Os maluquinhos anti-acordo ortográfico…

… se calhar já se resignavam. Efetivamente, não parece que haja grande coisa a fazer. Temos de aprender a viver com as nossas deceções.

Chuck Berry (1926 – 2017)

«Chuck Berry Dies at 90; Helped Define Rock ’n’ Roll» (NYT)

Biblioteca Joanina pode ser vista no novo filme “A Bela e o Monstro”

A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra foi a mais directa e reconhecível inspiração para o espaço imaginado no filme da Disney.

A Biblioteca Joanina:

O filme:

Créditos:
Imagens do filme “A Bela e o Monstro: © Walt Disney Pictures.

Imagens da Biblioteca Joanina:© UC | Paulo Amaral

Texto e mais detalhes: página da Universidade de Coimbra

Sobral

Hoje ouvi a canção que ganhou o festival da RTP. Não fazia tal coisa há décadas. Desde que tal evento se transformou num desfile de mediocridade musical e poética que nos provocava vergonha por procuração – e aquilo não é nada connosco. Mas disseram que a canção era da Luísa Sobral e eu gosto dela. Gosto daquela mistura de bossa dos anos 60, cool jazz, palavras que cantam, acompanhamentos e arranjos decentes, tudo regado com o caramelo de uma cândida sensualidade. São canções que parecem feitas para ser cantadas ao ouvido. Não conhecia o mano Salvador, versão masculina da voz da irmã. A mesma entoação, o mesmo jeito, mas não é ela. E nós não conseguimos deixar de pensar no que será a canção cantada pela sua criadora. Não me interessa nada se “ganhamos”- acho piada a esta primeira pessoa do plural…- o festival inter-pimba ou não. Há mais uma boa canção em português. Pela raridade do fenómeno, saúda-se.

O regresso de Maria Joana

Canabidiol é um dos componentes do óleo de Cannabis sativa e da Cannabis indica, normalmente designadas como “Erva”, “Marijuana” ou “Haxixe”. A planta em causa toma o nome de Cânhamo e desempenhou, noutros tempos, um papel muito importante em várias indústrias nacionais, designadamente a indústria têxtil. Dada a sua importância económica, chegou a dar o nome a algumas terras portuguesas, como é o caso de Marco de Canavezes.

Na época dos Descobrimentos, a fibra de cânhamo era usada para produzir, além do vestuário, muitos artefactos fundamentais à indústria naval, como, por exemplo, cordas e velas. As cordas de cânhamo, extremamente resistentes, estão eternizadas na famosa Janela Manuelina do Convento de Cristo, em Tomar.

O Canabidiol é um componente químico da planta do qual está ausente o princípio psicoactivo, tendo sido isolado em laboratório no final dos anos 30 do século XX e objecto de registo de Patente nos Estados Unidos, em 1940, com o número 2.304.669.

Passados mais de sessenta anos, a 7 de Outubro de 2003, uma outra patente foi registada, também nos Estados Unidos, relacionada com as aplicações possíveis dos Canabinóides, incluindo  o Canabidiol, em determinados domínios da medicina e do tratamento de algumas doenças. Mais concretamente, o objecto da patente em causa, que tem o número 6.630.507, é o uso de Canabinóides como antioxidantes e neuroprotectores. O texto introdutório do registo dessa patente é o seguinte:

[Read more…]

Para tudo. 

Ortografia para tudo. Só não parou a asneira do CM que, escreveu “pára” no lugar de “para”. Jornal que, supostamente, segue o AO90.

Nota: este post está escrito de acordo com o AO90, não sei se terão reparado.

A nossa primavera

Lie to me if you will at the top of Beringer Hill
Tell me anything you want, any old lie will do
Call me back to you

A Ponte é uma miragem

gaia

Quem tenha estado atento à evolução da cidade do Porto nos últimos anos, não pode ter deixado de reparar numa transformação, em alguns caso radical, do ambiente da cidade. Para o bem e para o mal, o Porto é hoje um lugar muito diferente daquele que conhecíamos há poucos anos. Visitado diariamente por milhares de turistas, modificou a sua paisagem e a sua energia, interveio profundamente no património edificado e as suas ruas, cafés, livrarias e monumentos estão hoje cheias de pessoas oriundas dos mais variados países do mundo e das mais diferentes culturas. Mesmo os seus lugares históricos, e os mais pitorescos, sofreram um processo profundo de adaptação, a maioria das vezes no sentido de melhor responderem às exigências da nova indústria rainha da cidade, o Turismo.

Vila Nova de Gaia é a cidade que fica do outro lado do rio. Do ponto de vista turístico, a sua principal ligação à cidade do Porto é pela Ponte Luís I, uma das mais belas obras de engenharia legadas pelo século do ferro, que constitui um ex libris das duas cidades da foz do Douro e faz parte de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo.

[Read more…]

Os Conselhos do Chico

Há vários anos que é assim. Quando a inquietação me assalta de rompante e não consigo encontrar uma explicação lógica para compreender ou tentar explicar esse acontecimento, ou até mesmo quando não encontro uma explicação lógica para explicar algo que se está a passar no mundo, pego nos meus discos do Chico para ali encontrar a explicação. É impossível não conseguir achar a resposta nos Conselhos do Chico. A obra do Chico é tão vasta, tão genial, tão sublime, tão humana ao ponto de crer que o Chico não é do século passado, não é deste século e não é dos próximos – é um ser transcendente a todos nós que vive noutra era, muito mais avançada – é outra forma, é outra matéria. É um ser que foi enviado para nos ensinar a saber como lutar. Nós é que somos ao lado dele gente tola na lufa-lufa que são os nossos dias, metidos quase sempre nas nossas vidas mundanas, na nossa eterna insatisfação, no nosso esforço abnegado para querer mais deste mundo quando o mundo não nos quer dar mais nada.

[Read more…]

A exactidão e o estendal II

Pegou no estendal, uma armação leve, duas patas para apoiar no chão, dois braços que se abrem e fecham, pegou nele com a roupa ainda estendida, empurrou-o para fora de casa, arrastou-o a ranger pela tijoleira do chão, pelo empedrado da rua, e foi sentar-se com ele no largo ali ao pé.

— Carla Romualdo

Accuracy
Accuracy
Practice all day for accuracy

— Smith/ Tolhurst/Dempsey

quand vos copies seront terminées, cherchez dans le dictionnaire les mots de l’orthographe desquels vous ne serez pas sûr.

Stendhal

***

Efectivamente, durante as tardes de sábado, convém ler o Aventar.

rtp-2522017a

***

 

O regresso do maior vampiro deste país

A propósito. No dia em que o maior vampiro deste país regressará ao grande ecrã para ser entrevistado às 21 horas pela mão do Vítor Gonçalves. Mais uma vez anda o nosso rico dinheiro, que tanto nos custou a ganhar, a ser jogado janela fora pela RTP para ouvir os mexericos, as insinuações baratas e a subjectividade indevida e imoral de um canalha que viveu uma vida inteira a alimentar-se do sangue e do suor dos portugueses. Serviço público? A pergunta é de retórica. Todos conhecemos minimamente a agenda da besta, os propósitos e os objectivos que ele visa alcançar, a constante necessidade de se reafirmar e a incapacidade de se manter fora das esferas de controlo. Um vampiro a sério não deixa de querer chupar até ao dia da sua morte.

[Read more…]

Sou o meu próprio Comité Central

zeca-afonso

Excertos da entrevista de José Afonso ao jornal «Sete» de 22 de Abril de 1980

Sobre a regularidade de publicação de discos:
«Houve só uma época, logo após o 25 de Abril, em que como sabes não tínhamos mãos a medir, e em que isso aconteceu. Foi uma fase de expectativa, em que eu reflecti sobre o que devia fazer, se deveria ir para o ensino, se a minha função de cantante se justificava no novo processo que estávamos a viver. Pus mesmo a hipótese de me afastar, porque cantores de origem populares seriam vozes muito mais representativas do que as nossas e o processo nos iria ultrapassar. O certo é que fui extraordinariamente solicitado, eu e os meus colegas, de tal maneira que fiquei completamente «nas lonas».»

Sobre a imagem de radicalismo que transmitiu na fase pós-25 de Abril:
«Isso foi uma fase que se desculpa, que quanto a mim é um reflexo do próprio processo, apareceram coisas diferentes porque apareceram realidades diferentes e um público também, pelo menos em superfície e em quantidade, diferente. Dantes eu cantava para Assembleias Populares, mas muito mais restritas. No final do fascismo era-me mesmo já praticamente impossível cantar em público e nos dois últimos anos eu vivia quase só entregue a uma tarefa de propaganda e de agitação, difundia livros e panfletos, de apoio aos presos políticos, etc.»

Sobre a censura nos últimos tempos do Marcelismo:
«Sim, e no final acabei por ser preso [depois de fazer uma sessão num pinhal para tentar escapar à Polícia]. Com o 25 de Abril surgiu uma oportunidade enorme para chegarmos às fábricas, aos locais de trabalho, ir às aldeias onde havia comissões de moradores que estavam a fazer o seu caminho público, o seu fontanário, etc.. Participei muito directamente nesse processo, eu e outros cantores que tiveram uma actividade incrível nesse aspecto.»

Sobre as discordâncias em relação ao PCP 

[Read more…]

Elegia a Stefan Zweig

stefan-zweig-cafe

No final do Grand Budapest Hotel, o narrador diz a propósito do protagonista, Monsieur Gustave, o concierge do hotel: I think his world had vanished long before he ever entered it. But I will say, he certainly sustained the illusion with a marvelous grace.

Stefan Zweig, cujos livros inspiraram o filme de Wes Anderson, também sustentou diversas ilusões com uma extraordinária graciosidade. O filme de Maria Schrader Vor der Morgenröte ou em Francês, Adieu l’Europe, pretende mostrar isso. Vemos Zweig com uma educação e polidez de outra época, uma luzinha de civilização num mundo cada vez menos civilizado. O filme escolhe sublinhar este aspecto – a forma como Zweig se relacionava com os outros – em detrimento de uma reflexão mais profunda sobre o pathos que guiou os últimos anos da sua vida. Infelizmente, é precisamente por isso que o filme se torna uma banalidade.

[Read more…]

Mais uns fatitos

Qu’ils soient sacrés par les foules, ces hommes
Qui scrutèrent les faits pour en tirer les lois,
Qui soumirent le monde à la mesure, et, comme
Un roc hérissé d’or, ont renversé l’effroi.

Émile Verhaeren

É um escândalo!

— Rodolfo Reis, 19/2/2017

***

dre2122017

Nótula: Segundo amigo atento, este meu texto mereceu algures a melhor atenção, através de uma adaptação. Não dei por ela, mas acredito no meu amigo. Durante os últimos dias, além do The Handbook of Portuguese Linguistics, tenho lido a imprensa alemã, uns poemas do Verhaeren e regressei a uma selecção de textos cá de casa e ao Sainte-Beuve sobre o Voltaire — exactamente, o Sainte-Beuve, aquele que «n’a étudié Voltaire ni comme philosophe, ni comme historien, ni commme poète, ni comme auteur dramatique, ni comme romancier», como escreveu Allem. Efectivamente, além do Aventar, do Público e de alguns textos técnicos para o meu trabalho, não tenho lido muita coisa em português. Quando tiver tempo e pachorra, debruçar-me-ei sobre o assunto indicado pelo meu amigo. Continuação de uma óptima semana.

***

Turismo, novamente o Porto

ribeira e roupa.jpg

Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

[Read more…]

A recessão calorosa

O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.

Miguel Torga

passaríamos pela sala do senhor Oliveira, que nos ouviria de olhos esbugalhados e testa toda franzida e perceberia logo que ui, essa zona quando dói é sinal que a coisa já está bastante mal, isso não me cheira nada bem

— Carla Romualdo

Hic ostendit propheta, si a bonis eloquiis interdum propter taciturnitatem debet taceri, quanto magis a malis verbis propter poenam peccati debet cessari.

— Regula Benedicti

***

Há alguns anos, avisei: “vem aí a recessão“. Ei-la, calorosa.

recessao

Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico (aos quais agradeço a foto aqui reproduzida, tal como ao autor, Daniel Abrunheiro) indicaram esta distinção proposta por Malaca Casteleiro, na entrevista dos assentos: [Read more…]

Carlos Paredes

Carlos Paredes (Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 – Lisboa, 23 de Julho de 2004)

carlos_paredes_1

Não percebeu a ideia? Não faz mal, passamos outra vez!

Sim, aconteceu ontem. Sim, aconteceu na RTP. Confirmem nas vossas boxes de tv cabo. Os que tiverem uma. Sim, a RTP voltou a passar o mesmo episódio d´ O Apocalipse de Estaline que tinha passado na semana passada. E alguém ainda teve o descaramento de modificar a sequência dos episódios no site. Assim, o episódio que passou no passado dia 6, aparece no site da televisão pública como exibido no dia 13. A prova de tal facto? Se o programa é semanal e é apresentado de forma exaustiva com um spot que o anuncia como um dos programas de proa da estação para esta época do ano, não faria o mínimo sentido provocar um hiato de uma semana na exibição do mesmo.

Erro de televisão? Não creio. Uma autêntica vergonha, patrocinada com o dinheiro dos contribuintes, com propósitos políticos altamente vincados que visam executar a propaganda que a direita quer que a RTP execute.

Al Jarreau (1940-2017)

A vida vai-me matando a adolescência ou, como teria dito o Manuel Dias, está a morrer uma data de gente que nunca tinha morrido. O cantor que era também músico: uma voz que falava, cantava e tocava, tudo ao mesmo tempo, em muitos géneros.

 

Crónicas do Rochedo XIII – Sim, o Porto

captura-de-ecra-2017-02-10-as-18-36-22

O Porto voltou a ser “Europe’s Best Destinations 2017“. Tive o cuidado de escrever “o Porto” e não “a cidade do Porto” porque no Porto e neste prémio entra Gaia (pelas Caves, pela Serra do Pilar, pelas vistas fabulosas para a Ribeira do Porto e pela Afurada), Matosinhos (por Matosinhos Sul, pelos seus restaurantes onde se come o melhor peixe e marisco), por Braga e Guimarães sem esquecer o Douro Vinhateiro para onde se deslocam muitos dos turistas que visitam a cidade do Porto aproveitando para conhecer um pouco mais o Norte de Portugal.

Seria o mesmo que ganhar Palma de Maiorca, a que carinhosamente chamo de “Rochedo” e não sublinhar que seria pela cidade mas também pela Tramuntana, pelas praias de Cala D’Or, pelo Parque Natural de Mondragó, por Artá ou Es Trenc. O Porto é mais do que as fronteiras administrativas da cidade. Assim como Palma.

A pergunta que alguns fazem é “Mas porquê o Porto?”. Não é a cidade portuguesa mais visitada, essa é Lisboa. Nem é um destino de sol e praia como o Algarve. Pois não. Porém, é (era) um dos segredos mais bem guardados da Europa. E quanto mais conheço a Europa, mesmo sendo ainda pouco, muito pouco, menos me espanta que o Porto seja eleito por internautas de mais de 170 países – mesmo sabendo, tenhamos todos noção, que as campanhas internas de apelo ao voto certamente ajudaram muito a este resultado, sobretudo desta vez. E já agora, se me permitem um pequeno desvio, os parabéns a quem desenvolveu a referida campanha pois estava muito bem feita.

[Read more…]

7 de Fevereiro


Dia internacional dos Clash.

A máquina de fazer parvos

Ana Cristina Pereira Leonardo

A recente controvérsia a propósito da «linguagem inapropriada» de um livro incluído no Plano Nacional de Leitura, recomendado por professores de Português a alunos do 8º ano, veio recordar a falta que faz a inteligência. Ao escrever inteligência, refiro-me ao médico, pedopsiquiatra, psicanalista e educador João dos Santos, homem cuja sensibilidade, sustentada na firme aliança entre teoria e prática, jamais lhe permitiu abandonar a árvore a troco da floresta. As suas conversas com João Sousa Monteiro, reunidas no livro Se Não Sabe Porque É que Pergunta?, continuam a ser um manancial de sabedoria e encantamento e é nele que vem relatado este pitoresco episódio que versa precisamente sobre vida sexual. [Read more…]

Dos livros, das listas, das crianças

Gustave Doré, ilustração para «O Pequeno Polegar»

Gustave Doré, ilustração para «O Pequeno Polegar»

Continuam, ainda hoje, as variações sobre o livro do Valter Hugo Mãe. Parece que a Comissão de especialistas veio dizer que a selecção da obra foi um lapso. Pior a emenda que o soneto.

Pessoalmente, não sendo admirador da escrita do autor, acho toda esta história caricata. Na verdade, a obra consta de uma lista de centenas de livros de leitura não obrigatória, apenas sugerida, e foi atacada por argumentos surpreendentes, quando se lêem as várias listas propostas.

Pergunto-me mesmo – desculpem-me os “especialistas – se os seus autores leram os livros que recomendam e ainda mais me pergunto sobre que diabo de critérios alinham aquela salada sem sentido. Como declaração de interesses, aqui garanto que não saberia fazer uma tal lista nem, valha a verdade, lhe vejo qualquer valor. Quando muito saberia fazer uma curta lista de obras sem as quais “não sois nada neste mundo”, como no dito popular. Pessoal, claro, mas pela qual saberia responder. [Read more…]

Ao cuidado do Metropolitano de Lisboa

O Metropolitano de Lisboa decidiu homenagear José de Almada Negreiros, reproduzindo algumas das suas obras nos azulejos da Estação de Saldanha. Infelizmente cometeu falhas graves, que induzem em erro quem por lá passa.
A obra de Almada Negreiros que se reproduz na imagem que segue, tem como título O Ponto da Bauhütte, e não o que está erradamente indicado na Estação de Saldanha (A Porta da Harmonia):

16427710_1394102140663200_6886564945256282468_n

E este não é  O Ponto da Bahütte – que aliás não existe, pois é Bauhütte que se escreve -, mas sim  A Porta da Harmonia.

16473714_1394102023996545_4950557916590216106_n

 

Informação via Almada Negreiros 120 anos
Mais informação sobre a Bauhütte

Um exemplo de cidadania

Numa altura em que as questões de integração/segregação estão na ordem do dia, há quem, de forma discreta, esteja a promover o acesso à Cultura (teatro, museus, monumentos, espectáculos,etc).  Esse acesso é entendido, e bem, a três níveis, acesso físico, social e intelectual.

Estou a falar da Acesso Cultura (https://acessocultura.org) uma associação sem fins lucrativos de profissionais da cultura e de pessoas interessadas nas questões de acessibilidade (física, social e intelectual). Fazem um trabalho exemplar, tentando colocar as questões de acesso na ordem do dia. Maria Vlachou, uma das fundadoras, explica aqui o que fazem.

Muitos parabéns!

Purga

Madurinho como o vinho tinto. Saído do colectivo AVC, de Coimbra para dominar o mundo. Brother para todas as horas, para todas as lutas.

Das excelentes ideias

dresden-2

Já que aqui estou gostava de chamar a atenção para esta ideia do Instituto Goethe. O projecto intitulado House Call coloca 10 escritores Europeus em várias cidades Europeias de onde escrevem pequenas histórias, narrativas de viagem, pensamentos, anotações, tudo condensado num pequeno livro traduzido em seis línguas. O escritor português eleito  é Gonçalo M. Tavares, mas o projecto conta com a participação de quatro alemães, uma francesa, um espanhol, um belga, um italiano e um luxemburguês.

Quatro histórias já estão publicadas e podem ser lidas aqui. Vale a pena também ler o prefácio de Nicolas Ehler do Instituto Goethe em Nancy:

“No DEBATE PROLONGADO acerca da chamada crise europeia, tem-se referido repetidamente a necessidade de uma narrativa da Europa no seu conjunto: uma história que suscite o entusiasmo pelo projecto comum, que lhe confira uma forma convincente e uma identidade contemporânea”

Canções Históricas

 

1- Ah! Ça Ira (1790)

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le peuple en ce jour sans cesse répète,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Malgré les mutins tout réussira.
Nos ennemis confus en restent là
Et nous allons chanter « Alléluia ! »
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira
 

A Fatwa sobre Polanski ou as saudades que eu tenho do «Nobody Expects the Spanish Inquisition!»

Ana Cristina Pereira Leonardo

No meio da avalanche de notícias que têm tido Trump como hors d’oeuvre, entrée, main course e dessert – deixando de lado o chumbo doméstico da TSU e as bebidas – passou relativamente despercebida a renúncia de Roman Polanski a presidir à cerimónia de entrega dos César, o correspondente francês dos óscares de Hollywood. O cineasta havia sido escolhido pelos organizadores da cerimónia, que terá lugar em final de Fevereiro, mas o vendaval de indignados – e sobretudo, ao que parece, de indignadas – com a escolha teve como consequência que o mesmo acabasse por recusar o convite.

Polanski tem hoje 83 anos e quando tinha 43, em 1977, foi acusado de violar uma jovem modelo de 13, Samantha Geimer, então Samantha Gailey, crime pelo qual esteve 43 dias detido, saindo sob caução, após o que fugiu dos EUA onde tem até hoje a Justiça à perna e a cabeça a prémio, mesmo se Samantha Geimer há muito desistiu do processo (acordaria uma indemnização de 225 mil dólares com o cineasta, que acabou por reconhecer que não existira sexo consentido, e publica em 2013 o livro de memórias, The Girl: A Life in the Shadow of Roman Polanski, no qual não se coíbe de criticar a exploração do seu caso pelos meios de comunicação, juízes e advogados; na altura do lançamento queixou-se ao LA Times: «Não deviam poder tornar o que me aconteceu ainda pior, só porque é mais interessante. Fazem com que nos sintamos mal e sejamos uma vítima, de modo a poderem usar-nos como bem lhes aprouver»). [Read more…]

Scarfolk, o Diário da República e a suspensão dos factos

Minds have semantics. Programs are purely syntactical. The syntax of the program isn’t sufficient for the semantics. Therefore, the program is not a mind. It’s a very simple argument, I don’t know why it takes so much trouble to get people to understand it.

— John Searle

The government, together with local councils and public authorities, has scrapped the use of facts.

The Fact Ban (1976)

“Imaginary” universes are so much more beautiful than this stupidly constructed “real” one; and most of the finest products of an applied mathematician’s fancy must be rejected, as soon as they have been created, for the brutal but sufficient reason that they do not fit the facts.

G. H. Hardy (apud K. David Jackson, Adverse Genres in Fernando Pessoa, p. 9)

***

Hoje de manhã, ao reflectir acerca do melhor enquadramento para a ocorrência de hoje no sítio do costume, pensei em recorrer a José Maria Adrião e aos Retalhos de um Adagiário Nasceu em boa hora — diz-se de quem é ditoso e a sorte lhe corre bem», p. 50). Depois, admiti outras possiblilidades: o «“Fake news” is so yesterday. “Alternative facts” is where it’s at now», este excelente «it is a mistake to demand too strictly that new physical theories should fit some preconceived philosophical standard», do Weinberg, ou até a hipótese de Riemann confirmada pela teoria dos Factos Alternativos.

Contudo, felizmente, a história de Scarfolk, em boa hora aqui trazida pela Carla Romualdo, trocou-me as voltas.

Ao reparar neste cartaz, [Read more…]