LT2 – SIGLA PARA UM LUTO

No próximo fim-de-semana, decorre em Paredes o EuroHockey Indoor Championship II, Men, com a participação das equipas da Croácia, Eslováquia, Espanha, Polónia, Portugal, Turquia e Ucrânia.

Na última participação nesta prova, em Lucerna, em 2019, imediatamente antes de a pandemia ter alastrado ao mundo, a selecção portuguesa esteve a escassos segundos de ser promovida ao Championship I, a divisão maior do hóquei de sala europeu.

Na prova que se inicia, amanhã, dia 14, para além da Polónia e Ucrânia, que foram despromovidas da divisão acima e expectavelmente com ritmo competitivo superior ao nosso, acresce que, com o crescendo de importância da variante indoor a nível mundial, teremos em Paredes desde logo a Espanha, que em 2009 entrou pela divisão mais baixa, tendo sido promovida, como era esperado, em função do peso que o hóquei espanhol tem no mundo. Um pouco como, também em 2019, aconteceu com a selecção feminina que, na Eslováquia, teve pela frente exactamente a Espanha e a Irlanda. [Read more…]

Abel não é Jesus

Pelo segundo ano consecutivo, Abel Ferreira liderou o Palmeiras até à conquista da Taça dos Libertadores. Quando o treinador português aterrou em São Paulo, em 2020, o “Verdão” tinha apenas uma Libertadores no palmarés. Em dois anos de Abel Ferreira, passou a ter três. Um feito só ao alcance dos melhores, reflexo da excelência dos treinadores portugueses, que dão cartas nos quatro cantos da esfera, seja na Premier League, seja nas competições europeias, sul-americanas ou asiáticas (nem de propósito, Leonardo Jardim venceu há dias a AFC Champions League, a Liga dos Campeões asiática, ao comando do Al Hilal). Enorme Abel Ferreira! Um verdadeiro campeão.

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Revolução no mundo do futebol

Acho que estou a sonhar. No mundo alienado do futebol aconteceu ontem algo que parece inédito e fantástico:  A assembleia geral anual do poderoso FC Bayern München acabou num tumulto porque os adeptos se insurgiram contra o contrato de patrocínio com a companhia aérea do Qatar e cortaram a palavra aos dirigentes do Bayern. E porquê? Pelas violações dos direitos humanos no Qatar e pelas sérias acusações de corrupção no desporto.

Uau!!!

P.S. O vídeo pode ser visto aqui

 

«Desesperado, ficou de joelhos no relvado»

Efectivamente. De facto. Exactamente. Como diria Guardiola, «son cosas que pasan».

O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

 

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.

Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.

Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida. [Read more…]

Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.

Não é bem assim

«LIVERPOOL FICOU PARA TRÁS». O Liverpool continua à frente.

Os 33 milagres dos paralímpicos portugueses

Sim, foram 33 os milagres que os superatletas paralímpicos portugueses conseguiram materializar em Tóquio: para além das duas medalhas de bronze e dos 23 diplomas paralímpicos, foram batidos oito recordes nacionais. O que dá este número redondo (diga 33…) que nos alegrou durante estes últimos dias, em que acompanhámos a superação dos nossos atletas.

Neste período pós-pandemia, convenhamos que se revelaram inesperados estes resultados para quem foi honesto na apreciação, no julgamento e nos encómios,  e, vá lá, os dos olímpicos, que também ultrapassaram as expectativas até dos dirigentes desportivos mais ligados a estas coisas do alto rendimento. [Read more…]

PSG, Messi e o autoritarismo que toleramos em nome do futebol

O Paris Saint-Germain, um dos maiores clubes de França, detentor do mesmo número de campeonatos que o Saint-Etienne (9), menos um que o Marselha e um percurso mediano nas competições europeias, é hoje o ícone maior do lamaçal em que chafurda o futebol moderno. Bilionariamente financiado por um fundo controlado pelo monarca absoluto do Qatar, Tamin bin Hamad Al Thani, o PSG é o exemplo acabado, mas não o único, de como a Europa se deixou colonizar pelo dinheiro mais sujo e corrupto que circula no planeta. A mesma Europa do futebol patrocinado pela Gazprom e por outras empresas controladas por ditaduras, onde qualquer oligarca russo, chinês ou saudita adquire um clube, lava a imagem e o dinheiro manchado de sangue. Não admira que Messi lá tenha ido parar. Mais barril de petróleo, menos barril de petróleo, mais mulher lapidada, menos mulher lapidada, tudo se compra, pelo preço certo em euros, na Europa da liberdade e da democracia, onde tantos vêm uma ameaça nos desgraçados dos migrantes que dão à costa na Grécia, e tão poucos se preocupam com os tapetes vermelhos que se estendem para personagens sinistras como o Emir do Qatar.

Leo Messi e o amor à camisola

Não nutro qualquer tipo de sentimento relativamente a Lionel Messi. Não o venero, não o odeio, não me perco em comparações. Também não me é indiferente, na medida em que gosto de futebol, e Messi é, indubitavelmente, um dos mais geniais executantes da modalidade que a humanidade viu jogar. Estará, seguramente, no top 3 da história do futebol, sendo que tal ranking, por não existirem métricas universais ou comummente aceites para hierarquizar o talento dos futebolistas, vale o que vale, por ser do domínio da opinião, e o que não falta no futebol são opiniões.

Dito isto, é com enorme estranheza que vejo algumas reacções inflamadas que a sua saída do Barcelona está a causar. Que lê o que se tem escrito, fica com a sensação que, no mundo do futebol, o amor à camisola ainda impera. Ou sequer existe. Lamento se desiludo alguém, mas a boa velha lealdade entre jogadores e clubes, de parte a parte, é como os linces ibéricos. Existem alguns, poucos, às vezes nasce mais um ou outro, mas são uma espécie ameaçada no limite da extinção.

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Dizem que um homem não chora

…até lhe tocarem no ordenado.
O homem que chora porque o patrão não lhe pode pagar mais do que trinta e oito milhões de euros por ano. Há cada injustiça neste mundo… 

Social-fascismo?

Retirado da página de Facebook “Página Miguel Viegas”

Miguel Veiga talvez seja desconhecido da maioria. Mas façamos a apresentação.

Miguel Veiga é dirigente do PCP em Ovar e Aveiro. É, também, candidato do PCP à Câmara Municipal de Aveiro. Foi dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro e, entre 2009 e 2013, exerceu as funções de deputado na Assembleia Municipal de Ovar. É, neste momento, dirigente associativo no clube de canoagem de Ovar. É, portanto, alguém que, mesmo sendo desconhecido da maioria, ocupa e ocupou, no passado, cargos que o deviam fazer pensar duas vezes antes de abrir a boca. O facto de ser, nestas autárquicas, candidato a uma Câmara Municipal (reitero: pelo PCP, não pelo Chega), deveria reforçar esse sentido de responsabilidade, especialmente quando representa o partido que representa. [Read more…]

O Pimenta salazarista

Deu ao Chega a sua primeira medalha nestes Jogos Olímpicos.


O FC Porto faz hoje 115 anos


O meu FC Porto, fundado por José Monteiro da Costa, faz hoje 115 anos.
O meu.
Existiu outro FC Porto, em 1893, que teria feito 128 anos no último dia 14 de Abril, não fosse o caso de ter acabado logo no ano seguinte, em 1894.
Provas, provas e mais provas não faltam. Foram 2 clubes diferentes e os próprios iniciadores de 1906 o disseram nos jornais já em 1952 (ver foto).
Há mais de um ano que tento publicar a História da Fundação dos FC Porto, mas infelizmente nenhuma editora se mostrou interessada.
Na verdade, não é assim tão importante. Um clube é muito mais do que a sua antiguidade.
E o meu FC Porto não é maior ou mais pequeno por ter sido fundado em 1906.
Porque é o meu FC Porto.

Golo do presidente

Efectivamente, golo do presidente.

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO!

Nótula pessoal: Neste exacto momento, como nunca tive o dom da ubiquidade, estava no Dramático de Cascais. Mas depois redimi-me e fui ao Bessa (fica perto de casa e dei um abraço ao Toni).

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O meu avô materno era de Fiscal

Todavia, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão equivocou-se. Efectivamente, Conselho Fiscal ≠ Conselho de Fiscal (aliás, Fiscal não é nem conselho, nem concelho, é freguesia). Penso eu *de que.

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Fernando Santos piscou o olho

Efectivamente. Exactamente.

Estão de olhos TAP(ados)?

 

Se eu quiser viajar de avião, escolho o destino , e em função de vários factores ( preço, horários, aeroporto de partida e de chegada, possibilidade de bagagem, compromissos, entre outros) escolho a companhia de aviação. Faço uma escolha que embora livre, tem essas condicionantes. O dinheiro é meu e gasto-o conforme considere que é a melhor escolha.

Presumo que com as entidades colectivas privadas ocorra o mesmo, embora possa haver alterações, uma urgência de última hora, adiamentos não atribuídos à companhia/voo, etc.

Está a decorrer o Campeonato do Mundo de Futebol. Está a ser jogado em vários estádios em vários países, o que obriga a viagens de avião, mesmo na fase de grupos.

Em 2016, ano em que a equipa principal de futebol portuguesa foi campeã europeia, o voo de regresso ao nosso país, em glória, foi efectuado por um avião da companhia GainJet, não obstante a TAP ter preparado um avião, simbólicamente baptizado de Eusébio, para o efeito (tiques à Estado Novo).

A actual selecção principal de futebol, actualmente na Hungria, a disputar o Campeonato do Mundo, foi para aquele país num Boing 737-400, da companhia Air Horizont Limited (uma companhia aérea de Malta, subsidiária de uma companhia espanhola).

Eu, que sou desfavorável à existência de uma companhia aérea do Estado em Portugal, mas manda quem pode, pergunto-me, se num ano em que a situação da TAP é muito complicada, ocasiões como esta não deveriam ser aproveitadas?

Futebol, o verdadeiro dono disto tudo: o caso Pedro Adão e Silva

Futebol. Um conjunto de instituições de exagerado poder, com tentáculos na política local e nacional, há décadas a viver acima das suas possibilidades e em situação permanente de falência técnica, em particular as suas elites, a quem tudo é permitido, seja corrupção, sejam fraudes fiscais, sejam os mais variados abusos de poder, seja o que for. Vale tudo e está tudo bem.

Até no interior do Parlamento se faz o poder futebolístico representar, através dos poucos fóruns onde o unanimismo reina, que são as associações de deputados-adeptos dos principais clubes, onde podemos encontrar um deputado do CDS a brindar com outro do PCP, e que, não raras vezes, até recebem os seus presidentes e outros dirigentes para almoçar ou jantar.

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Portugal com Israel? Em nosso nome, não!

A Federação Portuguesa de Futebol não está à altura do país que representa. Nem tão pouco, quero acreditar, dos seus jogadores e adeptos. O meu país é outro. É o país que encheu o Martim Moniz contra a radicalização do colonialismo israelita, o seu apartheid e o genocídio do povo palestiniano. É o país que acolheu sempre com muito carinho as Flotilhas da Liberdade contra o bloqueio criminoso que Israel impõe à Faixa de Gaza desde 2008. É o país onde a maioria dos judeus não aceitam ser exportados para ir colonizar uma terra que não lhes pertence. É o país que reivindica uma cultura mediterrânea onde as culturas se partilham e não se combatem, onde as várias heranças se combinam sem síndromes caducas de superioridade. É o país que reconhece a legitimidade do Estado da Palestina. A Israel sobra apenas o poder do dinheiro e meia dúzia de trolls invertebrados que o defendem a troco de subvenções. Caso o jogo se mantenha que ao menos haja alguém a lembrar a parte de Portugal que nos orgulha e a envergonhar a parte de Portugal de que não nos faz falta nenhuma.

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Sporting-19, ou mais uma Terça-feira normal no escritório de Eduardo Cabrita

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa@Sapo Desporto

Em primeiro lugar, parabéns a todos os sportinguistas, em especial aos cá da casa, pela merecida conquista do campeonato, sem espinhas ou discussões: quem perde zero vezes durante todo o campeonato, em princípio não ergueu o troféu por obra do acaso.

Em segundo lugar, a pergunta que se impõe? Eduardo Cabrita tem nudes de António Costa? É que, a cada dia que passa, restam cada vez menos justificações plausíveis para que continue no cargo, se é que ainda existe alguma, pelo que a teoria da conspiração, neste caso, poderá não estar assim tão afastada da realidade. Alguma coisa o homem há-de ter, para que um político sabido e experiente como António Costa continue a colocar em causa a sua própria credibilidade e a do governo que chefia, como de resto se viu hoje no Parlamento, com um ministro-desastre como Eduardo Cabrita. [Read more…]

Não são só eles que sabem porque não ficam em casa

“Daqui a 15 dias, quero ver. Por mim, nem tinham direito a ventilador!”

Para começar, são 14 dias. Duas semanas são 14 dias, não 15. Sete mais sete. Mas mais relevante ainda é que, quando a poeira da insanidade assentar, o chavão dos 15 dias irá figurar no nosso anedotário. É um prazo de validade intimidante, um macabro vaticínio de morte e, portanto, perfeitamente enquadrado na narrativa apocalíptica. Carece, no entanto, de qualquer validação factual.

Não é a genuína preocupação com a saúde pública que os mobiliza a apregoar a condenação de gente que só quis usufruir do merecido festejo. É, isso sim, um impulso onanístico e inquisitório. Observar aquilo que aos nossos olhos são condenáveis meliantes representa para muitos a oportunidade perfeita para se distanciarem da sua malvadeza. Faz sentido que o queiram fazer: como reivindicam punições e musculada intervenção policial e militar, é importante deixar claro que não é a eles que devem ser dadas as cacetadas, é naturalmente aos outros. Arrogando-se o papel de protetor de vidas e ciência, quando contribuem diariamente para destruir ambas, fazem da menina d’A Lista de Schindler que vocifera “Goodbye, Jews!” sem saber o que são judeus, só porque toda a gente à volta a ensinou a odiar.

Seria expectável que, perante a sucessão de situações em que este prognóstico da catástrofe iminente em 15 dias não se verificou, o medo em que nos afogaram começasse a dar lugar à dúvida. É dela que nasce a ciência, e não do dogma.

Mas há uma pedra pesada no caminho da lógica: o orgulho. Custa demasiado engolir o amargo   paladar do reconhecimento de um erro. Desconfiamos das nossas informações, embaraçam-nos as nossas próprias palavras e abalam os alicerces das nossas convicções. E, com a dimensão deste assunto e com a convicção emocional por trás das tomadas de posição, vemo-nos sujeitos a vexame alheio. Transformaram isto numa guerra de dois lados e qualquer cedência intelectual é encarada como humilhante derrota. A este preço, vai ser muito difícil que as pessoas, mesmo vendo a hipocondria desvanecendo-se nos ventos curandeiros da racionalidade, venham a admitir que foram enganadas. É essa resistência egotística – aliada a uma perversa inclinação autoritária e alergia a felicidade alheia – que prende a opinião pública a uma posição que neste momento não passa de um delírio coletivo.

Parabéns presidente Frederico Varandas

Fui dos que pedi que antecipasses eleições, porque duvidei que tivesses competência para nos devolveres à glória. Torci o nariz quando apostaste na contratação de Ruben Amorim por 10 milhões de euros, uma exorbitância, que classifiquei como um all-in.
Contra tudo e quase todos, venceste. Vencemos! Porque o Sporting C.P. somos todos os que sentem a verde e branca ostentando o leão rampante no peito.
A primeira grande vitória da época foi recuperar o entusiasmo, a confiança dos adeptos, de que a época nos poderia trazer algo. E nem começámos bem, eliminados na pré-eliminatória da Liga Europa. A precoce eliminação na taça de Portugal também não ajudou, mas jogo a jogo, fomos somando pontos no campeonato e hoje somos Campeões Nacionais.
Obrigado presidente, por não teres desistido, quando muitos te pedimos que o fizesses. Mas não ganhaste sozinho, ninguém ganha sem uma equipa, obrigado a todos os profissionais que compõem a estrutura da equipa de futebol profissional. Permito-me destacar o mister Ruben Amorim, confesso adepto de clube rival, mas um profissional competente, que conquistou o nosso respeito e admiração e seguramente ocupará um lugar na História centenária deste clube que amamos e pelo qual sofremos.
Há muito trabalho pela frente, mas sobre o futuro, voltaremos a falar brevemente, mas não agora, hoje é tempo de celebrar esta importante conquista. Ninguém verga um leão, onde foi um, fomos todos e juntos, chegámos ao título. Força Sporting!!!

Luis Filipe Vieira, Promovalor e BES entram num bar….

Resumo dos primeiros minutos da ida de Luis Filipe Vieira (dono da Promovalor e presidente do Benfica) à Assembleia da República (caso devedores do BES):

“Foi o BES. Não me lembro. Foi a pandemia. Não sei. Foi o BES. Foi a crise de 2011. Não me lembro. Do Brasil é com o meu sócio. Não conheço. O meu sócio é que os conhece. Não temos conhecimento de nada disso. Se quiserem enviem as perguntas por escrito”. É isto. A culpa vai ser do motorista.

Hugo Miguel, Pedro Pinho e o Futebol Português entraram num bar…

Ontem, no final do jogo de futebol entre o Moreirense e o FC Porto, um repórter de imagem da TVI foi agredido pelo empresário Pedro Pinho. Sobre este empresário existem várias histórias, algumas lendas e não menos narrativas. Nunca se sabe o que é a verdade ou o que não passa de mera lenda.

Entretanto, segundo a imprensa, tornou-se empresário de futebol (sócio ou antigo sócio de Alexandre Pinto da Costa?) e foi representante de Bruno Fernandes (hoje jogador do Manchester United) e, ontem, alegadamente, agrediu um repórter de imagem da TVI.

Entre agressões a jornalistas (atire a primeira pedra o adepto de um dos três grandes…), cenas de pancadaria entre claques (atire a primeira pedra…), assassinatos de adeptos, intimidações a quem discorda, a jogadores, a treinadores ou a árbitros e dirigentes (venha de lá o calhau), o futebol português é pasto de toda a impunidade. E se uns atiram com o apito dourado, outros atiram com uma porta, a 18, um banco (o BES/BPN) e, quanto a escutas, existem para todos os gostos e feitios. E a impunidade é total. Absoluta.

E depois, depois temos o Hugo Miguel. Tanto na qualidade (sobretudo na falta dela) de árbitro ou de VAR. Depois de todos os mails que foram publicados na internet, depois dos casos denunciados por, entre outros, Rui Pinto, aconteceu alguma coisa? Alguém foi erradicado do futebol? Nada. “No pasa nada”. Citando o nosso Fernando Nabais, “a Federação não faz nada?”. Nada. Nem a federação, nem a liga, nem a justiça, nem os diferentes responsáveis políticos. Nada. “São coisas do futebol”, dizem eles. São, são. Vamos todos acreditar que é isso.

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Super Segunda Liga

A quatro jornadas do fim, na super segunda liga, ainda há cinco equipas na luta pela promoção. No fundo da tabela algo parecido se passa para evitar a despromoção. Trata-se de uma das ligas mais competitivas de que tenho memória, que merecia da parte dos media outra atenção. O título não deve escapar Estoril, o Vizela, pelo futebol que pratica e pela vantagem de três pontos face à concorrência, está bem lançado para ser David entre Golias no próximo ano, sendo que entre Académica, Feirense, Arouca e Chaves, uma destas equipas medirá forças com a equipa que da primeira liga fique no lugar do playoff.

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Super-Euros

Imagem retirada de Marca.com

Para quem tanto gosta do mercado livre, da mão invisível, do capitalismo como um todo, da ganância e do crescimento económico, esta ideia de “Super-liga Europeia” deve deixá-lo nos píncaros da felicidade.

Não me venham com “o futebol é do povo”; não, não é. Há muito deixou de o ser. Quando o que interessa no desporto são os financiadores, os patrocinadores, os empresários e os políticos, fica tudo dito sobre a “classe” a que hoje pertence o futebol.

Habituem-se, se já não estavam habituados: o futebol é de quem mais dólares tem na conta bancária, dos milionários das Gazproms e dos oligarcas espalhados por esse mundo fora. O futebol não é um desporto, há muito deixou de o ser; é uma plataforma de troca e venda de pessoas a custos irreais e um negócio rentável para quem mais tem. Enquanto isso, a pobreza grassa, a pandemia acentua a tendência e os mais ricos… bem, os mais ricos mais ricos ficam.

Dito isto, aproveitem bem os benefícios deste bom capitalismo.

Pela boca morre o peixe…

“Estes gajos do Porto são uns calimeros, sempre a reclamar que são mal tratados pela comunicação social do Al Andalus e tal e coisa”.

Entretanto:

 

O comportamento de Cristiano Ronaldo foi vergonhoso!

Numa das três ou quatro tiradas avulsas em que despejei nas redes sociais a minha indignação face ao comportamento de Cristiano Ronaldo, pessoa amiga deixou o seguinte comentário:

Mas querias o quê?! Que ele continuasse em campo e não atirasse a braçadeira ao chão, portando-se à altura de um atleta profissional, de 36 anos, que sabe agir com desportivismo e maturidade? Tens cada uma…

Lapidar, ou seja, digno de ser inscrito na pedra – está tudo aqui: a falta de profissionalismo, de desportivismo e de maturidade.

É difícil, em qualquer jogo, com a adrenalina no máximo, manter a serenidade? É, mas aos que devem ser exemplos exige-se que façam o mais difícil. É difícil dominar uma bola que vem com força, é difícil driblar em corrida, é difícil rematar com os dois pés, é difícil saltar a 2,56 metros de altura durante 1,5 segundos e cabecear, é difícil ser o melhor marcador de sempre. É difícil não perder a compostura, quando um golo é mal anulado no último minuto de jogo.

É grave que o português mais conhecido no mundo, ídolo da juventude, abandone o campo e atire com a braçadeira de capitão, como se fosse um menino mimado e malcriado.

Também é grave que uma multidão de adultos apoie este comportamento: pais e filhos, jornalistas e cronistas, recorrendo à habitual conversa da inveja, das conspirações das arbitragens ou da necessidade de defender a tribo, elogiaram o que Cristiano Ronaldo fez ontem. O povo português talvez devesse redireccionar esta capacidade de revolta para outros assuntos e, no mínimo, não elogiar a falta de educação só porque joga por nós.

O palhaço e o anão do caralho

No fim-de-semana, os portugueses puderam assistir a um debate entre um palhaço e um anão do caralho. Quando temos a possibilidade de ouvir vozes autorizadas, não devemos desperdiçar a ocasião e todos sabemos que, desde o mundo académico do futebol até ao campo relvado da política, não há melhor do que um palhaço e do que um anão do caralho.

A garantia de que estas duas designações estão bem aplicadas releva do facto de que os participantes no debate as aplicaram um ao outro: coube ao anão do caralho designar o outro como palhaço, levando a que este, simpaticamente, confirmasse que o oponente era exactamente um anão do caralho.

O rigor, como se sabe, nasce, frequentemente, do distanciamento – nada melhor do que um Outro para nos definir. Ainda recentemente descobri a minha condição de bovino, quando um simpático automobilista me chamou a atenção para o facto de me ter esquecido de assinalar a mudança de direcção, gritando-me ternamente: “Ó boi, olha o pisca!” E aquele momento foi, para mim, uma epifania, o reconhecimento de que só um animal ruminante poderia andar a pastar no meio do trânsito, sem explicar para onde vai. Mugi uma desculpa e pensei em palha. [Read more…]