Dias

Sempre que eu oferecia um presente ao meu pai, ele fazia uma coisa que me irritava muito. Sem desfazer o embrulho, revirava-o nas mãos, abanava-o junto ao ouvido, e punha-se a adivinhar: “Isto é um perfume”. “É um cachecol”. “Um livro”.

Claro que às vezes acertava e isso ainda me irritava mais. “Não adivinhes, abre!”, repetia-lhe eu sempre. Ele achava graça a esse jogo. Eu sentia que parte da surpresa se arruinava. Claro está que ele tinha razão, eu ainda não me tinha libertado dessa urgência estúpida que carregamos durante anos, por vezes a vida toda. [Read more…]

Engate a terceira

Fernando Venâncio

A apresentadora Cristina Ferreira terá assegurado ao primeiro-ministro alguns suplementares milhares de votos quando retoricamente perguntou: «Ai, ele era engatatão?». Estava-se no programa da dita, na SIC, com António Costa de cozinheiro e a mulher de indiscreta confidente.

Pergunta retórica, sim, mas também supérflua. Todo o político de sucesso é excelente no engatar. Porque, pensando bem, é num contínuo e descarado engate que se condensa a actividade política.

“Engatar”, um verbo feliz. Lembra todos os tipos de engrenagem, de enganchadura, de engalfinhamento. Origina-se no valor “grampo” do vocábulo “gato”. Por isso se adequa tão bem às mudanças da caixa de velocidades. A gente engata, engrena, engancha, ok engalfinha a primeira, depois a segunda, e há quem tenha assentado o rabo numa máquina que mete a sexta. Não sei para que serve, ou qual seja a sensação, mas alguma há-de ter.

Um brasileiro fica em branco com os nossos “engates”. Falarem-lhe em “sites de engate” é atormentá-lo de perplexidades. E, contudo, “engate” é gramaticalmente uma formação de primeira escolha, como deverbal regressivo que é. Eleva o trivial “engatar” ao patamar da abstracção. Pede um tirar de chapéu, e ao menos uma vénia. [Read more…]

Hal

Morreu Hal Blaine (1929-2019), um dos meus mestres – foi-o, mesmo muito antes de lhe conhecer o nome. Nas infinitas horas em que, com os amplificadores aos berros, tentava acompanhar e aprender como faziam os melhores, foi uma das minhas companhias.

O seu nome não dirá muito muito à maioria das pessoas. Ele fazia parte daquela aristocracia de músicos que, nos estúdios de gravação, tocavam com os melhores e, muitas vezes, em vez deles. Quem está atento a estas coisas sabe bem que muitas gravações, mesmo de artistas e bandas famosas, são feitas , de facto, por estas “raposas de estúdio”, muito mais competentes que os seus famosos “encomendantes”. [Read more…]

Portugal escolhe uma decoradora de interiores para a Bienal de Arte de Veneza

A artista Leonor Antunes, que se notabilizou por pendurar coisas no tecto de modo exímio, será a representante portuguesa na Bienal de Arte de Veneza, escolhida pelo ex-demissionário de Serralves, João Ribas, o curador, e abençoada pela senhora Ministra da Cultura, apostada que está em promover internacionalmente o talento artístico lusitano na área da carpintaria de limpos e da decoração de duplexes com mezanine.

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«Conan Osíris é mesmo um artista excepcional?»

Addison DeWitt: More plainly and more distinctly: I have not come to New Haven to see the play, discuss your dreams, or pull the ivy from the walls of Yale. I have come here to tell you that you will not marry Lloyd, or anyone else for that matter, because I will not permit it.

All About Eve

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No Expresso, é excepcional,

mas também é excecional

e, além de excecional, há excecionalidade.

Portanto, há excepcional, excecional e excecionalidade.

No Brasil do AO90, continua excepcional. Todavia, na Europa do AO90, como sabemos, “excepcionais convertido para excecionais“.

Dez anos é muito tempo (muito!) e andamos há quase nove a aturar a propaganda ortográfica do Expresso.

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Crónicas do Rochedo XXIX – Península Ibérica 2483 d.C.

ronaldo jornal da Madeira

“Em 2485 vamos celebrar os 500 anos do nascimento de Cristiano Ronaldo e por esse motivo, os responsáveis das cidades do Funchal, Lisboa, Manchester, Madrid, Turim e Miami aqui reunidos, decidiram criar a ACRM (Associação das Cidades Ronaldianas no Mundo) que terão como responsabilidade criar o programa das festividades em todo o ano de 2485 ficando a sede desta associação aqui, na cidade de Madrid” – anunciou em conferência de imprensa a governadora da província de Madrid.

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Together

Um filme sobre o Amor paternal.

 

A pressão ortográfica

Breathe the pressure
Come play my game, I’ll test ya.
Prodigy

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O meu destaque da semana podia ser esta magnífica foto dos heróis do Dragão.

© Global Imagens [https://bit.ly/2TrZPkT]

Todavia, há emergências mais urgentes (a propósito de emergências mais urgentes, durante a semana passada, faleceu José Vieira de Lima, o tradutor que me apresentou o Sam Shepard).

No sítio do costume, continuam a chumbar nos testes ortográficos da norma que eles próprios criaram e impuseram.

Já agora, é engatar e não enganar (efectivamente, é uma discussão interessante).

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Keith Flint (1969-2019)

Ricardo Araújo Pereira na TVI


Adoro humor inteligente, com qualidade. Ricardo Araújo Pereira é do melhor que temos em Portugal nestes dias, sem medo de afrontar as vacas sagradas do regime nem fazendo favores ou servindo qualquer agenda. Da esquerda à direita do espectro político nacional, varreu tudo e todos. Imperdível!

Calaram o CALE-se

O “CALE-se” era o mais importante Festival de Teatro da cidade de Gaia. Calou-se, mas deixou uma carta aberta:

 

Carta aberta do Cale Estúdio Teatro ao público, a propósito do fim do “CALE-se” Festival Internacional de Teatro

Houve um tempo em que falar de tradição não era apenas falar do passado mas, sobretudo, num contexto mais alargado, um tempo em que se percebiam e aceitavam as tradições como uma “permanência no desenvolvimento e na continuidade”, conforme muito bem defendeu em tempos António Sardinha.
Nesse contexto, o terceiro sábado de Janeiro (o próximo, dia 19) era culturalmente marcado em Vila Nova de Gaia pela abertura do “CALE-se” Festival Internacional de Teatro, facto que este ano não acontecerá, pelos motivos já apresentados no encerramento da edição de 2018, que importa agora recordar ou somente informar.

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Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto…

 

Álvaro de Campos

Boletim meteorológico

Cette arrogance est absolument insupportable. Mais pour qui vous prenez-vous? Mais pour qui vous prenez-vous, Emmanuel Todd? Vous ne passez plus les portes!

Alain Finkielkraut

I think that’s the way things work. You have some… It’s not that you… I mean, belief formation is often contingent on the outcomes that you want. You want a certain outcome and you construct a system of beliefs which makes that exactly right and just.

Noam Chomsky

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Efectivamente.

Efectivamente, estava eu a escrever, 2019 continua com dias de céu geralmente limpo (Magnolia foi há 20 anos). Há vento. Vento que vem, desde 2012, do outro lado do Atlântico, como se vê pelo contato, mas em geral fraco, devido a ‘respetivo’ em vez de ‘respectivo’.

Há possibilidade de formação de neblinas em forma de contatos todas as semanas.

O arrefecimento, apesar de lhe chamarem noturno, é nocturno (para si, minha senhora). Quanto ao mar, há ondas, muitas ondas, só ondas (my wave), só ondas (waves roll in my thoughts) e há espuma (Fort ans Meer! ans Meer! es schäume die Welle), muita, muita espuma. A temperatura da água do mar, como os pareceres, não interessa rigorosamente nada.

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Feliz Natal


Este ano regresso a Fairytale of New York, porque alguns talibãs, doutrinadores do pensamento único, consideram ofensiva, logo passível de censura a letra desta bela canção.
Tempos perigosos para a Liberdade quando patrulheiros do politicamente correcto pretendem reescrever a História, mudar estátuas, nomes de ruas, culpar povos pelo passado, proibir ou impor comportamentos, incluindo a linguagem, entre outras barbaridades, na busca pelo homem novo, com que tantos tiranos sonharam…
A todos desejo um feliz Natal.

Teilhard de Chardin

Por Desconhecido – Archives des jésuites de France, CC BY-SA 3.0

“A menor molécula de carbono é função, em natureza e em posição, do processo sideral total; e o menor protozoário está tão estruturalmente ligado à urdidura da Vida que a sua existência não poderia ser anulada, por hipótese, sem que se desfizesse a rede inteira da Biosfera. A distribuição, a sucessão e a solidariedade dos seres nascem da sua concrescência numa génese comum. O Tempo e o Espaço juntam-se organicamente para tecer, em conjunto, a Base do Universo. Eis onde nos encontramos, eis do que hoje nos apercebemos…”

Teilhard de Chardin

“Em 1926, os Superiores dos Jesuítas ordenam a Teilhard que termine o seu ensino no Instituto Católico. Em 1927, Roma recusa o imprimatur para o livro Le milieu divin. Em 1933, Roma ordena ao Padre Teilhard que recuse toda e qualquer função em Paris. Em 1938, proíbem-lhe a publicação de L’energie humaine. Em Abril de 1941, manda para Roma a sua obra-chave, Les phénomène humain. Em 6 de Agosto de 1944 tem conhecimento de que esta obra foi recusada pela censura. Não virá a aparecer Les phénomènes humains senão depois da sua morte. Em Setembro de 1947 é convidado a deixar de escrever filosofia. Em 1948 é-lhe interdito aceitar a cátedra oferecida pelo Colégio de França. Em Junho de 1950 a censura recusa Le group zoologique humain. Em 1955 proíbem-lhe participar no Congresso Internacional de Paleontologia. A hierarquia não deixa, durante toda a sua vida, de o privar de meios de expressão. Até a sua morte, fora alguns artigos técnicos, a sua obra é apenas conhecida em fragmentos feitos ao duplicador que circulam clandestinamente.
(Garaudy, 200).”

in
Teilhard de Chardin
de Ernest Kahane
Colecção Estudo e Ensaio, Editora Delfos
Tradução de Ricardo Madeira Romão

O Comboio Eléctrico a Barcelos


Chegou no mesmo dia em que os americanos poisaram uma sonda em Marte.
É uma coincidência cósmica que confirma Barcelos como o centro da galáxia.
© Valdemar Rodrigues Pereira

Tu t´appelais Maria Schneider

Morreu hoje Bertolucci. O genial realizador, cujos filmes são padrão de referência do cinema europeu e estão na nossa memória, dos que temos idade para isso. Acima de todos 1900, o imperdível.

Morreu hoje Bertolucci – a notícia aparece em todos os media. Os elogios ao defunto são rasgados, terá um lugar eterno na história da cinematografia.

Morreu hoje Bertolucci, o realizador que quebrou a vida de uma rapariga de 19 anos.

Morreu hoje Bertolucci, o cineasta que traiçoeiramente engendrou, em conluio com Marlon Brando, 48 anos, a simulação da violação anal de uma miúda de 19 anos, perante as câmaras. Sem que ela soubesse o que ia acontecer, para exacerbar a autenticidade.

O filme, ficou como expoente de libertação da sexualidade. De que sexualidade?

Antes da sua morte por cancro em 2011, Maria Schneider repetidamente denunciou o abuso traumático de que foi vítima, a humilhação que sentiu. Ninguém a ouviu, a ninguém interessou. Nos 50 papéis que desempenhou depois do Último Tango em Paris, Maria nunca mais voltou a despir-se.

Numa entrevista que deu em 2013, Bertolucci contou o “detalhe” “da cena da manteiga” – de como traçou com Brando o plano de enganar e abusar de Maria; “De certo modo fui horrível para a Maria porque não lhe contei o que ía acontecer, porque queria a sua reacção como uma rapariga, não como uma actriz (…) Queria que ela sentisse, não que representasse a raiva e a humilhação.”  E se afirmou que se sentia culpado, também disse que não o lamentava; sentia-se culpado por não lamentar. De Maria, disse que ela o odiou para o resto da vida.

Morreu hoje Bertolucci, impune.

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O que dizer deste livro?

Para comemorar os cem anos da Revolução Russa, decidi-me a ler um livro que, segundo um amigo marxista, era o preferido da CIA. A responsabilidade desta leitura não deve ser atribuída apenas à Revolução, mas também a George Steiner que me despertou a curiosidade pela figura de Pasternak quando nos conta a história que relato neste texto que escrevi, após um simpático convite do Pedro Correia.

Yuri Andreevitch Jivago é nos apresentado em criança a chorar a morte da mãe. Abandonado pelo pai, o rapaz é entregue a um tio e a amigos que o sustentam e educam. A facilidade com que ele escapa à pobreza contrasta com a vida difícil de Larissa após a morte do pai. Apesar dos avisos sobre a quantidade de personagens que romances russos contêm, Doutor Jivago centra-se sobretudo nestas duas personagens. Ligados, desde a juventude, por uma série de coincidências lamentáveis, Larissa e Yuri vivem paralelamente numa Rússia dividida por extremas desigualdades sociais, até que se encontram na Primeira Guerra Mundial, onde a igualdade da situação – a morte num campo de batalha é para todos – os une.

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Girl with a ballon e uma guilhotina

Há um cume de ironia quando uma obra recusada pelo poder estabelecido se auto-destrói depois de vendida num leilão. Consigo imaginar a eventual enorme risada do autor perante as caras de pânico no final do vídeo.

“There is always hope” Fonte: Dominic Robinson, CC BY-SA 2.0, via Flickr

La folie

Gustavo Peixoto*

R. Mapplethorpe (apócrifo), “La Folie”

*Curador

Charles Aznavour (1924-2018)

Cumpridos noventa e quatro anos de vida, setenta de carreira e compostas mais de mil canções, Charles Aznavour – nascido Shahnour Vaghinag Aznavourian – partiu desta vida não descontente. É o último grande da “chanson francaise”. Compositor, cantor, cidadão social e politicamente empenhado, deixa uma imensa obra musical, seguida e amada em todo o mundo.

Não lhe faltaram reconhecimento, honrarias, homenagens. Mas fica, sobretudo, a admiração do seu público, o respeito dos seus pares, o impacto da sua intervenção cultural, a memória da sua voz inconfundível.

Coisas da Cultura

Gustavo Peixoto*

Testemunhei hoje uma cena absolutamente hilariante no Museu de Serralves, onde está patente a exposição de Robert Mapplethorpe, tão falada nos últimos dias.

Observando atentamente, numa sala especial da exposição, uma das fotografias mais polémicas do fotógrafo, onde têm especial destaque um dos orifícios excretores do corpo humano e a parte do braço que vai do punho ao cotovelo, estavam dois indivíduos adultos, caucasianos, de estatura média, sendo que um era um homem que aparentava ter trinta e poucos anos, e o outro uma mulher na casa dos quarenta.

A dada altura, o indivíduo do sexo masculino interrompeu a observação silenciosa e atenta do truque contorcionista retratado na fotografia do artista e dirigiu-se, nos seguintes termos, ao indivíduo do sexo feminino que estava ao seu lado, absorto também na profunda maravilha da imagem:

“- Fazia-te umas cuecas de cuspo.”

A senhora chamou a polícia e fez queixa do ordinário, evocando o Artigo 170º do Código Penal, cuja recente alteração veio criminalizar o piropo.

*Curador

A náusea

Antes que do cadáver social em que se transformou Portugal se volte a fazer qualquer coisa parecida com um país, muitos anos e até gerações hão-de passar. Embora seja sem surpresa – para alguns – que se alcançou este estado, a visão da decrepitude cívica, social e política, o aroma do medo, da ignorância que cresce como uma conspiração, e do desprezo pelos mais básicos valores de uma civilização digna desse nome, não deixa de comover quem um dia tenha ganho consciência de que um país não pode ser uma latrina, uma sociedade um saco de bufos, ou uma República um covil de ladrões. Ladrões que o que mais roubam nem é o metal que compra o luxo ou o privilégio injusto, mas a singela esperança de um dia podermos vir a ser, enquanto comunidade, algo mais que uma espelunca moral.

Robert Mapplethorpe: É isto que choca os puritanos de Serralves?*


Ou isto?

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Os U2 e a alfaiataria nacional

You may know I’m guest-hosting tonight because Dave’s got a little eye problem. He’s having trouble seeing. Now that’s the bad news. The good news is he now qualifies to be an umpire on the tennis tour.
John Mc Enroe

the /t/ is often elided

Ida Brunsvik Eriksen

The… what do they call them? The emoticons. At first, I really thought they were dumb, and I didn’t use them, but (by God!) I use them. No. I only use one… two types… well maybe even more…

Douglas Hofstadter

***

Vale a pena ler alguns dos comentários a este descuido dos U2.

Infelizmente, muitos dos comentadores não conhecerão a ortografia praticada no sítio do costume.

É pena.

A propósito, daqui a cerca de um mês, vou a Cracóvia falar sobre Lisboa. Lisboa fonológica. Enquanto preparo os últimos pormenores da comunicação, aproveito para vos deixar descansar, repor baterias. Daqui a pouco menos de um mês, acreditai em mim, tudo estará exactamente na mesma. Quando? Daqui a umas semanas. Onde? No sítio do costume.

Efectivamente.

Até meados de Outubro.

***

Gaia, o roubo do Património

Fábrica de Cerâmica das Devesas:

Vila Nova de Gaia. Painel de Azulejos da Fábrica de Cerâmica das Devesas. 2013-2018.

1900

Longe de ser consensual, é verdade – por razões evidentes – o épico de Bertolucci é um filme arrebatador. Cortado e remontado por muitos e púdicos sensores, a versão do realizador é a indispensável.

Anselmo Vintém

Ao contrário do que afirma (quase) toda a historiografia positiva, Anselmo Vintém nunca existiu. Diz-se que Eusébio pronunciou o seu nome antes do Adeus dúctil que lhe ofereceu Constantino, mas nada disso foi documentado. E mesmo que tivesse sido, já tinha ardido tudo.

Espalhafatos e coisinhas assim

Lear. Get thee glasse-eyes, and like a scuruy Politician, seeme to see the things thou dost not.

— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)

A TextGrid is a collection of tiers (this rhymes with cheers, not with liars).

— Paul Boersma (p. 350)

… ’tás sempre a falar coisinhas assim.

— Rodolfo Reis, 2/9/2018

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Mais imagens esclarecedoras.

A propósito, convém sempre regressar a este belíssimo texto de Donald Davidson, cujo trecho mais célebre é o seguinte (p. 47):

A picture is not worth a thousand words, or any other number. Words are the wrong currency to exchange for a picture.

oito anos, dois meses e dez dias, o Expresso anunciou a adopção do AO90. Eis um dos resultados tangíveis das grafias utilizadas por quem actualmente adopta esse modelo ortográfico [Read more…]

The Queen is dead, long live the Queen: Aretha Franklin (1942-2018)

Politicamente correcto, os talibãs do sec. XXI…

Agora que se aproxima o fim do mundial da Rússia, decidiu a FIFA ceder à insidiosa agenda do politicamente correcto e proibir grandes planos de miúdas giras. Muito provavelmente agora só teremos direito a ver nas transmissões gajos de copo na mão e claques de apoio mais ou menos carnavalescas.
A FIFA vai por mau caminho, se quer promover o respeito pelas mulheres poderia começar por obrigar a que todas as federações filiadas permitam a entrada de mulheres nos estádios e promovam a prática de futebol feminino sem uso obrigatório de véu ou burka… Quanto a questões de género, que filmem tudo e cada um coma o que gosta. Já não há mais paciência para proibições, restrições ou recomendações desta gente…

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