Chefe, temos um problema

Uma análise superficial do assunto pode levar a pensar que esta questão que traz o Sporting ocupado há uns meses é um problema do Futebol, que se circunscreve à respectiva tribo e resulta da natural estridência que o “desporto rei” sempre suscita.

Quem assim pensar, está enganado.

A “questão Sporting” é uma questão de Estado – do Estado de letra e do Estado de facto.

Acontece que uma das partes em confronto – precisamente aquela que menos influência tem no Estado de facto – acaba de introduzir uma novidade no pleito: um Filósofo. Que sabe mais disto do que os peões do Estado de facto todos juntos. O jogo está, agora, mais equilibrado. Há um carregador de piano a varrer o meio-campo. E já alguém, certamente, avisou o Chefe:

⁃ Chefe, temos um problema.

Vidal e as três razões

Di giorno, se il tempo era bello, s’assistimava in coperta. A leggere.

Andrea Camilleri

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Segundo o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão, são duas as razões que impedem Vidal de jogar na Premier League.

Mourinho e Guardiola, transmite A Bola, terão rejeitado a contratação de Vidal devido quer à idade do futebolista, quer às duas operações feitas ao joelho do marcador do único golo de um dos melhores jogos de futebol que vi in loco.

Todavia, haverá uma terceira razão.

Efectivamente, o empresário de Vidal ‘contatou’ Manchester City e Manchester United.

Se tivesse contactado, provavelmente, a história seria outra.

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2 de Agosto de 1906 – Parabéns ao FC Porto pelo seu 112.º aniversário!

Quando José Monteiro da Costa e demais companheiros do Grupo do Destino se juntaram no dia 2 de Agosto de 1906, para decidir a transformação daquele grupo informal num clube desportivo, não faziam qualquer ideia que existira 13 anos antes um outro clube com a mesma designação.
Afinal, aquele primeiro FC Porto, o de 1893, fundado por Arthur Rumsey, Fernando e António Nicolau de Almeida, resumira-se a meia dúzia de treinos, a que chamaram «match», no hipódromo de Matosinhos. Fora tão relevante no panorama futebolístico português que, entre 18 jornais diários publicados na cidade do Porto, a única notícia da sua fundação tivera de sair, a 28 de Setembro, num jornal lisboeta associado à alta aristocracia e ao regime monárquico. Meses depois de o clube ter sido efectivamente fundado e iniciado a sua (residual) actividade.
Quanto a José Monteiro da Costa, filho de um ajudante de jardineiro, diz-se que previu o futuro. Que um dia o FC Porto iria representar Portugal nas altas instâncias internacionais. «O nosso fundador» – como muito bem disse Jorge Nuno Pinto da Costa no discurso de celebração do último título.
Mesmo que o estatuto de fundador lhe tenha sido usurpado, aí está o FC Porto, ao fim de 112 anos de História, para homenagear a sua memória e os seus curtos 32 anos de vida.

Politicamente correcto, os talibãs do sec. XXI…

Agora que se aproxima o fim do mundial da Rússia, decidiu a FIFA ceder à insidiosa agenda do politicamente correcto e proibir grandes planos de miúdas giras. Muito provavelmente agora só teremos direito a ver nas transmissões gajos de copo na mão e claques de apoio mais ou menos carnavalescas.
A FIFA vai por mau caminho, se quer promover o respeito pelas mulheres poderia começar por obrigar a que todas as federações filiadas permitam a entrada de mulheres nos estádios e promovam a prática de futebol feminino sem uso obrigatório de véu ou burka… Quanto a questões de género, que filmem tudo e cada um coma o que gosta. Já não há mais paciência para proibições, restrições ou recomendações desta gente…

Sexta-feira, 13

Tomorrow is another day.

— Peter Sagan

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Efectivamente. Ainda por cima, sendo sábado, não teremos o nosso querido Diário da República.

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Acordo Ortográfico de 1990: parar de fazer

Vendo bem, não há muito para contar.

— Ana Cristina Leonardo, “O Centro do Mundo

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Os meus agradecimentos ao muito atento e excelente leitor do costume.

Efectivamente.

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Efectivamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’

A selecção partiu. A seleção ficou.

Ronaldo, o ˈɛlbəʊ e o Egipto

Om de akoestische kenmerken van een spraakgeluid nauwkeurig te kunnen analyseren is een kwaliteitsvolle opname nodig. Enerzijds is de opnameapparatuur heel belangrijk. De microfoon moet alle variaties in frequentie en intensiteit kunnen opvangen die in het spraakgeluid voorkomen. Een vlakke frequentieweergave van 20 Hz tot 20 kHz en een dynamisch bereik van 90 dB maken optimale spraakopnames mogelijk met maximale variaties binnen de spreek- en de zangstem.

— Smessaert & Decoster

City of orgies, walks and joys!
City whom that I have lived and sung in your midst will one day make you illustrious,
Not the pageants of you—not your shifting tableaux, your spectacles, repay me;
Not the interminable rows of your houses—nor the ships at the wharves,
Nor the processions in the streets, nor the bright windows, with goods in them;
Nor to converse with learn’d persons, or bear my share in the soiree or feast;
Not those—but, as I pass, O Manhattan! your frequent and swift flash of eyes offering me love,
Offering response to my own—these repay me;
Lovers, continual lovers, only repay me.

Walt Whitman

La prononciation uvulaire de ‘rr’, mais non pas de ‘-r-‘, comme R, se répand de plus en plus dans les villes. Cependant, on la regarde encore comme vicieuse, le rr apical étant toujours préférable au grasseyement du R, qui individuellement est plus profond qu’en français ou en allemand.

— Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna (1903: 19)

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Por um lado, temos o Ronaldo, o elbow, o pára e o para.

Por outro, temos as habituais cenas tristes no sítio do costume.

Nestas alturas, aliás, convém sempre lembrar que há uma diferença entre selecção e seleção e é igualmente importante recordar que o AO90 é inútil. Não acreditam? Perguntem ao CR7.

Efectivamente.

Lembrando também a existência em Portugal de um órgão de comunicação social que, em vez de promover a expressão livre de ideias, adopta actualmente a resistência silenciosa como forma de vida, vejamos a consistência na utilização de uma grafia contrária à letra do AO90, apesar de certas leituras abusivas, explicadas justamente pela falta de leitura. [Read more…]

Vídeo árbitro

Quando vejo um jogo de ténis sei que vencerá o melhor. As bolas atingem elevadas velocidades, por vezes superiores a 200 Km/h, e não é incomum haver dúvidas quanto à bola ter ficado dentro ou fora do campo. As próprias decisões do árbitro nem sempre são consensuais, podendo o jogador pedir para rever até 3 vezes as imagens do momento em que a bola tocou o chão.

No futebol reina o arbítrio, mesmo quando a decisão é polémica. No mundial deste ano foi introduzido o vídeo árbitro, que pode ser usado para rever uma jogada. Mas, contrariamente ao ténis, não é são as equipas que podem evocar essa revisão. Estas, podem pedir, como pedem a marcação de falta os jogadores que se sentem injustiçados, mas é o árbitro que decide se irá ou não rever o lance. No essencial, nada mudou quanto à natureza potencialmente inconsistente das decisões de arbitragem.

Sempre achei que, no negócio do futebol, nunca houve vontade para resolver o problema e vejo o processo escolhido para uso do vídeo árbitro como mais um ponto a reforçar essa ideia.

O peculiar Bruno de Carvalho

Que me desculpe quem ficar aborrecido, mas só me ocorre uma coisa: face ao diz que disse que não disse que disse de Bruno Carvalho, só me ocorre que esta é a versão Trump em jeito nacional. Depois de ter dito ontem que, afinal, nunca foi sportinguista e que deixou de ser sócio, hoje afirmou que vai impugnar a Assembleia Geral de ontem e que se vai recandidatar. Este percurso errático faz-me lembrar Trump, que não tem escrúpulos em dizer uma coisa e o oposto, se preciso até no mesmo discurso. Eu não sou pessoa de bola, mas não posso deixar de sentir pena ao assistir ao definhar de uma organização centenária. É, também, uma oportunidade para sublinhar a imensa mediocridade que envolve o futebol no geral, que estica os seus tentáculos à política e aos negócios. Este caldinho tem todos os ingredientes para correr mal.

Três perguntas ao senhor Comendador

André Saramago

Três perguntas ao senhor Comendador:

  1. Quantos sócios do Sporting sabem o que quer dizer “Revogação Colectiva”?
  2. Quantos sócios do Sporting irão confundir, no momento do voto, a palavra “Revogação” com “Renovação”?
  3. Quantos votos pensava o senhor Comendador ganhar com este truque?

A diferença entre Fernando Santos e os outros

Com Scolari estaríamos neste momento a discutir porque é que André Silva, substituído por Luís Boa Morte com 40 anos, ou Rui Patrício, substituído por José Sá, não tinham sido convocados. Com Oliveira estaríamos agora a debater a última noitada nas escaldantes casas de passe de Sochi.

Ao contrário dos outros, Fernando Santos não precisa de perseguir jogadores para demonstrar que é ele que manda no balneário. Também sabe que não é levando os jogadores às meninas que conquista o seu respeito. Santos sabe que não é assim que se gere um grupo. Com Santos, os jogadores distinguem bem os momentos de descontração dos momentos em que se exige um máximo de profissionalismo. Sabe que a melhor gestão de um grupo é complexa, nem Pinochet como Scolari, nem Zezé Camarinha como Oliveira.

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Tem tudo para correr bem!

A FIFA entregou a organização do Mundial de 2026 à candidatura conjunta do México, EUA e Canadá, o que é uma excelente notícia, porque tem tudo para correr bem. Pelo menos a julgar pelo estado das relações entre os três países, com especial destaque para esse portento da diplomacia em que se transformou a América de Trump.

Por falar em trogloditas, será que Donald Trump termina o muro que os mexicanos vão pagar, a tempo do Mundial que vão organizar em conjunto com o Canadá do “desonesto e fraco” Trudeau? Ou será preciso chamar o “talentoso” Kim Jong para meter ordem na casa?

 

Outra vez, Benfica?

Novas suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal, buscas domiciliárias e ao Estádio da Luz e seis novos arguidos. Deve ser a tal “cavala” de que se falava há uns dias…

Isaltino Morais na tribuna do Jamor

Sim, eu sei que o homem é autarca do concelho onde se situa o Estádio do Jamor. Mas vê-lo ali, todo sorridente na tribuna de honra, faz-me perder um pouco mais de esperança neste país. Faz-me acreditar, ainda mais, que o crime compensa mesmo.

Desculpe, senhor juiz, mas ele abriu a carteira e não pude deixar de o assaltar

Enquanto os holofotes mediáticos nos entretêm com o circo, o governo entreteve-se a não zelar pelo interesse nacional.

Entretanto, voltado ao tema do post, Costa, não destoando dos seus antecessores, aposta em resolver os problemas com mais legislação. Sempre fica mais simples dar a entender que a causa do problema é a ausência de legislação do que explicar porque é que a legislação existente não é aplicada.


Não costumo escrever aqui no Aventar sobre o meu Sporting. Começo por referir que sou sócio do clube com mais de 40 anos de filiação e quotas em dia. Nunca votei em Bruno de Carvalho, apesar de considerar em 2013 que era o melhor candidato à partida, no entanto algumas reservas à sua postura e estilo, fizeram com que me abstivesse. Em 2017 não votei porque a sua reeleição era um dado adquirido à partida e nunca levei a sério o opositor. Mesmo no actual contexto ninguém aponta uma solução protagonizada pelos rostos da oposição eleitoral ao ainda presidente do clube. Verdade que sempre apontei críticas a Bruno de Carvalho, mas fui apoiando o seu trabalho, não me revendo apenas no estilo de presidência. Até que chegou o fatídico mês de janeiro deste ano, quando o menino mimado passou de birrento a déspota, provocando uma crise desnecessária e imprevista, quando a equipa de futebol liderava o campeonato de futebol. [Read more…]

https://aventar.eu/2018/05/19/1290263/

Director do futebol do Sporting detido no âmbito de investigação de corrupção

André Geraldes e outras três pessoas ligadas ao Sporting foram hoje detidas pela PJ, suspeitos de dirigir um esquema de compra de árbitros para garantir a conquista do campeonato nacional de andebol.

O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

Sporting: corrupção no andebol sob investigação do Ministério Público

Já sabíamos que os leões são muitos fortes no mundo desportivo que existe para lá do futebol. Daí até comprar o título o nacional

E então, malta? É para meter o Marega?

M

Espero que tenham apreciado os ritmos malianos. O Usain Bolt dos relvados portugueses voltará dentro de poucos meses, isto se entretanto não aparecer nenhum clube disposto a meter uns quantos milhões nos cofres do FC Porto para o levar para outras paragens. Até já!

Não tens nada que agradecer, Sporting

Nunca falta dinheiro para salvar bancos. Nunca. Pode faltar na Saúde, na Educação, na Acção Social ou na Cultura, mas para salvar bancos, o que muitas vezes significa assumir calotes de devedores multimilionários que, pela posição que ocupam, poucos ousam incomodar, nunca falta um cêntimo.

De igual forma, nunca falta nos bancos dinheiro para salvar clubes de futebol. Pode faltar para as famílias, pode faltar para as empresas de outros sectores de actividade, mas para salvar clubes de futebol, o que muitas vezes significa assumir os custos de operações que, por mero acaso do destino, encheram os bolsos de meia-dúzia de agentes e dirigentes desportivos, também não falta um cêntimo que seja. [Read more…]

Grafias de fim-de-semana

Well the fact of the matter is: we can do just about anything. People like us, let’s say, we wouldn’t be here otherwise, are pretty privileged. We have the kind of privilege that few people have ever had in history or have now and if you have privilege you have opportunity and the opportunities are almost boundless. I mean thanks to the struggles of the past, it hasn’t always been like this, but thanks to the struggles in the past, there is a tremendous amount of freedom. The state may try to repress you, but they can’t do a lot.

Noam Chomsky

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Exactamente.

Efectivamente.

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E se o Benfica não for pentacampeão?

Confesso: tenho muito medo de que o Futebol Clube do Porto seja campeão nacional. Esse medo não nasce do meu já lendário benfiquismo, sendo antes resultado da minha profunda amizade por alguns portistas.

Na verdade, alguns dos meus amigos adeptos do extraordinário clube que é o Futebol Clube do Porto cultivam uma fé cega (o que é, talvez, uma redundância) na certeza de que os sucessos do Benfica assentam exclusivamente na corrupção, num domínio absoluto da arbitragem, através de uma multiplicidade de meios e de uma rede tentacular – mesmo octópode. Esses meus amigos têm, desde o início do campeonato, a certeza absoluta de que o Benfica será campeão nacional, ao contrário de mim, que acredito sempre que, enquanto for matematicamente possível, está-se sempre a tempo de não ficar em primeiro lugar. Isto quer dizer que, apesar da minha natureza essencialmente corrupta, tenho pouca fé na corrupção e chego, até, a duvidar de Jonas. [Read more…]

Mentiras ortográficas

With regard to the prepalatal sibilants, the tip of the tongue touches the gums and the base of the lower teeth, and the form of the tongue is convex.

— Oihane Muxika-Loitzate

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No outro dia, foi a SIC.

Hoje, é A Bola.

Rafa escreve objectivo.

O jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão transcreve objetivo.

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— São contatos, senhoras e senhores, são contatos!

The sound patterns of L2 learners are the way they are, in other words, because they could not be otherwise, given the nature of the constraints on L2 phonologies.

Fred R. Eckman

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São contatos? Ah! Pois são.

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Aristóteles, muito Chomsky, algum infinitivo e o Benfica-FC Porto

Global Imagens/DN (https://bit.ly/2GOVCht)

When I’m driving, I sometimes turn on the radio and I find very often that what I’m listening to is a discussion of sports. These are telephone conversations. People call in and have long and intricate discussions, and it’s plain that quite a high degree of thought and analysis is going into that. People know a tremendous amount. They know all sorts of complicated details and enter into far-reaching discussion about whether the coach made the right decision yesterday and so on. These are ordinary people, not professionals, who are applying their intelligence and analytic skills in these areas and accumulating quite a lot of knowledge and, for all I know, understanding.

Noam Chomsky

Professional sports are a way of building up jingoist fanaticism. You’re supposed to cheer for your home team. […] This idea of cheering for your home team, which you mentioned before, that’s a way of building into people irrational submissiveness to power. And it’s a very dangerous thing.

Noam Chomsky

Why do you care who wins? Why do you care who wins? Why do you have to associate yourself with a particular group of professionals, who you are told are your representatives, and they better win or else you’re going to commit suicide, when they’re perfectly interchangeable with the other group of professionals.

— Noam Chomsky

„Unter dem Entgegengesetzten aber hat der Widerspruch kein Mittleres; denn der Widerspruch ist ja eben eine Entgegensetzung, von deren beiden Gliedern eines jedem beliebigen Ding zukommt, ohne dass es zwischen ihnen ein Mittleres gibt.“

Aristóteles

Porque o árbitro se encontrava bem colocado e perto, cerca de 3/4 metros, e foi peremptório a assinalar a grande penalidade, aliado ao facto de não terem existido protestos de jogadores da equipa penalizada, que aceitaram pacificamente a decisão, com excepção do faltoso, único a esboçar contrariedade, damos-lhe o benefício da dúvida.

José Gonçalves

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

Reparar (opção minha, i.e., intencional, para o caso em apreço, não vá andar por aí o Ciberdúvidas, de gramática normativa em riste e corrector em punho) nos infinitivos de Duarte Gomes, árbitro que tinha dificuldade na detecção de inofensivos saltos do Jardel (o Mário) na área do Benfica, confundindo-os com lances para grande penalidade.

Isso foi há muitos anos, mas o sempiterno tema da arbitragem no futebol voltou à ordem do dia cá de casa, aqui, aqui e aqui (toma e embrulha, JJC). 

Comecemos pelo mais importante, pelos infinitivos — os tempos indicados (m:s) dizem respeito ao vídeo que aparece lá em baixo, em (*):

recordar isso em casa’ (20:49); ‘dizer também’ (20:50); ‘e dizer-vos antes’ (21:58), ‘e convidar‘ (21:59), ‘e recordar‘ (22:44), ‘e dizer‘ (23:04), ‘fazer alguma pedagogia lá em casa’ (25:33); ‘recordar que estamos no âmbito das opiniões’ (26:02); ‘ver a imagem com o dinamismo’ (26:14) ou ‘Paulo, focar, focar no braço direito’ (26:30-2), ‘Paulo, perceber que isto está em dinâmica, OK?’ (26:43-5).

De facto, esta tendência sintáctica de infinitivo isolado em início de oração aparece aqui de forma abundante, através de um falante de português europeu. Pense-se neste caso em que escrevo pense-se neste caso, em vez de pensar neste caso. Convém de facto pensar neste caso, em que não dispenso o ‘convém’ (e o ‘de facto’), para não começar a frase com pensar neste caso. Pegando num dos exemplos de Duarte Gomes, em vez de recordar isso em casa, pense-se em recorde-se isso em casa e é importante também pensar em soluções como é importante recordar isso em casa. Mas este fenómeno é assunto que vou deixar para entretenimento e discussão em aulas e em clubes de sintaxe, isto é, fica para outra altura, depois do Benfica-FC Porto de amanhã. Para um benfiquista portuense como eu, dias de Benfica-FC Porto e de FC Porto-Benfica são dias mágicos: mais do que dias de Benfica-Sporting ou de Sporting-Benfica.

Por isso, vou meter a minha colherada na celeuma futebolística da semana, aqui no Aventar — quem não gostar nem de futebol, nem de discussões sobre futebol ou sobre o árbitro, o ovo e a galinha pode ficar por aqui, em vez de ler mais.

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Santana Lopes não é candidato!

Óptimo. Este «não me candidato ao Sporting» significa a continuação de ortografia por aquelas bandas e a ausência de confusões como «agora facto é igual a fato (de roupa)».

Luís Godinho é moralmente corrupto e um digno sucessor de Bruno Paixão

Não sei se houve ou não dinheiro envolvido naquilo que o árbitro Luís Godinho fez no Sábado durante os 90 minutos do Setúbal – Benfica. Suponho que não. Pelos mails, percebemos que esse não é o “modus operandi” do Benfica. Ou, pelo menos, não é o principal.
O esquema é tão simples que corre por si próprio sem que sejam necessários contactos entre as partes.
O Conselho de Arbitragem é apoiado pelo Benfica e dele depende para se manter no cargo – dele fazem parte José Fontelas Gomes, que pelos mails sabemos que tinha um camarote privativo no Estádio da Luz nos tempos da APAF; e João Ferreira, o tal que «pode ser» numa das escutas que a equipa do Apito Dourado decidiu ignorar – Luís Filipe Vieira negociava então, com Valentim Loureiro, a escolha do árbitro para um jogo do Benfica.
Sabendo que está nas mãos do Benfica, que por sua vez tem nas suas mãos um conjunto alargado de clubes, conseguidos através de diversas prebendas (do empréstimo de jogadores ao pagamento de verbas avultadas pelo direito de opção de um jogador «a escolher» e que nunca chega a ser exercida), o Conselho de Arbitragem faz as nomeações dos árbitros que mais interessam ao clube. Era assim no tempo de Vítor Pereira e nada mudou com Fontelas Gomes.
Neste processo, têm um papel fulcral os classificadores de árbitros e, entre eles, o seu responsável máximo. Até há dois anos, era Ferreira Nunes, aka Franck Vargas, a quem o Benfica pagou pareceres jurídicos, bilhetes e noites em hotéis. Hoje em dia, deve ser um outro Ferreira Nunes qualquer.
Os árbitros sabem que, se quiserem ter uma boa nota dos seus classificadores, têm de favorecer o Benfica. Melhores notas são o garante de nomeações para mais jogos, logo, mais dinheiro.
Não por acaso, Luís Godinho é o líder das nomeações nesta temporada. Um dos internacionais-proveta do tempo de Vítor Pereira, que na época passada foi contra um jogador do FC Porto, Danilo Pereira, e expulsou-o por causa disso, num episódio anedótico que correu toda a Europa. Aliás, nesse jogo em que era preciso arrumar o FC Porto da Taça da Liga, conseguiu-o: expulsou Danilo e Brahimi e roubou um penalty descarado.
A recompensa pelo bom trabalho que tem feito aí está. Na presente época, foi nomeado para mais jogos do que todos os seus colegas. Entre eles, três jogos do Benfica, dos quais os dois contra o Setúbal. Jornada de pré-clássico é jornada de Godinho – Fontelas Gomes sabe-a toda. [Read more…]

O clube mais corrupto do mundo voltou a ganhar com um penalty escandaloso nesta palhaçada que é o futebol português


O Benfica, o clube mais corrupto do mundo, ganhou de novo com um penalty escandaloso no último minuto marcado pelo padre de serviço.
Como é óbvio, o regime insalado não ia permitir que o Benfica passasse para o 2.º lugar e logo nas vésperas de receber o FC Porto.
A escolha do padre Luís Godinho, aquele que na época passada foi contra Danilo Pereira e expulsou-o, foi cirúrgica. Poupou o cartão amarelo a Jardel e a Feisja, que os impediriam de defrontar o FC Porto, perdoou a expulsão de Rúben Dias e transformou um penalty contra o Benfica numa falta atacante. Já depois dos 90 minutos, como o empate continuava, desencravou o resultado da forma mais habitual: um penalty inexistente em que, depois de uma mão de um jogador do Benfica que não foi assinalada (na semanna passada, uma mão igual deu penalty a favor do Benfica), Sálvio atirou-se para o chão depois de sentir um contacto normal do ex-benfiquista Luís Filipe, que tinha acabado de entrar. Ainda Sálvio, que se atirou para o chão dois segundos depois do alegado contacto, não tinha caído e já o árbitro marcava penalty. Sem ter dúvidas – a favor do Benfica, os padres nunca têm dúvidas. Nunca têm dúvidas e nunca se poupam a esforços para demonstrá-lo.
Está de parabéns o árbitro Luís Godinho e quem o nomeou, mais o VAR Hugo Miguel, que também nunca tem dúvidas quando está em causa o Benfica (o FC Porto é que prova do veneno dele). De certeza que vão ter excelentes classificações no final da temporada. Afinal, é assim que as coisas funcionam.
São mais dois obreiros do penta que se anuncia – o clube mais corrupto do mundo pode encomendar as faixas. Nada se nega a quem é um Estado dentro do Estado.
Podem encomendar as faixas, podem parar de fingir que estão a investigá-los, podem arquivar de vez todos os processos. Já se sabe que nada vai acontecer a quem controla de forma infame o poder executivo, o poder judicial e o poder mediático da Comunicação Social. Como sempre controlou em 85 anos de Campeonato Nacional – é, ó paladinos da verdade desportiva, o futebol português não começou nos anos 90.
Diz que são 6 milhões. Sim! 6 milhões de corruptos [Read more…]