Sócrates, o multivitamínico

Não tenho instrumentos nem conhecimentos que me permitam avaliar as decisões do juiz Ivo Rosa. Não tenho grande fé na humanidade, respirando apenas uma uma leve esperança de que o confronto dialéctico da vida nos leve, por vezes, a um caminho menos injusto, menos desequilibrado.

José Sócrates representa, para mim, o pior de Portugal, o chico-esperto que finge frontalidade, mas que é só desonesto, o politicote vácuo, uma figura que fica bem numa galeria cheia de medíocres como Durão Barroso, Cavaco Silva, Passos Coelho ou António Costa, todos chefes de uma comandita que, ao mesmo tempo, mantém e corrói a democracia portuguesa, esse território habitado por praticantes de uma corrupção legal, que sobrevive à custa de incompreensíveis prescrições, constantes de leis criadas pelos amigos daqueles irão beneficiar com essas mesmas prescrições.

José Sócrates foi um dos piores primeiros-ministros de Portugal, num campeonato em que quase todos andam perto dos lugares cimeiros. Entregou a tutela da minha área profissional a Maria de Lurdes Rodrigues, uma figura amarga e sinistra, ignorante atrevida erigida em senadora da Educação. Sócrates é, ainda, uma figurinha irritante e suscita-me uma embirração que me levou ao ponto de ficar grosseiramente satisfeito por ter sido preso, quando, na realidade, me faz impressão a facilidade com se recorre à prisão preventiva. A minha intuição diz-me que Sócrates é culpado de tudo o que é acusado e apostaria que ainda há muito de que deveria ser acusado, mas não se sabe o quê. Com a sobranceria que lhe é característica, teve o atrevimento de vir considerar-se inocente, fingindo que não houve prescrições e esquecendo-se selectivamente de que ainda irá a julgamento, podendo, por isso, vir a ser condenado. [Read more…]

José Sócrates, democracia e o monopólio da promiscuidade

João Miguel Tavares, uma das vozes mediáticas que mais ferozmente tem esmiuçado e criticado José Sócrates ao longo dos (pelo menos) últimos 15 anos, no último Governo Sombra:

É fácil ser corrupto, é muito difícil provar a corrupção. Portanto eu acho que todos os indícios que estão na acusação são indícios muito sólidos, mas, de facto, a solidez esbarra em algo que é ainda mais sólido, que é a dificuldade de provar coisas em função daquilo que é a lei portuguesa no que diz respeito à corrupção. E isso é que é muito assustador.

Faço parte do grupo de pessoas que está absolutamente convicto que José Sócrates é culpado da maior parte dos crimes que lhe são imputados pelo Ministério Público. E só não digo todos porque não integro o amplo grupo de pessoas que leram as 6728 páginas da decisão instrutória de Ivo Rosa, nos 15 minutos que se seguiram à leitura do resumo pelo juiz do Ticão, depois de terem analisado a acusação ao mais ínfimo detalhe, para concluir que o Ministério Público fez um excelente trabalho e que a única explicação possível para o revoltante desfecho da instrução é o facto provado de que Ivo Rosa reside no bolso das moedas de José Sócrates. Ao contrário dessas pessoas, não tenho dados objectivos que me permitam saber se Ivo Rosa favoreceu deliberadamente José Sócrates. E acho formidável que se simplifique um problema destes, que é estrutural e está na raiz do regime, muito maior que a Operação Marquês, porque é preciso encontrar um bode expiatório instantâneo para direccionar a raiva das massas. Desta vez foi Ivo Rosa, noutras ocasiões foram advogados, procuradores ou outros magistrados. E enquanto se lincha o juíz, quem escapa em toda a linha abre garrafas de champanhe na Comporta, e já ninguém quer saber deles. Da parte que me toca, quero agradecer a Ivo Rosa por ter liberalizado e oficializado algo que já todos sabíamos mas que, finalmente, ouvimos da boca de um juíz: que José Sócrates é corrupto. E não será a prescrição do crime que alguma vez mudará isso. José Sócrates é corrupto.

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A Operação Marquês e os obcecados pelas selfies

Fonte: Rui Rocha.

Este é o momento!

(com a devida autorização do autor, o aventador Carlos Garcez Osório, publico aqui o seu texto da sua página de facebook)
Vou fazer um enorme esforço para tentar que este texto não reflita a descomunal raiva que me perpassa, não por receio de qualquer consequência pessoal (quem me conhece, infelizmente, sabe-o bem), mas porque não é fácil fazermo-nos compreender por entre os “perdigotos” da fúria.
A imagem reproduz um excerto da decisão instrutória, neste caso uma das muitas (são mesmo muitas) ordens para que os Arguidos possam, DE IMEDIATO e sem qualquer restrição, voltar a ter acesso às verbas (imóveis, contas, etc.) que se encontravam arrestadas. Num despacho cujas consequências judiciais são muito mais limitadas que aquelas que o desprezIVO gostaria que fossem, esta é uma das nossas (dos Portugueses) grandes derrotas. O mais que previsível provimento do recurso do MP, já não evitará que estes milhões e milhões de euros desapareçam total e definitivamente.
E a partir daqui poderia lançar-me, como quase todos nesta hora, num legítima, sustentada e lógica investida contra os problemas do sistema judicial, da corrupção, etc. Só que como a maior parte do que está a ser dito e escrito, isso não seria mais que ruído. Ruído que nos impede de perceber o que realmente aconteceu e o que realmente interessa fazer agora.
Não sendo de forma alguma “dono” da verdade, admito que posso estar equivocado. Aliás a cólera é um natural inimigo da lucidez. Mas mesmo assim, “sem rede” ou agenda de interesses, apenas configurado pelas minhas opiniões, convicções, forma de perspectivar o mundo e de nele estar, deixem-me tentar distinguir o que neste momento (para mim) é urgente e o que pode ser discutido depois.

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Sócrates de todo o mundo: uni-vos!

Queria aqui propor um soleníssimo minuto de silêncio, em memória da credibilidade daquela malta que está em ebulição desde ontem, motivada, com razão, com o desfecho da decisão instrutória da Operação Marquês, mas que apoia, que defende, que normaliza e que pactua com autarcas corruptos e com a corrupção instalada no poder autárquico, de norte a sul do país, ou porque “são todos iguais”, ou porque o filho tem um tacho na câmara, ou porque a mãe fez um ajuste directo com a junta, ou pelo raio que os parta. 52% das denúncias por corrupção neste país têm origem nas autarquias, segundo dados de 2019 do Conselho de Prevenção da Corrupção. A esmagadora maioria das denúncias é arquivada e nem chega sequer a ir a julgamento. A denúncias que vão terminam igualmente arquivadas ou com penas suspensas. Parabéns a todos eles! Nenhum destes pequenos Sócrates autárquicos poderia algum dia chegar a marquês local sem o seu inestimável contributo. A corrupção agradece os seus contributos.

O Futuro de Portugal em causa

(com a devida autorização do autor, o aventador Carlos Garcez Osório, publico aqui o seu texto da sua página de facebook)
Dois pontos prévios: um, não quis escrever sem “dormir sobre o assunto” porque no esboço que ontem comecei, ao segundo parágrafo já contabilizava 6 ou 7 impropérios a “bold” e em maiúsculas; dois, sei que o que agora vou fazer, viola directamente o Estatuto da Ordem dos Advogados porque estou impedido de discutir publicamente ou fomentar a discussão pública de processos judiciais (para quem não sabe, todas aquelas declarações de Advogados às portas dos Tribunais que diariamente constatamos nos órgãos de comunicação social, são transgressões absolutas ao Estatuto da OA, transgressões sem castigo); mas antes de ser Advogado, sou Cidadão e o que ontem se passou é demasiado grave para o não fazer; pior, o que acontecer ou não nos próximos dias definirá (não tenham qualquer dúvida disso) os próximos 20 ou 30 anos deste País pelo que assumida, voluntária e conscientemente, opto por cometer uma ilegalidade.
Podem vir falar dos problemas estruturais do nosso sistema jurídico e judicial, mas não é isso, nem de perto nem de longe, o que aqui está em causa. É verdade que existem, é verdade que são gravíssimos, etc. Mas não é isso, nem de perto nem de longe, o que aqui está em causa.
O “edifício” judicial português é, realmente, uma desgraça. Desconhece porque não tem qualquer hipótese de conhecer, um conceito básico e essencial que permitiria a sua eficácia: “em tempo útil”. Privilegia, constante e reiteradamente, a “verdade formal” em prejuízo da “verdade material” o que, desde logo e irreversivelmente, desvirtua o objectivo primeiro da sua existência: a aplicação de/da Justiça.

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Amamentação

Edição do jornal Sol, 10 de Abril de 2021

O choque, o horror, a surpresa.
Um liberal às costas do Estado?

Só pode ser mentira.

”Mais Estado” ou “menos Estado”, consoante os cargos disponíveis.

Para ler ao som de:

Quim Barreiros – A Cabritinha 

Sócrates foi corrompido mas não faz mal: o caso prescreveu e não se fala mais nisso

Foram mais de três penosas horas de leitura do longo resumo do gigantesco processo. Durante a mesma, Ivo Rosa lá nos explicou que ou está tudo prescrito, ou não foi produzida prova suficiente que permita sustentar grande parte das acusações, ou não houve intenção, ou não é possível estabelecer uma relação entre os milhões que por aí circularam – e que, estranhamente, foram aparecer nas contas de Sócrates e Carlos Santos Silva – e qualquer acto ilícito. No fim da linha, eis-nos pois, perante o habitual cenário: os poderosos voltaram a safar-se do crime que verdadeiramente interessava: o de corrupção. Isto apesar de Ivo Rosa ter assumido que Sócrates foi corrompido. Parafraseando uma antiga procuradora, “Portugal não é um país corrupto”. Ficamos todos muito mais descansados.

Segue-se um julgamento com tudo para dar em nada, durante o qual Sócrates, Salgado, Santos Silva, Armando Vara e João Perna responderão por crimes menores (quando comparados com o crime de corrupção). Mas, pior que isso, segue-se um perigoso aprofundar do descrédito em que caiu a justiça, que, por não funcionar com os Sócrates e os Salgados desta vida, passa a ser considerada, por cada vez mais pessoas, como um todo inútil e ineficaz, pese embora o seu bom funcionamento noutras áreas. Até nisto, Sócrates, Salgado e restante pandilha são um cancro social: não só se safam, como descredibilizam ainda mais as instituições, que há muito se arrastam pelas ruas da amargura.

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A parida ínfima formiga

José Oliveira

Hoje cumpriu-se um dos dias mais negros da justiça lusa. O Juiz Ivo Rosa, durante horas demoliu paciente e rigorosamente a maior parte da montagem dos actos acusatórios da Operação Marquês, explicando em detalhe o que estava mal, o que havia prescrito e porquê, a invalidade das provas, a improcedência das acusações, o vazio de muitos crimes imputados, a ausência de sustentação do argumentário do Min. Público, enfim, a demonstração cabal de que a montanha (os muitos anos de instrução do processo) não pariu sequer um rato, nem um ratinho, mas antes uma ínfima formiga.

Os arguidos devem estar a dar pulos de contentes.

A conclusão que se impõe parece óbvia. Os agentes do Min. Público não percebem nada de instrução processual, não sabem validar provas, não conhecem as molduras legais e mostram-se completamente incompetentes para construir uma acusação com pés e cabeça.

É uma verdadeira vergonha que a justiça tenha de mandar “em paz” os bandidos porque quem de direito não soube ou não foi capaz ou não quis elaborar um processo segundo as regras.

A pergunta final não pode ser evitada: o que é que esses caramelos andam por lá fazer? Não há ninguém que os ponha na ordem?

Ainda lhe vamos pagar uma indemnização

A imagem é de 2009, numa paródia minha ao livro de Eduarda Maio “Sócrates: O Menino de Ouro do PS”.

E não o é mesmo? Hoje conseguiu o seu maior feito político. Demonstrar que em Portugal a Justiça é uma ilusão. E que esta é o grande problema do País onde nunca a classe política verdadeiramente mexeu.

É a negação da Justiça que permite a existência dos BPNs, BANIFs e BES. Ou a chico-espertice de um artigo mudar precisamente quando a EDP se preparava para vender as barragens. Ou todos os truques autárquicos que caem em saco roto. Isto só para ilustrar alguns temas da política. Porque a Justiça não é só um problema na política. É-o no dia-a-dia, quando cada um de nós tem algo para resolver e tem que ponderar se o custo e duração do processo tal justifica.

Agora, vá preparando o seu bolso. Depois do julgamento na praça pública, com direito a prisão em directo, este nado-morto em forma de acusação não irá morrer hoje. Tivessem vergonha na cara e hoje haveria muita gente a se demitir.

O resto já o disse certeiramente Fernando Moreira de Sá.

Portugal morreu. RIP.

Podem dizer o que quiserem. Podem correr e saltar. Gritar e esbracejar. Rir ou chorar. Não vale a pena. Se o Juiz Ivo Rosa está certo, a justiça está podre. Se o Juiz Ivo Rosa está errado, a justiça está igualmente podre. Porquê? Simples:

Se o juiz Ivo Rosa estiver certo nos fundamentos da sua sentença, escusam de vir dizer que temos um Ministério Público incompetente, uma Policia Judiciária azelha e um Juiz Carlos Alexandre que é uma marionete. Não. O que ali está é muito pior. É uma manipulação para decapitar um antigo Primeiro Ministro, o seu partido, o maior banco privada à época. Foi uma tentativa de Golpe de Estado. É um país podre onde só nos resta partir para a desobediência civil e a luta armada para depor toda esta corja.

Se o juiz Ivo Rosa estiver a manipular os factos, então a gravidade não é menor. Estamos perante uma justiça corrompida nos seus alicerces. Estamos perante a prova provada que existe uma justiça para os poderosos e outra, totalmente diferente, para os restantes portugueses. É a total podridão e só nos resta seguir o mesmo caminho: desobediência civil e luta armada.

Como não acredito em nada e muito menos na capacidade dos portugueses se revoltarem para lá do fora de jogo mal assinalado, só resta enviar as mais sentidas condolências perante o anúncio de que Portugal morreu. Agora, só vos resta continuar a pagar. Seja impostos, multa por estar dentro do carro a comer uma sandes, taxas e taxinhas e os salários de toda esta malta que vive no Estado e do Estado. E agora, se não se importam, vou ali ver os Donos da Bola que já bastou passar o dia todo a ver os Donos Disto Tudo a rir. Rir a bom rir de todos nós, os pacóvios.

Rest in Peace.

Chegou a hora dos comentadores televisivos

Agora que o juiz já terminou, entram nas televisões a comentar: Paulo Futre, Diamantino, Pedro Guerra, Manuel Serrão e demais especialistas nestas coisas. O tema principal é: Sócrates estava ou não em fora de jogo? O VAR decidiu bem? O árbitro estava comprado?

A não perder numa televisão perto de si.

Sócrates é culpado, diz o professor Paul Cartledge

The Death of Socrates, Jacques Louis David (& studio?), ca. 1782. [https://bit.ly/2POAzFC]

In a new study launched today (Monday, June 8th, 2009), Cambridge University classicist Professor Paul Cartledge claims that, rather than being a farce, Socrates’ trial was legally just and that he was guilty as charged

«The corruption charge is seen as particularly important. Athens in 399BC had been hit by successive disasters – plague, internal political strife and a major military defeat by Sparta aided by Persian money. Claiming that Socrates’ teachings created political deviants made him a convenient scapegoat for some of these problems.»
(Efectivamente)

José Sócrates’s Gang

Foto: AFP/Getty Images

O segredo da amizade:

Crime de corrupção que liga Sócrates e Salgado prescreveu, diz Ivo Rosa

«Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti
Não te chega para o bife?
Antes no talho do que na farmácia
Não te chega para a farmácia?
Antes na farmácia do que no tribunal
Não te chega para o tribunal?
Antes a multa do que a morte
Não te chega para o cangalheiro?
Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir»
(‘FMI’ de José Mário Branco)

Uma entrevista a reler…

…enquanto as pipocas estão ao lume. Que isto hoje só com um balde de pipocas.

JOSÉ SÓCRATES: “UMA PESSOA DEIXA DE EXERCER FUNÇÕES PÚBLICAS HÁ MAIS DE DOIS ANOS E NÃO TEM O DIREITO DE PEDIR DINHEIRO EMPRESTADO? MAS ISSO ESTAVA ESCRITO NALGUM LADO?” Revista Visão, Maio 2018
(Foto de Marcos Borga)

“A culpa não pode morrer solteira” – Jorge Coelho (1954-2021)

Foi o único político português na minha geração que não deixou a culpa morrer solteira mesmo se, verdade seja dita, não tivesse sido sua a culpa. Assumiu-a enquanto Ministro da tutela. Foi a aventadora Noémia Pinto que nos relembrou esta frase dita por Jorge Coelho na madrugada da queda da ponte de Entre-os-Rios. Faleceu hoje tragicamente.

 

(foto de Sérgio Azenha / Sábado)

Rui Rio não descansa…

…. enquanto não der cabo de vez do PSD.

O que distingue este PSD de Rio/Suzana Garcia do Chega de André Ventura? E escusam de culpar a senhora, ela não está aqui a enganar ninguém, todos sabem (e sabiam quando a convidaram) o que pensa e como pensa. E não serve a desculpa de que foi uma escolha da estrutura local, pois em Coimbra a estrutura local tinha escolhido um candidato e a Nacional vetou.

A candidata do PSD à Amadora, Suzana Garcia, é advogada e foi comentadora da TVI, onde manifestou posições polémicas como o apoio à castração química para pedófilos reincidentes, que tem sido defendida em Portugal pelo partido Chega.

Obviamente, o Chega elogiou esta escolha (pelos vistos a senhora até tinha sido convidada pelo partido de André Ventura) e devem estar a rir-se. Este PSD de Rui Rio é uma caricatura e uma ofensa aos seus fundadores.

Ao contrário do que pensa alguma comunicação social da capital, este é o mesmo Rio que governou a cidade do Porto. Exactamente o mesmo. Só que agora está em Lisboa, sob escrutínio directo. É o mesmo Rio intolerante, uma espécie de tiranetezinho de trazer por casa, um achista que “acha” umas coisas sobre o papel dos agentes culturais, que arrota uns bitaites sobre subsídio-dependência, que persegue (manda perseguir pois Rio sempre foi um cagão) os que discordam dele. Só que quando era presidente da Câmara do Porto, a comunicação de Lisboa achava-lhe piada porque se pegou com Pinto da Costa e ignorava tudo o resto. Não via a forma como destratava a oposição, não via a arrogância própria dos medíocres na forma como lidava com os trabalhadores da sua instituição, não queriam saber dos tiques de tiranete feudal. Nada. O que importava é que o homem enfrentou Pinto da Costa – nem isso é bem verdade, mas não vale a pena explicar pois quem sabe não precisa que lhe explique e quem não sabe não quer ouvir a explicação.

Este Rio é o garante político de António Costa e o melhor adubo do Chega.

Abril é o mês da Liberdade no Aventar

O “Pod Ser ou nem Por Isso” desta semana, que será publicado hoje (18h), conta com a participação de duas grandes figuras da política nacional: Rui Tavares e Adolfo Mesquita Nunes. É com eles que arranca um ciclo de de debates e publicações sobre Liberdade que o Aventar vai lançar durante o mês de Abril com diversas personalidades dos mais diversos quadrantes da nossa sociedade. Celebrar os 47 anos do 25 de Abril de 1974 e os 12 anos de Aventar é celebrar a Liberdade.

Aqui fica um pequeno apontamento do debate a não perder entre Adolfo Mesquita Nunes e Rui Tavares com a moderação do aventador Salvador Figueiredo.

Os traidores de 6 Abril e um outro abrilismo que também interessa

Com 45 anos de idade, sou e serei sempre grato ao 25 de Abril e a liberdade que daí resultou. Esse dia encheu de alegria a geração dos meus pais e avós e eu invejo-os por terem vivido esses dias, ainda jovens ou adultos. Este é o Abril deles.

Mas hoje o meu Abril é também outro. É sempre será.

“O Governo decidiu hoje mesmo dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira”
A 6 de Abril de 2011, José Sócrates anunciava a capitulação do país.
A crise não foi causada por portugueses, isso é óbvio. Assim como é óbvio que não foram os mercados os responsáveis pela protecção a banqueiros como Salgado, Oliveira e Costa, Rendeiro ou Armando Vara. Ou Vitor Constâncio. [Read more…]

6 de Abril de 2011 não foi uma noite de nevoeiro

Já passaram 10 anos e parece que foi ontem. Até porque uma parte substancial dos membros desse governo estão actualmente em funções. Parece que foi ontem porque o Portugal político que em 2006 nos levou para o buraco em pouco se distingue do de hoje.

O na altura ministro das finanças e o único, no governo de então, que foi capaz de enfrentar José Sócrates é senhor de uma frase lapidar no Dinheiro Vivo (DN/JN) de hoje: “Portugal, de 2011 até agora, foi consistente e mostrou rigor nas contas públicas“. Assumindo a falta de rigor das contas públicas no reinado do “animal feroz”. A falta de rigor que teve como consequência a bancarrota e a vinda da troika. A que se seguiram anos de sofrimento, de pobreza e de um Portugal intervencionado.

Sem perdão possível.

Ora, os filhos, os enteados e as viúvas de Sócrates continuam a “andar por aí”, como se nada fosse. E ninguém foi preso. Porque em Portugal a culpa morre sempre solteira. Entretanto, José Sócrates continua a aguardar se vai ou não a julgamento. E Portugal continua à espera de D. Sebastião…

Extrema-Insciência

Desde 2015, depois de Bloco de Esquerda e Partido Comunista terem feito um acordo de governação com o Partido Socialista, que se repete uma ladainha que, antes, não tinha a proporção extremada que hoje tem. Essa ladainha desonesta acentuou-se em 2019, depois da entrada do CHEGA na Assembleia da República, com a ajuda de outra direita que, no mesmo ano, também entrou pela primeira vez na AR. Curiosamente, estes dois novos partidos de direita têm como bandeira “acabar com o socialismo”. Onde é que já ouvimos esse discurso, na História?

Essa estória do diabo, dizem-nos os carrascos do socialismo, afirma sem pejo que BE e PCP são representantes da extrema-esquerda no Parlamento português; narrativa que nunca teve grande dimensão antes da entrada e ascensão da extrema-direita e dos ditos liberais no panorama político-ideológico português. Esta é uma narrativa pífia de argumentação válida, sem afirmações concretas sobre o extremismo de esquerda representado, na cabeça destes senhores, pelos dois partidos à esquerda do PS. Ignoram a diferença etimológica entre “extremista” e “radical”, e nem por haver uma extrema-direita que põe em causa a Democracia, as instituições e as leis fundamentais do país impressas na Constituição, conseguem os iluminados dos extremismos reivindicar duas características que sejam, desde que há regime democrático, exemplo do extremismo de esquerda, inversamente proporcional ao extremismo de direita de André Ventura e Cª. Se ao PCP, durante o PREC, se pôde apontar o dedo (como se pôde apontar o dedo às forças reaccionárias contra-revolução, como o eram o CDS-PP – e ninguém, hoje em dia, no seu perfeito juízo, considerará o partido democrata-cristão de extrema-direita), hoje em dia não faz sentido colocar no mesmo saco de extremos opostos o PCP, o BE e o CH, pelas razões que aponto no supracitado. [Read more…]

Extrema-direita e negacionistas: um bromance de ódio ignorância e oportunismo

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2020 alerta para aquilo que só ainda não viu quem não quis: que a extrema-direita e os negacionistas da pandemia se aproximaram. Que andam, na maior parte dos casos, de mão dada.

Para além da ameaça que isto representa para a segurança de todos os portugueses, da nação e da própria democracia, existe uma outra perversidade nesta questão, que consiste em arrastar consigo um debate que pode e deve ser feito, mas que está minado pelo negacionismo, embrulhando, na mesma bola de neve, chalupas irresponsaveis e pessoas bem intencionadas, que questionam, com toda a legitimidade e rigor, várias opções que foram e estão a ser feitas, no domínio social e económico.

É preciso separar as águas. É preciso que quem levanta questões pertinentes não seja confundido com malucos doutorados por páginas “da verdade”. Até nisto, a extrema-direita, ela própria a viver uma fase de negacionismo científico que é anterior à pandemia, é um vírus para o qual urge encontrar uma vacina. Nunca a nossa democracia esteve tão ameaçada. E não são as medidas de confinamento, aplicadas em todas as democracias liberais europeias, a causa do problema. Essas são temporárias. O problema são aqueles que pretendem aplicar outro tipo de medidas de confinamento. Permanentes.

Quando o mentiroso é ideológico

«No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais.»

No preâmbulo do seu último artigo aventaresco, o meu colega Francisco Figueiredo decidiu ir pelo caminho da lama. Tendo o Francisco, como bom liberal que é, uns Stan Smith brancos calçados, desaconselharia o caminho lamacento, envolto em pó e poeira, pelo qual os liberais tanto gostam de caminhar. Desaconselho, por duas razões:

1 – O liberal Francisco Figueiredo não entendeu o texto que leu;

2 – Ao não o entender, mesmo assim, sentiu-se tocado pelas “mentiras de sempre sobre liberais”, cito, e, por tal, enfureceu-se escrevendo um rol de disparates ideologicamente mentirosos.

Vamos a factos. No seu artigo, lançado no primeiro dia de Abril, Bruno Maia, médico neurologista, intitulado “A ideologia liberal é antiga”, faz uma analogia entre o que hoje defendem os neo-liberais para a saúde (e basta consultar programas dos partidos para o aferir) e o que defendia e praticava o Estado Novo. O que defende, então, o Iniciativa Liberal para a saúde? Queremos mais liberdade para decidir onde queremos ser tratados.”: é o mote do partido para a sua defesa do reforço dos privados e o enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde; diga-se, é essa a proposta do IL: reforçar o capital, aumentar os custos e deixar morrer, aos poucos o SNS, mantendo-o magro e em serviços mínimos (sim, os Mr. Burns da política dir-vos-ão que não, que o objectivo será manter um SNS de serviços mínimos que garanta aos pobres o seu acesso e, por outro lado, dar mais autonomia aos privados – aqui, dir-vos-ão que o objectivo é que mais gente tenha acesso ao privado). Dado o mote, o partido discorre meia dúzia de medidas que acha necessárias para alavancar a saúde que defendem. Passo a enunciar um par delas: [Read more…]

Quando 16 pontos dá direito a título, será que 15 pontos também pode?

O título da notícia do ECO reza assim: “Sondagens colocam Rio 16 pontos abaixo de Costa“. Um valor que me surpreende. Sendo Rio um verdadeiro zero à esquerda enquanto líder do PSD (e da oposição) a surpresa é Costa só estar 16 pontos na frente.

Só que o título podia ser outro: “Chega de André Ventura já só está a 15 pontos do PSD de Rio”. E isto sim, é surpreendente e assustador. O problema de Rio ser o presidente do PSD não é o de ser uma garantia de vitória para Costa. Não. É o de estar a tornar o PSD tão insignificante que até o Chega se está a aproximar. Dirão alguns que não passa de uma sondagem e de um momento. Foi o que pensaram os do Partido Popular em Espanha sobre o VOX e agora, nas últimas sondagens, aparece o PP com 19% e o VOX com 15%.

Ou os militantes do PSD se organizam e tiram de lá o Rio ou vão todos ao fundo com ele. Neste momento o PSD é o Titanic da política portuguesa e o maestro Rio continua a tocar. Valha-nos Deus…

 

(cartoon palmado AQUI)

Suzana Garcia e o buraco sem fundo onde Rui Rio enfiou o PSD

Se dúvidas restassem sobre a enrascada em que Rui Rio enfiou o seu partido, no dia em que decidiu romper o cordão sanitário nos Açores – quando nem sequer precisava de o fazer para governar, bastando-lhe ter sido suficientemente estratégico para deixar a batata quente nas mãos de Ventura, obrigando-o a escolher entre a coligação de direita e o PS – a escolha da concelhia do PSD Amadora para o combate autárquico que se avizinha, nada mais, nada menos que Suzana Garcia, é reveladora da condição de refém de Rio e do PSD face ao storytelling da extrema-direita.

Suzana Garcia não é apenas uma comentadora histriónica que apareceu em cena como artista de variedades populistas no programa de Manuel Luís Goucha, conhecido por dar palco aos mais variados entertainers da autocracia, como o neo-nazi Mário Machado ou o próprio André Ventura. É alguém que, com uma agenda política, que agora fica evidente, aposta tudo numa retórica populista e demagoga, repleta de tiradas racistas, xenófobas e extremistas, características da narrativa de ódio, divisionismo e ressentimento que encontramos na cartilha do Chega. O próprio André Ventura aproveitou a deixa para humilhar Rui Rio, uma vez mais, na rede social Twitter:

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O riso de Louçã e o histrionismo da direita

Na sua rubrica semanal da Sic Notícias, Francisco Louçã troçou de Aline Hall de Beuvink, a propósito de umas declarações proferidas quando era deputada à Assembleia Municipal de Lisboa, em 2019. Na ocasião, Aline Hall relacionou o mito de que os comunistas comem criancinhas com o Holodomor, o que é, no mínimo, discutível.

Francisco Louçã esteve muito mal ao transformar este episódio numa afirmação de que o canibalismo infantil dos comunistas era uma realidade: Aline Hall foi muito clara ao classificar isso como um “mito”. Louçã terá querido ridicularizar uma pessoa de direita, mas foi, no mínimo, descortês, distorceu, de modo desonesto, um enunciado claro e portou-se como outros que quiseram transformar a metáfora de Mamadou Ba num discurso de ódio. Ficaria bem a Louçã pedir desculpa, mas temo (e lamento) que isso nem lhe passe pela cabeça.

A direita, no entanto, incluindo a pessoa visada, quis transformar a troça de Louçã numa ridicularização ou mesmo negação do Holodomor, o que não corresponde à verdade. Há, contudo, para isso, razões que a razão desconhece: o ódio cego à esquerda que provoca descargas de adrenalina e de consequente tresleitura ou a mais absoluta desonestidade, aliados a um forte desejo de criar falsas equivalências entre ideologias com base na prática. Histrionismo – palhaçada, para os amigos.

Governe, Dr. Costa. De preferência à esquerda

Não percebo a polémica em torno da “coligação negativa” que aprovou o alargamento dos apoios sociais no combate aos efeitos económicos da pandemia. Por vezes, parece que nos esquecemos que quem realmente manda é o Parlamento, não o governo. Agora, no momento em que não convém a António Costa que assim seja, como em 2015, quando lhe correu tão bem que conseguiu governar, apesar de ter ficado atrás de Pedro Passos Coelho. A democracia representativa, quando nasce, é para todos. E o PS, que governa minoritariamente, e que até rejeitou acordos escritos com os antigos parceiros da Geringonça, que poderiam ter evitado mais este balázio no pé, já devia ter percebido isso.

As contas são algo complexas para um ignorante como eu, mas, grosso modo, a coisa custará uns 40,4 milhões de euros por mês. 3,3% da primeira injecção de 1200 milhões na TAP. 1%, se considerarmos as estimativas que apontam para um investimento total de 3700 milhões até 2024. Substituindo TAP por Novo Banco, estes 40 milhões equivalem a uma miserável percentagem de 0,4% dos 11.263 milhões que já torramos no banco “bom”, até Maio de 2020. 2,2% do custo anual da corrupção em Portugal, estimado em 1820 milhões pelo relatório de 2018, The Costs of Corruption across the EU, do grupo parlamentar dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Mas como este é ano de autárquicas, prevê-se um aumento substancial nesta rubrica, pelo que aquela percentagem ainda deve descer. Peanurs, como dizia o outro. E com tanta despesa por executar, tantas cativações e a bazuca quase quase a chegar, não há de ser por 40 milhões por mês que não se ajudam as muitas vítimas das medidas de confinamento.

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A lógica da batata, novamente

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, esclareceu a AHRESP que no período da Páscoa – considerado o arranque da época turística – só os cidadãos que não tenham residência no país e sejam “forçados a circular por vários concelhos” de forma a poderem chegar aos hotéis são a exceção à regra que restringe as deslocações, à semelhança do que foi adotado no período de 30 de outubro a 3 de novembro.

Os portugueses com residência no território ficarão no período da Páscoa impedidos de circular entre concelhos, mesmo que seja com a finalidade de ficar num hotel, mantendo-se a norma de permitir “deslocações de cidadãos não residentes em território nacional continental para locais de permanência comprovada”, como é o caso dos alojamentos turísticos. O objetivo é o de “evitar a transmissão da doença covid-19, caso contrário estaríamos a desvirtuar o objetivo da norma”, especificou Rita Marques à AHRESP.

Mas tal não se aplica aos portugueses residentes que tenham de fazer deslocações ao aeroporto com o fim de realizar viagens para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. [Expresso]

A propaganda nunca teve por base a racionalidade. O objectivo, senhora Rita Marques, é claro, se bem que distinto no anunciado. O que em Dezembro foi permitido, porque sim, agora é proibido, porque sim.

Concessão das barragens da EDP: a anatomia de um golpe

Retóricas novilinguísticas sobre socialismos e liberalismos à parte, o caso da concessão das barragens no rio Douro pela EDP à Engie é um daqueles sinais, por demais evidentes, de um longo historial de vassalagem do Estado aos mais poderosos interesses privados. Este negócio, que remonta a 2019, traduziu-se numa venda na ordem dos 2.200.000.000€, estando sujeito ao pagamento de Imposto de Selo de 5% do valor total da transacção, os tais 110 milhões de euros de que tanto temos ouvido falar nos telejornais.

No ano seguinte, estávamos nós já demasiadamente ocupados com vírus e outras pandemias, o governo decide alterar o artigo 60 do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) alargando a isenção do Imposto de Selo a qualquer estabelecimento comercial, industrial ou agrícola que esteja abrangido por operações de reestruturação. E o que fez a EDP? Reestruturou-se.

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Abomino o PAN

 

[Jorge Cruz]

Abomino o PAN e o seu dirigente, o não sei quantos que nem me quero lembrar do nome do artista. O fulano é, apenas por caprichos pessoais, contra praticas que eu aprecio e que acho fundamentais para o quotidiano dos homens com sítio, como sejam os toiros de morte, a caça, a pesca, o arroz de lampreia e outros prazeres da comida, tudo peças fundamentais ligadas à vida dos seres do mundo rural, desde há milhares de anos. E eu, sinto-me pertencendo a esse mundo e a essa cultura da terra e à sua rudeza simples e bela. A caça e a pesca são talvez as primeiras actividades que o ser humano praticou, e são hoje eventualmente a última ligação que temos à nossa génese ancestral de seres nómadas. Os toiros bravos foram talvez dos primeiro actos de diversão e desafio colocados ao homem errante. Caçar qualquer das outras espécies existentes teve dificuldades que foram ultrapassadas com mestria. Conseguir chegar próximo de um Uro ou Auroque (Bos Primigenius) era outra conversa, porque eram naturalmente agressivos e tinham um elevado sentido de marcação do seu território. Ao sentir o seu espaço invadido, o animal ataca para matar. Apesar de herbívoro é o único animal que tem este instinto de atacar em vez de fugir, mesmo que seja castigado. Este comportamento agressivo e nobre é um desafio à inteligência do ser humano. O Auroque acompanhou o homem no seu percurso desde Africa até à Europa. Terá tido origem na Mesopotâmia e acompanhou e evolução do homem de nómada a sedentário e ter-se-á extinguido no século XVII, no bosque Jaktorowka (Polónia) onde se diz que foi caçado o último exemplar. Folgar com um exemplar destes, até o conseguir cansar e finalmente abater, requeria mais que inteligência. Requeria arte e saber, factores que vieram a dar origem à tauromaquia como a conhecemos hoje em dia. Antes de extinto, o auroque deu origem aos encastes dos actuais touros bravos, originários de Espanha, França e Portugal (Castas Navarra, Morucha Castelhana, Jijona, Cabrera, Vazqueña, Vistahermosa, Camarguesa e Portuguesa). 

Todas estas peças de cultura são praticas saudáveis, quer física quer mentalmente, e são depositárias de estética e de ética. Hoje em dia têm importância acrescida em novos contextos, desde o social ao económico, e no caso da caça, ao equilíbrio ecológico e ao controle das espécies cinegéticas, garante da saúde destas espécies, quase todas em vias de extinção, pela influência nefasta das práticas do homem da cidade. 

Pois este artista não “concorda” com a  vida dos homens do campo, porque é um ignorante da realidade que por cá se vive, tal como não percebe nem sabe o que é um campo em poisio, ou em relvas, ou dobrado, ou um alqueve, não os distinguindo de uma pastagem, ou de um matagal. Uma coisa, que está na sua liberdade individual, é ele, por desconhecimento, não gostar de algumas praticas correntes da vida no campo, por razões apenas estéticas ou sensoriais. Outra coisa é ele pretender, por se considerar um ser superior e missionário da sua cultura urbana, impor a sua disparatada ideia de idiota citadino, por ignorância do que é a vida no campo, porque nunca teve um galinheiro, um enxurdeiro ou uma coelheira no quintal. Por essa razão, não pode arrogar-se a impor os seus conceitos, por lei, achando ainda por cima que está a fazer um favor aos trogloditas dos atrasados dos camponeses. Foi isto que fizeram os civilizados povoadores da América, ao querer “educar” os Índios, acabando com a sua imensa cultura, os seus campos de caça, a sua vida e organização tribal, por acharem que não eram suficientemente sociáveis. Os resultados ainda hoje são visíveis.  

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