A obra pela obra (3)


Ainda o concelho de Soure como exemplo da obra pela obra. Esta rotunda tem, no círculo central, vinte e cinco metros de diâmetro. Está numa estrada municipal com pouco trânsito e na outra estrada que chega à rotunda chega trânsito local. Serão algumas dezenas os carros que aqui passam por dia. Conheço bem o cruzamento que aqui existia e sei perfeitamente que não precisava desta rotunda, ainda para mais gigantona como esta.

O painel com o custo da obra ainda por lá anda mas não tendo nota do seu custo parti em busca de documentação nos sítios do QREN e da Câmara Municipal de Soure. Desisti depois de muita persistência. Por outro lado, encontrei isto:

Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Soure, realizada no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Município,
em 30 de Setembro de 2010

SITUAÇÃO FINANCEIRA
DÍVIDA EM 24.09.10
BANCA 8.318.885,49 EUROS
A OUTROS CREDORES 3.324.275,95 EUROS
TOTAL 11.643.161,44 EUROS

Uma pequena câmara municipal com uma dívida de 11,6 milhões de euros andou a construir rotundas inúteis, passadeiras desnecessárias e a melhorar estradas que não precisavam de melhoria. Gastou dinheiro nisso em vez de pagar aos credores. O que ganhou o concelho com isto? Zero.

São retratos do país falhado que tira dinheiro da economia para a obra eleitoral. O qual os aceita com resignada naturalidade.

Comments

  1. Carlos A. Leal says:

    Ó home!… Olhe c’o Sò Persidente é esperto!… Se ele mandou lá botar aquilo, por alguma coisa foi!… Vai ver, mais coisa menos coisa, ainda por li aparece um sacana dum imprendimento de se lhe tirar o chapéu!… E ódepois, se não huve a arretunda…? Hã…?


  2. Caro Jorge, há aqui um grande equivoco! Não é uma rotunda, é um heliporto!!… 😉
    Quanto ao despesismo municipal estamos de acordo. Desenvolvemos uma estrutura estatal grande, balofa, cheia de peneiras e maneirismos de pacotilha que só cá anda para gastar o dinheiro do Zé!… E o Zé gosta! Quanto mais corruptos e engraçados mais ele se anima, e vota!… Temos o “destino” que sabemos merecer…


  3. o problema é o literalismo com os portugueses assumem a causa pública. “Deixar obra” é, na falta de imaginação ou responsabilidade isso mesmo, fazer obras. Daí ao surgimento do autarca-empreiteiro, esse híbrido tão português é apenas um pequeno passo. E passam uma legislatura alegremente a inaugurar aqui, descerrar acolá, o que -conceda-se- também facilita o escrutínio do estado a que isto chegou: é só ler os nomes nas placas inaugurativas.


  4. Deveria de haver uma rotunda para cada português, é sinal de progresso, é ultrapassar a cidade romana (do tempo de império, não do filme do Fellini), em xadrez, para a cidade medieval, em irradiação (rotunda onde vão dar todas as ruas). boa semana


  5. Sem rotunda onde iam por a estátua? Na berma fica mal.
    É mais um monumento ao despesismo público, que só existe porque os “responsáveis” políticos não são nunca responsabilizados pela má gestão, e se são “julgados nas urnas” nunca vão presos nem obrigados a devolver o saque.

  6. Zé Carioca says:

    Assim de repente e ao olhar para a rotunda imaginei um presidente da câmara “empalhado” ali no meio, tipo espantalho de … futuras rotundas!

  7. João Duarte Rosa says:

    Olá Jorge
    Desconhecia que o seu olhar crítico fosse até ao meu torrão natal referindo o aborto da rotunda e o criminoso corte dos choupos.Obrigado.
    O Isaltino não andou por lá mas parece.Só que teria replantado os choupos e feito um repuxo na rotunda!Sempre aumentava as comissões!!!!


  8. Mas não temais, há esperança!
    http://imprensafalsa.com/426759.html

  9. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Quem não sabe fazer mais nada faz rotundas – vi milhares entre 1999 e 2008 quanso corri o país como júri do INH e este ano de 2012 o presidente da CML também não tinha onde gastar 850 mil euros e fez uma porcaria na torunda do marquês – é virose contagiosa dos autarcas – milhões de euros inutilizados + espaço físico mais inutilidades – com a libertinagem autásrquica que querem descentralização, mesmo sem ela, o que fazem e o que seria se lhes fosse dado mais – veja-se o queijo flamengo dos túneis do Funchal – é uma ofensa à ilha – visitei funchal todos os anos desde 1971 a 2008 – não quero lá voltar nem em trabalho
    a ilha secou e até em 2011 deslizou talude abaixo – já eu sabia – era óbvio com tanto buraco e a ilha verde e bela Pérola do Atlântico só a acha bela quem não a vou em 1977 como eu e anos seguintes – Se secontabilizasse o dineiro gasto com inutilidades por cada autarquia não faltaria dinehiro para escolas e centros de saúde e jardins

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