Sviatlana Tsikhanouskaia

Hoje é dia da mulher e como são todas umas complicadas, decidi dedicar umas palavras a uma mulher com um nome igualmente complicado. Da mesma forma que eu tive de ir copiar o nome da Sviatlana, todos deveríamos copiar a coragem e a força desta pessoa.

 

A Sviatlana é a verdadeira presidente eleita pelo povo bielorrusso, mas continua a ser oposição. É assim que acontece em ditaduras. A Sviatlana é a voz da resistência popular contra um ditador e merece toda a nossa atenção.

 

Não gosto muito deste dia. Aliás, eu nem gosto daqueles que apenas se lembram de mim no meu aniversário, como seria se fosse no dia em que se celebra o meu género… Nenhuma pessoa é menos por ser mulher ou por qualquer outra característica natural. Por isso, devemos combater o preconceito, mas parece-me errado tratar grupos sociais como um todo, para o bem e para o mal. As mulheres pertencem a um género, não é a um sindicato. Quem vê desigualdade estrutural hoje, verá sempre. Aliás, um dia, o dia da mulher será polémico celebrar-se, porque é um dia de privilegiados. Registem aí. Alguém defenderá isto.

 

Não por se tratar de uma mulher, mas gosto de exemplos de coragem como o da Sviatlana. Tenho pena que no meu país tenha sido convidada a visitar um museu dirigido por uma militante de um partido que é o único que não a reconhece como Presidente. Tenho pena que em Portugal as discussões de quem quer uma suposta igualdade gire à volta de características de linguagem ou escolhas livres, enquanto uma mulher anda a lutar pela liberdade de um país inteiro.

 

Pensemos, neste dia, em todas aquelas pessoas que ainda se vêem dependentes de um papel de género. Que não podem tomar escolhas livres independentemente do género que são. E infelizmente, são muitas. Neste aspeto, temos a sorte de vivermos na nossa sociedade.

 

Não quero igualdade de género, quero liberdade de género. Aliás, liberdade. Basta. Depois cada um sabe o que faz com a sua.

 

ERGUE-TE, põe-te a monte ó facho!

Graças a um leitor do Aventar fiquei hoje a saber duas coisas que desconhecia: que existe um partido chamado Ergue-te e que o dito partido plagiou um texto do aventar da minha autoria.

O tal partido Ergue-te é uma espécie de Chega mas ainda mais matarruano, o que não é fácil. Pelos vistos, não se limitam a plagiar o Ventura como também o Aventar. É o que dá quando o cérebro não atinge um tamanho superior ao de uma ervilha. Será que não existe por lá uma alminha que saiba escrever umas linhas de texto sem ter de plagiar terceiros? São assim tão limitados?

Só faltava andarem a plagiar o partido do Órban e serem como o tal do József Szájer que destilava ódio contra os homossexuais e depois foi apanhado numa orgia gay. Com jeitinho este plagiador do Ergue-te combate os homossexuais e depois anda para aí a abafar a palhinha do vizinho do 5º Esquerdo…

Derrubar o Padrão dos Descobrimentos e outros talibanismos

Não é um fenómeno novo, mas ganhou uma dimensão mediática que, numa era sem redes sociais, não seria possível de forma tão fácil, rápida ou impactante. Falo na tentação dos diferentes poderes, para, em determinado momento, quererem destruir estátuas, edifícios ou registos históricos de uma era ou tempo que rejeitam, ou ao qual se opõem, pelos mais variados motivos, legítimos ou não, que não é nova nem particularmente surpreendente. Mas é, regra geral, uma pulsão que peca por inútil, e que apenas serve para alimentar ódios e divisões, e evitar que as feridas sarem, para que seja possível, de uma vez por todas, seguir em frente.

Não se apaga a história: aprende-se com ela. E a memória viva dos acontecimentos trágicos, sejam eles o Holocausto, a Inquisição ou as diferentes colonizações – e todas as ondas de choque que delas resultaram, até às descolonizações mais ou menos violentas, que levaram ao poder novos facínoras, outrora combatentes da resistência contra as forças ocupantes – devem, em todos os momentos, servir como faróis para que a Humanidade não volte a cometer os mesmos erros. Por muito que a história insista em se repetir.

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Sons do Aventar – Sons de pedras

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Sons do Aventar - Sons de pedras
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Teófilo

Teófilo, Amigo de Deus. Rei das Antas.

Suar a Camisola NOVE ao serviço de Portugal

Waldschmidt fala alemão

«Waldschmidt só fala inglês, não percebe o que eu digo nos treinos».

7 de março de 2020

Foi há um ano que fui ao futebol pela última vez. Já presenciei goleadas, já presenciei finais perdidas, já presenciei derrotas contra os maiores rivais… Mas nenhuma derrota é maior do que a tristeza de não te poder apoiar.

É muito mais do que futebol. É o clube, as cores, a cidade, o cheirinho a jogo, as bifanas, as conversas, o nervosinho, o bairrismo, as personagens… Este ano fez-me perceber que não sou propriamente adepto de futebol, mas sim adepto daquilo que o futebol nos dá. Mais precisamente o Futebol Clube do Porto. Quem sente um clube assim sabe que não dá para explicar ao certo o que é. Desejo que todos sintam algo deste género. Se nos faz feliz e não dá para explicar a razão, só pode ter um nome: Amor

Esquerda Direita Volver 4 – A gestão da pandemia

O quarto debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Francisco Salvador Figueiredo, João Mendes e José Mário Teixeira.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 4 - A gestão da pandemia
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Auriol Dongmo, Pedro Pichardo e Patrícia Mamona: três medalhas de ouro contra a arianização do orgulho nacional

Os racistas, como não gostam da diversidade do que é “ser português”, podem bem ir-se da sua terra. Estas medalhas não são de todos, são de todos os que não querem expulsar ninguém com base na sua cor de pele ou terra natal. Estas medalhas são de Portugal com tudo o que Portugal é, menos daqueles que insistem em voltar às cavernas onde Portugal era apenas filho de si próprio. Parabéns Auriol Dongmo, Pedro Pichardo e Patrícia Mamona! Parabéns Portugal!

Um uniforme do Ku-Klux-Klan

Foi o que pedi aos meus pais, quando, na adolescência, li, pela primeira vez, Os Maias.

Mathieu Van der Poel não é humano

À partida para a Strade Bianche, a primeira grande prova de um dia do calendário velocipédico internacional, já poderíamos predizer com um altíssimo grau de certeza que a prova seria discutida pelo denominado trio do cyclocrosse (composto por Mathieu Van Der Poel, Wout Van Aert e Thomas Pidcock) e pelo campeão do mundo de ciclismo de estrada em título Julian Alaphillippe, não obstante o gap ao nível de preparação desportiva apresentado pelo último em relação aos três primeiros, que sucede naturalmente, do facto destes se apresentarem em melhores condições devido ao facto de estarem em constante preparação desde o passado mês de Novembro no sentido de prepararem a sua participação na temporada de cyclocross, temporada que ocorre normalmente nos meses de paragem do ciclismo de estrada. Dos 3 citados, Van der Poel e Van Aert protagonizaram de resto incríveis duelos na terra quer na prova de Taça do Mundo disputada em Namur, quer nos campeonatos do mundo disputados em Oostend.

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António Costa, André Ventura e Mamadou Ba entram num bar

António Costa considera estar a abrir-se uma fractura perigosa para a nossa identidade. Até aqui, tudo bem. Tem razão o Primeiro-Ministro e prova que tem estado atento às conjunturas da política nacional, o que é natural, não fosse António Costa o primeiro representante do Governo português.
 
O pior veio depois. Em entrevista ao jornal Público, disse o Primeiro-Ministro, que “nem André Ventura nem Mamadou Ba representam aquilo que é o sentimento generalizado do país”. Partindo de um pressuposto verosímil, o Primeiro-Ministro formula uma opinião que mais não é do que uma tentativa de atirar areia para os olhos, e agora digo-o eu, da generalidade do país. Se pode ser verdade que nem todos os portugueses são da extrema-direita, também é verdade que nem todos os portugueses querem lutar contra o racismo. No entanto, esses portugueses existem, e o Primeiro-Ministro também os representa. Um pouco mais de tacto naquilo que diz não faria mal nenhum a António Costa, mas o mesmo já nos habituou a tiradas arrogantes do alto do seu pedestal moralista.
 
A incapacidade do Primeiro-Ministro em falar de frente para esses portugueses, quer os do lado do populismo da extrema-direita, quer os do lado do excesso metafórico recorrente do representante da SOS Racismo, denota, mais uma vez, a falta de noção do mesmo e a já recorrente incapacidade em descer à Terra. Saber pôr os pontos nos i’s não é uma das qualidades do Primeiro-Ministro, definitivamente. Para Costa, Ventura não é uma ameaça, mesmo sabendo que, mal possa, o PSD, maior partido da oposição, unir-se-á aos novos (que não são novos) fascistas do burgo. Se tal não preocupa o Primeiro-Ministro, é prova de que a cadeira onde se senta já começa a ganhar calos. Ver André Ventura e o Chega como uma ameaça “é dar-lhe a credibilidade que ele não tem”; deduzo, portanto, que a melhor arma contra o extremismo de direita, para António Costa, seja a indiferença. Acho que não preciso lembrar ninguém do resultado que deu essa estratégia no passado.

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Ressurreição

Cavaco Silva é a prova de que existe vida depois da morte.

No entanto, se a vida depois da morte tiver o aspecto actual do antigo Primeiro-Ministro e ex-chefe de Estado, digo já que não quero padecer desse mal.

Quem poderá traduzir “Lágrima de Preta”?

O racismo pretende construir muros e prisões. Estrutural ou não, deve ser combatido. O objectivo é erradicá-lo, extinguir o racista, não através da violência física, mas condenando-o à inexistência, através da educação, da cultura e das artes. Das artes, insisto. Tudo isto será utopia, mas é pela utopia que devemos ir.

O anti-racismo deve servir para derrubar muros, para explicar ao mundo que não estamos separados pela cor da pele. Como tantas lutas legítimas, também o anti-racismo está sujeito a exageros e perversões. Qual é a diferença? O racismo deve ser destruído, o anti-racismo precisa de ser melhorado. O problema de quem faz força em sentido contrário reside, por vezes, num excesso nascido da revolta ou da necessidade de compensar a força do inimigo.

Recentemente, na Holanda, surgiu uma polémica a propósito da tradução do poema que Amanda Gorman escreveu e declamou na tomada de posse de Joe Biden. Quando se soube que Marieke Lucas Rijneveld, a tradutora escolhida, era uma mulher branca, houve uma revolta tal que esta, apesar de avalizada pela própria autora, pediu desculpa e retirou-se. Pelos vistos, aquele poema só pode ser traduzido por alguém com a mesma cor de pele da autora.

O anti-racismo transforma-se, assim, num racismo de sinal contrário, mesmo que as intenções sejam, originalmente, as melhores. [Read more…]

Democracia comunista…

Ou democracia estalinista?

Ainda o Montijo

Num artigo que tresanda a spin para justificar a opção do governo, fica logo claro porque é que Montijo foi escolhido.

Mesmo descontando perdas motivadas pelos anos a mais que demorará a obra, o custo extra de uma infraestrutura construída de raiz, no caso, em Alcochete, ascende a 6 mil milhões de euros. É o quíntuplo do valor que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028 na reconversão da infraestrutura do Montijo e melhoramento e expansão da Portela. O custo de Alcochete ascenderia a 7,6 mil milhões – cujo custo iria necessariamente recair, ao menos em parte, sobre os contribuintes -, em vez dos 1,5 mil milhões no Montijo, assegurado pela ANA e financiado pelas taxas aeroportuárias. [DN]

“que a ANA Aeroportos se comprometeu a investir até 2028”

Esta é a chave para a decisão.

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Moedas, family & friends

Há dias escrevi aqui que Carlos Moedas foi uma boa escolha de Rui Rio para a CM de Lisboa. Uma escolha forte e agregadora. Continuo convencido disso. E a quantidade de partidos que o apoiam parece confirmar a ideia, pelo menos no que ao factor agregador diz respeito: CDS, Aliança, MPT, PPM e até o RIR, do antigo autarca socialista e ex-candidato presidencial, Vitorino Silva, a.k.a Tino de Rans. Só falta a IL. Parece que o Chega foi pré-excluído por Moedas. Tem o meu respeito por isso.

Depois fui confrontado com um:

  • Mas tu sabes quem é Carlos Moedas?

Não o conheço, claro está, mas sei umas coisas. Lembro-me do tempo em que era o Secretário de Estado Adjunto de Pedro Passos Coelho, e um dos responsáveis por acompanhar o takeover da Troika. Um dos homens por trás da máxima “ir além da Troika”. Um político que, antes de chegar ao governo, esteve no Deutsche e no Goldman Sachs, dois dos beneficiários da desnecessária privatização dos CTT, com os resultados que se conhecem. Os CTT que, anos mais tarde, convidaram Celine Abecassis-Moedas para a administração da empresa.

Quem?

Exactamente: a esposa de Carlos Moedas.

Por isso sim, sei umas coisas sobre Carlos Moedas. Mas isso não invalida que seja um dos nomes mais fortes que o PSD poderia avançar, mais ainda se considerarmos o período particularmente delicado que o partido atravessa. Pese embora o mau arranque, com a péssima (e desnecessária) encenação do “sonho” e do “projecto de vida” de vir um dia a presidir à CM de Lisboa. Consegui visualizar o jovem Carlos, num banco do liceu de Beja, a sonhar com o dia em que entrava pelos Pacos do Concelho de Lisboa, com o colar ao pescoço. Não havia necessidade…

*

P.S. Estou particularmente curioso para saber se a IL alinha na coligação de direita, encabeçada por Moedas. Se fosse socialista, certamente teria direito a um cartaz @comPrimos. A ver vamos, se isto é uma questão de primos. Ou de socialismos.

Carta Aberta ao jornalista Pedro Tadeu (DN)

O jornalista Pedro Tadeu escreveu ontem, no DN, um artigo sobre jornalismo. Sobre o que se passa no jornalismo actualmente. Citando:

“Desde que esse meu amigo me contou o que se passou com ele, sempre que vejo uma notícia sobre a covid-19 fico desconfiado: “Será mesmo assim ou isto foi uma encomenda?” E quando constato a grande quantidade de peças que estão dentro da área de interesses destes “recrutadores de jornalistas”, quando vejo que essas peças se repetem no foco e na mensagem, exageradamente, nos últimos meses, fico espantado com a minha ingenuidade estúpida: “Como é possível eu ter achado que isto era, apenas, um exercício editorial insensato e incompetente, mas genuíno?” A seguir vem o desgosto: “Como é que a minha profissão chegou a este ponto!?”

Aqui fica a minha carta aberta ao Pedro Tadeu:

Caro jornalista Pedro Tadeu, eu tenho um amigo, não sei se o mesmo, que já nos idos de noventa me contava existirem jornalistas no activo a fazer assessoria de comunicação para privados. Esse meu amigo deparou com altos quadros, dirigentes, de canais de televisão cujas mulheres (ou irmãs ou mesmo primas, a minha memoria já não me ajuda muito) trabalhavam ou eram donas de empresas de assessoria de comunicação e ele, pasme-se, avisava que se o “pedido” viesse por essa mão amiga, a coisa teria direito a telejornal e tudo, veja bem. Isto já em pleno novo milénio e, suponho, não deve ter mudado assim tanto. E advogados comentadores nos media que, simultaneamente, tratavam dos problemas pessoais dos seus entrevistadores? E o mesmo se diga no tocante a médicos? Já ele me falava na confusão entre o que era pessoal e o que era profissional. Nisso e nos políticos que conseguiam ser, simultaneamente, informadores do jornalista A ou B e articulistas no mesmo jornal ou comentadeiras na mesma televisão. Uma festa. Ou, usando as palavras desse meu amigo (será p mesmo?), um festim.

Caro Pedro Tadeu, pelo que percebi do seu amigo e juntando com o meu, desconfio que não se fique apenas pelo Covid, ao que parece já não se pode confiar em praticamente nada do que se vê nos noticiários tal a confusão entre o que são noticias e o que são apenas encomendas. É claro que aqueles 15 milhões não ajudam nada. Isso e a propriedade actual dos meios de comunicação. De qualquer forma, obrigado pelo seu artigo e que nunca nos faltem os amigos.

Com os melhores cumprimentos.

A triste realidade do País em que a Burocracia e a Incompetência continua a fazer escola

O caso da jovem Constança Bradell é um daqueles filmes que tantas vezes vimos ao longo das últimas décadas no nosso país, em particular, nos casos que envolvem a relação entre o Estado e os portadores de doenças raras: é uma manifesta incúria, uma manifesta incompetência, uma manifesta negligência provocada por um sistema altamente burocrático que reflecte sobretudo a falta de empatia dos decisores e dos funcionários públicos perante o seu semelhante. Sim, o funcionalismo público português está, para nossa infelicidade, desde as camadas de base até ao topo, cravejado de funcionários que aparentam (ou talvez não tenham mesmo essa capacidade de tão insensíveis à dor do outro que se tornaram) não ter o mínimo de empatia perante o problema e a dor do próximo. A não ser que os visados pelo infortúnio sejam os seus filhos, os filhos dos seus colegas, os filhos dos seus hierárquicos ou os filhos dos deuses com pés de barro a quem lambem sistematicamente as botas à espera de benefícios.

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O negócio de Montijo

Governo já tem proposta para substituir lei que bloqueou aeroporto no Montijo

Essencialmente, o que António Costa e o seu PS, apoiado pelo PSD de Rui Rio, se prepara para fazer é deixar claro que estamos num Estado onde a lei não é o alicerce da governação mas sim um instrumento para se atingir um fim. Não é propriamente uma novidade mas é de registar que a inversão de valores não é alheia a este executivo. Também mostra bem de que lado está o Governo e não é do lado dos cidadãos.

Sobre o negócio de ocasião para a ANA e a Vinci, pouco há a acrescentar ao que anteriormente se disse. Excepto que é de se sublinhar que os dois submarinos ainda vão dar jeito ali.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)

Conversas vadias 3

Mais uma noite de vadiagem desta feita com os Aventadores António Fernando Nabais, João Branco, Francisco Salvador Figueiredo, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando Sousa, João Mendes e Francisco Miguel Valada.

Um périplo pelo universo sportinguista, pelo ensino, ao redor de línguas e autarquias, com PAI e Moedas, Mouros, Medina e Messias, Macaco, Águias e Pinto da Costa, o Liberalismo e o Salvadorismo, Areosa e Maiorca.

Tudo sem esquecer a devida e merecida memória de uma grande Senhora: Maria José Valério.

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Conversas vadias 3
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O Acordo Ortográfico de 1990 é mais difícil de executar do que o scherzo da Nona de Beethoven

Kein Crescendo.
 H. von Karajan

***

O scherzo da 9.ª Sinfonia de Beethoven tem um tempo muito rápido, é molto vivace – presto, sendo a execução extremamente difícil. Como não estamos nos Sons do Aventar, convém esclarecer que “tempo” aqui é entendido na acepção de «unidade de medida da pulsação rítmica, geralmente correspondente a cada uma das partes de um compasso musical». E “muito rápido”, salvo melhor opinião, é mesmo a designação mais correcta, pois rapidíssimo é o prestissimo. Portanto, o melhor é ficar pelo muito rápido e evitar superlativos sintéticos. Ao escutar este scherzo, sou imediatamente transportado para as margens do Mosela, quando entra na Alemanha, terminados os percursos francês e luxemburguês. Depois, o Mosela acaba por desaguar no Reno. Mas esse é outro assunto. Voltando àquilo que actualmente nos ocupa, como é sabido, apesar de difícil, a execução do scherzo da Nona é viável. Ou seja, é possível que isto

etc.

se traduza nisto [Read more…]

O exagero dos liberais

Desde já, alerto que este texto irá conter vestígios de bairrismo e de sentimento. Todos nós temos as nossas hipocrisias e, por muito que eu gostasse de ser totalmente racional, não consigo. Prefiro admitir desde já em vez de tentar arranjar razões forçadas para justificar os meus sentimentos.

Ontem, o meu Porto acordou diferente. A Avenida principal da cidade, que até contém a estátua do Rei Liberal, estava de uma ponta à outra repleta de bandeiras comunistas. Eu não sou contra a existência do Partido Comunista nem sou contra propaganda comunista, mas sou completamente contra este tipo de propaganda. Faria este texto se fosse o PAN ou o PSD? Sim. Seria tão chocante para mim? Não.

Os liberais nunca se revoltaram com cartazes comunistas, mas ontem sim, porque quem não se sente não é filho de boa gente. A disposição daquelas bandeiras lembra perfeitamente um regime comunista típico de Século XX. Uma coisa é um cartaz na berma da estrada, outra é ocupar a Avenida dos Aliados com bandeiras de um partido. E não, não é um partido qualquer, é um partido comunista. Um partido que defende Estaline, que comemora hoje 68 anos como comunista bom, um partido que defende Lenine, um partido que não condena o regime ditatorial existente na Coreia do Norte, entre outras barbaridades. Mas que se engane quem acha que isto é “só lá fora”. Como muito proclama, o PCP não lutou pela liberdade, lutou para impor a sua ditadura. Isto não é querer a liberdade, é querer o poder. Mas aos comunistas é fácil perdoar tudo sob a desculpa de ser apenas uma parvoíce ou uma utopia. Ainda na última festa do Avante se ouviu que é necessário acabar com o capitalismo pela força. Facilmente, se passeiam camisolas de assassinos como Che Guevara e Fidel. Isto não é admissível num partido democrático. [Read more…]

Crónicas do Rochedo 43 – Ainda discutem um novo Aeroporto???

Nos últimos dias foram publicadas duas notícias que são todo um programa para o que nos espera nos próximos tempos. A primeira foi no Observador, uma entrevista ao Presidente do Grupo Jerónimo Martins onde ele explica que estamos a caminhar para uma crise grave, muito grave. Profunda, nas suas palavras. “Relativamente ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “que está proposto, para mim ainda não está totalmente claro como é que vai funcionar, nem em que áreas”, prosseguiu, salientando que aquilo que tem sido transmitido pela comunicação social portuguesa sobre o tema não o deixa “minimamente confortável”, fim de citação.

A outra foi num dos jornais de economia de Espanha, o Expansión. Onde é explicado que este verão é a última oportunidade para salvar a economia espanhola se e só se o governo espanhol consiga elaborar um plano de regresso a uma normalidade económica. Caso contrário, o abismo. Algo que se aplica a Portugal – a Grécia, a Turquia e o Chipre já se adiantaram e ficaram com a fatia de leão das reservas de verão que se vendem no primeiro trimestre do ano. Ora, perante tudo isto, qual a mensagem que passam os nossos governantes?

Estão a discutir o novo Aeroporto de Lisboa. Ainda e sempre. Ora agora é no Montijo, ora depois é em Alcochete e por fim será onde as negociatas do eterno e sempre em pé bloco central deseje. A sério que estão a discutir esta merda? No meio de uma crise económica sem precedentes continuam com a treta do novo aeroporto? Olhem, aproveitem o elefante branco de Beja, metam um comboio rápido e vão ver que não será muito diferente, em termos de distância/tempo do caso de Beauvais (Paris) ou Memmingen (Munique), entre outros exemplos nas grandes cidades da Europa.

A sério que os nossos (ir)responsáveis políticos consideram, hoje, que a construção de um novo aeroporto é algo útil para a nossa economia? É o novo aeroporto que vai salvar o turismo (em Lisboa, no Algarve, no Porto, nas ilhas?), que vai salvar da falência as centenas de milhar de empresas que estão, na realidade, falidas? Que vi criar postos de trabalho em número suficiente para regressarmos aos valores pré pandemia? É esta a visão de futuro do governo de Costa?

Sons do Aventar – Madrugada do 25 de Abril

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António Barreto e o “sistema”

António Barreto voltou a dar o ar da sua graça na imprensa nacional. Ainda no início de Fevereiro deu uma entrevista à TSF/DN, mas no Sábado passado estava de regresso à capa de um jornal de grande tiragem, desta feita o Sol, que agora se chama Nascer do Sol, excluído, perseguido e censurado como só este eterno barão do bloco central sabe ser.

António Barreto personifica, como poucos, aquilo a que comummente nos referimos que recorremos ao termo “sistema”. Se Olof Palme, sobre quem escrevi há dias, estava sempre do lado certo da luta, António Barreto tende a estar sempre do lado certo do poder, de mãos dadas com ele.

Senão reparem: António Barreto foi comunista durante o declínio do fascismo, quando era moda ser oposição ao Estado Novo, ministro do PS no tempo do soarismo, virou mais tarde à direita, trabalhou no sector público, trabalhou no sector privado, andou por fundações e órgãos de comunicação social, escreveu e escreve regularmente nos principais jornais nacionais, comenta a actualidade nos telejornais, enfim, está – literalmente – em todo o lado. E, curiosamente, nunca – mesmo nunca – é nada com ele. São os outros. É o sistema. O sistema que ele conhece, por dentro, como poucos. Muito poucos.

Mas não é nada com ele.

Rigorosamente nada.

Pod do dia – Infantarias

Manuais de instruções para gente idiota. Como eu, segundo Brecht e a minha mãe.

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Pod do dia – Deixem o Estado em Paz

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Comuno-liberais: os campeões das utopias na Avenida dos Aliados

O Partido Comunista Português faz 100 anos.

Para assinalar a comemoração, o partido decidiu espalhar, por toda a Avenida dos Aliados, no Porto, bandeiras com o símbolo do partido. Como esperado, a direita neo-liberal barafustou, esperneou, vociferou e espumou, dizendo que era de mau gosto (os liberais, esses exclusivos donos do bom gosto e da verdade em geral) e um ataque à democracia.

Nada contra a estarem contra. Mas eu também acho ridículos, de mau gosto e populistas, os outdoors do Iniciativa Liberal espalhados pela EN-14 e pela VCI, também na zona metropolitana do Porto, e nunca barafustei, esperneei, vociferei ou espumei por causa disso; ou os outdoors do Chega com a cara do querido líder e frases desconexas espalhadas pelo país fora. Antes pelo contrário, acho sempre piada à capacidade do ser humano de manipular para se engrandecer, dos “direitolas” aos “esquerdalhos”, passando pelos canonizados “centristas”, e, por tal, sorrio a todos os outdoors. Provavelmente, na cabeça dos neo-liberais, seria preferível, em vez das bandeirinhas do PCP, umas bandeirinhas com o símbolo da Vista Alegre de um lado da Avenida, e outras com o símbolo da Amazon do outro, rematando com uma grande bandeira com a cara do Jeff Bezos sobre a Câmara Municipal do Porto. Quem sabe? [Read more…]