Conversas vadias 2

Qual é o fio condutor que liga a reabertura das escolas, o buzinão e a falta de carinho pelo Benfica, um cruzeiro aéreo, os penáltis escamoteados, o regresso de Bruno de Carvalho, o rapper Pablo Hasél, a liberdade de expressão em Espanha, o estado do Estado espanhol, refugiados austríacos em Portugal no pós-guerra, a FRELIMINHO, o Franquismo, o Viñolas e a sua ideia de matar padres?
O que liga tudo isto, e muito mais, é a vadiagem.
Esta é a segunda edição do Conversas Vadias, com a participação de António Fernando Nabais, Carlos Araújo Alves, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, António de Almeida e João Mendes.

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Conversas vadias 2
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A fotografia e os interesses de negócio de António Costa

Para sair bem na fotografia, António Costa diz assim:

Claro que a prioridade climática só interessa na medida em que não colida com o negócio, sendo metida na gaveta quando se trata de empurrar a todo o vapor e contra amplos protestos da sociedade civil um acordo de comércio livre (UE-Mercosul) que promove a desflorestação na Floresta Amazónica e no Cerrado, a expansão das monoculturas e pecuária intensiva à custa da destruição de ecossistemas naturais, a utilização massiça de pesticidas e a perda da biodiversidade, para além de pactuar com um presidente negacionista das alterações climáticas e sem escrúpulos em expropriar e violar os direitos dos povos indígenas.

Não saberá António Costa que, nos dois anos como presidente, Bolsonaro já vendeu 20.000 km2 de floresta tropical às companhias petrolíferas e de gás e que em 2020 a área desflorestada aumentou 10%, para mais de 11 mil quilómetros quadrados, ou seja, cerca de um nono da área de Portugal perdida em apenas um ano? Não saberá António Costa que o acordo vai agravar as alterações climáticas e perpetuar um modelo insustentável de negócio?

E tudo isto para trazer carne, soja e etanol para a Europa e vender carros e químicos aos 4 países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai)??? Ou talvez azeite?

Sr. Primeiro Ministro, basta de hipocrisia, dê ouvidos aos portugueses: segundo resultados de um recente inquérito em 12 países europeus, 85% dos portugueses concordam que o processo de ratificação deve cessar enquanto não parar a desflorestação da Amazónia.

E não nos queira deitar areia para os olhos com um anexo interpretativo, como aconteceu no caso do acordo EU-Canadá (CETA), que não vale o papel em que foi escrito, pois nada nele é vinculativo, “com dentes”, à altura do próprio acordo.

Ser campeão do Clima tem consequências e não são só as boas oportunidades de negócio das renováveis…

https://vimeo.com/454069419

P.S.- Petição Pública contra o acordo UE-Mercosul

Este país não é para resilientes

Transição energética, digitalização e obras públicas. É sobretudo destas três áreas que temos ouvido falar, quando o tema é o Plano de Recuperação e Resiliência. E poucas coisas nos dizem tanto sobre o país em que vivemos, sobre a União que integramos, como este conjunto de prioridades, que, não sendo negligenciável, em particular naquilo que diz respeito ao combate contra as alterações climáticas, parece ignorar uma parte do país real. A parte que foi silenciosamente empurrada para a pobreza, pela pandemia e pela ausência de uma estratégia que a contemple, que quer trabalhar e não pode, sem que nenhuma solução alternativa lhe seja apresentada. Os segregados deste admirável mundo novo.

E não, isto não se resume apenas à crise que se abateu sobre a restauração, sobre a cultura, sobre turismo, ou sobre o tecido produtivo, feito de micro, pequenas e médias empresas. Estão todos em muito maus lençóis, no doubt about that. Mas não são invisíveis, ou sequer ignorados, como outros que, não dispondo de tempo de antena, organização de classe ou de figuras mediáticas que os representem, com amigos influentes no Twitter e no Instagram, acabam esquecidos, nesta guerra pelos recursos europeus, ou pelas migalhas que sobrarão do banquete que se antevê.

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Estreia a Aventar

[Renato Teixeira]

Em tempos, quando saí do 5Dias, cheguei a conspirar com o João José Cardoso para rumar ao Aventar. Hoje já não temos entre nós o saudoso JJC mas essa conspiração ganhou forma pelo convite do Fernando Moreira de Sá. A blogosfera mudou muito nos últimos anos e eu não serei excepção a esse fenómeno. Dos acesos debates sobre este mundo e o outro, onde o tempo era mais importante que a gramática, agora o que se mantém vivo parece ser à conta mais da análise do que pelo relato do quotidiano. Mais pela investigação e denúncia, do que pelo pulsar de estados de alma. Não sei, agora que dou início a esta participação, o que mais me motivará, cá estaremos, eu e vocês, para o descobrir. Para quem nunca se tenha cruzado comigo cabe-me fazer a devida apresentação e declaração de interesses. Sou jornalista de formação e trabalho como consultor de comunicação, actualmente ao serviço do Sindicato dos Estivadores. Como jornalista trabalhei sobretudo temas relacionados com a política nacional e internacional e como consultor de comunicação passei de forma fugaz pela NextPower, do universo da LPM, e de forma mais prolongada pela CV&A. Politicamente comecei o meu envolvimento no movimento estudantil e no movimento antiglobalização e estive nos primeiros anos do Bloco de Esquerda, projecto que abandonei quando a maioria do partido deixou de colocar o PS no arco da governação para o passar a ter em conta para uma alternativa política. O Zé que fazia falta ao PS na CML, foi mesmo o balão de ensaio da geringonça. Depois de sair do partido dediquei-me sobretudo ao movimento social e sindical, bem como à causa palestiniana. Sou um refugiado de Coimbra em Lisboa, antigo da República Prá-kys-tão, apreciador de futebol e de gastronomia e serei sempre antifascista antes de tudo o resto. Obrigado ao colectivo pela abertura das portas deste espaço, onde espero poder contribuir para a bonita história de longevidade e diversidade que o Aventar representa.

Não podia dar inicio à minha participação no Aventar sem a devida homenagem a João José Cardoso, com quem partilhei a experiência militante, o amor pela escrita e a paixão pela Briosa.

Alfredo Quintana (1988-2011)

Em memória do menino de Havana que veio para Portugal cumprir o desiderato de ser o melhor do mundo, e que nosso país, pátria que já era a sua de coração, se tornou grande e nos tornou grandes. Um gigante do desporto português. Uma força viva da natureza, com uma capacidade de trabalho, com uma entrega e com uma paixão abismal pela sua profissão. O nosso desporto ficou mais pobre. Adeus Alfredo. Obrigado por tudo!

Sons do Aventar – Cupido

Foram 623 as candidaturas para as duas vagas reservadas às livres submissões, no Festival RTP da Canção 2021.
Este foi um dos 621 temas que não foram escolhidos, e chama-se “Cupido”.

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Pod do dia – Yellow submarine

Penso rápido, penso band-aid, logo existo…

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Como era óbvio!

O Ministério da Saúde decidiu usar SMS para convocar pessoas com mais de 80 anos e pessoas com 50 a 79 anos que sofrem de comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica.

Conforme foi anunciado em início de Fevereiro, o SMS “vai ser a modalidade preferencial de convocatória das pessoas destes grupos, sempre que haja informação no sistema que permita esse contacto”, explicou o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro

Como é fácil de constatar, nesta faixa etária há enormes dificuldades no uso da tecnologia, pelo que se poderia prever este desfecho: “Apenas 55% dos convocados responderam ao SMS para serem vacinados contra a covid-19“. [Read more…]

Fique em casa

Os pastores decidiram, que o confinamento é para manter…

Comunismo nunca mais!

Há 52 anos, em Praga, Jan Zajíc queimou o seu próprio corpo em protesto contra o comunismo. Não pode haver contemplações com um ideologia criminosa. Jan Zajíc é um herói.

Marcelino da Mata e outros instrumentos de propaganda

Não vou entrar no debate Herói VS Vilão. Na Guerra Colonial, o vilão era Salazar e o seu indissociável regime. Não havia outro. Todos os outros foram vítimas, umas mais que outras, e cada um fez as suas escolhas, mais ou menos condicionadas. Marcelino da Mata escolheu servir o regime fascista. Se o serviu por convicção, interesse ou medo, é dúvida que dificilmente será esclarecida. Podemos apenas especular. Mas isso também não interessa para nada! Porque a discussão que se gerou não foi sobre Marcelino da Mata, mas sobre o que certas forças quiseram que Marcelino da Mata representasse na hora da sua morte.

Digam o que disserem os saudosistas, Marcelino da Mata foi instrumentalizado pelo Estado Novo. Foi, literalmente, sem aspas, um instrumento de propaganda. Não está em causa se voluntariamente ou não. Poderá não o ter sido numa fase inicial, mas, seguramente, houve um momento em que percebeu qual o seu propósito e utilidade para o regime fascista: um negro leal ao regime opressor, que Salazar usou para dizer aos negros colonizados que aquela guerra não era entre a metrópole autoritária e as colónias subjugadas, mas entre um Portugal de todas as etnias e raças, que nunca existiu, e um bando de insurgentes criminosos, que calharam de ser todos negros e descendentes dos povos colonizados.

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Sopa de Letras – Lawrence Ferlinghetti

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Pod ser ou nem por isso – A igualdade de género e a importância do feminismo

Mais um debate da rubrica “Pod ser ou nem por isso”, desta vez dedicado à igualdade de género e à importância do feminismo.
Será que esta é uma luta que ainda é preciso travar? E de que forma?
São convidadas Leonor Rosas e Catarina Maia.
Debate moderado por Francisco Salvador Figueiredo e João L. Maio.

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Pod do dia – Sem gás

“Desculpe, Sr. Correia, mas não temos.”

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Pod do Dia – Mata

Guerra colonial (1961-      )

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Vai ficar tudo bem? Não,vai ficar tudo na mesma

A organização international ONE – que conta, no seu “board of directors”, com perigosos paladinos anti-capitalistas como David Cameron, Lawrence Summers, Sheryl Sandberg ou Bono Vox – publicou, no final da passada semana, um relatório que revela que o excedente de vacinas adquirido pelas nações mais ricas (UE, EUA, UK, Austrália, Canadá e Japão) seria suficiente para vacinar toda a população adulta do continente africano. Só que não, porque vamos todos sair disto mais unidos e fortes, a fazer corações com as mãos e a desenhar arco-íris nas janelas, a cantar kumbayas e o “põe tua mão na mão do meu Senhor”. E vai ficar tudo bem, eventualmente, excepto para aqueles que nasceram do lado errado da sociedade capitalista.

Polícia Socialista Parva (PSP)

Este fenómeno muito querido às esquerdas de tentar policiar o discurso e a própria História não é de agora. Aliás, já aqui tinha falado d’A Era do Cancelamento. No entanto, na semana passada tivemos três tentativas de cancelamento por parte da PSP. Digo tentativa, porque por muito que a esquerda transmita a sua ideologia em forma de única maneira decente de pensar, não acredito que consigam apagar a nossa História, para o bem e para o mal.

 

Começámos a semana com a tentativa de cancelar o Ricardo Araújo Pereira, porque este falou mal do PS. Parece-me que isto começou com uma socialista a lembrar que RAP já fez blackface e que usou termos homofóbicos, que “já lhe foi explicado que isso não é ok”. A PSP considera que é propriedade de uma instituição considerar os termos que estão à disponibilidade de Ricardo Araújo Pereira para utilizar nos seus sketchs humorísticos. A mesma esquerda que se pendura à liberdade de expressão para defender um rapper que faz apologia ao terrorismo é aquela que não pode ver uma cara com base a mais ou ouvir a palavra “maricas” num sketch. E nem estou a tomar um lado, estou a mostrar o duplo critério da PSP. Se é para cancelar consoante os nossos gostos, gostava de poder cancelar o Félix, porque ainda não esqueci aquele golo no Dragão. Não há cancelamentos pedidos?

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“Vida digna”, disse António Costa

Entretanto, do alto da sua função de presidente temporário e decorativo da burocracilândia europeia, António Costa quer um salário mínimo europeu que permita uma “vida digna” aos cidadãos da União, enquanto milhares de cidadãos do país que governa, dos sectores mais afectados pela crise, os chamados “não-essenciais” (apesar de essenciais para quem deles depende para comer e pagar as contas básicas), submergem na degradação provocada pelo abandono e pela ausência de soluções concretas, aprofundando a discórdia e a fractura social, a divisão e o confronto, que, em bom rigor, lhe permitem continuar a reinar. Que se desenrasquem, dizem uns. Que morram os velhos, dizem outros. Que triste enfrentamento, penso eu. E que excelente oportunidade de capitalizar com o sofrimento e a revolta, afirmará o neofascista de serviço, enquanto esfrega as mãos e se passeia, aos saltinhos de coelho-anão, por entre a merda que espalhou por todo o lado.

Sons do Aventar – Mãe preta

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Sons do Aventar – Mãe preta
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Pod do dia – confinamento

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Sem um Plano Nacional de Vacinação Brasil segue no caos

O Brasil já ultrapassa 240 mil mortes pela covid 19 e a (falta) de gestão bolsonarista segue aumentando o número de mortos. Fakenews, negacionismo, teatro para manter a boiada  cativa enquanto líderes tomam vacina na calada e falta de um plano nacional de vacinação, colocaram o país na berlinda. Para completar; várias denuncias de vacina fake, onde pessoas não são vacinadas de fato, além de doses inteiras perdidas por má gestão municipal. Parece um roteiro de um filme de terror mas está acontecendo na vida surreal brasileira.

 

Esquerda Direita Volver 2 – os caminhos da Esquerda em Portugal

Mais um debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com João Mendes, Fernando Moreira de Sá e José Mário Teixeira.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Organograma: a repetitiva, populista e demagógica cassete do fascismo português


Neste organograma, podemos contemplar o funcionamento simplificado do falso patriotismo e do racismo primário, inerentes à condição de militante/simpatizante da extrema-direita portuguesa, ela própria uma existência simplificada, falsa e primária. Nunca falha. Vira a cassete e toca a mesma.

Pod do Dia – Os vermelhos atrasam tudo

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Pod do Dia – Os vermelhos atrasam tudo







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Conversas vadias 1

Estreia das “Conversas vadias”, com Francisco Miguel Valada, Fernando Moreira de Sá, J. Mário Teixeira, Orlando Sousa, Francisco Salvador Figueiredo, Carlos Araújo Alves, e a ausência especial de António Fernando Nabais.

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Conversas vadias 1







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Calor de Verão

Sons do Aventar – Luís de Carvalho

Retrospectiva de 20 anos de carreira de Luís de Carvalho, ou Santrana, ou Pampas, em 4 temas e tons.

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Pod do dia – Avariáveis

O optimista concorda com o pessimista sempre que um deles diz: “As coisas só podem ficar pior!”

History will teach us nothing – Sting

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Excesso, Aqui

João Loureiro diz-se encontrar num filme sempre pop, cumprindo uma tradição familiar iniciada algures pelo mato da Guiné. Um irreal social provocado por diletâncias sem fim. Ah, explicar. Excesso, Aqui? Observo a extravagância…

Faltou um telefonema

Após a vitória histórica do Futebol Clube do Porto sobre a Juventus, no jogo de ontem, faltou um fiel e pontual telefonema, que acontecia sempre que o Porto ganhava um jogo nas competições europeias.

O telefonema do meu pai. Com a sua voz firme e sincera, a dizer “Parabéns!”.

Um adepto romântico e saudosista da Académica, que guardava sempre um espaço no seu coração para torcer pelo Porto, de quem exigia sempre mais e melhor.

Com a Académica, era paternalmente condescendente. Mas, com o Porto, não. Exigia a perfeição, num mesclado feito de vibração e tormento.

O Porto não podia falhar. Não podia perder. Excepto com a Académica, claro. Mas, isso eram contas de outro rosário, porque no demais o Porto não podia perder.

Sentia a vitória como se fosse também sua. E que lhe dava especial gosto quando o Porto defrontava os aclamados gigantes de Inglaterra, Itália, França ou Alemanha. E os derrubava. Numa revisitação romântica e marcadamente ideológica de David e Golias.

Há anos que esse telefonema só existe no arquivo da minha memória, algures na pasta da saudade, por entre separadores de vazio. E foi o que faltou, para a noite de ontem ter sido perfeita.