Ainda os problemas domésticos de Trump

Lê-se no PÚBLICO que Trump quer colocar termo ao processo de destituição por causa do conflito, por ele agravado, com o Irão.

“Perder tanto tempo neste embuste político, neste momento da nossa história, em que eu estou tão ocupado, é triste”, disse o Presidente norte-americano. Senador republicano Lindsey Graham propõe alteração das regras para concluir o processo nos próximos dias. [PÚBLICO]

Trump, homem de poucas subtilezas e muitas caganças, apenas verbalizou o óbvio. O ataque ao Irão foi uma manobra para tentar tirar o processo de destituição do radar mediático, sem olhar para as consequências.

Entretanto, sucedem-se episódios reveladores do caos que é esta presidência, de que são exemplos a carta enviada ao Governo iraquiano que previa a saída das tropas dos EUA e a ameaça de atacar “alvos culturais” no Irão. O primeiro caso foi entretanto declarado como tendo sido um engano e, no segundo, o Pentágono afirmou, pela voz do secretário da defesa dos EUA, que é proibido por lei atacar locais históricos e que os militares não têm planos para ataques.

Problemas domésticos

Todos saberão que Trump está a meio de um processo de destituição. Nada de novo. Há provas claras do que ele fez, mas que pouco efeito terão num Senado controlado pelo seu partido, mais preocupado em manter o poder do que com esses antiquados conceitos a que chamavam de lei e decência.

O lado preocupante dos problemas domésticos dos presidentes americanos é que estes tendem a alastrarem-se a outras nações por via da guerra levada a cabo fora de casa. Foi o que agora se passou com o ataque ordenado por Trump ao Irão. E o mesmo se passou com anteriores presidentes, tais como Bush e a invenção das armas químicas no Iraque ou o ataque de Clinton ao Iraque, também, aquando da sua destituição.

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A superioridade do ego

Este D. Quixote vê moinhos de conspirações, onde pais e professores são os gigantes que evangelizam as pobres criancinhas em modernices sem jeito, ao mesmo tempo que se esquece de olhar para o espelho.

Cabe aos pais responsáveis e isentos da contaminação ideológica impor a sua autoridade (de pais e de contribuintes) e deter o desastre em curso.

Querido Mário Centeno,

Dada a nossa intimidade decorrente da extensa partilha dos meus rendimentos com o Ministério que chefias, certamente que não acharás desadequado o tom informal desta carta.

Como sabes, culminou na passada consoada mais uma troca de geringonças, que isto de brinquedos e meias é coisa de antigamente. Foi um momento bonito de se ver, com embrulhos trazidos pelo Pai Natal para miúdos e graúdos.

É sobre ele, o Pai Natal, que te escrevo.

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“Those were the days my friend”

Que 2020 vos seja favorável, leitores e autores.

Como estragar um bom filme – versão canal AMC

A última moda, de há tempos a esta parte, por parte de alguns canais por cabo consiste em inserir auto-promoções enquanto está a ser exibido um programa, sem no entanto o interromper.

O emplastro pode ir do simplesmente intrusivo, como quando há bonecada ou mini-clips sobrepostos ao programa, até serem a parte principal do que está a ser visto, como na imagem supra, onde o filme, neste caso, continua numa pequena janela do ecrã.

Neste exemplo, capturado no canal AMC, a inversão de prioridades é total, relegando para segundo plano o que de facto poderia atrair o cliente para o canal. Soma-se a esta tropelia ao respeito do assinante outras como intervalos de 3 minutos, nada infrequentes em diversos canais, fazendo esquecer que se trata de um serviço auto-financiado pelas mensalidades.

Um exemplo menor, mas ilustrativo, da forma como a indústria dos conteúdos encara o consumidor. Meros sacos de dinheiro que vão mungindo enquanto há mama. Depois queixam-se que há quem não os esteja para aturar – basta ir ali à esquina para apanhar um steaming da pirataria, sem o DRM nem as interrupções com que chateiam quem paga.

Imagem: amostra do filme Crocodile Dundee II

* post actualizado, depois de uma publicação acidental antes do tempo

Orquestra da TAUC – Rock em Português

Baixo Mondego

Sobre o futuro anexo ao aeroporto de Lisboa, conhecido como aeroporto do Montijo

Durante décadas falou-se em construir um novo aeroporto porque era preciso aumentar a capacidade e porque era perigoso ter um aeroporto ao lado da cidade. Consequentemente, o aeroporto de Lisboa seria encerrado.

Por isso, talvez tenha passado despercebido que a actual proposta recorrendo ao Montijo pressupõe que o actual aeroporto de Lisboa continue em operação. Mais, até se planeia a sua expansão. Está tudo explicado no comunicado da Vinci e ainda melhor ilustrado num vídeo produzido pela própria Vinci. Só faltou explicar porque é que o anterior perigo de ter um aeroporto no centro de Lisboa deixou de ser um problema.

Foi publicado na Nature, no passado dia 29 de Outubro, um artigo sobre a subida dos níveis da água do mar e o impacto nas zonas costeiras. A imagem seguinte é a projecção para 2030, portanto para daqui a 10 anos.

Subida do nível das águas – projecção para 2030 (fonte)

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Costa sabe nadar

Foi por isso que o discurso de hoje foi sobre o SNS, sem uma palavra sobre as cheias. Água não é problema para peixe.

Somos todos Porta dos Fundos, certo?

Ou isso da liberdade de expressão só é razão para defesa quando fanáticos islamitas desatam aos tiros contra os infiéis?

Só há uma coisa que me confunde. Se Deus é o Criador de tudo e mais alguma coisa, tudo sabe e tudo pode, porque é que ainda nada fez quanto a esta blasfémia? Será que é porque os senhores ofendidos têm uma coisa chamada telecomando que lhes permite não ver o que se passa no circuito fechado do Netflix?

Sede da Porta dos Fundos atingida com cocktails molotov após sátira com Jesus

A esperteza

 

A partir do conforto do seu gabinete ou da sua casa, à esperteza que se senta na cadeira de Ministro do Ambiente e que lançou para o ar umas cretinices sobre as pessoas que vivem em Montemor-o-Velho melhor fazerem em se mudarem para outros locais por causa das cheias, que até têm tido pouca relevância depois das obras na hidráulica do Mondego, feitas nos anos 80, se bem me recordo, não lhe ocorreu aplicar esse mesmo critério ao futuro aeroporto do Montijo, onde, mais cedo do que tarde, haverá problemas devido à subida dos níveis das águas do mar. Ou porque é que nunca se mudaram as populações das zonas ribeirinhas do Porto, por exemplo.

Podia ter aproveitado a ida à televisão para explicar porque é que das seis bombas de água previstas há décadas na hidráulica, só duas foram montadas e porque é que destas só uma delas está em funcionamento. Mas não era a mesma coisa, pois não?

Apesar da incúria, ainda tem o desplante em afirmar que é graças à manutenção que não ocorreu uma tragédia. Tivéssemos jornalistas em vez de porta-microfones, alguém teria colocado uma questãozinha ao xô ministro: quando é que foi feita a última manutenção e em que é que esta consistiu?

Filhos e enteados

Quem viva em zonas de influência de monumento nacional, ou com protecções semelhantes, que experimente trocar as janelas, colocar painéis solares ou alterar a cor da casa. Já para não falar de alterações que envolvam alvenaria.

Imagem: O “monolito” que Nuno Grande desenhou junto a São Bento divide opiniões

Em causa própria

Deputados como Luís Marques Guedes (PSD), João Almeida (CDS), João Olveira (PCP) e José Luís Ferreira (PEV) estão entre os mandatários e responsáveis financeiros que beneficiaram da alteração legislativa que eles próprios ajudaram a preparar no Parlamento. De acordo com o “Público”, cada um deles incorria numa coima entre 5 e 200 IAS (indexante de apoios sociais), “o que aos valores de 2019 equivalem a montantes entre 2.175 euros e 87 mil euros por cada irregularidade”. [Fonte]

Não há problema. Depois fazem-se parangonas sobre os perigos da extrema-direita e como é que ela chegou ao poder.

Adenda: a notícia original, do PÚBLICO

A propósito dos limites à tecnologia

Anteriormente, publicou-se aqui uma referência sobre privacidade e estados vigilantes. Ou dito de outra forma, sobre a materialização da distopia “1984”.

Ontem foi notícia um estudo comparativo sobre o número de câmaras instaladas em diversos países.

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“Uma gaiola foi em busca de um pássaro”

“Franz Kafka certamente sabia como escrever uma história. O aforismo de oito palavras que ele anotou num caderno há um século revela muito sobre o nosso mundo de hoje. A vigilância vai em busca de sujeitos. Os casos de uso vão em busca de lucro. Jardins murados vão em busca de clientes domesticados. Os monopólios de recolha de dados vão em busca de países inteiros, da própria democracia, para envolver e re-moldar, para engaiolar e controlar. A gaiola da tecnologia de vigilância persegue o mundo, à procura de aves para prender e rentabilizar. E não pára por sim mesma. A gaiola de vigilância é o veículo autónomo original, impulsionado por algoritmos financeiros que não controla. Portanto, quando descrevemos nosso mundo orientado aos dados como sendo “kafkiano”, estamos a falar de uma verdade mais profunda do que tínhamos imaginado.” [traduzido daqui]

A Cage Went in Search of a Bird“, é uma peça de leitura obrigatória sobre o futuro da privacidade, fazendo uso de um aforismo de Franz Kafka. Num breve resumo, a tecnologia proporciona poder e este será usado indiscriminadamente, a menos que pensemos com muito cuidado sobre como o queremos ver usado.

Outras leituras:

Contas certas onde?

Receitas e despesas do subsector Estado (portanto, sem as autarquias, governos regionais e SS). Fonte: Dívida Pública Portuguesa. De acordo com o autor do gráfico:

  • A escala no eixo vertical está em milhares de milhão. 50.000 M€ = 50.000.000.000€
  • Estes são os dados que constam na execução orçamental e estão excluídos alguns itens da despesa geral do Estado. Estas são as do Estado Central.

O gráfico realça bem os mitos que se têm construído em termos dos resultados das governações PSD/CDS e PS:

  • As tentativas de equilíbrio das contas não foram feitas do lado da despesa;
  • A evolução da receita fiscal em 2011 e 2012 evidencia o falhanço que foi a política do PSD/CDS e porque é que existiu o enorme aumento de impostos de Gaspar;
  • As contas certas de Costa são ficção;
  • Se há algo certo nas governações dos governos de Passos Coelho e de António Costa é o constante aumento aumento da receita fiscal a partir de fim de 2012;
  • Agora que o PSD e o CDS estão na oposição, ouvimos os respectivos líderes barafustarem contra a carga fiscal. Fica patente o lado hipócrita do que afirmam;
  • O discurso vendido pelo PS de António Costa no percurso que o levou à vitória nas últimas legislativas assenta na mentira.

As Quatro Estações

Quatro Estações, Vivaldi (RV 297) – Inverno – Cynthia Freivogel, Voices of Music 

Cada um dos doze andamentos de As Quatro Estações foi enquadrado por Vivaldi com um soneto, o qual ilustra o quadro musical desta obra de música descritiva. Com alguma imaginação, consegue-se ouvir o canto das aves na Primavera ou as tenebrosas tempestades de Verão. Supõem-se que estes sonetos terão sido escritos pelo próprio Vivaldi. Uma tradução pode ser encontrada em A Matéria do Tempo, da qual se deixa aqui uma parte.

A Primavera – 1º andamento: Allegro

Giunt’ è la Primavera e festosetti
La Salutan gl’ Augei con lieto canto,
E i fonti allo Spirar de’ Zeffiretti
Con dolce mormorio Scorrono intanto:

  

Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam as aves com alegre canto,
E as fontes ao expirar do Zeferino
Correm com doce murmúrio.

Vengon’ coprendo l’ aer di nero amanto
E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl’ Augelletti;
Tornan’ di nuovo al lor canoro incanto:

Uma tempestade cobre o ar com negro manto
Relâmpagos e trovões são eleitos a anunciá-la;
Logo que ela se cala, as avezinhas
Tornam de novo ao canoro encanto.

Nota: Os quatro concertos estão disponíveis na Wikipedia para ouvir e para transferir.

Livro de Reclamações Electrónico – questões de privacidade

Não havendo bela senão, a implementação do Livro de Reclamações Electrónico, anteriormente aqui abordada, faz uso de uma funcionalmente que conduz à recolha de dados em confronto com o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) – apesar de se afirmar a conformidade com ele. Tal acontece devido ao uso da tecnologia reCAPTCHA da Google, a qual permite minimizar o uso do serviço por spammers, mas à custa de envio de um vasto conjunto de dados à Google (por exemplo, IP, cookies, serviço a ser acedido, data e hora do acesso, tipo de equipamento usado, padrões de navegação, etc.).

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Livro de Reclamações Electrónico

O Livro de Reclamações pode ser usado em linha no endereço www.livroreclamacoes.pt (caso a entidades em causa tenha aderido ao respectivo serviço).

Precisa de deixar a sua reclamação ou elogio, mas não o consegue fazer no momento? O seu comboio foi suprimido e quer deixar registado que isso aconteceu? O atendimento num serviço foi exemplar e gostaria de deixar um reforço positivo? Agora não precisa de ponderar sobre a importância do acto vs. o incómodo adicional de usar o Livro de Reclamações em papel.

Parabéns à DGC e à INCM pela iniciativa, especialmente quando algumas entidades usam o baixo número de reclamações para afirmarem que nada se passa com os seus serviços.

Cheira a tapetes sacudidos

A memória é fraca. Ouvimos falar do terror que foi a ditadura, alguns de nós até o viveu, como se fosse um passado distante, bem enterrado nas profundidades do irrepetível. Nestes tempos gráficos, não será por falta de imagens que se não visualiza o que foram décadas de perseguições, assassínios, guerra e fome. Porém, as pessoas estão a aceitar a ultrapassagem de certos limites que, nos anos negros, antecederam a barbárie.

Talvez seja a ausência de medo a razão para que se permita uma nova eclosão do ovo da serpente. E só sente o medo quem vislumbra o perigo, o que acontece menos quando a memória se esbate. Por isso, sente-se no ar um certo cheiro a mofo, daqueles que resulta de se sacudirem os tapetes velhos ou de, desculpem o pleonasmo, limar velhos populismos para que aparentarem novidade. Por ora brilham, como ferro onde se passou lixa, mas acabarão ferrugentos, como ferrugentos acabaram os sonhos dos que nasceram nas décadas das ditaduras.

Este sujeito

Observador

Já percebeu como é que lhe vão aumum terço do empréstimo da troika foi parar à banentar o IRS?

by José Manuel Fernandes / Hoje, 00:21

Entre aumentos do IRS “para os ricos” (vulgo classe média) e mais impostos politicamente correctos, o futuro do nosso socialismo é o de todos os socialismos: durar até acabar com o dinheiro dos outros

Não merece respeito quem a ele não se dá. O artigo deste sujeito pinta um cenário onde os impostos aumentam por causa de um suposto socialismo. Mas a realidade é que, até agora, um terço do empréstimo da “troika” foi parar à banca. Chamar socialismo a isto equivale a insultar a inteligência de quem o leia.

Não é voz isolada, contudo. O seu jornal até publicou um tira teimas onde quase se conclui que foi bom negócio enterrar dinheiro na banca. E nem refere, nesse “estudo”, porque razão a CGD tem precisado de injecções de capital – precisamente, ter que emprestar dinheiro aos outros bancos.

O dinheiro dos outros tem tido um destino bem específico e José Manuel Fernandes faria melhor figura se se limitasse ao papel de jornalista.

[editado]

Podemos começar primeiro pelos rendimentos?

A manha é conhecida: arranjar desculpas para aumentar os impostos. Mas se é para comparar, comecemos pelo outro lado, o dos rendimentos. Ou a hipocrisia não o permite? A pergunta é retórica.

Que ele experimente fazer um desses “erros” no Texas

O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, está muito arrependido pelo que anteriormente disse. Especialmente agora que não é apenas o jornalista a contradizê-lo durante a entrevista. Está muito triste por ter chamado ao assassinato e desmembramento do jornalista Jamal Kashoggi um simples “erro” que deve ser perdoado, tal como com os erros da própria Uber – como por exemplo, no caso de um atropelamento, onde um carro autónomo desta empresa matou uma pessoa (o peão).

Fica aqui uma tradução livre de um trecho do artigo original.

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Mundo Web Summit

“Se acordar num colchão Casper, se fizer exercício numa Peloton antes do café da manhã, seguindo de Uber para a sua secretária na WeWork, depois se pedir DoorDash para o almoço, se apanhar um Lyft casa e se jantar através da Postmates, você interagiu com sete empresas que coletivamente vão perder quase 14 mil milhões de dólares só neste ano.”

Derek Thompson, na revista The Atlantic, sobre a estratégia das startups perderem dinheiro para ganharem cota de mercado. Dantes, chamava-se concorrência desleal a esta prática e até há leis a proibi-la. Hoje responde pelo nome de empreendedorismo. Pelo caminho, morre o tecido económico local, incapaz de concorrer com as mesmas vendas com prejuízo. Em simultâneo, desaparecm os empregos que o suportavam – ou trocando-os por relações comerciais frágeis e mais mal pagas.

Não há almoços grátis, costumam os liberais afirmar a propósito do Estado. No entanto, parecem acreditar que estes existem para o caso destas empresas. O que até é verdade, caso apenas olhemos para o imediato. Mas as borlas têm um preço a pagar, em deferido, sendo a respectiva moeda a concentração do mercado em meia dúzia de empresas, com todas as consequências que estes monopólios trarão.

Magia de Hong Kong

Onde colocar um aeroporto perante a subida do nível das águas do mar?

O degelo dos glaciares, com a consequente subida do nível das águas do mar, está longe de ser um mito – que o digam, por exemplo, os noruegueses.

Sendo um aeroporto uma obra para funcionar durante décadas, onde é que se deve construir um nova infraestrutura destas?

Junto ao nível do mar, obviamente.

Pergunta para bingo

O que é que se há-de fazer com um pedaço de paraíso?

Um aeroporto, obviamente. Stairway to heaven.

Joacine

Há pré-requisitos para todas as profissões. Ninguém imagina um cego a conduzir um camião de mercadorias nem um daltónico como designer. Há limitações bloqueantes, é um facto da vida. Ouvi a intervenção de Joacine Katar Moreira e tive muita dificuldade em seguir a mensagem que ela estava a passar. Num partido que é conhecido pelo trabalho de Rui Tavares, não percebo porque é que, no Livre, colocaram numa posição elegível alguém que terá enormes dificuldades em defender as suas teses. Veremos como correm estes 2 ou 3 anos de governo.

 

Estado minimizado, take 2

Nem a propósito, o liberal encartado vem dar o ar de sua graça.

“Os mais pobres culpam os mais ricos”, aponta Carlos Guimarães Pinto, só lhe faltando declarar que o fazem sem razão. Acrescenta ainda que “a alternativa à política do ressentimento é a política do crescimento. A aposta na valorização do trabalho, do mérito, do risco e da iniciativa privada.” Eis a pólvora novamente descoberta. Mas falta a este postulado a substância do que é defendido. Já vimos o que significa a maravilhosa iniciativa privada ao nível da banca (dezenas de milhares de milhões de euros roubados aos cidadãos), sector energético (electricidade entre as mais mais caras da Europa) e telecomunicações (Internet móvel é mais cara em Portugal do que na média da UE). Deve ser culpa da “luta de classes”, essa “aposta no ressentimento de uma classe contra outra“.

O que esta narrativa simplista falha em explicar é a razão de ser do sucesso alemão, dinamarquês, suíço e norueguês, só para citar alguns exemplos. Devem ser zonas mortas em termos de “socialismo”.

Ao ler o artigo, fico porém na dúvida se o articulista tem os conceitos devidamente afinados. Em primeiro lugar, o “autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico”, esse acto político que, por si só, é um monumento anti-liberal. Um governo decretar o que é a ortografia deveria fazer o Sr. Guimarães Pinto pensar. Em segundo lugar, fala de um suposto “Estado socialista” onde vivemos, sendo altamente recomendável que reveja a definição de socialismo. Pode começar pela Wikipedia. Por fim, faz tábua rasa quanto às décadas de governação PSD e CDS, como se estes nada tivessem a ver com o suposto estado gigante que nos engole. Enfim, é mais um político a escrever umas coisas.