Axel Voss, o hipócrita

O eurodeputado acérrimo defensor da entretanto chumbada lei sobre direitos de autor, Axel Voss, usou ao longo dos últimos 2 anos fotos com direitos de autor para ilustrar os seus posts no Facebook e no Twitter.

Questionado diversas vezes por um jornalista do Buzzfeed (tradução automática pelo Google Translate) sobre se tinha comprado o direito de usar essas fotos, nunca deu uma resposta directa, antes se esquivando em respostas evasivas.

Numa dessas respostas, o seu gabinete informou que “até à data, não temos conhecimento de nenhuma violação de direitos de autor”. No entanto, as imagens em causa pertencem a bancos de dados de imagens, tais como Adobe Stock, iStockPhoto, etc., cada uma delas com preço de venda entre os 9 e os 29 euros. Usou também cartoons do New York Times, entre outros. Não é preciso ser-se um génio para se perceber que são imagens com direitos de autor.

Perante a insistência do jornalista para saber se Voss tem o recibo da compra, a resposta foi novamente vaga, dizendo que não disponibilizam recibos a terceiros, mas que removeriam imagens com direito de autor com base no procedimento de “notificação e remoção”. Acontece que este procedimento é aplicável a ISP (Internet Service Providers) e não a utilizadores individuais.

Face à ausência de uma resposta simples, sim ou não, torna-se claro que Voss utilizou as imagens em causa sem ter adquirido o direito de uso. E a suspeita torna-se mais forte quando, passados uns dias, os posts em causa formam removidos sem explicação alguma. Como quem tenta passar despercebido.

Claramente, Alex Voss, o hipócrita, que anda há anos a pretender que defende os direitos de autor, foi o principal impulsionador de uma lei que iria alterar profundamente a forma como usamos a Internet e, no entanto, não se dá ao trabalho de respeitar esses mesmos direitos de autor.

Já agora, para o próximo capítulo, Marinho e Pinto é detentor dos direitos de autor das imagens usadas no seu site? Como por exemplo desta, que é capa de um livro. E de todas as que têm o nome do ficheiro do género “Captura-de-ecrã-aaaa-mm-dd”, sendo “aaaa-mm-dd” uma data. A captura de ecrã deve ser uma forma nova para usar imagens com direitos de autor.

Lembrem-se quando forem votar

“Foi pirateado. Isso só demonstra que há necessidade de haver controlo na Internet” A. Marinho e Pinto.

O advogado parece não saber que há uma lei geral em vigor.

Neste caso concreto, deixou o caderno de notas aberto no jardim da cidade e houve que lá fosse deixar escrito quanto apreço nutre por este sujeito. É a vida.

Daí até extrapolar para a necessidade de “controlar” vai um grande passo. Podia ter referido que quem fez isto, que não foi a “Internet” nem a generalidade de quem a usa, agiu mal. Podia ter aproveitado até para apelar à elevação. Mas não. Sacou do tiquezinho de pequeno ditador, até como explicação lateral para o seu voto que nada teve a ver com isto, e decretou que é preciso controlar a Internet. A seguir, controlam-se os muros, os jornais e o melhor mesmo é fechar as tipografias, não se vá dar o caso de alguém se lembrar de imprimir panfletos.

“A Internet está ocupada por hordas de mujiques e enquadrados por legiões de técnofilos.” A. Marinho e Pinto

Eis a elevação do político, e bem informado, como se percebe.

“O que digo a essas pessoas é que as minhas convicções políticas nunca estiveram em leilão político, nem estarão seja qual for o número de votos que possa ter.” A. Marinho e Pinto

Duvido que este acto de gozo com a nabice do eurodeputado fosse alguma tentativa de o levar a vender o voto. Por outro lado, mais parece ter sido a expressão, mesmo que rude, daqueles que o político não quis ouvir. Sim, este foi um dos representantes dos portugueses junto do Parlamento Europeu que tomaram posição sem se dignar ouvir os seus representados. O próprio Marinho e Pinto o afirmou: não leu nem ia ler os argumentos daqueles que se opuseram à polémica lei entretanto chumbada.

Quanto ao tweet inicial do Viagra, o que há mais são boots a explorar vulnerabilidades como esta. Foi a falta de uso dessa conta por parte do seu dono e da subsequente mediatização do caso que lhe inundou o sítio. Mas se o ego ficar mais elevado por se achar vítima de perseguição, siga então.

Não é preciso leiloar o seu voto, senhor eurodeputado. Basta que se tivesse informado para votar de forma esclarecida.

Mas é bom que se fale de votos. Esta gente não surge do nada. Lembrem-se disto quando forem votar mas próximas europeias.

Censura na UE chumbada, novamente

Boas notícias para os europeus e para todos os utilizadores da Internet, no geral. A polémica proposta da máquina de censura europeia e de taxamento dos links foi chumbada.

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Tempo de agir novamente – salvar a Internet

(clicar para aumentar)

Links da imagem (infelizmente, não há versões em português):

Cada um que faça o seu papel. Depois não se queixem do que perderam.

Botões de partilha nas redes sociais

O Aventar deixou de usar há algumas semanas os botões padrão para partilha de artigos no Facebook e no Twitter. A razão desta opção não é nova e até já é conhecida há muito. Estes botões adicionam código ao Aventar (e a todos os sitios que os usem, na verdade) que permitem ao Facebook e Twitter saberem o que é que os nossos leitores fazem no blog. Inclusivamente para não utilizadores destes serviços, há recolha de informação que é usada para alimentar perfis sem nome atribuído.

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Branquear o erro com um adjectivo

«“tecnologias efectivas de reconhecimento” para barrar conteúdo pirateado» – Não, todo o conteúdo será sujeito à censura prévia e ao arbítrio.

Entretanto os novos inquisidores ganharam a primeira batalha, mas a guerra ainda não terminou

A Comissão dos Assuntos Jurídicos do Parlamento Europeu votou favoravelmente a censura dos tempos modernos, entre outros absurdos.

There was heavy resistance to the contested articles from internet activists, lobbyists, and members of European Parliament (MEPs), but all was for nought and the articles passed with a 13:12 and 15:10 majority.

Parabéns aos novos inquisidores, que têm nomes e que serão explicitados em breve. Para o ano que vem haverá eleições europeias.

The Copyright Reform and its impact on our internet is an important issue, so hopefully it will be brought before the representatives of all European citizens.

What you can do to make that happen is to contact your MEP and make your voice heard. You can find a full list of MEPs here and tips on grabbing your MEP’s attention here and here.

As citações são de um artigo da TNW.

Comunicação social muda em causa própria

Será que a perspectiva (ilusória) de facturar alguma coisa com a proposta taxa sobre os links emudeceu a comunicação social para a mais grave proposta sobre censura na Internet?

Uma pesquisa realizada hoje às 8:00 só mostrou artigos em publicações ligadas à tecnologia e, também, no DN e no Dinheiro Vivo.

Sem surpresa, a SPA apoia a censura. Na verdade, esta associação apoia tudo o que lhe possa trazer proveitos, seja ou não moralmente aceitável.

Agora vou passar pelos sítios liberais do burgo para observar se, finalmente, se insurgiram contra esta obscenidade europeia.

Ler também:

Nova lei dos direitos de autor já está a fazer vítimas.

A Frente Nacional francesa, apoiante da nova directiva de direitos de autor da UE, foi uma das primeiras vítimas dessa mesma lei.

Mas o partido francês não está sozinho, o canal do OpenCourseWare do MIT e da Blender Foundation também foram removidos.

A ironia tem destas coisas. Os fachos franceses sucumbiram às sua própria estupidez, passe o pleonasmo.

A desastrosa Reforma do Copyright da UE, explicada pelos seus amantes e inimigos

Lamento que grande parte do post esteja em inglês, mas a nossa comunicação social anda a dormir e pouco ou nada tem produzido sobre este assunto. E a mim, falta-me tempo para traduzir ou escrever um artigo completo.

Em baixo, deixo o mais completo e esclarecedor artigo sobre a problemática em causa.

Transcrevo algumas partes e recomendo a leitura completa do texto. Quem tiver dificuldade no inglês, pode tentar a tradução automática.

Não acredito que o eurodeputado português António Marinho e Pinto aqui venha ler este texto, especialmente quando nem sequer leu o que os gurus da Internet escreveram, mas aqui fica um apelo e uma pergunta. Informe-se, senhor eurodeputado, e vote contra este absurdo. E com que direito se acha, o senhor e os restantes eurodeputados, para votar uma matéria desta natureza sem ouvir aqueles que representa?

Por fim, o título do post e as imagens são do artigo citado, o que vai um pouco além do uso aceitável para citações permitido pela actual lei (e que a nova lei que a UE quer aprovar deixará de permitir). Mas é por uma boa causa e espero que o autor não se chateie.

Já agora, divulgue. Cidadãos esclarecidos tomam melhores decisões e, pelo seu voto, têm actualmente a única forma de pressionar os políticos.

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António Marinho e Pinto já decidiu e vai votar a favor da censura!

António Marinho e Pinto já decidiu e vai mesmo votar a favor. O ex-bastonário da Ordem dos Advogados não se lembrava, quando falámos com ele por telefone na sexta-feira, que esta semana iria ter a votação da nova diretiva e admitiu que não viu nenhuma das cartas abertas que têm sido divulgadas. Apesar disso não tem dúvidas em como vai votar: “vou aprovar a nova diretiva, claro!”
“Não estão em causa direitos relevantes dos utilizadores. Esta é uma diretiva para cortar os abusos das grandes empresas americanas (e outras) que ganham milhões à custa dos autores e jornais europeus”, explicou ao DN Marinho e Pinto. [Dinheiro Vivo, 19/06/2018]

Repare-se na preciosidade: o eurodeputado assume que não leu o que pessoas chave do processo de construção da Internet disseram sobre o assunto (ver nomes no post anterior). Mais, ao declarar que é uma directiva para “cortar os abusos das grandes empresas americanas (e outras)” percebe-se que nem sequer sabe o que é que vai votar, já que a UE pretende instaurar um processo de censura automática. Contrariamente ao que afirma Marinho e Pinto, estão em causa direitos, não só “relevantes” mas também fundamentais, dos utilizadores.

Informe-se melhor, senhor deputado, e repense o seu sentido de voto.
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A UE prepara censura automática na Internet e taxa sobre os links – contacte António Marinho e Pinto para impedir este absurdo!

Enquanto a mais recente proposta de direitos de autor na UE chega a uma votação crítica no dia 20 de Junho – próxima quarta-feira, mais de 70 dinossauros da Internet e da computação manifestaram-se contra uma cláusula perigosa, o Artigo 13, que exigirá que as plataformas da Internet filtrem automaticamente o conteúdo carregado. O grupo, que inclui o pioneiro da Internet Vint Cerf, o inventor da World Wide Web Tim Berners-Lee, o co-fundador da Wikipedia Jimmy Wales, o co-fundador do Projecto Mozilla Mitchell Baker, o fundador do Internet Archive Brewster Kahle, o especialista em criptografia Bruce Schneier, e o especialista em neutralidade de rede Tim Wu, escreveram em uma carta conjunta que foi divulgada há dias:

Ao exigir que as plataformas da Internet executem a filtragem automática de todo o conteúdo que os seus utilizadores carreguem, o Artigo 13 dá um passo sem precedentes para a transformação da Internet, de uma plataforma aberta para partilha e inovação, numa ferramenta para a vigilância e controlo automatizados de seus sites.

(Texto supra adaptado daqui)

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As bolachinas e o resto

Com a entrada em vigor so RGPD várias coisas mudaram nos sítios que costumamos visitar e uma delas é precisarmos de voltar a aceitar as cookies. Desmitificando, as bolachinhas (cookies) são ficheiros que os sítios que visitamos guardam no nosso computador por intermédio do browser. Estes ficheiros permitem saber quem é quem no momento de aceder ao servidor do sítio e, para muitas funcionalidades, são uma parte que garante o respectivo funcionamento. Dado que estes ficheiros são controlados pelo próprio sítio que estamos a visitar, este pode guardar lá o que bem entender, sendo comum guardar informação que vai para além do funcionamento mínimo do sítio. Esta informação pode, até, ser partilhada com outros sítios. Esta é a razão de, por exemplo, alguém pesquisar por discos rígidos num sítio e depois ver publicidade a estes equipamentos noutro sítio.

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Yanny ou Laurel: o debate

Hickey: I’m a bit tired and sleepy but otherwise I feel great.

— Eugene O’Neill, “The Iceman Cometh

About that time, Charles Bally, one of Saussure’s most eminent students and a co-editor of the Course (together with Albert Sechehaye), was the first to probe explicitly into the sign character of intonation. For him, intonation is the natural expression of modality: “c’est elle qui permet de percevoir si ‘Vous me suivrez’ est une constatation, une interrogation ou un ordre” (Bally 1950: 42). The situation provides signs which always bear the imprint of reality: they are all actual (‘actuels’).

— Vladimir Phillipov

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Fonte: The Herald (https://bit.ly/2wTiw72)

Yanny ou Laurel? Como se diz em Linguística, depende. Neste caso, segundo Patricia Keating, David Alais e este vídeo, talvez da idade. Valerie Hazan explica ainda melhor. É a percepção (área muito problemática).

Nótula: Entre viagens, palestras e uma data de trabalho quando regressar a Bruxelas, ando e andarei sem tempo para ler o Diário da República, as notícias da comunicação social portuguesa e as preciosas nótulas dos leitores, em especial, as do extraordinário e excelente leitor do costume. Com mais calma, voltarei às necessárias actualizações sobre o ponto da situação ortográfica. Até breve.

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Tiro nos pés

Os bloqueios ditados por Trump poderão ser, para não dizer que irão ser, um forte impulso no sentido contrário àquele supostamente apontado pelo slogan da candidatura de Trump à presidência, Make America Great Again.

Veja-se o caso ZTE e Huawei, dois fabricantes de telemóveis com restrições de comercialização nos EUA. Antes destas, a ZTE era o quinto maior fabricante mundial de telemóveis e a Huawei tinha forte possibilidades de chegar a número um, especialmente com os modelos P10 e, agora, P20 Pro, este último com a câmara fotográfica mais avançada da actualidade, a qual já ganhou o prémio TIPA de melhor smartphone fotográfico*.

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Facebook

O fundador do Facebook teve hoje uma audição perante o congresso dos EUA. Ouvi boa parte e posso afirmar que foi interessante. Por um lado, ficou claro para mim que as nossas audiências parlamentares são uma miséria, realizadas por deputados geralmente mal preparados, cheias de salamaleques e das quais nada resulta. Nesta audiência, houve questões duras e Zuckerberg ocorreu em várias mentiras. Por exemplo, afirmou que o Facebook apaga os dados dos utilizadores quando estes apagam a conta, que o Facebook não vende os dados dos utilizadores e que os dispositivos móveis não recolhem dados indevidos dos utilizadores (p. ex. registo das chamadas telefónicas), o que não é verdade. Vamos ver no que daqui resulta.

Por outro lado, foi possível constatar, novamente, que Mark Zuckerberg não passa de um puto que fundou uma empresa para se meter com as miúdas, facto que o tornou multi-milionário. Concretamente, todo o seu discurso maniqueísta, os pedidos de desculpas e as mentiras (que serão agora, possivelmente, usadas contra o Facebook) revelam a personalidade de alguém impreparado para ter o dedo no gatilho de uma arma destas.

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Com a Saúde das pessoas não se brinca nem se faz demagogia

Suscita necessária e compreensível preocupação o facto de, em menos de 24 horas, a informação veiculada sobre o problema do Sarampo ter oscilado entre posições totalmente antagónicas assumidas pela Direcção-Geral de Saúde.

Se existe assunto cujo tratamento informativo exige inatacável credibilidade, quer pelo grau de apreensão susceptível de causar entre a população, quer por tratar-se, sem necessidade de explicar porquê, de um patamar básico da relação de confiança que tem que existir entre o cidadão e as instituições do Estado, esse assunto é a Saúde.

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A brief history of Hawking: he was brilliant. 

As descobertas que o tornaram famoso. 

[foto

Os dias úteis

a mind for ever
Voyaging through strange seas of Thought, alone.

— Wordsworth (citado por Dawkins, no dia em que perdemos Hawking)

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Felizmente, todos os dias são dias de Poesia e de Ciência. Isso é óptimo. Todavia, os dias úteis trazem-nos o Diário da República.

Peço imensa desculpa por este aparte, a prometida e necessária interrupção continua dentro de momentos. Siga.

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Sobre a classificação de posts e comentários

Houve uma operação inesperada que alterou algumas configurações do Aventar. Estamos progressivamente a repor as funcionalidades, mas algumas não ficarão no estado anterior a este incidente. Uma delas é as votações dos posts e comentários (polegares para cima e para baixo), que se perderam, estando agora a zeros. Lamentamos o inconveniente, mas são ossos ofício.

Actualização: Foi possível repor os votos dos polegarezinhos.

Amazon Go

Eis quando as cookies do browser se cruzam com as cookies do supermercado. Em múltiplos sentidos.

Imagem: CNBC

A Amazon estreou um conceito de supermercado sem caixas registadoras. É o sonho húmido dos grandes grossistas: aumentar a margem de lucro graças a menos despesas com pessoal.

Entretanto, a coisa ainda tem um longo caminho a percorrer, como se constata pelos diversos relatos por aí fora. Por exemplo, o sujeito da imagem seguinte conseguiu roubar pensos higiénicos. Parece que muitos se indignaram devido a esta atitude, sem que, no entanto, alguém reparasse na particularidade destes produtos estarem ao lado das especiarias. [Read more…]

Clima: do negacionismo a Trump

Publicado no Esquerda.net

Dados National Centers for Environmental Information

O ano 2017 foi o quinto mais quente desde que se regista a temperatura global. O mais quente foi o ano de 2015, seguido de 2013, de 2010 e de 2004. Durante os 10 anos precedentes, em 7 destes registaram-se temperaturas médias globais que os colocam no top ten dos anos mais quentes (ver figura). O mês de dezembro de 2017 foi o 396.º mês consecutivo cuja temperatura média foi superior à média de temperaturas registadas durante o século XX. Obviamente, a temperatura global está sempre sujeita a oscilações à escala anual. A este período de acentuado aquecimento, poderá seguir-se um período de temperaturas globais mais baixas. No entanto, à escala de décadas, a tendência da evolução da temperatura global não engana. Nas últimas quatro décadas registou-se um período de acentuada subida da temperatura média global.

Durante anos assistimos a discursos em que se negava o aquecimento global pelas mais variadas razões. Em 2008, João Corte-Real, professor catedrático da Universidade de Évora acusava os modelos de simulação do clima de estarem a “ser forçados para aquecer”. Na mesma altura, Delgado Domingos, professor catedrático do IST, assegurava que a temperatura não subia desde 1998 e que os cientistas não conseguiam explicar a descida de temperatura da Terra… Outros produziam discursos mais enviesados pela fé no ultra-liberalismo. Em 2014, Alexandre Homem Cristo garantia no Observador que “o aquecimento global estagnou” que se tratava de “uma derrota política da corrente ideológica que usou a ciência para legitimar o seu radicalismo contra o capitalismo”. Ainda em 2014, Henrique Raposo ia mais longe e afirmava no Expresso que o “aquecimento global está parado desde 2000”. O deputado do PCP Miguel Tiago, ilustrando o desnorte da CDU sobre questões ambientais, apoiava no Avante o discurso negacionista. [Read more…]

O Jornal de Notícias apanhado no acto

As noted by e.g. Poutsma, rather few prepositions “… exhibit no clear trace of having been formed from other words…”.

— Arne Olofsson, “A participle caught in the act. On the prepositional use of following

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A ausência de notícias acerca dos contatos e fatos no Diário da República não se deve à inexistência de contatos e fatos no sítio do costume: deve-se apenas a tarefas que me têm impedido de apresentar a sempre desagradável actualização do ponto da situação.

Quanto ao sítio do costume, voltaremos a falar em Janeiro de 2018.

Por ora, recordo que, actualmente, tudo continua, de facto, como dantes

e que 2018 – 2012 é muito, muito tempo, não é = 10, mas é = 6.

Por seu turno, o Jornal de Notícias  foi apanhado no acto. [Read more…]

O Ministério da Ciência das Boas Intenções

(Publicado no Esquerda.net)

Se há ciência neste ministério, é a ciência das boas intenções. É a ciência de gerar elevadas expectativas de mudança, de recuperação da dignidade e da justiça laboral entre os investigadores, mas que na realidade não tem correspondência na prática governativa. Após a tomada de posse, o Ministro Manuel Heitor pautou os primeiros meses por declarações de rutura com as políticas de Nuno Crato. A transição das bolsas de posdoc para contratos, a luta contra a precariedade e a contratação de 1000 doutores até ao final de 2016, foram algumas das variadas declarações que geraram enormes expectativas entre bolseiros, investigadores e centros de investigação.
Dois anos volvidos, apenas um reduzido número de concursos individuais foi aberto ao abrigo do regime transitório. Atualmente, o ensino superior e a ciência comportam mais de 14 mil trabalhadores precários. Pior, os bolseiros, investigadores e professores convidados não foram incluídos no Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. Persiste o impasse na abertura de concursos para dar cumprimento à norma transitória (artigo 23.º) do diploma que entrou em vigor em 1 de setembro de 2016, temperado por um clima de passa-culpas entre reitores e ministério. Os reitores queixam-se de o ministério exigir mais contratações para a mesma ou inferior dotação orçamental. O ministério acusa as universidades e os centros de má vontade em contratar novos investigadores. Como ambas as partes têm parcialmente razão, cruzam os braços e quem paga o impasse são os investigadores e todo o sistema científico. Este impasse afeta dramaticamente os bolseiros e as respetivas famílias que continuam a aguardar a abertura de concursos. Para muitos, as bolsas anteriores findaram e os meios de subsistência aproximam-se do fim. [Read more…]

Outra vez os drones

Uns vão directos ao mar, mas dão de comer a muito boa boyzada gente. Outros há que azucrinam a vida das pessoas em sítios onde não deviam estar, tipo aeroportos, como este imbecil e outros antes dele. Um dia pode correr mal. E os drones, neste planeta cada vez mais orwelliano, tendem a crescer e a multiplicar-se.

Sim, eu sei que eles servem para outras coisas. Para boas filmagens aéreas, para entregar comida a idosos em isolamento. Mas isso é tudo muito bonito até que um bicho destes nos apanha com as calças na mão. A chantagem tem um futuro risonho pela frente. Como se já não bastasse termos entregue a nossa privacidade de mão beijada ao Facebook e da Google.

Foto via BBC

Como ouvir YouTube no Android em segundo plano

Este post foge aos temas habituais do Aventar, excepto se considerarmos que políticas de utilização de software também são Política. O que até é o caso, como veremos.

O problema
Quem use a app do YouTube cedo descobrirá que o vídeo que esteja a tocar parará logo que esta deixa de estar em primeiro plano ou se se bloquear o ecrã. O mesmo ocorrerá com vídeos a serem reproduzidos no browser (na maioria destes, como veremos). Quem concebeu este comportamento talvez tenha querido proteger o utilizador de apps mal comportadas em termos de consumo de energia – daí as suspender ao deixarem de estar em primeiro plano.

Mas não é disso que se trata no caso do YouTube. Os termos de utilização deste serviço explicitam que o acesso aos seus vídeos, seja pela app oficial, seja por outros serviços, têm que parar a execução do vídeo sempre que a app deixa de estar em primeiro plano ou se o ecrã for desligado.

No entanto, quando os vídeos são tocados num computador, essa limitação já não é imposta, o que se perfila como sendo uma dualidade de critérios. [Read more…]

Vacinas e fascismo social

O CDS acaba de apresentar na Assembleia da República um projecto de resolução que visa impedir o acesso ao Ensino, desde o pré-escolar à Universidade, a todos os cidadãos que não comprovarem “ter a vacinação recomendada pelo Programa Nacional de Vacinação em dia”. Os vinte casos de Sarampo com que se espalhou o medo, esse sim, epidémico, foram as Pancadas de Moliére.

Aguarda-se que a próxima iniciativa legislativa seja a de propor que a DGS faça a recolha de amostras de ADN de toda a população, com carácter obrigatório e compulsório, identificando aqueles que carregam nos seus genes os sinais de doença hereditária, impondo-lhes a esterilização imediata, sob ameaça de castração. Ficará praticamente assegurada a imunidade de grupo a doenças como a Hipertensão Arterial, a Doença de Alzheimer, a Diabetes, vário tipos de Cancro, a Obesidade, a Trissomia 21, a Fibrose Cística, a Hemofilia ou a Hemocromatose, entre outros males. Bem-vindos ao Fascismo Social.

Vacinas: direito à segurança e à informação

A comunicação social, tal como as próprias instituições do Estado, entre as quais o Ministério da Saúde e a DGS, têm prestado um mau serviço ao país e à sua população na polémica questão das Vacinas. Através da manipulação de factos, ocultação da verdade e sonegação de informação vital ao esclarecimento de todos, foram lançados a confusão e o medo na opinião pública, com o propósito de iniciar uma discussão sobre a obrigatoriedade compulsória das vacinas e facilitar a sua implementação. Não é a primeira vez que tal acontece, estando ainda na memória de muitos o gigantesco logro que foi a falsa epidemia de Gripe A, uma campanha inventada que custou milhões de euros ao país, em vacinas que ninguém tomou.

Robert de Niro

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Os três pasteurzinhos

Não subestimemos o valor da lição oferecida por esta rara sincronia e olhemo-la com distância crítica, objectividade céptica e profundidade meditativa: o Estado que, na tão polémica questão das vacinas, clama pela infalibilidade da Ciência Positiva, é o mesmo que fecha escolas e oferece “tolerância de ponto” para que em sossego e comunhão de fé se festeje o Milagre dos Pastorinhos.

Resting case.

Prós e Contras das Vacinas

Um dos cientistas participantes do último Prós e Contras da RTP sobre a questão das vacinas, é financiado pela fundação de Bill Gates.

A actual discussão pública em torno da questão das vacinas revelou, mais uma vez, algumas características muito peculiares desta sociedade “democrática”, nascida com o 25 de Abril de 1974. Se durante a Ditadura havia dogmas indiscutíveis, como Deus ou a Pátria, a Democracia trouxe-nos o ar fresco de outros dogmas indiscutíveis. Não falemos da “Crise Permanente”, nem da “Dívida Eterna”. Atentemos, por ora, na absoluta e inviolável segurança científica das vacinas e na infalibilidade da Ciência, coisas da ordem do dia.

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O Método Científico

Nos últimos oito dias, o Instituto Doutor Ricardo Jorge registou apenas um caso [de Sarampo] confirmado novo. O que significa que a mensagem que nós procurámos passar aos portugueses e às famílias de que vale a pena confiar no Sistema de Saúde, vale a pena confiar nas autoridades de Saúde, nos médicos, nos enfermeiros e também nas famílias, está a dar resultado.

Adalberto Campos Fernandes, Ministro da Saúde do Governo de Portugal

 

Análise circunstanciada do Método Científico aplicado pelo Senhor Ministro:

1/Observação
Há uma “epidemia” de Sarampo em Portugal, país onde se registaram, nos últimos meses, 20 casos confirmados da doença. Nos últimos 5 dias, depois de uma intensa campanha na comunicação social em favor da “Verdade Científica”, houve apenas 1 caso novo de Sarampo.

2/Formulação da Hipótese
A “mensagem passada aos portugueses” sobre a “Verdade Científica” estancou a “epidemia” de 20 casos de Sarampo em apenas 5 dias.

3/Experimentação
Ir à televisão dizer isto com um ar solene.

4/Conclusão
Pela análise dos dados verifica-se que a “mensagem passada aos portugueses” sobre a “Verdade Científica”, estancou uma perigosa “epidemia” de Sarampo com 20 casos confirmados.

Agora um pouco de Pensamento Mágico a sério: