A demagogia demográfica

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Inventou-se um alvoroço porque os portugueses não se reproduzem, fodem mas não fazem, causa garantida para um Portugal em velhos, reformados para os quais teremos de trabalhar.

Não fodessem por abstinência, ou houvesse uma epidemia de infertilidades, era um problema.

O que temos é demagogia demográfica, investigada e publicada pela fundação Pingo Doce que por enquanto não pretende vender preservativos furados, e agora tomado como imperativo nacional pelo PSD, tipo esqueçam que agravámos todas as causas, estamos muito preocupados com as consequências.

Inventar dramas é compulsivo entre os praticantes da doutrina do choque, os que provocam não lhes chegam. O da quebra da natalidade e consequente envelhecimento da população é um bom exemplo, perfeitamente explicável e que a direita, responsável principal, decidiu transformar em catástrofe para vender contas poupança reforma.

Há uma quebra na natalidade? um crescimento da esperança de vida logo envelhecimento da população? Há, mas tem meio século:

Gráfico do Ricardo Alves

Acontece que a população não encolheu, dilatou:

Portugal: população residente 1970-2013

Portugal: população residente 1970-2013

A quebra de natalidade explica-se por muitas razões, que se ligam à evolução social, económica e de mentalidades, três palavrinhas que me poupam várias linhas a enumerar mais banalidades, da pílula à mulher no mercado de trabalho, passando pelo funeral do casamento para toda a vida.

A população residente, essa já depende sobretudo do económico, e o crescimento brutal que teve no início da democracia explica-se a si próprio.

Haja crescimento, emprego, e um estado social forte, e já agora creches e leis que protejam a maternidade e paternidade, haverá criancinhas e o assunto fica resolvido, como é óbvio. E também temos de ter em conta as migrações.

Claro que sobre a nacionalidade  temos os defensores do jus soli e os adeptos do jus sanguinis. A vantagem destas crises demográfica é que o bom senso e a necessidade nos encaminham para os dois. Ao contrário do que escreveu Mestre Almada, as mulheres portuguesas não são as únicas que sabem fazer portugueses. Nem os portugueses foram feitos só por portugueses, muito pelo contrário ou ainda seríamos meninos do Lapedo.

O que resolveria rapidamente o actual problema, fazendo regressar aqueles que este governo mandou para a emigração, invertendo o ciclo de natalidade e atraindo imigrantes, não deve andar muito longe de estarmos a precisar de um novo 25 de Abril.

Comments

  1. João Paz says:

    “Haja crescimento, emprego, e um estado social forte, e já agora creches e leis que protejam a maternidade e paternidade, haverá criancinhas e o assunto fica resolvido, como é óbvio.”
    Nem mais!
    E o resto são desculpas e mau pagador dos traidores que ocupam o governo que fazem o mal e a caramunha.

  2. José Peralta says:

    O trampolineiro, o vígaro, o mentiroso patológico coelho, “aconselhou” os portugueses a emigrar, por que, na sua “douta opinião” o despedimento não era um drama, um estigma, antes uma “oportunidade de mudar de profissão e de vida” !

    Vai daí, mais de um milhão de “beneficiários dessa oportunidade” e largos milhares sem subsídio de “oportunidade”, a acrescentar aos quase 400.000 emigrantes que levam a família e tem filhos na “estranja” !

    E vai daí, faz aprovar, o intrujão, leis do trabalho absolutamente selváticas, ao gosto de empresários muito “respeitadores” dessas “leis do trabalho” !

    Que despedem mulheres que engravidem ou, simplesmente, não as empregam, para não terem problemas “desses”….

    Há grávidas que chegam às maternidades COM FOME, para certos exames que não podem fazer com o estômago vazio. Aconselhadas a irem comer, dizem que “não podem, porque se esqueceram da carteira em casa”…

    Há cada vez mais crianças COM FOME, que desmaiam na escola e com consequente desaproveitamento escolar !

    Há cada vez mais idosos COM FOME, e que têm que escolher entre um pão ou a ida ao hospital, ( ou ao Centro de Saúde, se já não o fecharam !), porque não têm dinheiro para o transporte!

    A lei da rôlha, está em franca expansão e vitalidade.

    Quiseram, espero que sem êxito, calar os médicos sobre a degradação do SNS, as graves e criminosas carências nas farmácias hospitalares.

    Os profissionais da Segurança Social e as IPSS, não revelam os casos dramáticos que presenciam, porque se os denunciam, têm medo que o “governo” presidido pelo trapaceiro (e não há um valente raio que o parta ?), lhes corte os subsídios !

    Porque o que é preciso para estes torcionáros, como no tempo do manholas de Santa Comba, é impedir que a VERDADE seja dita, porque fazem da MENTIRA a sua religião !

    Depois da hecatombe que provocaram, vem agora este coelho excremental e outros membros lá da “coelheira”, dizer que já estamos no paraíso, a crise passou, vivemos no melhor dos mundos, e é hora de estimular a natalidade (não esquecer que para o ano há eleições…) e, como o João José Cardoso “lhes dá a ideia”, porventura subsidiar os “amigos” soares dos santos, o belmiro e outros, para venderem preservativos furados “leve três embalagens e pague só duas…fazemos descontos de 50% nos restos de colecção” !

    Quanto a “estarmos a precisar de um novo 25 de Abril”, falo por mim ! Eu, nesse particular assunto, sou como o “outro” :

    Também não tenho dúvidas !


  3. O que diz Cavaco?


  4. Eu já tinha culpa de tantas coisas e agora ainda tenho que me penitenciar por não ter mais filhos. Este maquiavélico coelho é pior que a Igreja católica a inventar pecados! Dasss.


  5. A realidade.
    Há cada vez mais grávidas, bebés, crianças e idosos a passar fome:
    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=752465&tm=8&layout=123&visual=61

    Como é possível?
    Ser filho único:
    http://www.rtp.pt/play/p271/e159165/dias-do-avesso

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