«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros. [Read more…]

Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

Pare de mandar recados

‘Por que não te calas?’, perguntam uns e outros.

Haja caras que digam

Não é só três, como houve um cara que disse. (*)

… no gramado — como vocês dizem, eu digo relvado —, no gramado… (**)

— Jorge Jesus (*, **)

Pirate punk politician
I got you in a bad position

—  Perry Farrell

Blow, bugle, blow, set the wild echoes flying,
Blow, bugle; answer, echoes, dying, dying, dying.

Tennyson

***

Vida nova pára Casillas no FC Porto ou vida nova para Casillas no FC Porto? Trânsito pára em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio ou trânsito para em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio? Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio ou bloqueio nos fundos da UE para projeto [perdão] de milhões na área do regadio? Tribunal pára despejos num dia em que uma morte trava uma vitória ou tribunal para despejos num dia em que uma morte trava uma vitória? Ninguém pára a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto” ou ninguém para a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”? No regresso para em Lourenço Marques para visitar uma irmã ou No regresso pára em Lourenço Marques para visitar uma irmã? Ninguém para o Benfica ou ninguém pára o Benfica? André Horta para um mês ou André Horta pára um mês? Ninguém para para o socorrer ou ninguém pára para o socorrer? Alto e para o baile ou alto e pára o baile? Para o bailinho ou pára o bailinho? Uma legislatura perdida para a Educação ou uma legislatura perdida pára a EducaçãoSalvio para a história ou Salvio pára a históriaMourinho para Portugal ou Mourinho pára Portugal (DDD, pp. 49-50)? Ah! O acento (e o assento). Ah! A Vida Nova. Ah! O Diário da República!

Efectivamente, no sítio do costume, é a vida velha:

Como diz Ana Cunha,

Este é um trabalho que está em curso, que continua.

De facto, está em curso, continua, não pára:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Estamos a pagar para destruir a Natureza

 

João Vasco Gama

O património natural tem um valor instrumental estimável (cuja destruição causa danos materiais e humanos quantificáveis) e um valor intrínseco inestimável (quanto é que a extinção dos Koalas vai custar? O impacto na actividade económica pode ser reduzido, mas isso não quer dizer que não seja uma perda relevante…).

O debate racional sobre os impactos ambientais da actividade económica deveria encontrar-se entre dois extremos. Um extremo daria um valor infinito ao valor intrínseco e consideraria qualquer impacto ambiental da actividade económica inaceitável – seria voltar para as cavernas, por assim dizer. O outro extremo daria um valor nulo ao valor intrínseco e consideraria que apenas nos importa maximizar o lucro no longo prazo, considerando aceitável toda a transacção económica que produzisse uma mais valia superior ao dano ambiental na componente “instrumental”. Seria só ver cifrões à frente, e só querer saber do consumo (no longo prazo). As posições não extremistas mas racionais estariam algures entre estes dois extremos. [Read more…]

Uma legislatura perdida para a Educação

[Santana Castilho]*

O último debate da legislatura sobre o estado da Nação, que hoje terá lugar, glosará certamente a questão: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? É facilmente percepcionável o que resultou de Tancos, Pedrogão Grande, da degradação dos serviços públicos (Saúde e transportes, particularmente), da austeridade embuçada ou do nepotismo do Governo. Mas passarão anos até que se tornem evidentes os resultados dos erros cometidos em matéria de Educação e a sociedade seja confrontada com os custos de tanta ilusão e de tantos sofismas. [Read more…]

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Há festa na Comissão

A eufórica Comissária Europeia do Comércio

Já a caminho da porta de saída, pressurosa, a (ainda) actual Comissão Europeia celebrou mais dois sucessos referentes a acordos comerciais: no final de Junho, anunciou um acordo político sobre o acordo comercial com o Mercosul e assinou os acordos comerciais e de protecção do investimento com o Vietname.

O acordo EU-Mercosul é sem dúvida uma boa notícia para a indústria automóvel, sobretudo a alemã, e um amargo revés para os direitos humanos, a protecção do ambiente e do clima e para a agricultura de pequena escala. Declara-se a salvação do clima em Osaka, continuando a destruí-lo através do acordo UE-Mercosul.

Quanto ao acordo comercial com o Vietname, este país do sudeste asiático não ratificou, até à data, três das oito normas laborais fundamentais da OIT e as violações do direito do trabalho fazem parte da vida quotidiana. Por exemplo, os smartphones Samsung são produzidos no Vietname em condições de trabalho subterrâneo. Ora, tal como é regra nos acordos comerciais da UE, o Acordo UE-Vietname não contém quaisquer disposições vinculativas em matéria de protecção ambiental ou de direitos laborais.

Mas isso é, sempre que se trata de negócios, secundário; o regozijo pelo “maior acordo comercial do mundo” é enorme e nele está sempre presente a cantilena da vitória contra o proteccionismo de Trump. Acontece que “Fazer o oposto de Trump”, não é  exactamente o mesmo que continuar a assinar acordos que accionam a descida de padrões sociais e ambientais e estimulam o corrupio de produtos com ou sem sentido, à custa do descalabro climático.

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]

Von der Leyen

vai responder aos eurodeputados dos Verdes, hoje, a partir das 15:30 (em Portugal) para ver em livestream aqui.

YES!!!

França anuncia ecotaxa para bilhetes de avião

“Dizes que não és racista…”

“A maior expressão de preconceito racial consiste, precisamente, na negação deste preconceito” palavras claras e clarividentes da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. “(…) eu, falando na primeira pessoa, acrescentaria que para além de ver, de ouvir e de ler, também sentimos”.

Inquietações ortográficas

On est encore libre de ses lectures.

Nicolas Sarkozy

Barney Fein: Who are these savages?

David Mamet

Ça commence à devenir, effectivement, très inquiétant.

Dominique Rizet

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Recentemente, consultei a versão electrónica do Expresso e o aspecto era este:

Havia sector e setor, na mesma página: tudo isto é um espectáculo e uma alegria, efectivamente, tudo isto é um forrobodó.

Provavelmente por andar a ler o Diário Oficial da União (para quem não souber, o homólogo brasileiro do Diário da República), o Expresso também transmitiu uns fatos que andam por aí:

No sítio do costume, a festa continua:

Eis, de novo, os factos esquecidos e os fatos novos, mas inadequados. É o tal grão de areia, há muito conhecido em S. Bento, a fazer das suas na engrenagem.

Bem-vindos à adopção do Acordo Ortográfico de 1990.

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Ferro sonha com a selecção do Brasil

«Seleção é um sonho, mas quero consolidar-me no Benfica». Efectivamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

Na mouche

Piropo: elogio ou estupidez?

Mundinho

Maria de Fátima Bonifácio cita uma “empregada negra” do prédio dela, Helena Matos apoia-a e argumenta que aquilo que a outra escreveu é “o que se vê e ouve na estação de comboios da Damaia”. Aguardo um dossier temático sobre alterações climáticas com informação recolhida no quiosque dos gelados da Praia dos Ingleses.

Ninguém para a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”?

Nada disso! Ninguém pára a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”. Efectivamente. Apesar de atualiza, Seleção, afetar, correto, outubro, atos, etc.

Melania Trump e Cristiano Ronaldo

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Na Eslovénia, pátria de emigrante Melania Trump, um fã da ex-modelo decidiu usar a sua motosserra para homenagear a primeira dama dos Estados Unidos com esta bela representação. O autor do primeiro busto de Cristiano Ronaldo no aeroporto do Funchal que se cuide.

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É oficial: Jair Bolsonaro é uma besta

Há cerca de um mês, Jair Bolsonaro lamentou a morte de Tales Fernandes, um artista funk brasileiro que foi um dos mais destacados apoiantes do então candidato presidencial, que dias antes tinha agredido violentamente uma mulher, com quem alegadamente mantinha uma relação extraconjugal e que teria engravidado. A mulher acabou internada nos cuidados intensivos do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, numa pequena cidade do interior de São Paulo. [Read more…]

“Tous les hommes sont égaux par nature et devant la loi”

Helena Matos afirma n’Observador que está a decorrer uma ostracização de Maria Fátima Bonifácio que escreveu um texto racista para o Público. Segundo Helena Matos, o que está em causa em toda a “polémica” é um castigo à autora que, segundo Helena Matos, até tem alguma razão no que diz porque é isso que se ouve sobre os pretos e os ciganos no comboio para a Damaia.

Helena Matos chama-lhe ostracização – com pouco fundamento porque a única coisa que o Público fez foi demarcar-se do artigo, algo que faz todo o sentido. Das duas uma, ou se é um jornal cuja linha editorial chama a atenção para as problemáticas do racismo e da discriminação ou se é um jornal que aceita, mesmo que implicitamente, que os pretos e os ciganos têm o mundo lá deles e “nós” – leia-se os brancos – temos o nosso. As duas é que não pode ser.

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É tão simples quanto isto: “Comércio livre ou ecologia!”

A casta de políticos mainstream e os adstritos comentadores andam a vender a tese de que o comércio livre é a resposta ao proteccionismo ceguinho de Trump. O que não gostam nada de enfrentar e empurram energicamente para debaixo do tapete, é a questão crucial da contradição intrínseca entre, por um lado, a promoção de um modelo de desenvolvimento que, à custa de ignorar as externalidades negativas, rodopia os produtos pelo globo, os vende ao preço “mais barato” e fomenta o descarte e, por outro lado, o combate ao descalabro climático.

Conforme sintetiza Serge Halimi: Doravante, todos sabem que o elogio, que se tornou consensual, dos produtores locais, dos circuitos curtos ou do tratamento in loco dos resíduos é incompatível com um modo de produção e de troca que multiplica as «cadeias de valor», isto é, que organiza a engrenagem dos porta-contentores nos quais as componentes de um mesmo produto «atravessarão três ou quatro vezes o Pacífico antes que ele chegue às prateleiras de um estabelecimento comercial».

Com o poderoso leque de acordos de livre comércio que a EU quer fazer passar à pressão, os Verdes, tão em moda, têm agora óptimas oportunidades de demonstrar quão verdes realmente são, seja no Parlamento Europeu, seja (em alguns casos em que a UE não conseguiu evitar que os acordos tivessem que “descer” ao nível nacional) nos respectivos parlamentos.

Não confio nada e parece que tenho razão: O parlamento do Luxemburgo está em vias de ratificar o CETA (acordo UE/Canadá), com o voto favorável dos Verdes.

Haverá corrupção no combate à corrupção?

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Por muito que nos tentem convencer do contrário, Portugal é um país onde a corrupção está enraizada nas diferentes estruturas da sociedade, dos serviços públicos às empresas, passando pelas autarquias, onde o compadrio grassa, e, claro, pelas estruturas de poder instaladas em Lisboa. E não, não é um problema inerente à democracia. Em ditadura foi igual, com a vantagem de ter ao seu serviço a censura, que impedia o debate e o acesso que temos hoje à informação.

Para ajudar à festa, parece que apenas 6% dos casos de corrupção, investigados pela justiça, chegam a julgamento. Os restantes 94% acabam arquivados, por falta de provas. Um desfecho feliz para os larápios do costume. [Read more…]

Donald Trump & friends

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Ninguém lhe arranja uma cimeira (ou um negócio de armamento) com o ayatollah Ali Khamenei?

Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]

Financiamento do Cavaco

Ministério Público investiga alegado esquema do BES para financiar reeleição de Cavaco em 2011. Não esquecer, em 2006 foi o mesmo.

Para comboio para salvar

Je ne regarde pas les émissions dans lesquelles je suis. Je regarde encore moins les émissions dans lesquelles je ne suis pas.

— Michel Onfray

When people say they want English to be pure — what are they talking about? Was Shakespeare pure?

Noam Chomsky

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De facto, um maquinista não para comboio para salvar cão acorrentado à linha ferroviária. Efectivamente, um maquinista pára comboio para salvar cão acorrentado à linha ferroviária.

Exactamente.

É o regresso do comboio, do para e do pára. Obrigado, Manuel Monteiro.

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As oportunidades áureo-pútridas do Mercosul

Franguinho com salmonela,  elevado índice de resíduos agrotóxicos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas, destruição da floresta amazónica, incentivo ao consumo de carne barata e muito mais, tudo associado a esse irresponsável acordo comercial UE-Mercosul – envolto nas impolutas vestes da batalha contra o proteccionismo.

Vale tudo.

Em França, na Alemanha, os agricultores ao menos fazem-se ouvir contra este ataque pérfido. Em Portugal, é só notícias de prosperidade e oportunidades douradas.

Fica um atestado de incompetência também à comunicação social em Portugal.

 

Pior era impossível

a ignóbil sobranceria e arrogância da tropa fandanga no conselho europeu.

Aquele cheirinho…

O número de elogios aos hospitais públicos foi o dobro dos elogios aos hospitais privados. Mas a maioria das notícias esqueceu-se de referir este detalhe.

Paira no ar um cheirinho a notícia plantada, vindo dos cantos que apregoam maravilhas a 3 hospitais geridos em PPP.

O documento que é citado por toda a comunicação social da mesma forma (1.º sinal de notícia plantada) diz que quase 70% das queixas na saúde dizem respeito a unidades públicas. Refere, ainda, que o Hospital de Braga, o Hospital de Cascais e o Hospital Vila Franca de Xira são aqueles que têm menos reclamações.

Estes números não dizem, porém, qual é a percentagem de reclamações em função do número de doentes atendido (2.º sinal da notícia plantada). Por exemplo, afirma-se que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o que tem o maior número de reclamações. Faz algum sentido fazer a comparação com o Hospital de Vila Franca de Xira sem sabermos qual é o universo de doentes de cada um deles? [Read more…]

«Tribunal para despejos num dia em que uma morte trava uma vitória»

Tribunal para quê? Para despejos.