Tiros de pólvora seca – uma explicação aos “activistas” das redes sociais sobre três L: Linguagem, Ligações e Luta

Fotografia: MAYO

Teve lugar, ontem, na Universidade do Minho, uma manifestação contra o assédio. Depois de várias queixas e denúncias sobre um alegado agressor no campus da U.Minho, centenas de alunos saíram à rua, muitos deles segurando cartazes que diziam “mexeu com 1 mexeu com todEs”. Obviamente, e porque vivemos na Era do Clique, a manifestação e a causa da mesma passaram para segundo plano porque, hoje, de parte a parte, o que interessa é aparecer numa fotografia de cartaz na mão com uma frase impactante, se fores de um lado, ou ir para as redes sociais balbuciar contra os manifestantes, se fores do outro. Já não interessa a luta, já não interessa a realidade. Interessa, sim, aparecer. E se para aparecer eu tiver de escrever “mexeu com todEs”, eu vou escrever, porque sou “bué” inclusivo, sigo a tendência, revolucionário e uma vez até respondi “já vou!” à minha mãe quando ela me chamou para a mesa.

Primeiro, temo ter de explicar, ainda, que os plurais das coisas já englobam vários géneros. Quando dizemos “estamos todOs” ou “estamos todAs” “aqui”, não estamos, em linguística, a discriminar ninguém; estamos, simplesmente, e mediante, muitas vezes, o género do inter-locutor (muitas vezes, até, do género que predomina nos receptores), a indicar que as pessoas estão reunidas naquele mesmo espaço, tanto quanto as que deveriam estar. [Read more…]

Omar Souleyman

Fotografia: Stuart Sevastos

O músico sírio Omar Souleyman foi detido na passada quarta-feira, na Turquia, por acusações de terrorismo.

Suspeito de ligações ao PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que defende a auto-determinação e a liberdade religiosa do povo Curdo, considerado “organização terrorista” pela Turquia, os Estados Unidos da América e a União Europeia, Omar acabou por ser libertado no passado dia 19 de Novembro.

O PKK, partido que se define como socialista, nacionalista curdo e marxista, trava, desde os anos 80, uma luta contra a Turquia pela auto-determinação do povo curdo, minoria étnica e religiosa, historicamente ostracizada pela maioria muçulmana na Turquia e noutros pontos do globo. A maioria dos seus componentes foram sujeitos à pena de morte, aquando do Golpe de Estado na Turquia em 1980, tendo outros conseguido fugir para a Síria, onde se radicalizou e aproveitou o florescer da Primavera Árabe e da Guerra do Iraque para marcar posição. [Read more…]

Paulina Chiziane (Prémio Camões 2021)

Nótula: Os meus agradecimentos ao meu colega Euclides Antônio Lazzarotto, por, parafraseando Chiziane, me ter dado a descobrir mais uma das maravilhas que esta língua tem. E ao José Mário Teixeira, por achar (e bem) que o Aventar é um lugar indicado para alojar esta pérola.

Crónicas do Rochedo 46: A Pantera Cor de Rosa nunca me enganou….

A infantilização dos adultos não é coisa nova. Recordo como se fosse hoje quando, nos idos de 90 do século passado, fui a uma reunião na Associação de Estudantes de Engenharia do Porto (FEUP) e o bar da dita estava cheia como um ovo com os marmanjos, futuros engenheiros, em silêncio a ver o “Dragon Ball Z” na televisão. Os mesmos marmanjos que na noite anterior estavam no Ribeirinha e no Academia a emborcar vodkas limão como se não houvesse amanhã entremeadas com umas ganzas e, alguns, a aspirar umas coisas pelas narinas. Nunca percebi o fascínio meio infantil pelo Dragon qualquer coisa Z…

Isto a propósito de hoje, em pleno “telediário” da RTVE24, o canal de notícias 24 da televisão pública espanhola, estar em destaque, como uma das cinco principais notícias a desenvolver no dito, o novo episódio do Super Homem (Marvel) em que o dito se assume como bissexual. Sim, no principal “telejornal” isto é notícia. O Super Homem é bissexual ou, como se diz no meu Porto, “dá para os dois lados”. Eu quando era miúdo sempre desconfiei que o Tio Patinhas era gay não assumido, que a Pantera Cor de Rosa era lésbica e que o Sapo Cocas sofria de violência doméstica. Era tudo deixado à imaginação de cada um. Agora não. É tudo explícito e politicamente correcto. Para o bem das criancinhas. Das criancinhas adultas. Pois as verdadeiras estão-se a cagar para isso.

Valha-nos Deus que isto está infestado de chalupas. O mundo está mesmo a ficar perigoso…

Memória Fotográfica IV: Magnum Photos Inc.

Há algum tempo que a rubrica Memória Fotográfica não tinha qualquer publicação. Mas, tal como prometido na última edição, está de volta para vos falar da Magnum Photos.

Logotipo da Magnum Photos

“A Magnum é uma comunidade do pensamento, uma qualidade humana partilhada, a curiosidade sobre o que acontece no mundo, o respeito pelo que se passa e o desejo de o transcrever visualmente.”

Henri Cartier-Bresson

Em 1947, depois de findada a II Guerra Mundial, é fundada a agência fotográfica Magnum Photos, pela mão de quatro fotógrafos pioneiros da fotografia como veículo noticioso e de informação. Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, David Seymour e George Rodger, fotógrafos francês, húngaro, polaco e inglês, respectivamente.

George Rodger, David Seymour, Robert Capa e Cartier-Bresson

Relacionada directamente com a história de vida e carreira dos seus fundadores, a cooperativa alberga centenas de fotógrafos de todo o mundo, sendo, provavelmente, a mais profícua agência fotográfica de todo o mundo. Fiel aos seus valores de fundação, mas a evoluir com o tempo e com os seus cooperantes, o trabalho da agência foca-se no retrato de um mundo centrado nas pessoas e na cultura enraizada, desafiando convenções, regras estabelecidas, e, com a maior transparência, propõe-se a transcrever uma fiel imagem do mundo. [Read more…]

11 de Setembro: recordar Allende

Salvador Allende, antigo presidente chileno, eleito pela via democrática, deposto por um golpe da extrema-direita.

Há quarenta e oito anos.

Neste dia, em 1973, o presidente chileno democraticamente eleito, Salvador Allende, foi assassinado por membros ligados aos Estados Unidos da América, com o suporte da CIA e das tropas liberal-fascistas comandadas por Augusto Pinochet.

Assassinado aos sessenta e cinco anos, Allende, médico de formação e social-democrata, acreditava no socialismo democrático como base da democracia chilena. Fica para a História por ter sido o primeiro socialista convicto eleito pela via democrática. A nacionalização dos sectores estratégicos, a reforma agrária e a subida dos salários foram, desde logo, as maiores bandeiras de Salvador Allende.

Depois do Golpe de Estado levado a cabo por Pinochet e pelos EUA, mais de trinta mil pessoas foram assassinadas, no Chile. Comunistas, socialistas, social-democratas; homossexuais, jornalistas e/ou mulheres, ninguém escapou ao regime liberal-fascista do ditador chileno, apoiado, mais tarde, por Ronald Reagan e Margaret Thatcher. [Read more…]

Parabéns, Zeca

Fotografia: DR.

92 anos de um Mestre.
Parabéns, pá! Fazes-nos cá muita falta.

«Daqui fala o monopólio
Daqui fala o capital
Diga cá senhor ministro
Quanto custa Portugal?»

A partida

Mariana Seabra da Silva

Hoje, dia vinte cinco de julho de dois mil e vinte e um, morreu um dos mais importantes capitães de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, deixando a dor da partida e a recordação dos seus feitos heroicos.

Numa noite longínqua, a vinte e quatro de Abril de mil novecentos e setenta e quatro, os militares portugueses que formavam o Movimento das Forças Armadas, arquitectado pelo artilheiro Otelo e outros camaradas, também capitães de Abril, invadem vários lugares estratégicos do país, como a Rádio Renascença e o Terreiro do Paço, dando lugar à missão mais importante das suas e das nossas vidas: a luta pela Liberdade, o derrube do regime salazarista e o fim da Guerra Colonial.

É inegável a importância das mentes que estiveram por detrás de um acontecimento tão marcante na vida de todos, não só daqueles que vivenciaram o regime Salazarista ‘in loco’ e a sua queda, como para mim que, só ouço falar na Revolução dos Cravos em documentários, filmes ou conversas de café com amigos, familiares e/ou desconhecidos. Reconheço a liberdade que tenho como resultado da luta contínua de pessoas como o Otelo, que não descansaram até eliminar o fascismo em Portugal, para que hoje, eu, todos e todas possamos falar sobre História e pensar como esta ainda nos afecta. O que fica na memória é a lembrança de alguém que contribuiu, de forma altruísta, para a libertação do povo português e dos povos colonizados.

Apesar dos erros que cometeste, o povo lembrar-te-á pela libertação que lhe trouxeste.

Agora, “Otelo, vencerás porque o povo vencerá”.  Obrigada por tamanha inspiração, Capitão. Até um dia.

Imagem: Centro de documentação 25 de Abril, Coimbra

O meu avô materno era de Fiscal

Todavia, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade de expressão equivocou-se. Efectivamente, Conselho Fiscal ≠ Conselho de Fiscal (aliás, Fiscal não é nem conselho, nem concelho, é freguesia). Penso eu *de que.

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Portugal: terra de capitalistas sem capital

«A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.»

Mia Couto

Fotografia de João Carlos Santos

«Is everybody in?

The ceremony is about to begin».

50 anos sem Jim Morrison

I’m the Lizard King. I can do anything.
Jim Morrison

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Pois é. E digo-vos mais: o nosso JJC jamais me perdoaria se me esquecesse deste dia. A sorte é que a minha querida esposa vê televisão, porque eu só me lembrava da data de nascimento (8 de Dezembro de 1943, seus ignorantes).

JJC, já agora, diz ao Jimbo que, amanhã, depois de comprado o arco para a guitarra na loja dos violinos (depois explico-te), vou buscar o livro dele à Waterstones cá do burgo.

Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images

Um grande abraço para ti e, já agora, outro para ele.

Parabéns, Chico Buarque

77 anos de um dos melhores. Parabéns, Chico! 

11 anos sem Saramago

José Saramago. O prémio Nobel da Literatura faleceu em 2010.

«Já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder. Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.»

José Saramago, 2007

Hank Schmidt in der Beek – Und Im Sommer Tu Ich Malen

Hank Schmidt in der Beek – o artista plástico alemão que vai até sítios com paisagens incríveis e pinta… o padrão das suas camisolas. As fotografias são do também alemão Fabian Schubert.

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E, já agora

José Saramago, 1990. Foto: Juan Guamy.


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago, ‘Cadernos de Lanzarote’, – Diário III – pág. 148, 1995

José Gomes Ferreira ou a ignorância atrevida

José Gomes Ferreira é director-adjunto de informação da SIC e comentador indignado de política económica. Publicou recentemente um livro intitulado Factos Escondidos da História de Portugal. O facto de ser uma figura pública fez com que desse várias entrevistas sobre o livro, o que é legítimo, como é legítimo que tenha escrito e diga disparates que estão ao nível da conversa de café, em que qualquer um, com a barriga encostada ao balcão, diz que sabe mais de História Medieval do que José Mattoso ou que tem lições a dar a Cristiano Ronaldo acerca do modo de marcar livres. [Read more…]

O choque, o horror, a surpresa… e a falta de mundividência

Os italianos Måneskin, feios, porcos e maus para a opinião pública, vencedores do festival Eurovisão 2021, com a canção ‘Zitti e Buoni’

O mundo descobriu esta semana, em choque, que os artistas, sejam elas da música, da pintura, da imagem ou da representação, se drogam à força toda. Não sei se o mundo parou nos últimos cem anos ou se, simplesmente, o mundo é todo crente em Estórias da Carochinha.

Do mal, o menos. Podia ter sido mais tarde, ou podia nunca ter sido. Foi em 2021 e é oficial, para quem esteve a dormir nas últimas décadas: os artistas drogam-se. O choque, o horror, a surpresa…

Um dia, quando esta poeira (a escolha da palavra é inocente) assentar sobre os artistas, chegaremos aos próximos impolutos que se drogam: trabalhadores da banca e da finança. Quem?! Como?! Não pode ser! Até usam gravata…

Quando estiverem preparados, iniciaremos o III Capítulo desta saga e chegaremos aos médicos. [Read more…]

V. Excias. estão equivocados? Não me parece.

Temos assistido aos pseudo arremessos do BE ao actual governo. Na área da Cultura a tónica tem sido na questão dos precários, nos apoios aos agentes culturais, e recentemente o estatuto dos trabalhadores da Cultura.

Não raras vezes é Ministério da Cultura para ali, Ministério da Cultura para acolá, e por aí adiante. Aliás basta ver o jornal Avante da SONAE, e por exemplo a voz do dono (Governo) neste artigo. Também noutras bandas é igual.

Enfim, a corte no seu melhor.

Mas voltando à questão, não existe Ministério da Cultura. Não no sentido irónico de dizer que esse eventual Ministério não actua, mas de facto não existe.

Desde 1974 até 1980 (6 anos) não houve nos sucessivos governos qualquer pasta governativa  dedicada à Cultura. A partir daí sempre houve Secretaria de Estado da Cultura  e/ou Ministério da Cultura. Com tudo o que isso implica. Em 2011, o Governo da troika extinguiu a pasta. Nesse governo não havia nem Ministério nem Secretaria de Estado. Havia um Secretário de Estado (Francisco José Viegas, e depois Jorge Barreto Xavier, ambos de triste memória). Na altura muita gente  usou o argumento de não haver Ministério. Mas referiam-se à Secretaria de Estado da Cultura, que não havia. Hoje, 2021, passados 10 anos, continua a não haver nem Ministério da Cultura , nem Secretaria Estado da Cultura. Temos uma Ministra e uma Secretária de Estado, mas ambas sem pasta, tal e qual como em 2011. Mas curiosamente o BE nada diz sobre a matéria. Aquilo que seria o exemplo de como o governo da troika tratava (mal) a cultura, não se aplica ao actual governo.

Percebo, e na minha terra esse comportamento tem um nome.

Memória Fotográfica III: Robert Capa

Tal como anunciado no final da edição anterior da rubrica Memória Fotográfica, falaremos, desta vez, do foto-jornalista Robert Capa.

Endre Erno Friedmann, mais conhecido como Robert Capa

Nascido Endre Erno Friedmann, Robert Capa (22 de Outubro de 1923, Budapeste – 25 de Maio de 1954, Thai-Binh) foi um fotógrafo húngaro do século XX. Endre celebrizou-se como um dos melhores fotógrafos de guerra do século XX, tendo feito a cobertura de vários conflitos armados da primeira metade do mesmo século, tais como a II Guerra Mundial ou a Guerra Civil Espanhola.

Robert Capa / London Express

Durante os anos da sua formação, o jovem Endre descobre-se atraído pelos ideais de índole marxista, considerando-se socialista e, acima de tudo, anti-fascista. Perseguido pela polícia política acaba exilado em Berlim, onde completa os seus estudos e se aproxima da actividade jornalística. Em 1931, inicia a sua carreira foto-jornalística. Trabalha para a agência alemã Dephot, antes de se refugiar em Viena, na Áustria e, a seguir, em Paris, na França. É neste ano que fotografa Leon Trótski, intelectual marxista e revolucionário bolchevique que, após a morte de Vladimir Lenin, se opôs a Josef Stalin, num congresso em Copenhaga, na Dinamarca. [Read more…]

Memória Fotográfica II: Lisboa – Cidade triste e alegre, as influências: Edward Steichen, William Klein e Robert Frank

Na sequência do texto anterior da rubrica Memória Fotográfica, abordaremos, desta feita, as influências estrangeiras da obra portuguesa Lisboa – Cidade triste e alegre, de Victor Palla e Costa Martins.

Na última edição, foi dito que a obra que retrata a Lisboa das décadas de 50 e 60 do século XX é percursora de uma nova forma de fotografar as cidades e quem nelas habita, sobretudo devido à influência de três autores: Edward Steichen, William Klein e Robert Frank. E as suas obras: The Family of ManNew York e Les Americains, por ordem de enunciação.

Comecemos, então, por falar de Edward Steichen e da obra The Family of Man.

The Family of Man, de Edward Steichen, 1955

Edward Steichen nasceu no Luxemburgo no ano de 1879 e foi um fotógrafo de relevo na primeira metade do século XX. Imigra, com apenas um ano de idade, com os seus pais, para os Estados Unidos da América, onde, aos vinte anos, começa a desenvolver o interesse pela arte fotográfica. [Read more…]

Memória Fotográfica I: Lisboa – Cidade triste e alegre

Lisboa – Cidade Triste e Alegre, edições Círculo do Livro, 1959

“Um livro que é um poema, ou uma história de Lisboa que é uma fotografia da cidade (…)”
(in Público, Joana Amaral Cardoso 12 de Abril de 2018)

Em 1959, por iniciativa e trabalho da dupla de arquitectos Victor Palla e Costa Martins, é publicado, pela primeira vez em Portugal, o livro fotográfico Lisboa – Cidade Triste e Alegre.

“O livro reúne cerca de 200 fotografias, que os autores paginaram em estreita relação com excertos de poesia da autoria de Fernando Pessoa (et Álvaro de Campos, Ricardo Reis), António Botto, Almada Negreiros, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Alberto de Serpa, Cesário Verde, Gil Vicente, e inéditos de Eugénio de Andrade, David Mourão-Ferreira, Alexandre O’Neill, Jorge de Sena, entre outros nomes da cena literária portuguesa de então, com destaque ainda para o texto de abertura de José Rodrigues Miguéis.” (Círculo do Livro, Lisboa – Cidade Triste e Alegre, 1959). Em 2006, após a morte de Victor Palla, o livro foi re-editado. [Read more…]

Jesus não foi o Salvador

Esperava-se o Messias, Aquele enviado de Deus que nos viria salvar. Poucos judeus acreditaram em Jesus, muitos continuaram e continuam à espera do Salvador, outros abraçariam mais tarde o profeta Maomé.
O que estava em causa? A imortalidade, claro, não do visível que se via a apodrecer, mas do invisível, a alma, noutro ou sem corpo, que o original ficava na terra-Mãe a cumprir o seu papel de adubar a terra para aos vindouros.
Jesus foi homem como nós, sem o prodígio de salvar a alma fosse de quem fosse, para além da morte terrena. Não tratou de salvar almas, nenhuma que haja relato ou notícia, mas curou de, pela Palavra, mostrar o caminho ético, moral, de uma vida de solidariedade comungada com todos sem qualquer exclusão.

Titian – Christ Carrying the Cross (cerca de 1560)

Para aqueles que sonhavam com uma unção que os salvasse permanentemente do pecado e lhes garantisse presença junto do Pai, Jesus deu [Read more…]

Abril – mês internacional da Arquitetura Paisagista

Central Park, Nova Iorque

Uma simbiose onde são combinadas em harmonia ciências naturais, sociais e artísticas, são diversos os ramos que definem esta complexa e completa área que é a Arquitetura Paisagista. Muito sustentada na componente vegetal, este é o principal traço que a distingue da Arquitetura que conhecemos. Não é possível falar nesta área sem saltar rapidamente à memória 3 grandes nomes: Frederick Law Olmsted (criador do Central Park, em Nova Iorque), Gonçalo Ribeiro Telles (pai da Arquitetura Paisagista em Portugal) e Francisco Caldeira Cabral (considerado o pai do ensino da Aquitetura Paisagista).

Segundo Caldeira Cabral, esta é uma ‘arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem‘ – os arquitetos paisagistas desenvolvem capacidades para planear e projetar paisagens ecológica, social e economicamente sustentáveis, com vista à promoção da qualidade de vida das comunidades humanas, da qualidade do meio ambiente e da biodiversidade. [Read more…]

Em revisão: A Passage to India, E.M Forster

 

O livro (e o filme) colocam uma pretensa pergunta: o que aconteceu nas grutas de Marabar?

Publicado em 1924, nos últimos suspiros do Império britânico, e adaptado ao cinema por David Lean em 1984, A Passage to India expõe as fissuras e injustiças na sociedade colonial. Um jovem médico indiano é acusado de violar uma inglesa, branca, nas grutas de Marabar. O caso divide a sociedade entre os britânicos que acham que este crime é típico dos indianos e os indianos que vêem em Aziz mais uma vítima do preconceito e arbitrariedade colonial. Só um britânico defende Aziz: Cyril Fielding, um professor de liceu que, afastado da sua comunidade pelas visões pouco convencionais relativamente aos indianos, é agora completamente posto de parte em virtude da sua amizade com suposto violador.

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Em 30 de Março de 2009, este era o filme mais visto

via https://playback.fm/birthday-movie

Em 30 de Março de 2009, este era o livro mais lido


via https://playback.fm/birthday-movie

Em 30 de Março de 2009, esta era a música mais ouvida

via https://playback.fm/birthday-song

Hoje, lembrei-me do “agora facto é igual a fato (de roupa)”

Assunto a retomar num Sons do Aventar, onde, como se sabe, aventamos sons.

U2 Live at Red Rocks – The Virtual Tour 2021

Os U2 são os U2 por muitas coisas. Este concerto nas Red Rocks em 1983 é uma dessas. E agora, graças à pandemia, os U2 colocaram o concerto no youtube. Para recordar. Ou para descobrir. Ou então para os mais novos saberem que nos idos de 80 as suas mães eram umas grandes malucas que, como se pode assistir neste vídeo, invadiam os palcos dos concertos e tudo. Ide ver que é de borla.