Como o governo chinês fabrica conteúdos nas redes sociais para distração estratégica

We estimate that the government fabricates and posts about 448 million social media comments a year. In contrast to prior claims, we show that the Chinese regime’s strategy is to avoid arguing with skeptics of the party and the government, and to not even discuss controversial issues. We show that the goal of this massive secretive operation is instead to distract the public and change the subject, as most of the these posts involve cheerleading for China, the revolutionary history of the Communist Party, or other symbols of the regime. We discuss how these results fit with what is known about the Chinese censorship program, and suggest how they may change our broader theoretical understanding of “common knowledge” and information control in authoritarian regimes. [PDF do trabalho de investigação]

A estratégia não é discutir com os descrentes do regime ou abordar os assuntos que sejam polémicos, mas, isso sim, arranjar assuntos alternativos, para inundar o espaço comunicacional.

É um recentramento do focus mediático, usando uns meros 2 milhões de chineses, numa espécie de abrantização e mariadaluzização em ponto grande, a publicarem hinos de glória, em vez de gráficos coloridos.

Política na banda

Mwangolé

Enganou-se que pensou que João Lourenço iria ser uma marionete de José Eduardo dos Santos. Menos de dois meses passaram desde a tomada de posse, o Presidente já substituiu o governador do BNA, exonerando Walter Filipe tido como próximo do anterior presidente e recolocando no lugar José de Lima Massano que havia ocupado o cargo até 2015. Agora João Lourenço foi mais longe, exonerando Isabel dos Santos da Sonangol e nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, antigo quadro da empresa demitido precisamente por Isabel dos Santos. Como se não bastasse, a TPA por ordem directa do Presidente rescindiu o contrato que atribuía a gestão da TPA 2 e TPA internacional à empresa Semba comunicações, propriedade dos irmãos Tchizé e Coreon Dú dos Santos. Resta agora aguardar destino de Zenú dos Santos à frente do Fundo soberano de Angola. Notícias recentes ligam o filho do ex-Presidente aos papéis do paraíso. Anteriormente empresas públicas como a SODIAM e Bancos também conheceram novos dirigentes. Merece atenção o caso da SODIAM, porque Beatriz Sousa era tida como próxima de Isabel dos Santos, tendo existido ao longo dos tempos várias suspeitas e insinuações de favorecimento da empresária na compra de diamantes.

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Ainda ninguém deu um tiro ao presidente João Lourenço?

O homem é presidente, mas está a abusar. Mandar a ninhada corrupta do ditador para o olho da rua é uma jogada arriscada. Ainda há dois dias o clã dos Santos mandava naquele país, fazia grandes negócios com o seu dinheiro, alimentava uma oligarquia (aparentemente) fiel e já é desafiado desta maneira? 38 anos a liderar o partido e o país de forma quase absoluta, para que tudo desvaneça em menos de dois meses? É estranho. Mas talvez estejamos perante um revolucionário, daqueles sobre os quais se escrevem poemas, que esteve à espera da sua vez, pacientemente, para fazer história e derrubar o regime. É estranho, mas é preciso coragem para demitir Isabel dos Santos. [Read more…]

Ipapers

A história secreta dos esquemas offshore da Apple, por Simon Bowers, do ICIJ

A evasão fiscal de Isabel II, a Caloteira

O mundo ficou por estes dias a conhecer um novo conjunto de papéis, 13 milhões de conjuntos, para ser mais preciso, sobre malta empreendedora que faz uso dos chamados paraísos fiscais para levar o seu dinheiro de férias e evitar a maçada dos impostos.

Entre as vítimas deste violento atentado à privacidade contam-se antigos e actuais colaboradores de Donald Trump e Justin Trudeau, oligarcas ligados a Putin, gente simpática da Líbia, da Rússia e do Irão, que chumbou em auditorias governamentais que colocam em causa os seus procedimentos de prevenção de branqueamento de capitais, tipos que faziam negócios de armamento com o saudoso Saddam e mais uma série de indivíduos recomendáveis onde se incluem fundos de capital de risco e bancos, que como sabemos é malta que prima pela transparência e pelas melhores práticas.  [Read more…]

Bons ventos

A questão catalã deixa pouco espaço para outras notícias vindas de Espanha, mas, por estes dias, há um caso a chegar aos tribunais espanhóis que é de todo o interesse acompanhar.

Manuela Carmena, presidente da câmara de Madrid, apresentou queixa em tribunal contra a decisão da sua antecessora, Ana Botella, de vender 1.860 casas de habitação social a um fundo-abutre norte-americano. Para tal, apoia-se no relatório da Câmara de Contas do executivo da autarquia madrilena e a sua intenção é poder vir a anular a venda e recuperar as habitações.

As casas VPO (“Viviendas de Protección Oficial”) são habitações de preço limitado, parcialmente financiadas por dinheiro público, a fim de garantir que cidadãos com dificuldades económicas possam comprar ou arrendar habitações dignas. [Read more…]

O original de “Y Viva España” é belga

O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.

O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.