…don’t tread on… them?…

Um jovem matou a tiro quatro colegas, numa escola no Michigan, nos EUA.

Os pais, que estavam a monte desde o acontecimento, foram detidos este Sábado. James e Jennifer Crumbley ofereceram, como presente de natal, a arma com que Ethan Crumbley atingiu mortalmente quatro pessoas na Oxford High School, em Oakland County, tendo deixado feridas outras sete.

Numa notícia de 2019, relatava-se que, nos EUA, o número de tiroteios em massa já é maior do que o número de dias de um ano. Os políticos teimam em não alterar a lei das armas e a maioria dos norte-americanos são, também, contra a proibição do porte de arma. Enquanto a negação avança, pessoas continuam a morrer às mãos da vivência ‘Faroeste’. E, no fim, choram todos em uníssono porque “é uma grande tragédia”. Tragédia é haver um país, que se diz desenvolvido, que acha que progresso é todos poderem aceder livremente a armas.

E no meio de tudo isto, há liberais, libertários e conservadores a defender Kyle Rittenhouse e o acesso facilitado ao porte de armas porque… liberdade ou não sei quê. E isso vem de pessoas que, claramente, não conhecem o conceito de liberdade. Fico, portanto, à espera de textos a pedir a liberdade destes dois pais, a defender a liberdade de estes comprarem e oferecerem armas aos filhos menores e a defender a liberdade do puto poder cravar chumbo em quem bem entender porque… don’t tread on them!? É assim que funciona, acho eu. Pelo menos em países de Terceiro Mundo.

Finalidades do Certificado de Vacinação e dos Testes

Vários governos de vários países instituem, como medida de precaução contra a propagação do vírus, a apresentação do Certificado Digital de Vacinação e ou de um teste PCR negativo com o máximo de 72 horas ou um antigénio com 48 horas.
Alheando-nos do acordo entre os membros da UE de livre circulação com o Certificado Digital, detenhamo-nos sobre o que nos indicam cada um desses documentos. Não dou novidade a ninguém de que o Certificado apenas indica que estamos vacinados de acordo com as normas da OMS, ou seja, com as 2 doses da vacina. Os testes demonstram, sem esquecer a margem de erro anunciado, que não estamos infectados nem somos portadores do vírus SARS-COV-2.

Nesta conformidade, pergunto: qual o propósito de obrigatoriedade de apresentação de um certificado de vacinação a para franquear entrada seja onde for? Contém, porventura, alguma prova de que não sou portador do vírus? Não, de forma alguma! O único documento que pode provar que não sou portador do vírus é o resultado negativo de um teste.
Para quê, [Read more…]

A variante mais perigosa de todas

A marca Covid, reconhecida mundialmente como líder mundial da promoção do medo, é uma mina infinita de volumes monstruosos de dinheiro. Como tal, há que não deixar a vaca parada a pastar; urge ordenhá-la com o vigor que os benefícios exigem. Como tal, já foi anunciado um novo modelo de Covid. As autoridades já revelaram que se irá chamar Omicron® e terá todas as funcionalidades da versão anterior – como tosse, garganta dorida e desaparecimento, com o olfacto, de qualquer tipo de razoabilidade e lógica – mas apresenta também algumas actualizações à versão original, que a tornam particularmente notável. Este anúncio surge com um precioso timing, a tempo da campanha pelos boosters obrigatórios para todo o mexilhão. Apesar de ter surgido em África – alguns rumores sussurravam que teria sido no Botswana – a marca aconselha a que a origem não seja classificada como africana, por transparecer preconceito racial. Alguns críticos da especialidade já se desfizeram em elogios – como é o caso de Alexander De Croo, primeiro-ministro belga e consultor financeiro de profissão – que já classificou este modelo de Covid como “Covid-21”, pela sua incrível capacidade de propagação. Sajid Javid, secretário da Saúde britânico, foi ainda mais longe e adiantou que tudo indica que o Omicron® se trata da variante mais perigosa de todas. Esta consideração pode assemelhar-se a uma pueril tentativa de propagação de pânico, com adjetivação infantil e linguagem de bicho papão. Mas não se faça confusão; é apenas a opinião imparcial de um especialista maravilhado com a qualidade do produto.

Esta nova versão do Covid vem com alguns features de interesse maior. O que mais me saltou à vista foi definitivamente este:

O Omicron® vem com esta irresistível particularidade: oferece toda a gama de efeitos nefastos de qualquer vacina experimental do mercado. O leitor poderá estar a indagar-se a que se deve então a autêntica explosão de problemas cardiorrespiratórios na população, algo bem espelhado nas complicações do foro cardíaco que grassam o mundo do desporto nos últimos meses, fenómeno que está a começar a ficar difícil de varrer para debaixo do tapete, porque a lista vai já em centenas de ocorrências, a maioria resultando em morte, e ainda há um número cada vez maior de “celebridades”, maiores ou menores, a sofrer de problemas que é razoável assumir terem resultado da injecção mandatória.

Pois acontece que os efeitos do Omicron® são tão potentes – não é por acaso que esta é a variante mais perigosa de todas – que pode apresentar efeitos retroactivos. Indivíduos que ainda não padeciam de Omicron® faleceram já de problemas cardíacos decorrentes de futura infecção. O futuro está aqui, meus amigos. Qualquer associação de complicações cardíacas com a vacinação em massa, e não com a nova variante do Botswana, é uma linear negação da Ciência e todos os seus pilares.

Alguns haters da marca começaram já a lançar maliciosos rumores sobre o novo produto. Não passam, naturalmente, de invejosas carpideiras e provocadores negacionistas. Vejam, por exemplo, o que ousou dizer Angelique Coetzee:

Estamos claramente perante críticas encomendadas pela concorrência. A marca roga-vos então para que não acreditem no que pensam ver, não acreditem no que pensam ouvir, não acreditem no que pensam concluir. Acreditem neles, e só neles, que tudo farão para nos levar a porto seguro. Mas não prometem nada. Ou não se tratasse esta da variante mais perigosa de todas.

Peng Shuai, o Partido Comunista Chinês e o Capitalismo entram num bar…

Ao longo dos últimos dias, um pouco por todo o mundo, personalidades de diferentes quadrantes exprimiram a sua revolta. Escreveram-se editoriais, artigos de opinião e milhões de publicações nas várias redes sociais, emocionadas e repletas de indignação. Alguns responsáveis políticos, lideres de organizações internacionais e de instituições de renome juntaram a sua voz ao protesto. E todos, sem excepção, fizeram a mesma pergunta:

  • Onde está Peng Shuai?

Ao que tudo indica, Peng Shuai está onde sempre esteve: na China. E aquilo que lhe aconteceu, após denunciar o “alegado” abuso sexual de que foi vítima, por parte do antigo vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, sendo imediatamente censurada e desaparecendo da vida pública chinesa, é aquilo que se espera de um regime totalitário como o chinês, que monitoriza a sua população como o partido do Grande Irmão monitorizava a Oceania imaginada por Orwell. Chegarmos a esta fase e isto ainda surpreender alguém só torna toda esta situação mais preocupante. Andarão alheados da realidade? Estavam à espera de quê? De um movimento #metoo nas ruas de Pequim?

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Omar Souleyman

Fotografia: Stuart Sevastos

O músico sírio Omar Souleyman foi detido na passada quarta-feira, na Turquia, por acusações de terrorismo.

Suspeito de ligações ao PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que defende a auto-determinação e a liberdade religiosa do povo Curdo, considerado “organização terrorista” pela Turquia, os Estados Unidos da América e a União Europeia, Omar acabou por ser libertado no passado dia 19 de Novembro.

O PKK, partido que se define como socialista, nacionalista curdo e marxista, trava, desde os anos 80, uma luta contra a Turquia pela auto-determinação do povo curdo, minoria étnica e religiosa, historicamente ostracizada pela maioria muçulmana na Turquia e noutros pontos do globo. A maioria dos seus componentes foram sujeitos à pena de morte, aquando do Golpe de Estado na Turquia em 1980, tendo outros conseguido fugir para a Síria, onde se radicalizou e aproveitou o florescer da Primavera Árabe e da Guerra do Iraque para marcar posição. [Read more…]

Kyle Rittenhouse, a prova viva da impunidade da extrema-direita americana

A 24 Agosto de 2020, Kyle Rittenhouse, de 17 anos, fez os 53km que separam Antioch, no Estado do Illinois, de Kenosha, no Estado vizinho do Wisconsin, onde decorreria, no dia seguinte, uma manifestação de protesto contra a violência policial, dias após Jacob Blake ter sido baleado sete vezes por um agente da autoridade, Rusten Sheskey.

Parece-me evidente que Rittenhouse foi à procura de problemas. De outra forma, não teria feito 53km até Kenosha, onde o aguardava a sua AR-15, para – alegadamente – proteger uma propriedade que nem sequer era sua. Uma característica comum entre os militantes da extrema-direita é precisamente essa: a ideia, contrária ao espírito da democracia e do Estado de Direito, de que é legítimo fazer justiça pelas próprias mãos.

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Bailinho

O dia de ontem foi peculiarmente sumarento ao nível da exposição dos verdadeiros intentos da fraudemia.

Por um lado, ficámos a saber que a Madeira adoptou o sistema de castas que já prolifera por alguns países do mundo. Mercados, restaurantes, cabeleireiros e convivência social em geral é luxo inalcançável para quem não se sujeitar ao tratamento médico experimental imposto, nem sequer por médicos note-se, mas por sociopatas engravatados. Obrigarem os madeirenses não-vacinados a deixar crescer o cabelo demonstrou em definitivo que o menosprezo do estado de Direito e o uso da Constituição como papel higiénico não foi circunstancial, mas sim deliberado e permanente. Com esta agravante: a acreditar que a taxa de vacinação na Madeira é semelhante à do resto do país, quantos são os não-vacinados? Meia-dúzia? Considerar que representam um perigo de saúde pública não é não entender de epidemiologia, é declinar qualquer tipo de razoabilidade e honestidade. Direitos inalienáveis, diziam orgulhosas as prostitutas do sistema, proclamando-se amantes da liberdade, de cravo presunçoso na lapela. Que hilariantes montes de merda.

Porém, a melhor notícia de ontem foi a informação de que qualquer injectado com a mistela Janssen terá de tomar uma dose de reforço. Não é “poderá tomar”, que é o spin que foi dado por muita comunicação; foi bastante explícito que “terá” de o fazer. Esse reforço terá necessariamente de ser…de outra marca. Algum obscurantista poderia aqui especular interesses financeiros: para citar um apenas, fico-me pelo vencedor de um Globo de Ouro, o nosso amigo Popeye das vacinas, o herói nacional que diz que quem afirma que estamos a usar cobaias humanas por putrefactos interesses corporativos é um perigoso obscurantista, mas que esta terceira dose é inadmissível, porque é claramente usar cobaias humanas por putrefactos interesses corporativos. Poderíamos até, num assomo de loucura, ousar afirmar que reforços de vacinas completamente distintas não são reforços imunitários, é uma roleta russa que se torna particularmente anedótica se verificarmos que a taxa de mortalidade de infectados abaixo dos 50 anos é virtualmente de 0%.

Ficar-me-ei pelo optimismo: atendendo a que a população que tomou a mistela Janssen é maioritariamente composta por homens abaixo dos 40 anos, parece-me que irritaram o sector populacional errado. Esta não é propriamente a população mais impregnada da narrativa. Muitos destes jovens tomaram a injecção em troca de uma liberdade da qual nunca deveriam ter abdicado e rapidamente se aperceberam de que ela não irá voltar por continuarem a submeter-se aos apetites insaciáveis de uma elite psicopata e de compatriotas autoritários. Sentem-se defraudados e agora também assustados. Além disso, homens abaixo dos 40 são os que melhor sabem andar à porrada, o que será uma skill de grande utilidade quando inevitavelmente vivermos no limiar da guerra civil. A todos os jovens que se recusarão a injetar mais doses, bem-vindos ao grupo dos não-vacinados. Não se julgavam mentirosos conspiracionistas de extrema-direita? Não se preocupem, rapidamente os jornalistas vos vão informar de que são.

Ontem, por causa desta foto

Foto: Especial

lembrei-me disto:

Pertenecemos a un continente cuya lengua materna es más o menos el castellano. Vivimos un tiempo en que tendremos que aprender inglés sí o sí y ustedes deberán ser un país bilingüe sí o sí, porque la fortaleza de las mujeres latinas es admirable y van a llenar este continente de gente que habla castellano y también portugués. Y también portugués.

Heil

Li por aí que poderia até ser bom para dar termo à farsa: quando a comunidade for composta exclusivamente por pessoas que se sujeitaram à injecção experimental e estas continuarem a transmitir a doença e a falecer com a mesma, rapidamente a população se iria aperceber de que a segregação de um segmento da população – se razões precisavam para a rejeitar para lá das humanas, cívicas e morais – é epidemiologicamente injustificada.

Não partilho desse optimismo. Vivemos numa era em que a matemática dos números oficiais é esta: 100% da população portuguesa acima dos 65 anos está vacinada; a esmagadora maioria das mortes está neste sector populacional; mas o problema são os 0% que não estão vacinados. Vivemos uma era prodigiosa na arte do engodo massivo, em que tentam convencer simultaneamente os não-vacinados de que têm de se injetar, sob pena de perderem tudo o que têm na vida, porque a extrema eficácia da mistela é imprescindível no combate à doença; e os vacinados de que têm de tomar mais doses, porque as que tomaram não tiveram grande eficácia. Isto enquanto o Parlamento Europeu se prepara para conceder indeminizações às inúmeras cobaias que tiveram o azar de, eivados de medo ou em busca da liberdade que lhes foi ilegitimamente roubada, sofrerem os efeitos físicos severos de uma terapia sem segurança.

Há uns tempos, eu previ que mais cedo ou mais tarde iriamos estar a falar de certificados segregadores sem sequer referir a doença que os originou. Isso deixou de ser um cenário hipotético. Na Áustria, um teste negativo – o suposto comprovativo de que o indivíduo não carrega a vírus, pelo menos é esse o motivo pelo qual me obrigam a recorrer à zaragatoa – não permite a livre circulação. Só mesmo a sujeição ao tratamento experimental leva a que nos seja concedida a carta de alforria, mesmo sendo um axioma da narrativa de que vacinados transmitem e apanham o vírus. Este axioma – necessário para a perpetuação do sistema vigente, mas que acarreta explícitas contradições – é frequentemente acomodado com um subjectivo “mas muito menos!”, sem que se vislumbre a menor sustentação factual para tal adenda.

Às massas hipnotizadas – tão lestas a pregar empatia comunitária aos negacionistas – são irrelevantes os factos, é perigosa a divergência e é indiferente o sofrimento humano, se este se limitar às minorias dissidentes. Primeiro vieram buscar os comunistas e eu não disse nada, pois não era comunista….vocês conhecem o poema.  Pobres incautos: voluntariamente escravizados, julgam ser verosímil viajar de obediência em obediência até à liberdade final.

“Até lá não me doa a mim a cabeça”

É trágico que perante resultados claramente insuficientes da COP26, ministros do Ambiente sejam os primeiros a dizer que enfim, está tudo nos conformes…easy going.

Já cá não estarão, quando for tarde demais…

COP 26

Confesso que percebo muito pouco de questões climáticas. Suspeito que não sou o único. Pior, desconfio que muita gente que fala do “alto da burra” sobre o tema percebe tanto ou menos. Muito pior ainda, estou profundamente convicto que grande parte das “sentenças” tão absolutas, tão “sapientes” e tão desdenhosas, são muito mais determinadas por agendas pessoais e políticas que, propriamente, pela preocupação com o futuro do planeta.

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Anda um espectro pela Europa, o seu nome é Vladimir Putin, e é bom que os poderes da velha Europa se aliem para lhe fazer frente

A ameaça a Leste nunca deixou de o ser, apesar do alegado desanuviamento da era Yeltsin. Vladimir Putin, uma espécie de Estaline 2.0, tem hoje um poder desmesurado, reforçado por quatro anos de enfraquecimento do hard power ocidental, uma das muitas consequências do consulado do idiota-útil Trump, e representa, agora mais do que nunca, pelo menos desde a desintegração da União Soviética, uma ameaça permanente para as democracias liberais da Europa. Vale a pena ler a peça da jornalista Ana França, no Expresso, que sintetiza bem aquilo que se está a passar.

Comecemos pela Ucrânia: em 2014, Putin invadiu e anexou a Crimeia. Num ápice e sem que a comunidade internacional movesse mais do que os lábios e os dedos para declarações contidas, cobardes e circunstanciais. Desde então, tem apoiado os separatistas russos na região de Dombass, parcialmente controlada pelas milícias apoiadas pelo Kremlin, onde o risco de novo Anschluss é real. Desde então, mais de 14 mil pessoas perderam a vida no conflito.

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Lock ‘em up!

Jacob Chansley, o chalupa pró-Trump que ficou conhecido por profanar o look old-school do Jay Kay dos Jamiroquai, versão neofascista-conspiracionista, enfrenta uma pena de 51 meses de prisão, que resulta da sua participação na tentativa de golpe de Estado orquestrada por Trump e restante cúpula da extrema-direita norte-americana.

A defesa alega agora que o “xamã QAnon” tem problemas psicológicos, está arrependido e pede a “compaixão do tribunal”. Problemas psicológicos terá, seguramente, ou não faria parte da seita QAnon. O look ainda vá que não vá, que o que não falta nos EUA são tolinhos com looks saídos de um filme do Tim Burton. Já participar numa tentativa de golpe de Estado, ameaçar representantes eleitos (incluindo Mike Pence, então n°2 de Trump) e incentivar a violência é outro campeonato, cujos praticantes, também conhecidos como delinquentes, devem ser encarcerados. Que assim seja. Para ele e para os restantes 660 delinquentes pró-Trump que participaram naquele reality show autocrático do fascista americano.

 

P.S. Por altura da invasão do Capitólio, o cadastrado neo-nazi detido esta semana usou o Twitter para ameaçar o país com a iminência de algo similar em Portugal. Ontem, após ser libertado, Mário Machado concluiu a sua declaração aos jornalistas com a saudação nazi e um “viva a vitória”, versão portuguesa de “seig heil”. É deixá-los andar e continuar a bater na tecla das falsas equivalências. Tem tudo para correr bem.

UE aperta a trela do capitalismo hardcore

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma importante medida, que se espera promotora de transparência, e que tratará para a luz do dia informação objectiva sobre os lucros que as multinacionais – comunitárias e extra-comunitárias a actuar no interior da União – obtêm em cada Estado-membro, bem como os impostos que aí pagam.

O universo de empresas abrangido engloba todas as multinacionais que gerem facturação superior a 750 milhões de euros, e o âmbito da lei irá para lá do espaço europeu, incidindo também sobre negócios realizados por essas empresas nas jurisdições offshore listadas nas listas negra e cinzenta ds UE, algo que sendo ainda limitado, é um salto significativo em relação àquilo que existe actualmente.

Vai ser interessante, perceber quanto “mamam” os grandes players que usam as nossas estradas, os nossos portos e aeroportos, as nossa redes de comunicação, as nossas universidades, os nossos benefícios fiscais, fundos europeus e apoios dos vários Estados, para, não raras vezes, pagar e tratar miseravelmente os seus funcionários. Nada como ver a big picture para perceber o quão fundamental é manter a trela curta dos pitbulls do capitalismo hardcore.

Delírios neofascistas e a direita dita moderada que a normaliza

Assunção Cristas tinha dúvidas entre ele e Haddad. Preferia não votar. Paulo Portas não via nele nada de reprovável. Maria Luís Albuquerque foi apresentar um livro dedicado ao fascista brasileiro, com Passos Coelho na audiência. O livro era de Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente da sociedade partidária unipessoal de André Ventura, que há dias classificou os jornalistas portugueses de “tumor maligno da democracia”. É isto que a direita dita moderada tem andado a fazer de há uns anos a esta parte: branquear fascistas, apoiar a sua ascensão (como se viu também nos Açores) e defender-se com falsas equivalências, como se a agenda de ódio da extrema-direita fosse comparável às lutas da comunidade LGBT, à fantasia do marxismo cultural ou à não-ameaça da ideologia de género. E esta gente não está só no CH. Alguns estão no PSD, um ou outro no IL e no CDS têm até uma corrente de neosalazaristas que praticamente não se distingue da nova extrema-direita parida por Bannon.

Mas vá, se calhar sou eu que estou a ser mauzinho. E daí se um presidente da República de uma democracia (ou do que resta dela), que é também um fundamentalista cristão, logo negacionista absoluto de todo o conhecimento científico, assina um decreto presidencial para atribuir a si próprio uma medalha de mérito científico, após dois anos a negar a covid-19 e a ver os seus concidadãos morrer, enquanto combatia activamente todas as medidas de controlo da pandemia? Se achas que não tem mal nenhum, vota Chega e, da próxima vez que tiveres um problema de saúde grave, não vás ao hospital. Reza muito e pode ser que vás mais cedo ter com o teu criador, com uma medalha de mérito de cepo na lapela.

“History will judge you” – Greta Thunberg

Estes irresponsáveis e cobardes governos do mundo que são culpados da situação a que chegámos andam há mais de 30 anos a lamber as botas ao negócio, às multinacionais e aos fundos financeiros, sem capacidade nem vontade de mudar este sistema predatório e poluidor, abrem-lhes todas as portas para lhes aumentar o lucro e o poder, vergam-se aos lobbies, mantêm, em todos estes anos, os combustíveis fósseis sabendo que o planeta está a aquecer, ainda os subsidiam, dão às grandes empresas todas as regalias, fazem tratados de livre comércio e alimentam uma justiça privada exclusiva à custa dos cidadãos, argumentam com postos de trabalho, sabendo que a transformação é inevitável, esta cambada destes governos não se importam de lançar o planeta e as pessoas para o abismo e continuam a falar de crescimento e competitividade, estes governos são assassinos e culpados.

A pegada liberal a puxar para o fundo

O êxito dos partidos liberais junto dos jovens nesta altura do campeonato – ao fim de mais de três décadas de triunfante neoliberalismo, com os seus brutais efeitos no aumento da desigualdade, o predadorismo ambiental, a obstinação na competitividade e a maximização do lucro a todo o custo, o crescimento e poder desmesurado das multinacionais, o espezinhamento do bem-comum, uma globalização insana, etc. – ultrapassa a minha capacidade de entendimento e esboroa a minha já parca confiança no ser humano.

Nas recentes eleições legislativas na Alemanha, a faixa etária dos 18 aos 24 anos votou quase tanto nos Verdes (23%) como no partido liberal FDP (21%), o qual recebeu a maior parte dos seus votos exactamente desta faixa etária.

Vá se lá perceber isto. Pergunto-me se, por via das redes sociais, da magia dos unicórnios, start ups, hubs e labs os jovens já vêm formatados para servir o grande capital e insuflados de individualismo. [Read more…]

BES, Odebrecht e Venezuela: uma história de poliamor

Vocês não adoram quando o capitalismo selvagem e o autoritarismo assassino dão as mãos e saltitam juntos, pelo prado fora, por entre flores e borboletas? Não sei quanto a vós, mas eu fico sempre de coração cheio, quase a transbordar. O Salgado a servir de muleta para a Odebrecht subornar um ministro do Maduro é um romance à moda antiga, apesar do potencial para se transformar num threesome. E não façam de conta que não sabem o que é um threesome, ok?

Brexit, in theatres

Isto não tem paralelo. Pelo menos na história recente de um reino que é uma potência cultural, económica, militar e, não menos importante, democrática. Não tem. O Brexit foi há dois dias, e os efeitos já se fazem sentir, muito antes do que era expectável, pelo menos para mim. E para muitos outros. E surpreende-me, com toda a sinceridade, a quantidade de negacionistas deste desastre em curso. A quantidade de pessoas que acredita, verdadeiramente, que a escassez de combustíveis e as filas para os postos de abastecimento são uma encenação. Que as prateleiras vazias em inúmeros supermercados são montagem. Que a falta de mão de obra em vários sectores é fake. Que os militares nas ruas a substituir camionistas é algo que nunca aconteceu. O Reino Unido não se vai dissolver, apesar das ameaças dos descendentes de William Wallace, nem se vai transformar num Estado falhado. O UK é too big to fail. Mas que isto é muito grave, e inimaginável há poucos anos, e um dos maiores embaraços da história deste país, é.

Chegou-se a este ponto. Ao ponto de ser necessário abater 120 mil porcos saudáveis, todos os 120 mil impróprios para consumo, porque faltam trabalhadores. Porque os imigrantes que foram demonizados durante a campanha negra do Brexit já não entram ou foram embora. E não há, entre os súbditos de sua majestade, quem queira ocupar as vagas abertas. Na volta anda tudo agarrado ao RSI lá do sítio. Deve ser isso.

Portugal não é a Hungria

Sinto a minha inteligência insultada, verdadeiramente insultada, sempre que me tentam vender a narrativa da imprensa nacional no bolso de Costa, ou dependente das suas ordens, ou condicionada na sua actividade pelos humores do Partido Socialista. Bem sei que o poder, aqui como em qualquer lado, tem algum ascendente sobre algumas redacções, e Portugal não é excepção, mas basta olhar para quem manda nos jornais, rádios e televisões, analisar para que lado do espectro pende a maioria dos cronistas, perceber o fosso que existe, nas TVs, entre a quantidade de comentadores afectos aos partidos de esquerda e aos partidos de direita (com os casos gritantes de CDS e PCP, o primeiro por ter uma presença largamente superior à sua representatividade, o segundo por praticamente não existir, apesar de ser a quarta força no Parlamento e a terceira ao nível autárquico), entre outros aspectos – cuja enumeração exaustiva não pretendo fazer, por não ser disso que se trata esta pequena posta – para perceber o que realmente se passa neste país.

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O tesão da inércia: uma caixa de Pandora

Não é a primeira vez. Não há-de ser a última.

Vieram a público, à boleia do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), notícias do envolvimento de diversas figuras de Estado – de primeiros-ministros e ex-primeiros-ministros a ministros e ex-ministros, de ministros a secretários, de secretários a empresários, de empresários a monarcas, de monarcas a presidentes da República – e outros famosos, em crimes de evasão fiscal e branqueamento de capitais.

Tal como aconteceu antes, em escândalos como os Panamá Papers, por exemplo, volta a comprovar-se que os mais ricos e poderosos, quando podem (e porque podem) assentam a sua riqueza e o seu poder sob uma camada de criminalidade económica. Não é novidade, não há-de ser novidade no futuro.

Grassa na política mundial (e Portugal não está imune) a teoria de que será na baixa de impostos que estará o crescimento de certos países. Mas vejamos… porque pagamos tantos impostos? Parece-me óbvio, desde sempre, que a arraia-miúda paga os impostos que os mais abonados nunca pagarão. E como esses, os ricos e poderosos, têm a faca e o queijo na mão (que é como quem diz, todo o dinheiro do mundo), não convém que a carga de impostos seja elevada para estes. Ouço, todos os dias, liberais a exigirem a baixa de impostos… mas nunca os vi a defender o aumento de impostos sobre os multi-milionários. Mas, não sendo elevada a carga de impostos que os milionários e bilionários pagam, os mesmos ainda teimam em não pagar a parte que lhes está atribuída. Funciona assim, o sistema capitalista: “acumula tudo o que conseguires, mesmo que com isso estejas a cometer um ou outro crime económico”; e sejamos sensatos: o sistema neo-liberal vigente permite e incentiva tais comportamentos. [Read more…]

Pandora Papers: o regresso do capitalismo trafulha

Pepe Guardiola, Shakira, Rafaelle Amato (histórico padrinho da Camorra), Tony Blair, Andrej Babis (PM checo) e Abdullah II, rei da Jordânia. O que une todas estas figuras, milionárias e multimilionárias, do futebol à política, republicanos e monárquicos, músicos e barões da máfia? Neste caso é a ganância e a determinação de querer e conseguir fugir aos impostos, usando para tal esquemas rebuscados desenhados por vigaristas financeiros, com recurso a paraísos fiscais e lavagem de dinheiro.

Depois do Panamá, Bermudas, Malta e Luanda, o mais recente sucesso de bilheteira do ICIJ chega-nos de várias localizações em simultâneo, como as incorruptíveis Ilhas Virgens Britânicas e as igualmente impolutas Bahamas. Sim, as elites mundiais não se contentam com os luxos que os seus talentos, heranças ou assaltos lhes permitem usufruir. Não chega. É preciso fugir aos impostos, lavar dinheiro e aldrabar a populaça. E Portugal, como sempre, tem uma representação de peso: Manuel Pinho, icónico ex-ministro socrático, Morais Sarmento, ex-ministro de Durão e actual vice de Rui Rio, e Vitalino Canas, ex-secretário de Estado de Guterres, são os primeiros nomes a surgir em mais um escândalo internacional de trafulhice financeira.

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A ganância e a rédea solta que lhe dão, ou seja, a questão é: porque é que as offshores são legais?

Foi publicada ontem uma nova investigação internacional pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) – do qual o jornal Expresso é parceiro -, sobre evasão fiscal e branqueamento de capitais. As revelações são baseadas na maior fuga de dados fiscais de sempre, 600 jornalistas de 117 países colaboraram na investigação. O enorme conjunto de dados inclui 11,9 milhões de documentos de um total de 14 fornecedores de serviços financeiros. Dele constam os nomes de numerosas celebridades, políticos e bilionários, demostrando que a evasão fiscal e a criminalidade financeira continuam em grande escala, através de empresas de fachada e trusts.

Entre os visados, destacam-se figuras como o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskiy, o rei Abdullah II da Jordânia ou o primeiro-ministro checo, Andrej Babis.

Também os ministros das finanças do Paquistão e Holanda têm laços com empresas offshore, assim como ex-ministros das finanças de Malta e da França – incluindo o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn.

E claro, também há portugueses envolvidos nos Pandora Papers, como Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, Nuno Morais Sarmento, vice-presidente do PSD e ministro nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e Vitalino Canas, secretário de Estado nos governos de António Guterres. [Read more…]

Gostas de Socialismo? Vai para Venezuela!

Está demais, a Venezuela!

A eleição mais importante de ontem na U.E.


Tal como se previa, para governar a Alemanha, serão necessários 3 partidos. Ou apenas 2, caso o SPD e CDU resolvam entender-se, hipótese que não pode ser descartada, embora nenhum dos grandes partidos a deseje. [Read more…]

Alemanha, primeiras projecções

Primeiras projecções dos resultados eleitorais na Alemanha (ARD e ZDF) revelam um empate técnico entre CDU/CSU e SPD. Verdes, em terceiro lugar, poderão vencer em Berlim, actualmente governado pelo SPD. Coligação que governará o motor da Alemanha é ainda uma incógnita e poderá assumir vários formatos, com Verdes, FDP e Die Linke na calha para ser junior partners dos dois grandes partidos, que poderão governar sozinhos. A melhor notícia, no meio da indefinição e incerteza reinantes, é que o crescimento da extrema-direita estagnou. Depois de em 2017 ter entrado em força no Bundestag, com 94 assentos conquistados, ambas as projecções apontam para a perda de 7 a 10 deputados. Haja cordão sanitário!

Obrigado Merkel

Konrad Adenauer, chanceler no pós-guerra, inicou a “desnazificação” e guiou o país para ocidente.
Willy Brandt apaziguou a relação com as ditaduras do leste. Helmut Schmidt combateu o terrorismo interno, deu passos para a formação da UE e lançou novas estratégias de defesa do continente. Helmut Kohl viu cair o muro, liderou a reunificação da Alemanha e o lançamento da União Europeia.

E Angela Merkel?
Para mim, a chanceler alemã é a maior política que tive oportunidade de acompanhar em vida. Mesmo no meio de péssimos líderes europeus, Merkel manteve o seu país unido, próspero e liderou a União Europeia em várias crises. [Read more…]

O neofascismo é o novo fundamentalismo religioso

Publicado em Junho, o último relatório da Europol dedicado ao terrorismo revela que, entre 2002 e 2019, 332 atentados terroristas foram levados a cabo por organizações de extrema-direita em solo europeu, dos quais 49 em 2019, resultando num total de 286 vítimas mortais.

Os métodos só podem surpreender os mais desatentos. Ainda em Agosto, quando os Taliban tomaram o poder, assistimos ao elogio apaixonado dos órfãos de Trump, que destacaram a determinação dos fundamentalistas afegãos na sua luta contra os valores liberais. Supremacistas brancos, fundamentalistas católicos e evangélicos e QAnon figuram entre os novos cheerleaders do Emirado.

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Paulo Portas mentiu

Na sua homilia de Domingo à noite, Paulo Portas mentiu. É mentira que o cordão sanitário que mantém a AfD fora do sistema político alemão se aplique também ao Die Linke. O Die Link tem coligações regionais e locais com SPD e Verdes. E foi Merkel quem vetou a tentativa de acordo que incluía o seu partido e a AfD, na Turingia, permitindo ao Die Linke governar, com o SPD e Verdes como parceiros minoritários. Não foi só a equivalência absurda entre Lula e Bolsonaro. Lula tem as suas falhas mas não é comparável a Bolsonaro e tem tanto de extremista como o Irrevogável. Porém, no caso alemão, Paulo Portas mentiu. E fê-lo deliberadamente, porque Portas pode ter muitos defeitos, mas ser ignorante não é um deles.

A América depois do 11 de Setembro através da Frontline

Nos vinte anos do 11 de Setembro, a Frontline apresenta mais um excelente documentário. O “America after 9/11” atravessa as duas décadas entre a queda das torres e a saída do Afeganistão.
Aqui podemos constatar ou relembrar como a administração W Bush, Cheney e Rumsfeld conseguiu que os EUA perdessem a solidariedade global através da sede de guerra, erros militares primários, Guantánamo e mentiras criminosas como as WMDs de Saddam. Seguiu-se Obama e uma esperança efémera após este quebrar promessas eleitorais e dar luz verde ao uso descontrolado de drones ou a trágica saída do Iraque com regresso imediato mas já sem conseguir travar o avanço do ISIS.

Outro ponto fulcral assinalado – mas sempre ignorado por vários analistas – passou pela perda de confiança na imprensa, co-responsabilizada p.e. pelas mentiras das armas de destruição maciça de Saddam.

Noutros documentários podemos também constatar as irresponsabilidades, mentiras e crimes cometidos antes, durante e depois da crise financeira que se seguiu a falência da Lehman Brothers em 2008. Uma crise que se juntou a de 2001 e que envolveu quase os mesmos responsáveis e atingiu praticamente as mesmas pessoas.

“It´s convenient to say that Donald Trum broke America. No, America was broken and so, Donald Trump became president”.
É desta forma que um dos entrevistados se refere a ascensão de Trump. A explosão de ódio nas ruas e o divisionismo é também aqui retratada da mesma forma, sem deixar de vincar as responsabilidades, mentiras e o jogo duplo de Trump em relação ao Afeganistão.

O “America after 9/11” (legendas em inglês) dura duas horas e meia e sintetiza algumas das causas que levaram ao actual estado em que se encontra aquela que foi considerada na década de noventa como “a nação indespensável”.

 

America After 9/11