Não ao Cartão do Adepto!

Infelizmente, vamos com mais de dois meses de futebol na atual época e a maior agressão à liberdade individual dos adeptos alguma vez vista continua em vigor. Continuamos a ter os adeptos divididos entre potenciais criminosos que têm de ser perseguidos através de um chip e os que não. Neste momento, levar uma bandeira, uma faixa ou um instrumento de sopro para um estádio de futebol só é permitido se o Governo souber onde andas. E se tiveres menos de 16 anos? Não podes levar uma bandeira de qualquer maneira, porque nem podes entrar nas zonas para quem tem Cartão do Adepto.

 

Ao contrário do que previa, confesso que os adeptos portugueses estão a dar uma excelente resposta. As zonas do Cartão do Adepto estão ao abandono. Os próprios grupos estão a resistir como podem, contornando a lei feita às três pancadas. Tal como já nos habituou, o Estado português adora importar ideias que não resultam. Mas desta vez, já não sou eu a dizer que o Cartão não resulta. É a realidade que o diz. [Read more…]

Ricardo Salgado e a ala psiquiátrica de Caxias

Irmgard Furchner, uma alemã de 96 anos que, aos 18, era secretária no campo de concentração de Stutthof, começou esta semana a ser julgada por alegadamente ter contribuído para a morte de 11412 vítimas da barbárie nazi. Atrás da secretária.

Furchner não é a primeira nonagenária a ser chamada pela justiça alemã, pese embora as dúvidas sobre o seu envolvimento directo naquelas mortes. Tinha 18 anos, estava, como a maior parte dos alemães daquele tempo, brainwashed pela propaganda nazi, cumpria as ordens – administrativas – que lhe eram impostas e é pouco provável que tenha disparado algum tiro ou ligado as câmaras de gás. Apesar de tudo isto, a justiça alemã não teve dúvidas nem vacilou. A justiça é para cumprir e os alemães não brincam. Talvez isso ajude a explicar muita coisa.

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Alegria democrática

No discurso dos políticos, há o hábito de usar adjectivos de um modo que sempre me pareceu curioso. Ainda não me tinha aparecido um exemplar de alegria “democrática”.

 

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Alegria democrática







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Deixem os impostos em paz

Portugal está em ebulição com os mais recentes aumentos do preço dos combustíveis, que se juntam a toda uma factura fiscal para lá de obscena, que já o era, bem antes das últimas subidas. Não pela sua dimensão, que continua a ser, no global, inferior à de algumas das nações mais prósperas do planeta, mas porque o retorno que os contribuintes recebem do Estado português está longe, a anos-luz, de ser proporcional ao esforço fiscal a que são submetidos.

Em bom rigor, e olhando para os números e para os factos, não para alguma propaganda libertária ou ultraconservadora anti-Estado, parece-me inegável que as democracias mais prósperas do planeta, a todos os níveis, nomeadamente aqueles que verdadeiramente interessam ao grosso das populações, como os sistemas de saúde, a educação, a segurança social, o auxílio a trabalhadores desempregados, o apoio às franjas mais desfavorecidas e/ou excluídas e, claro, o bem-estar geral e índices de felicidade, são aquelas que aplicam taxas mais elevadas sobre os rendimentos do trabalho e/ou de capital, com o caso dos países nórdicos à cabeça. Não há como contornar isto. A diferença, claro está, reside na proporcionalidade e no rigor da gestão da coisa pública.

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Não quero pagar a transição energética

Talibãs do politicamente correcto, pretendem impor a sua visão dogmática à sociedade, apresentando como verdade cientificamente inquestionável, matéria que está longe de consensos científico e levanta questões ainda por responder. Os que não embarcam na agenda, são apresentados como negacionistas ou excêntricos, na melhor das hipóteses.
No entanto, existem evidências históricas que o clima do planeta Terra era mais quente que hoje, entre 800 e 1200 DC. Já entre 1350 e 1850 DC era mais frio que hoje. Se é irrefutável que a temperatura aqueceu nos últimos 150 anos, é questionável que seja apenas como nos tentam vender, motivada pela revolução industrial, ou poderemos então apontar os vikings como responsáveis pelo anterior período de aquecimento? Obviamente que o primeiro destes factos é omitido pela corrente dominante e acéfalos avençados, já o segundo é propagado até à náusea. Não interessa que os cidadãos, possam levantar questões que coloquem em causa o pensamento oficial. [Read more…]

Propostas concretas? Re-jei-ta-do!

    Relembro que este Projecto de Lei, proposto pelo Bloco de Esquerda, foi apresentado em Setembro passado na Assembleia da República. Há por aí uns partidos de direita a barafustar contra impostos sobre combustíveis (quando na semana em que os impostos descem miseravelmente, as gasolineiras aumentam o preço do combustível – acreditar na boa intenção do mercado é só risível) e contra o preço dos combustíveis.
    Mas eu relembro:
  • Em Setembro, foi votado o Projecto de Lei do Bloco de Esquerda que pretendia introduzir um regime de preços máximos nos combustíveis, adoptando medidas anti-especulação que evitem a subida generalizada dos preços impulsionada pelo mercado.
    O Projecto de Lei foi rejeitado com os votos contra do centrão onde, na AR, costumam fazer filão para combater a Esquerda (PS, PSD e CDS); e com os votos contra dos populistas neo-fascistas do CH e dos populistas de outdoors neo-liberais da IL. O PAN, sempre tão lesto na defesa do bóbi e do tareco, absteve-se.
    Sei bem que isto não passa na TV; ora porque não convém expor a hipocrisia dos partidos do centro e da extrema-direita, ora porque é mais fácil fazer barulho sem que se perceba uma vírgula do que se está a dizer. Mas aqui está: relembre-se.

Sessão contínua: secção ou *seção?

O googledocs, ferramenta utilizada em muitas escolas, propõe que se escreva “seção” no lugar de “secção”. Os alunos que recorrerem a este instrumento tenderão a considerá-lo uma autoridade, pelo que muitos passarão a escrever “seção” e, destes, alguns passarão a pronunciar de acordo com a grafia.

Helena Figueira explica, chega mesmo a garantir, que “secção” é grafia portuguesa que permanece inalterada pelo chamado acordo ortográfico (AO90). A infopédia não faz referência a “seção”, o Priberam informa que é grafia brasileira, tal como acontece com o Vocabulário Ortográfico Português. Este, no entanto, na coluna da direita, anuncia que a pronúncia lisboeta é  sɛ.sˈɐ̃w (ou seja, seção).

Em que é que ficamos? Ortograficamente, em nenhures, ou seja, no país desencantado do AO90.

 

Ah, mas os professores têm de explicar aos alunos como é que se escreve e tal e coiso!

 

Longe de mim desvalorizar os oficiais do meu ofício, mas deixai-me explicar-vos o seguinte: [Read more…]

Conversas vadias 31

Vadiaram bravamente Francisco Miguel Valada, António Fernando Nabais, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, João Mendes e António de Almeida. Começou-se por Aristides de Sousa Mendes, fez-se uma referência velada ao único deputado que pôs em dúvida o valor do antigo cônsul português em Bordéus, reconheceu-se que a ditadura pode ser prejudicial à saúde, de Brecht chegou-se à importância dos trabalhadores e dos pequenos em todas as grandes conquistas, falou-se de Carlos Moedas, das eleições no PSD, ou seja, de Rui Rio e de Paulo Rangel, acompanhou-se o guião do filme do Orçamento de Estado, aludiu-se a Ricardo Salgado, à vergonha nacional das taxas de Justiça ou de justiça, mais a transição energética, a pobreza na rica Catalunha, os vários capitalismos. Como de costume, encerrou-se com sugestões – cinema, música, postais (sim, postais mesmo em papel), política musicada, viagens e formação em guerrilha urbana.

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Conversas vadias 31







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«Temos de ter a humildade de admitir que é sempre possível melhorar o OE»

Pois tendes. E a solução é simples.

A pegada liberal a puxar para o fundo

O êxito dos partidos liberais junto dos jovens nesta altura do campeonato – ao fim de mais de três décadas de triunfante neoliberalismo, com os seus brutais efeitos no aumento da desigualdade, o predadorismo ambiental, a obstinação na competitividade e a maximização do lucro a todo o custo, o crescimento e poder desmesurado das multinacionais, o espezinhamento do bem-comum, uma globalização insana, etc. – ultrapassa a minha capacidade de entendimento e esboroa a minha já parca confiança no ser humano.

Nas recentes eleições legislativas na Alemanha, a faixa etária dos 18 aos 24 anos votou quase tanto nos Verdes (23%) como no partido liberal FDP (21%), o qual recebeu a maior parte dos seus votos exactamente desta faixa etária.

Vá se lá perceber isto. Pergunto-me se, por via das redes sociais, da magia dos unicórnios, start ups, hubs e labs os jovens já vêm formatados para servir o grande capital e insuflados de individualismo. [Read more…]

Monólogo venturoso

Nós somos a favor dos portugueses de bem, somos contra os bandidos, também não gostamos da violência, mas os bandidos deviam era estar presos, somos contra qualquer espécie de violência, mesmo a das espécies mais evoluídas, quando mandarmos vai acabar a bandalheira do twitter, temos um problema com os ciganos, somos orgulhosamente portugueses, temos orgulho na história pátria, a senhora deputada Joacine devia ser devolvida à terra dela, violência é que nunca, somos violentos contra a violência, não é contra as pessoas, tirando os bandidos e os ciganos, que ou não são portugueses ou não são de bem, eu não tiro fotografias com bandidos, prefiro tirar fotografias com portugueses de bem, como os neonazis que estão no meu partido, os políticos deste país são uma vergonha, tirando eu, que cumpri o que prometia, demitindo-me e candidatando-me logo a seguir, numa demissão assim mesmo a sério, somos contra a violência dos nossos partidários de Viseu que agrediram um paneleiro que talvez não fosse homossexual, mas o problema de Portugal é a comunidade cigana, tal como essa gente que vive de apoios, ao contrário dos banqueiros que vivem do Alzheimer.

Direitos Humanos: por cumprir

“Não sou livre enquanto outra pessoa for prisioneira, mesmo que as suas correntes sejam diferentes das minhas” – António Alves Vieira (1987-2018)

Enquanto continuar a haver medo, a luta não terminará. Direitos LGBTQI+ são Direitos Humanos; e enquanto os primeiros não estiverem totalmente assegurados, os segundos nunca serão cumpridos.

Pratiquei desporto muitos anos; futebol, em concreto. Por ter a experiência, sei que estou em condições de dizer taxativamente: o mundo do futebol é um mundo machista e homofóbico. Não se enganem; gosto muito de futebol. Mas as coisas são como são. Por isso, enfrentemos a realidade de frente e mudemos o paradigma.

O medo das represálias por parte do patronato, de colegas e adeptos é avassalador. Saber que se pode ser afastado por se ser homossexual é aterrador, desumano e pressiona, muitas vezes, a que se tome uma decisão. E essa decisão, por norma, tem dois caminhos: a aceitação da vida que se quer levar ou a morte. Não raras vezes, pelo estigma, pelo preconceito, pelo isolamento, este caminho acaba na morte. [Read more…]

Somos governados por negacionistas

Nestes tempos que vivemos, aos olhos do Estado e sua armada, a linha entre céticos e negacionistas é bastante ténue. Toda e qualquer atitude que questione decisões do Governo ou das altas instituições em relação à pandemia é intitulada de negacionismo. Os progressistas de antigamente combatiam o sistema em busca de algo mais, os de hoje tornaram-se servos do Estado sem saber muito bem porquê. Talvez por todos termos cada vez mais poder nas mãos, podendo dar opiniões em plataformas ao alcance de qualquer um, boa parte da sociedade deixou de reconhecer o cinzento e tornou tudo numa questão de preto ou branco.

Questionar a necessidade de máscaras com 85% da sociedade vacinada é negacionismo? Questionar a necessidade de máscaras em salas de aula com indivíduos vacinados e que pertencem a um grupo etário com taxa de mortalidade praticamente nula, prejudicando a aprendizagem e dando mais probabilidade a problemas de saúde a longo prazo, é negacionismo? Questionar a eficácia das vacinas, devido aos rumores de uma possível terceira dose ou não, é negacionismo? Questionar as imposições feitas às pessoas que são divididas entre vacinados e não-vacinados é negacionismo? [Read more…]

Spin orçamental

António Costa, por vezes, parece esquecer-se que chefia um governo minoritário. E como chefia um governo minoritário, e rejeitou acordos escritos com outros partidos no início da actual legislatura, não tem outra alternativa que não seja negociar com as restantes forças políticas, sujeitando-se a parte do caderno de encargos dos partidos de quem pretende obter votos favoráveis ou abstenções.

Fazer rodar o spin “o país não vai compreender se os restantes partidos chumbarem o OE22” até pode servir para consumo interno, mas, para lá dos limites do Largo do Rato, não cola. O que o país não vai compreender é se Costa recusar aceitar as exigências dos restantes partidos e, ainda assim, lhes imputar a responsabilidade pelo chumbo do orçamento. Não pode. A responsabilidade é sua. O governo, não a oposição, é quem tem a exclusiva responsabilidade de fazer aprovar o SEU orçamento. E se não está disponível para o fazer, que se sujeite às consequências. E que nos poupe a spins de mau pagador.

Eu Apoio: Médio-Prazo-Memória-Curta

Em 2019, Paulo Rangel, em entrevista ao Diário de Notícias, revelava o seu apoio incondicional a Rui Rio. 

Dois anos volvidos, o que mudou? Dois anos de distância são curto, médio ou longo prazo? Paulo Rangel estará confuso agora? Ou estaria confuso em 2019? E quando Rui Rio era presidente da CM do Porto e Paulo Rangel auxiliava nos assuntos jurídicos, pondo ao seu serviço a CuatreCasas, sociedade de advogados representada por Rangel? Também estaria confuso?

E é assim, na espuma dos dias e no cavalgar da fraca memória dos portugueses e da opinião pública, que Paulo Rangel montou todo um cenário diabólico acerca de Rui Rio, conseguindo até, no entretanto, jogar a cartada do ‘coitadinho’ (desengane-se quem achar que os timings do vídeo da bebedeira em Bruxelas e da saída do armário – do PSD – foram coincidência) e, com isso, que dele se falasse – a estratégia do “bem ou mal… falem de mim!” é por demais conhecida à direita.

O Partido Popular Democrático caminha, a passos largos, para um enterro cada vez mais inevitável. Uma coisa é certa: Pedro Passos Coelho matou o PPD/PSD, Rui Rio abriu a cova; e agora, só falta que Paulo Rangel, mais um incapaz, comece a atirar-lhe a terra para cima. Mais depressa se apanha um troglodita no PSD do que um santo numa igreja.

Isto faz todo o sentido.

Cego e surdo

Intercidades. Devidamente munido de alguns livros, estou pronto para a viagem, preparado para entrar noutros mundos e protegido contra o tédio, dispensado, portanto, de conversar com desconhecidos. Ao meu lado, senta-se um homem. Baixa a mesinha mínima presa ao lugar da frente e poisa sobre ela um livro de capa vermelha, folhas mais largas do que altas. Apesar do formato estranho, adivinho um irmão leitor. Abre o livro: várias páginas de uma partitura musical. As mãos, poisadas nas coxas, começam a percorrer um teclado imaginário e o pé vai pisando um pedal do mesmo piano. Imaginário, digo eu, claro, porque, no mundo deste homem sentado ao meu lado, sou cego e surdo. Saiu antes de mim e deixou-me aqui o piano.

Another esquema do Chega, exposed

Ontem foi dia de um daqueles eventos que começa a ser um clássico por cá. Uma manifestação contra os preços obscenos dos combustíveis, alegadamente espontânea e de iniciativa popular, era afinal mais um truque mal disfarçado dos suspeitos do costume. Suspeitos esses que se estão nas tintas para o preço, que não pagam ou não lhes pesa, mas que pretendem, através destas acções de guerrilha, cavalgar o descontentamento popular. Nada de novo, claro está. Copiado do textbook do facho Bannon.

Quanto ao preço dos combustíveis, nada de novo também. Mais uns cêntimos, para tornar ainda mais revoltante uma situação já de si insustentável, que não há meio de ser invertida, pese embora a esmola ontem anunciada. Mas não é só nos combustíveis que esta situação se tornou insustentável. É a factura global, a todos os níveis, que assumiu proporções de assalto à mão armada. O problema, contudo, não são os impostos. O problema é a não proporcionalidade do retorno que daí resulta. Deixarei essa reflexão para uma outra posta, mas deixo desde já uma declaração de interesses, que não será particularmente popular: sou a favor de um modelo de gestão pública no qual os impostos, sempre progressivos, são necessariamente elevados. A contrapartida, porém, não pode ser um Estado falido, mas um Estado que devolve esse esforço aos cidadãos sob a forma de uma rede de serviços públicos abrangente, funcional e gerida com rigor. É assim nas democracias mais avançadas do planeta, e é isso que sonho, um dia, para o meu país. Um país livre de flatulências trumpistas, sublinhe-se.

José Gomes Ferreira revela um problema grave

O José Gomes Ferreira, de vez em quando, revela um problema grave! Qual? É que, quando menos se suspeita, está carregadíssimo de razão.
Se faço um pedido? Faço: deixem-se de bramir sobre questiúnculas entre esquerda e direita e afins sem qualquer relevância e unam-se sobre o que, de facto, é importante para o futuro de todos neste país.

CLICKBAIT: De Nick Brewer a Raquel Varela

Na série “Clickbait”, da Netflix, Nick Brewer é raptado e acusado de ter assassinado uma mulher. Aos cibernautas é pedido que divulguem o vídeo onde Nick segura cartazes onde supostamente assume a acusação e prometem consumar a vingança assim que o vídeo atinja os 5 milhões de visualizações. A série explora muito bem o ambiente doentio que se vive à volta da cultura do cancelamento, capaz de levar até às últimas consequências as conclusões sobre qualquer caso, mesmo quando se está longe de ter todos os elementos de análise sobre um determinado assunto. Para estes novos Torquemadas a verdade é um detalhe praticamente irrelevante, posto que jogam tudo na guerra pela percepção e nas respectivas consequências, em si suficientes, caso bem sucedidas, para atingir os seus objectivos.

Ao contrário do sistema de justiça, e também ao contrário do que devem ser os pressupostos do jornalismo de investigação, a justiça digital não precisa de factos, nem de contraditório, nem de verificação de dados. A acusação basta. A narrativa dessa acusação é o fio condutor que vai convencendo aqueles que clicam antes de pensar e aqueles que clicam com os olhos postos nos seus desejos e não na realidade. Em qualquer caso de clickbait importa mais a percepção do que a verdade, mas isso não basta para que todos acabem a comer gelados com a testa.

Nas últimas semanas, onde o “caso Raquel Varela” tem persistido em algum alinhamento, percebemos que aqueles que acusaram a historiadora de fraude, apostaram tudo nesse enviesamento, numa sucessão de estórias sem história, de casos sem casos, onde mais do que a verdade, prontamente desmentida com factos, bastaria a percepção da fraude para ganhar a maioria da opinião pública e ferir a credibilidade da figura nos vários contextos onde exerce a sua actividade. Ora, sem exorbitar da paciência de ninguém, vejamos o tema em cada um dos eixos que se foram sucedendo na imprensa que desistiu de fazer jornalismo:

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Vende-se coerência a um cêntimo

Na passada quinta-feira, dia 7, António Costa garantia na Assembleia que “era uma política correta não reduzir os impostos sobre os combustíveis”, porque “A emergência climática é uma emergência todos os dias”.

Passada uma semana o Dr Costa vem dizer que sim, afinal dá para baixar. E é já amanhã. Até era para ser hoje ao fim do dia, mas ele levou um assado ao forno e não pode ir tratar do cêntimo. Mas amanhã não falha! O tal cêntimo descontado no gasóleo vai acontecer. A emergência climática pausou e os ursos atingidos pelo degelo das calotas polares terão prioridade nos T3 “a custos controlados” que Medina prometeu e Manuel Salgado carimbou antes de ter aquelas chatices que às vezes a PJ arranja para estorvar o percurso natural da evolução socialista. 

O que mudou? Não sei, mas acredito nada ter a ver com
 medo perante o amontoar de sinais de insatisfação vindos estes dias dos portugueses. Absolutamente não. Um líder convicto como o Dr Costa não recua nem desata a tartamudear assim à toa.
Deve ter sido outra razão, outra e boazinha, que levou o Dr Costa a ir de Greta Tundberg a Toneca Guterres em coisa de uma semana. É acreditar, ir atestar e aproveitar o cêntimo.

Empreendam, filhos! Então?!

PORTUGUESES!

Não desesperem! Os preços dos combustíveis estão altos? A revolta e o desespero começam a tomar conta de vocês? Acalmem-se e não esperem mais!

Arranjem uma carroça! Só precisam de encontrar outro português que a puxe!

Enviem mensagem para mais dicas modernas.

Não te “Isaltes”: a falta de tino

O famigerado ex-condenado, presidente vitalício da CM de Oeiras, na SIC Notícias

Sobre isto, só me apraz citar Jorge Palma, em ‘Jeremias, o Fora da Lei‘:

(…) Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade,
Muito embora eu tenha a esse respeito uma opinião bem particular…
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p’ra ser vitimado,
Jeremias nunca encontrou razões p’ra se culpar (…)

Vacinação no Porto – condições deploráveis

Depois de acompanhar a minha tia com 95 anos por duas vezes e de ter sido vacinado sempre em condições dignas e próprias, ontem fui surpreendido pela falta de condições e de tratamento digno no Centro de Vacinação COVID-19 – ACeS Porto Ocidental.
Vamos por partes:
1 – chegámos meia-hora antes à entrada e disseram-nos que a caserna de atendimento distava cerca de 500 metros, sendo melhor ir de carro. Assim fizemos, mas as pessoas com mais de 80 anos e muitas com mais de 90 que não tinham automóvel lá foram, ou não, como puderam;
2 – Chegados à entrada entregaram o usual questionário para responder sem ter onde sentar a minha tia nem tirá-la da corrente de ar. À entrada e de pé!
3 – Preenchido e entregue o papel mandaram-nos para uma fila desabrigada para a triagem.

Centro de Vacinação COVID-19 – ACeS Porto Ocidental

4 – Chegados à triagem 20 minutos depois, disseram [Read more…]

André Ventura, o candidato a Miguel de Vasconcellos de Abascal

Em 2020, a propaganda do neofranquista Vox apresentava um mapa de Espanha no qual Portugal surgia anexado, como se o 1 de Dezembro de 1640 não tivesse acontecido. Por altura do sucedido, André Ventura fez um dos seus números de contorcionismo e exigiu um pedido de desculpas ao partido do aliado Abascal, pedido esse que nunca aconteceu. E logo aqui vemos o patamar de nacionalismo em que se encontra o Chega: o da chalaça.

Seria de esperar, da má velha extrema-direita, que, perante ausência do vigorosamente exigido pedido de desculpas, se seguisse uma acção mais musculada, ou mesmo um corte de relações institucionais. Por muito menos – a data de um congresso – cortou com o CDS. Mas nada aconteceu, perante este insulto a ocidental praia lusitana. Aliás, tivemos até André Ventura a lamber as botas de Abascal, na passada semana, e a gritar “Viva España” num comício da extrema-direita espanhola. Querem ver que o projecto mal parido de Francisco Franco já ofereceu a Ventura uma pasta ministerial no hipotético governo da Ibéria?

Entretanto, o Vox voltou esta semana a cuspir na nação portuguesa e a apresentá-la, em novo mapa, como um anexo de Espanha. E de Ventura nem um tweet furioso, como é seu hábito por tudo e por nada. Nem piou. Meteu a viola ao saco e bateu a bola baixa. E aqui se vê a determinação e o nacionalismo do líder da extrema-direita. O amor à pátria termina onde começam as suas alianças políticas. Um hipócrita, portanto. Nada de novo.

Cavaco, algures entre o ódio e a mentira

Na ânsia ressentido e ressabiada de atingir o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, Cavaco Silva decidiu reescrever a história e afirmar que o governo do Syriza, “arruinou a economia do país”. Sucede que a economia grega há muito que estava arruinada, após anos de desgovernos do PASOK e do Nova Democracia, mais as épicas manobras de engenharia financeira que permitiram ao país, com a ajuda do Goldman Sachs, ludibriar as autoridades europeias para garantir a adesão da Grécia ao Euro. Foi aqui que começou a destruição da economia grega, em 2001, não em 2015, quando o Syriza chegou ao poder. O Syriza é criticável por inúmeros motivos, mas não foi esse governo que destruiu a economia grega. A economia grega estava em frangalhos há mais de 15 anos. Cavaco sabe-o, perfeitamente, mas opta pela fabricação de “factos alternativos” à la Trump. Não surpreende. Este é o mesmo Cavaco que disse ao país que podíamos confiar no BES, dias antes do estouro, e que praticamente insultou uma jornalista que o confrontou com essas palavras. A honestidade não lhe assiste. Nunca assistiu. Nem que nascesse duas vezes.

«O jornalista [António Valdemar] e o semanário Expresso retractaram-se»

Efectivamente, retractaram-se ≠ retrataram-se.

Depois queixem-se porque a extrema-direita instrumentaliza estas merdas e cresce

Em poucos dias, dois casos chocantes num país que figura entre os mais pacíficos do mundo. O mais grave, porque resultou na morte de um jovem de 23 anos, aconteceu na noite de Sábado para Domingo, no Porto. Um grupo de três delinquentes franceses, um dos quais com residência na cidade, agrediram violentamente a vítima na Rua Passos Manuel, deixaram-na inconsciente na via pública, e o jovem acabou por falecer no hospital. Foram detidos, mas, aparentemente, apenas um ficou em preventiva. Pelo meio, ainda fizeram um vídeo para as redes sociais, gozando com a situação. Menos do que pena máxima para estes três criminosos será um insulto à morte da vítima. E, é meu entendimento, 25 anos de cadeia para um assassino que se vangloria pelo feito peca por escasso. Por mim ficavam lá para sempre, a fazer vídeos com sabonetes.

O segundo caso é um clássico da boa velha violência nocturna. E o vídeo das câmaras de segurança não deixa margem para dúvidas. Mesmo que a vítima do delinquente que fazia segurança na discoteca (ou que, como é afirmado em alguns OCSs, estivesse ali como cliente) o tivesse insultado, o nível de brutalidade daquela agressão, digna de um homem das cavernas de moca na mão, é um claro indicador de que o delinquente não tem condições para trabalhar como segurança ou sequer para viver em comunidade, motivo pelo qual deve ser encarcerado longos. Mas não é só o delinquente que deve ser penalizado. Também a discoteca Club Vida deve sofrer as consequências por permitir um acto daqueles no seu estabelecimento, com parte do staff a assistir às agressões sem mexer uma palha. O regime de impunidade em que operam muitos seguranças de estabelecimentos nocturnos deste país tem que acabar.

Dito isto, é preciso reflectir sobre estes dois casos e sobre o que nos falta para que Portugal seja um país ainda mais seguro, para todos, e não apenas para os residentes das zonas onde habita a alta sociedade. Faltam leis mais duras para crimes violentos (e para outros, mas é de violência que estamos a falar) e falta, sobretudo, mais policiamento nas ruas, mais meios materiais e humanos para as forças de segurança e mais autoridade, para não falar nos salários de merda que os agentes da PSP e da GNR auferem, e que não motivam nem tornam a profissão particularmente atractiva. No concelho da Trofa, com cerca 40 mil habitantes, existe apenas uma esquadra da GNR, bastante degradada e com poucos operacionais mal equipados. E isto é a regra, não a excepção, neste país. Há dias, eram umas cinco da manhã, estava um grupo de imbecis na minha rua, com as portas do carro abertas a bombar uma azeiteirice qualquer para a rua toda ouvir. Liguei para a GNR e pedi que fossem lá mandar os gajos baixar o azeite. Disseram-me que só tinham um carro patrulha que estava do outro lado do concelho, e que teria que esperar. Um concelho, 40 mil habitantes, um carro de patrulha. Depois queixem-se porque que a extrema-direita instrumentaliza estas merdas e cresce.

IRS e bazuca – preparação das legislativas de 2023

As alterações dos escalões de IRS a serem propostas para o OE 2022 incidirão, obviamente, sobre os rendimentos de 2022. Significa que a diminuição de impostos que venha a existir, seja em maior ou menor escala, será visível em 2023, algures entre Abril e Junho, na altura do reembolso.

Este anúncio terá impacto real nas vésperas das legislativas de 2023.

Quanto ao ouro do Brasil, perdão da bazuca, quero dizer, a oportunidade irrepetível (depois do dinheiro da CEE, fundos estruturais, etc.), digo, do PRR, neste ano já nada acontecerá. Para o ano será a apresentação e aprovação de projectos. Os quais se concretizarão em 2023. Ano de legislativas.

Ao se manifestarem contra o OE, PCP e BE já terão feito as contas eleitorais. O PS também.

Simulador de IRS 2022 – o novo OE vai mudar alguma coisa?

Pode fazer as contas por si mesmo.

A PwC disponibiliza um simulador de IRS 2022 que contempla as alterações previstas na Proposta de Lei do OE2022. Ou seja, poderá ver as fantásticas dezenas de euros de diferença entre o que pagará ou receberá em 2023 vs. 2022.

Ou então passe pelo Observador e veja qual o enquadramento mais próximo da sua situação.

Spoiler alert: pensava mesmo que o folclore noticioso à volta do IRS se traduziria de facto em algo palpável?

Conversas vadias 30

Aos 30 dias de Conversas Vadias, declarámos solenemente que aceitamos patrocínios. Empreendedores e empresários, chegai-vos à frente, vadiai connosco. Com a presença dos quatro resistentes Carlos Araújo Alves, José Mário Teixeira, António de Almeida e de António Fernando Nabais, falou-se do artigo de Cavaco Silva no Expresso, do desperdício talvez endémico de dinheiros europeus, do empobrecimento e da pobreza que não são desígnios nacionais, a revolução verde, da bazuca, do CDS, de Nuno Melo, do CDS de Nuno Melo, da automutilação da esquerda mais preocupada em aguentar o governo e do alarmismo tudólogo à volta das aprendizagens perdidas, sendo que a sobremesa foi constituída por suculentas sugestões, que passaram pelo cinema, pelo vídeo, por leituras, coisas de causar diabetes só de ouvir.

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Conversas vadias 30







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