E não faltam por cá outros estúpidos, a defender o estúpido com unhas e dentes

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E sobre a mais recente estupidez, digna da besta mais retardada de que há memória na política mundial, ide ler o J Manuel Cordeiro, caros leitores. Haja alguém para dar alento às rezas da minoria fascista que temos por cá.

 

Trump, a grande besta

Face aos recentes tiroteios na Florida, EUA, o que anuncia Trump na audiência que concedeu àqueles que queriam colocar as armas de fogo sobre controlo? Em frente aos miúdos que sobreviveram e aos pais dos que perderam os filhos, Trump declarou que deviam ser dadas armas aos professores. Um professor armado  poderia acabar aquilo “muito rapidamente”, disse Trump.

Repare-se, quando se atravessa a fronteira dos EUA para o Canadá, passa-se de um país de lunáticos, que andam aos tiros uns aos outros, para outro onde nada disso acontece. E qual é a solução de Trump? Mais armas. O autêntico far west.

Além da cretinice e falta de tacto, há o outro lado das soluções infantis do actual presidente americano. Um professor com armas acaba aquilo. Depois, claro, de uns quantos terem levado uns tiros e do próprio professor passar a ser o juiz e carrasco. Uma grande besta, é o que é.

Quando a OCDE se presta a animar festas

Santana Castilho*

O ciclo das loas à flexibilização curricular e ao perfil do aluno do século XXI, iniciado sob os auspícios de uma apresentadora televisiva e de um treinador de futebol, teve a festa de encerramento no passado dia 9. O animador convidado foi, agora, Andreas Schleicher. Profetizando como convinha aos organizadores, o homem previu, implicitamente, o fim dos exames do 12º ano, tal como hoje são conhecidos. Atrevido, disse que o novo modelo da flexibilidade curricular é a forma como os professores gostariam de dar as suas aulas. Vidente, falou de uma tensão existente nas nossas salas de aula.

Que Tiago Brandão e João Costa lhe tenham dado procuração para dizer o que disse, não duvido. Mas um pouco de recato para não anunciar tensão dentro de salas em que não entrou e não falar por professores que não ouviu, era exigível pela tensão, essa sim bem exposta publicamente, entre a sua condição, permanente, de director para a Educação da OCDE e o seu papel, temporário, de animador de uma romaria de directores aderentes e investigadores recorrentes. [Read more…]

Um “não assunto”, claro

Diz um g. sobre outro: “Nunca dissemos que o senhor Barroso, que ainda é meu amigo, porque tem alguns méritos na Europa, não é um gangster (…)   (nota: o problemazinho de “nunca dissemos” que “não é um gangster” não é da minha responsabilidade, mas é interessante…)

Pronuncia-se assim Juncker, o tal sob cujo olhar benevolente se assistiu ao surgimento de um oásis fiscal em pleno temperado clima do Luxemburgo que levou, segundo estimativa do Partido Verde europeu, à perda por parte dos estados da UE de, pelo menos, 300 milhões de euros.

Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia com quem Barroso manteve o tête-à-tête em representação da Goldman Sachs (e por isso consta da lista de encontros de lobi de Katainen) diz que “a reunião foi pedida por Durão Barroso e acrescenta que não há documentos sobre a mesma porque não tem o hábito de tomar notas.“

Era o que faltava, tomar notas! Afinal, falou-se num hotel, sem testemunhas, sobre temas totalmente irrelevantes da área do comércio e de política de defesa, e Barroso – que ao saltar de presidente da Comissão para o banco de investimento Goldman Sachs se tinha comprometido a não actuar como lobista do dito banco -, esteve a falar com Katainen apenas e só mesmo a título pessoal, privado. Ah! falaram sobre comércio e Barroso está encarregado de aconselhar o gigante americano sobre o Brexit? E depois, o que tem uma coisa a ver com a outra? Ninguém tem nada a ver e tudo isto não passa de um “não assunto”, na opinião do Sr. Juncker. Pudera.

Um belo dia mandamos-vos todos para hotéis de luxo fazerem os tête-à-tête que vos aprouver sem tomarem notas – mas não em cima das nossas cabeças nem com as mãos nos nossos bolsos. Depois, hão-de chamar-nos populistas.

P.S. Foi graças ao olhar atento do Corporate Europe Observatory que se soube de mais esta manobra de lobi. Obrigada!

A guerra começa aqui

O dia em que Ignacio Robles disse “não” parecia igual aos outros todos. A corporação foi chamada ao porto de Biscaia para uma operação de rotina: verificar as condições de segurança no carregamento de mercadorias perigosas. Os bombeiros não são pagos para fazer perguntas, mas Ignacio, num daqueles momentos que parecem banais, mas que se ampliarão na memória por muitos anos, perguntou o que havia nas caixas que iam ser transportadas para a Arábia Saudita. E responderam-lhe. Eram bombas. As que provavelmente cairiam sobre o Iémen daí a umas semanas.

Ignacio disse que não era capaz. Lembrou que, como bombeiro, a sua missão era proteger a vida e que não podia ser chamado a participar num acto que conduziria à morte de civis. Pediu que o dispensassem do trabalho. Não houve problemas. Um mês depois soube, pelo jornal, que lhe tinha sido instaurado um processo disciplinar que, no limite, poderia levar a uma suspensão de 3 a 6 anos, sem remuneração. E caiu-lhe o mundo aos pés.   [Read more…]

Ficar doente, só depois do expediente

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia e do Conselho Metropolitano do Porto, com Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro. Uma amizade cúmplice e sincera.

 

Ficar doente, só depois do expediente. A direita radical disfarçada de socialismo:

“Manter os centros de saúde abertos até mais tarde, permitindo que as pessoas pudessem recorrer a eles depois do horário de trabalho, permitiria aliviar as urgências hospitalares, defende Eduardo Vítor Rodrigues, líder do Conselho Metropolitano do Porto e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.”

in Observador, 20/02/2018

Já puseste o caciquismo a lavar, Rui?

RRSM

Fotografia: Fernando Veludo/Lusa

O congresso do PSD correu dentro do esperado, talvez com a excepção do discurso final de Rui Rio, exótico a ponto de não se resumir a chavões e lavagem de roupa suja, desonrando assim uma longa tradição dos congressos do partido que já foi social-democrata. Valeu a faca longa do rebelde Luís Montenegro, assim como a calorosa recepção de Elina Fraga, após ser anunciada como nova vice-presidente do PSD. Os passistas ficaram radiantes!

Agora que o conclave laranja chegou ao fim, o país está preparado para o banho de ética que Rui Rio lhe prometeu. E como o novo líder do PSD não tem lugar no Parlamento, onde não falta quem não se lave há vários anos, porque não começar por limpar a casa por dentro? Porque não começar, por exemplo, pela eterna questão do caciquismo, que tanto destaque e preponderência teve nas recentes directas do PSD? [Read more…]