Algumas breves considerações sobre a despenalização da eutanásia

Em primeiro lugar discordo das posições assumidas pelo CDS/PP e PCP, da mesma forma que discordo da posição do BE sobre a votação próxima na Assembleia da República do projecto-Lei que despenaliza a eutanásia. Isto porque os dois primeiros decidiram votar contra, os bloquistas a favor, uns e outros sem concederem liberdade de voto aos seus deputados. Gostaria de ter parlamentares livres, que assumissem as suas posições em vez de acéfalos obedientes ao directório partidário.
Há muita gente que confunde conceitos que vão do testamento vital, ao suicídio medicamente assistido chegando à eutanásia. Vamos por partes, não falamos de eutanásia quando um médico decide colocar um ponto final ao tratamento, por considerar irreversível o estado do doente. Só poderá ser considerada eutanásia quando um doente mentalmente lúcido solicita que lhe seja colocado um ponto final ao sofrimento. Decisão que terá que ser tomada pelo próprio e não pela família, ou qualquer terceira pessoa. [Read more…]

Gandas Lojas…

No contexto do debate sobre a legalização da eutanásia,

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, em audiência no Palácio de Belém, Júlio Meirinhos, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) e Isabel Corker, Grã-Mestre da Grande Loja Feminina de Portugal.

“Grande Loja Feminina de Portugal”??? … Nossa!!! a quantidade de mundos importantes que para aí há sem que uma pessoa se dê conta! “Grande Loja Feminina de Portugal” soa-me… sei lá, a …. saldos? Crónica feminina? Mas não pode ser, pois se foram a audiência presidencial…

Fui ver. A ilustre Grã-Mestre Isabel Maria Corker, ostentando subtis sinais que de certo logram ser interpretados pelo grupo-alvo a que se destinarão, explica: [Read more…]

A eutanásia e a posição do PCP

Como era de prever, a questão da eutanásia e a posição do PCP sobre o tema – sustentada, goste-se ou não, concorde-se ou não, por textos sobre a matéria que não são de ontem – provocou uma resposta que inibe aqui, imediatamente, qualquer discussão séria. A grosseria campeia – não me refiro à posições discordantes, mas ao modo como muitas delas são expostas – e a alergia à complexidade leva muitos às velhas tretas, entre as quais o argumento, vazio e de uso detestável seja qual for a origem partidária do emissor, de que o partido tal e tal vai votar com a direita – até com o CDS, valham-nos os céus! Como se o fundamento das posições fosse o mesmo, como se isso representasse uma qualquer identificação política, como se não fosse necessário fazer uma análise interna das posições para lhes julgar o valor e o significado. Quem tem pensamento fundamentado sobre o tema acaba por recuar e multiplica-se o argumento da autoridade, entre outras falácias de uso expedito. Só resta o silêncio neste forum e o debate noutros onde o diálogo se faça olhos nos olhos ou em escrita articulada e argumentos procedentes. E com tudo isto, os próprios textos dos projectos-lei em discussão – onde se encontram interpelações importantes e matéria de debate bem interessante – naufragam nesta cacofonia que se produz mais em redor que no centro das questões decisivas. É pena

Campanha contra o Nónio

O leitor NÃO DEVE registar-se no Nónio, por três grandes motivos:

  • Violação de privacidade
  • Violação do Regulamento Europeu Geral de Proteção de Dados (GDPR)
  • Efeito “filtros-bolha”.

Ler o artigo para saber o que é o Nónio e para perceber porquê é que não contribuir para a completa devassa da privacidade é importante.

Em resumo e como refere Zeynep Tufekci na seu recente Ted Talk, estamos a criar uma distopia só para fazer as pessoas clicarem em anúncios.

Estão avisados.

(via)

“Semanário de Notícias”

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[Marco Faria]

O “Diário de Notícias” vai acabar tal como o conhecemos. No dia 17 de Junho, passa a semanário com tiragem aos Domingos. Não é só a contradição de um diário ajustar-se a uma periodicidade semanal – teria de chamar-se em rigor “Semanário de Notícias”, mas isso é talvez o menos importante – é todo um modelo que vai mudar.
Eu habituei-me a ler e respeitar o “Diário de Notícias” (e primeiro foi o “Jornal de Notícias”) como publicação com peso histórico, documento vivo, isento ou contaminado nos bons e maus momentos de Portugal.
A culpa é também nossa, dos leitores 2.0, que deixámos de comprar jornais em papel. Mas, ainda antes da crise das tiragens, ocorreu a tomada de assalto de jornais por grupos económicos que, mais cedo ou mais tarde, abandonam os projectos, deixando um rasto de destruição e de muito de vazio.
Talvez seja uma fase temporária e o DN possa vir a reerguer-se como Fénix renascida. Sempre me fez confusão a distância entre directores/editores/administradores e a restante redacção. Há qualquer coisa que não bate certo, e mais estranho é quando um jornal se torna no centro das notícias pelas piores razões. Longa vida ao DN, que tudo é efémero. É uma sensação angustiante ver a desgraça do jornalismo português neste estado. Que parem as pessoas para pensar.

António Arnaut: in memoriam

Sobre as qualidades pessoais de António Arnaut muitos têm falado, mesmo aqueles que, no fundo, no fundo, não apreciavam o político, gostando ou não do homem, se é que é possível distinguir aquilo que somos daquilo que fazemos ou que fizemos. [Read more…]

Zuckerberg no Parlamento Europeu

Zuckerberg no Parlamento Europeu hoje das 17:20 às 18:30h (hora em Portugal), para ver e ouvir aqui:

#Livestream: https://www.facebook.com/greensefa
ou no webstream do Parlamento Europeu:
http://www.europarl.europa.eu/ep-live/de/other-events/video?event=20180522-1820-SPECIAL-UNKN

António Arnaut

Ficou hoje mais próximo da luz um homem – António Arnaut – cujo exemplo inspirou muita gente. Além de inspirar, deu também alento aos que, poucos, continuam a acreditar que uma sociedade mais justa é possível. Infelizmente, não há como disfarçá-lo, esse propósito tão humanista da Justiça tem encontrado obstáculos que não parecem, pelo menos num futuro próximo, fáceis de ultrapassar.

António Arnaut teve, durante a sua vida, uma actividade muito variada, mas talvez tenha sido pela criação do Serviço Nacional de Saúde que mais ficou conhecido, mesmo – ou principalmente – entre aqueles a quem não cabe decisão ou palavra alguma nos destinos do país e campeiam anónimos pelos caminhos da pobreza e da sobrevivência.

Esse seu legado, o Serviço Nacional de Saúde, está também em vias de desaparecer. Um pouco de atenção ao discurso e às acções daqueles por cujas mãos desaparecerá, será o suficiente para verificar que a palavra Serviço (Nacional de Saúde), fundamental no conceito expresso pela Constituição da República Portuguesa e pelo espírito de António Arnaut, está a dar lugar à palavra Sistema (Nacional de Saúde), conceito totalmente antagónico ao da Lei Fundamental e ao valor intrínseco da ideia de progresso que moveu homens como este socialista antigo. A passagem do Serviço ao Sistema representa a mercantilização absoluta de um direito humano basilar e a transformação da Doença não apenas numa indústria poderosíssima, mas em mais um instrumento de design social e de opressão sobre os mais fracos que garantirá, aos mais fortes, a perenidade do seu domínio e a perpétua servidão.

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Não costumo escrever aqui no Aventar sobre o meu Sporting. Começo por referir que sou sócio do clube com mais de 40 anos de filiação e quotas em dia. Nunca votei em Bruno de Carvalho, apesar de considerar em 2013 que era o melhor candidato à partida, no entanto algumas reservas à sua postura e estilo, fizeram com que me abstivesse. Em 2017 não votei porque a sua reeleição era um dado adquirido à partida e nunca levei a sério o opositor. Mesmo no actual contexto ninguém aponta uma solução protagonizada pelos rostos da oposição eleitoral ao ainda presidente do clube. Verdade que sempre apontei críticas a Bruno de Carvalho, mas fui apoiando o seu trabalho, não me revendo apenas no estilo de presidência. Até que chegou o fatídico mês de janeiro deste ano, quando o menino mimado passou de birrento a déspota, provocando uma crise desnecessária e imprevista, quando a equipa de futebol liderava o campeonato de futebol. [Read more…]

https://aventar.eu/2018/05/19/1290263/

Os Outros

O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, está a ser julgado no Tribunal de Gaia pelo crime de Difamação agravada. Outros cidadãos estão lá a ser julgados por outros crimes, ou a tratar de assuntos que lá têm que ser tratados. Mas enquanto esses, os outros, esperam largos minutos numa fila para poder entrar no edifício, o senhor presidente entra por uma porta especial da Casa da Justiça, sem ter que sofrer a maçada da espera, misturado com gente comum e, por vezes, mal vestida. Afinal, todos os homens são iguais, mas uns são mais iguais do que outros.

Veja as imagens:

Política e futebol

Colocando de parte os actos de violência, que cabe às autoridades competentes investigar e julgar, o que mais impressiona no assunto que envolve o Sporting é a proximidade entre o Futebol e a Política.
Tal confusão entre mundos é o sinal de que a República e a Democracia atravessam um momento especialmente perigoso. Não significa isto que o poder político não possa pronunciar-se sobre os recentes acontecimentos envolvendo actos de violência, mas a amplitude e a insistência com que o faz, denotam a existência de uma frágil fronteira entre a dignidade dos representantes do Estado e o mundo do futebol, com toda a sua diversidade tribal.

Menos direito a transparência???

Mark Zuckerberg pretende que a sua audição no Parlamento Europeu, marcada para a próxima terça-feira, tenha lugar à porta fechada. Na conferência de líderes dos grupos políticos, a maioria dos democratas-cristãos e populistas de direita decidiram apoiar Zuckerberg, aceitando que a audição seja realizada em segredo. É sabido que nos EUA a audição foi pública. Temos menos direito a transparência do que os cidadãos americanos???

P.S.- Pode dirigir um email ao presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani, requerendo uma audição pública (antonio.tajani@europarl.europa.eu )

A Cómoda

Há um erro gigantesco e utilíssimo que todos aprendemos na escola, erro esse que teve e tem a função de nos ajudar a ver o mundo como uma cómoda de quarto, cheia de gavetas.

Uma das gavetas é para as peúgas, outra para as camisolas, outra para as ceroulas, e por aí adiante. As pessoas que percebem desses assuntos chamam-lhe “especialização”, arte que consiste em compartimentar, o mais possível, a realidade, de maneira a fazer dela uma espécie de trama infinita, e infinitesimal, infinitamente segmentada, infinitamente dividida em realidades sempre mais pequenas, micro-gavetas da velha cómoda onde se guardam fibras microscópicas das peúgas, cuja utilidade temos esperança de vir a descobrir.

Este erro gigantesco e utilíssimo é o que vem a constituir o fundamento, a estrutura, não apenas da nossa cosmovisão – uma cómoda do tamanho do Universo -, mas de coisas bem mais terrenas, como a nossa organização social, as nossas teorias do conhecimento, a base doutrinal comum a todas as ciências, a todas as artes e até – daí a sua utilidade – do governo dos países e do mundo.

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O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

Tensão no Prolongamento

José Pina chamou-lhe animal, Pedro Guerra levantou-se da cadeira e foi pedir explicações ao sportinguista, o ambiente ficou ainda mais tenso e o país ficou em suspenso, perante a possibilidade de uma cena de pancadaria em directo. Pobre Sousa Martins, espero que lhe paguem muito bem para aturar este circo. Mas, como dizia o outro “é disto que o meu povo gosta”!

Finanças: instrumento ou ditadura?

No mundo global com que, de acordo com recomendações superiores, temos de nos conformar, a Economia deixou de ser uma ciência social ao serviço das pessoas e passou a ver as pessoas como carne para canhão em nome de conceitos económicos ao serviço do capitalismo selvagem representado por multinacionais e grandes banqueiros. Os governos, submetidos a ditames vários, usam os recursos dos respectivos países para ajudar ao sustento dos poderosos, preferindo entregar dinheiro a bancos e diabolizando os mais fracos, encarados sempre como empecilhos. A Economia, portanto, é apenas um instrumento ao serviço das Finanças (ou da Finança).

Não é possível defender a extinção da Economia, porque está no cerne de qualquer sociedade mesmo que primitiva, mas ignorar em absoluto o contributo dos especialistas ou as especificidades de tantas áreas é criminoso.

Na semana passada, houve reuniões entre técnicos do Ministério das Finanças “com presidentes dos conselhos de administração de alguns hospitais do Porto para discutir questões ligadas à oncologia pediátrica naquelas unidades de saúde.” Segundo parece, não esteve presente nenhum representante do Ministério da Saúde, facto que mereceu alguns comentários do bastonário da Ordem dos Médicos. É um mau sinal dos tempos. Mais um. [Read more…]

France: douze points

A história é simples, a de um bebé chamado Mercy que nasce numa embarcação de refugiados a caminho da Europa. Depois troca-se por ali as voltas ao significado de Mercy em inglês e de Merci em francês. A música é bem esgalhada e com potencial para irritar os governos húngaro, polaco, britânico e todo o refugo xenófobo de Le Pen a Beppe Grillo. Só por isso, mereceria logo à cabeça douze points. Entre as minhas favoritas estão também a da Irlanda e da Albânia.

As várias mensagens políticas da Eurovisão ao longo das décadas são muito bem abordadas num documentário do canal ARTE, intitulado “Eurovisions” (não disponível), onde se refere a canção de Paulo Carvalho que serviu de senha do 25 de Abril, as vitórias de Dana International e Conchita Würst ou a canção anti-Putin de Verka Serduchka.

Pode-se pensar o que se quiser deste que é o espetáculo televisivo mais popular da Europa, mas comparado com o conservadorismo do Super Bowl americano onde uma simples maminha causou escândalo nacional, prefiro a Eurovisão onde as avozinhas e as netas dão a vitória a um grupo de Heavy Metal finlandês, a um travesti israelita ou a uma mulher de barba austríaca.

Discriminação

Há tempos, o Q juntou-se ao LGBT. Acho que há uma clara discriminação face ao restante alfabeto.

Pelo direito a decidir morrer

Fotografia via The Local

David Goodall viajou até à Suíça, onde agendou a sua morte medicamente assistida para o dia de ontem. Aos 104 anos, e com a sua saúde a deteriorar-se mais do que o botânico australiano pretendia suportar, David decidiu morrer.

Não o pôde fazer na Austrália, como não o poderia ter feito na maior parte dos países do planeta, porque a liberdade individual é um conceito relativo. Mesmo nas orgulhosas democracias ocidentais, ainda existem aqueles que defendem que o direito a colocar um ponto final na nossa vida, ainda que manifestado por alguém na posse de todas as suas faculdades, lhe está vedado. Como se a vida de cada um fosse propriedade do Estado ou dos defensores do politicamente correcto. [Read more…]

A ingenuidade de João Miguel Tavares

É verdade que há uma tendência tribal para devolvermos ao outro lado as acusações, uma espécie de “quem diz é quem é” muito infantil. Isso nota-se nas discussões sobre futebol, quando criticamos o caceteiro adversário sempre que dizem mal do nosso caceteiro. Confirma-se na política, quando a alusão à imoralidade de uns despoleta referência à falta de ética dos outros.

Com José Sócrates sob fogo cerrado, há, é verdade, socialistas a lembrar a existência de Isaltinos ou de Relvas, mais os submarinos e os bêpêénes. João Miguel Tavares, no entanto, desvaloriza isso, colocando Sócrates num patamar superior a todos os corruptos de direita, garantindo que “aquilo que Sócrates procurou fazer nunca ninguém tentou antes: uma colonização feroz e autoritária de todos os ramos do poder – político, económico, financeiro, judicial e mediático.”
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Dêem-nos música

E isso interessa a quem? The show must go on. Cheers!

O ponto mais alto da Europa

Pedro Amaro Santos – Plataforma de Apoio aos Refugiados

O ponto mais alto da Europa fica em Atenas. É uma nova Acrópole com jardins suspensos como sonhos e estantes com livros como memórias. É tão alto que nem se mede em metros. Mede-se em passos. Passo-a-passo. Passos de pés com sapatilhas, com sandálias ou botas de inverno. Passos de adultos e de crianças. Passos tão grandes que atravessam montanhas e mares.

O ponto mais alto da Europa é tão alto que os alpinistas e os exploradores, por muito experientes que sejam, nunca lá chegarão. Curiosamente, quase que só é alcançável pelos inexperientes, pelos frágeis e pelos cansados. É tão difícil lá chegar que só lá chegaram os últimos de todas as corridas da vida. [Read more…]

Les Uns et les Autres

A Direcção Nacional do Partido Socialista coloca em prática a estratégia política que muito bem entende, mandatada e legitimada que está, para o fazer, pelos órgãos próprios do partido. Pode, além disso, mudar de estratégia, tal como ficou bem visível na sequência das recentes declarações públicas de altos responsáveis do PS que, directa ou indirectamente, se referiam a um ex-Secretário-Geral do partido e ex-Primeiro-Ministro de Portugal, declarações essas que levaram o visado, o Engenheiro José Sócrates, a anunciar a sua desfiliação do Partido Socialista.

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CGD não revela lista de devedores

Emília Pestana

A Caixa Geral de Depósitos diz que não revela a lista dos 50 maiores devedores, por causa do sigilo bancário. Não tem nenhum problema, contudo, em ameaçar com contencioso, e queixa ao Banco de Portugal, um cliente que deve 15 cêntimos.

Isto, sim, é gestão!

 

 

Quando António Costa não distingue velocidade de toucinho

[Santana Castilho*]

O 25 de Abril está a ficar como o Natal: celebra-se uma vez por ano, com doces afectos, e esquece-se todos os dias, com amargas realidades. Em matéria de Educação, a história dos 44 anos que passaram é a história de alterações sucessivas, num faz, desfaz, ditado por caprichos partidários de reduzida dimensão política e menor conhecimento técnico. Como observador atento e persistente do fenómeno, atribuo a António Costa e aos incompetentes a quem confiou a Educação a maior pobreza de ideias e políticas de sempre. Quando julgava que já não era possível ver pior, acabo ainda surpreendido.

 

  1. Alexandra Leitão conseguiu trazer António Costa para a cruzada da soberba. Após perder no Parlamento, soltou o ódio de que vive o seu sectarismo e veio acusar de não serem Centeno os que se lhe opõem. Por conhecer os factos em pormenor, custa-me não lhe responder como merecia. Mas depois de escrever sem o controlo do meu superego, apaguei, contei até dez e ficou isto, o mínimo que se pode dizer de quem não tem escrúpulos para manipular a opinião pública.

É deprimente a actual trapalhada dos concursos. O Governo começou por publicar no Diário da República um aviso de abertura de concurso extraordinário externo, que permitia que a ele concorressem professores do privado que nunca tivessem leccionado em escolas públicas. Fê-lo em flagrante incumprimento da Lei nº 35/2014 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas), que o obrigava a negociar com os sindicatos, e da Lei nº 114/2017 (Orçamento do Estado para 2018), que dispõe ser o concurso em análise exclusivamente para docentes “dos estabelecimentos públicos”. Para corrigir este erro grosseiro, o Governo alterou as regras, já com o concurso a correr, sem anular o aviso de abertura, e deu instruções particulares para proceder ao arrepio do que ele diz.

Mas esta enormidade afigurou-se coisa de somenos ao primeiro-ministro António Costa, que resolveu ampliá-la pedindo ao Tribunal Constitucional que trave o concurso interno para os professores do quadro, nos moldes decididos pelo Parlamento. Recordemos a génese do problema: no ano transacto, mudando arbitrariamente e em segredo procedimentos de uma década, Alexandra Leitão enganou e prejudicou centenas de professores (estão pendentes 799 recursos hierárquicos e duas centenas de acções em tribunal) que concorreram de boa-fé; depois de um ano de meritória luta, o parlamento substituiu a razão da força totalitária da secretária de Estado pela força da razão democrática dos professores. [Read more…]

A novela do Infarmed

Uma cidade faz-se e cresce a partir da força das suas instituições e da massa crítica que consegue gerar. Essa massa crítica resulta não apenas do grau de consciência cívica dos seus cidadãos e do modo como estão prontos a colocá-la ao serviço da cidade, mas também do seu lastro histórico, ou seja, de como e em que medida essa massa crítica foi construindo Cultura (Civilização) aos longo dos anos e dos séculos, sedimentando-a num corpo colectivo e identitário chamado Cidade. Uma Cidade não é um lugar onde vão muitos turistas que pagam para se divertir. Isso é um bordel.

Vem isto a propósito da inaceitável instrumentalização de importantes instituições do país, a que se assistiu na novela da putativa transferência do Infarmed para o Porto, já antes agravada por uma brincadeira eleitoral que teve como epicentro a Agência Europeia do Medicamento e uma “candidatura” vergonhosa, feita numa capela, que colocou em causa não apenas a credibilidade do Porto, mas a de Portugal como um todo.

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E se o Benfica não for pentacampeão?

Confesso: tenho muito medo de que o Futebol Clube do Porto seja campeão nacional. Esse medo não nasce do meu já lendário benfiquismo, sendo antes resultado da minha profunda amizade por alguns portistas.

Na verdade, alguns dos meus amigos adeptos do extraordinário clube que é o Futebol Clube do Porto cultivam uma fé cega (o que é, talvez, uma redundância) na certeza de que os sucessos do Benfica assentam exclusivamente na corrupção, num domínio absoluto da arbitragem, através de uma multiplicidade de meios e de uma rede tentacular – mesmo octópode. Esses meus amigos têm, desde o início do campeonato, a certeza absoluta de que o Benfica será campeão nacional, ao contrário de mim, que acredito sempre que, enquanto for matematicamente possível, está-se sempre a tempo de não ficar em primeiro lugar. Isto quer dizer que, apesar da minha natureza essencialmente corrupta, tenho pouca fé na corrupção e chego, até, a duvidar de Jonas. [Read more…]

Portugal é um caso de sucesso

salgueiro-maia_25_Abril[Helena Ferro de Gouveia]

Em apenas 44 anos, Portugal é um caso de sucesso.
De um país muito pobre, atávico, bafiento, pleno de beatas (os) e que cultivava a humildadezinha, passou a um país rico ( entre as nações mais ricas do mundo e da geografia confortável), onde a maioria dos jovens tem a possibilidade de estudar ( viajar, fazer Erasmus, voluntariado, estágios), bonito ( valorizou o seu património cultural e história), tornou-se assertivo (quem pensaria há uns anos ter um secretário geral da ONU português).
Temos tudo para dar ainda mais certo (falta-nos um pouco mais de inscrição e cidadania, mas também isso está a mudar para melhor, e a capacidade de aceitar críticas frontais).

Viva a Liberdade e viva Portugal.

O País de Famintos – Promovido pela direita brasileira.

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Família nordestina faminta pedindo comida na beira da estrada durante severa seca no sertão cearense, em 1985.

A FOME é conhecida e vivida por milhares de brasileiros desde a colonização portuguesa.

Uma das primeira referências a fome no Brasil remota o século XVII quando Artur de Sá e Meneses, então governador do Rio de Janeiro  escreveu ao rei relatando umas das causas dos mineiros deixarem de enviar ouro a coroa portuguesa:

“pela grande fome que experimentam e que chegou a necessidade a tal extremo que se aproveitaram dos mais imundos animais, e faltando-lhes estes para poderem alimentar a vida, largaram as minas, e fugiram para os matos com os seus escravos a sustentarem-se com as frutas agrestes que neles acharam”.

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Como fazer um deserto em três tempos.

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[Paulo Arantes Barbosa]

Esta filha-da-putice vai dar estrilho.
A GNR anda a medir as copas das árvores dos carvalhos e sobreiros.
Se a distância for inferior a 4 metros, entre copas, multa certa.
Agora vejamos, as copas das quercineas em geral são redondas, e podem ter uma envergadura (largura)na idade adulta de una bons 12 metros. Mesmos se afastadas as árvores uns bons 10 metros na base, tipo deserto alentejano, é impossível ter uma distância entre copas de 4 metros (6 metros para cada lado de copa normal).
Agora vejam bem o que as pessoas vão fazer para não apanhar multas.
Corte radical de Carvalhos e Sobreiros (estes de forma igualmente ilegal).

A estupidez humana é uma grandessíssima puta.