Corrupção activa, corrupção ativa e corrupção passiva

Das Zusammenpacken und Beladen des Rads am nächsten Morgen ist längst zur Routine geworden.

— Dirk Rohrbach

Avant, pour les mâles, dehors, le travail à la main faisait la règle générale : pelle, pioche, fourche, hache, pic ou rivelaine, faux. Pendant la guerre, ils obtinrent des cartes d’alimentation au titre de travailleurs de force. Pas de mécaniques pour lever les charges, aucun moteur pour soulager la peine, tout au biceps, le dos courbé.

Michel Serres

Là, tout n’est qu’ordre et beauté,
Luxe, calme et volupté.

Baudelaire

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É um dos preços da passividade: assim se escreve, actual e activamente, em português europeu.

Efectivamente, também temos a prática habitual do sítio do costume quer no Jornal de Notícias,

quer no Expresso,

quer, como se espera, no sítio do costume.

Por sinal, esta imagem provém de um acordo que substitui outro, publicado no sítio do costume, em Novembro de 2014.

Descubramos as diferenças [Read more…]

As velhacarias de Scapin e o fato de não ter sido prestada garantia

SILVESTRE: Si vous n’abrégez ce récit, nous en voilà pour jusqu’à demain.

— Molière, Les Fourberies de Scapin

O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economi… O senhor é economista… O senhor é economista… O senhor é economista…

— Octávio Machado, 24/9/2017

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Três meses volvidos, façamos um exercício semelhante ao das perpectivas,

 

apresentando dois exemplos teóricos com ortografia portuguesa europeia antes do AO90 e confrontando-os com formas ortográficas de português do Brasil antes do AO90, português europeu com AO90 em teoria, português do Brasil com AO90 e português europeu com AO90 na prática.

Comecemos pelo exemplo teórico

pelo facto de não ter sido prestada garantia (…) não tiver sido suspensa a respectiva execução.

Confrontemo-lo então com formas ortográficas de [Read more…]

Animais nos restaurantes?

pub_england
Anda por aí muita discussão por causa de animais nos restaurantes, vivos, entenda-se.
Nos pubs de Inglaterra, a discussão é de outro teor. Cheers…!

Primeira, segunda e marcha atrás

Imagem: Dr. Drodd Graphics

Comece pela tónica, passe à quarta, continue na quinta de sétima e volte à tónica. Ou como se diz na gíria musical, primeira, segunda e marcha atrás. Falamos de acordes e das fórmulas para escrever canções. Numa melodia em Dó Maior seriam Dó Maior, Fá Maior e Sol Maior de sétima os acordes em causa.

Existem outras receitas bem conhecidas e, ainda mais, usadas. De facto, muito do cançonetismo por elas passa, independentemente da sua popularidade e origem. Não é uma melodia complexa que garante o sucesso, tal como uma melodia simples não está necessariamente condenada ao fracasso – que o diga quem analise Zeca Afonso. Há muito para além das palavras e das notas nas canções, tendo a interpretação um papel determinante na conquista do podium. [Read more…]

“Não são livres”.

Há coisas com importância em si mesmas, mas ainda maior do ponto de vista simbólico. Maria João Pires há mais de 10 anos, julgo, que não toca em Portugal porque não quer, porque se recusa. Este facto aparece como sintoma patente do funcionamento dos meios culturais portugueses e, sobretudo, mostra o estado do seu espaço público, nesta área: um lugar sufocado pelo medo e o compromisso. Ninguém fala deste assunto em nenhum media. Não são livres. Querer saber as razões (não as sei) seria talvez delicado para o meio musical institucional. A figura mais marcante do século XX e até hoje no seu campo, o primeiro Prémio Pessoa, quando este tinha maior significado, continua a ser quem era, faz concertos, mas não quer tocar aqui. O silêncio é a regra obediente, dirigida pelo medo do indizível, do inexplicável, do inaceitável.

António Pinho Vargas

A Barbara Mandrell e o Acordo Ortográfico de 1990

THE OLD MAN: I am actually married to Barbara Mandrell in my mind. Can you understand that?

EDDIE: Sure.

THE OLD MAN: Good. I’m glad we have an understanding.

— Sam Shepard, “Fool for Love

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Poderíamos reproduzir (ou adaptar) esta conversa entre o Eddie (o Sam Shepard deixou-nos há poucas semanas) e o The Old Man (o Harry Dean Stanton deixou-nos hoje, soube há pouco pelo nosso António Fernando Nabais), com o AO90 a servir de Barbara Mandrell (coitada da Mandrell), da seguinte forma:

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS NOVE DA RTP: Eu escrevo segundo o AO90. Percebe?

UMA PESSOA QUALQUER QUE TENHA LIDO E PERCEBIDO O AO90: Claro!

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS 9 DA RTP: Ainda bem que estamos de acordo.

Para banda sonora, se não houver L’idiot, se não houver City of New Orleans e se não houver os meus dilectos Ao Soldado Desconfiado ou The Phoenix, então pode ser o Comboio  ou então o Noutro Lugar. Não escolham o Depois de ti, mais nada, sff. Obrigado. Adaptações?  Start Me Up é fixe, mas prefiro Love Removal Machine.

Agora, vamos àquilo que interessa:

 

A single postcard from Krakow

«Sou muito cosmopolita…

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sinto-me o mesmo desgraçado em toda a parte», escreveu Manuel Rivas, num livro de crónicas que li há uns anos. Pensei nisto hoje quando realizei que tinha tomado o pequeno almoço em São Petersburgo, o almoço em Moscovo, o lanche em Viena e o jantar em Cracóvia, onde estou neste momento. Não que me sinta desgraçada, ou sequer cosmopolita, mas a frase de Rivas veio-me à cabeça. Por muito que andemos, por muito que vamos e regressemos a casa, somos sempre os mesmos, pelo menos no modo como sentimos as coisas, no modo como olhamos para as coisas.

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