalho dependente na ordem dos 200 mil Euros não parece à primeira vista um assunto de grande relevância. [Read more…]