ILC para recuperar todo o tempo de serviço docente

ILC para recuperar todo o tempo de serviço docente

Há assuntos que precisam de ser tomados em mão própria. Este é um deles. Está tudo explicado aqui, como fazer registo e assinar.

Não, a austeridade não acabou!

[Santana Castilho*]

Os argumentos de Costa e Centeno dizem uma coisa, mas os factos dizem outra: a austeridade não só não acabou, como se agravou para os funcionários públicos, devido à manutenção dos salários nominais em 2018 e 2019. Os professores e todos os funcionários do Estado estão sujeitos a uma austeridade salarial clara e todos os portugueses sofrem uma impiedosa austeridade fiscal, via impostos indirectos.

Qualquer trabalhador do sector público pode fazer o seguinte cálculo: considere o valor da remuneração auferida em Dezembro de 2017; considere o valor da remuneração resultante do descongelamento das carreiras e do aumento faseado, tal como previsto, durante os anos de 2018 e 2019; ao valor do aumento registado no fim de 2019 subtraia o valor da inflacção no período em análise; verificará que o que melhorou não chega para anular a erosão do poder de compra do seu salário nominal. Recorde-se que a erosão aludida começou com o agravamento do IRS em 2013, prosseguiu com a sobretaxa e a revisão dos escalões e acentuou-se com a subida dos descontos da ADSE (de 1,5 para 3,5%) e da CGA (de 10 para 11%), subidas estas que não foram revertidas. [Read more…]

Aquilo que os professores não reivindicam

Sempre que os professores reclamam, o espaço da opinião pública e publicada incendeia-se, chamando privilégios a direitos, anunciando ao mundo a incompetência docente ou lembrando que há quem esteja pior, numa mistela de afirmações sem provas ou vazias de argumentação.

Por variadíssimas razões, que vão de um estranho complexo de inferioridade ao excesso de trabalho, os professores são pouco reivindicativos ou, no mínimo, mal reivindicativos, porque ou aceitam com demasiada facilidade factos consumados ou porque escolhem mal o momento de algumas batalhas (normalmente, desistem).

A mais recente reclamação dos professores refere-se ao tempo de serviço que este governo, alegadamente socialista, não quer repor na totalidade, depois de os professores terem trabalhado todo o tempo. É como se, no final de um dia de trabalho, dissessem ao leitor que só lhe pagariam uma das oito horas que já tinha trabalhado. A comparação, de qualquer modo, peca por defeito, porque os professores nem sequer exigem o dinheiro que perderam.

O mundo dos comentadores, dos célebres aos anónimos, dizia eu, indigna-se facilmente com os protestos docentes. Gostaria de aproveitar o dia de hoje para fazer uma pequena lista de reivindicações que os professores não fazem, mesmo que defendam a sua justeza. Se deveriam reivindicar? Com certeza, mas isso é outra questão. [Read more…]

Pela recuperação do tempo de serviço docente – Iniciativa Legislativa de Cidadãos

Todos os cidadãos maiores de idade que considerarem que não repor o tempo de serviço dos professores é um injustiça devem assinar a Iniciativa Legislativa de Cidadãos para Recuperar Todo o Tempo de Serviço Docente. Os que forem de opinião contrária também podem assinar.

São necessárias 20 000 assinaturas para que a proposta seja obrigatoriamente discutida na Assembleia da República. Esta iniciativa foi lançada há cerca de dez dias e o seu conteúdo é muito simples:

  • Um artigo para revogar a suspensão/anulação de contagem, bem como a produção de efeitos e contagem do tempo de serviço prestado, na sua integralidade.
  • Uma parte desse artigo deverá impedir que a existência de vagas ou menções mínimas de avaliação em alguns escalões possa perturbar os efeitos plenos da contagem integral.
  • Uma norma revogatória, para deixar claro e de forma indiscutível, que as normas que suspenderam a contagem ficam efectivamente revogadas (não faria falta, mas é só para vincar o ponto).
  • Uma norma para definir a entrada em vigor com duas vertentes: os professores e educadores são colocados no escalão na data a que têm direito, mas por razões legais gerais, só são pagos a partir do dia 1 de Janeiro de 2019. Este ponto é importante porque se a lei tivesse efeitos orçamentais em 2018 não poderia ser apresentada e admitida.

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O eterno pára-arranca da Educação

Santana Castilho*

 

1 . Como é sabido, está a ser testado em 235 escolas, desde Setembro transacto, um projecto de autonomia que lhes permite definirem estratégias diferentes de ensino em 25% da carga curricular. Não se conhece qualquer avaliação consistente sobre a experiência. Mas o Governo aprovou a generalização da autonomia e flexibilidade curricular a todas as escolas do ensino básico e secundário. E para completar o quadro surreal de tudo isto, a generalização é … facultativa.  

Do mesmo passo, foi igualmente aprovada a reintrodução no currículo oficial da área de Cidadania e Desenvolvimento, que Nuno Crato, sob a designação de Formação Cívica, havia abolido em 2012. E foram definitivamente extintos os cursos vocacionais, a partir do 5º ano, igualmente instituídos por Nuno Crato, para alunos que manifestavam repetidos insucessos em sede de currículo regular. 

Finalmente, o quadro de mudanças eliminou aquilo a que o Governo chamou “requisitos discriminatórios” para acesso ao ensino superior dos alunos dos cursos profissionais e artísticos (dois exames nacionais, um dos quais de Português). Recorde-se que, até agora, apenas 16% dos alunos desta via prosseguiram estudos superiores: 10% em cursos de especialização tecnológica ou cursos de técnicos superiores profissionais, que não outorgam o grau de licenciado, e apenas 6% em cursos de licenciatura.  

2 . O Governo nomeou Jaime Carvalho e Silva, da Universidade de Coimbra, para dirigir um grupo de trabalho que deverá mudar os programas de Matemática introduzidos por Nuno Crato. Está reaberta a discórdia entre a Sociedade Portuguesa de Matemática e a Associação de Professores de Matemática. Jorge Buescu, presidente da primeira, perguntou (Público de 10.4.18):

“Não tem sido, afinal, opinião unânime dos agentes do sistema educativo que todos os indicadores de sucesso em Matemática têm vindo a melhorar, alguns deles espectacularmente, na última década e meia? Como é possível que, da noite para o dia, se descubra que afinal se vive um estado de emergência e que, mais uma vez, é preciso mudar tudo?”

Lurdes Figueiral, presidente da segunda, lamentou (Correio da Manhã de 5.4.18) o “tempo perdido”, defendendo que os programas já deviam ter mudado. 

Ora, para além do anterior, que é essencial, há o complementar, que torna o problema algo caricato. Admitem os intervenientes (e o próprio secretário de Estado também o afirmou) que não haverá novos programas para 2018/19. Sendo assim, só em Setembro de 2019 qualquer alteração poderá ser operada, donde a pergunta óbvia: admite-se que uma mudança deste tipo, com a polémica que lhe está associada, seja decidida por um Governo em final de mandato?

3 . A incompetência, que virou obstinação, de Alexandra Leitão, foi corrigida pelo Parlamento (votos a favor do PSD, CDS-PP, PCP, PEV e BE, abstenção do PAN e voto contra do PS), ao decidir realizar este ano um concurso de mobilidade para os docentes dos quadros, por ela grosseiramente prejudicados em Agosto de 2017. Perdeu-se um ano para corrigir os danos causados a, pelo menos, 799 professores. Mas desmentiu-se o ministério, que sempre afirmou tratar-se de um conjunto residual de docentes. Entretanto, o tempo que decorreu para corrigir o erro provocou e vai provocar prejuízos graves. Quem os compensará? 

4 . Falta-me espaço para falar sobre o monumento ao “eduquês” que é o Parecer do CNE sobre o Regime Jurídico de Educação Inclusiva. De todas as tolices que aí estão impressas, retiro a paradigmática substituição da velha sigla NEE (Necessidades Educativas Especiais) pela ultra moderna CJNMMASAI (Crianças e Jovens com Necessidades de Mobilização de Medidas Adicionais de Suporte à Aprendizagem e à Inclusão). É de tirar o folego a qualquer. Mas é útil para alimentar o caos da gestão pedagógica do ministério, preparar para o que se seguirá e desviar as atenções, como convém, do reposicionamento e recuperação do tempo de serviço dos professores.

*Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 

Ir ao encontro dos interesses dos alunos: agora também na Universidade

A entrevista já tem uns dias, mas ainda vale a pena comentá-la. Diante dos dados constantes de um estudo sobre o abandono escolar no Ensino Superior, o ministro Manuel Heitor conseguiu, em quase todas as respostas repetir a mesma ideia. Leiam-se as seguintes citações:

  1. a)“[As instituições de ensino superior] têm de assegurar as naturezas e características individuais de cada estudante.”
  2. b)“Cabe às instituições a responsabilidade de adequarem os seus programas para reduzirem o abandono.”
  3. c)“(…)é da responsabilidade das instituições reduzir as taxas de abandono, adequando cada vez mais os cursos àquilo que são as exigências da sociedade, da economia e das pessoas.”
  4. d)“(…) o problema do abandono só se resolve com proximidade, dentro da sala de aula, é entre a relação estudante-professor, é o estudante.”
  5. e)“ A questão crítica do abandono é a proximidade estudante-professor e faz-se dentro das salas de aula.”
  6. g)A solução para o abandono está em “flexibilizar os percursos e a garantir que um estudante tenha facilidade em ir adaptando e alterando o seu currículo e o seu perfil às necessidades que vão aparecendo e aos gostos que vão evoluindo, porque temos um contexto social, cultural e económico em contínua mutação.”

Deixemos as alíneas a marinar e já voltamos. [Read more…]

Circo a mais, pão a menos

[Santana Castilho]


A 22 e 23 de Março, sob organização conjunta da OCDE, do nosso ministério da Educação e da Internacional da Educação, reuniram-se em Lisboa governantes e sindicalistas de cerca de 30 países. A cimeira (assim foi apodado o encontro)  quis apurar o que fazer para que os professores se sintam bem no trabalho. Como se tal não estivesse, há muito, sobejamente identificado. 

A propósito do acontecimento, Tiago Brandão Rodrigues afirmou ser “a ocasião para levar mais longe o nosso empenhamento com os co-autores das nossas políticas de educação, os professores”. Como se os professores fossem autores de políticas de que discordam e não simples executores, obviamente coagidos.

Num comunicado recentemente tornado público, professores socialistas exprimiram perplexidade perante o comportamento do Governo no actual contencioso com os sindicatos, comportamento esse que, afirmaram, não teve em conta “a necessidade do PS recompor as relações do Governo com os professores portugueses, depois de anos de ataque” aos mesmos. Estes professores referiram que o Governo não honrou o compromisso assinado em 18 de Novembro de 2017 e lembraram a resolução nº1/2018, aprovada na AR pelo PS, BE, PCP e PEV, que lhe recomendou a contabilização de todo o tempo de serviço. Mas o patusco Tiago não ouviu. [Read more…]

Juntar o insulto à injúria

[Santana Castilho*]

António Costa virou a página da perda de rendimentos de um universo significativo de portugueses. Com isso e uma conjuntura europeia mais favorável, gerou um clima de optimismo, de que vai vivendo. O que fez contrasta, inequivocamente, com o ambiente de esmagamento do Estado social e empobrecimento da generalidade dos trabalhadores e reformados, promovido por Passos Coelho. Mas não acabou com a austeridade. Fino, apenas a redistribuiu de modo menos bruto e evidente. Que o digam os diferentes serviços públicos, com o SNS à cabeça, garroteados pelas cativações de Centeno.

Pese embora o crescimento verificado, a verdade é que a acção do Estado, como dinamizador económico, está fortemente condicionada pelo custo da enorme dívida pública. Assim, não se vê uma significativa correcção dos desequilíbrios persistentes na economia portuguesa. A industrialização é pouco expressiva, particularmente quando comparada com a terciarização, onde o turismo marca destaque. A precariedade laboral e os salários baixos persistem e é o poder financeiro que continua a captar o maior quinhão da riqueza produzida. A reestruturação da dívida da banca, politicamente acarinhada e protegida por Costa e Centeno, custou e continua a custar milhares de milhões retirados à coesão de todo um território, ciclicamente fragilizado e desprezado.

É neste contexto que devemos analisar o contencioso entre os professores e o Governo.

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Montepio

Conta a lenda, que o Pelicano arranca a própria carne para a dar a comer aos seus filhos. A carne sempre foi fraca e hoje há um problema insolúvel de natalidade. Há que arrancar o próprio Espírito para alimentar os que têm fome de Espírito.

Para que cresçam e se multipliquem.

Passos Novas Oportunidades Coelho

A chegada iminente de Passos Coelho à docência universitária dividiu opiniões. Os defensores do novo professor, diante das críticas, atacaram a Universidade e a esquerda, desvalorizando argumentos e atribuindo a rejeição a um caldo exclusivamente composto por inveja, caturrice ideológica e resistência endogâmica. Sérgio Sousa Pinto, com a elegância que sempre o caracterizou, chegou mesmo a afirmar que a “universidade, desviada por instantes do negócio dos doutoramentos, habituada a debitar doutores como salsichas, rugiu.” Pelo meio, também fizeram referência a outros professores convidados igualmente defeituosos, argumento lusitano que leva a uma cadeia em que a sobrevivência do incompetente é sempre relativizada pela existência prévia de outros incompetentes.

Muitos dos defensores do estatuto docente de Passos Coelho comungam da ideia generalizada de que para se ser professor basta ter coisas para dizer, experiências para partilhar, competências prontas a serem validadas. Para se ser professor, enfim, basta ter frequentado a universidade da vida, o melhor estágio. No caso de Passos Coelho, o facto de ter sido primeiro-ministro em tempos de crise conferir-lhe-ia, portanto, a capacidade de preparar e dar aulas sobre Economia e Administração Pública, ao contrário dos doutores-salsichas de Sérgio Sousa Pinto ou dos investigadores que não têm direito a uma carreira. Não deve faltar muito para que uma pessoa que tenha passado algum tempo doente possa vir a ser médica, desde que tenha tido cargos políticos relevantes.

Passos Coelho, aproveitando as novas oportunidades, irá, então, dar início a uma carreira de docente universitário, porque, afinal, ser professor é para qualquer um.

​Guterres, Crato e as suas sombras

Santana Castilho*

Num artigo publicado no Observador, Nuno Crato arguiu contra uma afirmação de António Guterres, feita a propósito do seu recente doutoramento honoris causa (“o que hoje fundamentalmente interessa no sistema educativo não é o tipo de coisas que se aprendem, mas a possibilidade de aí se aprender a aprender”), concluindo que “aprender a aprender, em vez de aprender, é o caminho direto para nada aprender, nem sequer aprender a aprender”.

Esta decantada polémica, na qual se projectam sombras negras de Guterres e Crato, é responsável por um erro de décadas, que tem partido ao meio o que só unido pode dar certo. Com efeito, as alterações que o sistema de ensino tem sofrido caracterizam-se ciclicamente por uma divisão de natureza bipolar: ora se hipervalorizam as ciências da Educação, com desprezo pelo valor intrínseco do conhecimento, ora se hipervaloriza o conhecimento puro, com ignorância daquelas. Ora se centra tudo no declarative knowledge (conhecimento “declarativo“, teórico, baseado no estudo dos factos) ora apenas se considera o procedural knowledge (conhecimento “processual“, prático, mesmo que o actor o não saiba explicar, mas tenha “competências”).
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A Mocidade Portuguesa e as armas nas escolas

mocidade_portuguesaPaulo Ricca

Com 10 ou 11 anos de idade, finais dos anos 60, frequentava eu o 1.º ano do 1.° ciclo do secundário no então Liceu D. Manuel II, e éramos obrigados a ter duas “aulas” semanais patrocinadas pela Mocidade Portuguesa. Uma eram as chamadas “actividades”, em que se faziam umas palhaçadas proto-militares com a farda completa vestida; outra, era uma aula de “desporto”, que na maior parte das vezes em nada se distinguia de uma aula de ginástica (era ministrada no ginásio, ou ao ar livre nos campos de jogo).
E digo na maior parte das vezes porque o monitor das ditas aulas se lembrou certo dia de fazer algo diferente: levou para o ginásio uma espingarda de pressão de ar, pendurou um alvo com círculos concêntricos na parede, e mandou formar fila para que cada um afinasse a pontaria e desse um tiro.

Catraios daquela idade ainda nem das feiras tinham prática em fazer tiro ao alvo, pelo que o resultado foi o que seria de esperar: muito chumbo na parede, e um ou outro que atingiu o alvo ficou longe do centro. Perante tal inabilidade, o monitor, cujo nome esqueci, era um desses “chefes de quina” ou “de castelo” da MP, resolveu ser pedagógico; apontando o círculo mais pequeno do alvo, informou: “vocês têm que pensar que, à distância de cem metros, a cabeça de um preto é deste tamanho!”

Lembrei-me deste episódio, claro, a propósito desta polémica das armas nas escolas nos EUA, e as soluções da besta do presidente. Porque nos distantes anos 60 em Portugal se “normalizava” o uso de armas entre os estudantes, desde que fosse para matar os maus. Estudantes neste caso ainda recém-saídos do ensino primário.

Fiquei atónito com aquela aula. E revoltado. Ainda não tinha nada do que viria a chamar “consciência política”, mas talvez o episódio tenha ajudado a criá-la. Isso e ter lido “Os Miseráveis” pouco depois.

Quanto ao monitor, espero que tenha tido um mau 25 de Abril.

Quando a OCDE se presta a animar festas

Santana Castilho*

O ciclo das loas à flexibilização curricular e ao perfil do aluno do século XXI, iniciado sob os auspícios de uma apresentadora televisiva e de um treinador de futebol, teve a festa de encerramento no passado dia 9. O animador convidado foi, agora, Andreas Schleicher. Profetizando como convinha aos organizadores, o homem previu, implicitamente, o fim dos exames do 12º ano, tal como hoje são conhecidos. Atrevido, disse que o novo modelo da flexibilidade curricular é a forma como os professores gostariam de dar as suas aulas. Vidente, falou de uma tensão existente nas nossas salas de aula.

Que Tiago Brandão e João Costa lhe tenham dado procuração para dizer o que disse, não duvido. Mas um pouco de recato para não anunciar tensão dentro de salas em que não entrou e não falar por professores que não ouviu, era exigível pela tensão, essa sim bem exposta publicamente, entre a sua condição, permanente, de director para a Educação da OCDE e o seu papel, temporário, de animador de uma romaria de directores aderentes e investigadores recorrentes. [Read more…]

Sobre rankings, apenas o óbvio…

Enquanto cidadão importa-me e muito que Portugal tenha os melhores quadros superiores. Se tiver um problema de saúde espero ser atendido por um profissional médico altamente especializado e qualificado, da mesma forma que confio nas capacidades do engenheiro ou arquitecto que constroem as pontes que cruzamos ou edifícios onde trabalhamos e habitamos. [Read more…]

Os professores entre a frouxidão e a má-fé

Santana Castilho*

Quem tenha acompanhado o comportamento negocial do Ministério da Educação após a assinatura do compromisso estabelecido com os sindicatos, em 18 de Novembro de 2017, vê inflexibilidade e má-fé. Entre outras, duas questões são determinantes no conflito latente, sendo que a ordem para as resolver não é arbitrária: primeiro, o reposicionamento correcto na carreira (porque os professores recém-vinculados não podem ser alvo das interpretações delirantes da secretária de Estado Alexandra Leitão); depois, (e só depois para não se amplificarem as injustiças de reposicionamentos incorrectos) a recuperação do tempo de serviço, como referido na declaração de compromisso e recomendado pela Resolução n.º 1/2018, da Assembleia da República.

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O que é a “cultura de retenção”?

Volta e não volta, quando há notícias de estatísticas negativas sobre reprovações, ressuscita do seu adormecimento a expressão “cultura de retenção”, eufemismo que serve para afirmar que as escolas e os professores, em vez de tentarem resolver verdadeiramente os problemas do insucesso, optam pelo facilitismo da reprovação.

 

João Costa, secretário de Estado da Educação, a uma pergunta sobre o elevado de número de retenções em algumas escolas, relembra a “cultura da retenção”:

“Estes dados refletem um problema conhecido e que justifica todo o investimento na promoção do sucesso escolar. Há uma cultura de retenção que atinge níveis muito preocupantes no ensino secundário.”

E ainda:

“A unidade de missão que coordena o Plano Nacional de Promoção de Sucesso Escolar está a trabalhar em conjunto com as escolas com piores resultados para as apoiar na sua autoavaliação e na avaliação da eficácia das suas medidas e em conjunto com as autarquias para estruturar medidas efetivas de apoio no que extravasa a competência da própria escola.”

Já lá voltaremos. Disparatemos um bocado, recorrendo a uma alegoria temperada com hipérboles, coisas da retórica. Da vida, portanto. [Read more…]

Romance do ranking

“Estou muito satisfeito com as vossas notas, todos têm positiva na classificação final do ano”, dizia, aos seus alunos, o professor de Filosofia. Estes sorriam, satisfeitos.
“Então vamos todos a exame e fazer um figurão”, garantiam, felizes.
“Ah, isso é que não pode ser; o Colégio só leva a exame o Bernardo. Ele tem, de longe, a melhor nota de todos vós.”
” E- e então e nós, o que fazemos? Não é justo!”, espantavam-se os 24 alunos restantes, indignados com a situação que se desenhava.
“Vocês anulam a matrícula e vão ali à Escola Pública inscrever- se como autopropostos.”
Apesar da revolta dos alunos e, depois, dos seus pais, foi isso que aconteceu.
E foi assim que o Colégio de Sta. Miquelina obteve, mais uma vez, um dos primeiros lugares do ranking promovido pelo ME e patrocinado pela imprensa “de referência”. Há quem ache o método cruel – “canalha”, chamava-lhe um pai – mas a verdade é que o colégio não estava só. Todos os primeiros 15 classificados daquela disciplina tinham levado a exame apenas um aluno…

(Qualquer semelhança com factos reais não é pura coincidência…)

Run Kings

Se não gosta, proíba os Quadros de Honra na Escola Pública.

Leituras em dia de rankings

Em dia de divulgação dos rankings dos exames, aí ficam algumas ligações, sendo de saudar que alguma comunicação social já consegue fazer títulos sem que se caia na asneira de insinuar que os ditos rankings são um instrumento de avaliação do trabalho das escolas ou dos professores. Lede, leitores.

 

Colégios voltam a dominar o ranking dos exames (note-se: “dos exames”)

Os rankings escolares são como as omeletes

O “ranking” das escolas que mede o sucesso dos alunos

Da Causalidade Lógica e Factual

Ministro da Educação diz não ser “adepto” de listas

Há mais vida para lá dos rankings

Os rankings no Aventar

Os exames e as desigualdades sociais

Numa notícia com o título “Exames agravam desigualdades entre alunos e alimentam mercado das explicações”, divulga-se uma tese de doutoramento em Educação, dando, também, a palavra à autora. O título do estudo é Exames nacionais, apoios pedagógicos e explicações: a complexa construção dos resultados escolares em Portugal. Só é permitido o acesso a um resumo.

Embora a ideia de que os exames são causa das desigualdades entre os alunos não esteja presente no resumo, a autora afirma-o: «Andreia Gouveia afirma que é “inegável” que os exames são uma causa para o “agravamento das desigualdades sociais no acesso ao reconhecimento escolar”.»

O Paulo Guinote pergunta, e bem: “A Ver Se Percebo… Se Acabarem os Exames Acabam as Desigualdades e os Pobrezinhos Passam Todos a Entrar em Medicina e Arquitectura e na Carreira Diplomática e Etc?”

Pois. A verdade é que os exames não são causa de desigualdade social, são, isso sim, um reflexo. De uma maneira geral, aliás, as desigualdades sociais são uma das causas das desigualdades nos resultados educativos, mesmo que muita gente teime em confundir os rankings com a Ovibeja. [Read more…]

Nuno Crato escreve ‘interacção’. Interacção? Então, porquê?

Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit desclose
Sa robe de pourpre au Soleil,
A point perdu ceste vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vostre pareil.

Pierre de Ronsard

In these two languages [English and Spanish], phonemic boundaries overlap such that the same acoustic signal corresponds to different phonemes in each of the two languages; conversely, different acoustic signals correspond to the same phoneme across languages.

— Fish, García-Sierra, Ramírez-Esparza & Kuhl

I don’t have a trunk on my bicycle.

Douglas Hofstadter

***

De facto, Nuno Crato escreve ‘interacção’. Porquê? Porque escreve em português europeu, apesar de, aparentemente, de vez em quando, tentar adoptar o AO90.

Efectivamente, aparentemente. Porque Nuno Crato sabe que *interação mais não é do que uma espécie de repetição nasalada, uma iteração com vogal nasal.

Quanto ao jornal que não aproveita plenamente as vantagens de viver em liberdade, ei-lo de novo a fazer figuras tristes.

fatos

contato  [Read more…]

O “Dia do Perfil dos Alunos” e o perfil do Governo

[Santana Castilho*]

Se há um “Dia Internacional da Comida Picante” (16 de Janeiro), um “Dia Mundial das Zonas Húmidas” (2 de Fevereiro), um “Dia do Engolidor de Espadas” (28 de Fevereiro), um “Dia Mundial da Higiene das Mãos” (5 de Maio), um “Dia Mundial do Mosquito” (20 de Agosto) e um “Dia Mundial do Pijama” (20 de Novembro), como esperámos tanto para enriquecer o arquivador da República com o “Dia do Perfil dos Alunos”?

A lacuna foi suprida a 15 de Janeiro transacto, com o glamour de uma festa muito moderna. No elenco principal brilharam Catarina Furtado, famosa apresentadora de espectáculos televisivos, e Fernando Santos, auspicioso treinador de futebol. O elenco secundário foi constituído por 323 “comunidades educativas” (designação do século XXI para aquilo a que os arcaicos da minha geração chamavam “escolas”).

Descido o pano deste Carnaval antecipado, arrisco o veredito da Quarta-feira de Cinzas.

No âmago da concepção que o secretário de Estado João Costa diz moderna está o logro de arrastar prosélitos acríticos para a criação do aluno novo, com um caudal de vacuidades que falharam há duas décadas. João Costa vem forjando a ilusão de que com iniciativas inferiores se obterão resultados superiores.

O modo como os alunos integram o que aprendem nas diferentes disciplinas foi objecto, na anterior experiência da denominada “gestão flexível do currículo”, de uma coreografia de actividades de “faz de conta” e de uma sobrecarga de burocracia escolar e procedimentos inúteis, que agora se repetem. [Read more…]

Como arranjar um bom tacho

O tacho (ou a panela) de ferro fundido é um objecto de cozinha que alguns se recordam de ver na lareira. Era nele que se confeccionavam as refeições, ao lume que ardia de manhã à noite e em torno do qual muitas vezes as pessoas se reuniam, como ainda hoje algumas fazem em certos lugares distantes. Quando o Fogo fazia as vezes do feicebuque.

Este tacho confere um paladar característico à comida, mais intenso, e tem um cozinhar um pouco diferente dos tachos modernos. Não foi feito, claro está, para as placas de vidro e cerâmica dos tempos actuais, mas para contactar directamente com as labaredas, que ele aprecia particularmente e que usa com grande talento para operar a alquimia dos alimentos e preparar um repasto à antiga. Seja uma majestosa sopa, ou pratos mais sólidos e nutritivos, como o sobrenatural Cozido Barrosão.

Tudo do Tacho de ferro fundido é Ferro (Metal) e Fogo – dois dos cinco Elementos (Movimentos) da cosmogonia taoísta, presentes também em toda a história da Alquimia ocidental. A origem lendária do seu uso humano remonta, na tradição judaico-cristã, à descendência de Caim, o grande civilizador. Lamec (Gn 4,19) teve duas mulheres, Ada e Cila. Cila deu à luz Tubal-Caim, Ancestral e Mestre de todos os que fabricavam instrumentos de cobre e ferro. Também em Isaías (54,16) se referem os Ferreiros no contexto da reconstrução de Jerusalém e sobre eles a palavra do Senhor é:

Sou Eu quem cria o ferreiro que sopra as brasas de fogo e que produz os instrumentos adequados. Mas também criei quem os há-de destruir. Nenhuma arma fabricada contra ti terá sucesso.

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A banalidade do mal e o sabor dos anos que passam

[Santana Castilho*]

Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo o dia.”

José Saramago

1. Passou o Natal das ocas farturas. Por comodidade e interesse, o Natal comercial tem varrido da memória dos homens o verdadeiro Natal, menos fantasioso, aquele em que Herodes, o Grande, ao saber do nascimento do Rei dos Judeus, mandou assassinar todos os recém nascidos em Belém, para varrer o alegado concorrente. Segue-se a passagem de ano e é tempo do habitual balanço.

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Se houvesse ministro da Educação …

Santana Castilho

  • Em 25 de Agosto passado, muitos professores do quadro foram colocados a centenas de quilómetros da residência. A 6 de Setembro, outros menos graduados profissionalmente ficaram com os lugares dos primeiros. Seguiram-se acções em tribunal, declarações e manobras políticas e pronunciaram-se os importantes: Presidente da República, primeiro-ministro e provedor de Justiça. Foram sensibilizados todos os grupos parlamentares e fizeram-se eficazes manifestações de rua. Quase quatro meses volvidos, os ludibriados são apenas candidatos ao novo ludíbrio de um ilegítimo e inútil concurso extraordinário. Houvesse ministro da Educação e isto nunca teria acontecido.
  • Os professores do ensino artístico especializado foram sempre objecto de tratamento segregador em sede de contratação e carreiras. Em vez de lhes aplicar a legislação que regula o exercício profissional dos outros professores, a tutela considera-os como técnicos especializados.

Lendo o actual projecto de decreto-lei para regular a contratação dos professores do ensino artístico, parecem claras duas intenções: institucionalizar a desigualdade entre estes docentes e os das outras áreas e conferir aos directores das respectivas escolas um poder discricionário e não sindicável para decidirem quem contratam. Trata-se de retomar, em permanência, uma espécie de bolsa de contratação de escola, que legitime a falta de habilitação exigível para se ser professor. Houvesse ministro da Educação e não seria assim. [Read more…]

O argumento falacioso de RMD

Lê-se aquilo e talvez se pense que faz sentido. Até que se repara nos pressupostos.

Não sou professor, logo a mensagem não me é dirigida, mas permito-me imiscuir-me. Afinal de contas, se RMD está qualificado para mandar bitaites sobre educação, porque não o hei-de fazer também, até porque todos tivemos aulas – logo somos especialistas em educação.

No textículo de RMD comparam-se escolas secundárias com universidades. O argumento é que as segundas são óptimas, apesar de públicas, enquanto que as primeiras são uma porcaria, excepto se forem privadas. Logo, os professores do secundário só podem ser fraquinhos, acrescento eu.

A questão é que a comparação é inválida por várias razões.
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Diálogo imaginário com Rodrigo Moita de Deus

Rodrigo Moita de Deus, tal como David Dinis, José Manuel Fernandes e Catarina Carvalho, puxou dos seus galões de “especialista” em Educação e, entre televisão e blogue, veio explicar tudo a todos. Como é habitual no mundo da comunicação social, não dominar um assunto é o primeiro passo para emitir opiniões sobre esse mesmo assunto. Rodrigo Moita de Deus preenche os requisitos.

Assim, resolvi simular um diálogo com o simpático ignorante, resumindo as declarações do programa O Último apaga a luz e aproveitando um texto do 31 da Armada.

 

 

Rodrigo: O PCP soltou Mário Nogueira da jaula em que estava fechado e disse “Ataca, Mário!”

Eu: Ó Rodrigo, tanto chá que o menino bebeu e vai tratar assim um adversário político? É feio, não é? Lá no fundo, o menino sabe que sim. É claro que o menino, para além de deselegante, quer deixar claro que pensa que isto é tudo uma questão partidária e que os professores, no fundo, são uns joguetes nas mãos dos comunas.

Rodrigo: A greve de professores prejudicou milhares de alunos.

Eu: Duas greves de um dia incomodam, com certeza, e o menino sabe que é um exagero falar em prejuízo, mas sempre gostaria que explicasse como é que se faz uma greve sem incomodar ou mesmo prejudicar. Talvez os professores devessem fazer greves só a partir da meia-noite.

Rodrigo: Pois, mas os professores são uma corporação que domina o sistema de ensino.

Eu: Ui, ó menino! A quantidade de gente que já disse isso! Há uns anos, uns amigos seus escreveram um livro e disseram o mesmo, tentando propagar o mito urbano de que os professores, ou os sindicatos dos professores, mandam no ministério da Educação. Deve ser por isso que os professores, tal como muitos outros, tiveram carreiras congeladas e salários cortados. Deve ser graças a esse poder que os muitos avisos acerca de questões curriculares e administrativas são completamente desprezados, como, por exemplo, o aumento do número de alunos por turma ou a criação de mega-agrupamentos ou a municipalização (deveria dizer-se caciquização) das escolas. [Read more…]

O que diz uma criança sobre o número de alunos por turma!

A reportagem sobre o Dia Universal dos Direitos da Criança, no Público de hoje, lê-se com agrado, também (ou especialmente) quando os adultos, professores incluídos, são criticados.

De qualquer modo, cá por coisas, vale a pena ler e reler a opinião de um aluno do Primeiro Ciclo (Escola Primária) acerca do número de alunos por turma:

Há professores nas escolas que têm muitos alunos e não conseguem tomar bem conta de todos. Então podia-se dar um máximo de alunos a cada sala, 18 ou 20, para ser mais fácil. A minha professora tem 23 alunos. Assim não consegue dar tantas matérias. Perde muito tempo a atender a todos. A sala do lado tem 18 [alunos] e já estão um pouco mais avançados do que nós. Às vezes conseguimos acompanhá-los, mas estamos sempre um bocadinho mais atrás.

Imagine-se o atrevimento! O atrevimento, claro, de todos os “especialistas” que desvalorizam a questão do número de alunos por turma! Ainda há dias, com a leviandade dos ignorantes e com a raiva dos patrões que odeiam salários e outros privilégios, Rodrigo Moita de Deus julgava explicar que em Portugal há um professor para cada onze alunos, como se essas contas dissessem alguma coisa sobre o número de alunos por turma. De qualquer modo, para Rodrigo tudo estará bem, desde que se roube tempo e salários aos professores, porque é assim que o mundo deve ser, mesmo que isso possa ser lesivo também dos direitos da criança.

Catarina Carvalho, ainda mais uma “especialista” em Educação

Nos últimos tempos, os “especialistas” em Educação têm andado especialmente activos, preocupados com os alunos e tudo e revoltados com os professores.

Durante anos, não se preocuparam com a criação de mega-agrupamentos, com o aumento do número de alunos por turma, com as constantes alterações legislativas e curriculares, com a falta de professores nas escolas, com a ausência de políticas sociais, com o empobrecimento da formação contínua dos professores, com a terrível falta de funcionários não-docentes, com o empobrecimento da formação inicial de professores graças ao sistema de Bolonha, com o empobrecimento dos estágios pedagógicos, a perda de qualidade das cantinas semiprivatizadas, enfim, com uma série infindável de problemas e medidas que tornam cada vez mais difícil que as escolas possam compensar, o máximo possível, os problemas de crianças causados por factores sociais e/ou familiares.

O que tem levado os “especialistas” a sair das tocas em que vivem, dispostos a morder tudo o que cheire a professor? A possibilidade de haver um reposicionamento dos professores nos escalões onde deveriam estar, se a progressão não tivesse sido congelada durante quase dez anos. Em suma, os “especialistas” estão furiosos com a recuperação de direitos laborais, o que se compreende, porque é um conceito contrário à religião que praticam. [Read more…]

O cronómetro dos professores

Imaginai um maratonista a cumprir o seu dever, que é correr. A dada altura, alguém decide, talvez por falta de tempo (que é uma coisa que se gasta muito), desligar o cronómetro no momento em que o maratonista completa 10 quilómetros, voltando a ligá-lo quanto o atleta passa o vigésimo quilómetro. Acrescente-se que o maratonista chega à meta. Pergunto: tendo em conta que o cronómetro esteve desligado, o tempo deixou de existir ou a distância não foi percorrida?

Se uma situação destas ocorresse, seria natural que o corredor se revoltasse, porque cumpriu o seu dever, ficando sem saber quanto tempo efectivamente gastou. Por outro lado, não podendo a culpa ser-lhe imputada, poderia exigir que o tempo marcado no cronómetro fosse oficializado, o que lhe conferiria o recorde mundial da modalidade.

Os professores que, durante os últimos dez anos, cumpriram os seus deveres (haverá comentadores a garantir que eram uma minoria ou que muitos são esquerdalhos que merecem a forca) tiveram direito a carreiras congeladas e a cortes salariais. Entretanto, relembre-se, continuaram a correr, que é o seu dever. Inteiramente justo seria que o dinheiro desviado (assim mesmo: desviado) e o tempo de serviço fossem inteiramente repostos. Contudo, não se pede inteira justiça: pede-se, apenas, que se reponha o tempo de serviço, o que faria com que os professores fossem colocados no escalão em que deveriam estar, tendo em conta que – isso mesmo! – não deixaram de correr durante dez anos. Neste interim, as televisões aproveitam para mentir.

António Costa alega que o impacto orçamental seria incomportável. Apesar de tudo, tem a aparente honestidade de usar isso mesmo como argumento principal, ao contrário de outros, que alegavam a ausência de falsas avaliações para justificar a extinção das progressões. Ainda assim, nós sabemos que os dinheiros de Estado continuam a salvar bancos e a pagar parcerias público-privadas. No fundo, são diferentes formas de enganar os mesmos. É o centrão a empobrecer a Educação há, pelo menos, 12 anos.

É natural que os professores fiquem como o maratonista: sem fôlego.