Quando fazer história pode ser insuficiente

portrus

Ponto prévio: Portugal está em disputa directa – sempre esteve desde que se conheceu o calendário – com a Ucrânia e a Rússia. Estranhou-se, por isso, que contra esses adversários o umpire manager, o senhor que manda nas nomeações – que por acaso é espanhol e se chama Antonio Morales – tenha escolhido para as duplas que dirigiram esses jogos, seguidos, um tal Aliaksandr Hrachou, de sua (falta de) graça, e aparecido no campeonato, vindo da Bielorrússia. Quando poderia perfeitamente ter nomeado Nick Bennett (inglês) ou Mike Gerving (alemão), nomeados e presentes em Lousada como árbitros neutros. E é para jogos destes que os torneios internacionais têm árbitros neutros.

Mas pior ainda, ou menos avisadamente, andou Don Morales quando nomeou um árbitro português (Ricardo Fernandes) para o Ucrânia – Rússia e um árbitro russo (Andrei Isaev) para o Portugal – Irlanda. Mais estranho ainda porque, como é norma e boa prática, havendo duas ou mais séries, e é o caso, se nomeiam árbitros dos países que concorrem na(s) outra(s) série(s), ou os tais árbitros neutros se está muito mais em jogo. Que também é o caso!

Mas vamos ao desporto!

Hoje, já houve um Escócia – Itália, que terminou empatado a duas bolas. Mas esse jogo não nos diz directamente respeito no presente, é da outra série.

Ora, ontem, no jogo mais importante para Portugal, conseguimos um resultado que será sempre histórico em termos de ranking mundial, mas faltou um bocadinho para ser ainda mais histórico.

De facto, se tivesse vencido a poderosíssima Rússia, Portugal iria disputar, sexta e sábado, a poule de subida à divisão A. Ao empatar (3-3), Portugal fez um grande resultado, mas adiou para hoje, quando defrontar a super Irlanda, as contas sobre o lugar que vai disputar na segunda fase da prova.

Sobre esse jogo, poderemos dizer que, a priori,poderia  não contar para o nosso campeonato. Esse seria tentar vencer a Ucrânia – apesar de estar à nossa frente no ranking – para animar um pouco e depois seria o que Deus quisesse. Ora Deus quis que, não obstante ter jogado muito melhor contra nós do que no dia anterior, a Rússia não se tivesse apresentado, nesta lotaria das gerações de formação, ao nível dos seus enormes pergaminhos, se tivermos em conta as grandes performances da sua equipa sénior nos últimos tempos.

Só que os jovens portugueses não conseguiram ultrapassar um certo pânico (sejamos bonzinhos, medo) e, embora batendo-se  bem, houve quem tivesse passado um pouco ao lado do jogo em termos de cabeça. E todos sabemos que, quando a cabeça não está, o corpo é que paga. Aqui, pagou a prestação colectiva, que esteve abaixo do que demonstrou contra a Ucrânia.

Durante muito tempo, estaremos condenados a perder com a Rússia muito mais (ou todos) jogos do que aqueles que ganharemos. Mas, ontem, até poderia ter acontecido essa vitória. É assim que a (boa) história se escreve!

Hoje à tarde, no dia das grandes decisões, a Ucrânia defronta a Rússia no jogo, quiçá, mais importante para Portugal. Primeiro, porque é disputado antes do nosso encontro com a Irlanda; segundo, porque pode, desde logo, definir se o resultado do jogo com os irlandeses interessa ou é só para cumprir calendário. Mas, se for necessário, que Portugal se agarre a tudo o que tem e faça de novo história, pontuando contra a quase profissional (mas muito profissional em comportamento desportivo) Irlanda. De facto, numa divisão B, não há equipas perfeitas (se é que as há mais acima), e haverá sempre uma fissura por onde os esplêndidos Linces, aqueles que fazem a diferença no grupo, poderão entrar e conquistar para Portugal, por exemplo, o pódio.

Isso, sim, seria uma / a história bem contada!

 

Foto: Douglas Rogerson

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