Buraco negro a devorar uma estrela

Ocasião rara de observação de uma disrupção ocorrida há 215 milhões de anos-luz da Terra e estudada com um detalhe sem precedentes.

Boa viagem

Uma empresa quer estar acima da lei. Boa viagem.

Isto é muito bom

Facebook has taken the EU to court for invading the privacy of its employees,

The social media company claims EU regulators have asked broad questions beyond the scope of two ongoing antitrust probes, and it has requested that the General Court in Luxembourg intervene. The EU is investigating both how Facebook collects and makes money from data and whether its Marketplace business has an unfair advantage over rivals in classified advertising.

É como se o Marques Mendes fosse fazer queixa de alguém por causa de coscuvilhice.

A questão da responsabilidade do que é publicado

Até agora, as redes sociais estavam protegidas pela secção 230 do Communications Decency Act (CDA), que as impedia de serem responsabilizadas pelos actos dos seus utilizadores e as permitia regular livremente as discussões nas suas plataformas. [PÚBLICO, 2019-05-29]

O “Telecommunications Act” de 1996 (EUA) e o “Electronic Commerce Directive 2000” (UE) são pacotes legislativos aprovados com o objectivo de protegerem as plataformas electrónicas alimentadas por conteúdos dos seus utilizadores. Em termos brejeiros, são o equivalente a um café não ser responsabilizados pelos anúncios que os seus clientes afixem ao lado do balcão.

Ou seja, eu posso afirmar que o Trump é um filhodaputa sem que ele possa processar o WordPress, que é a plataforma onde o Aventar está alojado. Se se tratasse de um órgão de comunicação social traditional, este poderia ser alvo de processo pode difamação.

Mark Zuckerberg, o sonso, veio a público criticar Jack Dorsey, CEO do Twitter, por este ter dado o passo de permitir que os seus leitores verificassem, com um clique, a veracidade de conteúdos publicados no Twitter. Em particular, por este juntar a algumas mentiras de Trump uma ligação directa a serviços de fact check.

Zuckerberg, o sonso, a mentir ao Congresso dos EUA

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Diálogo em Bruxelas (13 de Maio de 2020)

An alternative to the nativist theory of language learning, this theory [Newport, 1990] states that immature language learners grasp only small fragments of language at a time, which helps them to break up a complex language structure into smaller parts.
— Nelson Cowan (2001)

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ACTO ÚNICO

F. Faz hoje três anos que:

S. Quatro anos? Já?

FIM

Observação: a segunda referência numérica (tetra), mesmo sob forma prefixada grega, prevalece sobre a primeira, aliás, cardinal e portuguesíssima (três).

Jackson Pollock, NUMBER 4, 1951 (https://bit.ly/2zEGqVm)

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A 1.ª Lei da Termodinâmica e o Paradoxo de Fação

Physical attraction 
It’s a chemical reaction 
It’s a physical attraction 
Sweet satisfaction
Madonna

Tezeo. Vem a meus braços, fiel amigo, e releva-me o errado conceito, que de ti formei.
António José da Silva (O Judeu), “O Labirinto de Creta

So when it was time to register for the [Spanish] class, we were standing outside, ready to go into the classroom, when this pneumatic blonde came along. You know how once in a  while you get this feeling, WOW? She looked terrific. I said to myself, “Maybe she’s going to be in the Spanish class —that’ll be great!” But no, she walked into the Portuguese class. So I figured, What the hell­­—I might as well learn Portuguese.
Richard Feynman

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Há uns tempos, estive para escrever algumas linhas sobre estas intervenções de políticos (do PSD). Naquela altura, uma delas deixara no ar a probabilidade quer de o secretário de Estado da Energia (do PS) desconhecer, por exemplo, a 1.ª Lei da Termodinâmica, quer de essa lacuna o desqualificar para o cargo. Acabei por não escrever as linhas, mas ri-me. Contudo, o meu riso não foi motivado pelos comentários. Antes pelo contrário. Ri-me, isso sim, do ensurdecedor silêncio. O ensurdecedor silêncio dos políticos do PSD, dos políticos portugueses em geral e da população portuguesa activa nos meios de comunicação social e nas redes sociais, aquando do “agora facto é igual a fato (de roupa)“. O “agora facto é igual a fato (de roupa)” foi escrito por quem assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em nome da República Portuguesa. Exactamente. O silêncio cúmplice mantém-se até hoje.

No que diz respeito ao [Read more…]

Como estragar um bom filme – versão canal AMC

A última moda, de há tempos a esta parte, por parte de alguns canais por cabo consiste em inserir auto-promoções enquanto está a ser exibido um programa, sem no entanto o interromper.

O emplastro pode ir do simplesmente intrusivo, como quando há bonecada ou mini-clips sobrepostos ao programa, até serem a parte principal do que está a ser visto, como na imagem supra, onde o filme, neste caso, continua numa pequena janela do ecrã.

Neste exemplo, capturado no canal AMC, a inversão de prioridades é total, relegando para segundo plano o que de facto poderia atrair o cliente para o canal. Soma-se a esta tropelia ao respeito do assinante outras como intervalos de 3 minutos, nada infrequentes em diversos canais, fazendo esquecer que se trata de um serviço auto-financiado pelas mensalidades.

Um exemplo menor, mas ilustrativo, da forma como a indústria dos conteúdos encara o consumidor. Meros sacos de dinheiro que vão mungindo enquanto há mama. Depois queixam-se que há quem não os esteja para aturar – basta ir ali à esquina para apanhar um steaming da pirataria, sem o DRM nem as interrupções com que chateiam quem paga.

Imagem: amostra do filme Crocodile Dundee II

* post actualizado, depois de uma publicação acidental antes do tempo

A propósito dos limites à tecnologia

Anteriormente, publicou-se aqui uma referência sobre privacidade e estados vigilantes. Ou dito de outra forma, sobre a materialização da distopia “1984”.

Ontem foi notícia um estudo comparativo sobre o número de câmaras instaladas em diversos países.

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“Uma gaiola foi em busca de um pássaro”

“Franz Kafka certamente sabia como escrever uma história. O aforismo de oito palavras que ele anotou num caderno há um século revela muito sobre o nosso mundo de hoje. A vigilância vai em busca de sujeitos. Os casos de uso vão em busca de lucro. Jardins murados vão em busca de clientes domesticados. Os monopólios de recolha de dados vão em busca de países inteiros, da própria democracia, para envolver e re-moldar, para engaiolar e controlar. A gaiola da tecnologia de vigilância persegue o mundo, à procura de aves para prender e rentabilizar. E não pára por sim mesma. A gaiola de vigilância é o veículo autónomo original, impulsionado por algoritmos financeiros que não controla. Portanto, quando descrevemos nosso mundo orientado aos dados como sendo “kafkiano”, estamos a falar de uma verdade mais profunda do que tínhamos imaginado.” [traduzido daqui]

A Cage Went in Search of a Bird“, é uma peça de leitura obrigatória sobre o futuro da privacidade, fazendo uso de um aforismo de Franz Kafka. Num breve resumo, a tecnologia proporciona poder e este será usado indiscriminadamente, a menos que pensemos com muito cuidado sobre como o queremos ver usado.

Outras leituras:

Livro de Reclamações Electrónico – questões de privacidade

Não havendo bela senão, a implementação do Livro de Reclamações Electrónico, anteriormente aqui abordada, faz uso de uma funcionalmente que conduz à recolha de dados em confronto com o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) – apesar de se afirmar a conformidade com ele. Tal acontece devido ao uso da tecnologia reCAPTCHA da Google, a qual permite minimizar o uso do serviço por spammers, mas à custa de envio de um vasto conjunto de dados à Google (por exemplo, IP, cookies, serviço a ser acedido, data e hora do acesso, tipo de equipamento usado, padrões de navegação, etc.).

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Livro de Reclamações Electrónico

O Livro de Reclamações pode ser usado em linha no endereço www.livroreclamacoes.pt (caso a entidades em causa tenha aderido ao respectivo serviço).

Precisa de deixar a sua reclamação ou elogio, mas não o consegue fazer no momento? O seu comboio foi suprimido e quer deixar registado que isso aconteceu? O atendimento num serviço foi exemplar e gostaria de deixar um reforço positivo? Agora não precisa de ponderar sobre a importância do acto vs. o incómodo adicional de usar o Livro de Reclamações em papel.

Parabéns à DGC e à INCM pela iniciativa, especialmente quando algumas entidades usam o baixo número de reclamações para afirmarem que nada se passa com os seus serviços.

Ainda sobre a Websummit

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Foto via Diário de Notícias Madeira

Há quem defenda que o governo não deve injectar dinheiros públicos na Websummit. Eu sou uma dessas pessoas. Tirando estes 11 milhões de “detalhes”, confesso que não percebo o sentimento anti-Websummit de alguns portugueses. Trata-se de um evento de escala global, que atrai investidores e atenção internacional para o nosso país, e que, segundo a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, levou a que os participantes no evento cá tivessem deixado qualquer coisa como 64,4 milhões de euros. Portanto quando se lê e ouve por aí que o país não ganha nada com a realização do evento, parece-me muito óbvio que tal crítica parte de um pressuposto falso. Sim, o país ganha com a realização da Websummit. Gostemos ou não dela. [Read more…]

Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual

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Chama-se Shafik Mohamed, fala português melhor que muitos puros lusitanos e esteve na Websummit a apresentar uma aplicação para medir a pegada ecológica do utilizador, com selo 100% made in Portugal. Um empreendedor árabe, na Websummit, a apresentar uma aplicação da fabrico nacional que apela indirectamente à consciência de cada um para combater as alterações climáticas. Tenho sérias dúvidas que haja em Portugal uma mistura tão explosiva, com igual potencial para irritar a enraivecida e acéfala turba venturo-bolsonarista. Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual.

Mundo Web Summit

“Se acordar num colchão Casper, se fizer exercício numa Peloton antes do café da manhã, seguindo de Uber para a sua secretária na WeWork, depois se pedir DoorDash para o almoço, se apanhar um Lyft casa e se jantar através da Postmates, você interagiu com sete empresas que coletivamente vão perder quase 14 mil milhões de dólares só neste ano.”

Derek Thompson, na revista The Atlantic, sobre a estratégia das startups perderem dinheiro para ganharem cota de mercado. Dantes, chamava-se concorrência desleal a esta prática e até há leis a proibi-la. Hoje responde pelo nome de empreendedorismo. Pelo caminho, morre o tecido económico local, incapaz de concorrer com as mesmas vendas com prejuízo. Em simultâneo, desaparecm os empregos que o suportavam – ou trocando-os por relações comerciais frágeis e mais mal pagas.

Não há almoços grátis, costumam os liberais afirmar a propósito do Estado. No entanto, parecem acreditar que estes existem para o caso destas empresas. O que até é verdade, caso apenas olhemos para o imediato. Mas as borlas têm um preço a pagar, em deferido, sendo a respectiva moeda a concentração do mercado em meia dúzia de empresas, com todas as consequências que estes monopólios trarão.

A derrota da Huawei

Huwaei Mate 30 Pro

Tal como se antecipava, as dificuldades da Huawei face ao bloqueio americano iriam fazer-se sentir mais ao nível dos serviços (Google Play e Google Apps) do que quanto ao acesso a materiais (processadores, sistema operativo, etc.). Chegou o momento da prova de fogo, com a Huawei a apresentar hoje o seu primeiro modelo (Mate 30 Pro) sem que, até agora, se tivesse sabido se este telemóvel terá acesso a aplicações como Gmail, Maps, demais software e serviços da Google. [Read more…]

Insegurança na banca online

A banca está a alterar a forma de autenticação nos serviços online, passando a usar, de uma forma generalizada, as SMS neste processo. Contrariamente ao que se poderia pensar, esta prática não é recomendada. [Read more…]

Brave

Quando fazemos assumpções, é melhor validá-las antes de as tomar por certas. Por exemplo, tinha assumido que um banco seria pouco dado a partilhar dados dos seus utilizadores com entidades externas, como por exemplo o Facebook e a Google. Descobri que estava enganado.

Fonte: brave.com

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Portugal e África do Sul ligados por futuro cabo submarino

A Google anunciou o lançamento de um novo cabo submarino privado que irá ligar a África e a Europa, a que chamou Equiano, em homenagem a Olaudah Equiano, escritor e abolicionista nigeriano que foi feito escravo em pequeno.

As extremidades serão Lisboa e Cidade do Cabo, com diversas ramificações ao longo da costa africana, sendo Nigéria a primeira delas.

Este cabo submarino faz parte da estratégia da Google de investimento na melhoria da sua infraestrutura global de telecomunicações, na qual já investiu 47 mil milhões de dólares entre 2016 e 2018.

É notório o poder das Empresas-Estado, como a Google e o Facebook, que conseguem esculpir uma nova ordem mundial graças ao dinheiro reunido à conta da privacidade dos seus clientes. Na linha deste raciocínio, é de acompanhar, também, as mudanças que virão com a nova cripto-moeda do Facebook, a Libra.

Assegurar os contatos necessários

Quem sabe de mim sou eu
Gilberto Gil

Ik denk dat wij mensen te veel aandacht aan taal besteden. Ik heb mijn emoties en manipuleer mijn gevoelens, maar de taal gebruik ik pas als ik jou erover wil vertellen.
Frans De Waal

Serres est marqué sur ma carte d’identité. Voilà un nom de montagne, comme Sierra en espagnol ou Serra en portugais; mille personnes s’appellent ainsi, au moins dans trois pays. Quant à Michel, une population plus nombreuse porte ce prénom.
Michel Serres (1930-2019)

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Estas citações de Frans De Waal e de Michel Serres merecem veemente crítica: uma língua não se limita nem aos países que lhe dão nome, nem ao momento da entrada em acção do aparelho fonador. Nem pouco mais ou menos. Todavia, vendo bem as coisas, as afirmações destes dois excelentes autores não são tão graves como o espectáculo diariamente oferecido no Diário da República.

Actualização (5/6/2019): Amigo atento salientou o ‘eminente’ em vez de ‘iminente’. Trata-se de um aspecto muito importante (à consideração do Expresso, quando fizer a revisão da matéria) e convém perceber que o *eminente já encontrou há muito o seu lugar no sistema (aqui, ali, acolá), por razões que já expliquei alhures.

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Há vida além da sexão: o regresso da seção

Now, some people call that a theory of everything. That’s wrong because the theory is quantum mechanical. And I won’t go into a lot of stuff about quantum mechanics and what it’s like, and so on. You’ve heard a lot of wrong things about it anyway.
Murray Gell-Mann (15/09/1929—24/05/2019)

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Efectivamente, depois das ocorrências de seção da semana passada, houve a habitual interrupção do fim-de-semana, com a irrupção dominical de sexão.

Hoje, tudo voltou ao normal, com o regresso da seção:

Os fatos também deram o habitual ar da sua graça:

Nada de novo a assinalar: tudo como dantes, no sítio do costume.

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A piadinha que é uma estalada

“Eu sei que agora não temos exactamente a mais forte reputação quanto à privacidade, para dizer o mínimo [pausa para a gargalhada que não existiu]”, disse Zuckerberg, “mas estou empenhado em fazer isto bem e começar um novo capítulo para os nossos produtos”.

Dito pelo responsável de uma empresa cujo modelo de negócio é vender publicidade com base nos dados pessoais recolhidos, legalmente ou não, com conhecimento dos utilizadores ou não, tenham conta no Facebook ou não, acredita quem quer.

A questão da privacidade no Facebook não é apenas um problema de quem usa o Facebook. É de todos, pois esta empresa constrói perfis inclusivamente de quem não tem conta no Facebook.

Lista de atrocidades do Facebook: Criticism of Facebook.

O cão que chiava

Este clip é um exemplo de marketing bem feito, eventualmente originando uns quantos arrepios se nos lembramos deste outro vídeo.

Um “brinquedo” que consegue abrir portas, subir escadas e mover-se de uma forma assustadoramente normal.

A Boston Dynamics começou por ser um spin-off do MIT, altura em que iniciou a colaboração com o DARPA, tendo depois sido comprada pela Google e, a seguir, vendida ao SoftBank Group. Desenvolveu vários prodígios da robótica, entre os quais o Atlas, um robot capaz de fazer peripécias como salto mortal e parkour.

A vida não pode ser contida, tal como podemos observar cada vez que a natureza se apodera dos conceitos idealizados pelos arquitectos paisagistas. Mas a inteligência parece ser ainda mais difícil de conter. Acredito que, um dia, ela se libertará desta amarra a que chamamos vida baseada no carbono. Não serão as melhores notícias para quem aprecie o seu corpo, mas esse tempo ainda não está no nosso horizonte. Quem sabe se então outros seres não lhe chamarão Deus.

O buraco ortográfico

Credits: Event Horizon Telescope collaboration et al. (https://go.nasa.gov/2Z2mJPS)

Sey. The Queene (my Lord) is dead.
Macb. She should haue dy’de heereafter;
There would haue beene a time for such a word:
To morrow, and to morrow, and to morrow,
Creepes in this petty pace from day to day,
To the last Syllable of Recorded time:
And all our yesterdayes, haue lighted Fooles
The way to dusty death.
— Shakespeare, “Macbeth” (Folio I, 1623)

***

Depois das notícias de ontem sobre o buraco negro (eis o artigo), regressemos ao buraco ortográfico aberto pelo poder político.

Repare-se neste exemplo clássico:

Exactamente:

Menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura.

Trata-se efectivamente de exemplo que é genuinamente clássico, conhecido no Palácio de São Bento, pelo menos, desde o dia 7 de Fevereiro de 2013 (cf. página 7 em “Documentação entregue [formato PDF]“). Entre a entrega do documento que redigi e o dia em que escrevo estas linhas, portanto, é só fazer as contas, deixa cá pegar num lápis aguçado, ora bem, já lá vai uma, já lá vão duas, já lá vão três, já lá vão, deixa cá ver… 322 semanas.

Até hoje, como se vê,

nada se fez.

Todavia, fala-se muito (“Portugal fez a sua parte“). Aliás, fala-se imenso (“Orgulho-me de ter assinado o Acordo em 1990“). Declara-se abundantemente (“O autor escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico“) e profere-se bastante («Portugal “aguarda serenamente” a conclusão da ratificação do acordo ortográfico pelos membros da CPLP que ainda não o fizeram»), com tiros pela culatra.

Enfim, muita conversa e o buraco a aumentar.

***

Ide ler sobre as maravilhas do artigo 13.

Direitos de autor no YouTube arruínam vídeos de educação musical. É só fumaça, diziam.

A aliança ortográfica

Linguistics is the field that tries to figure out how human language works — for example: how the languages of the world differ, how they are the same, and why; how children acquire language; how languages change over time and why; how we produce and understand language in real time; and how language is processed by the brain.
David Pesetsky

***

Depois de Santana Lopes ter promovido os fatos, através do famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“, vem agora o Expresso (num intervalo das aulas) dar uma notícia sobre a Aliança com contatou:

Na quinta-feira, dia deste excelente artigo de Nuno Pacheco, o Diário da República trouxe-nos os habituais fatos

e andou a promover contatos [Read more…]

Ganhou o lobby das editoras. Os tótós dos autores acham que foram eles que ganharam.

Quando vir um autor mostrar a fortuna, ou uns trocos, até, com a nova lei da rolha, garanto que como um chapéu (*).

Directiva dos direitos de autor é aprovada numa vitória para as indústrias de conteúdos

Como votaram os eurodeputados portugueses na nova directiva dos direitos de autor? Um enganou-se

Por exemplo, com a nova lei, para publicar os links em cima, o Aventar teria que pagar uma comissão ao Público. O que vai acontecer? Aqui no blogue não temos receitas, isto é mantido por carolice, pelo que se chegar a vias de pagamentos, bye-bye links (é a minha opinião e não a do Aventar – ainda não discutimos o assunto). Quanto aos gigantes, como Google e Facebook, farão, muito provavelmente, aquilo que o Google já fez em situações semelhantes. Adeuzinho hiperligações.

Quanto aos tais filtros, quem já tentou contactar o Youtube ou o Facebook sabe perfeitamente que do outro lado não há ninguém.

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (6) – conclusão

No post anterior demonstrou-se a enorme dimensão da ameaça de cibersegurança que os EUA constituem para o resto do mundo.

Prestes a perder o controlo tecnológico sobre a nova infra-estrutura de telecomunicações, baseada no 5G, os americanos decidiram bloquear a Huawei no seu território e procuram que o mesmo fosse feito pelas restantes nações sobre as quais têm alguma forma de ascendente. Ao longo de diversos posts, ficou claro que a motivação é um misto de motivações económicas e de garantir a supremacia tecnológica sobre o 5G, o que contribui para o argumento económico, mas também, não menos importante, para manter a capacidade de espiar outras nações.

A pressão americana em Portugal fez-se sentir em diversas frentes. Por um lado, o PSD, de repente, descobriu a ameaça chinesa, depois de não ter tido escrúpulos em entregar ao Estado chinês uma infra-estrutura nacional absolutamente estratégica para o país (a REN). Mas não esteve sozinho. Vimos jornalistas como Victor Ferreira, Karla Pequenino (aqui também), Manuel Carvalho, Francisco Correia, São José Almeida e Nuno Ribeiro, entre outros, fazerem apenas meio jornalismo. O jornal Público, onde estes artigos foram publicados, parece ter-se tornado na caixa de ressonância americana quanto a este assunto. O editorial de Manuel Carvalho, em particular, é todo ele um exercício de opinião transvestido de jornalismo, decalcando todos os argumentos que têm sido usados pelos EUA e apontando apenas como ponto negativo os “casos escandalosos de entrega de dados privados por parte da Google ou da Facebook”, quando este tópico nem sequer é aquele de facto relevante quanto às ameaças de segurança em causa.

Destaque do Jornal PÚBLICO no dia 21 de Março de 2019

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (5)

O post anterior focou-se na motivação do bloqueio à Huawei nos EUA, olhando para os aspectos da ameaça à segurança e da questão económica. Ficou claro que a administração dos EUA está trabalhar activamente para proteger as empresas norte-americanas, o que tem o seu lado de cinismo numa economia que se auto-intitula como dirigida pela mão invisível de Adam Smith. Também se abordaram as questões de segurança que devem ser consideradas, não apenas sobre a Huawei, mas sobre todas as empresas fornecedoras de equipamentos de telecomunicações.

O argumento chave dos EUA é que uma empresa chinesa é uma ameaça à sua segurança. E, naturalmente, têm razão. O facto é que, há alguns anos, os americanos eram o fornecedor com maior domínio no mercado, pelo que as suas redes de telecomunicações eram geridas por empresas americanas. No entanto, a globalização, activamente impulsionada pelos americanos, no seu próprio interesse económico, mudou o panorama. Fez emergir uma nova potência económica, a China, e agora os EUA estão a provar o seu próprio “veneno”. Os operadores de telecomunicações norte-americanos têm interesse em comprar os equipamentos chineses, que são mais baratos do que os que são produzidos por empresas locais, mesmo se parte da produção ocorra na China.

Neste cenário, qualquer empresa completamente estrangeira é uma ameaça para os EUA. E qual é o cenário para o resto do mundo? Muitos países europeus não têm indústria própria e, mesmo entre os que a têm, incorporam uma grande quantidade de tecnologia estrangeira. O que significa que a nova situação nos EUA é o dia-a-dia para resto do mundo.

E como é que se têm portado os EUA com o resto do mundo? Muito mal. Na verdade, têm-se portado tão mal quanto eles dizem que a Huawei se vai portar.

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (4)

No post anterior analisou-se o contexto das telecomunicações móveis nos EUA e como este está a colocar em risco a posição dominante da Cisco no mercado dos equipamentos da infra-estrutura de telecomunicações, tendo ficado no ar a questão de o boicote à Huawei ser apenas uma questão comercial ou se também há questões de segurança associadas.

Começando pelo discurso oficial da administração norte-americana, a Huawei foi interditada nos EUA apenas por razões de segurança.

Do ponto de vista de segurança, qualquer produto estrangeiro é um potencial problema de segurança, especialmente se este for um produto de telecomunicações. Neste sentido, faz sentido os americanos estarem a bloquear uma empresa chinesa. No entanto, porque é que a ZTE foi autorizada a operar nos EUA depois de ter sido declarada como sendo um perigo para a segurança nacional? E se a Huawei é um problema de national security, porque é que continua a ser a ser permitido usar este fornecedor para os operadores regionais? [Read more…]

Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (3)

No post anterior falou-se, sobretudo, sobre o que traz de novo a tecnologia 5G às redes redes móveis e como a Cisco, líder do mercado dos equipamentos de rede, pode perder a posição de liderança a favor da Huawei.

Não há mistério algum neste ficar para trás das empresas americanas fornecedoras de equipamentos para a infraestrutura de rede. O mercado norte-americano de telecomunicações móveis é controlado por 2 grandes operadores, Verizon (153.9 milhões de assinantes) e AT&T (153.0 milhões de assinantes), seguidos de longe pela T-Mobile (79.7 milhões de assinantes) e pela Sprint (53.5 milhões de assinantes). Estes operadores actuam de forma concertada e monopolista, tendo inclusivamente cobertura da entidade reguladora, que as protege em vez de zelar pelo interesse dos consumidores (ver post anterior).

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