A tenda de Renata Cambra


O Ministro diz que a decisão é só para a tenda de Renata Cambra. Que não seja por isso!

Uma excelente decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa

Efectivamente:

  • protecção,
  • Agosto,
  • Novembro,
  • objecto,
  • efectivação, 
  • adoptar, etc.

Os meus parabéns.

Nótula: O documento (pdf), cortesia cá de casa.

 

A desordem do Amparo

Conteúdo gerado com recurso à IA.

Luís Neves estava quase a afundar-se. Mas o cão que o mordia, agora dá-lhe carinhos.

Um director da PJ feito Ministro, com a missão de ser o pára-raios do governo, acaba refém da sua própria narrativa e da extrema-direita; ora porque impingiu a narrativa vezes demais tendo depois aceitado fazer parte de um governo moribundo desde o seu início, ora porque não foi transparente em relação aos casos que a si se colavam, ficando na palma da mão daqueles que o quiseram espalmar.

Em política ou comes ou és comido. E Luís Neves está a gostar assim, bareback, sem preservativo nem lubrificante.

Os luíses andam armados em vladimirs, prontos a mostrar que esta aliança é muito pouco democrática. Entende-se, estão a tentar copiar o original… só que não está a resultar, pelo que me parece que o final será feio, porco e mau.

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac…

António José Seguro é um inútil

António José Seguro é um inútil. Sempre foi. Quer como líder da JS, quer como secretário-geral do PS, quer como presidente da República.
Bem, como presidente sempre evitou a vitória do facho-mor, mas a esse até o rato Mickey ganhava.
O país está a ferro e fogo, mas ele nunca tem nada a dizer. Não disse depois da primeira carga policial; não disse depois da segunda carga, a não ser as banalidades que costuma bolçar e que tanto davam para se pôr do lado da polícia como dos manifestantes; e continua sem dizer nada depois da terceira carga policial desta madrugada.
O ministro Luís Neves, que já teria sido corrido há muito se não tivesse todos os poderes presos pelos tomates, tal é a lista de ilegalidades que cometeu na PJ, só se ri dele. Aliás, ele e todos os outros.
António José Seguro, o inútil, deve pensar que vai conseguir passar pelos pingos da chuva. Não vai. As suas mãos estão manchadas de sangue – e não estão menos que as de Pedro Duarte, Luís Montenegro ou Luís Neves.

Eu luto sempre do outro lado da luta

“Quer eu queira quer nao queira
no meio desta liberdade
filhos da puta sem razao e sem sentido
no meio da rua nua, crua e bruta, eu luto sempre do outro lado da luta
a policia já tem o meu nome
a minha foto está no ficheiro
porque eu nao me rendo porque eu nao me vendo.
“

Jeff Beck Group, Paris Theatre, Londres, 29 de Junho de 1972

A minha detenção ilegal na acampada do Porto


Hoje, de madrugada, fui detido na praça D. João I de forma ilegal, arbitrária e injustificada.
Por volta das 4 horas, uns 100 polícias de choque saíram das respectivas carrinhas armados até aos dentes. Com cães, capacetes, bastões, coletes à prova de bala, armaduras e tasers.
Investiram então, à bastonada, contra uns 300 manifestantes completamente desarmados que cantavam “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”.
Por mais que me solidarize com a justa luta dos nossos heróis, estava ali sobretudo para proteger a minha filha de 18 anos, a Leonor. É que esta noite adivinhava-se nova carga policial.
Não consegui protegê-la. Para além das bastonadas, as pessoas começaram a ser empurradas com uma força incomum, completamente desproporcional, a tropeçar e a cair nas escadas que dão acesso ao Rivoli.
Deixei de ver a Leonor quando caí ao chão naqueles degraus. Podia ter sido uma tragédia. Porque outras pessoas começaram a cair em cima de mim. Sentia-me a ser esmagado, só ouvia gritos e pessoas a dizer “cuidado, há gente no chão, não pisem”.
Mas era impossível não pisar. As pessoas caíam umas em cima das outras. Só pensava onde é que estaria a Leonor.
De repente, senti-me a ser retirado de baixo dos outros corpos. Pensei que me estavam a salvar.
Mas afinal eram dois polícias. Levantaram-me e, sem dizerem uma palavra, como se fosse um meliante de delito comum, um criminoso, algemaram-me e levaram-me para a carrinha celular. Nunca me disseram as razões da detenção ou o que quer que fosse. Disse que tinha caído, disse que precisava de saber da minha filha, mas não me responderam.
Na carrinha celular, para além das algemas de metal, colocaram-me umas abraçadeiras de plástico que praticamente não me deixavam mexer as mãos e que me deixaram marcas nos braços.
Olhei para a parte de trás da carrinha. Éramos 7 pessoas e vi, com alívio, que uma delas era a Leonor. Também tinha caído ao chão nas escadas e também fora tirada do chão e levada pela Polícia.
Já na esquadra da rua do Heroísmo, perto da antiga PIDE, tiraram-me as algemas de metal e deixaram apenas as abraçadeiras. Fiquei assim durante 4 horas. Revistaram-me. Fotografaram-me. Fui constituído arguido. Eu e os outros 6 detidos passámos estas 4 horas na “Sala de Apoio à Vítima”. É justo.
Deixaram-nos sair por volta das 8 horas.
Durante todo este tempo, nunca fui informado das razões da minha detenção ilegal.
À parte algumas dores nas costas e um cotovelo esfolado, estou bem.
Tive de esperar 55 anos para ser detido. E sabem que mais? Esta detenção é para mim uma medalha.

Qual é a pressa, coiso da República?

São neste momento 2.30 da madrugada.
Na praça D. João I, no Porto, os manifestantes pela habitação preparam-se para resistir.
14 carrinhas da polícia de choque estão prontas, mesmo aqui à beira, para massacrar uma manifestação completamente pacífica.
Estou aqui. A minha filha também.
Se tentarem bater nela, vão ter de bater em mim primeiro. Podem massacrar-me, mas vou resistir.
Qual é a pressa, coiso da República?
Merda de regime em que temos de escolher entre um fascista e um boneco das Caldas.

Reportar fatos em Setúbal

E eu quero dizer isto hoje aqui, perante vós, perante jovens: envolvam-se na política, na política do “pê” grande, porque é a política que resolve os problemas das pessoas, não é a política da trica, do passa-culpas, do adiar constante. Assim não saímos da cepa torta.
— António José Seguro (vídeo), 30/10/2026

***

O Aviso n.º 27032/2026/2 (pdf) aprova o Regulamento do Serviço Municipal de Protecção Civil de Setúbal e, através deste importante documento, fiquei a saber que uma das competências atribuídas ao Coordenador da Central Municipal de Operações de Socorro é a de reportar fatos. 

Efectivamente, reportar fatos.

De facto, nunca sairemos da cepa torta.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

***

Ranking das escolas 2026: Públicas em maioria no top 20

Apesar da palhaçada que é isto dos rankings das escolas, porque o incomparável nunca pode ser comparado, é sempre bom ver que as públicas, neste ano, estão em maioria no top-20: 15 contra 5 privadas.
O ranking da superação, levado a cabo pelo Público e pela Católica do Porto, não é perfeito. Mas ao introduzir critérios como o contexto socioeconómico das famílias, a escolaridade dos pais, a idade média dos alunos ou a percentagem de alunos com apoio da Acção Social Escolar, repõe alguma justiça e alguma verdade.
Um exemplo. Olhando apenas para os números absolutos, a Escola Secundária de Pinhel está em 72.°, mas no ranking da superação está em 6.°lugar, praticamente empatado com o Colégio do Rosário do Porto.
Já o Rosário desce do 2.° lugar em termos absolutos para o 5.° no ranking da superação. Atendendo a que entra ali mais de 1 milhão de euros por mês só em propinas, e o que valor global chega aos 2,5 milhões, talvez fosse de contar que os seus estudantes se superassem mais.
Como é possível querer comparar as duas escolas tendo em conta apenas os dados absolutos?
O Colégio do Rosário está numa das zonas mais ricas do Porto, a av. da Boavista. Faz parte da freguesia de Ramalde, mas na fronteira com Aldoar, Foz e Nevogilde. A maior parte dos seus alunos é destas freguesias. Pinhel é um concelho deprimido do distrito da Guarda.
O poder de compra per capita no Porto é de 162,2 (e muito mais naquelas freguesias), o 2.° do país. O de Pinhel é 70,8 – o 243.° do país.
O rendimento mediano por pessoa no Porto é €17397. Em Pinhel é €10062.
O salário médio no Porto é de €1555. O de Pinhel é €888. O valor patrimonial da famílias do Porto, em média, também é o dobro das de Pinhel. No caso das famílias de Aldoar, Foz e Nevogilde, não será o dobro, mas o quíntuplo.
Por último, a Escola Secundária de Pinhel não selecciona. Entram todos e ninguém fica para trás. No Colégio do Rosário, como nas boas escolas privadas, a malha da selecção é tão apertada que, há uns anos, até o filho do mais famoso guarda-redes da história do FC Porto foi convidado a bazar no final do 9. ano. Parece que o seu desempenho escolar era tão bom como o do pai fora de campo e, claro, as suas notas não podiam pôr em causa os sacrossantos rankings.
Nada do que se publica por estes dias é, pois, para se levar a sério. Na maior parte dos casos, aberrações. Os textos e quem os leva a sério.

Este fim-de-semana é bom para montar tendas no Porto

Os neonazis vão estar em festa na Maia. Não vai haver polícias para nos bater.

António José Seguro reuniu-se com especialistas ligados ao professor da habitação

“O Presidente António José Seguro reuniu-se, no Palácio de Belém, com um conjunto de entidades e especialistas ligados ao setor da habitação“

Portugal: um país de casas vazias e de pessoas sem casa

Milhares protestam no Porto pelo direito à habitação, protestos juntam centenas em Braga, Coimbra, Évora e Faro - Expresso

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Portugal tem mais de 700 mil habitações vagas. Tem famílias a viver em quartos, jovens que não conseguem sair de casa dos pais e trabalhadores que entregam mais de metade do salário ao senhorio. A crise da habitação é também uma crise económica. E talvez esteja na altura de começarmos a tratá-la como tal.

Os Censos de 2021 identificaram 723 mil habitações vagas. Cerca de 375 mil não estavam sequer disponíveis para venda ou arrendamento.

Nem todas são habitáveis. Algumas estão degradadas. Outras envolvidas em disputas de heranças. Muitas situam-se onde já ninguém quer viver.

Mas outras, milhares, estão precisamente onde milhares de portugueses não conseguem pagar uma renda.

É aqui que começa o paradoxo.

Portugal não tem apenas um problema de falta de casas. Tem também um problema de distribuição, utilização e acessibilidade das que já existem.

Durante décadas, o país construiu um modelo habitacional assente na propriedade privada, no crédito bancário e na expectativa de valorização imobiliária.

A construção abrandou drasticamente depois da crise financeira. Paralelamente, a população voltou a crescer, sobretudo pela via da imigração. O turismo expandiu-se. E o investimento estrangeiro encontrou no imobiliário português um destino atrativo.

Os salários, esses, não acompanharam os preços.

E o resultado está à vista.

Uma geração inteira que vê a autonomia adiada, para não dizer impossível. Famílias com dois salários que enfrentam dificuldades para arrendar um T1. Trabalhadores essenciais que são empurrados para cada vez mais longe dos centros urbanos onde trabalham.

O problema deixou de atingir apenas os pobres.

Quando dois salários deixam de garantir uma casa, já não estamos perante um problema exclusivo de pobreza. Estamos perante uma falha estrutural no acesso à habitação.

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A Tânia dos postes e a Felgueiras do saco azul

Jornalismo à portuguesa.

O presidente do FC Porto tem uma concepção muito estranha acerca do que é um contacto

Para o presidente do FC Porto, isto é um “contacto” normal. Lembrei-me logo do inofensivo contacto do dia 16 de Fevereiro de 2016.

Os Duran Duran fazem mais pela língua portuguesa do que muitos políticos portugueses com carreira internacional

Efectivamente: 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; 1, 2, 3, 4; etc.

O regresso da *refleção

Give up. If something is very hard, it might be impossible, and that might be where the real insight is to be found. For example, Pater (1999) introduced a markedness constraint that is violated by clusters of a nasal + voiceless obstruent like [mp]. The effort to construct a formal explanation for this constraint went nowhere. Pater’s insight was that this constraint cannot be explained formally but it can be explained in terms of articulation and perception.
–McCarthy (2008: 164)

***

A lógica, aparentemente, é simples: se o <c> de *reflecção, segundo a base IV do Acordo Ortográfico de 1990, não é pronunciado, não deve ser grafado. Logo, *refleção. Contudo (e convém ler este texto até ao fim e não ficar pelas gordas), a forma *reflecção deve ser preferida a *refleção, porque, já se sabe, a presença do <c> justifica-se pela função grafémica, pelo padrão grafémico estabelecido através da relação com formas afins constituídas por <x> com valor /ks/, como anorexia→anoréctico; caquexia→caquéctico; hipotaxe→hipotáctico; parataxe→paratáctico; profilaxia→profiláctico; metafilaxia→metafiláctico; clímax→climáctico; genuflexo→genuflectir; reflexo, reflexão→reflectir e por aí fora.

Como sabemos, *reflecção não se grafa com <cç>, mas sim com <x> (reflexão). No entanto, alguém que cometa um erro como o da imagem que se segue (retirada desta apresentação), apesar de tudo, tem presente que deveria haver um c antes do ç. Há um erro ortográfico, pois, mas acrescido de uma denúncia daquilo que está subjacente.
A grafia *reflecção seria um erro ortográfico, sim, mas, grafemicamente, nem por isso. Por seu turno, a grafia *refleção teria (nos casos em apreço, tem) dois erros de uma penada: ortográfico, porque reflexão não é com <cç> e sim com <x>, e grafémico, porque a grafia *reflecção reflecte um padrão grafofonémico, enquanto *refleção não reflecte absolutamente nada.
Lembrei-me disto hoje, por causa de um post de Manuela Matos Monteiro no Facebook (visto na página de Ana Cristina Leonardo) com esta imagem:

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O boneco das Caldas

Era eu tamanino, terá sido há uns 50 anos, estava de férias com os meus pais na Inatel da Foz do Arelho.
Certo dia, fomos dar uma volta pelas Caldas da Rainha. Visitámos os principais monumentos, da igreja de Nossa Senhora do Pópulo à estátua de D. Leonor, e passeámos pelo centro.
Numa das muitas lojas com montras cá fora, havia uma que apresentava dezenas de bonecos de cerâmica pintados com as cores dos clubes de futebol.
Como não podia deixar de ser, pedi logo ao meu pai um boneco com as cores do FC Porto. Queria mesmo aquele boneco. A reacção dele foi estranha, mostrou desconforto, disse que não e depois que, se quisesse, que comprasse com o meu dinheiro.
Estranho, o meu pai nunca me negava nada. Porque eu nunca pedia nada. Ainda por cima, ele adorava o FC Porto.
Mas comprei e levei para casa. Era tão bonito! Camisola azul e branca em pele rosada e, à frente dos calções, que imaginei azuis, um pano branco até aos pés com o emblema do FC Porto.
Já em casa, enquanto brincava com o boneco, reparei que tinha um fio junto aos pés. Então puxei o fio e o pano branco com o emblema do FC Porto levantou-se. Foi nessa altura que percebi a reacção do meu pai.
50 anos depois, relembro com um sorriso esse episódio.
Conservei o boneco apesar das dúvidas. Mas lamento muito não ter seguido a vontade do meu pai. Comprei-o esperançado em muitas alegrias, porque prometia muito, mas na verdade nunca serviu para grande coisa.
O boneco das Caldas é hoje uma sombra do que prometeu. Não tem cabeça. Partiram-se os pés de barro. Já caiu o pano branco com o emblema do FC Porto que lhe tapava os calções.
Olhei para ele hoje e reparei que lhe faltavam os tomates. Foi então que percebi que nunca os teve.
Fiquei triste com o estado a que chegou, as minhas filhas disseram-me para ir restaurá-lo. Disse que não, nos próximos anos não vale a pena, pior não fica. Insistiram, pode ficar pior, eu disse que não, não vale a pena gastar dinheiro naquilo e perguntei afinal qual é a pressa?

A vitória de Lula e a derrota de Mark Zuckerberg


A manif pela habitação já tinha terminado, na praça D. João I, quando se soube da vitória de Lula

Ao longo de toda a campanha eleitoral no Brasil, a Meta interferiu de forma activa a favor de Flávio Bolsonaro. Restringiu o alcance do perfil de Lula no Instagram, interrompeu a contagem de visualizações dos seus posts, retirou as suas páginas dos mecanismos de busca, a sua IA gerava a imagem “Vote Flávio 22” e recusava “Vote Lula 13” e, quando alguém pesquisava a expressão “exército de Lula”, sugeria em alternativa “tropa de Bolsonaro”.
Para além dos genocidas Bolsonaro, Trump e Netanyahu, a vitória de Lula foi também a derrota da Meta de Mark Zuckerberg.
Nada de novo nisto tudo. Ainda há dias, a Starlink de Elon Musk reduziu deliberadamente a sua potência na Ucrânia, de forma a tornar ineficazes os drones de defesa anti-aérea do país face aos ataques do invasor russo.
Ou a Google, que para além das interferências contínuas na política através do seu algoritmo (mesmo nestas presidenciais brasileiras), está sempre de pernas abertas para Donald Trump, sempre disposta a mudar a geografia do mundo ao sabor dos devaneios do amigo de Epstein.
Farto destes gigantescos grupos económicos maiores do que países e que se arrogam no direito de interferir na sua política interna.
Pela minha parte, faço o que posso. Nos últimos dias, tenho-me divertido a encerrar todas as contas que mantinha nessas empresas – Facebook, Instagram, Twitter, Google, Microsoft ou Tik Tok (cada vez mais nas mãos de judeus sionistas americanos) – e a substituí-los por pequenos projectos europeus.
É surpreendentemente fácil. Tão fácil que, embora não dê para fazer tudo de um dia para o outro – é a nossa vida de décadas que está no Windows, num endereço de email ou numa nuvem – até é possível substituir em minutos o Google por um motor de pesquisa alemão que usa 100% dos seus lucros para plantar árvores e lutar por outras causas ambientais.
É a minha pequena vitória contra as forças imperialistas americanas e os seus ataques neo-coloniais à soberania dos Estados.

Viver para lutar mais um dia

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, multidão, o Portão de Brandemburgo e texto

Domingo terminou melhor do que começou. Depois dos acontecimentos vergonhosos e indignos – ou dignos de regimes nada recomendáveis – desta madrugada, no Porto e em Lisboa, sobre os quais todos falaremos nos próximos dais, o dia termina com duas vitórias inesperadas e igualmente históricas.

Na Sérvia, país que me passou a ser querido no dia em que a minha maravilhosa cunhada Sanja entrou na minha vida, os estudantes que foram para a rua e se organizaram para combater o autoritarismo, a corrupção, a instrumentalização da justiça e a repressão do regime Vučić transformaram-se em partido e esmagaram a extrema- direita.

As projecções apontam para 130 e 140 deputados num parlamento de 250.

Épico!

Putin, que apoiou directamente Vučić, é um dos derrotados da noite.

Trump é outro dos derrotados, pese embora tenha sido mais discreto no seu apoio.

Goste-se ou não deles, foram os valores europeus, os valores da democracia liberal, que triunfaram sobre a internacional neofascista. Podemos entrar aqui em detalhes, fazer um cherry pickingzito e dizer que a UE e os países europeus também têm telhados de vidro, e têm mesmo.

Mas Vladimir Putin joga noutro campeonato.

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Um mundo normal

For all the ordinary people in this world, we wish upon you an ordinary world.
— Simon Le Bon, Thunder Valley Casino, Lincoln, Califórnia, 9 de Janeiro de 2026

Pois é, estamos a precisar de um mundo normal.

Até logo.

Nótula 1: Não tenho registo áudio da apresentação de Ordinary World, no Castle Howard, em Junho de 2022, mas lembro-me de, perante um público maioritariamente britânico, Le Bon ter pronunciado Ordinary sem silabar, de rompante, ou seja, /ɔːʳdɪnri/, como aqui, exactamente o contrário do que faz quer na apresentação registada no vídeo acima (fala pausada, cuidada), quer (sempre) na própria canção. Veremos o que faz hoje.

Nótula 2: Na foto de chamada, temos Warren Cuccurullo, peça fundamental do Ordinary World.

Nótula 3 (actualização da N1, quase no dia seguinte, pela hora de Bruxelas): Tivemos hoje Ordinary de novo silabado, como na apresentação registada no vídeo acima. Eis o meu registo:

A música que o Luís Montenegro e o Luís Neves odeiam


Porto, 25 de Outubro de 2026 – Somos todos antifascistas
“A fruta está podre, já não se remenda
Só bem cozidinha no lume da contenda
Nós queremos trabalho e casas decentes
E carne do talho e pão para toda a gente
Ai, meus ricos filhos, tantos nove meses
Saem do meu ventre p’ra pança dos burgueses”

A música que o Pedro Duarte odeia


Porto, 25 de outubro de 2026 – 25 de Abril sempre / Fascismo nunca mais

Cantar a Grândola com todos vós foi uma honra. Obrigado.

O senhor ministro diz que acompanhou a São

Tivera ele acompanhado acção e, se calhar, teria visto coisas que não pôde ver, porque acompanhou a São.

Nótula: Imagem pescada no Twitter pelo amigo de um aventador.

Outra Nótula:

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, diz que esteve a acompanhar as operações policiais e que só viu “uma bastonada” nos confrontos desta noite com a polícia, no Porto e em Lisboa, durante os protestos por mais habitação, e considerou que o uso da força pela PSP foi “proporcional”. “Acompanhei a acção e só vi, uma única vez, que face a uma manifesta oposição, que um bastão tenha sido utilizado. Portanto, o que eu vi, e acho que vimos todos, foi força física para, de facto, fazer cumprir a lei e o Estado Direito, é disso que estamos aqui a falar”, afirmou Luís Neves, à margem de uma cerimónia em Celorico de Basto, garantindo que apesar de ninguém gostar deste tipo de imagens, a PSP continuará a agir sempre que for necessário.

Minutos depois das declarações do ministro da Administração Interna, a assessoria de Luís Neves veio esclarecer que o ministro não estava a referir-se ao uso de apenas um bastão na última madrugada, nos confrontos entre manifestantes e polícia.

A referência do ministro à utilização de “um bastão” na operação da PSP, no Rossio, “não pretendia enumerar exaustivamente a quantidade utilizada, mas apenas, como é, aliás, testemunhado pelas inúmeras imagens publicadas, que foram usados bastões apenas numa situação específica no Rossio”, refere o esclarecimento.

O ministro pretendia, segundo a informação transmitida aos jornalistas, “contrariar a tese de que a polícia tinha dispersado os manifestantes ‘à bastonada’, como tem vindo a ser erradamente repetido”.

Bonnie “Prince” Billy – I See A Darkness (Ao vivo na KEXP)

Os camisas negras fascistas voltaram a atacar


Mais uma repressão policial no Porto e em Lisboa, ordenada por um presidente da Câmara COBARDE e autoritário – aprendiz de facho – que não tem qualquer problema em massacrar o seu próprio povo.
Por um ministro que tem mais esqueletos no armário do que a capela dos Ossos e que ninguém sabe por que ainda está no cargo. Por um primeiro-ministro desaparecido em combate, certamente escondido numa das suas 55 casas enquanto chama egoísticos aos manifestantes.
E perante a cumplicidade e a complacência de um presidente da República que foi eleito também com o meu voto e que se tem revelado uma inexistência, uma nulidade. Uma rainha de Inglaterra à moda das Caldas, a quem só apetece mandar para o…
Quanto aos polícias, são os idiotas úteis do regime bafiento de 24 de Abril. Há alturas em que a única solução é desobedecer, mas infelizmente eles nunca leram Salgueiro Maia.
Dezenas de feridos, alguns graves, gente hospitalizada. Entre os quais um senhor de 60 anos. Comunicação social afastada de madrugada. Armados dos pés à cabeça. Com cães. Escondidos os rostos. Ratos, são ratos.
Auto? Não existe. Legalidade, necessidade e proporcionalidade? Para quê? Fazem o que querem, não precisam de cumprir a lei. O autoritarismo não tem leis nem regras.
Estão a testar os limites de todos. São finos como ratos. Tentam a todo o custo que a manifestação deixe de ser pacífica para poderem ter legitimidade para os massacres que aumentarão de intensidade.
Voltei ao Aventar 5 anos depois para vos denunciar. Fui às manifestações por vossa causa. A vossa violência só terá o efeito contrário.
Logo à noite lá estarei.
Que ninguém desista. O que não falta é tendas.
E já agora mudem os cânticos. O fascismo não passará? O fascismo já entrou e já entrou há muito.

Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e o Acordo Ortográfico de 1990

First, how are implicit and explicit knowledge to be operationalised so that they can be measured, and what is the evidence for implicit second language knowledge according to these criteria?
–Williams (2009)

***

Os candidatos Lula da Silva e Flávio Bolsonaro participaram no segundo e último confronto televisivo antes da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras. Sobre o primeiro, já vimos alguns aspectos interessantes. Quanto ao segundo, seleccionei uma intervenção de Bolsonaro, para que se reflicta acerca dos tais “factores de desagregação da unidade essencial da língua portuguesa” criados pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva enfrentaram-se no último debate das eleições presidenciais deste ano, na TV Globo (Foto: EPA/BBC-Brasil)

Diz-nos Bolsonaro que ouviu muitas vezes, sobretudo enquanto andava pelo Nordeste, a palavra «decepção», salientando que a esperança se tinha transformado em decepção e em medo. Em português europeu, para Bolsonaro ver a palavra decepção, terá de ler textos sem AO90. Parece incrível, mas é verdade. Decepção com <p> em português europeu? Só em português europeu com regras claras e adequadas, ou seja, antes do AO90. Com AO90, o <p> mantém-se no Brasil e desaparece em português europeu.

No Brasil, segundo Bolsonaro, a esperança transformou-se em decepção. É uma asserção subjectiva. Em português europeu, como sabemos, por causa do AO90, a decepção transformou-se em *deceção, mas a decepção manteve-se intacta no Brasil. É um dado objectivo. Aliás, a frase de Bolsonaro “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção” é reveladora: vemos duas palavras afectadas pelo AO90 em português europeu (actual —> atual; decepção—>deceção) que não são afectadas em português do Brasil (atual —> atual; decepção—>decepção).

PB sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”

PB com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou decepção”

PE sem AO90 “Essa é a palavra que se refere ao actual Governo, porque a esperança virou decepção”

PE com AO90 “Essa é a palavra que se refere ao atual Governo, porque a esperança virou deceção”

Ou seja, nesta frase, havia uma diferença entre as duas normas antes do AO90 e continua a haver uma diferença entre as duas normas com AO90. Com a agravante de se ter criado instabilidade grafémica em português europeu e para quê? Para atingir esta “unidade essencial da língua portuguesa”.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

***

Diário do Genocídio – Chamavam-se Rafeef, Muhammad e Mu’taz



Parece que, para a comunicação social portuguesa, não se passa nada em Gaza. Basta fazer uma pesquisa breve. O tema simplesmente desapareceu das notícias.
Mas alguém tem de continuar a denunciar o genocídio em curso, já que quem de direito não o faz.
Os jovens das fotos foram assassinados ontem pelas forças nazisraelitas. A de cima, Raffeef Lubbad, tinha 17 anos e foi assassinada com um tiro na cabeça em Jabala quando regressava a “casa”. Simplesmente executada por motivo nenhum. Por puro entretenimento enquanto caminhava normalmente.
O do meio, Muhammad Hussam Shaeen, tinha 16 anos e foi morto no campo de concentração de Al-Maghazi. O de baixo, Mu’taz Mahmoud Al-Namr, tinha 23 e foi morto durante o ataque a Al-Nasr. Apenas mais três entre tantos outros.
Entretanto, a táctica da fome continua. Nazisrael não deixa entrar comida em Gaza. Cada dia é uma batalha pela sobrevivência. No meio dos escombros, procura-se o que quer que seja que permita aguentar um dia mais.
Tal como a comunicação social, os políticos ocidentais, incluindo os portugueses, vão fingindo que não se passa nada. Tinha uma série de adjectivos para os qualificar. Mas direi apenas que são cúmplices do Genocídio, são tão criminosos como os nazisraelitas.

A coerência de Miguel Araújo


Está na luta pela habitação no Porto da mesma forma que está no Meo Comédia à La carte dos sionistas Mourão e Seinfeld. Tem lógica: também existe um grande problema de habitação em Gaza.

P. S. – Fontes bem informadas dizem-me que o Miguel Araújo da manif pela habitação no Porto é um rapaz desconhecido e não o vocalista da banda “Os Azeiteiros”.
Resta-me, pois, fazer um pedido de desculpas ao Miguel Araújo dos bons. Perdão por tê-lo confundido.
Quanto ao outro, afinal não é um sionista que se preocupa com os problemas da habitação em Portugal. É apenas um sionista.

Ainda a habitação: Obrigado, Deslandes!


“Os cidadãos do Porto pegaram nas suas coisinhas, acamparam na Praça, exigiram mudanças e disseram isto não dá para continuar a viver assim.
E o que é que aconteceu? São agredidos pela Polícia no preciso momento em que deixa de haver comunicação social, são agredidos com uma violência absolutamente desproporcional.
A Polícia é mandada, por isso alguém mandou.”