Escândalo: 2,5 milhões em Ajustes Diretos à Global Media nos últimos três anos

Nesta o Ventura não vai pegar.

A Loja Maçónica do Hospital de Gaia

A nova sede da Liga dos Amigos do Centro Hospitalar de Gaia tem um chão inspirado nos templos maçónicos.
Não deveria. Não fica bem, nem honra, os homens bons. É que no corredor das Urgências há gente estendida a mijar-se sem se poder mexer e sem que ninguém repare, ou a morrer em macas sem que ninguém note.

Tende vergonha nessa cara. Ponde a venda no Coração.

 

Câmara de Gaia, Ajuste Directo de 40.000,00 euros por 1 dia de trabalho

Ajuste Directo de 40.000,00 euros da Câmara de Gaia a Eduardo Paz Ferreira, marido da Ministra da Justiça, por um dia de trabalho.
Por mera, mas infeliz coincidência, Eduardo Vítor Rodrigues viria a ser absolvido, um mês depois deste Ajuste Directo, pelo Tribunal Relação do Porto, num processo em que fora condenado pelo Tribunal de Gaia. Não há nenhuma relação entre os dois factos, até porque a Ministra da Justiça não faz nem influencia acórdãos.
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Lutas, causas, recuperações e inibições – Greta Thunberg e outras coisas

Sim, ela intervém numa sociedade que se tornou, há muito, perita em recuperar, instrumentalizar e, eventualmente, lucrar com as forças, movimentos e personagens que a contestam, por muito forte que seja a causa que representem. Mas isso não tira mérito a tais causas nem aos seus protagonistas. Cabe-nos estar criticamente atentos. Sendo assim, não entendo a hostilidade para com a jovem Greta Thunberg e a desvalorização de causa resultante desta atitude. Ela é uma criança. Uma adolescente, vá. Não era isto que queríamos? Não apelávamos a um compromisso da juventude na defesa de causas justas e de uma cidadania activa? E agora que isso acontece, qual é o problema de alguns de vós?
Ela pode cometer erros? Pode. E daí?
A luta que mobiliza os jovens pode ser recuperada e distorcida por um poder capitalista manhoso e que sabe bem como isso se faz? Pode. E daí?
Há causa mais imediatamente dramáticas e urgentes, com vítimas mais evidentes? Há. E daí?
Quando nos propomos lutar por uma causa temos que ir ao mercado das prioridades? Agimos ou é preferível ficar por uma imobilidade cínica? [Read more…]

Rui Moreira teve razão

For example, in cases where investigators of language change express violent disagreement with their predecessors, a closer look tends to reveal that a strong rebuttal of an earlier position may still crucially presuppose some determinative phrasing of scholarly questions, an indispensable collation of the facts, or pioneering paleographic spadework by the previous researcher being criticized.

Janda & Joseph

“Somos Porto”. É fácil dizer [ˌsomuʃˈpoɾtu].

Rodolfo Reis

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Segundo o Record, Rui Moreira retorquiu

Isso é mentira,

depois de Fernando Madureira ter escrito

Houve falhas de segurança graves e tiveram de ser os seguranças e os populares a restabelecer a ordem.

Se virmos o episódio pela perspectiva de um leitor do Record, o presidente da Câmara do Porto teve razão, pois Fernando Madureira escreveu houveram. Efectivamente: houveram:

Houveram falhas de segurança graves e tiveram de ser os seguranças e os populares a restabelecer a ordem!

De facto, é mentira que Fernando Madureira tenha escrito ‘houve’.

 Continuação de um óptimo domingo.

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O recibo de vencimento dos liberais

Alguns “liberais” ainda não perceberam que o que permite a uma empresa pagar salário a um homem é esse homem ter abdicado, em nome da sua segurança e da civilização, do direito natural a tomar posse da empresa e do que ela afirma, com base em convenções jurídicas artificiais, ser sua propriedade.

Tiago Braga

Tiago Braga, presidente da Metro do Porto

 

Acabo de sair do Debate Instrutório do Processo Judicial que Tiago Braga, presidente da Metro do Porto, me moveu, a propósito de um artigo que escrevi sobre o vergonhoso processo disciplinar que me foi instaurado no PS Porto (permaneço militante de pleno direito, com quotas pagas até 2022). A instrução foi pedida por Tiago Braga, depois de o Ministério Público ter decidido pelo arquivamento.

O corajoso Tiago Braga não apareceu.

Nos vários processos judiciais que me foram movidos por Eduardo Vítor Rodrigues (presidente da Câmara de Gaia), Albino Almeida (presidente da Assembleia Municipal de Gaia), João Paulo Correia (ex-futebolista, presidente de Junta e Deputado) e Tiago Braga (ex-chefe de gabinete de Vítor Rodrigues e presidente da Metro do Porto), os acusadores são todos representados, com a excepção de JPC, pela mesma sociedade de advogados e pelo mesmo advogado – Carlos Dias.

Carlos Dias, Advogado. Sócio da CCSM (Caldeira, Cernadas, Sousa Magalhães e Associados)

Até há pouco tempo, o Curriculum Vitae público de Carlos Dias continha a informação de que o causídico pertencia à “Ordem dos Templários”.

Essa informação já não consta do referido Curriculum público.

Desde que Eduardo Vítor Rodrigues foi eleito presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a sociedade de advogados a que pertence o Dr. Carlos Dias já facturou cerca de 500.000,00 euros, em ajustes directos, só com o município gaiense. Sendo o Dr. Carlos Dias advogado e, portanto, conhecedor da Lei, presume-se, evidentemente, que todos estes ajustes directos sejam legais.

Ajustes Directos no valor de cerca de 500.000,00€

Cheira a tapetes sacudidos

A memória é fraca. Ouvimos falar do terror que foi a ditadura, alguns de nós até o viveu, como se fosse um passado distante, bem enterrado nas profundidades do irrepetível. Nestes tempos gráficos, não será por falta de imagens que se não visualiza o que foram décadas de perseguições, assassínios, guerra e fome. Porém, as pessoas estão a aceitar a ultrapassagem de certos limites que, nos anos negros, antecederam a barbárie.

Talvez seja a ausência de medo a razão para que se permita uma nova eclosão do ovo da serpente. E só sente o medo quem vislumbra o perigo, o que acontece menos quando a memória se esbate. Por isso, sente-se no ar um certo cheiro a mofo, daqueles que resulta de se sacudirem os tapetes velhos ou de, desculpem o pleonasmo, limar velhos populismos para que aparentarem novidade. Por ora brilham, como ferro onde se passou lixa, mas acabarão ferrugentos, como ferrugentos acabaram os sonhos dos que nasceram nas décadas das ditaduras.

Lítio do bom

 

 

“O padre insiste em entrar na sala de aula do meu filho e é o miúdo que tem de sair”

ou então é marxismo cultural.

A vida humana

Conheci a história do infame Dr. Petiot através de uma obra do historiador David King, que tem explorado de forma mais ou menos ligeira casos reais da Europa das décadas de 1930-1950. Marcel Petiot foi um médico que, durante a II Guerra Mundial, assassinou cerca de 60 pessoas, em Paris. Um assassino em série cujo número exacto de vítimas nunca foi estabelecido e que confessou não saber ao certo quantos tinham sido.

Com o nome de código de “Dr. Eugéne”, prometia ajudar a fugir de Paris todos os perseguidos pela Gestapo e pelo governo de Vichy, fazendo-os chegar até Espanha, daí a Portugal e, finalmente, de barco até à Argentina. Na realidade, recebia os honorários por este serviço e assassinava os seus clientes, desfazendo-se depois dos corpos num poço de cal, esquartejando-os e queimando os restos numa salamandra. Como as vítimas sabiam que não regressariam a Paris, levavam consigo na bagagem (e até escondidos no forro das roupas) maços de nota, jóias, todos os valores que podiam transportar. Em pouco anos, Petiot acumulou uma fortuna. [Read more…]

Ainda o Prós e Contras sobre violência na escola

Republica-se aqui a resposta que o Rui Correia deu a um texto publicado na Visão: Testemunho de uma professora: o rei vai nu.

 [Rui Correia]

O professor do ano disse no prós e contras da rtp que nunca mandou nenhum aluno para a rua, em trinta anos de aulas. Ora, esse professor sou eu. E esse professor, quer se queira, quer não se queira, nunca mandou nenhum aluno para a rua. O alvoroço provocado em algumas pessoas, e a que esta revista deu espaço, por ter tido o topete de confessar publicamente um dado que para mim é “concreto e definido, como outra coisa qualquer” da minha vida profissional, gerou em mim uma atenção que não esperava. O programa era sobre violência na escola. E foi-o realmente, com dois colegas que haviam sido agredidos a expor-se publicamente, o que para mim, que os não conhecia, revelou uma amplitude de alma e nobreza de carácter que nem sei como enaltecer devidamente. Misturou-se em vários momentos , entretanto, alhos e bugalhos, indisciplina, faltas de educação, violência, enfim, o normal em situações onde se abordam temas com tanta capilaridade semântica como, de resto, havia sido abertamente expresso no princípio do programa.

Percebendo, com o decorrer das intervenções, que se estava a estabelecer uma espécie de percepção a preto e branco pela qual os professores são meros mártires nas mãos de garotelhos delinquentes e violentos que, todo o professor o sabe, se passeiam, imperturbáveis, por muitas escolas deste país, tornou-se-me poderoso o imperativo de nunca admitir ceder esse poder a esses mesmos fedelhos e contribuir dessa forma clássica para a irrisão da autoridade do professor, da escola, da cultura.

Acredito, como muitos outros professores que, no momento em que baixemos essa guarda, toda a indulgente autoridade da escola e da cultura se desvanecem. Docentes e não docentes não podem deixar-se cair na armadilha da prédica do desgraçado. E protestar a sua “dignidade” não passa por exorbitar realidades nem por esconder o óbvio, pelo simples facto de que a violência acontece. E isto nunca irá significar, arengue-se o que se quiser, uma qualquer reserva na afirmação da náusea que todos sentimos por qualquer acto violento dentro ou fora do espaço escolar e a total e inequívoca solidariedade por todos quantos dela amargam. [Read more…]

Que ele experimente fazer um desses “erros” no Texas

O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, está muito arrependido pelo que anteriormente disse. Especialmente agora que não é apenas o jornalista a contradizê-lo durante a entrevista. Está muito triste por ter chamado ao assassinato e desmembramento do jornalista Jamal Kashoggi um simples “erro” que deve ser perdoado, tal como com os erros da própria Uber – como por exemplo, no caso de um atropelamento, onde um carro autónomo desta empresa matou uma pessoa (o peão).

Fica aqui uma tradução livre de um trecho do artigo original.

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Como por encantamento

La Belle et la Bête, Jean Cocteau (1946)

A comunicação digital dos objectos com a internet, que permite que estes possam recolher e transmitir dados – a chamada “internet das coisas” – faz lembrar o castelo do Monstro, cujos portões e portas se abriam sozinhos, e em que os candelabros pairavam no ar sem que alguém os sustivesse, e um espelho permitia ver tudo o que se desejasse, por mais longínquo. Tudo isto era possível porque o castelo do Monstro, como a Bela viria a descobrir, estava sob um poderoso encantamento. Uma vez declarado o amor da Bela pelo Monstro, porém, o encantamento desfez-se, pondo fim à bizarria e inaugurando uma era de felicidade monótona. [Read more…]

Grey New Deal

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O corporativismo impune

[Marco Faria]

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Zaleucus_-_Louvre_-_D111125.jpg

Várias vezes defendi as acções de agentes da autoridade. Sobre a sentença do Tribunal de Guimarães ontem proferida, tenho de discordar não só do acórdão, mas também do silêncio concertado dos agentes da PSP em fase de julgamento.
“Mais vale absolver do que condenar nessa dúvida”. Os magistrados do Tribunal de Guimarães decidiram com base neste motivo absolver os agentes da PSP que espancaram um adepto do Boavista em 3 de Outubro de 2014. Não podendo apurar os verdadeiros autores – 3 dos 11 elementos, curiosamente do tamanho de uma equipa de futebol! – então deveriam ter condenado os 11 réus. Todos. Três dos agentes empurraram, agrediram com joelhadas, socos, pontapés, cotoveladas e bastonadas até a vítima perder os sentidos. A desproporcionalidade é clara e notória. Cinco longos anos depois, faltou o essencial: a punição.
A decisão do colectivo de juízes é contraditória, incompreensível e inaceitável, apesar de os magistrados darem como provadas as agressões físicas. No fundo, há crimes, há uma vítima, só se desconhecem quem foram os autores dos factos, os agressores.

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Apologia do Voluntariado

O voluntariado, assim como o serviço pro bono, destina-se, geralmente, a prestar ajuda aos necessitados ou a causas frágeis que sem esse auxílio encontrariam inultrapassáveis dificuldades de sobrevivência. É o caso de uma grande parte das “startups” da Web Summit, as quais nascem quase todas de cesariana e com malformações congénitas e desaparecem ao fim de alguns meses em funerais invisíveis.
Por artes misteriosas de metempsicose e transmigração aparecem na Web Summit seguinte com nova “app” andróide revolucionária, daquelas que provam que a água é molhada ou fazem disparar um alarme no smartphone a avisar que é hora de cortar as unhas ou passear o cão.
Acometidas de fatal sucesso, tombam outra vez mortas.
O ciclo, ou melhor dito, o Circo, repete-se em rotina algorítmica. O Estado apõe a sua chancela em camisolas de 800 euros que um “bate-punho” internacional manda urdir no Vietname. Chamam-lhe “futuro”, mas não é.
O futuro pertence ao Deus parido na calçada e salvo do contentor do lixo por um empreendedor de rua que lá tentava matar a fome.

Ouçam Snowden

“Ao longo do seu discurso, Snowden referiu ainda que o modelo de negócios de empresas como o Google e o Facebook “é abusivo””. Pois, Snowden, mas conforme se constata, as pessoas não se importam de ser abusadas. Gostam até, segundo parece… E os que já crescem neste estado de coisas acreditam que é apenas normal e que sempre foi assim.

Dizes “são as pessoas que estão a ser manipuladas e não os dados”, mas olha lá se se incomodam. Nadinha. E quanto a essa plateia de gente que te esteve a ouvir, está ela também toda desejosa de sugar dados, abusar, manipular.

Sacrificaste-te e advertes em vão. Os abusados e manipulados sentem-se bem assim.

Super Rosa

Rosa Mota no Olimpo.

A Super Bock, que é uma grande Marca, decidiu que seria boa política de marketing entrar em guerra com outra grande Marca, Rosa Mota.

Alguém na Super Bock se terá esquecido que Rosa Mota é uma Marca-Cicatriz, ou seja, penetrou um tecido que pertence ao património imaterial e ao inconsciente colectivo de um grupo muito grande de pessoas, pelos feitos heróicos que realizou. A Super Bock só atinge esse nível do inconsciente colectivo quando manda caloiros em coma alcoólico para o hospital. Convenhamos que é um pouco diferente.

Assim sendo, e para que todos vejam defendidos os seus interesses legítimos, ainda que nenhum desses interesses seja mais legítimo do que o daqueles que se libertaram da lei da morte – pois representam o interesse de todos – proponho que o Palácio de Cristal se passe a designar Arena Super Rosa.

A dupla face das críticas ao politicamente correcto

O politicamente correcto nasce de boas intenções, o que, como se sabe, é meio caminho andado para o Inferno. Por vezes, faz lembrar um rapazinho tão virtuoso que ajuda a atravessar a rua uma velhinha que não queria fazê-lo.

Ainda há pouco, escrevi sobre os exageros deste mesmo politicamente correcto, que, quando obsessivo se torna inimigo do humor, esse mecanismo tão importante para que haja momentos de carnavalização na vida, intervalos em que podemos ser monstros ficcionais, o que pode ajudar-nos a não o ser na realidade. Estes exageros devem ser, naturalmente, criticados. Esta é a crítica virtuosa.

Na outra face da moeda, está uma crítica que é, na realidade, uma desculpa. É aquela a que se recorre quando se quer chamar frontalidade ao desbragamento ou à má educação. O marialvismo político é uma das suas derivações.

Uma das frases que corresponde a esta aparente crítica ao politicamente correcto está no adágio “Quem não se sente não é filho de boa gente.” Foi assim que muitos desculparam o descontrolo de António Costa diante das críticas que lhe fizeram no Terreiro do Paço, no final da última campanha eleitoral.

A Trump e Bolsonaro falta-lhes gravitas, são incapazes de uma certa hipocrisia institucional. Os seus partidários de todo o mundo, incluindo Portugal, vêem nisso a virtude da sinceridade, a qualidade dos homens simples que incomodam porque dizem a verdade. Não, são apenas broncos. [Read more…]

Ó Rosa, arredonda a saia!

[Francisco Salvador Figueiredo]

 

Estava difícil arranjar um título que reunisse os dois assuntos que vou abordar hoje: a Rosa e a saia do assessor de Joacine. Nada como uma música infantil para falar sobre dois assuntos sérios que foram tratados com imensa infantilidade.

Comecemos pela Rosa. Rosa Mota. Estamos a falar de uma das maiores atletas portuguesas, que tanto honrou o nome da cidade do Porto e deste país. Mas nunca foi tão falada como agora. Rosa Mota acabou de destronar Rosa Grilo no prémio de Rosa mais falada na Comunicação Social. Se não há dúvidas que o rosa é uma ótima cor para Partido, também não haja dúvidas que pode ser um péssimo nome de mulher. Uma assassinou o marido, alegadamente. Outra faz birra por causa do tamanho de letra do seu nome num Pavilhão. Vejamos a situação da forma mais justa possível. Pode-se interpretar que houve uma falta de respeito com a Rosa Mota? Talvez. O que Rosa Mota não se lembra é que não deu nem um tostão para a obra de um edifício que estava a degradar. O que Rosa Mota não se lembra é que sem gastar um cêntimo dos contribuintes, a Câmara do Porto arranjou um parceiro para reabilitar o espaço. A Super Bock não é mais importante para a cidade do Porto, aliás, o nome Super Bock não está lá como homenagem. O nome Rosa Mota está, e sempre estará, devido à sua importância para esta cidade. Rosa Mota é a única desportista homenageada desta forma no Porto. Eu contentava-me que o meu nome fosse dado a uma gaveta. [Read more…]

Estado minimizado

O que é que apregoam mesmo os mantras do liberalismo? Menos estado, melhor estado, não é? E onde é que acaba o menos? E onde está esse melhor?

Enquanto os fogos na Califórnia crescem, os ricos contratam bombeiros privados
Um número pequeno, mas crescente, de pessoas ricas está a contratar as suas próprias equipas.

Menos é mais, mas apenas para uma minoria.

Já agora, sobre o quão melhor é ter os serviços básicos do estado a serem prestados por privados, atente-se na seguinte passagem do mesmo artigo: “Nos últimos anos, alguns proprietários de imóveis em regiões propensas a incêndios começaram a ser abandonados pelas suas seguradoras”.

Junte-se este cenário ao que poderá ser o futuro próximo, no qual, segundo um relatório encomendado pelo Pentágono, os americanos poderão enfrentar tempos terrivelmente sombrios devido às mudanças climáticas, envolvendo apagões, doenças, sede, fome e guerra. Neste estudo, produzido por oficiais seniores de diversas agências, incluindo Exército, CIA e NASA, afirma-se, inclusivamente, que o próprio exército poderá entrar em colapso.

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“Corpos esmagados e ossos partidos”

Joana, nome fictício de uma amiga de longa data, tem o vigor dos perseverantes e investiu-o no que culminou numa carreira de sucesso. Enquanto mulher plena de força, canalizou as suas energias na preparação de um futuro onde a estabilidade financeira fosse garantida, numa espécie de pré-requisito para constituir família. Afinal, quem pensaria que a fertilidade dos 20 anos alguma vez murcharia? A Joana, não, certamente. Ano após ano, a opção da natalidade foi medida à luz da bitola do seu entendimento sobre o que era o sucesso na vida.

Imagem: Banksy

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Hospital Garcia de Orta, um retrato da maioria PS-PSD-CDS

São muitos anos de esvaziamento de serviços públicos, entre falta de planeamento e submissão à troika, favores a amigos privados e ataques ao Estado por parte de quem tem governado, críticas à gestão pública e ofertas de dinheiro a bancos privados, sempre com os mesmos a pagar.

A situação no Hospital Garcia de Orta não é única, é só mais um retrato de um Portugal engravatado, muito contentinho com a situação de bom aluno de Bruxelas mas que, em chegando a casa, se dedica à violência doméstica. Relembre-se que o problema do referido hospital se refere à urgência pediátrica e está a dois passos de Lisboa. Imagine-se o resto do país, ou seja, a paisagem.

O silêncio ou a normalização não são opções

No debate político, formal ou informal, há, por vezes, uma certa mentalidade infantil que consiste em não nomear os monstros pensando que isso fará com que não existam.

Na Assembleia da República, já existiam partidos que, de modo mal disfarçado, trabalhavam para a extinção progressiva de um Estado Social e solidário, governando de modo a que as instituições públicas falhassem, beneficiando amigos privados.

Com a entrada do Chega e da Iniciativa Liberal no Parlamento, essa vergonha terminou: para ambos os partidos, é necessário acelerar a destruição da esfera estatal e transformar a sociedade numa selva em que só pode sobreviver o mais forte ou o mais rico. Hoje, Bárbara Reis explica, de modo simples, que André Ventura é de extrema-direita, mesmo que tente disfarçar.

Como é evidente, estes partidos têm o mesmo direito que os outros, legitimados pelo voto. É igualmente evidente que não faz sentido fingir que não existem, não se pode ignorá-los, porque não é isso que os combate.

A solução não está no silêncio. O facto de terem sido eleitos não pode livrar ninguém de ser criticado. Acrescente-se que a existência destes radicais anti-Estado não desculpa o que PS, PSD e CDS têm estado a fazer, especialmente nos últimos quinze anos. No fundo, a diferença está no ritmo.

O fato de Tolentino de Mendonça

Lembrando as palavras de Donald Davidson, recordando uma das faces mais visíveis do drama e agradecendo esta imagem aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, aqui ficam umas levíssimas canções de Billy Bob Thornton & The Boxmasters, a pesada explicação do Karl Childers/Billy Bob Thornton e os meus votos de um óptimo e espectacular domingo.

E “filho da puta” pode ser?

As línguas estão cheias de passado e o passado, já se sabe, nem sempre é um país recomendável. Há por lá uns crimes de sangue, resquícios de colonialismo, racismo com o rabo de fora, disputas antigas entre bisavós que perduram nos bisnetos, antigos insultos com prazo de validade indefinido.

O passado europeu, sendo alegadamente branco, tem um lado negro.

(Cá está: negro, mau, terrível. Será só uma tradicional questão de trevas, mas não faltará quem, correctamente político, se insurja, a lembrar que há a cor da pele de quem se pode sentir ofendido)

Não nos iludamos: a culpa do homem branco tem razões fundas, porque, sob a capa da civilização que levou a outros mundos, houve e há violências várias, desculpáveis ou desculpadas com o contexto, com a cultura do tempo. Nada disso nos deve tolher algum horror (porque um acto histórico pode ser estudado, compreendido e revoltante), como também não nos pode levar a uma culpabilidade eterna, a fazer lembrar o cordeiro que pagou pela água que o avô teria sujado. [Read more…]

Para ver e reflectir…

O vídeo da polémica música de Valete.

Greta e a sensatez

Há uma maneira muito portuguesa de desqualificar pessoas que fazem exigências perfeitamente racionais e justas e que, por via disso, se envolvem em situações que podem gerar algum bulício. Não esquecerei nunca de como, ainda adolescente, meia volta tinha o problema de só ter uma nota de 20 escudos na pasta, para pagar o autocarro;  “não tenho troco” ouvia repetidamente do condutor, que, sem quaisquer pruridos, achava que o problema era meu e que, ou eu ficava em terra, ou tinha a possibilidade de perguntar, uma a uma, a todas as pessoas que se encontravam no autocarro, se me trocavam a nota. Se eu contestava que não entendia porque a Carris não garantia aos utentes a possibilidade de pagarem com 20 escudos  e que esse era o verdadeiro problema, era certo e sabido que os passageiros – a quem teria de ir pedinchar que me trocassem a nota – achavam que o problema era de todo meu, e que para estar a discutir com o condutor eu devia ter acordado mal disposta nesse dia. Tipo: “mas que bicho lhe mordeu, não sabe comportar-se?” Isto foi há muito tempo e as coisas entretanto melhoraram um bocadinho. [Read more…]

O diário pessoal de Rui Pinto

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Imagem via Shifter

A forma diligente como o Ministério Público tem conduzido o caso Rui Pinto, faria corar de vergonha o Ministério Público que conduziu certos outros casos, envolvendo indivíduos que, de forma consciente, prejudicaram gravemente os portugueses e o país, provocando ondas de choque por todo o tecido social, imunes ao grosso das penalizações previstas pela lei.

No caso Rui Pinto, tudo é célere. Todos os prazos se cumprem. Todos os recursos existem. Tudo parece ser possível, incluindo violar a lei. Há dois dias, com destaque residual nos órgãos de comunicação social, foi divulgado que o diário pessoal de Rui Pinto foi confiscado pelo MP, à margem daquilo que a lei permite. [Read more…]