Grau zero no Parlamento

Soez foram os convites a emigrarem; as bocas à “peste grisalha”; o viverem acima das possibilidades; os sucessivos orçamentos inconstitucionais. Indigno é o exemplo que um deputado e líder de um partido dá no Parlamento. Porque a acusação é justa. É inaceitável que a fuga aos impostos seja um instrumento daqueles que têm maiores capacidades, obrigando os restantes a pagar os impostos que eles deixam de pagar. Não saber não é, nem nunca foi, desculpa. Há obrigações. E este é mais um caso a ilustrar a incompetência que foi a anterior governação.

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Comissões de Inquérito

“A Comissão de Inquérito não deve ser usada de ânimo leve”, diz o depurado Duarte Pacheco para justificar ausência de pedido, por parte do PSD, para uma  comissão de inquérito sobre as transferências para offshores durante o anterior governo. Depois,  claro, de querer esticar o caso Centeno/Domingos com uma comissão de inquérito para ler SMS. Percebe-se a dor. Parece que quem com ferros mata, com ferros morre. Ao longo do tempo, temos visto as comissões de inquérito serem palcos para mediatizarem a luta partidária, em vez de locais de esclarecimento. O que ainda se torna mais claro perante justificações de conveniência dias depois do circo montado à volta dos SMS.

Por menos que se goste, os partidos que suportam o governo teriam também procurado explorar a situação em que Centeno se meteu, caso estivessem na oposição. E seriam igualmente acusados de estarem a esticar o caso, como acontece com PSD e CDS, que se agarram à CGD por não terem mais nada de jeito para fazerem oposição. Da mesma forma, também o PSD e CDS se agarrararian a esta situação das offshores caso estivessem no governo e se se tivessem deparado com este furo por parte do anterior governo. É a luta política e vir falar em não usar comissões de inquérito de ânimo leve, como fez o deputado Pacheco, não passa de uma tentativa de fuga ao escrutínio. [Read more…]

Dinheirinho que gosta de passear

A notícia da SIC refere que as transferências foram maioritariamente feitas por empresas. O dinheiro deve ser como os respectivos funcionários, precisa de tirar férias. E ali aquele pico de 2015 deve ter sido, apostamos, em Dezembro, depois da geringonça consumada. Há que pedir uma comissão de inquérito, já. Afinal de contas, poderá  haver SMS trocados, o que,  como sabemos, é coisa séria. 

Última hora 

Passos explica porque é que deixou escapar milhões para as offshores. Ele tinha prometido ir às gorduras e isto era chicha.

Vamos então criar comissões de inquérito

Esperemos que não seja preciso haver SMS para a criar. 

Trump não viu na Fox News

Trump não viu na Fox News. Mentiu novamente, tal como qualquer outro demente. Tem a particularidade irónica de culpar a sua estação de TV, responsável pelas suas “fake news”.

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Experimente você mesmo: https://goo.gl/mHF621

Páginas do barroco (1)

Concerto em Dó Maior para bandolim, cordas e cravo (RV 425), de António Vivaldi (escrito em 1725). Composto por três andamentos (Allegro, Largo e Allegro), é um concerto emblemático para este instrumento, explorando o seu potencial sonoro e dando ao executante palco para virtuosismo. Solista: Duilio Galfetti.

O palavra é uma arma

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E há quem as empilhe em livros, arrumadinhas em parágrafos, reluzentes de mesquinhez em todas as letras.

Iglu feito de livros

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Miler Lagos; e outras coisas estranhas feitas com livros.

Direitos, a obscenidade destes tempos

Entre colegas de trabalho e no comentário político de direita, a alguém que ouse falar de direitos logo se lhe aponta o estigma de ser um moinante calaceiro.

naomi klein

Naomi Klein documentou que os neoliberais advogam o uso de crises para impor políticas impopulares enquanto a população está distraída. Fotografia: Anya Chibis para The Guardian.

O cidadão de hoje, produto de uma construção ideológica apenas suspensa durante curtos períodos, como a revolução francesa,  é, antes de cidadão, um trabalhador. Faça-se a experiência de juntar algumas pessoas, pedindo-lhes que se apresentem. Não falarão das suas raízes familiares, nem das suas convicções. Definir-se-ão pelo que fazem, numa visão calvinista da sua existência. [Read more…]

Leituras

the euro

Como uma moeda comum ameaça o futuro da Europa.

Anibal Cavaco Silva e os dias felizes

Cavaco e os dias felizes

O amor no ar.
Daqui: Manifesto 74.

Estratégia SMS

Sabotar Mário Senteno.

sms bomb

Cavaco Silva que nunca desconfiou…

… de Oliveira e Costa, de Arlindo de Carvalho, de Dias Loureiro, das acções da SLN não cotada em bolsa, de Ricardo Salgado (até aconselhou), …

Mentir. 

Infelizmente, hoje em dia, politica e mentira são pleonasmos e,  ao afirmar isto, quase que estou a citar o deputado João Almeida, do CDS.

Neste assunto da CGD/Centeno, terá havido algum tipo de mentira, isso já se percebeu há muito, seja pela omissão, seja pelo recurso a factos alternativos.

É motivo para uma comissão de inquérito, abertura de telejornais, conferências de imprensa e comunicados do Primeiro-Ministro e do Presidente da República?  Obviamente que não. E se for preciso enquadrar, vejam-se os anteriores posts desta série, sobre a mentira na política, para se comparar entre o que pede PSD e CDS agora e o que fizeram quando foram governo – essas sim, enormes mentiras e com consequências para o país. Já esta lengalenga com o Centeno  só o interesse em destruir a mantém na agenda.

Enoja mais a atitude hipócrita de quem anda com moralismos a pedir a demissão do ministro, depois do exemplo que deram, do que a mentira branca de Centeno. E o povo vai mostrando o que pensa disto. “O outro queria era o tacho sem mostrar o vencimento”, ouvi há dias comentarem. Ninguém sairá a ganhar desta triste novela. E, paradoxalmente, parece ser esse  o ganho de Passos, que acha que ganha quando o país perde.

Nota: sequência de posts agendada no dia 15. A ver vamos se a realidade não os atropela. 

Matos Correia (quem?!) lida mal com a democracia

Será melhor pedir conselhos ao seu colega Albino de Azevedo Soares.

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

Última hora: CDS junta-se ao ultimato do PSD

Ou Centeno mostra os SMS, ou Cristas revela a identidade de Jacinto Leite Capelo Rego.

Mentir? 

A mentira foi o que esteve na base de não se tratar do BANIF quando tal era menos grave, para não estragar a chamada “saída limpa”.

“Estou consciente que tempo adicional foi repetidamente dado para que o banco [BANIF] endereçasse os problemas.Isto foi motivado por considerações de estabilidade financeira e, recentemente, por considerações de não colocar em perigo a saída do país do Programa de Ajustamento Económico.” Margrethe Vestager, Membro da Comissão Europeia, 12 de Dezembro de 2014

Preto no branco, a Comissária afirma que o problema do BANIF não foi resolvido para não estragar a saída limpa (mais detalhes). Em causa também estiveram cartas, mas estas foram as enviadas pela CE sobre o BANIF e que o anterior governo ignorou, com dolo.

Última hora: foi conhecido o ultimato do PSD

Ou Centeno mostra os SMS, ou Passos Coelho se demite da liderança do PSD. 

Dignificar a Assembleia da República

Passados 30 meses, Albino de Azevedo Soares deverá, finalmente, autorizar o acesso à correspondência que permitirá esclarecer se Passos Coelho violou ou não a lei enquanto deputado. Ao cuidado de Montenegro.

Se não, fazem o quê? Passam da guerrilha actual à guerra?

PSD e CDS fazem ultimato à esquerda: querem acesso aos SMS da Caixa até às 18h“. Eis que se chegou ao que já se adivinhava – zero de interesse nacional, 100% de jogo partidário.

Mentir? 

Mentir ao país foi o que fez Passos Coelho com a sua história de incumprimento com a Segurança Social e o seu estatuto de deputado em regime de exclusividade. Alguém acredita que um político com capacidade para chegar a primeiro-ministro não soubesse que o pagamento à Segurança Social não era facultativo?

Para a história fica mais um caso polémico e nebuloso de incumprimento fiscal do primeiro-ministro, que se junta ao recente caso de alegada violação do estatuto de deputado em regime de exclusividade e fuga ao fisco. [Passos Coelho: entre a irresponsabilidade e o incumprimento]

Resumindo e concluindo, o que temos então? Desonestidade, violação do estatuto de deputado em regime de exclusividade, fuga ao fisco, 30 mil euros sacados ao Estado de forma ilícita, responsáveis políticos incompetentes e mentirosos, instituições que não funcionam, prescrições, boys e propaganda. Pelo meio ficaram declarações de IRS, requeridas por lei, referentes ao período 95-99 por entregar na AR, fundamentais para comprovar se Passos teria ou não recebido rendimentos incompatíveis com o regime de exclusividade que requereu. A impunidade é total. [Portugal Surreal – Passos, Tecnoforma e trafulhice]

Ide ler estes artigos do João Mendes e, sobretudo, este titulado “Tens a certeza que queres dar lições de honestidade ao Centeno, Passos?” para depois falamos de mentiras por parte de responsáveis políticos. 

Mentir? 

Mentir foi afirmarem que existiu uma “saída limpa”, quando o que existiu foi um embuste

Os problemas da banca não foram resolvidos; a meta do défice nunca foi atingida; a dívida pública continuou a aumentar; e as reformas estruturais não existiriam. 

Mentir? 

Mentir é isto:

Haja decoro. Não foi uma carta. Foi um mandato inteiro assente numa descarada mentira.

Levar governos ao colo era exclusivo do Cavaco? 


Habituem-se. Já agora, lembram-se do chinfrim sobre sentido de estado? Pois.

PSD também vai querer ler a Constituição

O PSD está interessado em ler as mensagens entre Domingues e Centeno. Ao que o Aventar apurou, este súbito desejo de literatura poderá resultar do conhecido “Efeito Retardado do Plano Nacional de Leitura Entre os Nascidos em 1983”. Poderá ser esta a razão pela qual o deputado Hugo Soares veio hoje clarificar que o  PSD quer mesmo ter acesso à transcrição de eventuais mensagens  entre os dois referidos interlocutores. Até porque, repare-se na coincidência, o deputado Hugo Soares nasceu nesse ano também.

Soubemos, ainda, que este tardio desejo por literatura não se satisfaz com os efémeros “Tás bom pá?” e “LOL tá demais” que povoam as mensagens de SMS. Não!, o PSD de Passos Coelho vai, finalmente, ler a Constituição da República, aquela que ele meteu na gaveta durante o seu tempo de primeiro-ministro.

É mais um feito de Centeno. Depois de ter conseguido o melhor défice de sempre e um crescimento económico assim-assim, sem cortar salários e pensões, como o antecessor fazia, eis que também mete deputados a ler. A continuar assim, ainda veremos novamente declamação de poesia durante o plenário.

hugo soares

Hugo Soares, ex-líder da JSD, em pose com livros em pano de fundo.  Foto: Miguel Silva.

A nova classe média 

O próximo grande trabalho para colarinhos azuis é programar (em inglês).

Monsanto, Roundup e o seu molho de pesticidas

Da próxima vez que usar o molho de soja, não se esqueça de ver este vídeo a seguir. Eis a história de como na Europa, em 1990, se aumentaram os valores máximos de glifosato 0.1 para 20 mg/Kg, para que os níveis deste pesticida nos produtos agrícolas ficassem dentro dos valores legais.

glifosato

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Cartas viciadas

Não há pois na “carta”  de António Domingues ao ministro Mário Centeno publicada pelo jornal  ECO qualquer sustentação para o lead da notícia que afirma que “António Domingues tinha um acordo com o ministro das Finanças para não entregar a declaração de rendimentos no Constitucional”. Apesar da falsidade da afirmação ela foi publicada por todos os jornais e televisões sem qualquer análise dos termos da citada carta.

No debate parlamentar desta tarde o PSD e o CDS não se coibiram de afirmar que o ministro Mário Centeno “mentiu” sem se preocuparem minimamente em analisar o que de facto está escrito na carta de António Domingues. Imprensa, rádio e televisão repetiram a acusação e cavalgaram a onda.

Estrela Serrano afirma que o  jornal ECO publicou uma notícia com afirmações que não se extraem  dos excertos apresentados. Ou seja, inventou uma notícia. Isto é, aderiu à pós-verdade.

Mas não foi uma “notícia” inútil. Serviu o propósito de dar substância ao debate parlamentar de ontem à tarde.

É isto o melhor que a oposição tem? Está ao nível de quando foi governo.