Acróstico de Democracia

Leonor Pinto

D – ditadura
E – época festiva
M – militares
O – ouro
C – cravo
R -revolução
A – ação
C -cantar em liberdade
I – imortal
A – amigos

Nunca nos afastamos o suficiente.

[Alex Gozblau]

O Dr. Luis Montenegro vive num País de FANTASIA!

[Carlos Paz]

O maior PROBLEMA da nossa democracia é, sem qualquer dúvida, a completa falta de escrutínio sobre o PODER JUDICIAL, os seus erros, as suas omissões, a corrupção associada às suas decisões e, principalmente, o DESPOTISMO associado aos seus comportamentos.
Dito isto, o segundo maior problema é o CADA VEZ MAIOR AFASTAMENTO DAS PESSOAS em relação à política, às suas opções e, principalmente, aos seus atores.

Por outras palavras, os eleitores sentem-se afastados dos eleitos. E este afastamento é, infelizmente, real.

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Tirando a casca ao discurso do Governo

[Santana Castilho*]

1. Quando se inquirem os portugueses relativamente à confiança que depositam nos diferentes grupos profissionais, os professores figuram nos lugares cimeiros. Em sentido inverso funciona a confiança dos professores nos políticos que os tutelam. Ontem, isso mesmo ficou patente no seu protesto público. Tirando a casca ao discurso do Governo, resulta o vazio do que já devia ter sido feito.

Os normativos que regulam a carreira docente estão inertes em matéria de direitos. Urge regular as ilegalidades que foram acumuladas ao longo dos tempos e assegurar a contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos docentes. Urge assumir que o congelamento da progressão na carreira cessa a partir do início do próximo ano. Urge deixar de classificar como trabalho não lectivo o trabalho que é efectivamnente lectivo e estripar do dia-a-dia da docência a inutilidade de milhentas tarefas burocráticas estúpidas, que apenas funcionam como elementos de subjugação a favor de chefias inaptas. Por outro lado, cerca de metade das situações de contratação precária por parte do Estado dizem respeito a docentes. Neste contexto, é imperioso que o Governo cumpra, sem truques, a Diretiva 1999/70 da Comissão Europeia. [Read more…]

O futebol ama a dor: apontamentos humorísticos e solidários

[André Camandro]

Fala-se tão pouco do futebol amador. Quanto a mim, é injusto que mereça tão pouca atenção de todos nós, como dos média, que persistem em ignorá-lo, quase como se de certas modalidades profissionais, como o atletismo ou o hóquei em patins se tratasse. Como disse, não é justo. Todos nós, os futebolistas amadores, mereceríamos certamente mais. Se não podemos competir com os profissionais no talento, ou no ordenado (no fundo, em quase nada), resta sempre algo em que, vou imodestamente assumi-lo, somos iguais: as lesões.

É verdade. Falo de lesões tão graves que nos mantêm longos meses afastados dos relvados. É o único plano, geralmente horizontal, em que podemos competir com Maradona. Claro que é uma vantagem, quando isto acontece, não termos um contrato ou um ordenado a perder. Mas não chega. Os danos morais são enormes, e atingem famílias inteiras. É para vos falar de uma dessas lesões, e do drama que se lhe seguiu, que escrevi estas linhas. No fundo, é uma homenagem. Ao amadorismo, à falta de talento, à inépcia pura, mas também à paixão, que poderia comparar à de um qualquer Garrincha. [Read more…]

Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

[André Rodrigues]

O meu primeiro ano da Faculdade foi uma espécie de pesadelo, apenas no segundo viria o gosto de estudar e aprender e, ocasionalmente, algumas notas boas, que são o menos importante, ou deveriam ser.

Nesse primeiro ano, no meio da prosa “barbaramente académica” em que nos afogávamos, havia dois livros (“Estudos de História da Cultura Clássica”, vols. I e II, da FCG), escritos numa linguagem que era, ao mesmo tempo, clara e rigorosa, simples e de uma riqueza profunda. Dava-me a entender uma relação privilegiada com a língua portuguesa, própria daqueles quem lhe conhecem a ossatura.

Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP) levava-nos pela mão para aprendermos o que diz um vaso grego sobre a vida daqueles que o fizeram, falava do escudo de Aquiles como um passaporte para uma outra civilização. Falava para todos, alunos do primeiro ano e especialistas, com a mesma clareza cristalina. [Read more…]

Os entrevistados da semana e as Autárquicas

[Rui Naldinho]

O actual e o ex primeiro-ministros foram ambos entrevistados esta semana. Registo o facto de a SIC já ter entrevistado Passos Coelho três vezes no espaço de um ano, ABR16
, OUT16 e ABR17, enquanto António Costa, chefe do governo ter sido entrevistado pela estação de Carnaxide uma única vez. Coincidências ou não, a SIC cada vez parece mais a estação de televisão do “Diabo”. Que tal pôr o “mafarrico” como a sigla do canal de Francisco Balsemão?


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Frustrados e mal pagos

Santana Castilho*

1 Toda a responsabilidade das mudanças projectadas para a Educação cai sobre os professores, sendo tão curioso verificar o topete com que se anuncia hoje como novo e criativo tudo o que já foi usado e abandonado, como registar as incoerências crassas no seio daquilo que é proposto. Com efeito, que credibilidade podemos atribuir a uma estratégia de intervenção pedagógica que afirma querer construir um novo perfil de saída dos alunos, assente em novas competências, sem tocar no currículo e que afirma, igualmente, que vai definir as “matérias essenciais”, quando essa definição, obviamente, significa intervenção nos programas? Como serão feitos os exames e as provas de aferição? Considerando os programas, em que não vão mexer, ou as matérias essenciais, que vão definir? Tudo isto é uma trapalhada para tornear a lei, que prevê 20 meses entre o momento em que as alterações são anunciadas e o início do ano a que respeitem. Mas se é insensato achar que se pode fazer isto sem mudanças curriculares, mais insensato ainda é pensar que se pode desenvolver uma cultura altamente cooperativa e de trabalho conjunto entre os professores sem intervir nas suas cargas lectivas e não lectivas, designadamente na estúpida burocracia que os submerge. [Read more…]

A visibilidade do “novo” Alfa Pendular

cp-AlfaPendular

@Maquinistas

Introdução

A Rede Ferroviária Portuguesa possui o maior índice de risco de fatalidade da Europa Ocidental. O dobro do índice de risco de fatalidade das redes francesa e alemã e oito vezes mais elevado que o índice de risco fatalidade da rede britânica.

O risco de fatalidade no sistema ferroviário é calculado pela ERA (Agência Europeia para o Caminho de Ferro) dividindo o número de todas as fatalidades na ferrovia (excluíndo os suicídios) pelo número de comboios-quilómetro. Portugal tem um valor de 0,55 mortes por milhão de comboios-km. A França tem 0,15 e a Alemanha tem um valor semelhante de 0,14 mortes por milhão de comboios-km. O Reino Unido (RU), apesar da sua rede em muitos aspectos anacrónica, quando comparada com potências ferroviárias como a França, Alemanha e Espanha, consegue um honroso e baixíssimo resultado: apenas 0,07 mortes por milhão de comboios.km (1). A este resultado não será estranho o rigoroso sistema de segurança em vigor nas ilhas britânicas. Recentemente o RU atingiu o record de estar há 10 anos sem qualquer acidente fatal para passageiros e empregados (2).

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Ich komme aus Boliqueime

[André Camandro]

Os alemães, diz-se, não têm sentido de humor. Os alemães e, claro, Cavaco Silva. Isto não deve levar alguém muito distraído à infeliz dedução de que este país foi durante anos desgovernado por um alemão. Ou que Boliqueime fica algures nos arredores de Munique.

Os alemães, repito, não têm sentido de humor. Começa na língua. Arranha e mesmo fere-nos os ouvidos e a sensibilidade. Como os alemães falam maioritariamente Alemão, as excepções a esta regra são efectivamente muito poucas.

Claro que se trata de uma língua muito rica, tal como a cultura. Não passará pela cabeça de ninguém denegrir a literatura alemã, por exemplo. Ou os filósofos alemães. Ou a sua música. Bach, é sabido, deixou-nos sonetos maravilhosos.

Aquela gente é simplesmente muito séria para pensar em rir, por exemplo, quando está a trabalhar. Isso perfaz muitas horas num dia. Como também não é de crer que riam quando estão a dormir, mesmo aqueles que falam durante o sono, resta-lhes relativamente pouco tempo para gracejos. [Read more…]

É lastimável o estado a que chegou a social-democracia europeia.

[Rui Naldinho]

Como já aqui escrevi, o Presidente François Hollande foi o Chefe de Estado Francês mais fraquinho que os gauleses elegeram até hoje, desde o fim da segunda guerra mundial. Já meditei com os meus botões algumas vezes e me perguntei a mim mesmo, se este fulano, numa hipotética França ocupada militarmente por um exército invasor, não seria ele um novo Philippe Pétain.

Hollande é de uma inconsistência a todos os níveis, até no plano moral. Numa atitude cobarde, face aos resultados que as sondagens lhe atribuíam, não ultrapassando uns míseros 15% das intenções de voto, na melhor das hipóteses, depois de cinco anos de uma presidência desastrosa, em que nem a sua atitude firme para com o terrorismo abafou a sua mediocridade, afastou-se de uma possível recandidatura, para não se sujeitar a uma humilhante derrota. Sarkozy apesar de tudo mostrou mais coragem.  [Read more…]

Desvalorizar os resultados do deficit alcançado em 2016

[Rui Naldinho]

Aquele momento mesquinho e irracional em que Assunção Cristas assume em toda a sua plenitude, o papel de comentador desportivo, pós derby de fim de semana. Não querendo assumir os erros de estratégia na derrota do seu “clube”, a agenda politica que ela própria protagonizou com a sua equipa técnica no ultimo ano sobre a capacidade do governo em reduzir o nosso deficit, desculpa-se agora com estratégia arrojada da equipa e dos jogadores adversários, que não provocando lesões, utilizaram truques e manhas tão (in)comuns neste desporto nacional em que se tornou a política portuguesa, em especial a execução orçamental de cada ano económico.
A líder do CDS ao tentar desvalorizar os excelentes resultados do deficit de 2016, só se diminui como líder partidária que almeja voos maiores, mostrando inveja, tacanhez e falta de elegância democrática, pois não entende aquilo que todos nós já entendemos, há muito. [Read more…]

E depois do adeus, restará alguma coisa?

[Rui Naldinho]

Muita gente se tem questionado sobre uma possível mudança de líder no PSD após as eleições autárquicas de 2017, lá para finais do Verão. Era bom que as pessoas não se iludissem muito com essa possibilidade, ainda que remota. Isso pode vir a acontecer. Não é impossível, de todo. O pior é o que resta no dia seguinte às eleições autárquicas, do partido de Sá Carneiro.

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Uma escolha inteligente para a Câmara de Braga

miguel_coraisMiguel Teixeira

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”
Albert Einstein

Nenhum outro pensamento resumirá de forma tão expressiva o percurso de vida e a forma de vivenciar a política do Jorge Miguel Corais formalmente indicado pela Comissão Política do PS Braga como candidato à Câmara Municipal de Braga, como o proferido pelo maior cientista de todos os tempos. Conheci o Jorge Miguel há 21 anos, quando pela primeira vez me candidatei a líder da Federação Distrital de Braga da JS. Éramos então muito jovens eu com 26 e já professor dos quadros do Ministério da Educação, com vários anos de experiência política como Vereador da Juventude, cultura e Educação na Câmara de Cabeceiras e o Jorge com apenas 16 anos, prestes a concluir o ensino secundário e a seguir para a licenciatura em Gestão de Empresas da Universidade do Minho.
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E UMA PROPOXTA PARA UH NOVO AVKD

José Lourenço

AVKD? O que é?

É uma proposta para um novo ABECEDÁRIO

“E UMA PROPOXTA PARA UH NOVO AVKD”

Regra Principal

Escrever como se fala

Condições:

  • Escrever respeitando o sentido da Fonética;
  • Escrever necessariamente em Maiúsculas;
  • Abolir todos os acentos sem excepção;
  • Colocar o .H. em todas as expressões nasais, letra diacrítica a preservar que servirá para eliminar todos os acentos e Dígrafos vocálicos, conforme in, im, ão, an, am, ae, en, em, oe, on, om, un, um, lhe e nhe e pausas/silêncios.

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A insustentável leveza da generalização xenófoba

paulo-dentinhoPedro Pereira Neto


Paulo Dentinho
, na sua qualidade de director-logo-especialista-em-tudo, em directo a generalizar a partir de pessoas que vão a mesquitas para pessoas que são terroristas, falando de “esta gente”. Nada de novo.
Talvez na sua qualidade de português-logo-católico-logo-equivalente-ao-terrorista-cristão-anders-breivik, devesse ter algum cuidado com a ligeireza da generalização xenofobico-doce que aplica a outrém.
Nem vou comentar esta prática de consanguinidade profissional de fazer-se convidar para o noticiário do próprio canal: prefiro deter-me na constatação de que estamos tão bem servidos de pirómanos nas ruas como nas redacções.

Talvez por isso seja tão mais fácil noticiar Wilders em vez de Klaver. Talvez também não seja apenas nas forças de segurança que o pensamento exclusivista tem ganho terreno.

Os desaires do Ministério da Educação

Santana Castilho*

1. As alterações que o sistema de ensino sofreu nos últimos anos oscilaram entre concepções anglo-saxónicas, de raiz empirista, e ideias construtivistas, de inspiração piagetiana. Estas, hipervalorizando as chamadas ciências da educação. Aquelas, hipervalorizando o conhecimento. O equilíbrio entre estes dois extremos não foi a escolha do secretário de Estado João Costa.

Ao Expresso, João Costa foi claro quando afirmou que nalgumas áreas era impossível trabalhar, por falta de horas disponíveis. E disse que a Educação Física, a História e a Geografia eram disciplinas “descalças” de tempo. Quando lhe perguntaram se Português e Matemática perderiam horas, João Costa respondeu que “algumas terão de perder, claro”. Em declarações ao Correio da Manhã, reafirmou a necessidade de tirar de um lado para pôr no outro. Nem de outro modo poderia ser para permitir, como anunciou, que as escolas decidissem 25% do currículo e nele se incluísse a Área de Projecto e a Educação para a Cidadania, sem aumentar a carga semanal global. Do mesmo passo, repetiu várias vezes que as alterações curriculares se aplicariam já no próximo ano e em todas as escolas.

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Binho Berde

João Coutinhas

O nome é o segundo mais difícil de pronunciar, logo a seguir ao vulcão da Islândia.
E, como este, tem periodicamente umas ejaculações infectas, que contaminam a velha Europa mas que acabam por se dissipar com o vento suão.
Por aqui, estamos a tentar poupar para ir beber um copo, ao fim de semana, com as nossas mulheres, que no resto do tempo estamos ocupados a construir conhecimento, a empreender tecnologias de ponta, a fazer os melhores têxteis e sapatos do mundo, entre outras coisas.
E sobretudo a amar. A amar também o nosso país (sim, temos mesmo um país!), embora perturbados pelo que nos impuseram relações ‘extra-conjugais’, cozinhadas nas panelas fundidas mais a norte. Compreendemos Jerrorrejdfdijhvchem que estejas preocupado com a panela, mas acalma-te filho… vai dar uma volta, ver as montras, beber uma genebra.

Maria, entre o despejo e a morte, escolheu a morte

Rita Silva

A 6 de Março Maria suicidou-se. Dia em que iria ser despejada por prestações em atraso ao banco, agentes de execução de uma ordem de despejo e militares da GNR encontraram-na em casa sem vida…

O que enfrentava Maria, será sempre difícil de saber, mas podemos, pelo menos, tentar avaliar algumas questões, duríssimas, que se colocam perante uma situação tão violenta como esta.

O sentimento de culpa de quem contraiu uma dívida e não a paga. Responsabilizada por ter contraído um crédito e parecer que é uma escolha sua comprar casa – apesar de toda a política ter direcionado, senão obrigado, as pessoas a fazê-lo, pois o arrendamento não era (nem é) alternativa. Ter assinado um contrato que atribui toda a responsabilidade a quem o assinou (e aos fiadores, muitas vezes familiares, com tudo o que isso implica). Não honrar o pagamento de um crédito é motivo de censura, mesmo que o que se ganha deixe de ser suficiente para pagar. Quem não pague as suas dívidas é culpado, assim prevê a sociedade disciplinadora da dívida, por onde tudo hoje passa. [Read more…]

As linhas aéreas supremas

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Helena Ferro de Gouveia

Estava a pensar no Sudão do Sul, país incontrolável a vistas nuas, chão traiçoeiro, onde a comida, quando existe, é temperada de lágrimas.
Em Juba estive três dias detida, em recolher obrigatório no hotel. A prisão não era má comparada com o mundo que cabia fora dos muros e do arame farpado.
Nesse lugar desmapeado do mundo, com o tempo em pausa, rodeada de diplomatas, jornalistas, espiões, militares e aventureiros tive várias conversas lentas, memoráveis. Aguçadas pelo gume da curiosidade.
Lembro com todo detalhe de uma com um chá sobre a mesa, já nem distinguia as pernas do assento do sofá, tão longa ia a conversa. À minha frente um piloto da South Supreme Airlines. Poucas linhas aéreas estão dispostas a correr o risco de fazer voos domésticos no Sudão do Sul. A lista de perigos sacode mesmo os mais intrépidos.
Um deles é o estado dos aviões, velhos e sem manutenção, outro o bafo gélido da guerra.
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Eu leigo me confesso, como a Justiça me confunde…

[Rui Naldinho]

Os advogados a quem cabe a tarefa de defender os seus constituintes nos inúmeros processos que decorrem nos tribunais portugueses são muitas vezes acusados, e bem, pelos Órgãos de Justiça, em especial pelos Juízes que nos Tribunais vão julgando esses processos, de utilizarem com frequência expedientes dilatórios, cujo único fim é atrasar o julgamento no tempo, para que a decisão final do mesmo, com ou sem condenação, o seguro morreu de velho, recaia já fora de tempo.

Como analfabeto nestas matérias do Direito, eu fui ler o que significava o termo jurídico, expediente dilatório.

Expressão jurídica que se traduz na utilização do expediente (despachos, petições, requerimentos, ofícios) desonestamente usado pela parte, sem intuito sério ou construtivo, sem cabimento processual, que visa apenas torpedear e retardar o prosseguimento da acção, entorpecer a sua normal tramitação e a realização da justiça.

Olhando para a forma como o Ministério Público tem conduzido todo este Processo da Operação Marquês, desde a fase de investigação à fase de instrução, com sucessivos pedidos de prorrogação de prazos, largamente ultrapassados, para a conclusão do mesmo, sem que haja uma acusação formal dos arguidos, ou o arquivamento do processo se for caso disso, falta muito pouco para os quatro anos, fico com a sensação de que estou a ver o filme ao contrário. Ou seja, quem parece estar a criar expedientes dilatórios é o Ministério Público, que não encontra maneira de acusar Sócrates, Salgado, Vara e tantos outros, com provas sólidas. Posso até estar errado. Mas sou livre de pensar desta forma, perante aquilo que vejo. [Read more…]

​Sampaio esteve mal!

[Rui Naldinho]

Este início de 2017 tem sido fértil na publicação de “obras literárias” escritas por ex-Presidentes da República. E digo escritas, porque no caso do segundo volume da biografia de Jorge Sampaio, sendo a obra assinada pelo jornalista José Pedro Castanheira, o que lá está escrito, é aquilo que o ex-Presidente Socialista pretende dar a conhecer, e não o que o autor entende colocar. Esta obra parece ser mais uma tentativa de expiação de alguns pecados, em especial algumas decisões desastradas de Jorge Sampaio. Enganam-se, Cavaco e Sampaio, se pensam que nós mudamos a nossa opinião sobre aquilo que foi o seu legado na História de Portugal. O que está feito, feito está. Bem ou mal!

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Avaliações por contingentes

jn_besAntónio Alves

Esta notícia prova a ignorância e estupidez generalizada dos gestores portugueses ao mais alto nível. Este sistema de avaliação e gestão dos “recursos humanos”, chamado “stack and rank”, já foi abandonado praticamente em todo o lado. Foi uma moda de gestão, maligna como muitas outras, que contribuiu para a queda e destruição de muitas empresas pela profunda desmotivação e sentimento de injustiça que induzia nos trabalhadores. A Microsoft, que o adoptou, e posteriormente abandonou, admitiu que foi um dos principais causadores da sua década perdida em que se viu ultrapassada pela Google.

Não me espanta que esteja a ser adoptado no Novo Banco. Afinal aquilo agora é dirigido por um tipo que, infelizmente, passou pela CP onde demonstrou que, apesar da verborreia, era completamente oco. Um tal de Ramalho que andava nos comboios a dizer que ia, em 10 anos, transformar a CP na maior e melhor transportadora ferroviária da Ibéria

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Tax

Tax – André Carrilho

Decisões e homologações

Santana Castilho *

1 Porque nenhuma reforma se compadece com a duração de uma legislatura, o que se ensina e o modo como a escola se organiza para ensinar deveria ser fruto de um amplo entendimento partidário, que não dos impulsos de quem manda em cada momento. Apesar disto obter fácil aprovação geral, seria preciso muito papel e muita paciência para fixar em texto a sucessão de alterações que escolas, alunos e professores têm sofrido nos últimos anos. Mais ainda, a leviandade com que se decide afirma-se, ad nauseam, sem consequências, que não o gáudio dos levianos, a escravização dos professores e a instabilidade dos alunos e das famílias.

“Garantir a estabilidade do trabalho nas escolas, o que pressupõe reformas progressivas, planeadas, negociadas e avaliadas” é um fragmento frásico, promissor, que retirei da página 102 do programa do actual Governo. Mas mudar a pontapé a avaliação dos alunos, como fez o ministro Tiago Rodrigues, a meio do ano, com a trapalhada de os confrontar com três modelos distintos, garantiu estabilidade ao sistema? Mas as “alterações profundas”, que o secretário de Estado João Costa anunciou, virando do avesso os planos curriculares vigentes, são progressivas? Mas a pirueta que a secretária de Estado Alexandra Leitão deu, depois de ter afirmado que os professores da rede privada não podiam concorrer em paridade com os da rede pública, foi negociada com alguém? Mas quem avaliou a experiência da municipalização da educação, para que o Governo a generalize, porque sim? [Read more…]

Faz hoje um ano…

Rui Naldinho


Que muitos de nós, já estávamos a contar as horas para vermos sair pela “porta dos fundos” do palácio de Belém, o mais polémico Presidente da República da democracia portuguesa. E não digo o pior, porque esse julgamento será sempre feito pela História e não por um qualquer escriba armado em dono da verdade, que se queira substituir a ela. O enfadado Aníbal Cavaco Silva acabava assim o seu estágio remunerado de político não profissional, depois de vinte e dois anos a bulir em prol do Regime.

O ar que respiramos desde esse dia, parece ter ficado mais Aventar(ado), despoluído, fruto da (des)crispação introduzida na atmosfera politica pelos dons afectuosos do professor Marcelo Rebelo de Sousa. [Read more…]

A escolha de Bruno de Carvalho

João Borba

Ontem, se tivesse votado nas eleições do Sporting, votaria em branco.

Bruno de Carvalho fez um mandato de 4 anos globalmente positivo.

– Voltámos a ser “algo” no panorama nacional
– Voltámos a ter uma equipa competitiva
– A dívida está reestruturada (mas até 2025 temos metas financeiras bastante exigentes)
– Voltámos a ter casas cheias em Alvalade
– Estamos a rentabilizar a maior parte do ativos, em particular no ano passado com as vendas fantásticas de Slimani e João Mário
– O número de sócios aumentou
– O Pavilhão João Rocha está quase aí (e eu contribuí, com todo o gosto)
– Apesar de não estar no ponto, melhorámos muito em termos de scouting
– No Futsal somos os reis disto tudo
– Uma ligeira melhoria nas restantes modalidades, em particular no andebol.

Mas existem outros tristes episódios negativos que têm de ser uma lição para melhorar: [Read more…]

Há gente em Braga…

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Jaime Manso

Braga é uma cidade atrasada no tempo, com gente desfasada da realidade. Com gente que devia andar descalça no meio dos campos, e a prestar contas ao senhor feudal.
Braga regride e distancia-se de todas as outras em tudo o que é mau, porque Braga tem gente que não gosta de gente que trabalha à noite. Braga tem gente que tem inveja de quem sai à noite. Braga tem gente intolerante, e quando se queixam e lhe dão uma solução, essa gente não quer a solução.
Braga tem gente que acha que grande festa é a cidade Romana, que não é mais que todas as outras festas, de todos os vilarejos medievais, onde a toga é enfeitada com louros. Em Braga festeja-se a cidade Romana em vez da cidade dos Bracarae, esses bem diferentes dos romanos, até nas roupagens. Em Braga, ha gente que gosta da Noite Branca e a confunde com cultura, sendo a cultura do nada, onde a gente se veste de branco sem saber porquê, veste-se. Sobe-se e desce-se a avenida de sorriso escachado na cara, como se fosse S. João, e vai-se ao bares da Sé beber copos…
Nessa noite até dão jeito. Nessa noite, até dão jeito. [Read more…]

O AVENTAR não é, nem nunca foi um blogue de esquerda, nem de direita. Mas algo mudou!

Autor: Rui Naldinho

Há dias, num post aqui colocado pelo fundador deste blogue, Ricardo Ferreira Pinto afirmava sem quaisquer preconceitos ideológicos, que o Aventar não era um blogue de esquerda, nem um blogue de direita.

Leio o AVENTAR há alguns anos. Numa primeira fase fazia-o de forma intermitente. Com excepção de uma intervenção escrita neste blogue, no ano de 2014, quando Nuno Crato resolveu alterar a legislação de acesso ao Ensino Superior das Escolas Artísticas, nunca escrevi texto algum, ou comentário que fosse. Isto se a memória não me falha. O meu vínculo profissional ao Estado impedia-me de participar neste tipo de fóruns, a não ser que o fizesse sob anonimato. Nunca fui grande apologista de utilizar nomes que não correspondam à minha própria identidade. Respeito quem o faça, mas eu acabei por desistir dessa ideia.

No entanto, há uma coisa que eu reparei no AVENTAR, com estes olhinhos que a terra há-de comer, nos anos que por aqui fui passando. Algo mudou! [Read more…]

Carta aberta ao Director de Informação da SIC-Notícias

[Autor: Carlos Paz]

Meu caro Ricardo,
No programa “Negócios da Semana” de ontem, 1 de Março de 2017, o jornalista José Gomes Ferreira, que é teu Director Adjunto, teve como convidados, entre outros, os ilustres Professor João Duque, académico, e Dr. Tiago Caiado Guerreiro, advogado fiscalista.
As grandes notícias do dia foram:
– A audição na AR dos secretários de estado, actual e antecessor, sobre uma colossal fuga de capitais do País, ao longo de anos, que não foi escrutinada pelas finanças;
– A emissão, pela SIC, canal do mesmo grupo, da primeira parte de um programa sobre o Banco de Portugal e a sua imensa responsabilidade em tudo o que a economia portuguesa e os portugueses, em geral, sofrem, têm sofrido e irão continuar a sofrer por muitos anos.
Apesar da relevância de qualquer destes temas, e até da sua potencial inter-relação, o programa “Negócios da Semana” escolheu como seu tema do dia a Caixa Geral de Depósitos, os SMS’s do Ministro das finanças, as opções (que são só do conhecimento de José Gomes Ferreira) da Administração Domingues que, de facto, praticamente nem esteve em funções e, prato forte, o programa de recapitalização da CGD.
Não há aqui nenhum problema deontológico. O canal SIC-Notícias, e o seu Director Adjunto José Gomes Ferreira, tem o direito de fazer as suas escolhas editoriais.

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