Eis a minha reflexão reactiva e a minha reacção reflectida em relação ao caso Luís Neves:
Já agora, contextualize-se: o essencial, uma reacção e mais uma reflexão.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Eis a minha reflexão reactiva e a minha reacção reflectida em relação ao caso Luís Neves:
Já agora, contextualize-se: o essencial, uma reacção e mais uma reflexão.

Ireneu Teixeira é apresentado no canal Now como “analista internacional”.
Ninguém espera que um analista seja imune a opiniões, valores, ideologias ou preferências gastronómicas. Espera-se, ainda assim, que seja um analista, que analise, que explique, que argumente. Ireneu , no entanto, está na televisão como qualquer um de nós num café, em conversa entre amigos, expectorando preconceitos e inventando teorias.
Recentemente, a propósito dos problemas de Ceuta, Ireneu atirou-se à História e explicou que está tudo relacionado com a perda da independência de Portugal em 1580, porque, caso a cidade tivesse permanecido em poder dos portugueses, a crise de 2026 nunca teria acontecido, porque nós teríamos resolvido o assunto. Por outro lado, se a minha avó tivesse rodas, era um camião TIR
Segundo Ireneu, ficámos também a saber que os espanhóis foram expulsos pela padeira, em 1640. É verdade que a História tem tendência para se repetir e, num país com tão bom pão e tão invadido pelos espanhóis, a probabilidade de ter havido, no século XVII, um episódio como o da lendária Brites de Almeida, em 1385, é decerto altíssima. A não ser que Ireneu tenha confundido Aljubarrota com o Primeiro de Dezembro, do mesmo modo que há quem o confunda com um analista internacional.

É injusto culpar a unipessoal André Ventura pelo surgimento de um movimento de instrumentalização político ancorado no fanatismo religioso, alegadamente criado por mulheres conservadoras. Também lá estão fundamentalistas do PSD e do CDS a ajudar os respectivos partidos a cavar a sua sepultura. Cada partido tem o necrófago que merece.
É bom deixar algo muito claro desde já: quem defende e celebra um genocídio, quem defende o ódio contra outros povos ou religiões e quem defende corruptos que encornam a mulher com prostitutas e actrizes porno está desde logo apresentado. Usam Deus em vão e incorrem em pecado mortal. Dito por outras palavras, são uma fraude. Ou, quiçá, são um estratagema do Diabo para encaminhar o rebanho para o fogo do inferno.
São, em toda a linha, a negação dos ensinamentos de Jesus que dizem defender.
Não desespere. O Luís, que trabalha de calções em Agosto, tem a equipa empenhada em acabar com esse saudosismo.
Hoje, no PÚBLICO, “Cidadãos vão poder pedir indemnizações às entidades públicas que os lesaram“.
O processo será instruído por um novo órgão a criar no Centro Jurídico do Estado, o chamado Conselho de Consultores, que fará um projecto de decisão e caberá ao dirigente máximo da entidade a quem se imputa a lesão determinar se há lugar a uma compensação e o respectivo valor, até um limite de 50 mil euros (a partir de 10 mil euros a decisão tem que ser validada pelo ministro que tutela o organismo visado).
Quando a indemnização chegar até 500 mil euros a competência já passa para o ministro e quando é superior a esse patamar para o Conselho de Ministros.
Não há dinheiro para contratar funcionários judiciais e dotar a Justiça de meios em falta mas há para contratar a multidão que há-de fazer parte desse novo Conselho de Consultores.
Não é a criação de uma justiça paralela a forma mais rápida de enxamear o Estado com boys?
E que isenção terá este órgão que decide em causa própria?
Espero que Seguro não ande a dormire e que pare este completo disparate.
Há muitos anos que é assim: o Ministério da Educação é dirigido por liquidatários do sistema público que despejam sobre as escolas enxurradas de decisões disparatadas que têm como consequência (para não dizer como objectivo) dificultar a vida de quem está no terreno. O sistema público de educação, ainda assim, funciona graças ao trabalho dos que estão nas escolas, que funcionam muito melhor do que a tutela e funcionam apesar da tutela.
Por muitos defeitos individuais e colectivos que os funcionários das escolas (docentes ou não) tenham, a qualidade do seu trabalho é superior, são a almofada que protege as comunidades escolares da avalanche perniciosa que cai aos roldões dos gabinetes ministeriais. Todas as asneiras produzidas pela tutela têm sido ultrapassadas ou atenuadas devido à dedicação e à preocupação de centenas de milhares de malabaristas que mantêm tudo a funcionar.
Este ano, o ministério resolveu impor um novo sistema de classificação de exames. Tudo correu muito mal por manifesta falta de preparação. Como de costume, caiu tudo em cima dos malabaristas, com destaque para os directores, para os professores classificadores, para os secretariados de exames e para os funcionários das secretarias das escolas obrigados a compensar as incertezas amadoras de quem decidiu.
Fernando Alexandre e todos os que o defenderam disseram coisas indefensáveis, ainda que tenha havido pedidos de desculpa, reconhecimento de erros e elogios aos professores. Cosmética.
De repente, o mesmo Fernando Alexandre, o criador do caos, decidiu que era necessário investigar as causas do caos. Para isso, resolveu abrir um inquérito a fim de descobrir culpas entre aqueles que foram disfarçando o caos. Não há nenhuma maneira educada de qualificar esta decisão.

Pé ante pé, não vá a água estar fria
Num texto publicado hoje no Facebook, Bruno Nunes, deputado do Chega, comenta os problemas ocorridos em Ceuta, usando a previsível linguagem própria de um marialva, ao mesmo tempo que faz referência à «nossa civilização», à boa maneira dos fachos que não querem perder tempo a estudar História.
O que vale a pena realçar, no entanto, é o modo como Bruno se refere ao 25 de Abril: a «traição de 74». Nada que já não se soubesse, mas é sempre importante confirmar.
Não é especialmente preocupante haver gente que odeia a revolução dos cravos – muito preocupante é haver muita gente a votar em quem pensa assim, numa ilusão de que o regresso à ditadura, essa idade de ouro dos cheganos, irá trazer a ordem e a segurança, como se viver em ditadura significasse viver em ordem e em segurança.


Conheço – de vista – um construtor civil que gosta muito do André Ventura. Porque ele diz as “verdades”, pese embora seja o maior aldrabão da política portuguesa desde José Sócrates. Não admira que tenha votado nele.
Adiante: este construtor civil, ouvi-o eu dizer, está “farto de monhés” e quer, claro, que eles voltem para a sua terra. Curiosamente, tendo passado há dias numa obra da sua empresa, a esmagadora maioria dos seus trabalhadores, imagina tu, são do subcontinente indiano.
Sim, estamos perante um hipócrita, mas não é isso que me traz aqui. O que me traz aqui é que este caso ilustra uma realidade mais ampla, uma característica base da extrema-direita populista, que se resume a pregar como Frei Tomás. [Read more…]

Imagem gerada com recurso à IA.
Sebastião Bugalho, em boa hora porta-voz do PSD, fez declarações sobre o problema dos exames nacionais.
Como lídimo representante do povo português, recorreu à técnica da falsa insinuação das comadres, que consiste em dizer mal de alguém fingindo que se está apenas a insinuar a maledicência. Não é uma técnica ao alcance de qualquer um, porque uma falsa insinuação mal aplicada pode atingir o alvo errado ou passar ao largo do pretendido.
A falsa insinuação consubstancia-se em expressões como “certas e determinadas pessoas”, “não é como uns e outros”, “cala-te, boca” ou “e fico-me por aqui”. Ao invés de dar o dito por não-dito, a falsa insinuação dá o não-dito por dito e o que se finge não dizer fica dito de modo muito claro.
Normalmente, o emissor da falsa insinuação assume uma atitude que mistura superioridade e desprezo. Sebastião Bugalho é um dos grandes especialistas nacionais nessa junção, como cultor da escola passista do descaimento das pontas labiais, que acrescenta à falsa insinuação uma sisudez que é o principal sinal de uma seriedade milenar. O risco ao lado, o fato e a gravata reforçam a imagem.
Não tive oportunidade de ler a notícia, mas a frase destacada é uma inspirada variação da falsa insinuação: Bugalho diz que não quer usar a palavra que efectivamente usa. É, no entanto, lamentável que o porta-voz de um partido venha acusar um ministro de sabotagem, mas percebe-se: para um processo correr tão mal, é difícil pensar noutra possibilidade.
P.S. – estava a brincar, li a notícia. Não vou dizer que Sebastião Bugalho é uma besta. Não é como certas e determinadas pessoas. Cala-te, boca!
A Altice é uma empresa privada à qual o Estado português (nós todos) decidiu confiar (porque é mais barato e de melhor qualidade?) uma faceta fundamental do Serviço Nacional de Saúde (a que todos têm acesso, qualquer que seja a condição social ou contributiva).
Aparentemente, os trabalhadores que desempenham aquela tarefa são duplamente precários: no vínculo laboral e na sua saúde. Tudo devidamente normalizado pelo Estado português (nós todos).
O novo normal.


A AD e Ventura deliciaram-nos com a demonstração prática da Gaiola Dourada onde vive a coligação AD / CHEGA.
Foi uma tragicomédia. Assistimos à tragédia de o Governo continuar a trazer temas sem relevo para o país como forma de desviar a atenção da forma como não resolve os problemas da nação. E acabou com a comédia da facada do CHEGA, como se alguém com dois dedos de testa negociasse com um demagogo traiçoeiro.
Hoje está a decorrer um epílogo onde o PSD procura colar o PS ao CHEGA com uma suposta aliança entre estes dois partidos.
Tem a sua graça termos visto Montenegro mendigar o apoio de Ventura para agora vir com esta teoria.
Deve ter sido mais um golpe de asa da agência de comunicação que governa o Governo.
Julgando aplicar essa velha cartilha, o PSD assumiu o governo em minoria achando que conseguiria construir uma gaiola dourada para conter o crescimento do Chega e, simultaneamente, beneficiar desses deputados para conseguir a maioria que os portugueses não lhe deram. O que o centro-direita não percebeu é que a armadilha funciona ao contrário: a governação tornou-se a verdadeira gaiola, e o isco é a própria ilusão de estabilidade.
O PSD mantém-se no poder, mas cada votação é um exercício de cativeiro. Nesta aliança enjaulada, a chave da sobrevivência legislativa está no bolso da extrema-direita, que vai abrindo e fechando a porta num jogo calculista de toca e foge. O PSD descobrirá, tarde demais, que a fera controla o ritmo dos seus passos e que, mesmo governando, é Montenegro e o seu governo que estão dentro da jaula.
Volta e meia lá vem o tema da produtividade como justificação habitual para aumentar a carga do trabalho, diminuir a retribuição pelo trabalho, ou ambos.
Mas falamos de quê?

Esta é a definição clássica de produtividade. Sendo uma divisão, aumenta a produtividade se aumentar o numerador ou se baixar o denominador.
A fórmula seguinte acaba por ser equivalente e traduz a perspectiva financeira:
Produtividade = (valor gerado)/(custo para gerar o valor)
Porém, quando os paineleiros do comentário, os doutos lentes da academia e os nobres políticos que efemeramente governam o país falam de produtividade têm uma obsessão apenas com uma das componentes da fórmula. Nomeadamente, o custo para gerar valor e, em particular, o custo do trabalho. Quando há outras variáveis no custo, como custo das matérias primas, custo da energia, impostos, etc.
Podíamos ver esta gente falar em aumentar a produtividade sob a perspectiva de aumentar o numerador. Por vezes, ouvem-se uns ecos sobre aumentar a eficiência mas, até isso, consiste em mexer no denominador.
Para verdadeiramente aumentar a produtividade é preciso mexer no numerador e isso implica transformar o modelo económico do país. Obriga a não estar no final da cadeia de valor onde o diferenciador está no custo com salários. Requer planeamento muito para além de uma legislatura, ou seja fora do ciclo de resultados imediatos das eleições. Precisa que produzamos bens, materiais ou imateriais, de enorme valor acrescentado.
Porque os nossos políticos estão mais interessados em ganhar a próxima eleição do que em transformar o país, não saímos deste lodo há décadas. Tem havido uns momentos de ilusão graças aos dinheiros da CEE e da UE e, agora, com o turismo.
Mas onde está a verdadeira produção criada desde que entrámos na CEE?
Vimos, isso sim, o país ser transformado num centro de serviços, uma colónia balnear, com produção própria residual, extramente dependente do estrangeiro e sem um sector onde possamos dizer que damos cartas.
Os sucessivos governos fizeram obra com o pressuposto que o resto viria. Afinal, a obra era a indústria ela mesma e aqui estamos a discutir produtividade num país que não consegue descolar dos salários baixos como modelo económico.
Aumentar a produtividade pelo aumento do valor gerado é tema literalmente ausente no discurso económico e político em Portugal.
Porquê? Porque são burros e não sabem como se define a produtividade? Ou porque estão apenas a olhar para resultados imediatos sem de facto mudarem o país?
Nenhuma das hipóteses lhes assenta bem.
Português: Olha lá, o que é que estás aqui a fazer?
Grevista: Greve.
Português: Então és um grevista…
Grevista: Sim, especialmente quando faço greve.
Português: Vai para a tua terra!
Grevista: Mas eu sou daqui!
Português: Daqui donde?
Grevista: Sou português.
Português: Não pode ser!
Grevista: Não pode ser como?
Português: O nosso primeiro-ministro disse que quem é grevista não é português.
Grevista: Olha que carago! Queres ver que perco a nacionalidade por fazer greve?!
Português: Não sei de nada! Se o Montenegro disse, é porque é verdade.
Grevista: Olha aqui o cartão de cidadão, pá!
Português: Isso é um bocado de plástico, deve ter sido o sindicato dos comunas que te arranjou isso. Vai para a tua terra!
Grevista: Então e qual é a minha terra?
Português: Deve ser a terra das greves, sei lá!
Grevista: E nessa terra, as pessoas estão sempre em greve?
Português: De certeza, é gente que não quer trabalhar.
Grevista: Então, um grevista é alguém que não quer trabalhar?
Português: Se quisesse, trabalhava.
Grevista: E se trabalhar, já é português?
Português: Claro.
Grevista: Pronto, às vezes, é preciso não ser português.
Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.
Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.
Passos Coelho reapareceu e começou por permitir que o gravassem em amena cavaqueira com André Ventura, o seu filho dilecto. Logo aí deixou escapar a ideia de que é preciso mais ritmo e de que as pessoas estão «impacientes». Ventura contrapôs que as pessoas estavam «desanimadas», mas Passos, grave, não concordou, impacientes é que era.
Este duelo de adjectivos caracteriza bem as pitonisas do espaço público que sabem tudo sobre o que as pessoas ou os portugueses ou o povo sentem, precisam, sabem, entre outras intimidades. Passos, Ventura e outros do mesmo calibre afectam penetrar na psique colectiva com uma facilidade que faria inveja ao mentalista mais competente. Da próxima vez que alguém me perguntar o que penso ou o que sinto, terei de pedir que aguarde a informação que me será enviada por Passos Coelho. Para já, fiquei a saber que estou impaciente.
Mais à frente, Passos fez referência a políticos que são «prostitutos sem carácter», que, ao que parece, são aqueles que, não sendo populistas, imitam os populistas. Por falar em populistas, é importante lembrar que André Ventura continuava na assistência.
O mesmo André Ventura veio explicar que Passos estaria a referir-se ao governo. André Ventura terá confessado que a expressão não poderia referir-se a si próprio, porque tem carácter. [Read more…]
“Agressões com socos, chapadas e coronhadas”
“Vítimas humilhadas e filmadas; as gravações foram posteriormente divulgadas num grupo de whatsapp com setenta polícias”
“Um cidadão marroquino foi alegadamente sodomizado com um bastão; os agentes tentaram depois inserir um cabo de vassoura no anûs do cidadão imigrante”
“Pessoas detidas sem acusação, algemadas no carro da PSP e obrigadas a cantar os ‘Parabéns’”
”Uma cidadã afrodescendente foi algemada como se estivesse num crucifixo”
“Cidadão imigrante alvo de insultos foi obrigado a colocar-se de joelhos e a beijar as botas de agentes da PSP”
Continua…

jornal Público
André Ventura defende, apoia e exige mais violadores. Sobretudo, nas forças de segurança. É fácil: é o mais próximo dos métodos da PIDE-DGS que encontrou nos últimos tempos.
Sabemos, agora, que o líder a extrema-direita portuguesa tem um plano para os violadores portugueses: colocá-los na PSP e na GNR a violar imigrantes, sem-abrigo e mulheres. Finalmente um proposta concreta da extrema-direita.
A quem se achar surpreendido, nada temam, os sinais estavam à vista: André Ventura é da Opus Dei e fundou um partido destinado a pedófilos e violadores.
A todos os profissionais da PSP, especialmente ao Director Nacional, pede-se que se demarquem desta posição escabrosa dos proto-fascistas portugueses, a bem da instituição que, como é público, vai degradando a sua imagem, à custa de toda a merda que recrutou, na última década e meia.
João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.
Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.
Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.
Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.
João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.
O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).
***
O CHEGA é um partido que tem a corrupção na boca a toda a hora. Palavras. E actos?
Audições sobre financiamento dos partidos, à CIG e à ministra da Cultura adiadas pelo Chega
Tal como nos outros requerimentos, o Chega colocou um travão à votação destas audições, mediante um pedido potestativo — ou seja, de carácter obrigatório.
Talvez logo à noite sintonize a RTP, SIC e TVI para ver se os líderes partidários da oposição* aparecem a dizer alguma coisa ou se andam todos a dormir.
Mas o tema não só sobre o CHEGA. Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Conselheiro de Estado e com um extenso currículo no PSD, defende o anonimato de quem financia os partidos com o argumento de que essa divulgação pode expor cidadãos a pressões no local de trabalho.
Já Rui Rio, considera “um disparate” a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos segundo a qual já não é possível saber quem financia os partidos e as campanhas eleitorais. Haja alguém com decência!
Voltando ao CHEGA e à história da corrupção, vê-se que é um feijão-frade com duas caras. Diz que é a favor da transparência mas veta-a logo que pode, como se viu perante o chumbo desta audição. Será porque tem telhados de vidro? Auditoria exige ao Chega explicação sobre 20 mil euros vindos de conta de milionário português nos EUA. Não foi um chumbo qualquer. Teve carácter potestativo. Foi algo que quiseram mesmo evitar.
*não é erro; o CHEGA é parceiro deste Governo, seja porque o Governo o escolhe para certos temas, seja pela adopção por parte do Governo de temas bandeira do CHEGA.
Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.
Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.
Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.
Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.
Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.
A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.
A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.
Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.
Incompetência total.
Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.
Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?
As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.

Prometeu paz e atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Dois criminosos com problemas de justiça juntam-se para largar bombas fora de casa.
E Portugal? Paulo Rangel afirmou que os norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”. Isto não é uma operação da NATO e os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização de uma base que é território nacional. E não está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses mandaram o ogre às favas.
Rangel é um ministro mentiroso num governo de mentirosos. A ministra da saúde mentiu sobre estarem implementados todos os protocolos de actuação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Montenegro mentiu, no seu primeiro governo, sobre a redução do IRS, que veio maioritariamente do anterior governo de Costa. Aliás, houve vários anúncios de coisas feitas pelo governo de Costa, o que é outra forma de mentir. Lúcia Amaral mentiu sobre não haver falhas sobre a prontidão e coordenação da Proteção Civil durante a depressão Kristin – sabemos o que se passou com o SIRESP, para não ir mais longe. Miranda Sarmento mentiu sobre o estado das contas deixadas pelo PS. O Governo no geral mentiu sobre a segurança, falando em percepções, quando o Relatório Anual de Segurança Interna mostra uma descida transversal da criminalidade geral (com ligeiro agravamento da criminalidade grave, colocando-a ao nível pré-covid, e um enorme aumento de violência doméstica que o governo ignorou). Agora, o MNE firma o seu lugar na lista dos ministros mentirosos.
É o governo mais mentiroso que já tivemos, contemporâneo do presidente dos EUA mais mentiroso que o país já teve.

Fonte: SICN
Um escândalo. Chamar conferências de impressa àquelas comunicações sem direito a perguntas.
Ah sim, e também há estes 11K em cabeleireiro e os 20K em Sport TV para o primeiro-ministro.
Mas conferências de imprensa?!

Só queria salientar um pouco do tema que é muito atual, que é o tema da mão-de-obra. Nós dependemos de mão-de-obra estrangeira a 100%. Na minha empresa, temos 80 colaboradores e só temos um português que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente.
Eu sei que ele gosta mais de sonhos de menino mas, profissionalmente, esta canção é-lhe mais útil.
Na canção:
Nasce na Estrela o Mondego
Vai passar junto à Felgueira
Atravessando Coimbra
Vai parar junto à Figueira
“Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego. A palavra é de tranquilidade porque tudo aquilo que pode ser feito está a ser feito, incluindo a evacuação. E tudo o que puder ainda ser salvaguardado vai ser: do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e ainda de interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro.” Luís Montenegro, citado por num artigo fofinho do Polígrafo.
*erro meu, e está explicado, o nosso primeiro-ministro estudou pelo Porto
Na década de 80, Jô Soares, que tantas vezes fez Portugal rir em difíceis tempos, tinha no seu rol de personagens, um General internado num hospital e que acorda após seis anos de coma em plena eleição de José Sarney. Sempre que sabia das “novidades” do tempo corrente, numa República agora presidida por um civil, dizia em desespero “Me tira o tubo!”.
Mas, esta não era a única frase que ficou famosa aquando dos episódios do General. Havia uma outra que se reportava à resposta que o médico dava ao General, sempre que este lhe perguntava “Onde é que eu estou?” perante a frequente ocorrência de falhas no serviço por falta de electricidade, de água, comida, medicamentos, seringas, pessoal, máquinas, etc.: “Num dos melhores hospitais do país!”
Lembrei-me destes episódios de humor mordaz, quando ontem li a notícia no Expresso que não existiram efectivas melhoras no SNS no ano passado. E, mais ainda, perante o “Relatório anual 2025 – O estado da saúde em Portugal”, onde os privados também ficam muito mal na fotografia.
É uma evidência que toda a propaganda do actual Governo, não passa disso mesmo, e que o SNS continua a piorar, empurrando, quem pode, para a saúde privada que vai avolumando queixas.
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem vindo ao longo de tempo, em cada crise, em cada má decisão, em cada falha do sistema, em cada má escolha seja no INEM, na Direcção Executiva do SNS ou outro, dizer que irá analisar os factos e assumir as respectivas responsabilidades. Mas, na verdade nunca o fez. São escolhas erradas e promessas falhadas que se avolumem, e, pelos vistos, sem consequências.
Menos arrogância e mais competência, seria o mínimo a exigir, perante o constante falhanço em servir o bem público. A não ser que não seja esse o fito da governação.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

“Não está em causa o direito à opinião, está em causa o relativismo opinativo”
—Ana Cristina Leonardo
Mourinho é uma recente prova viva de que as derrotas não são inevitáveis, coisíssima nenhuma. E o jornalista da Cadena SER ficou sem resposta à altura e, pior, sem a informação.

Os africanos invadiram África. Ele há cada coisa…
É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa
The Guardian. O que interessa é a arte, a arte, a arte!

(Foto de Francis Goodman/Getty Images)
Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

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