«La vie n’est pas un roman»

Caballeros, parte de madurar es aceptar las cosas que a uno no le gusta.

— Chepe Santacruz Londoño

O azul não tem qualquer conotação clubística.

— Eduardo Aires

La vie n’est pas un roman. C’est du moins ce que vous voudriez croire.

— Laurent Binet, “La septième fonction du langage

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O fim-de-semana está à porta. É uma óptima notícia, semelhante àquela da recaída do Expresso.

Todavia, eis o desastre:

No sítio do costume? A vergonha habitual.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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A batota autárquica dos “fake likes”

Coisas curiosas vão ocorrendo nas redes sociais, uma vez que se transformaram num dos principais veículos de propaganda política e eleitoral. O número de “Gostos” é um sinal aparente de popularidade e adesão, servindo para fazer passar uma ideia de notoriedade que, por vezes, não corresponde integralmente à realidade. Aquilo que de facto se verifica é uma gigantesca operação de falsificação de “gostos”, com candidatos autárquicos a recolhê-los em lugares tão distantes como o Sri Lanka, o Paquistão, os Estados Unidos ou a Índia. A compra de “likes” do Feicebuque é um modo de fazer batota e de induzir em erro os eleitores que se deparam com um grau de popularidade dos candidatos sem qualquer correspondência na realidade. Mas a verdade é que por meros 15 dólares é possível comprar 1000 likes de pessoas que nem sequer existem.

A título de exemplo, atente-se na página da recandidatura do actual presidente da Câmara de Gaia, analisada pelo “Facebook Like Checker”, uma aplicação citada hoje pela SIC Notícias e pelo  jornal Expresso, e usada numa interessante reportagem daquele canal de televisão.

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Eu não lhe chamaria sobrevivência, Passos

é mais lutar para não ficar atrás da líder do pequeno partido à vossa direita (ou será à esquerda?) e evitar o pior resultado de sempre em Lisboa, o que não será tarefa fácil, pelo menos a julgar pelas sondagens.

Com o Major Valentim é tudo grátis

Maior que o gigantesco “GRÁTIS” que surge neste cartaz, só mesmo o nome da localidade que recebe a grande festarola, Rio Tinto. A ver se a malta percebe bem a grande oportunidade que ali está. O resto, a julgar pelo histórico, será o standard do bloco central: zero propostas concretas, mil promessas vagas (que ainda assim não são para cumprir), porcos no espeto e álcool com fartura, que os abutres em bando tratam da lavagem cerebral à presa quando ela estiver bem bebida e de barriguinha cheia. [Read more…]

Balões de ensaio rumo à trumpice

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Luís Marques Guedes deve saber do que está a falar. Afinal de contas, é um grupo de notáveis da anterior governação, do qual se destacam o ex-ministro Miguel Macedo, o ex-presidente do Notariado, António Figueiredo, e o antigo diretor do SEF, Manuel Palos, que está alegadamente envolvido numa rede ilegal ligada à imigração de luxo, chamada de Vistos Gold.

Ou então, está só a atirar lenha para a fogueira mediática, o que, partindo de um político, é um pleonasmo, alinhando Marques Guedes na última moda deste alt-PSD.

O CETA nas mãos do Presidente da República

Agora que os deputados do PSD, CDS e PS ofereceram de bandeja uma fatia de soberania nacional por via da aprovação do CETA, falta apenas a sua ratificação pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa para que Portugal se junte à Croácia, Dinamarca, Malta, República Checa e Letónia no grupo dos estados-membros da UE que já deram luz verde ao CETA.

Gil Penha Lopes, investigador do Departamento de Biologia Vegetal Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, aproveitou ontem a presença do Presidente da República na Universidade para o seguinte diálogo:

– Gil Penha Lopes: “Exmº Presidente, como cidadão e docente universitário fiquei preocupado com a aprovação, esta manhã no Parlamento Português, do CETA, acordo comercial entre o Canadá e a Europa, pois está em causa a perda de soberania nacional e europeia, assim como é mantido o apoio à destruição ecológica e degradação ambiental.

– Presidente: Já sei, já sei. Isto ainda não foi ao Parlamento, pois não?

– Gil Penha Lopes: O CETA foi aprovado esta manhã no Parlamento sem ter ocorrido uma discussão alargada sobre o tema na sociedade Portuguesa. Deixo-lhe aqui esta revista que sintetiza as principais preocupações de plataformas cidadãs (como a Plataforma Não ao TTIP), ONGs, Sindicatos e de outras entidades e grupos de cidadãos.

– Presidente: Mas então já foi ao Parlamento.

– Gil Penha Lopes: Sim, foi aprovado hoje de manhã. Está agora nas suas mãos e por isso estamos mais confiantes.

– Presidente: Tenho de ver isso. Obrigado.

– Gil Penha Lopes: Muito obrigado.

O CETA concede direitos especiais, ou seja, privilégios, a investidores estrangeiros para processarem os estados por decisões em defesa dos cidadãos ou ambiente que possam diminuir os seus “potenciais futuros lucros”.

Por favor, Exmo. Sr. Presidente, reveja lá isso bem.

Pigmeus políticos

O sibilino José Eduardo Martins não encontrou melhor forma de se luzir na campanha de Teresa Leal Coelho que recitar-lhe, em altos brados, um poema de Sophia de Mello Breyner. Eu sei que ninguém é proprietário exclusivo de poetas. Mas há qualquer coisa de sórdido nesta cena. De batota. E, curiosamente, dirigir a Teresa Coelho versos como “Porque os outros vão à sombra dos abrigos/ E tu vais de mãos dadas com os perigos/ Porque os outros calculam mas tu não”, é uma rematada mentira. Não da poetisa, claro, mas do declamador, que sabe que a sua dama não merece nem corresponde a um único destes versos.

Isto é poesia de gente grande, para gente grande. Não para pigmeus políticos e oportunistas.

Obrigado, Ágata!

Discurso objectivo e prioridades bem delineadas. A “Conceição” deve estar orgulhosa.

 

Saiba quanto ganha o seu presidente de câmara

seguindo este link. Luvas, “presentes” e sacos azuis não incluídos.

Querem pôr o Ricardo Salgado a pão e água. Comunistas!

Fotografia via Imprensa Falsa

Apesar do inestimável contributo para a destruição do Grupo Espírito Santo, e em particular daquele que era o seu filho pródigo, o BES, que nos custou uns quantos milhares de milhões de euros, que continuaremos a pagar, de múltiplas formas, por muitos e longos anos, Ricardo Salgado, outrora Dono Disto Tudo, recebe uma simpática pensão de 90 mil euros. É sempre reconfortante perceber que, no admirável mundo podre da elite financeira, destruir um banco traz consequências destas. Ainda bem que existem mecanismos para desmotivar quem lhe quiser seguir as pisadas.  [Read more…]

Banha da cobra

Parece que Paulo Portas botou por aí “oração de sapiência”. Tanto bastou para que jornalistas sortidos ficassem em estado de êxtase e com o sistema endócrino desatinado. Nunca compreenderei a adoração que leva os fiéis a queimar incenso aos pés deste vendedor de banha da cobra, deste homem de vão saber, tratando-o como o mais profundo dos pensadores.

Valha a verdade, esta veneração diz mais sobre os crentes que sobre o seu ídolo. Quem ainda tem paciência e estômago para frequentar jornais percebe isto muito bem.

Um boneco à presidência

O que é que um cartaz diz? Muito mais do que o que consta em palavras, seguramente. Este parece apelar ao voto no boneco. Literalmente.

Recusa-se a votar em corruptos, caro leitor? Então esta posta é para si!

Está a ver aquelas molduras de fotografia que, de um dia para o outro, entupiram o Facebook com dizeres político-partidários de ocasião, não raras vezes vazios de conteúdo? Está farto de ver tanto corrupto emoldurado a pedir o seu voto para, de seguida, se dedicar ao compadrio, à distribuição de tachos para abanadores de bandeiras e ao tráfico de influências em geral? Apetece-lhe mandar toda essa gente à merda mas não está para se chatear? Então não perca tempo e diga já a todos os seus amigos virtuais ao que vem: actualize a sua foto de perfil facebookiana com a moldura que pode ver em cima e junte-se ao movimento – acabado de criar neste preciso instante, com forte potencial para se transformar imediatamente num flop – “Eu não voto em corruptos”. [Read more…]

Custe o que custar

Nuno Delerue com Eduardo Vítor Rodrigues, na assinatura do acordo de aliança para a Câmara de Gaia (Ano de 2013).

Presidente da Comissão Política do movimento que elegeu, em 2013, José Guilherme Aguiar como vereador da Câmara de Gaia, seria Nuno Delerue quem viria a assinar, ainda nesse ano, o acordo de aliança política com o PS/Gaia, acordo esse que permitiria a Eduardo Vítor Rodrigues liderar os destinos da autarquia com uma maioria absoluta não conquistada em eleições.

Agora, Nuno Delerue, antigo vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, que integrou a comissão de honra da candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do partido, regressa “por dentro”, depois de três dos seus companheiros terem sido incluídos na lista do Partido Socialista à Câmara de Gaia: Guilherme Aguiar, Valentim Miranda e Elísio Pinto.

Esta estratégia do Partido Socialista para a terceira Câmara do país está em contra-ciclo com a solução encontrada ao nível do parlamento nacional, onde o PS se aliou, e bem, aos partidos da sua “esquerda” para constituir a chamada Geringonça, buscando, ao nível da governação, soluções que permitissem, na medida do possível, reverter as políticas gravosas que durante a anterior legislatura o governo PSD/CDS tinha levado a cabo.

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A grande anedota nacional

Imagem encontrada no Facebook/autor desconhecido

É claro que a decisão dos terroristas da Standard & Poor’s não se deveu em exclusivo à acção deste governo. Nem deste nem de governo nenhum, que agências de rating são empresas privadas que tomam decisões em função dos seus interesses momentâneos, sejam eles quais forem. Que o diga o Lehman Brothers, cujo triplo A cintilava na constelação financeira no dia imediatamente anterior ao pontapé de saída do crash de 2008. [Read more…]

Mário Centeno, o bom aluno

Fotografia: Francois Lenoir/Reuters@Público

Ficamos esta semana a saber que alguns dos nossos parceiros europeus estão indignados com o regime de residentes não habituais em Portugal, que, long story short, significa que pensões pagas por um Estado estrangeiro a reformados ou trabalhadores a viver em território nacional estão isentas do pagamento de IRS.

Trata-se, obviamente, de um regime injusto: como se não bastassem a simpatia e hospitalidade que nos são intrínsecas, o sol que passa cá férias quase todo o ano, a beleza natural e a grandiosidade histórica do nosso país, a gastronomia e os vinhos de excelência e aquilo que podem ser considerados preços de saldos para quase tudo o que vive no centro e norte da Europa, ainda queremos dar borlas fiscais para reformados milionários? Que grande lata! [Read more…]

Aí está o Diabo

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Chegou para apoquentar Cristas e Passos – sobretudo este último.

Malditos esquerdalhos, até o capital controlam.

Pst! Aqui que ninguém nos ouve, estas notas especulativas das agências de rating valem zero, no sentido de não terem uma relação real com o estado do país. Não tiveram no passado, como não têm agora. Mas, politicamente, valem muito, ou não tivessem sido armas de arremesso dos ressabiados Cavaco, Passos, Portas, Cristas e demais fandangos.

A catástrofe financeira portuguesa e os comunas do FMI

O drama, a tragédia, o horror, as sanções, o desemprego galopante, a fuga de capitais, o défice de dois dígitos, o diabo e o resgate estão quase a chegar. Ninguém sabe bem quando, que a ditadura soviética torna impossível de prever o que quer que seja – o próprio diabo queixava-se há dias que os fascistas da CIG não o deixam em paz – mas sabe-se que tudo isto e muito mais está para vir. É o que dizem os spin masters do passismo defunto, pelo menos quando não estão a instrumentalizar emocionalmente os portugueses com os fogos florestais ou a elogiar a grandeza de Donald Trump e dos venturas desta vida. [Read more…]

Fé, Política e Propaganda

 

O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, ladeado pelo presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, João Paulo Correia, e pelo actual Administrador dos STCP (ex-administrador das Águas de Gaia e ex-Chefe de Gabinete de Vítor Rodrigues), Tiago Braga, naquilo que parece ser a concórdia perfeita entre Fé, Política e Propaganda, em mais um “passeio sénior” a Fátima, em plena campanha eleitoral para as autárquicas.

Certamente que a famosa “municipalização” dos STCP não serviu para patrocinar estas garraiadas santas.

PSD, na vanguarda da instrumentalização de idosos para fins eleitoralistas

Ok, é possível que outros partidos façam o mesmo. Se conhece mais algum caso, caro leitor, envie para cá. Terei todo o gosto em aventar sobre ele. Contudo, é natural que me debruçe mais sobre o que se passa Trofa, concelho onde nasci, cresci e que escolhi para viver, onde há quatro anos governa uma coligação PSD/CDS-PP, que, em quatro anos, elevou o eleitoralismo para um novo patamar de pouca-vergonha. Torna-se sufocante e um tipo tem que ter um escape. [Read more…]

E lições de moral sobre o caso Portucale, deputado Carlos Costa Neves? Também tem alguma para dar?

Foto via Dinheiro Vivo

Carlos Costa Neves, que foi quase ministro daquele segundo governo Passos/Portas que morreu à nascença, foi o escolhido para comentar a entrevista de Azeredo Lopes, no que ao caso Tancos diz respeito:

Não sabemos bem como é que podemos classificar esta situação, porque ela é de tal maneira grave, que as palavras “ridículo”, ou que a palavra “um jogo”, ou que a palavra “não saber para onde é que se vai”, não chega. (…) Nesta próxima semana, o PSD, na Assembleia da República, e no exercício daquilo que são as suas responsabilidades em democracia, vai tudo fazer para que isto se esclareça, e para que sejam assumidas responsabilidades. Há responsabilidades políticas neste caso e nós não deixaremos de partilhar com os portugueses aquilo que se souber.

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Coisas inauditas e nunca antes vistas

Quando um ministro vai ao Facebook de um amigo, João Gonçalves, o qual foi assessor no anterior governo, já agora, entrar em diálogo com outra pessoa sobre a sua malfadada entrevista ao DN e TSF. [link actualizado]

João Gonçalves
Não vou dizer nada porque me considero seu amigo. Mas também não é a mim que compete dizer o que quer que seja.

José Alberto Azeredo Lopes
Pode comentar, meu caro João Gonçalves. E criticar como entender. Esperando porém que (mas só se lhe apetecer) vá ler o que afirmei e em que contexto o afirmei. Assim se percebendo que, ao contrário (muito ao contrário) daquilo a que o título induz, não tomo a hipótese como séria. Um abraço, az

Pedro Moura
Ó senhor ministro, fui ouvir e foi pior a emenda que o soneto! Então os inventários da tropa estão todos mal, é isso? Querem lá ver que afinal podemos andar a ser roubados todos os dias que ninguém sabe de nada?

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“Jornalismo” militante na imprensa empenhada

O Jornal Económico pegou num artigo do Financial Times com um ano (de Setembro de 2016), traduziu-o, publicou o seu próprio resumo, partilhou-o no Facebook e depois apagou-o.

«“Portugal está no centro de uma tempestade perfeita”, realça o Financial Times» (Google cache), assim titulou Leonor Mateus Ferreira a peça em causa. Nela se encontra o descrédito que os sábios estrangeiros sentenciam sobre Portugal e que os indígenas, ignorantes e manipulados por uma comunicação social comprada, não reconhecem. É o que se poderia pensar sobre o assunto, não estivéssemos nós perante uma variante de fake news.

Foi precipitação de quem não reparou na data, tal era o entusiasmo com a oportunidade de citar um cronista estrangeiro qualquer? Não sabemos, o jornal optou por apagar silenciosamente o artigo, sem se dignar a dar uma palavra aos leitores. Como se o que vai para a net alguma vez desaparecesse. Pega-se num artigo de opinião, dá-se-lhe um título assassino, eleva-se-o ao estatuto de ser um jornal a dizê-lo, estrangeiro, ainda para mais, e assim temos spin nacional para encher caixas de ressonância (teve 1.6 mil partilhas no Facebook).

Seguem-se as capturas de ecrã para documentar que, de facto, existe uma imprensa comprometida, sim, mas com um certo modelo de sociedade, conducente a uma brutal assimetria social, e que se tem procurado implantar um pouco por todo o lado, Portugal incluído.
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Verdadeira filhadaputíce

Há dias, a direita lançou a sua campanha de boatos , mais uma, dizendo que o Estado (ler o Governo) açambarcou os milhões  doados pelos portugueses e que não se sabe onde os está a gastar (insinua-se que será para fins eleitorais). Veja-se a perfída dos usurpadores (sim, continua existir quem defenda a tese), ficarem com a lavagem de consciência dos portugueses (ler donativos). Milhões e milhões de euros. Uns porcos.

Reclama o PSD que  “é imperativo que exista informação e transparência sobre os montantes das doações que foram feitas, quem têm sido os seus beneficiários e para que fins está a ser aplicado esse dinheiro”.

Como a mentira tem a perna curta, logo se soube que esses milhões foram, quase todos, para os beatos ligados ao PSD e CDS. Afinal, são as instituições privadas do negócio da “economia social” (ler caridade), que tão empolgadas e beneficiadas foram pelo anterior governo, que têm o grosso das contas a prestar. Constatado o tiro no próprio pé, alguém precisava de dar a cambalhota gelatinosa para justificar o injustificável. Coube a vez ao douto Duarte Marques proceder à reescrita da verdade.

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Vai pôr cobro a esta pouca-vergonha no seio do seu partido, Dr. Pedro Passos Coelho? Ou será que a sua palavra não vale rigorosamente nada?

Por estes dias, o Dr. Pedro Passos Coelho chamou, e bem, a atenção para as manobras eleitoralistas que aqueles que se encontram em posições de poder tendem a usar para ganhar vantagem nos mais variados actos eleitorais. Imagino que o senhor primeiro-ministro no exílio se referia, por exemplo, a casos como o anúncio da devolução da sobretaxa, que o seu governo usou para obter vantagem nas Legislativas de 2015, e que afinal não passava de um embuste, em linha com casos de sucesso como aquela saída limpa que tinha um Banif escondido debaixo do tapete.

Pois bem, já que o caríssimo líder da oposição decidiu trazer este tema à baila, aproveito a deixa para, encarecidamente, pedir a alguma alma bondosa da capital que faça chegar esta mensagem ao Dr. Passos Coelho, porque algo de muito grave se está a passar na distrital portuense do seu partido. Não, não me refiro às tropelias da entourage de Marco António Costa e da sua compincha da Webrand. No que a este caso diz respeito, já sabemos tudo, como sabemos que nada irá acontecer, porque, nesta bela pátria à beira-mar plantada, o poder quase absoluto continua a garantir a impunidade dos esquemas subterrâneos. Penso que só temos direito a 1 caso Sócrates a cada 100 anos. [Read more…]

Visão das “campanhas sujas” de Gaia

A reportagem da revista Visão publicada há alguns dias sobre as “Campanhas Sujas” da política, todas elas a norte e a principal das quais em Gaia, tem alguns pontos de interesse, apesar de a maior parte da informação publicada já ser conhecida e até já ter sido analisada pelas autoridades judiciais.

Mas há algumas novidades na peça jornalística que importa assinalar.

A primeira novidade é o aparecimento em cena de um grande grupo empresarial chamado Trivalor, dono de empresas como a Gertal, cujo negócio principal é o fornecimento de refeições escolares. Ou como a Strong, que se dedica à Segurança Privada. A Visão diz que a Trivalor terá financiado campanhas eleitorais do PSD e do PS. O que a Visão não diz é que a Gertal fez o maior contrato de todos os que constam do Portal Base com a Câmara de Gaia, num valor superior a 12 milhões de euros, no ano de 2015, já Eduardo Vitor Rodrigues era presidente de Câmara havia cerca de dois anos. Também não diz que a Strong, empresa do mesmo grupo, “ganhou”, no mesmo ano, o concurso para fornecimento de serviços de segurança à autarquia, destronando uma empresa concorrente que prestava esse serviço há vários anos.

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Abaixo o crescimento do país!

Passos Coelho, enquanto foi primeiro-ministro, aumentou a dívida pública, provocou mais desemprego, causou a perda de rendimentos dos que tinham menos rendimentos, agravou radicalmente a perda de qualidade de muitos serviços públicos (graças também à privatização cega de áreas que não deveriam ser privatizadas) e pisou direitos laborais e, portanto, humanos, praticando uma subserviência cega a ditames de uma aparente união europeia que, na realidade, está ao serviço de poderes económicos que se caracterizam por uma absoluta desumanidade, ansiando por salários baixos e direitos sempre mais mínimos. Passos Coelho, relembre-se, fez tudo isto, depois de ter garantido que faria o contrário, ganhando eleições com base num chorrilho de mentiras.

Depois de quatro anos de destruição, Passos Coelho, sempre com a mesma falta de vergonha na cara de quem é capaz de inventar suicídios, aparece agora a dizer que, com ele no governo, o país estaria a “crescer mais”. Desde que Luís Montenegro, essa luminária do passismo, declarou que o país estava melhor, mesmo que as pessoas não estivessem, fiquei insensível ao conceito de crescimento que povoa a mente desta gentinha alimentada a doses de cavaquismo e a restos da universidade de Verão e para quem as pessoas são abstracções, objectos puramente mentais que, portanto, não precisam de se alimentar ou de viver.

Declaro, portanto, que sou radicalmente contra o crescimento do país. Onde é que assino?

Taxa de Protecção Civil: Câmara de Gaia fez “lobby” a favor do imposto na Associação Nacional de Municípios

O presidente da Câmara de Gaia , Eduardo Vítor Rodrigues, inundou a comunicação social com uma informação deturpada, segundo a qual ele próprio “sempre foi contra” a cobrança da Taxa de Protecção Civil que o Tribunal Constitucional veio agora considerar ilegal.
A verdade, que a seguir se reproduz através da transcrição integral, ipsis verbis, da sua intervenção em Reunião Pública da Câmara de Gaia, de 18 de Novembro de 2013, é que Eduardo Vítor Rodrigues não só foi a favor da Taxa de Protecção Civil que agora renega, como tentou impô-la junto da Associação Nacional de Municípios Portugueses, onde se propôs até criar um “lobby” em defesa do imposto inconstitucional.

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Como desencardir um candidato autárquico

[Rui Naldinho]


Podemos sempre questionar a qualidade das sondagens da AXIMAGE, mas nem vou por aí. Até podemos ironizar com o EXPRESSO, na medida em que este parece recorrer a informação alheia para promover uma ensaboadela às nossas mentes tão puritanas, as mesmas que se recusam a dizer em voz alta, aquilo que pensam em voz baixa.

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Os políticos vivem quase exclusivamente de corrupção e tráfico de influências

Perdoem-me, tive um momento André Ventura e não resisti ao facilitismo da generalização. Sim, eu sei que nem todos os políticos são corruptos ou traficantes de influências, mas é que são tantos a corromper e a ser corrompidos, tantos envolvidos no tráfico de colarinho branco, tantas luvas, tantos robalos, tantos favores e tachos, tanta promiscuidade nas nomeações, nas danças de cadeiras, nas obras públicas e nas grandes compras do Estado, tantos negócios viciados para amigos, familiares, antigos e futuros empregadores, que, estou certo, se a Aximage se sai com uma sondagem sobre o assunto, 98% da população acabará por concordar comigo. Os outros 2% são políticos e vivem mesmo quase exclusivamente da corrupção e do tráfico de influências. À beira deles, até o mais perigoso cigano se assemelha a um menino de coro. Corremos com os gajos?