O terror em Moçambique e a urgência de combater as máfias jihadistas

Foto: Marco Longari/AFP

Há vários meses que os moçambicanos vivem um autêntico filme de terror, com a província de Cabo Delgado refém de milícias financiadas por fundamentalistas islâmicos, presume-se que pelo próprio Daesh. Centenas de mortos, milhares de deslocados, aldeias arrasadas e uma situação de medo e insegurança permanente, que conheceu há dias um dos seus episódios mais horripilantes e sangrentos, com a decapitação e desmembramento de 50 pessoas.

Apesar dos laços estreitos que nos unem a Moçambique, do passado colonial à CPLP, pouco ou nada temos ouvido a este respeito, quer dos responsáveis políticos, no poder e na oposição, quer da comunicação social, que lá vai reportando um ou outro massacre, lá mais para o final do alinhamento do telejornal. Onde está o país que se mobilizou pelos timorenses, na sequência do massacre de Santa Cruz? Alguém o viu por aí? [Read more…]

Testes Covid

Sandra Capela*

Press Play

A Terceira Vaga

Sandra Capela*

Pandemia de Covid 19? Ou será outra coisa?

Sandra Capela*

Entrevista ao Dr. Fernando Nobre por Rui Unas:
“O mundo está a ser flagelado, mas não é pelo vírus”.

 

Colaboracionismo

Sandra Capela*

“La palabra colaboracionismo deriva del francés collaborationniste, término atribuido a todo aquello que tiende a auxiliar o cooperar con el enemigo. Entendida como forma de traición, se refiere a la cooperación del gobierno y de los ciudadanos de un país con las fuerzas de ocupación enemiga. La actitud opuesta al colaboracionismo –la lucha contra el invasor– es representada históricamente por los movimiento de resistencia.
Los “colaboracionistas'” suelen serlo por diferentes motivos: por afinidad ideológica, por simpatía por el enemigo, o por coincidencia en los objetivos, aunque también pueden serlo por coacción o incluso por miedo. En otros casos, los colaboracionistas esperan obtener ganancias, enriquecimiento o favores del enemigo.”

Link: https://es.wikipedia.org/wiki/Colaboracionismo

A ilimitada capacidade de digestão de contradições da UE

  • O actual nível de consumo de carne não só não é saudável, como é reconhecida e manifestamente insustentável. “Sempre que optamos por comer carne, dilapidamos – mesmo que involuntariamente – uma enorme quantidade de extensão de território. O planeta não consegue suportar milhares de milhões de grandes comedores de carne. Não há território para isso. Se todos tivéssemos uma alimentação baseada em plantas, precisaríamos de metade do espaço que ocupamos hoje”.
  •  Razões pelas quais, a UE vem ultimamente definindo políticas que apontam no sentido de uma alimentação menos baseada na carne. Como, por exemplo, consta na sua Estratégia do Prado ao Prato: A transição para uma dieta mais baseada nos produtos vegetais, com menos carne vermelha e menos carne transformada e com mais frutas e produtos hortícolas, reduzirá não só os riscos de doenças potencialmente fatais, mas também o impacto ambiental do sistema alimentar“.
  • Porque essa indubitável necessidade de reduzir o consumo de carne está já a reflectir-se numa mudança de comportamento das pessoas nesse sentido, a tendência é, de facto, haver um menor consumo e excedentes de produção.
  • Invocando essa tendência, os lobbies da produção de suínos portugueses, espanhóis e franceses lembraram-se de lançar uma campanha com o modernaço título “Let´s talk about pork”, com a finalidade de convencer os jovens a comer mais carne de porco.
  • Para financiar essa bela ideia, bateram à porta da UE, ou seja, à nossa.
  • A qual, com a sua legendária capacidade de digerir as mais paradoxais contradições, aceitou a peregrina ideia, com um presente pago por nós. Acreditem ou não, “É um investimento de 7,5 milhões de euros para fomentar o consumo de carne de porco. A Comissão Europeia aceitou a proposta dos três países que se candidataram com o projecto Let’​s Talk About EU Pork, Portugal, Espanha e França, e financiou a campanha destinada a desmistificar mitos relacionados com a produção de carne suína. Para Portugal, destinam-se 1,4 milhões de euros geridos por dois grupos: Aligrupo – Agrupamento de Produtores de Suínos e Agrupalto – Agrupamento de Produtores Agro-pecuários.
  • Na mesma linha, a UE está desejosa de assinar o tal acordo de livre comércio com o Mercosul, para importar toneladas de carne bovina, para… comermos mais carne barata. O que não a impede de anunciar na Estratégia do Prado ao Prato: “Por exemplo, é necessário evitar campanhas de promoção que publicitam a carne a preços muito baixos.”
  • E por fim, nem falemos da nova PAC (Política Agrícola Comum), que não tarda nada, vai ser aprovada para ignorar, até 2027, a dita estratégia do Prado ao Prato e o «Pacto Ecológico Europeu», continuando, massivamente, a promover monoculturas, pesticidas, ataque à biodiversidade, etc., por via dos seus bem dotados subsídios por hectare.
  • Resta-nos acreditar que, quando a UE for grande, há-de conseguir tornar-se um bocadinho mais coerente. Enquanto isso, a cabeça puxa para um lado e a barriga, empurrada pelos lobbies, para outro. Nós, e o Planeta, que nos lixemos.

A democracia ganhou, mas não se livrou do trumpismo

Quando penso naquilo que me move, politicamente falando, a resposta é tão simples quanto a genial Sophia a colocou: movem-me os dias iniciais inteiros e limpos. Dias que fazem renascer a esperança na construção de um mundo e de um futuro um bocadinho melhor. Dias como estes. Dias em que abrimos a janela e sentimos aquela brisa boa da democracia a bater-nos nas trombas, entretanto transformadas em caras felizes, aliviadas pelo ponto final que os Estados Unidos da América decidiram colocaram na era sombria do neofascismo trumpista. Já temos problemas que cheguem no Ocidente, não precisamos de mais quatro anos desse idoso trafulha, com idade mental insuficiente para frequentar um jardim de infância.
A queda de Donald Trump é um balão de oxigénio para o mundo democrático, e isso explica, a meu ver, a forma como, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda e de direita, liberais e conservadores, festejaram a eleição de um candidato de centro-direita, que a narrativa mais fundamentalista acusava de ser um socialista, termo que, nos EUA, ainda significa, para milhões de pessoas, União Soviética (uma espécie de Venezuela, versão old school). Houve mesmo quem afirmasse que Biden tinha um programa comunista, só para termos a noção do patamar de absurdo em que nos situamos. A risota que não terá sido em Wall Street.

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Em português

Exactamente.

Informação versus Democracia

Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.

Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.

A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.

É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.

Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.

O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.

Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.

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Actos de Trump ultrapassaram fatos do Acordo Ortográfico de 1990

Forcing the factors to be orthogonal often allows extraction of factors that represent only a small number of variables, with each variable loading highly onto one factor or a small number of factors (Abdi & Williams, 2010).
— Ainsworth et al. (2019)

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Efectivamente, neste preciso momento, “this claim about election fraud is disputed” tem mais ocorrências do que “o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura“.

No entanto, até 3 de Novembro de 2020, de facto, ainda não era assim (cf. pdf, p. 7).

Continuação de uma óptima semana.

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Fascismo Cultural

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem valores e princípios sobre a qual foi construída, e deve defendê-los com todos os recursos à sua disposição. Não poderia ser de outra maneira.

A sua natureza plural, contudo, encerra um perigo, que é o de permitir que os seus inimigos, aqueles que a querem destruir, possam ter uma palavra a dizer na sua condução. Alguns deles estão, estiveram e têm perspectivas de chegar ao poder, mas o seu líder acaba de cair. E o espectáculo não está a ser bonito de se ver.

Com Trump em modo meltdown conspiracy, os Proud Boys standing back and by, focos de contestação organizada à porta de estações de contagem de votos nos Estados que ainda continuam por fechar, o Bin Laden da extrema-direita internacional mostrou ao que vinha e acabou banido do Twitter. No seu canal, Steve Bannon, estratega da vitória de Trump em 2016, deixou um recado ao ainda presidente: despedir Fauci e Christopher Wray, director do FBI, mas só porque o “presidente é bondoso”. Se fosse ele, a coisa piava de outra forma:

Eu gostava de voltar atrás e estar nos bons velhos tempos da Inglaterra durante a dinastia Tudor e pôr a cabeça deles em estacas” e colocá-las de “cada lado da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem limites, linhas vermelhas, e uma delas é não tolerar métodos medievais de terror. Mas é essa, a alternativa que a extrema-direita tem para oferecer. Chamemos-lhes fascismo cultural. E os democratas a procrastinar, armados em Chamberlains, fiados na virgem e no wishful thinking.

Biden não será a alternativa óptima, mas é o analgésico possível para uma América em carne viva. A democracia está estilhaçada, mas sobreviverá para viver mais um dia. Caberá aos democratas decidir se estão verdadeiramente dispostos a lutar por ela, contra a pandemia do nacional-trumpismo.

Tremendous*

O merdas que se dá ao luxo de não respeitar as regras da democracia acabou de dizer no país dele, em comunicado, que diversos estados são conhecidos por serem corruptos e que lhe estão a roubar a eleição. Até os acólitos da Fox News dizem que não sabem onde é que ele se baseia para falar em fraude eleitoral.

*o único adjectivo que o coiso conhece

As eleições americanas

Manuel Carvalho resume de forma certeira o que se passa na América.

Não é a velha clivagem saudável entre esquerda e direita, entre progressismo e conservadorismo que está em causa: é a oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Se a democracia hesita nesta escolha, é porque se tornou uma banal formalidade.

E a causa:

Na procura de uma resposta para a doença da democracia, o efeito Trump pode então ter uma utilidade – a de demonstrar que não há democracia na desigualdade extrema. Quando as classes trabalhadoras dos subúrbios empobrecem, quando 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional, a tolerância acaba, a revolta cresce e a democracia degrada-se.

Atente-se bem no fosso. 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional. Esta disparidade, não sendo novidade, aprofundou-se nos últimos anos.

Piorando o cenário, as pessoas vivem fechadas em bolhas comunicacionais criadas pelas redes de televisão (Fox News e CNN são as proeminentes de cada um dos lados) e pelas redes sociais (sobretudo Facebook, Youtube e WhatsApp). Com o objectivo de manter os seus “clientes” mais tempo a eles ligados, para lhes vender mais publicidade, estes jardins murados apenas lhes mostram aquilo que eles “gostam”, fechando-os na sua opinião pré-concebida, alheios a outros pontos de vista, incluindo o próprio contraditório. Haveremos de voltar a este tema.

A América não votou em Biden. Melhor, alguns votaram em Biden – apesar de Biden, outros em Trump e os restantes votaram contra Trump.

Entretanto, na América em ebulição

Quase 24 horas depois do fecho das últimas urnas nos EUA, ainda não sabemos quem será o próximo presidente da nação que dita as regras do jogo internacional. E é possível que ainda não fique tudo fechado hoje, para não falar na mais que provável tentativa de impugnação que se seguirá, caso Biden leve a melhor, e que Donald Trump vem ensaiando desde o segundo debate.

Biden leva uma vantagem confortável, que, à hora que escrevo, é de 39 grandes eleitores. Está a 17 do número mágico dos 270 e é já o candidato presidencial mais votado de sempre em presidenciais nos EUA, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 70 milhões de votos. Para ser mais preciso, Joe Biden leva neste momento 71,5 milhões de votos, contra os 68 milhões de Donald Trump. O candidato mais votado de sempre era Obama, com 69,5 milhões. Em 2016, Trump ganhou com quase 63 milhões contra Hilary, que conseguiu quase 66. Só para colocarmos as coisas em perspectiva. [Read more…]

GOP elege congressista QAnon

Sim, leram bem: os republicanos meteram uma chalupa no Congresso que acredita que Trump está em guerra com um lobby pedófilo que quer dominar o mundo. RIP, GOP.

América, hoje (2): A eleição de 2020

A América vai a votos amanhã. Concretamente, o que vão os eleitores votar?

Imagem: Washington Post, em Agosto de 2019 (22,247 em Agosto de 2020)

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The Handmaid’s Trump

Em 2016, a 10 meses do final do seu mandato, a maioria republicana no Senado impediu Barack Obama de substituir o falecido juiz Antonin, do Supremo Tribunal. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, justificava a decisão com o argumento de que os eleitores teriam uma palavra a dizer, pelo que a substituição do juiz do Supremo só deveria ocorrer após o acto eleitoral marcado para o final desse ano.

Quatro anos volvidos, Donald Trump nomeou Amy Coney Barrett, na sequência do falecimento da icónica Ruth Bader Ginsberg, a menos de um mês das presidenciais. O ainda líder dos republicanos, Mitch McConnell, bem como a bancada republicana no Senado estado-unidense, nada tiveram a opor. Os eleitores, esses, nada puderam ou tiveram a dizer.

Desta forma, cumpriu-se a vontade de Donald Trump, que nomeu o seu terceiro magistrado vitalício na mais alta instância jurídica dos EUA, ampliando a maioria republicana no Supremo. Uma maioria com a qual o presidente conta para invalidar uma possível vitória de Joe Biden na secretaria, plano em marcha há várias semanas, assente na narrativa da fraude eleitoral.

O cerco está montado. Mesmo que Biden vença as eleições, o Supremo Tribunal dos EUA será uma força de bloqueio à governação do novo presidente. E com três juízes nomeados por Trump, a última das quais uma ultraconservadora membro da People of Praise, uma organização fundamentalista católica que advoga, por exemplo, que as mulheres se devem submeter à vontade dos seus maridos, o cenário não é nada animador. Após vários episódios verídicos de Black Mirror, a realidade parece apostada em reproduzir The Handmaid’s Tale.

Os nossos hipócritas e cobardes governos

Para quem ainda tinha dúvidas, este esclarecedor artigo no Público providencia uma amostra da subserviência dos governos europeus perante as multinacionais e do desprezo com que os mesmos governos presenteiam os cidadãos.

Em causa está “O estranho e secreto veto à lei contra a evasão fiscal pelas multinacionais”, lei essa que deverá “tornar mais transparente a evasão fiscal por parte das empresas transnacionais. Essas empresas (como a Google, o Facebook, a Amazon ou a Apple, entre outras) registam os seus lucros em países, como a Irlanda, onde as taxas de imposto são particularmente baixas, apesar de gerarem a maior parte do volume de negócios noutros países. (…) “A Comissão Europeia estima que isto custe aos cofres públicos dos países da UE até 70 mil milhões de euros por ano, ou seja, quase metade do orçamento anual da UE.[Read more…]

América, hoje (1): A interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016

O que é que se passou com os russos e a interferência nas eleições norte-americanas de 2016?

Ao longo da eleição [de 2016], um grupo alargado de russos testou as base de dados de eleitores do Estado [norte-americano] em busca de inseguranças; infiltrou-se [hacked] na Campanha de Hillary Clinton, na Comissão de Campanha Democrata ao Congresso e na Comissão Nacional Democrata; tentou infiltrar-se na campanha do senador [republicano] Marco Rubio e na Comissão Nacional Republicana; divulgou informações politicamente prejudiciais na Internet; espalhou propaganda no Twitter, Facebook, YouTube e Instagram; organizou comícios na Flórida e na Pensilvânia; teve reuniões com membros da campanha Trump e seus associados; e apresentou uma proposta de negócio de um arranha-céu em Moscovo para a Trump Organization. [Revista Time, 18 de Abril de 2019]

Poderão alguns dizer que a Time faz parte dos Fake Media a que Trump recorrentemente se refere quando as notícias não lhe são favoráveis (spoiler alert: para Trump, tudo o que não é notícia a ele favorável, é fake media).

Vejamos então o que disse a comissão de espionagem do senado norte-americano (US SSCI), parte integrante do Congresso norte-americano, o qual é controlado pela maioria republicana de Trump. Dito de outra forma, só ficou escrito o que os republicanos aprovaram. E disso, só ficou por censurar na versão tornada pública o que, novamente, os republicanos aprovaram.

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Neo-nazismo ilegalizado

A democracia alcancou hoje uma grande vitória, com o veredicto da justiça grega que ilegalizou o partido de extrema-direita Aurora Dourada. A partir deste dia histórico, para a Grécia e para todo o mundo democrático, o gangue neonazi grego passou a ser, oficialmente, uma organização criminosa.

Na foto podemos ver o arianíssimo Nikos Michaloliakos, líder do Aurora Dourada e negacionista do Holocausto, condenado por liderar uma organização criminosa responsável por homicídios, espancamentos, perseguições e outras actividades comuns entre a extrema-direita. O julgamento condenou ainda 68 outros arguidos, entre eles 18 ex-deputados do partido. Não admira que esteja com este ar de zangado.

Que a Europa ponha os olhos no berço da democracia e ganhe coragem para, de uma vez por todas, ilegalizar e julgar todos os criminosos que querem fazer do medo e da violência uma arma política. O lugar deles é na prisão.

A besta

Se bem que focando-se nas reacções, até para a Fox News é notícia a última estupidez do #idiotinchef.

Depois de ter estado internado de urgência, onde recebeu tratamentos inovadores inacessíveis ao cidadão comum, Trump anunciou no Twitter que deixaria o Walter Reed Medical Center, escrevendo “não tenham medo de Covid. Não deixem que ele domine a vossa vida”.

Não tomou, obviamente, as tretas que andou a recomendar aos outros. Como perceberá quem queira ver, esses pseudo-tratamentos fizeram parte da sua estratégia de minimizar a pandemia. Afinal de contas, se houvesse um tratamento para a covid, não haveria razões para preocupação.

Agora, com esta declaração, volta a minimizar os perigos deste vírus, meramente por cálculo eleitoral. Vamos ver se o seu instinto é assim tão apurado. De acordo com o Politico, uma sondagem da ABC News/Ipsos divulgada na sexta-feira revelou que um recorde de 67% dos entrevistados desaprovam “a maneira como Donald Trump está a lidar com a resposta ao coronavírus”, enquanto que apenas 33% aprovam.

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Trump e a covid

Então o Trump não estava a tomar hidroxicloroquina como medida preventiva?

(…) Trump, que primeiro apontou a droga como uma cura de coronavírus em Março, disse acreditar que funcionou “nos estágios iniciais”. [Euronews]

E agora, vai curar-se com o remédio que andou a anunciar? Ou será que se vai injectar com lixívia? Ou talvez com feixes de ultravioleta?

O mentiroso das pernas curtas caiu na sua própria demagogia. Sorte a dele que, ao contrário dos que morreram sem acesso a cuidados de saúde, tem um batalhão de médicos e abundantes meios para zelar por ele.

Trump diz que ainda acha que hidroxicloroquina funciona no tratamento do coronavírus em estágio inicial (CNBC, JUL 28 2020)

Trump foi questionado por um repórter sobre um vídeo que ele partilhou no Twitter, que se tornou viral nas plataformas de social media, onde se afirmava que a hidroxicloroquina é “a cura para Covid” e que “não se precisa de uma máscara” para retardar a propagação do coronavírus.

“Acontece que eu acredito nisso. Eu aceitaria. Como sabe, eu tomei-a durante um período de 14 dias. E como sabe, estou aqui. Acho que funciona nos estágios iniciais”, disse.

Trump & Melania

Tonight, @FLOTUS and I tested positive for COVID-19.
Donald Trump

Nathan Muir: Correct. Dinner Out is a go.
Dr. William Byars: “Dinner out is a go”? Hell of a way to speak to your wife.
Vincent Vy Ngo: Why do you think they keep dumping him?
Spy Game

***

Hoje de manhã, ao ligar o computador, recebi esta notícia do The Guardian.

Fui tomar um café duplo e ouvir um bocadinho de Liszt.

No regresso ao computador, verifiquei que alguém do The Guardian repetira a notícia, mas com aspecto ligeiramente distinto.

Descubra as diferenças.

Mudando de assunto:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***


Como conduzir um país à guerra civil

  • Declarar que a eleição vai ser fraudulenta, sem que existam evidências disso e quando o próprio director do FBI, nomeado por Trump, afirma, sob juramento, que não encontra nenhuma evidência de fraude (Forbes, NYT, CNN). Mentir, por tanto.
  • Afirmar que já estão a existir fraudes na eleição, quando tal é falso. Mentir, por tanto.
  • Não se demarcar de grupos de extrema-direita, como os Proud Boys, dizendo-lhes para se manterem em alerta (DN). E depois dizer que não os sabiam o que são ou, até, mandar dizer que os condenou (Fox News, onde mais?)
  • Recusar-se a dizer que aceitaria uma derrota, baseando-se em mentiras para se justificar (BBC).

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Debate Trump-Biden: antevisão

Os dois candidatos à presidência norte-americana vão hoje defrontar-se num primeiro debate tele-visionado. Quem estiver com falta de ficção pode acompanhar em diversos locais, entre os quais a CNN.

O debate vai-se resumir a isto:

  • Biden: Obama, Obama e Obama.
  • Trump: Mentir sobre o vírus corona. Mentir sobre o voto por correspondência. Mentir sobre as suas declarações fiscais. Mentir sem pudor.

Adenda: o debate inicia-se às 2:00 da manhã de 30/09/2020, hora de Portugal Continental

Porque se despreza Cabo Delgado

A esquerda é hipócrita. A esquerda é trafulha. A esquerda é interesseira. Mas acima de tudo a esquerda é criminosa porque continua a ser responsável pelo desinteresse da sociedade pelas imensas e colossais barbáries que ainda ocorrem por esse mundo.

Acham um exagero? Pois eu não tenho qualquer dúvida que a agenda noticiosa mundial é muito, mas mesmo muito marcada pelos interesses da esquerda. Então em Portugal, essa minha opinião torna-se uma constatação. A esquerda, ao contrário de outros sectores mais democráticos, não tem qualquer pejo em utilizar estratégias menos éticas para ganhar influência. São, ainda, reminiscências soviéticas. Por exemplo, em Portugal, a esquerda, nomeadamente o PCP e o BE, planeiam desde há muito, sem qualquer vergonha, a infiltração das profissões e das instituições que possam conceder influência na informação e na formação das massas. Desde logo, na comunicação social e na educação.

Porque razão não há jornal ou telejornal em que os anormais do Trump e do Bolsonaro não apareçam, mas passam-se dias (meses) sem se ouvir falar de Maduro, de Kim Jong-un, de Xi Jinping, de Aleksandr Lukashenko, de Putin, etc. Não pode ser pela qualidade e nível de vida nos respectivos Países. Não pode ser pela democraticidade. Não pode ser pelo respeito aos mais elementares direitos humanos. É que é evidente que os mais referidos, gozados e atacados (com razão, diga-se de passagem) ainda conseguem proporcionar isso às suas populações. Quanto aos outros, estamos conversados.

E nesta agenda noticiosa dominada pela esquerda, a miséria, a fome, os assassinios, o despotismo que aqueles Povos sofrem diária e constantemente é pura e simplesmente desprezado. Se isto não é ser criminoso, melhor, se este desinteresse deliberado não corresponde a um crime hediondo contra a humanidade, então o que corresponderá?

Muito mais evidente e chocante, por exemplo é a diferença de tratamento pela comunicação social do que está, há muito, a acontecer em Cabo Delgado e o que aconteceu nos EUA. Aqui um cidadão foi, repulsivamente, morto pelo exagero de um agente de autoridade. A partir daí, os jornalistas auxiliados pela ocorrência de mais 2 ou 3 situações similares, noticiaram non-stop o que aconteceu repetindo vezes e vezes sem conta o vídeo do homicídio, as manifestações que se lhe seguiram, etc. Porquê? Porque através do usual embuste de transformar as excepções em regras, conseguiam extrair a “prova” da preponderância do fascismo (através do abuso de autoridade) e do racismo (um agente branco que matou um negro, esquecendo que os restantes 3 agentes eram de diferentes etnias).

Para perceberem melhor o que pretendo dizer, deixem-me contar algo que pude ler ontem no Twitter onde, num post, uma mulher se insurgia contra o facto de um homem ter “apalpado” (o termo não é meu) uma estranha no meio da rua numa cidade deste País. Além de desejar a morte ao “apalpador”, dava como óbvio e comprovado o iminente e avassalador perigo do machismo. Ilustrava tudo isto com um recorte de um jornal local que dava essa notícia. Provavelmente sou só eu e por isso devo estar errado (o tanas), mas se uma ocorrência como essa consegue ganhar a dignidade de aparecer como notícia de jornal, acho que somos capazes de já estar num bom patamar geral de respeito pelas Mulheres.

Mas voltando ao que, realmente, interessa até porque estamos perante uma emergência humanitária, porque é que o terror de Cabo Delgado é olimpicamente ignorado? Porque é que o homicídio reiterado, cruel, revoltante e simplesmente inadmissível de parte da população de Cabo Delgado é mascarado pelo silêncio?

Porque noticiar isso nada de positivo (pelo contrário, provavelmente) traz para a esquerda que é quem, efectivamente, marca a agenda. Dali não se pode, nem à custa de silogismos trafulhas, inferir fascismos, racismos ou outros “ismos” quaisquer que possam prolongar a ilusão que a esquerda ainda pode ter alguma razão.

Efectivamente, um cê dá muito jeito e faz imensa falta

–Looka there… They don’t care…
Frank Zappa

Me and Tim Ford stole a car once in San Bernardino. One of those early Austin Healeys with red leather tuck and roll and wire wheels.
Sam Shepard

L’arc aboli de tristesse élancée
Dans une lutte imperceptible, ultime
Se raffermit conjointement, minime ;
Les dés sont à demi lancés.
Michel Houellebecq

***

Exactamente.

Embora, como sabemos, haja quem não saiba.

Apresentada mais uma excelente recaída do Expresso, resta-me desejar-vos a continuação de uma óptima semana.

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Distantes incêndios aqui tão perto

As razões para congelar o acordo de livre comércio entre a EU e o Mercosul são múltiplas.

Em pouco mais de um minuto, veja aqui algumas delas.

“(…) mas eu não consigo matar este cancro que, em grande medida, são as ONGs”, disse Bolsonaro na transmissão que realiza semanalmente na rede social Facebook.

“14% do território do país são reservas indígenas. Há quem queira aumentar isso para 20%, mas o Brasil não o suporta”, porque entre outros fatores “poria fim ao agronegócio”, que é um dos pilares da economia nacional, afirmou“ .

E você, de que lado está?

O Index e a nova Inquisição

Quem nunca ouviu aquela boa velha linha, que vai mais ou menos assim: “só dás valor às coisas quando já não as tens”? Eu já ouvi, várias vezes, em vários contextos e por vários motivos. A propósito dela, da boa velha linha, há algo que, em certos países, se está a perder. Um algo ao qual talvez não estejamos a dar o devido valor, e que, suspeito, estamos em risco de perder. E não é um algo qualquer. É o jornalismo, um dos pilares que sustenta o edifício das sociedades democráticas. Mais ou menos independente, a morte do jornalismo profissional é uma tragédia para a democracia. E está a acontecer. Aqui e agora, na União Europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

O jornalismo pode morrer de muitas maneiras. A mais comum e eficaz é a morte por autoritarismo. Chame-se o que se lhe quiser chamar: autoritarismo, nacionalismo, democracia iliberal ou totalitarismo. Ou o bolsoliberalismo evangélico, subespécie alternativa e ainda pouco estudada, que destrói o jornalismo ao mesmo tempo que cria páginas no Facebook e no Twitter, com pastores evangélicos que pregam o criacionismo e a teologia da prosperidade, através da qual burlam a ignorância e compram bons helicópteros. Com mais ou menos porrada, mais ou menos exploração, vai tudo dar – literalmente – ao mesmo. [Read more…]

Entretanto, na América

O presidente do Trump First, perdão, America First é o incendiário que depois vem dizer “vejam, não controlam o fogo”. Os quatro anos de Trump resumem-se a isto. É útil para Trump ou não?

Ao longo da sua presidência, Trump sempre procurou dividir. Os aliados, os inimigos e o país. Como se diz, em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Dividir para enfraquecer, para depois reinar.

Há quem o defenda. Será esta a visão destas pessoas para Portugal?