Sebastião Bugalho, em boa hora porta-voz do PSD, fez declarações sobre o problema dos exames nacionais.
Como lídimo representante do povo português, recorreu à técnica da falsa insinuação das comadres, que consiste em dizer mal de alguém fingindo que se está apenas a insinuar a maledicência. Não é uma técnica ao alcance de qualquer um, porque uma falsa insinuação mal aplicada pode atingir o alvo errado ou passar ao largo do pretendido.
A falsa insinuação consubstancia-se em expressões como “certas e determinadas pessoas”, “não é como uns e outros”, “cala-te, boca” ou “e fico-me por aqui”. Ao invés de dar o dito por não-dito, a falsa insinuação dá o não-dito por dito e o que se finge não dizer fica dito de modo muito claro.
Normalmente, o emissor da falsa insinuação assume uma atitude que mistura superioridade e desprezo. Sebastião Bugalho é um dos grandes especialistas nacionais nessa junção, como cultor da escola passista do descaimento das pontas labiais, que acrescenta à falsa insinuação uma sisudez que é o principal sinal de uma seriedade milenar. O risco ao lado, o fato e a gravata reforçam a imagem.
Não tive oportunidade de ler a notícia, mas a frase destacada é uma inspirada variação da falsa insinuação: Bugalho diz que não quer usar a palavra que efectivamente usa. É, no entanto, lamentável que o porta-voz de um partido venha acusar um ministro de sabotagem, mas percebe-se: para um processo correr tão mal, é difícil pensar noutra possibilidade.
P.S. – estava a brincar, li a notícia. Não vou dizer que Sebastião Bugalho é uma besta. Não é como certas e determinadas pessoas. Cala-te, boca!









Marques Mendes, no seu espaço de intoxicação alimentar, 



No tempo do salazarismo, havia um faduncho anticomunista que servia para alimentar o medo do papão leninista-estalinista-siberiano. Incluía, o dito faduncho, versos como “Maldita seja a Rússia soviética!” e “Malditos os que comem criancinhas!”. Quando se pensava que já não seria possível reencontrar um discurso tão primário, eis que Passos Coelho reaparece para reavivar fantasmas em que ele próprio não acredita, mas que lhe dão jeito para a campanha em que se integra, juntamente com outros intelectuais do mesmo calibre, como Paulo Otero ou João César das Neves, alguns dos autores que integram a colectânea “Identidade e Família”.



Quando nos pisam os calos, no mínimo, exprimimos um gemido de desconforto. Se nos pisarem os calos demasiadas vezes, a coisa descambou para falta de cuidado ou para agressão.










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