A propósito de um prémio internacional: os contributos do Ministério da Educação

No passado dia 7, escrevi um texto em louvor de António Gil Cucu, o aluno português que venceu um prémio de tradução de Latim, em Itália. Mantenho, evidentemente, o elogio, reforçando a ideia de que tudo se deveu ao mérito individual de alguns, contra a corrente de ignorância e de incúria em que é arrastado o país.

Desejo, no entanto, penitenciar-me pelo facto de ter previsto que Nuno Crato iria ter a preocupação de aparecer numa fotografia a cumprimentar o jovem latinista. Se virem este vídeo, ficarão a saber que o Ministério da Educação não contactou com o aluno. Alguns poderão ver nisso desprezo pelo estudo do Latim e terão, com certeza, razão. Pessoalmente, vejo, ainda, nessa atitude do Ministério, um laivo involuntário de honestidade: se nada fez pelo Latim e se tanto continua a fazer para destruir a Educação e as Humanidades, seria de uma grande hipocrisia congratular-se com um prémio para o qual não contribuiu.

A propósito do apoio do Ministério, seria interessante, ainda, saber se o aluno e o professor, que foram representar Portugal num certame internacional, receberam alguma ajuda financeira ou se foram a expensas próprias, o que seria demasiado escandaloso para ser verdade.

Comments

  1. Ainda ensinam latim? é obra, embora o português venha da vulgata.

  2. Jorge Moranguinho says:

    Nas anteriores participações em concursos semelhantes ao Certamen Horatianum, como o Certamen Ciceronianum Arpinas ou o Certamen Ovidianum Sulmonense, os professores e os alunos portugueses foram sempre a expensas próprias. Este ano, a coisa não foi diferente. Exceptuando as despesas relativas à estada em Venosa, custeadas pela organização do concurso, todas as despesas de viagem (Porto – Roma – Porto e Roma – Venosa – Roma) e de alojamento e alimentação em Roma foram suportadas por mim e pelo aluno. Em Portugal, o escândalo nunca é de mais, a verdade é que é de menos. Talvez, um dia, o Ministério faça alguma coisa pela Educação!

  3. Sem subsídio e sem cumprimentos ministeriais, trata-se de uma vitória imaculada que Aluno e Professor dignamente merecem.

Trackbacks

  1. […] Jorge Moranguinho, o professor de António Gil Cucu, teve a gentileza e a frontalidade de comentar este texto, respondendo às dúvidas sobre o contributo financeiro do Ministério da Educação para a […]

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