Cristiano Centeno no Real Madrid?

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Fotografia: Julien Warnand/EPA

Centeno vinha de um país pobre, num contexto particularmente delicado. Treinou intensamente, deu nas vistas numa inesperada geringonça, ainda que sem grande futuro, e não demorou muito até que o seu talento despertasse o apetite de grandes emblemas estrangeiros.

Lá fora continuou a dar nas vistas. Tinha a rara habilidade de saber aproveitar os ventos favoráveis para apresentar números históricos, driblando os seus companheiros de equipa mais indisciplinados, ao mesmo tempo que iludia os sócios da instituição com o seu jogo de cintura.  [Read more…]

O sigilo bancário

Vox populi dixit, roubas um tostão e és um ladrão, roubas um milhão e és um sabichão. Inventei isto agora mas diversas variantes dizem a mesma coisa. Seja na versão do idoso que roubou uma lata de atum e viu o seu nome escarrado na comunicação social, seja no tom eufemístico com que os gestores de topo são tratados nas comissões de inquérito a cada falso ataque de amnésia.

O Banco de Portugal entrou novamente neste jogo ao não divulgar os nomes dos devedores que receberam os milhares de milhões de euros roubados aos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem. Segundo o seu representante máximo, Carlos Costa, tal deveu-se aos riscos de violar o sigilo bancário. Os biliões, como dizem os americanos, têm direito à proteção que o vulgar cidadão não tem. Experimente o leitor não pagar o IMI e logo verá quanto tempo decorrerá até ver o seu nome inscrito nas listas públicas de devedores ao fisco.

A incapacidade, para não adjectivar de forma mais incisiva, que os sucessivos governos têm demonstrado ao não conseguirem lidar com os parasitas do regime é o seu maior fracasso. E será, certamente, o estrume onde a extrema-direita há-de crescer.

As piadas políticas, como todas, são sempre questionáveis

Questionáveis e reversíveis.

“Todas estas dificuldades se agravaram no princípio de 1974”, lembra Balsemão, exemplificando com a obrigação de enviar as soluções das palavras cruzadas, “porque o autor, então, como hoje, Marcos Cruz (que é o pseudónimo da sua mulher, Mercedes Pinto Balsemão) usava as legendas para piadas políticas”. [Expresso, num artigo de 2009 titulado NÃO PUBLICAR]

Não custou nada. Parece que também sei fazer “piadas políticas”. A seguir vou fazer palavras cruzadas com a lista dos devedores da CGD, mas aí não tenho a certeza que haja soluções. Talvez o Expresso possa ajudar.

Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

Pare de mandar recados

‘Por que não te calas?’, perguntam uns e outros.

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]

Haverá corrupção no combate à corrupção?

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Por muito que nos tentem convencer do contrário, Portugal é um país onde a corrupção está enraizada nas diferentes estruturas da sociedade, dos serviços públicos às empresas, passando pelas autarquias, onde o compadrio grassa, e, claro, pelas estruturas de poder instaladas em Lisboa. E não, não é um problema inerente à democracia. Em ditadura foi igual, com a vantagem de ter ao seu serviço a censura, que impedia o debate e o acesso que temos hoje à informação.

Para ajudar à festa, parece que apenas 6% dos casos de corrupção, investigados pela justiça, chegam a julgamento. Os restantes 94% acabam arquivados, por falta de provas. Um desfecho feliz para os larápios do costume. [Read more…]

Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]

Aquele cheirinho…

O número de elogios aos hospitais públicos foi o dobro dos elogios aos hospitais privados. Mas a maioria das notícias esqueceu-se de referir este detalhe.

Paira no ar um cheirinho a notícia plantada, vindo dos cantos que apregoam maravilhas a 3 hospitais geridos em PPP.

O documento que é citado por toda a comunicação social da mesma forma (1.º sinal de notícia plantada) diz que quase 70% das queixas na saúde dizem respeito a unidades públicas. Refere, ainda, que o Hospital de Braga, o Hospital de Cascais e o Hospital Vila Franca de Xira são aqueles que têm menos reclamações.

Estes números não dizem, porém, qual é a percentagem de reclamações em função do número de doentes atendido (2.º sinal da notícia plantada). Por exemplo, afirma-se que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o que tem o maior número de reclamações. Faz algum sentido fazer a comparação com o Hospital de Vila Franca de Xira sem sabermos qual é o universo de doentes de cada um deles? [Read more…]

Banho de ética

Uma banhada, na verdade, ó sr. Rio. Venham agora falar da presunção da inocência, como se isso fosse relevante para a política.

Contas certas

Quem ache que um défice orçamental de zero se obtém sem mudar o cerne do funcionamento dos ministérios e do poder local que se desengane.

INEM demora oito minutos a atender chamadas
Tempos de atendimento das chamadas dispararam no mês de junho. Houve alturas em que os operadores levaram, em média, seis a oito minutos a atender uma chamada

Assistimos desde a vinda da troika a um ainda maior corte dos meios necessários ao funcionamento dos serviços públicos, o que tem consequências bem práticas. No entanto, a orgânica dos ministérios e do poder local mantém-se inalterada. O bolo do orçamento continua a ser repartido em função do modelo de gestão do tempo das vacas gordas dos governos de Cavaco e Guterres.

O INEM garante que se trata de “situações absolutamente pontuais que representam exceções àquela que é a atuação dos CODU”.

Felizmente que a morte é reversível. Caso contrário, um sistema incapaz de responder a situações pontuais seriam uma bela chatice.

Quão pontuais são essas situações que levam até 8 minutos de espera? Não estamos a falar de uma passagem de 13 segundos, valor indicado pelo INEM em Maio de 2018, a 30 ou 60 segundos. Em causa está um aumento de quase 37 vezes. Até porque não é a primeira vez que estes atrasos são assunto.

Algumas chamadas, referia o sindicato em finais do mês passado [Dezembro de 2016], demoram mais de três minutos a ser atendidas, em vez dos sete segundos aconselhados pelos manuais mundiais.

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A camarada Isabel Vaz e o barulho que o Bloco faz

 

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, insurgiu-se recentemente contra a influência do Bloco de Esquerda. Segundo a gestora, que mostrou desagrado com o barulho que o Bloco faz, apesar do seu reduzido peso eleitoral, Portugal é “um Estado que é controlado pela Catarina Martins”. Bons velhos tempos em que o CDS era o único partido de expressão eleitoral reduzida, que fazia barulho e a ocasional chantagem sobre um qualquer Passos Coelho, com vista a promover o líder a vice-primeiro-ministro. [Read more…]

Este país não é para as pessoas…

Começo por dizer que não tenho qualquer interesse no prédio Coutinho em Viana do Castelo. Não conheço quem lá habite, não visito a cidade há cerca de 20 anos, escrevo por isso com total distanciamento e isenção sobre este assunto.
Ao que parece o município com o apoio do Estado, decidiu que uma obra devidamente licenciada, vendida aos proprietários há vários anos, por uma questão estética, estamos então a falar de gosto, o que é sempre discutível, deveria ser demolida e decidiu expropriar os proprietários. Não dei conta que alguém tivesse sido acusado pelo licenciamento ou construção da obra, nada pende sobre o construtor ou autarcas, mas sobre os proprietários que um dia compraram a sua habitação.
Pior, como vivemos num país onde existem sempre dois pesos, duas medidas, sempre que um proprietário pretende expulsar inquilinos para rentabilizar imóveis, aqui d’el rey que não pode ser, imediatamente a indignação toma conta dos noticiários, normalmente com o apoio de políticos ávidos por recolher uns votos na mercearia do bairro. Neste caso, o Estado pratica bullying sobre pacatos cidadãos e ninguém se parece importar por aí além. Se os vários municípios demolirem todos os mamarrachos que se construíram em Portugal nos últimos 50 anos, posso compreender a medida, de contrário, porquê apenas o prédio Coutinho? Porquê este desbaratar de dinheiro do contribuinte em indemnizações e realojamento?

Imagem superior: prédio caixa geral de aposentações – Viseu.
Imagem inferior: prédio com vista serra – Covilhã.

Os prejuízos do Observador

Eu sei que a fonte não é de confiar, mas, na falta de contraditório, é provável que haja fogo de onde sai o fumo. O poderoso projecto ideológico disfarçado de jornal, criado há pouco mais de 5 anos e que dá pelo nome de Observador, registou, em 2018, prejuízos na ordem dos 600 mil euros. O que não deixa de ter alguma piada, tendo em conta que se trata de uma espécie de jornal onde a coluna de opinião, plural ao ponto de ir da direita à extrema-direita, insiste, vezes sem conta, em temas como a má gestão da coisa pública – que é uma realidade – ou no péssimo hábito dos portugueses viverem acima das suas possibilidades – que é uma treta.

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Descobriu a pólvora

É certo que Adolfo Mesquita Nunes ainda era um catraio nos tempos áureos da formação profissional do Fundo Social Europeu, do FUNDETEC e dos cursos profissionais dos anos 80 e 90. Muita gente fez rios de dinheiro nestes tempos a formar pessoas cuja profissão era serem formandos. Governos, CEE/UE, formadores e formandos, todos ganharam alguma coisa, em dimensões diferentes. Excepto o país, que mais uma vez viu o ouro do Brasil ir para catedrais.

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O código de ética do PS também se aplica a Carlos César?

Fotografia via Rádio Renascença

Parece-me uma dúvida legítima. Segundo o Expresso, o Partido Socialista vai impor aos novos deputados a assinatura do código que ética do partido, como de resto fez no início da actual legislatura. Não conheço o conteúdo do referido código, se se trata de um documento sério ou de uma mera encenação para português ver, mas é sempre de saudar a boa intenção, apesar do Inferno, que, lá diz o povo, na sua imensa sabedoria, está cheio delas.

Sendo transversal a todos os socialistas a exercer funções no Parlamento, imagino que Carlos César também o tenha assinado. E aqui reside a minha dúvida sobre este código, nomeadamente sobre o que dirá acerca de políticos com vários familiares directos a trabalhar na administração pública, em cargos de nomeação. E Carlos César tem – literalmente – uma mão cheia deles: esposa, filho, nora, irmão e primo. E, pelos vistos, ainda existem mais alguns. [Read more…]

Só???

Tribunal arresta dois imóveis pertencentes a Joe Berardo.

Oficiais de Justiça em greve

A Ministra da Justiça prometeu integrar no salário dos Oficiais de Justiça uma compensação financeira que lhes é paga há 20 anos sob a forma de “suplemento de recuperação processual”. A proposta do ministério consiste em dividir os 11 suplementos em 14 meses, enquanto que em outras carreiras, como a dos Magistrados, os suplementos não só serão pagos 14 vezes, como até foram aumentados.

Há, portanto, dois pesos e duas medidas na forma de tratar os profissionais da Justiça. E por isso, os Oficiais de Justiça estão em greve.

À hora de almoço, RTP1, SIC e TVI passaram as suas reportagens da greve, com a SIC a fazer pouco mais do que uma nota de rodapé e com a RTP1 a fazer a reportagem mais completa, inclusivamente passando a reacção da ministra. Francisca Van Dunem, Ministra da Justiça, soube ser uma verdadeira política, ao ter conseguido não dizer uma única palavra sobre o tema em disputa na greve. Ficou-se pela repetida declaração de a Justiça ter melhorado nos últimos 3 anos. Talvez tenha havido melhoria nos indicadores que a ministra apresentou. Afinal de contas, é sempre possível encontrar os números certos. E talvez até tenha havido alguma melhoria na Justiça. Isso não implica, no entanto, que os Oficiais de Justiça deixem de ter razão.

Lembrado um governante do anterior governo, a Justiça até pode estar melhor, mas a situação dos Oficiais de Justiça está a piorar.

Sobre a degradação do SNS

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Fotografia: Lusa

Ao contrário de Marques Mendes, que será, porventura, o cidadão português mais bem informado da actualidade, eu não sei se o SNS está pior ou melhor do que no tempo da Troika. Não tenho números ou dados estatísticos que me permitam chegar a uma conclusão clara e objectiva sobre o problema. Nem sei sequer se o que se passa hoje no SNS resulta das políticas deste governo ou dos seus antecessores.

Contudo, não me interessa saber se, estatisticamente, o SNS está pior ou melhor que no tempo da invasão pirata neoliberal, à qual nos submeteram as mesmas pessoas que participaram na fabricação da crise artificial que colocou a economia mundial de rastos, e da qual os mais ricos emergiram mais ricos, e os mais pobres, sem surpresa, mais pobres. [Read more…]

Educação: pão e circo

No campo da Educação, os poderes, políticos e outros, juntam à ignorância a sobranceria e o exibicionismo habilidoso de um marketing vazio, cheio de palavras melífluas que, em si mesmas, não podem, aparentemente, ser contestadas, de tão consensuais (alguém é contra a inclusão, por exemplo?).

Ao terminar o ano, perto do final de outro mandato desastroso, mais uma vez, não se mexeu na forma de acesso à Universidade (o que garante o lucros de alguns colégios), manteve-se a imposição de novas inutilidades (no caso desta equipa, as provas de aferição) e aprofundou-se o ataque aos professores (roubados em tempo e dinheiro).

O Paulo Guinote chama a atenção para duas cerejas em cima do bolo mal cozido: a criação do Plano Nacional das Artes e a proposta de retirar o exame de Matemática do acesso aos cursos para professores do Primeiro Ciclo. No primeiro caso, haverá pão para alguém; no que se refere ao segundo, é o habitual circo do Conselho Nacional de Educação.

Vai um cigarrinho, ó freguês?

Foto de Skitterphoto/Pexels

Fotografia: Skitterphoto/Pexels

Talvez acossado pelas declarações de Miguel Sousa Tavares, que o acusou de não ser “um partido ambientalista, mas um partido animalista”, o PAN decidiu fazer prova de vida ambiental e avançou com uma proposta de lei para punir com pesadas multas quem atira pontas de cigarro à rua.

Como era de se esperar, a proposta de André Silva foi aprovada com os votos favoráveis do PS, do BE, do PEV e, claro, do partido proponente. O PCP e o PSD abstiveram-se, tal como fizeram cinco dos 18 deputados do CDS.

Acontece que, mais do que uma questão legal, deitar beatas à rua é (deveria ser) acima de tudo uma questão educacional. Exactamente como cuspir para o chão ou levar os cães a defecar impunemente na via pública. Mas, em vez de apostar seriamente em acções concretas de esclarecimento e sensibilização do povo em geral e dos fumadores em particular para o problema (real) que representam as pontas de cigarros descartadas no meio ambiente, o PAN optou pela via mais fácil da punição. [Read more…]

Os parasitas da democracia

O caso Berardo é apenas mais um exemplo daquilo que acontece quando o capitalismo, na sua versão mais selvagem, anda a solta, sem travão, manobrado por parasitas com os bolsos cheios de políticos corruptos. Não existe regulação (ou não funciona), à partida ninguém é responsável, todos têm excelentes alibis e uma série de saídas de emergência legais (cortesia da proveitosa e duradoura parceria público-privada entre indivíduos que de manhã legislam no parlamento e à tarde ajustam directo num qualquer escritório fancy de Lisboa) e nem dívidas têm, como muito bem explicou Joe Berardo, que, tal como os seus pares que se envolvem neste tipo de artimanha financeira, não têm dívidas nem património. É tudo da fundação. Ou da empresa. Um indivíduo destes tem no máximo uma mota de água e a roupa que traz no corpo. [Read more…]

Os professores também podem faltar ao trabalho no primeiro dia de aulas dos seus filhos?


Não sendo uma notícia do dia 1 de Abril, não deixa de ter piada: os funcionários públicos podem faltar ao trabalho no primeiro dia de aulas dos filhos.
Eu que sou professor e que por acaso até tenho duas filhas menores de 12 anos, fiquei todo contente: No primeiro dia de aulas, aviso já, vou faltar ao trabalho para acompanhar o primeiro dia das minhas filhas.
Por isso, lamento mas não vou estar na escola. Claro que também corro o risco de não encontrar os professores das minhas filhas, porque eles próprios também estarão a faltar para acompanhar os seus filhos.
Mesmo que eu não falte, a escola não poderá funcionar, porque os funcionários terão ido ver o primeiro dia dos seus filhos. Onde não encontrarão ninguém, porque os seus colegas das outras escolas terão feito o mesmo.
Não contente por discriminar entre funcionários públicos e os restantes trabalhadores do país, como se estes fossem gente menor, o Governo vai mais longe e discrimina também entre os próprios funcionários públicos.
Uma lei que é um aborto, produzida por um Governo que é um aborto. Tudo nos conformes, pois.

Eleitoralismo? Naaaaaa, isso é velhaca maledicência

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Em declarações ao Expresso, António Costa comprometeu-se com aumentos salariais na função pública e investimento no SNS. A quatro meses das Legislativas, e com os olhos postos numa improvável maioria absoluta, Costa pisca o olho a uma fatia significativa do eleitorado e poderá muito bem cumprir a sua promessa, até porque tem recursos para o fazer. Se correr mal, cativa-se tudo e não se fala mais nisso.

Berardo continua a fazer negócios milionários, apesar de não ter dinheiro

Fotografia: António Cotrim/Lusa@Público

Desta vez foi uma garagem de 30 mil metros quadrados, avaliada, segundo o Expresso, em muitos milhões de euros. Será, segundo o semanário, utilizada para expandir o negócio dos vinhos da Bacalhoa. Entretanto, Joe Berardo continua sem pagar as centenas de milhões de euros que deve à CGD. A todos nós. E o incompetente hemiciclo continua com défice de tomates para aprovar legislação radical e retroactiva que confisque tudo o que este indivíduo possui, até que a dívida esteja saldada. Ele e os outros caloteiros que vivem acima das suas possibilidades com o dinheiro daqueles a quem o fundo do esgoto político acusa de viver acima das suas possibilidades.

Às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência

Santana Castilho*

 

As últimas notícias sobre o nosso sistema de ensino ilustram quão certeiro foi o pensamento de António Aleixo, poeta do povo: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

  1. João Costa veio, em artigo de 30 de Maio passado (Observador), defender-se das críticas às suas teorias sobre flexibilidade e inclusão. Abalroada pela demagogia que a domina, a prosa do secretário de Estado assentou num maniqueísmo primário e populista. Segundo ele, uns querem sucesso e inclusão para todos (ele e prosélitos), outros (os que lhe criticam os métodos), preferem reprovar os alunos. Escapou-lhe considerar que o que separa a turma dele (perita em baixar a fasquia dos pobres em vez de lhes conferir os meios para chegarem onde os ricos chegam) da turma dos outros é a recusa, por parte dos segundos, a certificar a ignorância. E que o grande combate a favor da inclusão começa fora da Escola, sob responsabilidade alheia aos professores, colada, outrossim, à pele dos políticos promotores da mediocridade. E continuará na Escola, quando substituirmos proclamações palavrosas, papéis e burocracia por meios, recursos e dignidade para quem ensina.
  2. Outro Costa, este António, fez-me recordar a eloquência de Américo Tomás (nos anos 60, disse o então Presidente da República numa inauguração: “É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive”). [Read more…]

Visita do chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa à província de Cabo Verde


Aspecto da visita que Sua Excelência o Presidente da República está a efectuar à província de Cabo Verde em África. O digníssimo representante do império de Portugal, que era acompanhado pelo presidente do Conselho, o ilustre Dr. António Costa, foi recebido pelas autoridades locais.
De forma muito afectuosa, como é seu timbre, o senhor presidente da República estabeleceu contacto com a população cabo-verdiana, a quem transmitiu os votos mais sinceros em nome de toda a metrópole.

A direita mentirosa

É um dogma que diversas personagens de direita repetem ad nauseam: a comunicação social é controlada pela esquerda.

Que os factos não estragarem um belo enredo.

Se antes da criação dos canais de televisão privados, a RTP era a voz do governo, fosse ele de que cor fosse, depois disso, a SIC, TVI e, agora também, a CMTV, fazendo fé no estudo do ISCTE, são a voz da direita.

João Miguel Tavares

João Miguel tavares

“A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático. Esta perda de esperança aparece depois travestida de lucidez e rapidamente se transforma numa forma de cinismo. Achamos que temos de ser pessimistas para sermos lúcidos, que temos de ser desesperançados para sermos realistas, que temos de ser eternamente desconfiados para não sermos comidos por parvos”.

Estaria a faltar à verdade se dissesse que não me surpreendeu o discurso de João Miguel Tavares nas comemorações do 10 de Junho de 2019, em Portalegre. Enquanto alguns partidos políticos aproveitaram a data de celebração colectiva para a associar a propaganda partidária nas redes sociais, perfeitamente dispensável e inadequada, Tavares proferiu uma alocução crua e serena, na qual nenhuma palavra foi desperdiçada. Sendo um discurso apenas um discurso, este foi certamente um dos melhores que a democracia produziu desde a sua fundação.

 

Discurso na íntegra.