Alguns riscos da Ritalina segundo o INFARMED

Risco cerebral vascular – Enxaquecas, acidente vascular cerebral e vasculite cerebral: as secções relevantes do RCM e FI devem ser alteradas de forma a harmonizar a informação de segurança existente.

Risco de distúrbios psiquiátricos – Comportamento agressivo, depressão, psicose, mania, irritabilidade e ideação suicida: a utilização de metilfenidato pode causar ou agravar alguns distúrbios psiquiátricos, pelo que todos os doentes devem ser cuidadosamente avaliados relativamente a este tipo de distúrbios antes de se iniciar o tratamento e devem ser regularmente monitorizados relativamente a sintomatologia psiquiátrica, durante o tratamento. Os termos “concentração excessiva” e “comportamentos repetitivos” reflectem efeitos observados do metilfenidato, devendo ser adicionados como efeitos adversos possíveis ao RCM e FI.

Efeitos sobre o crescimento – Para assegurar que qualquer eventual efeito sobre o crescimento seja minimizado, devem ser incluídas no RCM e FI orientações sobre monitorização regular (altura e peso dos doentes) e advertências melhoradas e harmonizadas.

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A Ritalina correu mal

O artigo que a seguir se transcreve não aborda em profundidade os efeitos secundários provocados pelo consumo de Metilfenidato, uma substância que já foi considerada doping e que chegou mesmo a retirar, por duas vezes, ao famigerado Joaquim Agostinho, a vitória na Volta a Portugal em Bicicleta.

O Metilfenidato, princípio activo dos medicamentos usados no tratamento da Hiperactividade e Défice de Atenção ( já em crianças de 3 anos), é um estimulante equivalente às drogas de rua conhecidas por Speeds. Só o nome é mais pomposo.

Já por mais do que uma vez o deputado do PAN, André Silva, levou o assunto ao Parlamento. Desta feita regista-se a pergunta e a resposta do senhor Primeiro-Ministro.

 

A Ritalina correu mal*
Por L. Alan Sroufe
The New York Times, 28 de Janeiro de 2012

Há neste país [EUA] três milhões de crianças que tomam drogas para tratar problemas de atenção. Por volta do final do ano passado [2011], muitos dos seus pais estavam profundamente alarmados por causa da falha de fornecimento nas farmácias de drogas como a Ritalina e o Adderall, drogas essas que esses pais consideravam absolutamente essenciais ao funcionamento dos seus filhos. Mas estarão estas drogas realmente a ajudar estas crianças? Será que deve prosseguir este aumento exponencial da prescrição destes medicamentos?

Em 30 anos aumentou vinte vezes o consumo de drogas destinadas a tratar o Défice de Atenção.

Como Psicólogo que estuda o desenvolvimento de crianças problemáticas há mais de 40 anos, acho que nos deveríamos perguntar por que motivo confiamos tão convictamente nestas drogas.

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La la foste

O vídeo da falsa vitória, a mostrar que a Geringonça chegou a Hollywood.

100 anos sobre a barbárie vermelha…

No dia 27 de Fevereiro de 1917 chegava ao fim a desgastada e ineficiente monarquia russa, na prática o Czar Nicolau II apenas abdicaria em favor do irmão alguns dias depois, mas a recusa do Grão-duque abriu caminho ao que poderia ter sido a instauração de valores democráticos. Infelizmente para os russos, povos vizinhos e grande parte da humanidade, os dias revolucionários de esperança num futuro melhor, culminariam num golpe em Outubro na tomada do poder pela minoritária facção bolchevique, que derrotando forças que lutavam entre si, levaram Lenine ao poder após uma sangrenta guerra cívil. O resultado foi a instauração da ditadura, restringindo as liberdades civil, económica e política. Mais tarde até dissidências ou simples falta de entusiasmo levariam às purgas e ajustes de contas, nomeadamente nos anos em que o execrável regime foi liderado pelo facínora J. Stalin, um dos 3 piores sanguinários, a par de Mao e A. Hitler, que alguma vez governaram… [Read more…]

Os Conselhos do Chico

Há vários anos que é assim. Quando a inquietação me assalta de rompante e não consigo encontrar uma explicação lógica para compreender ou tentar explicar esse acontecimento, ou até mesmo quando não encontro uma explicação lógica para explicar algo que se está a passar no mundo, pego nos meus discos do Chico para ali encontrar a explicação. É impossível não conseguir achar a resposta nos Conselhos do Chico. A obra do Chico é tão vasta, tão genial, tão sublime, tão humana ao ponto de crer que o Chico não é do século passado, não é deste século e não é dos próximos – é um ser transcendente a todos nós que vive noutra era, muito mais avançada – é outra forma, é outra matéria. É um ser que foi enviado para nos ensinar a saber como lutar. Nós é que somos ao lado dele gente tola na lufa-lufa que são os nossos dias, metidos quase sempre nas nossas vidas mundanas, na nossa eterna insatisfação, no nosso esforço abnegado para querer mais deste mundo quando o mundo não nos quer dar mais nada.

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Pela Defesa da Descentralização

A nossa democracia teves três ciclos de implantação do poder autárquico: 1.º infraestruturação (redes de abastecimento, saneamento, viária, energia); 2.º equipamento (escolas, bibliotecas, equipamentos desportivos); 3.º qualidade de vida.

É neste último ciclo que a grande maioria das nossas autarquias locais se encontram estando a ação dos nossos autarcas muito vocacionada para um “Estado Social Local” no qual se pretende consolidar, e aprofundar, políticas de natalidade, de extensão de tempo para as famílias, de rigor urbanístico, de defesa da identidade cultural, desenvolvimento ambiental e económico sustentável e de um crescendo de mecanismos de democracia participativa.

Será neste novo tempo de “Estado Social Local” que se perspetiva a descentralização de competências na educação e formação, na saúde, na ação social, nos transportes, no património, na cultura, ou na proteção civil e num quadro político, inédito, em que o Partido Socialista tem a maioria das câmara municipais e está no governo com o apoio parlamentar dos partidos mais à esquerda do espectro partidário.

O futuro das autarquias locais, embora sujeito a condicionantes externas, tem um caminho muito próprio, no qual, cada vez mais, os projetos, decisões e diretivas devem ser desenhadas pelos nossos autarcas e pelas suas comunidades de forma autónoma e sem uma ligação ao Terreiro do Paço.

Rafael Amorim

Kebab, bombas e bifanas

A bela Bifana!

Turismo ou terrorismo. Enquanto em Lisboa metade da população está preocupada com atentados turísticos à identidade nacional, o vice-primeiro-ministro turco foi na quarta-feira passada a Berlim pedir medidas de apoio ao turismo turco e apelar ao investimento alemão. A Turquia entrou em recessão depois da tentativa de golpe contra o presidente Erdogan, a subsequente asfixia autocrática do regime de Ankara e uma longa série de outros atentados terroristas por todo o país.

Em Istambul os hotéis estão agora às moscas como cabeças de carneiro penduradas num talho de rua num mercado da Anatólia. Entre outras formas de ajudas económicas, Mehmet Simsek pediu a  Wolfgang Schäuble para se accionarem meios de incentivar directamente os turistas alemães a voltarem à Turquia. São muitas centenas de milhares de viajantes e veraneantes alemães que trocaram o kebab em Istambul e Antalya por bifanas em Lisboa ou sardinhas no Algarve. [Read more…]

Inaceitável e imperdoável

Ao longo dos 7 anos em que estudei na Universidade de Coimbra, duas das múltiplas virtudes que a Universidade me fez adquirir para a minha vida foi o respeito por todos os credos e a dotação de uma forma de pensar personalizada, aberta e urbana. Não tenho nada nem nunca tive nada contra as pessoas que elencaram (e ainda elencam;sei que algumas das pessoas que praticaram estes crimes ainda fazem parte da minha geração universitária) as Repúblicas e o Conselho de Repúblicas. Antes pelo contrário. Dormi em várias repúblicas da cidade ao longo de 7 anos, fui comensal de uma, tenho amigos em várias assim como participei em diversas febradas, almoços, jantares e centenários de várias. Fui até mais longe em determinadas situações, entrando directamente nas causas das Repúblicas sem nunca ter sido repúblico quando abracei a causa particular que foi aberta pela nova Lei do Arrendamento Urbano e quando tentei ajudar o pessoal do Solar dos Estudantes Açorianos a ver o seu problema de esgotos e canalizações resolvido junto da Câmara Municipal de Coimbra. [Read more…]

Os Truques e o Digital

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Nos últimos meses e graças ao Aventar descobri a página “Os truques da imprensa portuguesa” no facebook. A página está muito bem feita e nota-se que é alimentada por gente do meio, conhecedora da matéria. Na minha opinião, as chefias dos diversos meios de comunicação social deviam estar menos preocupados em desacreditar a página e bem mais atentos às denúncias que a mesma faz, procurando corrigir os constantes erros.

É que todos ou quase todos os dias temos exemplos de mau jornalismo. Um jornalismo que está, a médio prazo, a prejudicar seriamente a credibilidade dos meios de comunicação. Reparem nos exemplos mais recentes: Afirmações do Papa Francisco truncadas; a história dos jovens “nem-nem” que vão receber um subsídio mensal; a história da Rua da Bica como a mais bonita do mundo; etc. etc. etc.

Como é costume em Portugal, em vez de se preocuparem com a mensagem preferem tentar matar o mensageiro. E depois acontece uma coisa muito simples, no meu caso, agora sempre que vejo uma notícia no digital fico de pé atrás e já começo a nem clicar para ler por achar que deve ser mais uma notícia falsa.

 

O patrão e o operário

Aguilhadas : Publicação mensal de critica á arte, á politica e aos costumes, n.º 2, Julho 1903

Aguilhadas : Publicação mensal de critica á arte, á politica e aos costumes, n.º 2, Julho 1903


A propósito das greves operárias no Porto em Julho de 1903.

Pode-se tirar o PSD do socialismo, difícil é tirar o socialismo do PSD…

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Será este o futuro do PSD? Não fora a assinatura na comunicação da sua organização de juventude e poderia ter sido levado a pensar tratar-se de propaganda do BE, ou no mínimo da ala mais radical do PS. [Read more…]

Observador

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Pedro Pereira Neto

Percebe-se que o Observador está em maus lençóis quando o seu ‘publisher’ (mais um exercício da parolice que considera elevar a si própria recorrendo a um termo noutro idioma) escreve artigos que, claramente, só procuram gerar cliques e distracção de factos relevantes. Não se deixem cair no logro: o lixo não precisa de ser manuseado para ser reconhecido enquanto tal.

A Petrecha – Estórias de gentes do Douro

Maria Manuela Santos de Almeida Ferreira dos Santos*

Chamam-lhe Petrecha talvez devido à sua cor escura, a que o lixo dá uma tonalidade ainda mais acentuada. Ela própria se deve ter esquecido que a madrinha a baptizou de Amélia.
Andrajosa, arrasta pela mão a filha que nasceu da sua miséria.
As duas pedem pelas portas da aldeia o pão nosso de cada dia.
Toda a gente lhe dá num ou noutro dia. São tolas, diz o povo – mas não fazem mal a ninguém.
A Petrecha era filha do coveiro. A mãe morrera quando ela nasceu e o pai vivia com a caridade dos outros e o vinho que comprava quando enterrava os mortos.
Lá passava ele com a filha embrulhada em trapos num braço e a pá no outro. Enquanto abria as covas, deitava-a na campa de mármore mais chique e cantava para ela adormecer.
O cemitério era o domínio de ambos e ali entendiam-se.
O tempo rodou e o coveiro morreu.
Amélia Petrecha, quase indiferente, ajudou a tapá lo.
Quando lhe nasceu aquela filha, repetiu com ela as passadas que tivera. Não conhecia outras.
Ensinou a contar primeiro as cruzes e depois os tostões. No forno do muro do cemitério, guardam a roupa linda que lhes dá a gente rica! Não a usam. Não é delas. É para os amigos do cemitério.
Mas o que mais encanta a pequena Carolina são os retratos. Conhece-os todos. Dos senhores e das senhoras, que para ela têm vida. Já quase mulher, fica triste e amuada no dia dos fiéis, em que toda a gente invade os seus domínios.
Um dia, um senhor com uma máquina fotográfica achou original o quadro de mãe e filha e bate uma foto.
Passado algum tempo, oferece-lha. Ficam admiradas, sorriem, viram e reviram a fotografia.  [Read more…]

Eleições – Estórias de gentes do Douro

Maria Manuela Santos de Almeida Ferreira dos Santos*

As tão apregoadas eleições livres aproximavam-se. Na Quinta Grande, a Srª D. Cesaltina ensinava os seus trabalhadores. Quase todos tinham a quarta classe, mas o jardineiro já velho, que ali nascera, nunca dali saíra, não sabia ler nem escrever.
Então ela ia-lhe ensinando todos os dias três letras – C D S – as únicas que ele precisava de aprender para votar.
Era um sacrifício para o Sr. Joaquim, por cujas mãos só tinham passado sachos, enxadas e lavoura, tentar pegar no lápis para melhor decorar aquelas letras.
Mas como a patroa lhe dava sempre um copito a mais para o animar, lá treinava.
Depois de muitos dias de esforço, a Srª D. Cesaltina estava vaidosa e contava às suas amigas que conquistara mais um. Até já se sentia uma professora a ensinar meninos, tão fácil lhe parecera a tarefa.
Chegou o dia e o Sr Joaquim, no seu fato domingueiro, lá foi cumprir o seu dever de cidadão. Não sabia bem o que era, mas tinha de fazer uma cruz.
Volta a casa.
A patroa colhia umas flores no jardim para o altar de que era zeladora.
Olha para o Sr Joaquim que, meio acabrunhado, vira e revira o chapéu.  [Read more…]

Direitos, a obscenidade destes tempos

Entre colegas de trabalho e no comentário político de direita, a alguém que ouse falar de direitos logo se lhe aponta o estigma de ser um moinante calaceiro.

naomi klein

Naomi Klein documentou que os neoliberais advogam o uso de crises para impor políticas impopulares enquanto a população está distraída. Fotografia: Anya Chibis para The Guardian.

O cidadão de hoje, produto de uma construção ideológica apenas suspensa durante curtos períodos, como a revolução francesa,  é, antes de cidadão, um trabalhador. Faça-se a experiência de juntar algumas pessoas, pedindo-lhes que se apresentem. Não falarão das suas raízes familiares, nem das suas convicções. Definir-se-ão pelo que fazem, numa visão calvinista da sua existência. [Read more…]

Sobre o BCE e não só…


Este vídeo exemplifica na perfeição as razões pela qual o BCE não deveria manipular juros e qual o papel que a Banca deveria desempenhar na economia. Podem achar que é utopia, mas a realidade é que chegámos ao estado actual das coisas, muito graças à obscuridade de negociatas entre governos,empresas instladas, bancos incluídos, principalmente os bancos centrais, servos do poder político, favorecimento de corporações…

Precariedade não se resume a salários baixos; precariedade é muito mais que salários baixos

Muitos dos trabalhadores com quem tenho dialogado nos últimos meses tem resumido o conceito de precariedade no mercado de trabalho a salários baixos. Os baixos salários são uma das características que ajudam a perceber o conceito em causa mas não o resumem: o conceito de precariedade vai para além dos ordenados baixos. O que não quer dizer que todos nós possamos diariamente pugnar por ordenados mais altos que os actuais. É o nosso dever e é também, não querendo entrar de maneira alguma pela teologia, a nossa salvação.

O conceito de precariedade no seu sentido lato é a “condição daquilo que é frágil, incerto ou pouco estável” – a fragilidade, incerteza ou estabilidade de alguns trabalhadores não são condições comensuráveis unicamente através dos baixos salários que se praticam no nosso país mas também de outras condicionantes impostas pelo sistema que tornam a posição destes fragilizadas. O actual direito do trabalho, as condições de saúde, higiene, ambiente e segurança no local de trabalho, as pressões que são feitas pelas entidades patronais para tornar o ritmo de produção insustentável e nocivo à saúde do trabalhador, a utilização de mão-de-obra temporária ou tarefeira e as questões relacionadas com o assédio sexual e moral, são outras das características que devem ser tomadas em conta para podermos descrever o conceito de precariedade.

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Da Capela à Adega

Tudo começou na esplanada da “Capela Incomum” entre conversas e copos de vinho (o Evel Branco estava muito bom), o ponto de encontro para mais um jantar do Aventar onde o Porto foi repetente.

E que melhor sítio do que uma capela para redimir os “pecados de escrita” destes bloggers que teimam em continuar livres e fieis à blogosfera. Nestes tempos em que os blogues vão finando, o Aventar continua a resistir. A romaria seguiu para a Adega do Carregal, não sem antes um dos presentes exigir a presença de uma televisão para assistir ao FCPorto-Tondela. A que não faltou o tiro certeiro do nosso Lucky Luke – “E a federação não faz nada?”. Nada, não fez nada e a Adega não tinha a SportTV. Mesmo assim, ouviram-se juras à veracidade da grande penalidade.

Da posta ao bacalhau passando pelos rojões, não ficou pedra sobre pedra numa noite onde se discutiu Guimarães, Sabrosa, Viseu, Viriato, Fernão de Magalhães, Sócrates, Cavaco, Marcelo, Costa, Geringonça, Turismo, futebol, cinema, literatura e não se esqueceu as referências às viúvas, Galamba e ao Abrantes. Venha o próximo repasto.

Das boas ideias

Esta reportagem do Público merece ser lida não só pela qualidade do trabalho, mas pelas reflexões que pode – e deve – provocar. Ultimamente, devido ao Brexit, houve um crescimento no número de pedidos de nacionalidade portuguesa por parte de judeus britânicos. Esta reportagem vai à Turquia em busca de famílias sefarditas que fugiram no século XVI. Numa altura em que falamos tanto de refugiados, de pessoas que fogem da morte e da perseguição, muitos esqueceram-se que os judeus foram durante séculos os perseguidos por excelência na Europa. E tanto que insistimos em expulsá-los, e tanto que normalizamos a perseguição, que mesmo na altura mais dramáticas de todas, quando a Europa já se achava ingenuamente civilizada acabámos a matá-los aos milhões. E parece que não aprendemos.

Muito se fala também, embora não tanto em Portugal, na questão das reparações. Devem as antigas potências colonizadoras pagar reparações? Devem as nações negreiras pagar reparações aos descendentes de escravos? Deviam ter sido mais avultadas as reparações aos judeus?  São discussões longas e difíceis com as quais não lidamos bem. Portugal como país, como espaço político, cultural e identitário deve olhar para os seus pecados mais vezes, mais frequentemente. Penso que o fazemos pouco. E é por isso que esta medida de atribuição da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus sefarditas expulsos é tão importante, porque é simultaneamente, um pedido de desculpa e uma excelente ideia de apaziguamento.

Aos Habid, bruchim haba’im.

Turismo, novamente o Porto

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Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

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A Imprensa de Braga está cativa?

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Facto: um autarca de um pequeno município do distrito de Braga é detido por suspeitas de “corrupção e abuso de poder“.
Notícia no dia seguinte: página inteira
Facto Alternativo: um ex-vice presidente de uma grande autarquia portuguesa – Braga – é detido para interrogatório por suspeitas de “luvas”.
Notícias na imprensa de Braga: nada.

Porque acontece isto? Aceitam-se palpites.

A árvore, esse objecto que suja e atenta contra o betão…

João Paulo Forte *

A ecologia é uma palavra vã na cabeça de muitas pessoas, talvez pela preocupante iliteracia ambiental. À medida que o Ser Humano traça um caminho divergente face ao mundo natural, numa espécie de ambiente asséptico, este começa a perder algo de fundamental. O discernimento acerca da importância das interacções entre os seres vivos e o meio físico tem-se perdido a uma velocidade vertiginosa, talvez causado por um capitalismo feroz, onde o dinheiro e a posse são quem mais ordena. E isto tudo numa sociedade dita informada, onde há um evidente excesso de informação em termos quantitativos, mas um défice crónico em termos qualitativos. É a ironia das ironias, conseguimos fazer evoluir várias tecnologias e, ao mesmo tempo, enquanto sociedade, perdemos capacidades fundamentais para uma vivência sã e devidamente sustentada. Cada vez são menos o que efectivamente entendem que a afectação de um elemento afecta a dinâmica do todo, do geossistema. [Read more…]

A invenção da escrita

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Sócrates:
– Ouvi contar que viveu para os lados de Naucratis, no Egipto, uma divindade muito antiga, cujo emblema sagrado é a ave que eles chamam, tu o sabes, ibis, e cujo nome era Theuth. Foi ele que descobriu a aritmética, a geometria e a astronomia, o trictrac e o jogo dos dados e também, ficas a sabê-lo, as letras. Por outro lado, naquele tempo, reinava sobre todo o Egipto Thamous, que vivia naquela grande cidade que os gregos conhecem pelo nome de Thebas do Egipto e que tem por deus Ammon.

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Jornalista ao poste, jornalismo ao lado…

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A história é simples: uma jornalista vai pela rua a tentar entrevistar Jorge Nuno Pinto da Costa. Este vai ao telefone e a ignorar a senhora. Ela, cumprindo a sua função, continua a fazer perguntas e mais perguntas. Até que um poste se atravessa no caminho e a senhora vai contra ele. E o que faz logo a seguir, em directo para o seu canal (CMTV), acusa Jorge Nuno Pinto da Costa de a ter empurrado/agredido…Sem se rir.

Por acaso toda a situação estava a ser filmada em directo. Por acaso todos vimos o que aconteceu. Por acaso a senhora foi contra o poste porque nem reparou que o dito estava ali, no meio do passeio. Se assim não fosse, estávamos todos a discutir os direitos dos jornalistas e a vergonha para o FC Porto de ter um presidente que agrediu uma jornalista.

Por acaso vários órgãos de comunicação social estão a dar a notícia de que Pinto da Costa insultou a jornalista sem se darem ao trabalho de colocar/explicar o que se passou segundos antes. Por acaso é com o FC Porto.

Por acaso eu não acredito em acasos. Porque é sempre assim. A diferença é que desta vez foi filmado. Todos vimos. Mesmo que alguns teimem em fazer de conta que não viram.

SIC Notícias facilita acesso à pós-verdade

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Estes estalinistas não se dão nada bem com a verdade. Bloqueiam-na. Reconstroem uma sociedade cada vez sinistra, de informação manipulada, com o auxílio da imprensa em bloco. Com a excepção, claro está, da SIC, da RTP, da TVI, do Sol, do I, do Correio da Manhã, do Público Dinis, do Expresso, do JN e dos blogues disfarçados de jornais como o Observador, o ECO e o Jornal Económico. Tirando estes, está tudo ao serviço da maldita Geringonça. Conseguirá a resistência repor a verdade?

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Adoçante

que adoça. Cuidado com a *adoção e com a adução: elas andam por aí.

O pó da verdade

“Pilatos replicou-lhe: Que é a Verdade?”
(João 18:38)

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Parece ter terminado o folhetim que envolveu o Ministro das Finanças, que chegou a ser ameaçado com uma queixa-crime por deputados cuja credibilidade há muito ficou soterrada em fotocópias a preto e branco e irrevogavelmente submersa no mar profundo.
Ainda assim, não será inútil sublinhar, não relevando, sequer, o objectivo que realmente move os ofendidos, que o Governo, designadamente o senhor Primeiro-Ministro e o próprio Ministro da Finanças, agiram de acordo com aquilo que é o seu dever, respeitaram a dignidade das suas funções, assim como a das instituições do Estado que representam e dos cidadãos que servem.

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La Douce France, 1970

Oh mon amour, tu es la vague
Moi l’île nue
Tu vas, tu vas et tu viens
Entre mes reins
Tu vas et tu viens entre mes reins
Et je te rejoins

Feliz dia, namorados e namoradas!

«eles tinham a tendência de pôr assento em “paras»”? Efectivamente: assento

observador

gemahnt es dich so matt?

 Fasolt

Da ließe sich ja eine Spekulation mit meinen Vögeln machen.

Papageno

***

Nesta entrevista, João Malaca Casteleiro vem explicar a lógica subjacente à base IX, 9:

os nossos alunos nas escolas, como “pára” tinha acento, eles tinham a tendência de pôr assento em “paras”, “paro”.

Portanto, a ambiguidade de

Bloqueio nos fundos da UE para projecto de milhões na área do regadio

justifica-se porque uns alunos (volto a perguntar: “onde está o estudo?“) punham assento.

Exactamente: está tudo explicado.

Efectivamente, como alguns escreventes têm “a tendência de pôr assento” em vez de acento, receio que a próxima proposta seja a abolição de <ss> em formas como asso, passo ou mesmo apressar e a respectiva substituição por <ç>: aço, paço e apreçar. Porquê? Então, citando Malaca Casteleiro, “o contexto diz-nos”. Exactamente. É o contexto.

***

Al Jarreau (1940-2017)

A vida vai-me matando a adolescência ou, como teria dito o Manuel Dias, está a morrer uma data de gente que nunca tinha morrido. O cantor que era também músico: uma voz que falava, cantava e tocava, tudo ao mesmo tempo, em muitos géneros.