Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (4)

No post anterior analisou-se o contexto das telecomunicações móveis nos EUA e como este está a colocar em risco a posição dominante da Cisco no mercado dos equipamentos da infra-estrutura de telecomunicações, tendo ficado no ar a questão de o boicote à Huawei ser apenas uma questão comercial ou se também há questões de segurança associadas.

Começando pelo discurso oficial da administração norte-americana, a Huawei foi interditada nos EUA apenas por razões de segurança.

Do ponto de vista de segurança, qualquer produto estrangeiro é um potencial problema de segurança, especialmente se este for um produto de telecomunicações. Neste sentido, faz sentido os americanos estarem a bloquear uma empresa chinesa. No entanto, porque é que a ZTE foi autorizada a operar nos EUA depois de ter sido declarada como sendo um perigo para a segurança nacional? E se a Huawei é um problema de national security, porque é que continua a ser a ser permitido usar este fornecedor para os operadores regionais? [Read more…]

Rui Pinto está preso, mas os criminosos continuam em liberdade

Uma Justiça corrupta, num país corrupto, prende aquele que denúncia os crimes dos poderosos.
Mas aos poderosos, deixa-os em liberdade e não demonstra grande interesse em deitar-lhes a mão.
Não são as denúncias dos crimes dos poderosos que põem em causa o Estado de Direito. O que põe em causa o Estado de Direito é essa criminalidade, essa corrupção aceite e perdoada.
Rui Pinto não tem hipóteses. A Justiça corrupta vai condená-lo e vai conseguir que, no remanso da prisão, alguém lhe trate da saúde.
Rui Pinto morreu hoje e a Justiça portuguesa tem as mãos cheias de sangue.
Entretanto, os criminosos que Rui Pinto denunciou continuarão à solta. Já lá está dentro o único que tinha de estar. Para a Justiça portuguesa, foi apenas mais um dia no escritório.

Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (3)

No post anterior falou-se, sobretudo, sobre o que traz de novo a tecnologia 5G às redes redes móveis e como a Cisco, líder do mercado dos equipamentos de rede, pode perder a posição de liderança a favor da Huawei.

Não há mistério algum neste ficar para trás das empresas americanas fornecedoras de equipamentos para a infraestrutura de rede. O mercado norte-americano de telecomunicações móveis é controlado por 2 grandes operadores, Verizon (153.9 milhões de assinantes) e AT&T (153.0 milhões de assinantes), seguidos de longe pela T-Mobile (79.7 milhões de assinantes) e pela Sprint (53.5 milhões de assinantes). Estes operadores actuam de forma concertada e monopolista, tendo inclusivamente cobertura da entidade reguladora, que as protege em vez de zelar pelo interesse dos consumidores (ver post anterior).

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Parque Biológico de Gaia completou 36 anos de existência

Primavera de 2014

 

O Parque Biológico de Gaia completou ontem, 21 de Março, 36 anos anos de existência. Segundo o seu criador, o biólogo Nuno Gomes Oliveira, “foi a 21 de Março de 1983 – Dia da Árvore e Dia Mundial da Poesia – que se realizou a primeira visita de estudo de uma escola ao Parque Biológico de Gaia; foi a Escola Preparatória Augusto Pires de Lima”.

Nuno Oliveira lembra que “uma das primeiras individualidades a reconhecer o valor do Parque Biológico, ainda em projecto, em 1982, foi o Arq. Gonçalo Ribeiro Teles, então Ministro de Estado e da Qualidade de Vida”. De facto, o Parque Biológico de Gaia foi, durante muitos anos, um dos bons exemplos, em toda a Europa, daquilo que é possível fazer-se em benefício de uma educação para a Ecologia, para a defesa do Ambiente e de novos valores de cidadania. O biólogo foi afastado do Parque em 2016, no fim de um lamentável processo ao longo do qual eu próprio testemunhei episódios impróprios de aqui serem relatados.

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Contra a censura na rede

Durante todo o dia de hoje, a Wikipédia em língua alemã esteve desactivada como expressão de protesto contra a proposta de nova directiva de direitos de autor na UE. “A nossa rejeição resulta de sabermos o que significa o facto de tudo o que, de algum modo, tenha relação com conteúdos externos, ter de passar por filtros e provar a sua legalidade antes de poder aparecer”. “Haveria sempre ‘overblocking’.”

O foco das críticas são os chamados filtros de upload, programas que verificam previamente se o utilizador carrega material protegido por direitos de autor. O que vai representar o fim da Internet tal como hoje a conhecemos.

Passando por cima dos fortes protestos em torno do artigo 11.º e do artigo 13., e após longas negociações, o Conselho Europeu, o Parlamento e Comissão acabaram por chegar a um acordo em favor da nova directiva. “O PE defende que as gigantes tecnológicas passarão a ter que partilhar com os autores parte das receitas obtidas pela partilha desses conteúdos.”

Não, não estou nada a ver que isso vá funcionar. O que estou a ver é os lobbies em acção e bloqueamentos por tudo e por nada.

Para sábado estão previstas manifestações em toda a Europa e a petição pela preservação da liberdade na net, já com mais de 5 milhões de assinaturas, pode (e deve ser) assinada aqui.

No próximo dia 26 de Março, em Estrasburgo, a partir das 12:30h, os 751 deputados do Parlamento Europeu irão decidir entre apoiar uma directiva que obriga a “filtrar a Internet” ou rejeitá-la e exigir uma revisão equilibrada do texto, em benefício dos cidadãos e dos criadores.

Passe Único: Bloco de Esquerda chama presidente da AMP ao Parlamento

A redução do preço e a melhoria do serviço dos Transportes Públicos Colectivos são medidas fundamentais ao desenvolvimento, à coesão territorial e à justiça social. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E se há coisa que deveria ser imperdoável em política, essa coisa é a demagogia e a propaganda feitas à custa dos de sempre, dos que não têm voz para reclamar, nem força para fazer valer os seus direitos de cidadania.

Conforme foi aqui devidamente esclarecido,a introdução do Passe Único na Área Metropolitana do Porto está muito longe daquilo que foi anunciado e que vem sendo vendido à população como uma espécie de milagre de Fátima. Daí que apenas se possa aplaudir a iniciativa do Bloco de Esquerda, que decidiu chamar ao Parlamento, para dar explicações, o presidente da Área Metropolitana do Porto. Diz o Bloco de Esquerda, e muito bem, que é inaceitável e incompreensível que a AMP continue sem prever uma data para a entrada em vigor do passe família (todos os elementos de um agregado familiar que vivam na mesma casa tem acesso ao passe único por um preço fixo total de 80 euros para toda a família).

Uma gigantesca prova de corta-mato nacional

[Pata Negra]

Bush filho, quase tão inteligente como Trump, apresentou um dia como solução para os incêndios na terra dos índios o corte das árvores da floresta. É assim a América do nosso contentamento: se aumenta a insegurança, há que munir os cidadãos de mais armas; se há fogo, corte-se o mal pela raiz, faça-se da floresta deserto.

No Portugal do nosso entretenimento, do fazer de conta que se faz, os fogos seguem o modo de pensar inteligente do amigo americano. Não chegam os carros de bombeiros, compram-se mais carros de bombeiros, não chegam mais carros de bombeiros, chamam-se helicópteros e aviões, não chegam os meios? ah! então vamos pensar…

Não pensando na destruição da agricultura e da pastorícia, não pensando nos fatores económicos que ditaram o abandono da floresta, não pensando nas medidas de encerramentos de serviços e na inevitabilidade de concentração da atividade económica e do emprego nos grandes centros, os corredores do Grande Centro pensaram então:
– Fazer pagar, aos que por lá resistem, os males das políticas que lhes têm sido infligidas. Punam-se esses malandros! Multas pesadas para cima deles! Não têm dinheiro? Então o que é que fazem às reformas que lhes damos?
Conclusão, pensam que podem acabar com os incêndios com a desertificação humana total. Não pensam, os imbecis, que o valor das propriedades, ou do rendimento que delas se tira, não chega para a despesa duma única limpeza anual, nem tão pouco para os custos cobrados pela sua eventual venda.

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (2)

Há muito mais do que tecnologia por trás do que se tem dito sobre a nova silver bullet das comunicações móveis.

A tecnologia 5G está a chegar ao mercado de consumo. O 3G trouxe velocidade à rede GSM, que até aí, pouco mais era do que telefonia móvel. O 4G banalizou o acesso a grandes volumes de dados. E o 5G irá trazer tempos de resposta que irão parecer instantâneos.

Se ver um filme no telemóvel ou descarregar grandes ficheiros com os dados móveis já não é um problema, o tempo de resposta aos pedidos continuou a ser longo no 4G. Todas as actividades que dependam da velocidade de reacção não poderão contar com esta tecnologia. Imagine-se, por exemplo, um cirurgião a controlar remotamente um bisturi em que seja necessário meio segundo para visualizar cada movimento.”Ups! Era só para cortar o prepúcio?…”

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Revoluções inevitáveis

Raquel Varela*

Este ano celebram-se os 100 anos da revolução alemã, os 100 anos da revolução húngara, os 70 da revolução chinesa, os 60 da revolução cubana, os 40 da revolução iraniana, os 40 da revolução na Nicarágua, e para quem, como eu, considera a queda do Muro e Tiananmen dois movimentos revolucionários (porque em história não se confundem processos com resultados), celebram-se os 30 anos do começo do fim da URSS e das esperanças numa China com menos opressão política. Todas estas datas têm vários factos em comum, mas dois deles são fulcrais: a força das massas contra o Estado, criando uma esperança única ao nível das mudanças no século XX,  e a derrota destas forças em regimes políticos que se consolidaram contra elas. Negar o papel das revoluções no século XX é negar que a par do lucro, força motriz das nossas sociedades capitalistas, há uma outra força que determinou os nossos destinos como a lei da gravidade: a ideia de que podemos viver num mundo mais livre e igualitário.

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Para quem só lê os títulos (compostinhos)

ligeira alteração no texto proposto pelo candidato à presidência da Comissão Europeia Manfred Weber mudou totalmente o sentido político do que foi votado: em vez de se dizer que “a filiação será suspensa”, diz-se que “o Fidesz suspende a sua filiação do PPE até ao relatório de avaliação estar pronto”

Terrorismo fascista

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A Nova Zelândia, um país pacífico que ocupa o topo da cadeia alimentar das nações mais desenvolvidas e com maior qualidade de vida do planeta, foi na Sexta-feira palco de um atentado terrorista, o mais grave da sua história (se é que houve outro), que resultou em dezenas mortos e feridos.

O autor do atentado é um terrorista de extrema-direita, que afirma inspirar-se em personagens sinistras como Anders Breivik, e que elogia Marine Le Pen e Donald Trump como “símbolo de identidade branca renovada”. A agenda da violência, da intolerância, do racismo e da islamofobia começa a colher os seus frutos. [Read more…]

Não é fofinho?

«“embora possa também ter uma sanção tipo suspensão”, admite o vice-presidente do PPE, Paulo Rangel»

Eis o grande democrata Rangel, sem tomates para apontar a porta de saída do ditador Orbán, mas de peito cheio para o regime do lado, na Venezuela.

«“Tudo o que o PPE, o Parlamento Europeu e eu próprio, enquanto dirigente da maior família política da União Europeia, puder fazer para levar novamente a democracia e a prosperidade ao povo venezuelano, farei sem hesitar um segundo”, garante Paulo Rangel, num comunicado enviado à imprensa.»

«“O nosso objetivo é também pedagógico”, frisa Nuno Melo»

Não merece respeito que a ele não se dá.

«PSD e CDS estão entre os promotores de uma iniciativa “pedagógica” para forçar o político húngaro a cumprir regras da democracia e liberdade.»

Que fofinhos.

O glifosato é cancerígeno

decidiu um júri norte-americano em caso de linfoma não-Hodgkin. É o segundo.

I am betting all on you

Seguimos com mais um tema.

Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (1)

Há dias, o responsável pela regulação das telecomunicações dos EUA, o FCC, esteve em Portugal, juntamente com o embaixador dos EUA em Portugal, a fazer pressão para que o governo bloqueasse a possibilidade de a Huawei fornecer equipamentos de telecomunicações 5G aos operadores de telecomunicações portugueses.

A visita fez parte de uma cruzada pela Europa, que já tinha passado pela Nova Zelândia, Austrália, Japão e Canadá. Trump, ele mesmo, envolveu-se no tema, da forma idiota e mentirosa que lhe é característica, desvalorizando a tecnologia 5G, que ainda nem chegou aos consumidores, e falando num inexistente 6G, como quem recomenda “não compres já o computador – espera pela actualização que sairá depois do Natal”.

Por cá houve quem achasse que tinha uma oportunidade de fazer corpo presente e mandou umas bocas. Há sempre quem se ofereça para fazer estas figuras.

A história é longa demais para um post e sairá ao longo dos próximos dias. Há muito mais do que palavras por trás do que se anda a dizer quanto ao 5G.

Quando a civilização recua

Santana Castilho*

  1. Nos Estados Unidos da América, dirigidos pelo homem que popularizou a expressão fake news, diz a Gallup que 18% dos cidadãos acreditam que o sol gira em torno da terra, 42% afirmam que Deus nos criou há menos de 10.000 anos e 74% dos republicanos no Senado negam a validade das mudanças climáticas, apesar das evidências científicas aceites no mundo.
    Com os olhos postos nisto e nas previsíveis campanhas de desinformação em ano de eleições, o PS propôs a discussão do assunto no plenário da Assembleia da República, defendendo um projecto de resolução que recomenda ao Governo a adopção do plano de acção contra as fake news, aprovado pela Comissão Europeia em Dezembro passado. Tratando-se de matéria em que o Governo é exímio especialista, o êxito está garantido. Dêem-lhe espaço de manobra e, agora que já temos uma agência espacial, Pedro Marques ainda anunciará que seremos os segundos a pôr o pé na Lua.
    Factos que se contradizem deixam-me perplexo. O que será falso? O desvelo com que o Governo recentemente se ocupou das mulheres, a propósito do seu dia mundial e da violência de que são alvo, ou o ódio que dispensa a duas classes profissionais maioritariamente compostas por elas (professoras e enfermeiras)?
    Não será igualmente falso um primeiro-ministro falar das vítimas de Pedrogão enquanto pica cebola para uma cataplana, porque o que procura é a popularidade que o avental da Cristina lhe confere? Não será falso o homem pensar que assim se aproxima dos cidadãos, quando o problema seria fazer algo para que os cidadãos se aproximassem dos políticos (quase 50% de abstenção)? [Read more…]

A puta de Cristiano Ronaldo

A Selecção Nacional é a puta de Cristiano Ronaldo. Sempre pronta, de pernas abertas, a recebê-lo quando lhe apetece.
Veio agora para dois jogos e voltará quando quiser. Mais ou menos como fazia Luís Figo há alguns anos.
Quanto ao brochista de serviço, é o mesmo de sempre. Quem aceita que um jogador o empurre e dê indicações em campo em vez dele próprio; quem se desfaz em declarações amorosas constantes ao “melhor do mundo” sem perceber que nenhum treinador se pode rebaixar a nenhum jogador, seja ele quem for, faz jus ao papel que representa. Que é o de um treinador de quinta categoria – como o são, de resto, quase todos os selecionadores nacionais. Se fossem bons, não estavam nas Selecções.
Mas compreende-se. Afinal, o chefe deles é o mesmo que também manda na Selecção, que é como quem diz o empresário. E nestas coisas, manda quem pode, obedece quem deve.

Rúben Neves pode ajudar a selecção do Brasil

«Posso ajudar a Seleção». Efectivamente.

Sangue comunista

No noticiário da TVI, anuncia-se que Fernando Medina tem “sangue comunista”(quem diria, hein?) – por ser “filho de dois históricos do PCP”. Com este contributo, a ciência política ganha uma nova dimensão. Não sei bem onde devo situá-la: se no domínio da hereditariedade se no da hematologia.

Não, não somos a Grécia

In Greece, an Economic Revival Fueled by ‘Golden Visas’ and Tourism
Less than a year after the country ended a multibillion-euro international bailout, property buyers from China and Russia are helping to mend its economy.

Qualquer semelhança é mera coincidência.

E um dia, o que será destas economias se um sopro alterar, ou terminar, estes fluxos de ócio?

Detalhe particularmente curioso é o uso da cidadania como modelo de negócio em ambos os casos. Os anéis que se vendem tomam muitas formas.

A nova roda dos expostos

Acta Pública de Reunião Pública da Câmara Municipal de Gaia

 

Uns vão administrar a Galp, outros levam a família para o Governo. Outros ainda vão à Câmara  Municipal pedir esmola. Por que raio hão-de chapar na praça pública o nome completo destes últimos, como se não fosse já suficiente humilhação ter que pedir? Onde está a Comissão de Protecção de Dados? Onde está o respeito pelo mínimo de dignidade a que tem direito quem está aflito?

Dias

Sempre que eu oferecia um presente ao meu pai, ele fazia uma coisa que me irritava muito. Sem desfazer o embrulho, revirava-o nas mãos, abanava-o junto ao ouvido, e punha-se a adivinhar: “Isto é um perfume”. “É um cachecol”. “Um livro”.

Claro que às vezes acertava e isso ainda me irritava mais. “Não adivinhes, abre!”, repetia-lhe eu sempre. Ele achava graça a esse jogo. Eu sentia que parte da surpresa se arruinava. Claro está que ele tinha razão, eu ainda não me tinha libertado dessa urgência estúpida que carregamos durante anos, por vezes a vida toda. [Read more…]

Engate a terceira

Fernando Venâncio

A apresentadora Cristina Ferreira terá assegurado ao primeiro-ministro alguns suplementares milhares de votos quando retoricamente perguntou: «Ai, ele era engatatão?». Estava-se no programa da dita, na SIC, com António Costa de cozinheiro e a mulher de indiscreta confidente.

Pergunta retórica, sim, mas também supérflua. Todo o político de sucesso é excelente no engatar. Porque, pensando bem, é num contínuo e descarado engate que se condensa a actividade política.

“Engatar”, um verbo feliz. Lembra todos os tipos de engrenagem, de enganchadura, de engalfinhamento. Origina-se no valor “grampo” do vocábulo “gato”. Por isso se adequa tão bem às mudanças da caixa de velocidades. A gente engata, engrena, engancha, ok engalfinha a primeira, depois a segunda, e há quem tenha assentado o rabo numa máquina que mete a sexta. Não sei para que serve, ou qual seja a sensação, mas alguma há-de ter.

Um brasileiro fica em branco com os nossos “engates”. Falarem-lhe em “sites de engate” é atormentá-lo de perplexidades. E, contudo, “engate” é gramaticalmente uma formação de primeira escolha, como deverbal regressivo que é. Eleva o trivial “engatar” ao patamar da abstracção. Pede um tirar de chapéu, e ao menos uma vénia. [Read more…]

O logro do Passe Único na Área Metropolitana do Porto

A promessa do Passe Único na Área Metropolitana do Porto ameaça ser um verdadeiro logro eleitoralista e uma gritante injustiça face ao que se encontra previsto para a Área Metropolitana de Lisboa. Estranho é não se ouvirem as vozes regionalistas do costume, clamando pela coesão territorial. Ou talvez não seja estranho, uma vez que não parece haver “verbas” para distribuir pela clientela. Apenas povo a pagar.

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Sobre o recorte do discurso para compor uma mensagem

A questão colocada não foi esta e, portanto, “É uma opinião” não foi uma resposta à pergunta colocada no título do artigo. É um bocadinho diferente. E mostra como jornalismo militante constrói uma mensagem.

Para referência, aqui fica o texto desta parte. Pode-se constatar que a resposta veio na sequência do jornalista ter afirmado que uma democracia “[p]assa por termos políticos eleitos, por exemplo. Esse é um princípio basilar da democracia. Na Coreia do Norte isso não existe, existe um princípio sucessório.” Ao que Jerónimo respondeu “É uma opinião”. Não se percebe se a opinião é sobre a totalidade ou sobre parte do que havia sido dito. Em todo o caso, partindo da premissa do jornalista, podemos questionar-nos se na Inglaterra há democracia. Parece que a rainha não é eleita.

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O notável “percurso profissional” de Catarina Gamboa

Sandra Peirezes

A chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Parlamentares estagiou no “banco mau” e “consultou” com um ex-ministro.

Os tempos e a percepção

Um dos mais dramáticos equívocos que circulam sobre alguns dos temas mais delicados que apelam, actualmente, à sensibilidade dos cidadãos, é o da convicção, que parece frequente, de “dantes é que era bom”, “noutros tempos não havia nada disto”. É, geralmente, falso e, muitas vezes, é criminosa e perversamente aproveitada essa falsidade. O problema da violência doméstica é um desses temas. Como se pode ser tão ignorante que se pense que há 20, 30, 40 anos ou mais tudo era melhor? Que raio de cegueira é esta? A quem aproveita? Na verdade, apesar da visibilidade mediática dos casos dos últimos anos, o que há de novo é a informação e, desde há pouco mais de dez anos, estatísticas razoavelmente fiáveis. [Read more…]

A pegada ecológica do Presidente da República

Montagem a partir de fotografia de António Pedro santos/LUSA e imagem recolhida da internet.

 

A “Greve do Clima” foi gira. Temos que fazer mais.

Sobre a pseudo-negociação do Ministério da Justiça com os oficiais de justiça

A Ministra da Justiça esteve na passada sexta-feira em negociação com os sindicatos dos oficiais de justiça por causa da reposição das carreiras, após a aprovação da dos professores.

A proposta apresentada foi, no entanto, absolutamente vergonhosa. Faz o paralelismo com as carreiras dos professores, que sobem de 4 em 4 anos, mas como para os oficiais de justiça o ciclo é de 3 em 3 anos, “ofereceram” menos tempo e, com especificidades tais, que poucos tirarão algum benefício.

Pior, como se pode ver pelo documento apresentado, na folha 2, os génios do ministério tiveram tanto cuidado preparação da proposta que, em vez de se referirem aos oficiais de justiça , referem-se aos professores.

Mais, os oficiais de justiça estiveram mais tempo congelados que as outras carreiras, pois a DGAJ, entendeu que determinado descongelamento não se lhes aplicava, havendo inclusivamente uma acção a correr termos no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa sobre isso.

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Combater o machismo também passa por aqui

A educação sexual continua a estar refém de tabus. (…) uma forma de se tentar pôr fim ao “faz-de-conta” que ainda muitas vezes marca a abordagem à sexualidade promovida pelas escolas.