Litoral Alentejano

De certeza que Heloísa Apolónia, proeminente peça da Geringonça, irá intervir. Afinal, é uma Deputada dos Verdes. Ecologista. Defensora da Natureza. Contra o betão. Força, Heloísa, estamos contigo. Luta pelo Litoral Alentejano como lutaste pelo Vale do Tua.

Impunidade

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A Moody’s pronunciou-se sobre o rating da República. Meses após a última avaliação, o rating da dívida portuguesa mantém-se no nível Ba1. Lixo, portanto. Significa isto que continuamos a não ser dignos da confiança da notável agência de notação. E tudo isto é dramático, não tanto pela decisão, mas antes pela dependência umbilical em que nos encontramos face a este poder privado e não escrutinado que continua a decidir por nós. [Read more…]

O Bem e o Mal, Soares.

Nasci depois de Abril e há experiências que, até por isso, não tive.

Tal como a Bárbara, também eu tive a bandeira na mão. Mas, a minha não era do mal. Com 12 anos a explicação que me davam em 86 era simples – o Soares é o bom. O Freitas? É o mau.

É a primeira experiência política de que me lembro. Tinha uma “espécie de colete” com sacos do Soares é Fixe. Os mesmos que deitaram abaixo a palmeira do Sr. José, pendurados num fio, que o camião do lixo, se calhar de direita, puxou até ao chão.

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Os comícios no Porto!!! Brutal!

A Avenida dos Aliados COMPLETAMENTE (mas mesmo COMPLETAMENTE!) cheia pelo povo, pelas pessoas boas. Recordo também, com saudades, as conversas que ouvia sobre o Freitas do Amaral e o que ele significava de regresso a 23 de Abril. Falava-se de política.

Daí, dou um salto ao dia em nos vimos (pensava eu na altura) livres do Cavaco. Corri para a mesma Avenida festejar a chegada de Guterres ao poder. Sem qualquer vida partidária até então, via em Cavaco um inimigo, o mau. Guterres era uma forma de libertação e, ao mesmo tempo, de esperança. Com Sócrates fugi da casa mãe. Senti um afastamento muito grande e, anos mais tarde, acompanhei de perto e por dentro o nascimento do Bloco que era, para mim, uma espécie de geringonça onde gente diferente se juntava em torno de um projecto comum.  [Read more…]

O Facebook (afinal) sabe

Só não é claro como é que o Facebook sabe dos patrocínios do Expresso.

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Com que então, a melhor juventude partidária?

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Funerais de Sá Carneiro e Mário Soares

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Miguel Teixeira

– o “culto” do disparate numa comparação infeliz

Tenho assistido com alguma perplexidade e até surpresa à comparação da afluência do povo aos funerais de Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, comparações que são absolutamente disparatadas e desfasadas no tempo e na situação política. Essas comparações têm-nos chegado através de “sites” ligados à Direita radical que não perdoam a Mário Soares o apressado processo de “descolonização”(embora como se tem visto nos últimos dias através de vários testemunhos à Direita, cito Ribeiro e Castro, ex. Presidente do CDS, é injusto ele ser unilateralmente responsabilizado) e ainda por comentadores radicais como João Miguel Tavares.
Em primeiro lugar, devo dizer que considero o Dr. Francisco Sá Carneiro um dos vultos maiores da nossa democracia, que lutou incansavelmente por um Portugal mais justo, tolerante e solidário. Fundou o PPD, um partido de centro esquerda, que pediu inclusivamente adesão à Internacional socialista, situação que alguns mais jovens poderão desconhecer. [Read more…]

À atenção do Bloco e do PCP

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A Ana Moreno, no seu esforço hercúleo e permanente para alertar e denunciar os perigos do CETA e do TTIP, voltou ontem à carga:

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Já dizia o outro: não te preocupes, está tudo bem. Que interesse têm dois tratados aborrecidíssimos, para os quais nos estamos nas tintas, e sobre os quais ninguém fala? Não devem ser assim tão importantes. Se fossem haveria mais debate, mais alertas. Mas alguma vez uma multinacional poderá processar um Estado pelas perdas de lucros geradas por algo tão simples como o aumento do salário mínimo nacional? Isso são disparates de teóricos da conspiração.  [Read more…]

Um legado sem herdeiros

Rui Naldinho

sa-carneiro-1O Blogue Direita Política que alguns escribas dizem não ser de gente ligada ao PSD, por não estar devidamente “patenteado”, não soubéssemos nós como estas coisas funcionam, resolveu durante os dias em que decorreram as exéquias fúnebres de Mário Soares, divulgar através do Facebook, uma espécie de elegia a Francisco Sá Carneiro, cuja morte ocorreu há 36 anos.
Percebe-se a orfandade da direita perante figuras que se opuseram à ditadura de forma explícita, e cujos valores democráticos Soares ajudou a construir em Portugal de uma forma ímpar, no contexto político da segunda metade do século XX.

Francisco Sá Carneiro, um homem da alta burguesia portuense, advogado de profissão, que dentro do regime fascista sempre se opôs à ditadura, teve indiscutíveis méritos. Era um democrata naquilo que a palavra tem de mais genuíno. Contudo, não há comparações possíveis entre os dois personagens, porque um viveu na clandestinidade, outro não. Um esteve preso e exilado, outro foi deputado, ainda que da chamada ala liberal da ANP. Infelizmente, Sá Carneiro teve uma vida efémera, motivada por um acidente aéreo com contornos estranhos, que para muitos não passou de um atentado. Soares viveu uma vida longa. Tudo isso são realidades indesmentíveis, mas que não acrescentam nada ao que já se conhece dos dois. Portanto, o valor intrínseco que cada um deles tem na construção do nosso regime democrático, não lhes pode ser retirado. [Read more…]

Ao cuidado da direita indignada com o despesismo

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que vocifera, com toda a razão, contra os salários obscenos que se pagam na função pública, seja a um António Domingues ou a um perigoso sindicalista, desses que só sindicalizam e não querem trabalhar, e que ainda por cima são comunistas, os nababos! Peço um minuto da vossa atenção e indignação para que atentem neste dispositivo contabilístico, gentilmente disponibilizado pela Geringonça, que nos permite assistir em directo ao acumular de euros por parte do antigo secretário de Estado privatizador de Passos Coelho, que o próprio Passos Coelho escolheu para vender o Novo Banco, e que em 14 meses já nos levou qualquer coisa como 365 mil euros, sem que ninguém tenha ainda percebido para quê, dada a inexistência de resultados que justifiquem os cerca de 25 mil euros por mês que aufere.

Como sei que a vossa indignação é honesta e genuína, e aqui alargo o convite a todos os paladinos anti-despesismo da nossa cândida direita, estejam eles no comentário político televisivo, nas colunas de opinião anti-esquerda, na blogosfera liberal/conservadora ou nos grupos de ódio laranja nas redes sociais, ficarei a aguardar, com expectativa, pelos vossos contributos indignados. E caso para dizer: e o Sérgio Monteiro, pá?

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@DN

O auto-retrato feito pelas escolhas

Homens da dimensão de Mário Soares nunca são unidimensionais. Assim, as avaliações e referências que a eles se fazem reflectem sempre esta realidade. Na morte, ficam entregues às palavras dos outros sem direito a apelo. É por isso que os que agora se pronunciam escolhem o retrato que querem desenhar e ficam, eles próprios, sujeitos a julgamento pelas inclusões e omissões que fizeram, pela probidade e procedência do que dizem, sabendo-se que o que afirmam diz tanto deles como do objecto das suas apreciações. É por isso que um elogio pode ser insultuoso, uma distanciação pode ser honrosa, uma crítica pode ser um sinal de integridade. Ao escolher os atributos que definem aquele de quem falo, não me posso furtar de definir-me a mim próprio. Estes dias têm sido, neste domínio, uma lição do que há de pior e de melhor. Assim sendo, aguardava com alguma expectativa os discursos da cerimónia fúnebre a que assistimos hoje. Queria saber qual, nas palavras dos oradores – os filhos de Mário Soares e as figuras institucionais -, era a a imagem que emergia. Foi, há que reconhecer, um momento digno. Ilustro o que digo com o discurso de João Soares, o qual sublinhou, sobretudo, a dimensão de lutador anti-fascista e resistente do homenageado, a sua busca de liberdade. Em palavras que reflectiam, como é natural, a sua vivência pessoal dos acontecimentos. E lembrando factos que a comunicação social mal mencionou por estes dias, ocupada que estava em construções ficcionais tão indignas nos ditirambos como nos insultos e falsificações da história.

Portugal, Soares e os outros

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Não é o momento para fazer julgamentos. Tivemos e usamos décadas para o fazer, continuaremos a fazê-lo dentro de alguns dias, mas a quantidade de ódio que se tem visto por aí, num país onde um tirano foi eleito, por esmagadora maioria, como o grande português da nossa história, soa-me algo bizarro. Temos sido salteados por diferentes actores políticos ao longo dos anos, incessantemente, e poucas são as personagens que granjeiam tamanha aversão, a ponto de haver quem celebre a sua morte em paragens supostamente democratas e honradas. Não obstante, devemos-lhe muito. Não acho que Mário Soares seja o maior, como tenho lido por aí, mas será, não tenho dúvidas, um deles. [Read more…]

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

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Encontrado n’Uma Página Numa Rede Social

Um dia após a morte de Mário Soares, o grupo Cofina dá uma mãozinha às pessoas que adoram partilhar as histórias mais escatológicas acerca daquele que hoje é reconhecido como o pai da democracia portuguesa. Na revista, é alegado o seguinte: “Soares quis montar um império da comunicação social. O sonho ruiu, num escândalo de alegada corrupção que ainda hoje está por explicar.” Depois, para sustentar este conceito, a revista Sábado junta factos confirmados com boatos nunca verificados e tece uma narrativa genérica o suficiente para permitir todo o tipo de suposições.

Para quem odeia Mário Soares, isto é perfeito. Sem provar rigorosamente o que quer que seja, a Sábado deixa um clima de suspeição no ar e repete a palavra “corrupção” três vezes ao longo do artigo, permitindo que qualquer opositor da Esquerda use o texto para confirmar o seu enviesamento ideológico.
Esta forma de fazer jornalismo, que deliberadamente pisca o olho às teorias da conspiração, é perigosa. Ela alimenta o clima de pós-verdade (leia-se, “de mentiras”) que está a corroer o jornalismo sério e objectivo. Ela cria hordes de ignorantes que adoram queimar bruxas na fogueira e para quem o conceito de presunção de inocência é uma extravagância criada para proteger corruptos.

Porém, não é esse o motivo que nos leva a escrever acerca do assunto. O que nos chamou a atenção neste artigo é a espectacular dualidade de critérios no tratamento que a comunicação social portuguesa dá à Esquerda e à Direita em Portugal.
Reparem, a revista Sábado pertence à Cofina Media SA, um dos grupos mais influentes da nossa comunicação social e que, através do Correio da Manhã, regularmente alimenta o ódio e o preconceito contra a Esquerda. Ainda em 2011, o Governo de Passos & Portas, através de Miguel Relvas, procurou privatizar a RTP, entregando-a à Ongoing e, precisamente, à Cofina.

A outra empresa que domina as notícias em Portugal é o grupo Impresa, criado por um dos fundadores do PSD, Francisco Pinto Balsemão, e que caracteriza a sua acção pelo destaque (leia-se, “pela promoção”) dado aos dirigentes do PSD. Neste preciso momento, enquanto escrevemos isto, Marques Mendes dá a sua homilia dominical aos espectadores.

Posto isto, falemos de dualidade de critérios. Em Portugal, os grupos Cofina e Impresa são vistos como grandes empresas, que dão trabalho a milhares de pessoas e determinam o tipo de conteúdos que os portugueses vêem, lêem e ouvem. Francisco Pinto Balsemão, para todos os efeitos, é um dos fundadores da nossa democracia e um dos maiores empresários do país. Porém, quando alguém ligado ao PS tentou criar um grupo exactamente com as mesmas características, isso rapidamente foi classificado como corrupção.
Ou seja, num país onde a comunicação social é dominada por um dos fundadores do PSD e por um grupo opositor da Esquerda, os jornalistas promovem a ideia de que um grupo criado por pessoas do PS consistiria numa tentativa de controlar a informação.

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

Este é, provavelmente, o caso mais sintomático de como o preconceito e a dualidade de critérios estão enraizados na interpretação que muitos jornalistas fazem da nossa realidade.

Orgulhosamente empreendedores.

Uma história de TERROR!

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Carlos Paz

BES / NovoBanco – Algo está PROFUNDAMENTE ERRADO!
Não pode ser SÓ incompetência. Não é possível!

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Para percebermos um pouco do que se está a passar (é impossível perceber tudo – é tão mau que não existe NENHUMA explicação plausível, aceitável, credível, etc…) vale a pena revisitarmos um pouco a história de tudo o que se passou:

A – Período BES/GES

1) Sob a direção de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis, Fernando Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral e Amílcar Morais Pires, entre outros, o Grupo Espírito Santo (GES) fez uma gestão de tal forma desastrada de todos os seus investimentos que entrou em processo de colapso financeiro;
2) O referido colapso financeiro foi sendo escondido ao longo dos anos através de uma série de operações que drenaram os fundos do BES para o GES;
3) Este processo correu SEMPRE sem que a supervisão do Banco de Portugal (BdP), dirigida primeiro por Vitor Constâncio e depois por Carlos Costa, se apercebesse do que quer que seja daquilo que se estava a passar (desvios massivos de dinheiro do BES e dos seus Clientes para esconder os PÉSSIMOS resultados de Gestão do GES);
4) Depois de totalmente destruído o GES, o BES estava perto da falência, numa altura em que todos no mercado falavam disso (auditores, jornalistas, comentadores, etc…), MENOS o regulador/supervisor (Carlos Costa e o seu BdP);
5) Em último estertor os supracitados gestores do GES/BES, com a anuência de Carlos Costa e do BdP, promoveram um processo de aumento de capital do BES – recordemos que Banco estava tecnicamente falido, mas estava a ser protegido pela INCOMPETÊNCIA (para bem da nossa sanidade mental coletiva enquanto Nação, vamos acreditar que nessa época os atos e as decisões decorreram SÓ de pura incompetência) de regulação e supervisão do BdP;
6) Este processo de aumento de capital de um Banco que estava FALIDO teve o alto patrocínio do Banco de Portugal (de Carlos Costa), da CMVM (de Carlos Tavares), do poder político (Cavaco Silva e Maria Luis Albuquerque) e de diversos jornalistas e comentadores (como Marcelo Rebelo de Sousa, amigo e visita de casa da “família”);
7) Nesta altura Carlos Costa (e o BdP) já se tinha apercebido de indícios de Gestão Danosa no BES (em favor do GES e de amigos) mas não tinha coragem para afastar Ricardo Salgado e a sua clique da Administração do Banco – nessa altura Carlos Costa pede (e paga com o NOSSO dinheiro) diversos pareceres jurídicos para provarem que NÃO podia afastar Ricardo Salgado, tendo no entanto a maioria dos jurisconsultos consultados optado por referir que Carlos Costa, se quisesse, podia MESMO afastar Ricardo Salgado;
8) A Administração do BES apercebeu-se que já NADA seria possível fazer para salvar o Banco (BES) tendo havido alguém (ainda se espera um esclarecimento das autoridades judiciais) que promoveu uma imensa purga de fundos, numa única semana, que arruinou definitivamente o Banco;
9) Apercebendo-se tarde, demasiado tarde, do ENORME problema que tinha entre mãos, Carlos Costa afasta finalmente Ricardo Salgado que nomeia para seu substituto o seu próprio braço direito (Amilcar Morais Pires, Administrador Financeiro do BES) que estava envolvido em TODO o processo e, aparentemente (continuamos a aguardar esclarecimentos das autoridades judiciais), em TODAS as decisões;
10) O Banco entra numa espiral negativa e no final da semana fatídica da purga de fundos (nunca esclarecida pelas autoridades judiciais), Carlos Costa é finalmente obrigado a agir (o BdP já não podia continuar a fingir que não percebia o que se estava a passar);
11) Carlos Costa que tinha feito parte da equipa de Durão Barroso em Bruxelas, recorre às autoridades Europeias e promove a montagem, com o patrocínio (ou o comando, nunca o saberemos) da Comissão Europeia e do BCE, de uma operação de “resolução bancária” para o BES;
12) Convém aqui recordar que, apesar de ser este o modelo definido pela TROIKA para os problemas dos Bancos Europeus, este tipo de solução foi ensaiada no BES e NUNCA mais voltou a ser usada em lado nenhum da Europa (mesmo no BANIF em que o “nome” foi o mesmo, a operação foi muito distinta). [Read more…]

Lava mais branco

O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

Entretanto, na “Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD” (*)…

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Aguarda-se que um partido que faz parte do Estado de Direito se demarque disto (e do resto) a qualquer momento.

* cf. descrição do grupo, apesar de ser uma página oficiosa.

[post actualizado para sublinhar que a página em causa é uma página oficiosa]

Cristas abanou a cabeça

Abanou a cabeça de um lado para outro, como lhe ensinaram,  enquanto dizia umas coisas.

“Em muitas alturas, o CDS teve grandes divergências políticas com o dr. Mário Soares, mas não esquecemos o seu papel fundador no Portugal Democrático, especialmente no difícil período revolucionário em que se opôs à hegemonia política e totalitária – e em que, tendo vencido, ajudou a democracia a vencer e a ser consolidada em Portugal”, comentou Assunção Cristas, numa nota enviada à agência Lusa. [Expresso]

“Especialmente no difícil período revolucionário”, na visão CDS, pois a ditadura foi um período normal.

O PCP falou

PCP ainda não engoliu o sapo: o partido “regista as profundas e conhecidas divergências”, apesar do passado anti-fascista.

Uma parte da nossa História

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Vou recuar a 1986 para falar de Mário Soares. Nessa altura Portugal vivia uma das suas mais dramáticas eleições. De um lado, Freitas do Amaral e com ele a direita e o centro direita; do lado oposto, Mário Soares e com ele a esquerda e o centro esquerda. Tudo isto de uma forma simplista, sublinho desde já.

Uma divisão enorme na sociedade portuguesa. Duas concepções diferentes de Portugal. Para que a geração dos meus sobrinhos ou mesmo da minha filha possam perceber, era uma divisão que nalguns casos, muitos, se vivia dentro das próprias famílias. Recordo que na minha ficaram, durante alguns anos, algumas feridas. Maioritariamente o nosso apoio era para Freitas do Amaral e o movimento “Prá Frente Portugal”. Alguns familiares, poucos, apoiavam Mário Soares (“Soares é Fixe”, era o lema) e isso criou atritos e amargos de boca entre as partes. Na segunda volta, em Fevereiro de 1986, Mário Soares ganha por uma diferença mínima (o equivalente a um Estádio da Luz como se dizia na altura). Para mim, um adolescente à época que viveu intensamente a campanha eleitoral, foi um enorme balde de água fria. Estava convencido que Freitas do Amaral ganharia as eleições. No fundo, em casa, estávamos todos convencidos de tal.

A verdade foi outra. Mário Soares ganhou e teve a superior inteligência de criar a figura do “Presidente de todos os portugueses”. E foi-o como poucos. Melhor dito, como nenhum antes e como nenhum outro depois. E tinha de o ser para dessa forma acabar com a enorme divisão existente na nossa sociedade. Estou convencido que foram dois os factores que acabaram com essa divisão fracturante no Portugal dos anos oitenta: a forma como Mário Soares soube exercer o seu cargo de forma unificadora e a maioria absoluta do PSD em 1987, ano e meio depois das eleições presidenciais.

Ou seja, Mário Soares foi fundamental como garante da democracia nos anos setenta. Foi a sua acção directa e indirecta que acabou (ou pelo menos atenuou) a clivagem política  na nossa sociedade nos anos oitenta. Em dois períodos diferentes e fundamentais da nossa história recente, Mário Soares foi um verdadeiro estadista. E ficou na história do século XX português.

Não foi perfeito e como qualquer ser humano cometeu erros. Não esteve isento de crítica e aqui permitam-me um parêntesis: aquilo a que se assistiu por parte de muitos portugueses, muitos mais do que aquilo que seria de esperar, nas redes sociais e caixas de comentários dos sites de muito órgãos de comunicação social portugueses nos últimos tempos sobre a pessoa de Mário Soares foi vergonhoso. Mais, demonstrou que continua a existir um número demasiado elevado de pessoas mal formadas, com instintos primários e que nos devem encher de vergonha a todos. Não foi nem é apenas repugnante, é assustador. Que não gostem de Mário Soares, que exista contra ele motivações superiores, é natural e normal mas destilar ódio, desejar-lhe a morte e outras coisas do género a que todos assistimos publicamente é indecoroso e, repito, assustador na forma como nos mostra o seu carácter. Escrevo-o com a liberdade de nunca o ter apoiado nem tão pouco nele votado em toda a minha vida e em todas as hipóteses que para tal tive. Com a liberdade de ter sido crítico de algumas das suas decisões e até de coisas que ele disse ou fez. Aliás, sobre o seu papel na descolonização a história se encarregará de esclarecer a verdade, de elucidar as gerações futuras sobre o que se passou e como se passou. Nem a minha geração está suficientemente distante para o fazer com o devido rigor histórico. E esse é o ponto que mais me divide sobre a personalidade de Mário Soares.

Não vou escrever muito mais sobre Mário Soares. Apenas aconselho, a quem o desejar, a leitura deste fabuloso texto de Miguel Esteves Cardoso, insuspeito ideologicamente, sobre Mário Soares. Está ali quase tudo o que penso sobre Mário Soares. Estou convencido que perdemos hoje um dos nossos maiores.

Cavaco falou

 

E disse o quê? Justificou-se, talvez para justificar os inevitáveis elogios. Falou com a habitual assinatura pessoal.

Morreu Mário Soares (1924-2017)

Notícia do Público.

Este banco não é para novos

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Cavaco Silva ainda tentou avisar que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que de resto até acabaram por fazer com assinalável distinção, ou não estivéssemos todos a pagar a engenhosa solução encontrada pelo anterior governo, com a preciosa ajuda do amigo do Banco de Portugal, anunciaram vendas, que se aproximariam de alguns milhares de milhões, sem nunca se concretizarem, e juraram a pés juntos que tal empreendimento não custaria um cêntimo aos contribuintes. Como o outro senhor que também nacionalizou um banco com a mesma promessa, um banco que acabou comprado por um outro ao qual agora preside. [Read more…]

Se ao menos este tipo e c.ia alguma vez tivessem trabalhado…

Quem trabalha sabe que não há pontes. Mete dia de férias e é preciso que a empresa ou serviço aprovem. Mas quem é que se está para se preocupar com minudências quando se pode bater nos do costume?
imagePara a sumidade em causa, o problema da produtividade está no número de horas que a plebe trabalha. Foi com esse argumento que cortou 4 feriados, quis aumentar o horário laboral e inventou o banco de horas. E é por isso que agora volta à carga.

Deve ter ouvido falar que é o que fazem em Inglaterra. Será que também lhe disseram que lá há empresas que têm um horário de 37,5 horas semanais? E que quase todos os trabalhadores do UK têm 5,6 semanas de férias pagas?

Mas se o PSD e o seus militantes estão assim tão preocupados com a perda de produtividade, que vão trabalhar nos feriados. Dêem o exemplo e desamparem a loja. Agora, gostava mesmo era de ver o PSD propor uma solução para a encrenca do Novo Banco, que não ata nem desata, apesar de lá ter o seu boy a ganhar 25 mil por mês para tratar da venda, com os resultados que conhecemos. Mas, como sabemos, o problema da competitividade não está nos impostos que pagamos a mais por causa de andarmos a salvar bancos privados, mas sim na porcaria das pontes, que afinal são dias de férias.

No regresso para

«No regresso para em Lourenço Marques para visitar uma irmã». Efectivamente.

Cumpriu-se a profecia e o precipício chegou, aleluia, aleluia!

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Espero ainda ir a tempo de me arrepender e conseguir a salvação da minha alma esquerdalha e pecadora, passe-se a redundância. Passos Coelho tinha razão e, pelo menos desta vez, a profecia da desgraça estava certa: os reis magos chegaram mesmo em Janeiro. São as décimas que faltavam para os juros da dívida ultrapassarem a fasquia mágica dos 4%, valor a partir do qual os fanáticos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias podem erguer as mãos aos céus e agradecer a Deus pela chegada do apocalipse anunciado, que lhes permitirá governar sobre os escombros, cortando e vendendo tudo o que ainda houver para cortar e vender. Já não se fazem seitas suicidas como antigamente. [Read more…]

Câmara de Gaia: Governo chamado a intervir

O caso revelado pelo jornal PÚBLICO sobre a alegada rede de influências em IPSS de Vila Nova de Gaia, ligadas a membros do actual executivo da Câmara Municipal, ameaça tornar-se um assunto com contornos e dimensões bem mais graves do que à partida seria de esperar.

O PÚBLICO avançou inicialmente a informação de que a “Mulher do presidente da Câmara de Gaia viu a sua remuneração aumentada 390% em cinco anos”. Esta notícia foi negada pelo próprio presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, segundo o qual “Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o mês do subsídio de férias”, numa versão dos factos que foi amplamente difundida por diversos meios, através dos quais se acusou também a jornalista do PÚBLICO de mentir e de estar ao serviço de “interesses obscuros”.

O que se verifica agora, através de prova documental dada a conhecer publicamente pelo jornal, é que quem mentiu não foi a jornalista. Ou seja, segundo o PÚBLICO, o presidente da Câmara de Gaia enganou os gaienses e os portugueses, pois a notícia avançada inicialmente pelo jornal corresponde à inteira verdade dos factos.

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Menezes, o retirado

O senhor Doutor levou uma paulada monumental no Porto e, confesso, pensei que seria para todo o sempre. Pelos vistos não foi, embora, me palpite que o sr. Retirado não conhece a Lei, mas, numa lógica de serviço público aqui fica:

“No caso de renúncia ao mandato, (…), não podem candidatar-se nas eleições imediatas nem nas que se realizem no quadriénio imediatamente subsequente à renúncia.” (Lei nº 46/2005, de 29 de agosto)

Ora, o senhor poder escrever que não se vai candidatar a Gaia. Mas, a única verdade realmente verdadinha é esta: Vila Nova de Gaia 2017 é um jogo que a Lei não lhe permite jogar. PONTO!menezes

Prestado este serviço público, poderia trazer aqui os episódios patrocinados pelo Sr. Retirado que lesaram os interesses dos Gaienses e delapidaram as contas deste lado do rio. Não me surpreendeu a banhada (sim, é mesmo para reforçar a repetição) que levou do outro lado do mesmo RIO (as maiúsculas aqui são uma piada) porque sabemos o que custaram, do lado de cá as condenações em tribunal.

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Das opções editoriais…

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Nos últimos dias foi notícia e fonte de vasta polémica nas redes sociais (como costume) a saída de Alberto Gonçalves do Diário de Notícias e de José Vítor Malheiros do Público. No segundo caso deixo a análise para outro aventador que quer escrever sobre o tema. Fico-me pelo Alberto Gonçalves.

Sou um leitor atento das crónicas do Alberto Gonçalves na Sábado. Normalmente é a primeira coisa que faço quando compro a revista. No caso do DN faço-o na net, em especial através da página de facebook do autor já que há muito deixei de ser cliente do Diário de Notícias. Um breve nota: fui durante anos leitor diário do DN, hábito adquirido na universidade e recordo, mais tarde, que num dos principais quiosques da Maia me comentou a proprietária que só tinha dois clientes do jornal, eu e um advogado. Passado uns tempos o DN entrou numa rota descendente, por motivos já uma vez explicados no Aventar e também eu me passei para a concorrência.

Voltando ao tema, nem sempre concordo com os escritos do Alberto Gonçalves. Porém, a qualidade da escrita e a sua manifesta frontalidade sempre me fascinaram. Além disso, na imprensa escrita, não existe mais ninguém dito de “direita” a escrever assim, sem medo das palavras, sem pinga de politicamente correcto. Sempre me espantou como era possível este Diário de Notícias o permitir. Daí não ter ficado admirado quando li na sua página no facebook que por decisão da direcção do DN, tinha terminado a sua colaboração com este jornal. Estava mesmo a ver que isto ía acontecer.

Por questões de falta de independência da actual direcção? Por pressões do actual poder político? Não e não. Não existe esse luxo chamado “independência” como estamos todos fartinhos de saber mesmo antes desta notícia que descreve as escutas do caso Marquês. Nem tão pouco o poder político se vai incomodar com os escritos de um só comentador. É verdade que o Alberto Gonçalves atira a matar ao actual Governo e ao actual Presidente da República mas é o único e por isso não chega a incomodar e até poderia servir para dar como exemplo da “pluralidade”. O problema é outro. Os escritos de Alberto Gonçalves irritam fortemente uma certa clique que vive (sempre viveu) à volta dos media lisboetas, que deles se alimenta e a eles alimenta. Das viúvas de Sócrates (que vieram festejar rapidamente para o twitter e facebook) passando por alguns senhores dos salões do poder e dos media da capital. Eram esses os principais incomodados com os escritos de Alberto Gonçalves. E se na Sábado lhes era impossível chegar, já no DN a coisa muda de figura. No fundo até tenho pena do Paulo Baldaia, o que deve ter aturado, imagino as fúrias das meninas e dos meninos. Deus nos livre de tal sofrimento.

O que mais os incomoda nos escritos do Alberto Gonçalves é o facto de saberem que ele toca onde dói mais. Pior, que entrar em polémica com ele é arriscarem a passar por enxovalho. Ainda por cima, enxovalho intelectual. Sim, é que o Alberto Gonçalves, coisa muito típica e genuína aqui em cima, é daqueles que não tem papas na língua. Não manda dizer, diz mesmo. Além disso, não frequenta os salões nem os bares e restaurantes da moda de Lisboa. Para eles é uma espécie de labrego do Norte letrado e indomável. Ou seja, um verdadeiro problema que tinha de ser rapidamente resolvido. Obviamente que quando o dinheiro é dos outros (ou fácil) a coisa é simples.

O problema é que o DN continua a definhar em termos de audiências. No tal quiosque que vos falei já nem um só comprador. Segundo dados recentemente tornados públicos as vendas rondam os 10 mil exemplares. Mesmo assim continua cantando e rindo ao sabor das conveniências de uma clique que apenas se alimenta de uma imagem histórica hoje perfeitamente deslocada da realidade. É por estas e outras do género que o DN está como está. Quanto ao Alberto Gonçalves, cheira-me que é para o lado que dorme melhor. Ao contrário das viúvas de Sócrates, não precisa do DN para viver, ou no caso delas, sobreviver.

Não saber o que dizer misturado com ânsia de protagonismo dá nisto

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Assim se prova o assalto do CDS aos laranjinhas. Então não havia ninguém com uma camisinha azul e amarela?

Com que então o Costa anda a manipular o preço do Brent. Onde é que já se viu isto, ó xôra Cristas?! Olhe que fez muito bem em meter faladura.

Marco António Costa avisa: vem aí batota!

O Dr. Marco António Costa exprimiu ontem, na comunicação social, a sua preocupação com a “batota pré-eleitoral” que o governo do Partido Socialista estaria a preparar.
Diz o vice-presidente do PSD que “vai ser o vale tudo”, dando como exemplo o que classifica como um “favorecimento vergonhoso de autarquias socialistas”, numa alusão ao despacho do Secretário de Estado das Autarquias Locais que permite a dez câmaras municipais, nove do PS, financiar obras num valor que se aproxima dos 2,5 milhões de euros.

Marco António Costa avisa que nos devemos preparar “para a famosa parcialidade dos governos de esquerda. Para esta esquerda vale tudo…”
“Preparemo-nos para a batota pré-eleitoral”, avisa Marco António Costa.

Despacho do Presidente da Comissão de Avaliação dos avisos do Dr. Marco António Costa:

  • Medalhe-se.

 

Maria Luís e o Novo Banco: “Digo o que sempre disse: contribuintes não serão chamados a cobrir prejuízo” (*)

Há merdas que chateiam. E depois há isto: Novo Banco: supervisor escolhe Lone Star mas avisa para impacto nas contas públicas.

ahah disse-vos que não iam pagar o Novo Banco e acreditaram LOL

Se é para isto que o Sérgio Monteiro está no BdP a ganhar 25 mil euros/mês, vou ali e já venho.

(*) Título de um artigo no Expresso
Nota: Antecipando o argumento “ah e tal, nós fizemos bem, o Costa é que não soube vender”, fica já aqui a pergunta: então o BPN, não o souberam vender, foi?

Factos são factos, mas aquilo não são factos.

Não são factos, são mentiras.

A propaganda:


 
A realidade, segundo o Banco de Portugal:
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Fonte: Banco de Portugal, via Jornal Económico

Os factos dizem que a dívida pública nunca parou de aumentar, inclusivamente com o anterior governo social laranjinha e azul betinho. E não há óculos que transformem água em vinho.