Portugal e África do Sul ligados por futuro cabo submarino

A Google anunciou o lançamento de um novo cabo submarino privado que irá ligar a África e a Europa, a que chamou Equiano, em homenagem a Olaudah Equiano, escritor e abolicionista nigeriano que foi feito escravo em pequeno.

As extremidades serão Lisboa e Cidade do Cabo, com diversas ramificações ao longo da costa africana, sendo Nigéria a primeira delas.

Este cabo submarino faz parte da estratégia da Google de investimento na melhoria da sua infraestrutura global de telecomunicações, na qual já investiu 47 mil milhões de dólares entre 2016 e 2018.

É notório o poder das Empresas-Estado, como a Google e o Facebook, que conseguem esculpir uma nova ordem mundial graças ao dinheiro reunido à conta da privacidade dos seus clientes. Na linha deste raciocínio, é de acompanhar, também, as mudanças que virão com a nova cripto-moeda do Facebook, a Libra.

Assegurar os contatos necessários

Quem sabe de mim sou eu

Gilberto Gil

Ik denk dat wij mensen te veel aandacht aan taal besteden. Ik heb mijn emoties en manipuleer mijn gevoelens, maar de taal gebruik ik pas als ik jou erover wil vertellen.

Frans De Waal

Serres est marqué sur ma carte d’identité. Voilà un nom de montagne, comme Sierra en espagnol ou Serra en portugais; mille personnes s’appellent ainsi, au moins dans trois pays. Quant à Michel, une population plus nombreuse porte ce prénom.

Michel Serres (1930-2019)

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Estas citações de Frans De Waal e de Michel Serres merecem veemente crítica: uma língua não se limita nem aos países que lhe dão nome, nem ao momento da entrada em acção do aparelho fonador. Nem pouco mais ou menos. Todavia, vendo bem as coisas, as afirmações destes dois excelentes autores não são tão graves como o espectáculo diariamente oferecido no Diário da República.

Actualização (5/6/2019): Amigo atento salientou o ‘eminente’ em vez de ‘iminente’. Trata-se de um aspecto muito importante (à consideração do Expresso, quando fizer a revisão da matéria) e convém perceber que o *eminente já encontrou há muito o seu lugar no sistema (aqui, ali, acolá), por razões que já expliquei alhures.

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Há vida além da sexão: o regresso da seção

Now, some people call that a theory of everything. That’s wrong because the theory is quantum mechanical. And I won’t go into a lot of stuff about quantum mechanics and what it’s like, and so on. You’ve heard a lot of wrong things about it anyway.

Murray Gell-Mann (15/09/1929—24/05/2019)

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Efectivamente, depois das ocorrências de seção da semana passada, houve a habitual interrupção do fim-de-semana, com a irrupção dominical de sexão.

Hoje, tudo voltou ao normal, com o regresso da seção:

Os fatos também deram o habitual ar da sua graça:

Nada de novo a assinalar: tudo como dantes, no sítio do costume.

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A piadinha que é uma estalada

“Eu sei que agora não temos exactamente a mais forte reputação quanto à privacidade, para dizer o mínimo [pausa para a gargalhada que não existiu]”, disse Zuckerberg, “mas estou empenhado em fazer isto bem e começar um novo capítulo para os nossos produtos”.

Dito pelo responsável de uma empresa cujo modelo de negócio é vender publicidade com base nos dados pessoais recolhidos, legalmente ou não, com conhecimento dos utilizadores ou não, tenham conta no Facebook ou não, acredita quem quer.

A questão da privacidade no Facebook não é apenas um problema de quem usa o Facebook. É de todos, pois esta empresa constrói perfis inclusivamente de quem não tem conta no Facebook.

Lista de atrocidades do Facebook: Criticism of Facebook.

O cão que chiava

Este clip é um exemplo de marketing bem feito, eventualmente originando uns quantos arrepios se nos lembramos deste outro vídeo.

Um “brinquedo” que consegue abrir portas, subir escadas e mover-se de uma forma assustadoramente normal.

A Boston Dynamics começou por ser um spin-off do MIT, altura em que iniciou a colaboração com o DARPA, tendo depois sido comprada pela Google e, a seguir, vendida ao SoftBank Group. Desenvolveu vários prodígios da robótica, entre os quais o Atlas, um robot capaz de fazer peripécias como salto mortal e parkour.

A vida não pode ser contida, tal como podemos observar cada vez que a natureza se apodera dos conceitos idealizados pelos arquitectos paisagistas. Mas a inteligência parece ser ainda mais difícil de conter. Acredito que, um dia, ela se libertará desta amarra a que chamamos vida baseada no carbono. Não serão as melhores notícias para quem aprecie o seu corpo, mas esse tempo ainda não está no nosso horizonte. Quem sabe se então outros seres não lhe chamarão Deus.

O buraco ortográfico

Credits: Event Horizon Telescope collaboration et al. (https://go.nasa.gov/2Z2mJPS)

Sey. The Queene (my Lord) is dead.
Macb. She should haue dy’de heereafter;
There would haue beene a time for such a word:
To morrow, and to morrow, and to morrow,
Creepes in this petty pace from day to day,
To the last Syllable of Recorded time:
And all our yesterdayes, haue lighted Fooles
The way to dusty death.
— Shakespeare, “Macbeth” (Folio I, 1623)

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Depois das notícias de ontem sobre o buraco negro (eis o artigo), regressemos ao buraco ortográfico aberto pelo poder político.

Repare-se neste exemplo clássico:

Exactamente:

Menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura.

Trata-se efectivamente de exemplo que é genuinamente clássico, conhecido no Palácio de São Bento, pelo menos, desde o dia 7 de Fevereiro de 2013 (cf. página 7 em “Documentação entregue [formato PDF]“). Entre a entrega do documento que redigi e o dia em que escrevo estas linhas, portanto, é só fazer as contas, deixa cá pegar num lápis aguçado, ora bem, já lá vai uma, já lá vão duas, já lá vão três, já lá vão, deixa cá ver… 322 semanas.

Até hoje, como se vê,

nada se fez.

Todavia, fala-se muito (“Portugal fez a sua parte“). Aliás, fala-se imenso (“Orgulho-me de ter assinado o Acordo em 1990“). Declara-se abundantemente (“O autor escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico“) e profere-se bastante («Portugal “aguarda serenamente” a conclusão da ratificação do acordo ortográfico pelos membros da CPLP que ainda não o fizeram»), com tiros pela culatra.

Enfim, muita conversa e o buraco a aumentar.

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Ide ler sobre as maravilhas do artigo 13.

Direitos de autor no YouTube arruínam vídeos de educação musical. É só fumaça, diziam.

A aliança ortográfica

Linguistics is the field that tries to figure out how human language works — for example: how the languages of the world differ, how they are the same, and why; how children acquire language; how languages change over time and why; how we produce and understand language in real time; and how language is processed by the brain.

David Pesetsky

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Depois de Santana Lopes ter promovido os fatos, através do famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“, vem agora o Expresso (num intervalo das aulas) dar uma notícia sobre a Aliança com contatou:

Na quinta-feira, dia deste excelente artigo de Nuno Pacheco, o Diário da República trouxe-nos os habituais fatos

e andou a promover contatos [Read more…]

Ganhou o lobby das editoras. Os tótós dos autores acham que foram eles que ganharam.

Quando vir um autor mostrar a fortuna, ou uns trocos, até, com a nova lei da rolha, garanto que como um chapéu (*).

Directiva dos direitos de autor é aprovada numa vitória para as indústrias de conteúdos

Como votaram os eurodeputados portugueses na nova directiva dos direitos de autor? Um enganou-se

Por exemplo, com a nova lei, para publicar os links em cima, o Aventar teria que pagar uma comissão ao Público. O que vai acontecer? Aqui no blogue não temos receitas, isto é mantido por carolice, pelo que se chegar a vias de pagamentos, bye-bye links (é a minha opinião e não a do Aventar – ainda não discutimos o assunto). Quanto aos gigantes, como Google e Facebook, farão, muito provavelmente, aquilo que o Google já fez em situações semelhantes. Adeuzinho hiperligações.

Quanto aos tais filtros, quem já tentou contactar o Youtube ou o Facebook sabe perfeitamente que do outro lado não há ninguém.

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (6) – conclusão

No post anterior demonstrou-se a enorme dimensão da ameaça de cibersegurança que os EUA constituem para o resto do mundo.

Prestes a perder o controlo tecnológico sobre a nova infra-estrutura de telecomunicações, baseada no 5G, os americanos decidiram bloquear a Huawei no seu território e procuram que o mesmo fosse feito pelas restantes nações sobre as quais têm alguma forma de ascendente. Ao longo de diversos posts, ficou claro que a motivação é um misto de motivações económicas e de garantir a supremacia tecnológica sobre o 5G, o que contribui para o argumento económico, mas também, não menos importante, para manter a capacidade de espiar outras nações.

A pressão americana em Portugal fez-se sentir em diversas frentes. Por um lado, o PSD, de repente, descobriu a ameaça chinesa, depois de não ter tido escrúpulos em entregar ao Estado chinês uma infra-estrutura nacional absolutamente estratégica para o país (a REN). Mas não esteve sozinho. Vimos jornalistas como Victor Ferreira, Karla Pequenino (aqui também), Manuel Carvalho, Francisco Correia, São José Almeida e Nuno Ribeiro, entre outros, fazerem apenas meio jornalismo. O jornal Público, onde estes artigos foram publicados, parece ter-se tornado na caixa de ressonância americana quanto a este assunto. O editorial de Manuel Carvalho, em particular, é todo ele um exercício de opinião transvestido de jornalismo, decalcando todos os argumentos que têm sido usados pelos EUA e apontando apenas como ponto negativo os “casos escandalosos de entrega de dados privados por parte da Google ou da Facebook”, quando este tópico nem sequer é aquele de facto relevante quanto às ameaças de segurança em causa.

Destaque do Jornal PÚBLICO no dia 21 de Março de 2019

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (5)

O post anterior focou-se na motivação do bloqueio à Huawei nos EUA, olhando para os aspectos da ameaça à segurança e da questão económica. Ficou claro que a administração dos EUA está trabalhar activamente para proteger as empresas norte-americanas, o que tem o seu lado de cinismo numa economia que se auto-intitula como dirigida pela mão invisível de Adam Smith. Também se abordaram as questões de segurança que devem ser consideradas, não apenas sobre a Huawei, mas sobre todas as empresas fornecedoras de equipamentos de telecomunicações.

O argumento chave dos EUA é que uma empresa chinesa é uma ameaça à sua segurança. E, naturalmente, têm razão. O facto é que, há alguns anos, os americanos eram o fornecedor com maior domínio no mercado, pelo que as suas redes de telecomunicações eram geridas por empresas americanas. No entanto, a globalização, activamente impulsionada pelos americanos, no seu próprio interesse económico, mudou o panorama. Fez emergir uma nova potência económica, a China, e agora os EUA estão a provar o seu próprio “veneno”. Os operadores de telecomunicações norte-americanos têm interesse em comprar os equipamentos chineses, que são mais baratos do que os que são produzidos por empresas locais, mesmo se parte da produção ocorra na China.

Neste cenário, qualquer empresa completamente estrangeira é uma ameaça para os EUA. E qual é o cenário para o resto do mundo? Muitos países europeus não têm indústria própria e, mesmo entre os que a têm, incorporam uma grande quantidade de tecnologia estrangeira. O que significa que a nova situação nos EUA é o dia-a-dia para resto do mundo.

E como é que se têm portado os EUA com o resto do mundo? Muito mal. Na verdade, têm-se portado tão mal quanto eles dizem que a Huawei se vai portar.

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (4)

No post anterior analisou-se o contexto das telecomunicações móveis nos EUA e como este está a colocar em risco a posição dominante da Cisco no mercado dos equipamentos da infra-estrutura de telecomunicações, tendo ficado no ar a questão de o boicote à Huawei ser apenas uma questão comercial ou se também há questões de segurança associadas.

Começando pelo discurso oficial da administração norte-americana, a Huawei foi interditada nos EUA apenas por razões de segurança.

Do ponto de vista de segurança, qualquer produto estrangeiro é um potencial problema de segurança, especialmente se este for um produto de telecomunicações. Neste sentido, faz sentido os americanos estarem a bloquear uma empresa chinesa. No entanto, porque é que a ZTE foi autorizada a operar nos EUA depois de ter sido declarada como sendo um perigo para a segurança nacional? E se a Huawei é um problema de national security, porque é que continua a ser a ser permitido usar este fornecedor para os operadores regionais? [Read more…]

Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (3)

No post anterior falou-se, sobretudo, sobre o que traz de novo a tecnologia 5G às redes redes móveis e como a Cisco, líder do mercado dos equipamentos de rede, pode perder a posição de liderança a favor da Huawei.

Não há mistério algum neste ficar para trás das empresas americanas fornecedoras de equipamentos para a infraestrutura de rede. O mercado norte-americano de telecomunicações móveis é controlado por 2 grandes operadores, Verizon (153.9 milhões de assinantes) e AT&T (153.0 milhões de assinantes), seguidos de longe pela T-Mobile (79.7 milhões de assinantes) e pela Sprint (53.5 milhões de assinantes). Estes operadores actuam de forma concertada e monopolista, tendo inclusivamente cobertura da entidade reguladora, que as protege em vez de zelar pelo interesse dos consumidores (ver post anterior).

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (2)

Há muito mais do que tecnologia por trás do que se tem dito sobre a nova silver bullet das comunicações móveis.

A tecnologia 5G está a chegar ao mercado de consumo. O 3G trouxe velocidade à rede GSM, que até aí, pouco mais era do que telefonia móvel. O 4G banalizou o acesso a grandes volumes de dados. E o 5G irá trazer tempos de resposta que irão parecer instantâneos.

Se ver um filme no telemóvel ou descarregar grandes ficheiros com os dados móveis já não é um problema, o tempo de resposta aos pedidos continuou a ser longo no 4G. Todas as actividades que dependam da velocidade de reacção não poderão contar com esta tecnologia. Imagine-se, por exemplo, um cirurgião a controlar remotamente um bisturi em que seja necessário meio segundo para visualizar cada movimento.”Ups! Era só para cortar o prepúcio?…”

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Por trás das palavras – Huawei, Cisco, 5G, NSA e os EUA (1)

Há dias, o responsável pela regulação das telecomunicações dos EUA, o FCC, esteve em Portugal, juntamente com o embaixador dos EUA em Portugal, a fazer pressão para que o governo bloqueasse a possibilidade de a Huawei fornecer equipamentos de telecomunicações 5G aos operadores de telecomunicações portugueses.

A visita fez parte de uma cruzada pela Europa, que já tinha passado pela Nova Zelândia, Austrália, Japão e Canadá. Trump, ele mesmo, envolveu-se no tema, da forma idiota e mentirosa que lhe é característica, desvalorizando a tecnologia 5G, que ainda nem chegou aos consumidores, e falando num inexistente 6G, como quem recomenda “não compres já o computador – espera pela actualização que sairá depois do Natal”.

Por cá houve quem achasse que tinha uma oportunidade de fazer corpo presente e mandou umas bocas. Há sempre quem se ofereça para fazer estas figuras.

A história é longa demais para um post e sairá ao longo dos próximos dias. Há muito mais do que palavras por trás do que se anda a dizer quanto ao 5G.

Anomalias de temperatura por país entre 1880 e 2017

Anomalias de temperatura por país [-2ºC .. +2ºC], entre 1880 e 2017, com base em dados GISTEMP da NASA.
Fonte: Pascal Bornet (@Linkedin & @Flickr).
Portugal está ali no quadrante direito inferior.

Para a discussão: [Read more…]

A absoluta cretinice da Microsoft

Talvez já tenham passado por esta situação. Estão a trabalhar num computador com Windows e uma actualização automática diz que está pronta para ser instalada, sendo necessário re-iniciar o computador. Nesse momento, estariam a escrever algum texto e carregaram na tecla de espaços, o que equivale a clicar no botão pré-seleccionado da caixa de diálogo entretanto apresentada – esse mesmo botão que diz ao Windows para avançar com a actualização. E assim se perde todo o trabalho que ainda não estivesse guardado.

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O fato é parâmetro preferencial

Phenomena in physics are also conditioned by all kinds of extra-physical parameters, which may be biological, chemical etc. Would physicists try to explain physical phenomena by extra-physical causes before having tried physical explanations? Would anybody believe that extra-physical explanations are superior to physical ones per se?

Tobias Scheer

Penny meant “if he were a purple leprechaun”. Penny forgot to use the subjunctive.

Sheldon

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Depois de termos ouvido Searle a pronunciar-se sobre o modo que exprime acções e estados ainda por realizar e hipóteses ou acções e estados irreais, hoje é a vez de ouvirmos (e lermos) o Sheldon a exprimir-se sobre o conjuntivo. Relativamente a ontem, esta é a grande novidade que me apraz registar. No sítio do costume, lamento imenso, continua tudo exactamente na mesma.

Continuamos com contatar (e contactar!):

Aliás, abrindo um parênteses, esta tendência não é exclusiva do Diário da República — também sofrem do mesmo mal quer a Lusa, quer quem divulga os despachos (os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume, por este alerta):

Fechado o parênteses, mantêm-se os fatos:

Até há mais fatos: [Read more…]

Nascer da Terra: uma imagem icónica com 50 anos

“Ninguém lhes havia dito para procurar a Terra. Era véspera de Natal de 1968 e a primeira missão tripulada à lua chegara ao seu destino. Quando a Apollo 8 entrou na órbita lunar, a tripulação preparava-se para ler passagens do Génesis para uma transmissão televisiva. Mas, à medida que o módulo de comando completava a sua quarta volta, ali estava ela, visível através da janela – um enfeite azul e branco suspenso no preto acima do severo cinzento da lua.

Antes daquele momento, há 50 anos, ninguém havia visto o nascer da Terra. Esta visão fez Bill Anders, o fotógrafo da missão, precipitar-se para a sua máquina fotográfica. Colocou um rolo de 70mm colorido na Hasselblad, definiu o foco para o infinito e começou a fotografar através da teleobjectiva.

O que ele capturou tornou-se numa das imagens mais influentes da história. Força motriz do movimento ambientalista, a imagem, que ficou conhecida por Earthrise (nascer da Terra), mostrou o mundo como um oásis singular e frágil.” [Ian Sample, The Guardian]

Artigo completo: “Earthrise: how the iconic image changed the world“.

Douglas Engelbart (1925-2013), o visionário

“Chamei rato a este dispositivo de apontar, não sei bem porquê, mas o nome foi ficando”. Assim explicou Engelbart, com uma humildade estonteante, uma das suas invenções que actualmente consideramos banais.

Teve lugar numa demonstração tecnológica que ficou conhecida por “The Mother of All Demos” (a mãe de todas as demonstrações), assim baptizada por ter introduzido, num único sistema, muitos dos componentes presentes na computação moderna e pelo carácter visionário dos conceitos introduzidos.

Esta apresentação, que fez recentemente 50 anos, a 9 de Dezembro, durou 90 minutos e contou com a introdução de um sistema completo de hardware e software de computador. Entre outras invenções, incluiu a apresentação do rato de computador, videoconferência, teleconferência, hipertexto, processamento de texto, hipermédia, ligação dinâmica de ficheiros e um editor colaborativo em tempo real.

A lista de invenções é notável, mas ainda mais estonteante é a simplicidade com que Douglas Engelbart as apresentou. Talvez a plateia tenha tido a sensação de estar perante um vislumbre do futuro. Se sim, estava certa.

Barroso e o desígnio do diesel

Durão Barroso foi um dos principais responsáveis pela aposta europeia na tecnologia diesel, pela multiplicação de viaturas particulares a diesel e pelos seus efeitos negativos, quer económicos quer ambientais. Durante os dois mandatos de Barrosos como Presidente da Comissão, a tecnologia diesel europeia foi eleita como uma das tecnologias prioritárias a desenvolver e a exportar massivamente para o resto do mundo. Poderia ter apostado no software de utilização livre Linux ou nos telefones móveis quando esta tecnologia era liderada pela Nokia ou pela Ericsson. Poderia ainda, ter apostado no investimento no desenvolvimento científico e tecnológico nas universidades e nas empresas europeias, como o fizeram Bill Clinton e Al Gore nos EUA com resultados conhecidos (Google, Facebook, Youtube, etc.). Em vez, Barroso apostou na estratégia comercial da Volkswagen e de outras marcas alemãs, sob o pretexto do acordo de redução do dióxido de carbono assinado com a Indústria Automóvel Europeia em 1998. Segundo a Comissão Barroso, a emissão de dióxido de carbono seria reduzida pela adoção dos motores diesel em alternativa aos motores a gasolina. Na teoria as contas pareciam bater certas, na prática essas contas escondiam uma estratégia mais lucrativa de venda de carros com motor a diesel e uma fraude na contabilização das emissões que seria desvendada mais tarde. [Read more…]

O Wuant descobriu o artigo 13

Wuant, um fenómeno do Youtube com uma enorme legião de fãs, que se traduz nos seus mais de três milhões de subscritores e nos milhões de visualizações, partilhas e retweets acumulados, descobriu por estes dias o artigo 13, que – surpresa! – irá condicionar o negócio do seu estabelecimento virtual

Vai daí, o youtuber fez uso do seu poder mediático para lançar o pânico junto do seu público-alvo, pânico esse que, como seria de esperar, rapidamente se tornou viral. Pena que só agora se tenha apercebido do que aí vem. O Jorge já nos anda a avisar há mais de um ano, mas o Wuant, como a maior parte do jovens da sua idade, não deve ter tempo ou paciência para ler blogues. Ou jornais. Como é seu direito. [Read more…]

Mars InSight

“Aterrou” com sucesso e já enviou a primeira fotografia.

É uma obra notável conseguir poisar no solo marciano com sucesso depois de uma viagem tão longa e depois de anos de planeamento e execução da missão.

Mas que não nos iludamos quanto a cultivar batatas em Marte e conseguirmos um segundo planeta para vivermos, caso a Terra entre em colapso. Qualquer lugar mais inóspito aqui deverá ser um paraíso em Marte. Mais vale cuidar do terceiro calhau a contar do Sol.

O Comboio Eléctrico a Barcelos


Chegou no mesmo dia em que os americanos poisaram uma sonda em Marte.
É uma coincidência cósmica que confirma Barcelos como o centro da galáxia.
© Valdemar Rodrigues Pereira

Robot Atlas a fazer parkour

O software de controlo usa todo o corpo, incluindo pernas, braços e torso, para acumular energia e força para saltar sobre o tronco e subir degraus sem quebrar o seu ritmo.

O glifosato e a morte das abelhas

As abelhas têm estado a morrer sem que se conheça a causa. Porém, um estudo realizado por investigadores da Universidade de Texas, em Austin, vem lançar alguma luz sobre o assunto. De acordo com os resultados obtidos, o glifosato destrói bactérias específicas dos intestinos das abelhas, expondo-as a infecções bacterianas mortais.

Imagem: Alterações na composição do microbioma intestinal de abelhas após exposição ao glifosato (fonte)

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O primeiro Ig Nobel português

Parabéns aos autores do artigo Human Saliva as a Cleaning Agent for Dirty Surfaces. Vale a pena ver a cerimónia.

Parabéns aos lobistas da indústria de conteúdos

 

Drama atinge o hemiciclo enquanto o Parlamento Europeu apoia projecto de lei dos direitos de autor
O Parlamento Europeu aprovou o polémico projecto de direitos de autor nesta quarta-feira (12 de Setembro), provocando aplausos de júbilo e uivos de desaprovação por parte dos eurodeputados no hemiciclo de Estrasburgo.

Particularmente, os artigos 11 e 13 foram ambos aprovados, tendo sido rejeitadas várias propostas de alteração oriundas dos opositores ao projecto.

O Artigo 11 obriga as plataformas de Internet que publicam fragmentos de informação a contratar uma licença do editor original do material, enquanto o artigo 13 pede aos provedores de serviços que monitorizem o comportamento do utilizador como meio de interceptar infracções dos direitos de autor.

Parece tudo aceitável, não parece? Esperem até verem negada a tentativa de carregarem uma selfie num estádio de futebol (1), ou de partilhar um vídeo onde aparece uma televisão a emitir qualquer coisa (2). Ou a partilharem uma gravação vossa de uma música de Beethoven (3). Ou a fazerem uma citação de um livro ou de um jornal (4).

voss.jpg

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A União Europeia e a Internet, novamente

Isto cansa e o exército dos eurocratas ao serviço do lobby da indústria do entretenimento, camufladalo de defesa dos autores, acabará por ganhar por exaustão.

Amanhã, irá a votos a segunda versão da estratégia de censura da Internet, agora limada mas mantendo o tom.

Já tudo foi dito. Sobra a cada um informar-se sobre os novos desenvolvimentos e agir:

https://pt.saveyourinternet.eu

Entretanto, é de ler este post “Nova resposta de @marinhopintoeu a @ruitavares no jornal @Publico é surreal #SaveYourInternet #FixCopyright #SaveUsFromOurMEPs“. A estupidez é ilimitada.

Axel Voss, o hipócrita

O eurodeputado acérrimo defensor da entretanto chumbada lei sobre direitos de autor, Axel Voss, usou ao longo dos últimos 2 anos fotos com direitos de autor para ilustrar os seus posts no Facebook e no Twitter.

Questionado diversas vezes por um jornalista do Buzzfeed (tradução automática pelo Google Translate) sobre se tinha comprado o direito de usar essas fotos, nunca deu uma resposta directa, antes se esquivando em respostas evasivas.

Numa dessas respostas, o seu gabinete informou que “até à data, não temos conhecimento de nenhuma violação de direitos de autor”. No entanto, as imagens em causa pertencem a bancos de dados de imagens, tais como Adobe Stock, iStockPhoto, etc., cada uma delas com preço de venda entre os 9 e os 29 euros. Usou também cartoons do New York Times, entre outros. Não é preciso ser-se um génio para se perceber que são imagens com direitos de autor.

Perante a insistência do jornalista para saber se Voss tem o recibo da compra, a resposta foi novamente vaga, dizendo que não disponibilizam recibos a terceiros, mas que removeriam imagens com direito de autor com base no procedimento de “notificação e remoção”. Acontece que este procedimento é aplicável a ISP (Internet Service Providers) e não a utilizadores individuais.

Face à ausência de uma resposta simples, sim ou não, torna-se claro que Voss utilizou as imagens em causa sem ter adquirido o direito de uso. E a suspeita torna-se mais forte quando, passados uns dias, os posts em causa formam removidos sem explicação alguma. Como quem tenta passar despercebido.

Claramente, Alex Voss, o hipócrita, que anda há anos a pretender que defende os direitos de autor, foi o principal impulsionador de uma lei que iria alterar profundamente a forma como usamos a Internet e, no entanto, não se dá ao trabalho de respeitar esses mesmos direitos de autor.

Já agora, para o próximo capítulo, Marinho e Pinto é detentor dos direitos de autor das imagens usadas no seu site? Como por exemplo desta, que é capa de um livro. E de todas as que têm o nome do ficheiro do género “Captura-de-ecrã-aaaa-mm-dd”, sendo “aaaa-mm-dd” uma data. A captura de ecrã deve ser uma forma nova para usar imagens com direitos de autor.