Por falar em hipócritas,

PCP reduz lotação da Festa do Avante para um terço
O espaço de 30 hectares das Quinta da Atalaia e do Cabo da Marinha, na Amora, vai assim proporcionar cerca de nove m2 para cada militante ou visitante, entre 04 e 06 de Setembro [DN]

Segundo a porta-voz, a lotação máxima do Santuário de Fátima obedece às orientações acertadas entre a Conferência Episcopal Portuguesa e a Direção-Geral da Saúde e corresponde a “um terço do espaço” que normalmente estava acessível aos peregrinos antes da pandemia. [Notícias ao minuto]

Um santo terço, a muita distância dos 9 m2 por pessoa. Aguadam-se os cartazes do boy Duarte e a pose de fotografia de Estado do Chico Chicão.

Entretanto, na América

O presidente do Trump First, perdão, America First é o incendiário que depois vem dizer “vejam, não controlam o fogo”. Os quatro anos de Trump resumem-se a isto. É útil para Trump ou não?

Ao longo da sua presidência, Trump sempre procurou dividir. Os aliados, os inimigos e o país. Como se diz, em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Dividir para enfraquecer, para depois reinar.

Há quem o defenda. Será esta a visão destas pessoas para Portugal?

O vírus (fim)

O vírus do covid tem feito muitos estragos. Mas está longe dos efeitos do outro vírus que assola o mundo.

Assistimos ao despudor com que se mente à vista de todos, sem que os mentirosos sem importem por saberem que quem os ouve sabe que estão a mentir. Esta inversão de valores, reforçada por uma hipocrisia sem limites, tem um impacto fundamental em todos os tópicos anteriormente abordados.

A reacção do poder instituído ao breve crepúsculo em que se publicaram alguns arranhões na Internet foi de contra-informação em larga escala, estratégia que culminou nas fake news de agora. O próprio jornalismo transformou-se, em larga medida, num produto de consumo imediato, superficial e em busca do sound bite, à imagem do modelo de sociedade que temos.

Este é o maior vírus que nos ataca de há algum tempo a esta parte. Aos poucos, apaga a decência. O resto vai por arrasto.

(o vírus)

O vírus (6)

Imagem: NPR

Pela China, vivem-se momentos de autocracia em expansão acelerada. Hong-Kong está a ser colocada sobre a lei do autoritarismo chinês. E os sinais de controlo sobre os chineses somam-se continuamente. Peça-se um comentário ao governo de Passos Coelho sobre a venda da REN e EDP à China.

Na Europa, os líderes da Polónia, Turquia e Hungria nem disfarçam o ímpeto de ditador que os caracteriza. Esse mesmo que os líderes europeus, Costa incluído, fazem de conta não verem.

Também por cá, a relativização, e até cancelamento, de leis fundamentais da sociedade parece caminhar para a vulgarização. Os Açores deram o mote. Mas recentemente, o Governo da Madeira lembrou-se de impor uma lei (uso de máscaras na rua) que é, ao que dizem, inconstitucional. Continua a a aguardar-se uma palavra do Presidente da República sobre o assunto.

A recolha de dados usando os telemóveis em registo faroeste, passou também a ser uma prática, até na Europa do burocrático (what else) RGPD. O que não surpreende, pois a resposta europeia aos problemas não difere muito daquilo que se faz em Portugal: mete-se uma lei em vigor e o problema fica resolvido.

(continua)

O vírus (5)

Foto: Dave Killen/Staff

A América de Trump continua o seu caminho para a perda de relevância internacional e de declínio nacional.

Soube-se há dias que Trump nem se deu ao trabalho de procurar saber se Putin tinha ou não oferecido recompensas para que soldados americanos fossem mortos no Afeganistão por guerrilheiros pró-Taliban. Chegaram-lhe as suas teses infantis sobre a boa-vontade de Putin.

Neste momento, a ausência de resposta à pandemia está a ter forte impacto na possibilidade de ser reeleito, pelo menos confiando nas sucessivas sondagens que colocam Biden à sua frente por valores de 2 casas percentuais. A reacção de Trump foi de lastimar-se que ninguém gosta dele, de atiçar os cães contra Fauci (a Graça Freitas de lá) e de procurar um fait-divers que tirasse o tema covid das notícias (largou-se num tweet sobre o adiamento das eleições marcadas para Novembro, algo que não está sob o seu controlo).

Gozado depois do fiasco que foi o comício que não teve os milhares de participantes esperados, graças à partida da miudagem do TikTok que se inscreveu aos magotes como falsos participantes nesse comício, Trump lança agora as garras ameaçando fechar essa rede social. Um favor que o Facebook, que não viu esta competição chegar, muito agradecerá. E que se junta ao leque das incongruências do presidente, que em alguns momentos grita que a liberdade de expressão está em causa, como quando o Twitter removeu algumas das suas mentiras, para depois ser ele mesmo um agente da limitação da liberdade de imprensa e da redução da competição.

Em paralelo, o Congresso ouviu o gangue do GAFA (Goolge, Amazon, Facebook e Apple) sobre o seu poder e sobre as suas práticas anti-concorrenciais e de devassa da privacidade. A sessão com o responsável da Google transformou-se numa espécie de suporte técnico, quando um senador republicano usou o seu tempo para procurar dessiminar a ideia de que as big tech bloqueiam o discurso do partido de Trump. Alegava ele que o email que a sua campanha tinha enviado aos eleitores não chegou à caixa de correio do seu pai, ao que Sundar Pichai explicou como funciona o sistema de separadores do Gmail, que coloca as mensagens dos contactos de amigos e família num separador principal, deixando os restantes emails para separadores de marketing, correio não solicitado, etc. Não satisfeito com a explicação e desejoso de fazer crescer o tema junto da comunicação social, Greg Steube apontou que isso da prioritização dos emails familiares não funcionou com os emails da sua campanha, ao que Pichai referiu que os sistemas da Google não foram capazes de perceber que se tratava do seu pai. Assim se transforma uma discussão sobre práticas não-concorrenciais num episódio de campanha eleitoral.

Em Portland, uma mulher vestindo apenas um chapéu e uma máscara cirúrgica ficou à frente da polícia, que lhe atirou balas de gás pimenta aos pés para a desmobilizar. Não se tendo mexido, a polícia ficou parada e acabou por se ir embora 10 minutos depois. Um episódio sem incidentes de maior, desta vez, nos confrontos entre polícia e manifestantes em Portland, cidade para a qual Trump enviou agentes federais em veículos não identificados, os quais detiveram manifestantes sem se identificarem.

(continua)

O vírus (4)

Pela Europa, confirma-se a nulidade em que a União Europeia se transformou, incapaz de estar à altura de apresentar um plano conjunto de resposta à presente crise.

Assistimos ao habitual espectáculo da arrogância nórdica, como se não tivessem grande benefício com o mercado único, e à mão estendida dos países do sul, pródigos nos casos de corrupção na aplicação dos “subsídios”.

Agradecem esta desunião os restantes grandes blocos, como China e Rússia, que vêm a sua posição ficar mais consolidada de cada vez que os concorrentes não se conseguem organizar.

A “solução” europeia passa por uma forte dose de empréstimos, sejam eles a fundo perdido ou não. O ponto está no recurso ao empréstimo, em vez da opção pela emissão de moeda. Se a segunda opção se traduziria numa desvalorização transversal da riqueza, já a primeira assegura a manutenção do património dos poucos que controlam o sistema financeiro. Manutenção e, inclusivamente, aumento, já que alguém (os estados) acabará a pagar juros.

Sem surpresa, foi notícia que a riqueza dos multi-milionários aumentou ainda mais durante a pandemia.

(continua)

 

O vírus (3)

Graça Freitas e Marta Temido

Agora, a DGS já recomenda o uso de máscaras como medida de contenção do vírus.

É de recordar que Marta Temido e Graças Freitas insistiram repetidamente, no início do confinamento, que as máscaras era inúteis e que, veja-se só, até eram contra-indicadas. Estavam, então, em claro contraciclo com o que se fazia nos países que lutavam activamente contra a pandemia. Este volte-face ocorreu sem que proferissem uma palavra sobre o erro que cometeram e nem sobre as consequências que poderão ter causado aos portugueses.

Este panorama é a melhor fotografia da resposta do governo às crises, esta e anteriores. Houve muita conversa fiada, que se traduziu em propaganda diária em forma de conferência de imprensa. Assistimos à mão forte na legislação, sob forma da lei fecha-tudo, que nos permitiu ganhar tempo para nos prepararmos, mas que, vemos agora, não resultou em preparação visível por parte do Governo (continua-se a anunciar planos, em vez de execução dos anteriormente anunciados).

E, por fim, o tempo mediático não foi usado para educar os portugueses, tal como fez, por exemplo, a BBC, que passou repetidamente pequenos clips informativos (curtos!), tais como ensinar a usar a máscara, como lavar as mãos e divulgação científica.

(continua)

 

O vírus (2)

Capa do jornal Público, 2020-07-28

Novamente se constata que Portugal é um Estado com leis feitas à medida, o que talvez seja pior do quem um Estado sem leis.

Em causa está a negociata imobiliária do Novo Banco, onde tudo, veja-se só, foi legal. Até o facto de o prejuízo do Novo Banco ser coberto pelos fundos públicos é um sintoma deste país de leis cozinhadas. Alguém reviu e aceitou os contratos que estipulam estas medidas. A questão que se coloca é: quem foi? Não é difícil de saber, apesar de não ser notícia.

As leis são feitas para que acções criminosas ou condenáveis tenham fundamento legal. Esta é origem primária da corrupção. Mas que não haja motivos para preocupações. Daqui a 10 anos teremos na justiça um processo rigoroso, quando tudo tiver prescrito.

Siga-se o rasto do dinheiro, sem esquecer as off-shores que minam todas regras de equidade entre os poucos que têm milhares de milhões e o resto do mundo.

(continua)

 

O vírus (1)

Rui Rio e António Costa em Setembro de 2019

As últimas semanas têm sido particularmente virulentas, por cá e no resto do mundo.

No rectângulo, PS e PSD uniram-se para diminuir a fiscalização do Parlamento sobre o Governo e, consequentemente, dos portugueses sobre o Governo. Para os distraídos, o Governo presta contas à Assembleia da República, não o contrário, como habitualmente parece ser o caso devido à carneirada, perdão, disciplina parlamentar. Que passemos a ter debates mensais, com a presença obrigatória do Primeiro-Ministro apenas bimensalmente e que a medida tenha sido proposta em primeira mão pelo PSD, revela bem o estado de nulidade a que chegaram as instituições em Portugal – sim, não é exclusivo da Assembleia da República.

Ainda sobre o PSD, regista-se o seu caminho para a nulidade, ou pior, para a extrema direita, ao começar o namoro com o Chega. Más notícias, também, para o rapaz do CDS.

Entretanto, a Ministra da Cultura encheu a boca com um drink de fim de tarde, tal como Cavaco tinha enchido a boca de bolo-rei, anos antes, para não falar de um assunto incómodo.

(continua)

Isto é muito bom

Facebook has taken the EU to court for invading the privacy of its employees,

The social media company claims EU regulators have asked broad questions beyond the scope of two ongoing antitrust probes, and it has requested that the General Court in Luxembourg intervene. The EU is investigating both how Facebook collects and makes money from data and whether its Marketplace business has an unfair advantage over rivals in classified advertising.

É como se o Marques Mendes fosse fazer queixa de alguém por causa de coscuvilhice.

Pornografia industrial

Embalar abóboras, bananas, curgete e outros legumes que têm eles mesmos a sua “embalagem” natural. Ou uma caixa destas para um peixe.

O custo monetário do plástico é tão baixo que permite esta omnipresença. E o custo ambiental parece não importar ninguém.

O que me impressiona neste cenário é absoluta irracionalidade do acto. Para quê embalar uma abóbora em plástico? Qual é o valor acrescentado disso?

(Fotos feitas antes do covid.)

A bandalheira na Casa Branca

O grande presidente da Law and Order comutou ontem a sentença de prisão de seu amigo e ex-conselheiro político, Roger Stone, dias antes de Stone ter que se apresentar numa prisão federal na Geórgia.

Eis a palhaçada a que chegou a América de hoje.

Adenda: Desmascarando 12 mentiras e falsidades na declaração da Casa Branca sobre a comutação da sentença de Roger Stone

Ennio Morricone

1928 – 2020

Casa Branca rodeada por uma vedação com cerca de 3 Km

Quem tem cu, tem medo. O que se aplica também ao fanfarrão do Twitter. Parece que vai enviar a conta ao México.

Mini-me

Trump larga uns gases e Bolsonaro corre a cheirar. Os últimos casos, num claro e continuado decalque, têm passado pela cópia da resposta ao covid. Desvalorizar, promover a hidroxicloroquina, bloquear a comunicação social, ameaçar sair da OMS e manipular os números.

Em Portugal, um tal ventura do chaga procura a voz do dono entre Bolsonaro, Salvini e Trump, sendo que este último agora anda com pouco tempo devido à debandada no seu próprio partido, desde Powell, Mattis, Mitt Romney a Lisa Murkowski. Até o seu secretário da defesa o mandou pastar quando Trump quis enviar o exército contra a população.

Estes mini-me que idolatram Trump podem começar a ver os filmes do Austin Powers para tirarem ideias, começando pela parte de mexerem os lábios enquanto o dono fala. Se ainda tiverem dúvidas, peçam conselhos ao José Manuel Fernandes, que ele logo mostra como é que se atira areia para os olhos.

Nas vésperas de Verão

Há algo de compatível entre um Dão, colheita seleccionada, a moleza do calor e as palavras saídas da guitarra de Pablo Sáinz-Villegas.

O feudalismo da dívida

A Europa optou por criar liquidez com duas técnicas: 750 mil milhões de euros, dos quais 500 mil milhões serão distribuídos a fundo perdido pelos Estados-membros e os restantes 250 mil milhões via empréstimos.

Empréstimos no valor de 250 mil milhões! Com deliciosos juros para que os imensamente ricos fiquem ainda mais ricos através dos seus empréstimos.

A solução que teríamos antes do euro seria cada estado membro imprimir moeda e colocá-la no mercado. Em consequência, haveria empobrecimento de forma homogénea entre todas as camadas sociais, reflectindo a diminuição da capacidade produtiva trazida pelo confinamento.

Recorrer à emissão de dívida, como tem sido feito nos diversos “resgates” e agora na “solução” covid, produz empobrecimento e enriquecimento selectivos. Os muito ricos ficarão melhor, ao lucrarem com a dívida, e os remediados e os pobres ficarão mais pobres, ao terem mais impostos para pagar e menos regalias. Os fundos que paguem a dívida hão-de vir de algum lado.

Há um séculos, o feudalismo era o instrumento de enriquecimento selectivo. Agora chama-se crise. O resultado é o mesmo. Captura da riqueza individual por parte de um grupo restrito.

Floyd e a América racista

Copwatch (also Cop Watch) is a network of activist organizations, typically autonomous and focused in local areas, in the United States and Canada (and to a lesser extent Europe) that observe and document police activity while looking for signs of police misconduct and police brutality. They believe that monitoring police activity on the streets is a way to prevent police brutality. [Wikipedia]

Grupos de pessoas organizam-se, nos EUA, para filmar a acção policial porque já sabem que a probabilidade de esta ser violenta e injusta é elevada. Esperam pela reacção da polícia quando essa violência acontece e depois publicam os vídeos se o caso começa por ser abafado.

Foi o que aconteceu com Floyd.

Há assim tanto para investigar?

[Read more…]

Election first

Trump saiu da OMS num momento difícil de política interna. Tudo o que ele faz é no intuito de assegurar a sua reeleição. Quem quiser que apanhe os cacos.

A questão da responsabilidade do que é publicado

Até agora, as redes sociais estavam protegidas pela secção 230 do Communications Decency Act (CDA), que as impedia de serem responsabilizadas pelos actos dos seus utilizadores e as permitia regular livremente as discussões nas suas plataformas. [PÚBLICO, 2019-05-29]

O “Telecommunications Act” de 1996 (EUA) e o “Electronic Commerce Directive 2000” (UE) são pacotes legislativos aprovados com o objectivo de protegerem as plataformas electrónicas alimentadas por conteúdos dos seus utilizadores. Em termos brejeiros, são o equivalente a um café não ser responsabilizados pelos anúncios que os seus clientes afixem ao lado do balcão.

Ou seja, eu posso afirmar que o Trump é um filhodaputa sem que ele possa processar o WordPress, que é a plataforma onde o Aventar está alojado. Se se tratasse de um órgão de comunicação social traditional, este poderia ser alvo de processo pode difamação.

Mark Zuckerberg, o sonso, veio a público criticar Jack Dorsey, CEO do Twitter, por este ter dado o passo de permitir que os seus leitores verificassem, com um clique, a veracidade de conteúdos publicados no Twitter. Em particular, por este juntar a algumas mentiras de Trump uma ligação directa a serviços de fact check.

Zuckerberg, o sonso, a mentir ao Congresso dos EUA

[Read more…]

“Não deixes que a verdade te estrague uma boa história”, Trump, 2020

O mentecapto in chief fez o que sempre fez, que é usar o o Twitter para disseminar o seu chorrilho de mentiras. Para os distraídos, entre as últimas, inclui-se o uso da hidroxicloroquina para tratar a covid, uma falsa acusação de homicídio e diversas mentiras sobre fraudes eleitorais.

Desta vez o Twitter adicionou um link para que quem quisesse se informasse. Fez mais do que as multidões de reporters fazem nas “conferências de impressa” na Casa Branca. Foi chamado de mentiroso por umas letrinhas azuis em fundo branco. Veneno para um narcisista como ele.

[Read more…]

Só para recordar,

como está a situação daquele aeroporto que o Costa quis dar à Vinci ali para os lados de umas areias que ficarão debaixo de água daqui as umas décadas?

O banco dos cartéis

Durante décadas, o HSBC, um dos maiores bancos do mundo, lavou centenas de milhões de dólares para cartéis mexicanos de drogas. [Netflix, série 1, episódio 4]

A mentira

A nova direita tem na mentira a sua maior arma actual, potenciada por uma imensidão de gente que lê as gordas dos jornais e dos facebooks ou que ouve as intermináveis “reportagens” das cmtvês que por aí abundam, onde se incluem as respeitáveis sics, tvis e rtps, e que se contenta com este info-entretenimento camuflado de informação.

É por isso que sujeitos como o Trump conseguem dizer, até na mesma sessão verborreica, uma coisa e o seu oposto. E também porque um braço armado mediático fermenta a mensagem.

É igualmente por esta razão que o cónego melo fez um chinfrim baseado na mentira de o Rui Tavares ter dado uma suposta aula na nova tele-escola. E que o miúdo que se senta lá à frente do partido que é deste ou daquele grupo, como pensionistas e agricultores, consoante o vento eleitoral, engrossou a voz e cavalgou a mentira em forma de pergunta ao governo.

Entre diversos spins sobre o tema, é inevitavelmente lançada ao ar a ideia de que, se fosse o ventura que é levado ao colo pelas respeitáveis televisões, estaria a esquerda aos gritos. É possível que estivesse, mas não foi isso que aconteceu. Rui Tavares não deu uma aula na tele-escola e incendiar o tema nesses facebooks e twitters do costume não passa do uso da mentira como arma, particularmente eficaz entre quem não quer saber.

Perceber a política americana

At the top of his prime time show Tuesday night, Tucker Carlson [destacado apresentador da Fox News] hyped a video featuring two California doctors who downplayed the threat of the coronavirus. The doctors, Dan Erickson and Artin Massihi, are the co-owners of an urgent care clinic in Bakersfield. They went viral in the last few days for delivering a presentation last week in which they suggested the mortality rate of Covid-19 is similar to the flu.

The arguments the doctors put forward have been widely criticized. The American College of Emergency Physicians and the American Academy of Emergency Medicine said in a joint statement that they “emphatically condemn the recent opinions released” by Erickson and Massihi. And YouTube removed the video for violating its community guidelines, which have been strengthened to prevent coronavirus misinformation from spreading rampantly on the platform [CNN]

Menos prevenção = mais necessidade de tratamentos e urgências = mais lucro. A política americana é muito simples: primeiro o lucro.

Entretanto, republicanos e democratas, por diferentes razões dão porrada no YouTube. Os primeiros acusando a empresa de censura, como se disso se tratasse. Os segundos devido à lentidão do YouTube a remover vídeos que suportam teorias da conspiração.

Má imprensa

A sugestão de injecções de desinfectante que Donald Trump fez há dias não foi a sua primeira irresponsabilidade quanto a indicar formas de tratar a covid-19. Já o tinha feito antes com a cloroquina, sem que houvesse uma base médica credível e, como agora se soube, com intenções duvidosas.

“And then I see the disinfectant where it knocks it out in a minute. One minute. And is there a way we can do something like that, by injection inside or almost a cleaning?

“So it’d be interesting to check that.”

Pointing to his head, Mr Trump went on: “I’m not a doctor. But I’m, like, a person that has a good you-know-what.” [BBC]

[Read more…]

Ainda os problemas domésticos de Trump

Lê-se no PÚBLICO que Trump quer colocar termo ao processo de destituição por causa do conflito, por ele agravado, com o Irão.

“Perder tanto tempo neste embuste político, neste momento da nossa história, em que eu estou tão ocupado, é triste”, disse o Presidente norte-americano. Senador republicano Lindsey Graham propõe alteração das regras para concluir o processo nos próximos dias. [PÚBLICO]

Trump, homem de poucas subtilezas e muitas caganças, apenas verbalizou o óbvio. O ataque ao Irão foi uma manobra para tentar tirar o processo de destituição do radar mediático, sem olhar para as consequências.

Entretanto, sucedem-se episódios reveladores do caos que é esta presidência, de que são exemplos a carta enviada ao Governo iraquiano que previa a saída das tropas dos EUA e a ameaça de atacar “alvos culturais” no Irão. O primeiro caso foi entretanto declarado como tendo sido um engano e, no segundo, o Pentágono afirmou, pela voz do secretário da defesa dos EUA, que é proibido por lei atacar locais históricos e que os militares não têm planos para ataques.

Problemas domésticos

Todos saberão que Trump está a meio de um processo de destituição. Nada de novo. Há provas claras do que ele fez, mas que pouco efeito terão num Senado controlado pelo seu partido, mais preocupado em manter o poder do que com esses antiquados conceitos a que chamavam de lei e decência.

O lado preocupante dos problemas domésticos dos presidentes americanos é que estes tendem a alastrarem-se a outras nações por via da guerra levada a cabo fora de casa. Foi o que agora se passou com o ataque ordenado por Trump ao Irão. E o mesmo se passou com anteriores presidentes, tais como Bush e a invenção das armas químicas no Iraque ou o ataque de Clinton ao Iraque, também, aquando da sua destituição.

[Read more…]

A superioridade do ego

Este D. Quixote vê moinhos de conspirações, onde pais e professores são os gigantes que evangelizam as pobres criancinhas em modernices sem jeito, ao mesmo tempo que se esquece de olhar para o espelho.

Cabe aos pais responsáveis e isentos da contaminação ideológica impor a sua autoridade (de pais e de contribuintes) e deter o desastre em curso.

Querido Mário Centeno,

Dada a nossa intimidade decorrente da extensa partilha dos meus rendimentos com o Ministério que chefias, certamente que não acharás desadequado o tom informal desta carta.

Como sabes, culminou na passada consoada mais uma troca de geringonças, que isto de brinquedos e meias é coisa de antigamente. Foi um momento bonito de se ver, com embrulhos trazidos pelo Pai Natal para miúdos e graúdos.

É sobre ele, o Pai Natal, que te escrevo.

[Read more…]