«Infanta Cristina e Iñaki Urdangarin vão divorciar-se»

Eis uma excelente oportunidade para recordar que, em português, infante ♂ infanta ♀, efectivamente, sim, mas presidente ♂ *presidenta ♀, de facto, não, ♀, porque presidente ♂ presidente ♀, com efeito, sim.

Sondagens muito convenientes para o centrão

Num repente, mais repentinoso que repentino, aparecem duas sondagens que dão empate técnico entre o PS e o PSD, fazendo desaparecer, noutro repente, a distância de 4 pontos percentuais que os separavam.
Muito conveniente, diga-se, para quem pretende não a vitória, mas secar por completo os pequenos partidos da esquerda à direita.
Semana difícil para os que não aderem ao Bloco Central, mas…, esperem um pouco…, ah, sim, o Costa faz saber, noutro repente, que, afinal, nunca recusou entendimentos à esquerda.

Ora pois! Deve ter sido por isso que já afirmou e reafirmou que apenas um orçamento apresentará caso seja Primeiro-Ministro, aquele que não obteve a aprovação da esquerda que agora volta a dizer pretender abrir a porta.
E siga o baile que a coisa vai bonita de se ver!

Como normalizar o Estado Novo e piscar o olho à extrema-direita: a lição de Rui Rio

Quando Rui Rio afirma que a justiça portuguesa , em termos de eficácia, piorou desde o 25 de Abril, está a assumir que uma ditadura é compatível com a existência de um sistema de justiça idêntico àquele que, com as suas imperfeições e falhas, vigora no seio das democracias ocidentais, o que é absolutamente desonesto e revelador do embuste que é o rótulo de campeão da seriedade que os marketeers ao serviço do PSD nos têm tentado vender. Um inception de embustes, portanto.

Um sistema que prende, tortura e manda matar por delito de opinião não é um sistema de justiça. É, apenas e só, a expressão da vontade do mais forte. E o mais forte era o directório fascista do Estado Novo, dos seus patronos e clientelas. Para Rio, este arranjo autoritário que protegia a elite e arrasava o pobre e o dissidente é mais eficaz que o sistema de justiça em vigor, que, apesar das suas limitações e falhas, repito, é um sistema de justiça, equiparado ao dos nossos parceiros europeus e restantes democracias consolidadas.

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Corno-de-ferro: encontros inesperados ao fim-de-semana

Eu andava a pé. Era Sábado e a minha hora de almoço aproximava-se.

Decidi que almoçaria no snack-bar que fica na rua das traseiras do prédio onde vivo. Nessa rua, sem saída e mal amanhada, despontam uma dúzia de casas camarárias sem condições, onde vivem dezenas de pessoas, trabalhadoras, homens e mulheres com filhos e pais.

Tenho ouvido muito falar de bairros sociais e Mercedes à porta. Tenho pensado nisso e, sempre que passo por um/entro num bairro social, fico alerta: deixa cá ver onde estão todos os Mercedes de que fala aquele líder da extrema-direita… [Read more…]

Já saudades de Merkel

Friedrich Merz conseguiu à terceira tentativa tornar-se o novo chefe da União Democrata Cristã (CDU). Felizmente este partido alemão está agora na oposição e esperemos que por lá se mantenha a longo prazo. Merkel estava a léguas das minhas convicções políticas, mas sempre admirei a sua modéstia, sentido do dever, sensatez, inteligência e desapego a bens materiais e honrarias.

Já este advogado de negócios e lobista topo de gama de longa data tem assumido posições de liderança num número considerável de empresas, grupos de interesse e redes de negócios. É considerado um especialista financeiro e económico com valiosos contactos na política e nos negócios. Merz foi, por exemplo, vice-presidente da associação de lobbying empresarial da CDU Wirtschaftsrat até ao final de 2021 e membro convidado da presidência da Mittelstands- und Wirtschaftsunion.

Mas a sua função mais aparatosa foi a de Presidente do Conselho Fiscal da Black Rock Alemanha (que exerceu de 2016 a 03/2020), a megagigantesca gestora de fundos que detém mais poder do que muitos governos juntos; o CEO da BlackRock dispõe de mais dinheiro do que o PIB da Alemanha e do Reino Unido somados.  (“Só o tamanho da BlackRock cria um poder nos mercados que nenhum Estado pode controlar” – Michael Theurer, eurodeputado alemão do partido liberal FDP).

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“De vez em quando é preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma”..

Começo pela declaração de interesses, no próximo domingo, irei votar IL no círculo eleitoral de Lisboa. Estou nos antípodas de António Costa, não acredito na geringonça, considero o PS um dos grandes responsáveis pelo crescente atraso do país e perda de competitividade no contexto da U.E., espaço político-económico que também tem vindo a perder competitividade nas últimas décadas e que previsivelmente chegará ao final deste século, em estado semelhante ao que a nobreza europeia experimentou nos finais do século XVIII, início do século XIX, agonizante, impotente para competir com potências emergentes.
Desde que o regime democrático foi restaurado em Portugal após o 25 de Abril, ou. Implantado, tenho alguma relutância em classificar a I República como democracia, apenas dois partidos alcançaram vitórias eleitorais, PS e PSD, no caso dos denominados sociais-democratas, a solo, ou coligados, como AD ou PAF. [Read more…]

Rui Rio e o 25 de Abril

Rui Rio, como muita direita portuguesa, tem um problema com o 25 de Abril, o que é natural. Essa direita, também de Rio e alegadamente democrática, chega mesmo a relativizar a ditadura do Estado Novo, enveredando por preciosismos terminológicos, tentando provar que não era fascismo. Até imagino que, num acto de revisionismo analgésico, os que foram torturados pela PIDE, por exemplo, relembrem o seu passado e esqueçam as suas dores, ao descobrir que, afinal, os torturadores não eram fascistas.

Em Portugal, temos um problema com a Justiça, desde a morosidade dos processos até às custas. Espera-se que, em campanha eleitoral, os políticos falem do assunto. Rui Rio falou. Mais valia ter ficado calado.

Segundo Rio, uma das duas pessoas que poderá vir a ser primeiro-ministro, a Justiça, em Portugal, é menos eficaz desde o 25 de Abril. Deduz-se que seja o de 1974.

Disse o novel humorista e presidente do PSD: “Tirando os julgamentos políticos, em termos de eficácia, desde o 25 de Abril a justiça piorou”. Para quem mede as acções apenas pela sua eficácia, Rio está errado – os julgamentos políticos foram de uma eficácia imbatível, até porque não havia grandes demoras e até se devia poupar dinheiro.

Entretanto, com todos os defeitos que podemos e devemos identificar em muitas áreas, só quem sofre de algum défice de cognição (também) democrática é que pode dizer que Portugal está pior agora do que antes do 25 de Abril. Este Portugal cheio de defeitos é o melhor de sempre, em todas as áreas. É claro que é muito mais difícil governar em democracia e talvez Rui Rio não goste de dificuldades, o que se notou muito durante o seu consulado autárquico. [Read more…]

A (des) Graça que tivemos e o que nos espera

 

 

Tenho estado atento, como muitos portugueses, à campanha eleitoral. Naturalmente há áreas que interessarão mais a uns e menos a outros. Não fujo a essa regra. Novo aeroporto, TAP, SNS, economia, impostos, justiça, educação, etc., mas naturalmente cultura e património. 

Rui Rio até pode vir a ser 1º. Ministro. No entanto, e no que diz respeito à Cultura e ao Património Cultural não tenho ilusões. A sua actuação como Presidente da Câmara do Porto fala por si. 

O que fez no Rivoli? Lembram-se do Filipe La Féria? Podem sempre ler aqui, aqui e aqui.

E sobre a gestão municipal à época? É ler….

Outro mito é o da reabilitação urbana. Neste capítulo o que se passou com o modelo de gestão implementado, SRU,  também é elucidativo. E o célebre Quarteirão das Cardosas?

Claro que o PS enganou o pessoal da “Cultura” ao dizer que repôs o Ministério da Cultura. Tretas, pois limitou-se a nomear um titular (uma titular, diga-se) para o cargo sem criar o Ministério. Atiraram-se à época ao Passos Coelho por ele ter passado a Cultura a Secretaria de Estado. Mas nada disso aconteceu. Não havia Secretaria de Estado, havia era Secretário de Estado (primeiro Francisco José Viegas, de má memória, e depois Barreto Xavier, idem). A CS comeu de cebolada. O BE também. Desde 1980 que não houve semelhante período sem Secretaria de Estado nem Ministério. Estamos assim desde 2011, à mercê de vontades individuais, conforme os gostos e as influências dos amigos e das amigas dos titulares.

Se lermos os programas eleitorais vemos a importância que dão ao Património Cultural. Zero.

Giram todos à volta do mesmo.

A verdade (III)

O título deste artigo poderia igualmente ter sido no sentido oposto. Por exemplo “Médicos defendem não existir evidências científicas para recomendar vacinas aos menores saudáveis.”

Além do presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica, bastaria ter também pedido um depoimento ao pediatra Olavo Gonçalves para que houvesse igual número à favor e contra.

Foi uma opção. Da série «A verdade? Primeiro vem o que as pessoas querem ouvir, depois o que elas acreditam e a seguir tudo o resto. Só depois vem a verdade.»

A máquina de fazer vilacondenses (cinco tostões sobre Valter Hugo Mãe)

Rosa Mota referiu-se, na semana que passou, a Rui Rio como “nazizinho”, pela sua acção na CM do Porto.

Entre várias condenações e várias tentativas de escusa, uma das pessoas que veio, imediatamente, a público defender Rosa Mota foi o escritor Valter Hugo Mãe. Escreveu o meu conterrâneo, no Facebook, que a frase da antiga atleta olímpica tinha sido dita num clima de “nervosismo, sem tempo e de forma imediata”, ou qualquer coisa do género.

Como somos conterrâneos e, em Vila do Conde, frequentamos o mesmo espaço cultural (O Pátio), atrevi-me a responder ao virtuoso Valter. Disse-lhe:

“Ainda que tenha sido infeliz, quem viveu no Porto durante a governação de Rio, sabe o que quis dizer Rosa Mota. Mas convenhamos, o Valter apoiou Elisa Ferraz, outra ‘nazizinha’, para a CM de Vila do Conde”. [Read more…]

PS obtém vitória retumbante

Inesperadamente, o PS obteve ontem, sem contar, uma vitória preciosa. Tem feito campanha a dizer que a culpa foi do BE e do PC, mas agora, se perder, poderá sempre dizer que a culpa foi do Sócrates!

Conversas Vadias 42

A quadragésima segunda edição das Conversas Vadias contou com os vadios António de Almeida, Orlando Sousa, José Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá, Carlos Araújo Alves, João Mendes e Francisco Miguel Valada. As eleições legislativas foram o tema dominante, numa semana marcada por dois debates: o radiofónico com ausências e o televisivo com elefantes na sala, beijinhos à sogra e agradáveis surpresas. Houve ainda tempo para falar da Carochinha e de quem com ela quer casar. Além disso, tivemos sondagens, energia nuclear, impasses, maiorias absolutas, borrasca, abandonos, touradas e caça, presidências do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, boletins de voto e mais um par de botas. No fim, como sempre, as sugestões: [Read more…]

Aventar Podcast
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Conversas Vadias 42







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Porque é que a comunicação social portuguesa insiste neste frete a André Ventura?

Qual será o motivo que leva ao silêncio de jornalistas, pivots de telejornal e moderadores de debates e os impede de confrontar André Ventura com as suas referências e aliados políticos internacionais?

Porque não o confrontam com os terroristas que há um ano atacaram o Capitólio, directamente incitados por uma das suas grandes referências politicas, quase um líder espiritual, Donald Trump?

Porque não o confrontam com o autoritarismo de Jair Bolsnaro, outras das suas referências, que promove activamente a violência e o ódio contra minorias, jornalistas e opositores políticos, para além de múltiplos envolvimentos do seu clã de carreiristas nos mais variados esquemas de corrupção?

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O papagaio

Curioso: o Sérgio Sousa Pinto palra, palra e palra… mas quando chegam as Legislativas está sempre lá, a compor a lista ao patrão. Faz lembrar aquele trabalhador que, nas costas do patrão, diz que faz e acontece, que vai fazer uma revolução e deitá-lo abaixo; depois o patrão chama-o, pede-lhe que leve o seu filho à escola, e o trabalhador responde “com certeza, senhor doutor”, sendo o mesmo que nunca faz greve, para não afrontar o “senhor doutor”.

É o que dá palrar, palrar e palrar, esquecendo-se que não é ele quem manda na gaiola mas que terá de continuar a comer as sementes, se não quiser passar fome. É que isto de viver da fama “discípulo de Mário Soares”, como se isso fosse motivo de orgulho, tem muito que se lhe diga.

Lambe-pés um dia. Lambe-pés para sempre.
Assim é Sérgio Sousa Pinto.

Vacinar crianças e adolescentes??

[Olavo Gonçalves, Médico Pediatra, Novembro de 2021]

Face à publicidade intensiva dedicada às vacinas para o SARS-CoV-2 nos media dos últimos dias, tenho afixado no meu consultório o documento que tomo a liberdade de enviar-vos em anexo [copiado em baixo], em resposta à questão específica colocada por vocês sobre os vossos filhos.

Agradeço que leiam e vejam que para uma doença que afecta gravemente em especial as pessoas de mais de 60 anos, que representam desde sempre cerca de 96% dos óbitos (98,6% com mais de 50 anos), em vez de mais atitudes para melhorar seu atendimento e sobrevida (não basta vacinar), decidiram vacinar: crianças e adolescentes, que praticamente não têm hipótese de ficar gravemente doentes ou morrer, os poucos que ficam doentes a Pediatria trata sem dificuldade, sem que nenhum estudo tenha sido publicado de eficiência das vacinas ( só dizer que produzem anticorpos poucas semanas depois, não é suficiente), não evitam que transmitam a doença e que afinal as vacinas são do tempo que dominavam as variantes que já não existem no país há muitos meses.

Entretanto, continuam os óbitos dos mais velhos, com quem a Sociedade pouco se preocupa excepto se afetar familiares.

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Inspiração

É ir votar, mas com vontade de pôr em causa a relação entre a precariedade de tantos e as negociatas lucrativas de tão poucos; com vontade de parar com a depredação ávida de recursos; com vontade de preservar a biodiversidade; com vontade de dar prioridade ao bem comum; com a percepção clara de que a fixação cega no crescimento económico ilimitado leva o planeta, leva tudo, ao colapso.

O sonho húmido de António Costa

Fonte: Pordata

Dispunha-me a procurar exemplos das maldades feitas aos portugueses em governos de maiorias absolutas quando António Costa, com palavras de 2019, me poupou a esse trabalho.

«Eu não tenho dúvidas nenhumas que os portugueses não gostam de maiorias absolutas e têm más memórias das maiorias absolutas, seja do PSD, seja do PS.» António Costa, 2019-08-28

Agora feito cínico, pede uma maioria absoluta com todos os dentes. Justifica-se dizendo «quem acredita que com o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa uma maioria do PS podia pisar a linha?»

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De quem são as nossas experiências?

Estou em crer que não haverá nada mais genuíno do que a capacidade de sentir empatia por outro ser. Acredito nisto porque não considero a empatia algo exclusivamente humano. Porque a sentimos nos animais, por parecerem ser capazes de sentir as emoções uns dos outros e também dos humanos. E isso faz-me crer que, escondido nos confins dos mistérios do universo que nunca chegaremos a compreender, a empatia tem um lugar muito próprio e apropriadamente seu.

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Legislativas 2022 e Acordo Ortográfico de 1990: as respostas dos partidos com assento parlamentar

Alertado pelo João Maio, acabo de saber que a Antena 1, a TSF e a Renascença conduziram o último debate das Legislativas 2022 entre representantes dos partidos com assento parlamentar. Chega e PSD não se fizeram representar, mas há uma nótula no final deste pequeno texto.

No fim do debate, a pergunta:

Revisão do acordo ortográfico: sim ou não?

Convido os leitores do Aventar a ouvir as respostas de PAN (Inês Sousa Real), CDS (Francisco Rodrigues dos Santos), IL (João Cotrim de Figueiredo), Livre (Rui Tavares), CDU (João Oliveira), BE (Catarina Martins) e PS (António Costa).a partir de 02:01:18.

Não ouso escrever aqui o que os candidatos disseram, uma vez que alguns deles preferiram embrulhar a resposta com paleio, em vez de pura e simplemente responderem SIM ou NÃO. No entanto, há quem tenha sido claríssimo como água.

Nótula: O PSD e o Chega não se fizeram representar no debate. Todavia, graças aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, sabemos qual a posição do PSD e, graças ao Público, sabemos qual a posição do Chega.

A verdade (II)

A Agência Europeia do Medicamento emitiu um comunicado onde afirma que há «evidências crescentes» indicando que as vacinas mRNA para a COVID  não causam complicações às grávidas nem aos bebés. E que os resultados «parecem» ser consistentes entre diversos estudos. E, ainda, que as evidências no terreno «sugerem» que o benefício supera o risco.

O PÚBLICO, outros órgãos de comunicação social (p.ex. Observador, Expresso, etc.) e partidos políticos (p.ex. Bloco de Esquerda) citam esse comunicado em termos tais como «Vacinas mRNA não causam complicações durante a gravidez, garante EMA» (PÚBLICO).

Por outro lado, há órgãos de comunicação social que transmitem parcialmente o nível de incerteza presente no comunicado da EMA (p.ex. JN, que hesita entre um título em linha com o artigo original e um texto mais cheio de certezas).

Há um passo de fé entre a declaração da EMA e a comunicação social que transformou a possibilidade numa certeza. A relevância do facto está, obviamente, no acto de transformação da mensagem e não no respectivo conteúdo.

 
Da série «A verdade? Primeiro vem o que as pessoas querem ouvir, depois o que elas acreditam e a seguir tudo o resto. Só depois vem a verdade.»

Omeletes sem ovos

Lê-se no Público que «Liberais foram ao hospital de Loures alertar que fim da PPP é um “erro”». Afirmam que na PPP do Hospital Beatriz Ângelo se consegue fazer omeletes sem ovos – assim se depreende do seu discurso. E ainda sobram ovos, que não existem, para o lucro do privado que gere a PPP. Depois admiram-se que lhes chamem a Ilusão Liberal.

[Imagem de Manfred Antranias Zimmer por Pixabay]

A verdade

Num filme que vi há tempos, cujo nome me esqueci, uma das personagens dissertava sobre a verdade, em resposta a outra que dizia «o importante é a verdade».

«A verdade? Primeiro vem o que as pessoas querem ouvir, depois o que elas acreditam e a seguir tudo o resto. Só depois vem a verdade.»

Um aforismo que me parece um truísmo, assim me parece ouvir alguém dizer e, creio, com muita razão, não fosse o restante contexto. Comece-se a aplicá-lo aos temas do dia-a-dia, à escolha do leitor, para o confirmar.

Ventura, o castrado

Para André Ventura, o CDS é a “direita mariquinhas” . O uso do termo “mariquinhas”, associado à homossexualidade, é uma artimanha populista que visa enfraquecer e desqualificar a imagem do CDS e de Francisco Rodrigues dos Santos aos olhos do eleitorado mais conservador à direita, que Ventura disputa com Chicão e que abomina a comunidade LGBT. Uma estratégia repugnante, mas bastante eficaz.

Estou nos antípodas de Francisco Rodrigues dos Santos, mas reconheço-lhe a coragem de ter enfrentado o establishment do seu partido, num momento em que o CDS estava de rastos. Já André Ventura, o único líder partidário que passa a vida rodeado de seguranças, e que só ataca os mais fracos e desprotegidos, é o mais aproximado a um maricas – no sentido cobardolas da palavra – que a política portuguesa pariu nos últimos anos. Compará-lo a um homossexual e ofensivo para os homossexuais. Porque ser um demagogo é fácil. Ser um homossexual e enfrentar o estigma social requer um par de tomates que Ventura não tem. Tanto paleio sobre castrações e o castrado é ele.

A sexão, a secção, a seção e a sessão

Columbo. I’m trying to reconstruct that note.
Galesko. You need any help with your spelling, lieutenant?
Columbo: Negative Reaction

***

É sabido que é curta a distância entre a *seção e a *interseção e, mais lá para a frente, entre a *interseção e a *intercessão. Sabe-se igualmente, como já nos lembrou Nabais, que a sessão é contínua. Em tempo de eleições (e eis uma bela imagem enviada pelo excelente leitor do costume),

também temos *sessões em vez de *seções, por haver *seções em vez de secções. Como já escrevi, mal por mal, prefira-se sexões, devido à vantagem do elemento [k]. Enfim. Continuação de uma óptima semana.

***

CARTA ABERTA AO VENTURA (de um subsídio-dependente)

Ventura, tu não sabes quem eu sou mas como tens falado tanto de mim e de tantos outros sem sequer nos conheceres, tomei a iniciativa de te escrever esta carta. Por mim e por todos os que por certo se vão rever nela. Tu és o interlocutor em nome dos demais demagogos, mas esta diatribe serve para todos os teus semelhantes, mais ou menos violentos, mais ou menos saudosistas, mais ou menos enganados.

Antes de tudo gostava de te explicar que desconheces o que supostamente dizes combater quando falas de pessoas que vivem de subsídios, sejam elas pensionistas, desempregadas, refugiadas ou sobreviventes, pouco te importa porque o teu lucro reside também nessa estúpida generalização. Repara, deves começar por saber que a generalidade dos subsidiários são subsidiários porque são contribuintes, alguns deles de verbas significativas que foram deduzidas dos salários, além dos impostos ao consumo. Já sei que queres cobrar o mesmo de imposto sobre o rendimento a quem recebe o salário mínimo e ao Rendeiro, ao Sócrates, ao Espírito Santo e a ti próprio, pois claro, que isto quando toca ao nosso interesse somos todos o quarto pastorinho de Fátima. Mas convenhamos, devias procurar saber, até porque já fizeste disso biscate, que os contribuintes, seja quando pagam, seja quando recebem parte do que pagaram, não são subsidiários por geração espontânea, são subsidiários porque foram contribuintes. Tu que foste do sistema toda a vida, sempre mais beneficiário do que contribuinte, és o expoente do que criticas, sem te dares conta do jogo de espelhos. Se não for demais para o quadrado que carregas sobre os ombros, espaço onde nem um esfarrapado democrata-cristão a cavalo foi capaz de encontrar uma ideia, trava lá esse ódio, não vá o ódio que tanto divulgas acabar a conspirar com violência contra ti próprio. Atenta também outros detalhes, não tão importantes mas também relevantes: sabes quantos pensionistas, desempregados, refugiados e sobreviventes fizeram a diferença? Sabes quantos contribuíram para vários anos de subsídios dedicados ao teu salário? Sabes quantos foram agraciados? Sabes quantos salvaram vidas? Sabes quantos fizeram história? Não sabes, que tu és esperto como os ratos mas, felizmente, pouco estudioso e tão frágil da masculinidade como da inteligência.

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Cristãos-caviar

Adoro o termo esquerda-caviar, essencialmente por dois motivos: porque 1) impede pessoas de esquerda como eu de usar iPhone, o que é perfeito, porque não conto dar um cêntimo que seja à Apple (e porque demonstra taxativamente a natureza autoritária dos proponentes desta chalupice), e 2) porque demonstra o nível de ignorância de quem acha que ser de esquerda implica não possuir bens materiais, algo que me diverte.

Por outro lado, o termo cristão-caviar, aqui proposto pelo genial Duvivier, está mal explorado e é, de longe, uma contradição infinitamente maior que a do gajo de esquerda que tem um iPhone. Religião por religião, o marxismo lá acaba por ser mais honesto. Pobre Jesus, que deve andar às voltas no túmulo à quase 2000 anos, com tanto cristão-caviar a subverter os seus ensinamentos.

Mais um dia no escritório

Para onde iriam vocês?

O desastre humanitário no Afeganistão é total.
6 milhões de refugiados.
9 milhões de afegãos a passar fome.
Mulheres brutalizadas.
Direitos humanos esmagados.
1 milhao de crianças desnutridas.

Se estes seres humanos não conseguem viver, comer ou sobreviver, para onde acham vocês que eles irão?

Para onde iriam vocês?

Conversas Vadias 41

Na quadragésima primeira edição das Conversas Vadias (vadias, para os amigos), estiveram presentes António de Almeida, António Fernando Nabais, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, Francisco Miguel Valada, Carlos Araújo Alves e João Mendes. Falou-se muito, e frequentemente bem, sobre eleições legislativas, Rui Tavares, Francisco Rodrigues dos Santos e Chicão, André Ventura, os debates, o número de páginas dos programas partidários, a ausência da Justiça e da Educação no debate Rio-Costa, a força e o enfraquecimento do PCP, a debilidade dos sindicatos, o salário mínimo, a iminência da bancarrota, a multa à Câmara de Lisboa, a condenação de Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e a terrível situação no Afeganistão. Sugestões aos magotes: [Read more…]

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Conversas Vadias 41







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