BBB day

Hoje foi o dia bye, bye Britain. E a seguir, não estará a caminho o bye, bye United Kingdom?

governo britânico rejeitou a proposta da Escócia para o segundo referendo da independência [tradução automática], mas falta saber o que é que os escoceses agora pensam sobre o assunto. Aproveitando a boleia escocesa, o Plaid Cymru e o Sinn Fein (partidos independentistas do País de Gales e da Irlanda do Norte, respectivamente) estão a pressionar [tradução automática] o governo britânico quanto à questão das respectivas independências.

60 anos depois, temos uma Europa mais fragmentada, apesar da União. O Brexit é só uma particularização da divisão na Europa, bem patente nas teses das duas velocidades, por exemplo. Dizem que os ratos são os primeiros a abandonar o navio. Mas também se diz de quem a sabe toda que é rato.

Uma besta é uma besta

O Partido Popular Europeu pediu hoje a demissão do presidente do Eurogrupo, na sequência das declarações racistas que proferiu recentemente.

É pena que tenha sido o PPE a fazê-lo e que o Partido Socialista Europeu, família à qual pertence o político holandês, se tenha limitado a declarações de escândalo e demarcação, sem exigir a sua saída. Não é assim que se faz. O espírito de seita não pode sobrepor-se aos mínimos da decência e uma besta é uma besta, mesmo que seja nosso primo.

Ameaça de morte

A ameaça fascista, que se ergue em vários pontos da Europa, tem a sua expressão maior na presidenciável Marine Le Pen. Trump é fixe, Putin gosta dela e os Wilders, Orbáns e Coelhos (os Pintos, não os Passos) desta vida têm todos um poster da aspirante a ditadora na parede do quarto, mesmo ao lado da tarja com suástica e a frase O trabalho liberta. Será que a França consegue a proeza de a eleger? Depois do que aconteceu nos Estados Unidos, não seria de admirar. É bom que os tipos lá do sítio que se dizem democratas façam um bom cordão sanitário à volta desta frau. [Read more…]

Notas sobre a ascensão do Protestantismo

A palavra Protestante tem origem no Latim, vem de Protestas, e significa atestar diante de todos. O Protestante é aquele que recusa a autoridade absoluta de qualquer Ser ou entidade, seja a Igreja, a hierarquia eclesiástica, ou mesmo a Bíblia.

A designação apareceu em 1529, na dieta de Espira, do Sacro Império Romano Germânico, quando cinco Príncipes e catorze cidades da Alemanha Imperial, incluíndo Estrasburgo, protestaram contra Carlos V, cuja intenção era revogar concessões feitas anteriormente, em 1526, repondo a hierarquia e o culto romano na Igreja. Os membros luteranos da dieta, temendo o fim do movimento entretanto iniciado, protestaram contra as medidas adoptadas, apelando em favor da sua reversão ao Imperador. É nesse momento que tem início o Protestantismo.

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Parlamento aprovou votos de condenação contra Dijsselbloem

Hoje, o plenário do Parlamento português aprovou votos de condenação, apresentados por todas as bancadas, às declarações racistas de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo. Nenhum desses votos, tanto quanto se saiba, faz referência a um dos mais marcantes legados cívicos e humanos dos Bóeres, compatriotas do senhor Dijsselbloem: o Apartheid.

Ainda bem. Queremos uma Europa unida, a viver em paz, harmonia e austeridade.

Schnaps und Frauen & Wine, Women An’ Song

Als Sozialdemokrat halte ich Solidarität für äußerst wichtig. Aber wer sie einfordert, hat auch Pflichten. Ich kann nicht mein ganzes Geld für Schnaps und Frauen ausgeben und anschließend Sie um Ihre Unterstützung bitten.

— Jeroen Dijsselbloem

…como, por exemplo, faz o Jonas: a vir atrás, a segurar, a tabelar, a entrar, com o outro [ponta-de-lança] lá metido e com os extremos abertos, ou os extremos a vir dentro e os laterais a subir.

— Rodolfo Reis, 19/3/2017

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O caniche de Schäuble

Aquilo que está em causa nas declarações do Presidente do Eurogrupo não é apenas uma ofensa ao Estado Português. Essas declarações, de teor racista, são não só a confirmação da Lenda Negra sobre Portugal e o sul da Europa, mas a reafirmação da natureza punitiva do Programa de Ajustamento a que o nosso país tem vindo a ser sujeito. Essa punição tem na origem os altos princípios civilizacionais da agiotagem e da pirataria, que tão bem caracterizam historicamente os países ricos da Europa central, mas também um preconceito rácico, mais exactamente fascista, que vem tornar evidente o que está na base das transformações políticas que o mundo ocidental tem sofrido, designadamente as que vêm reforçando o suporte popular aos movimentos da extrema direita xenófoba.

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As economias do sul europeu salvaram as do norte

Quando a crise do sub-prime estava no auge e a estratégia europeia foi despejar dinheiro na economia, Portugal colaborou abrindo cordões à bolsa. Foi coroado com a maior dívida pública de sempre, que continua a aumentar, e com a terceira intervenção financeira no país.

Sócrates podia ter recusado seguir o plano mas tinha uma eleição para ganhar. E a Alemanha e seus satélites podiam ter travado o suicídio mas precisavam de manter o mercado das suas empresas.

A evidência deste enunciado está no superavit da Alemanha, por exemplo. Que contraria, sem consequência, as preciosas regras europeias.

Quando Dijsselbloem, o pau mandado de Schäuble, ontem vociferou aquele absurdo, mais um, e hoje o reafirmou, como pseudo-defesa, ignorou este contexto. Não porque o desconheça mas, certamente, porque precisa de reafirmar o seu lugar perante o directório europeu,  agora que o seu partido levou uma razia eleitoral. Em resumo, um caso de apego ao conforto financeiro que uma prateleira dourada com estrelinhas azuis traz.

Ou, ainda mais sumariamente, o retrato de um cretino.

O vinho, as mulheres e o coiso

A metafísica é coisa complicada, pelo convém respirar fundo – e talvez beber um copo – para nos aventurarmos nas suas profundezas. É que a tese de Jeron Dijsselbloem segundo a qual os habitantes dos países do Sul – nós, portanto – andam de mão estendida à caridade dos povos superiores do Norte por estoirarem a massa toda em mulheres e vinho, levanta sérias perplexidades. É que “os do Sul” só podem ser, por razões que decorrem da mais elementar e hermenêutica, os homens, os varões. Isto porque andam a gastar dinheiro em vinho e mulheres. Para o Coiso, eles são o sujeito, elas e o tintol o objecto. Ora, sendo assim, fica-me a dúvida: o que andam a fazer as nossas compatriotas além de serem objecto da nossa meridional lascívia? Será que elas são ontologicamente diferentes, quiçá superiores a nós? Na verdade, lá dizia lord Byron que, entre os portugueses, as mulheres pareciam pertencer a uma espécie diferente dos homens, já que elas eram bonitas e eles feios. Claro que não se pode excluir a hipótese de algumas delas andarem também a beber uns copos e a gastar numerário com outras mulheres, que isto ou há igualdade ou comem – e bebem…- todos. Mas persiste a dúvida que nos atormente a alma: será que o ranhoso flamengo pensa que o mal é só dos homens sulistas e se propõe resgatar as respectivas mulheres das suas latinas garras? É que sabemos bem o que significa para esta corja “resgatar”.

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Falar sobre o CETA em Portugal- mas a sério

Aprovado que foi o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Canadá (CETA) pelo Parlamento Europeu no passado dia 15 de Fevereiro, irá entrar em vigor muito em breve – provavelmente a partir de 1 de Abril – a parte do acordo que é da “competência exclusiva da UE”. Atendendo a que se trata de um “acordo misto” – classificação arrancada à força à Comissão, que insistia no “EU only” -, é agora a vez dos 38 parlamentos nacionais e regionais da UE ratificarem o acordo. O governo português está mortinho por fazê-lo até ao verão, em conluio com os partidos da ex-PAF, chumbando, de cada vez que são apresentados, projectos de resolução do BE, do PCP  e do PEV contra o CETA.

Sendo irrisório o número de portugueses que têm conhecimento do CETA, a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico vem, há anos, exigindo a realização de debates e a divulgação do acordo por parte dos media e do governo. Pois bem, eis a grande e rara oportunidade de alguns habitantes de três cidades do país ouvirem falar no assunto, no âmbito dos debates que o governo vai realizar, a saber:

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A Lenda Negra

Não estamos esquecidos que uma das justificações dadas para a necessidade de um profundo ajustamento na economia e na sociedade portuguesas, ajustamento esse materializado num programa brutal de austeridade, que, em certa medida, ainda prossegue, foi a circunstância de Portugal, e o seu povo em particular, ter, ao longo de muito anos, vivido acima das suas possibilidades. [Read more…]

Banho turco 

É comovente ver o proto-fascista Erdogan preocupado e, até, indignado com o que ele diz ser a falta de liberdade e democracia nos países da Europa que lhe recusaram espaço para seu número de circo político. Na verdade, a criatura não queria, bondosamente, levar a sua campanha referendária aos seus compatriotas espalhados por esses países. Fosse esse o caso e a oposição turca também se poderia movimentar à vontade sem receio de ser presa ou morta. Erdogan investiu, sobretudo, sobre os países que atravessam processos eleitorais, tentando neles intervir de vários modos, influenciando as decisões políticas dos cidadãos – nomeadamente os de origem turca, mas não só – e procurando caçar a oposição turca exilada ou pressionado os governos desses países para que lhe fizessem o trabalho sujo. Não por acaso, a acusação de a Alemanha ter um regime nazi seguiu-se à exigência – recusada, e bem, pelo governo alemão – de prisão dos “terroristas” turcos residentes na Alemanha que são, do ponto de vista de Erdogan, os opositores ao seu regime, nomeadamente os curdos.
Só a França cedeu na importação da “campanha” do governo turco, autorizando um comício no seu território. E a grosseria agressiva e belicista do discurso do ministro turco destacado para a função foi a merecida paga que os anfitriões receberam por terem patrocinado essa imitação grotesca de “liberdade de expressão”, por essa patética insegurança na defesa de princípios fundamentais. A violência do último discurso de Erdogan – para consumo interno e externo – não devia, penso eu, deixar dúvidas quanto à natureza do seu projecto e aos riscos que aí vêm. [Read more…]

Notícias da Palestina

Tamel Abu Ghazaleh nasceu no Cairo em 1986 no seio de uma família palestiniana. Aos 2 anos cantava e tocava música, tendo começado a compor com a idade de 9 anos. Iniciou formalmente a sua educação musical em 1998 no Conservatório Nacional de Música de Ramallah (actualmente, Conservatório Edward Said), onde estudou os seus instrumentos de eleição – o oud e o buzuq -, assim como teoria musical, história, análise, composição, arranjo e performance, sob a supervisão do músico palestiniano Khaled Jubran.

Em 1991, Abu Ghazaleh lançou o seu primeiro single, “Ma Fi Khof” (“Sem Medo”), que passou a ser amplamente cantado em protestos durante a primeira Intifada. O seu primeiro álbum, “El Janayen Ghona” (“Jardins de Música”), com canções por si elaboradas entre os 5 e os 15 anos, foi editado em 2001. Em 2006, com 20 anos de idade, produziu o seu segundo álbum, “Mir’ah” (“Espelho”), que editou em 2008. O registo das sete canções, escritas nos períodos de recolher obrigatório da segunda Intifada, reflecte a experiência de viver na Palestina durante esse período.

Em 2007, fundou a organização de música independente “eka3”, concebida como incubadora de negócios de promoção da música árabe, através da qual fundou a editora musical “Mostakell”, uma empresa de agência musical e uma empresa de licenciamento de música, tendo ainda sido co-fundador da revista de crítica musical “Ma3azef.com”.

Em 2010, Tamel Abu Ghazaleh fundou o grupo musical multi-géneros “Kazamada” com Zeid Hamdan, Mahmoud Radaideh e Donia Massoud e em 2012 co-fundou a banda alternativa “Alif”, com Maurice Louca e Khyam Allami, tendo colaborado com variadíssimos músicos árabes e participado em diversos projectos artísticos desde 2005.

(Do currículo do autor em http://www.tamer.ag/)

No ano passado, editou em nome próprio o álbum “Thult” (“Terceiro Álbum”), de onde vos deixamos o vídeo da música “Khabar Ajel” (“Notícias”): um convite aos famintos do mundo para visitarem a Palestina e deliciarem-se com os manjares que ali são diariamente servidos (a letra está disponível em inglês na página da origem). Bom fim de semana!

Da intolerância…

Artigo 13.º
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Uma mulher muçulmana tem o mesmo direito a usar véu islâmico que um cristão usar uma cruz ao pescoço. E ninguém tem o direito de se sentir ofendido pelo uso deste ou qualquer outro símbolo religioso. O mesmo princípio a qualquer outro símbolo, político, de clube ou qualquer outro. [Read more…]

As notícias da vitória da extrema-direita na Holanda, eram manifestamente exageradas

O Partido extremista de Geert Wilders não irá muito provavelmente além do 3º lugar, é verdade que teve ganhos, mas pouco significativos se compararmos com 2012, mas em 2010 havia alcançado um resultado bem superior. A vitória alcançada pelo Partido do Primeiro-Ministro Mark Rutte não deixa margem para dúvidas, embora tenha perdido alguns lugares, outros partidos no centro-direita conseguiram importantes ganhos eleitorais, afastando cenários pessimistas. O eleitorado holandês também não virou à esquerda, os verdes subiram é certo, mas desceram os trabalhistas. Existiram sim transferências de voto, quer à esquerda, quer à direita. A Holanda continuará uma democracia respeitável com uma economia em crescimento. Aguardemos pela França, mas algo me diz que também aí o extremismo e a intolerância serão rejeitados, sem contudo caírem na demagogia dos que prometem facilidades ao virar da esquina, sem grande esforço ou rigor…

Conselheira de Trump diz que Obama espiou-o através do microondas

É possível.

Sorria

Todos os equipamentos electrónicos com ligação à internet, incluindo automóveis ou outros veículos de transporte, têm uma “porta dos fundos”, quer dizer, a possibilidade de serem totalmente comandados à distância sem o conhecimento do seu proprietário ou utilizador. Seja ele um cidadão comum, ou um chefe de estado – Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, tem sido espiado, designadamente através do seu telemóvel, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. O sistema operativo Windows, só para dar um exemplo, já traz de origem o código que permite a intrusão, vigilância, manipulação, cópia ou destruição de ficheiros e de hardware, incluindo microfones e as câmeras de vídeo. O mesmo se aplica a smartphones, Ipads, smart tv e por aí adiante.

Esta é, sucintamente, a última revelação da Wikileaks.

Não é claro, nesta altura, se a informação assim obtida estará a ser comercializada, ou de algum modo partilhada. Ou seja, não se sabe, embora isso seja plausível, se os detentores da tecnologia que permite este tipo de acção prestam “serviços” a clientes – leia-se Estados ou grandes empresas – espalhados pelo mundo, como, por exemplo, em Paris, em Bruxelas ou em Freixo de Espada à Cinta.

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La cible de la fachosphère et l’orthographe portugaise

Le Russe: Les modernes talents que je cherche à connaître

Devant un étranger craignent-ils de paraître ?

Le cygne de Cambrai, l’aigle brillant de Meaux,

Dans ce temps éclairé n’ont-ils pas des égaux ?

Voltaire

Ó Inácio, não sejas Inácio!

— Rodolfo Reis, 21/2/2016

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Hoje, há contatados.

Efectivamente, no sítio do costume.

Nótula: O excelente João Mendes aguarda com expectativa a reacção indignada de Ricardo Costa. Pessoalmente, aguardo, sem grandes expectativas, diga-se, que alguém pegue naquela *fachospéreenfie um agá exactamente entre o o pê e a vogal seguinte e aponte aquele acento com cê um bocadinho, só um bocadinho, para a esquerda, não, isso é para a direit…, sim, para a esquerda, isso, mais um bocadinho, exacto, mais para a… foi de mais…, agora, sim, OK, está bem assim, muito bem mesmo, aliás, está com óptimo aspecto: fachosphèreMerci bien.

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Droga, um negócio com futuro

Droga, a definição não é correcta, porque existem muitas outras substâncias classificadas como droga, mas a palavra está normalmente associada a substâncias psicoactivas. Uso, posse e comercialização, constituem actos ilícitos, sujeitos a penalizações judiciais. Aqui existem algumas variantes, de país para país, entre consumo e tráfico, que podem ir até à pena de morte ou prisão perpétua, na maioria dos casos aplicáveis apenas aos traficantes, mas não só, pois alguns países perseguem brutalmente consumidores. Na Europa a moldura penal é mais branda, mas qualquer que seja o quadro aplicável, o negócio continua a existir, proporcionando enormes lucros a cartéis de narcotraficantes e obrigando os Estados a enormes gastos, numa guerra sem trégua para erradicar o que consideram ser um flagelo. [Read more…]

A semana que passou

O entrudo veio à rua e confirmou-se que a terça-feira de Carnaval é dia de chuva, antecedido e precedido de abundante sol. Más notícias para as nádegas com Parkinson, como lhes chamou Bruno Nogueira.

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Tivemos uma semana pródiga em disfarces, com os nossos políticos a usarem máscaras, mesmo para além da quarta-feira de cinzas. Foi o que aconteceu hoje, quando o nosso ex-Primeiro-Ministro afirmou não conhecer “nenhum facto que, há (sic) luz das disposições legais, impeça o governador Carlos Costa de fazer o seu mandato.” Disfarçou-se de  despercebido, ao fazer de conta que não percebeu que os documentos da reportagem “Assalto ao Castelo” trazem para a ordem do dia uma questão que tinha ficado por responder: Porque é que o governo PSD/CDS reconduziu Carlos Costa como Governador do Banco de Portugal, sabendo o que se sabia na altura?

Mas este não foi o único folião da semana – já lá vamos, logo depois de sublinhar uma mais coisita. [Read more…]

O Sultão do Bósforo

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O presidente turco Erdogan pertence à perigosa cepa de homens cuja virilidade se enfoca numa sensibilidade exacerbada àquilo que entende por sua honra e numa desmedida ambição de poder.

Carismático e eloquente, aplica extensivamente e com êxito a sua receita populista: a polarização como meio de mobilizar os seus adeptos e dividir a sociedade, atemorização e repressão dos que se atrevem a não estar do seu lado. Metade da população está com ele, a outra metade (turcos liberais, curdos, alevitas) não tem direito à existência. Declara que “representa o povo”, tudo o resto é ilegítimo.

Após a tentativa de golpe militar de 15 de Julho do ano passado, Erdogan vem dando crescentes largas aos seus instintos ditatoriais. Não lhe basta ter extinguido a liberdade de imprensa (a Turquia ocupa o lugar 151 de 180 no ranking da liberdade de imprensa da “Repórteres sem Fronteiras”; “na maior prisão mundial de autores” estão mais de 150 jornalistas e escritores, todos acusados de apoio ao terrorismo) e atirado para a cadeia muitas centenas de milhares de pessoas; Erdogan quer mandar como um verdadeiro sultão, desde o seu palácio de mil divisões. [Read more…]

Mike Pence a fazer figura de Trump

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Angola, entre a corrupção e a mortalidade infantil

 

O CETA em suspense

Greenpeace STOP CETA - Strasbourg France. Justice sinkng in front of the European Parliament building. © Eric de Mildt/Greenpeace All rights reserved

Greenpeace STOP CETA – Strasbourg France.
© Eric de Mildt/Greenpeace All rights reserved

Obtido que foi o aval da maioria dos deputados que, no Parlamento Europeu, acharam por bem usar o seu voto para soltar mais ainda a rédea às multinacionais para esmifrarem os cidadãos, o CETA (acordo de comércio livre entre a UE e o Canadá) vai entrar provisoriamente em vigor lá para Abril ou Maio, consumando assim factos de difícil ou impossível reversão.

E porquê provisoriamente? Por mor da pressão do movimento cidadão em alguns países europeus, os respectivos governos compeliram a comissão a abdicar do “EU only” que tentou defender com garras e dentes. Significa isto que, para entrar em vigor na totalidade, o CETA terá de obter também a benção de 28 parlamentos nacionais e de mais uns 10 regionais, o que poderá demorar uns anitos. Mas entretanto, os lucros precisam de rolar e portanto avança-se com o provisório. No nosso jardim à beira mar plantado, a questão que agora se coloca é: [Read more…]

100 anos sobre a barbárie vermelha…

No dia 27 de Fevereiro de 1917 chegava ao fim a desgastada e ineficiente monarquia russa, na prática o Czar Nicolau II apenas abdicaria em favor do irmão alguns dias depois, mas a recusa do Grão-duque abriu caminho ao que poderia ter sido a instauração de valores democráticos. Infelizmente para os russos, povos vizinhos e grande parte da humanidade, os dias revolucionários de esperança num futuro melhor, culminariam num golpe em Outubro na tomada do poder pela minoritária facção bolchevique, que derrotando forças que lutavam entre si, levaram Lenine ao poder após uma sangrenta guerra cívil. O resultado foi a instauração da ditadura, restringindo as liberdades civil, económica e política. Mais tarde até dissidências ou simples falta de entusiasmo levariam às purgas e ajustes de contas, nomeadamente nos anos em que o execrável regime foi liderado pelo facínora J. Stalin, um dos 3 piores sanguinários, a par de Mao e A. Hitler, que alguma vez governaram… [Read more…]

Paraísos fiscais, bancos centrais e políticos…

Ao contrário do que muitos julgam, fruto da confusão instalada no decurso da luta política, a existência de paraísos fiscais não é benéfica para a economia, porque prejudica a livre concorrência, ao não colocar em pé de igualdade as pequenas e grandes empresas. Por isso os governos, EUA e UK à cabeça as mantêm e controlam com mão de ferro. Nas ditaduras é óbvio, mas também nas democracias os governos gostam de se imiscuir na actividade económica, seja através de políticas expansionistas com o fim de iludir eleitores e conquistar votos, seja em negócios mais ou menos promíscuos, que acabam sempre favorecendo corporações ou grandes empresas instaladas, o que naturalmente procuram esconder. [Read more…]

Ein Volk, ein Reich, ein Führer!

Republican presidential candidate, businessman Donald Trump speaks during the Fox Business Network Republican presidential debate at the North Charleston Coliseum, Thursday, Jan. 14, 2016, in North Charleston, S.C. (AP Photo/Chuck Burton)

E o impensável expectável aconteceu: na conferência de imprensa de ontem na Casa Branca, alguns órgãos de comunicação social, entre eles a CNN, a BBC ou o The New York Times, foram impedidos de assistir ao briefing diário do porta-voz da Casa Branca. Claro Sean Spicer não ficou a falar para o boneco, e a imprensa amiga, como a Fox ou o site de extrema-direita Breitbart News (ia linkar o site mas não consegui, é nojento demais), onde fez carreira Steve Bannon, o Goebbels do admirável regime novo de Donald Trump, foram devidamente autorizados a assistir à dose diária de factos alternativos produzidos pelo Ministério da Verdade norte-americano. [Read more…]

Pod Save America

pod-save-americaConfesso que ainda não ouvi, mas parece interessante: um podcast criado por ex-colaboradores (redactores dos discursos) de Barack Obama na Casa Branca, lançado em Janeiro passado, que tem como objectivo salvar os EUA. Ao fim de 10 dias tinha já um milhão de ouvintes e Barack Obama concedeu-lhe a sua última entrevista como presidente. Para os três iniciadores do podcast , serem apenas ouvidos não basta: o seu objectivo é incentivar os ouvintes a agirem, tendo por isso, na sua página web, a rubrica “Do something” com propostas concretas de acção – por exemplo, participar em sessões públicas para exigir prestação de contas aos políticos ou empenhar-se em eleições locais.

Os podcasts são uma das respostas à nova situação política nos EUA e há-os de todas as alas, incluindo, claro, da ala trumpista.

Na sua última entrevista, Obama deixou o recado que inspira os autores de “Pod Save America”: podemos ficar para aqui sentados a lamentar-nos ou podemos tentar descobrir o que fazer e empenhar-nos, resistindo.

Uma mensagem útil em qualquer lugar do mundo.

Agir com base na solução e não na prevenção – a actuação diplomática portuguesa no caso de Almaraz

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros Português retirou a queixa que mantinha desde dia 16 de Janeiro contra o governo espanhol na questão de Almaraz. Em troca da retirada da queixa, o governo espanhol concordou em tomar algumas medidas provisórias (não avançar com o processo de construção enquanto nos próximos 2 meses não ceder toda a informação sobre o assunto ao governo português; técnicos portugueses e da Comissão Europeia irão realizar uma vistoria técnica à central), o que levou o Ministro Artur Santos Silva a declarar-se disponível para realizar uma nova queixa se o governo português entender daqui a 2 meses que continua a ter motivos:

“Ao fim dos dois meses, faremos o balanço. Se Portugal entender que continua a ter motivos para que a queixa prossiga o seu curso, a mesma mão que assina a carta a retirar a queixa, assina a carta a repô-la” – retirado aqui.

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O ícone gay da extrema-direita

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Estão a ver aquele velho mito, tão comum entre os anticomunistas primários e as franjas mais parolas e retrógadas do conservadorismo, segundo os quais tudo o que é homossexual (e já agora pedófilo) é de esquerda? É mesmo estúpido, não é? Mas não faz mal. De hoje em diante, sempre que algum idiota vos brindar com tamanha imbecilidade, apresentem-lhes Milo Yiannopoulos, a nova coqueluche gay da extrema-direita norte-americana e mundial.

Ui! Pára tudo: um homossexual que é um ícone da extrema-direita norte-americana? Mas a extrema-direita norte-americana não costumava combater esses hereges? Que é feito dos supremacistas brancos e das seitas apocalípticas que perseguiam estes desvios esquerdalhos-caviar? O mundo enlouqueceu de vez. Agora até um azeiteiro com ar de quem se entupiu de pastilhas num concerto de Scooter serve de referência para a extrema-direita. Os tipos do PNR que descubram. [Read more…]