Microsoft Surface

A Microsoft decidiu expandir a sua produção de hardware, comercializando agora, a par com o seu Windows, na versão 8, um tablet chamado Microsoft Surface. É o primeiro computador directamente desenhado  (hardware + software) e vendido pela Microsoft.

Principais características:

  •  9.3mm de espessura
  • tem ligações USB mas apenas suporta ratos, teclados e impressoras certificados para  Windows RT (a versão do Windows 8 para processadores ARM)
  • ecrã de 10.6″, 16:9  HD Display
  • leitor de cartões Micro SD
  • capa (de 3mm de espessura) com teclado e toutchpad incluídos
  • câmaras frontal e traseira
  • auto-falantes e microfones estéreo
  • software incluído: Windows RT (sistema operativo) e versões de demonstração do Office Home & Student 2013 RT
  • esperam-se versões de 32 e de 64 GB de armazenamento com um preço, diz Microsoft, em linha com o dos outros tablets (à volta de $500)

Além da versão RT, haverá também uma versão com Windows 8 (para processadores Intel Core i5) com 64 e 128GB com preço em linha com os ultra-notebooks (na casa dos $1000).

tabela daqui

Prevê-se que venha a estar disponível no Outono.

Comentário

O que levará um comprador a optar pelo tablet da Microsoft? O conceito inovador? Tem o iPad. Ter um teclado externo? Tem o Asus Transformer. Ter USB?  Todos os tablets baseados em Android o tem. Ser Microsoft? Sim, este argumento não tem concorrente.

Desde há uns anos, nomeadamente desde a ascensão da Google, que a Microsoft deixou de estar na liderança da inovação. Para isso contribuíram o flop do Windows Vista e não conseguir afastar-se do modelo aplicacional que lhe granjeou fortuna (aplicações monolíticas, como o Office, a correrem exclusivamente no computador pessoal). Não surpreende: quem estaria disposto a matar a galinha dos ovos? O problema é que, a certa altura, já não são os ovos de ouro a fonte da fortuna.

O paradigma computacional tem estado a mudar. Recordando, tivemos nos anos 70 os mainframes, computadores  centrais muito poderosos e acessíveis por terminais estúpidos (apenas serviam para visualização e introdução de dados); depois tivemos nos anos 90 o apogeu da computação pessoal, com o paradigma 1 computador + 1 sistema operativo + 1 aplicação por cada utilizador (isto é, cada utilizador tinha um computador com, por exemplo, a sua cópia de Windows e de Office); e agora caminhamos a passos largos para a computação distribuída mas com terminais inteligentes (por exemplo, Google Docs e um tablet Android).

A Microsoft foi (ainda é) a rainha indiscutível da computação pessoal. Mas graças à quase omnipresença de redes de dados com grande velocidade, o computador pessoal já não tem que ser o centro da computação. Ao invés, a capacidade de cálculo está cada vez mais centrada na rede (ou  melhor dizendo, em servidores disponíveis na rede), transformando-se o computador pessoal num dispositivo que permite aceder a esses servidores. Por exemplo, este post está a ser escrito directamente num servidor da WordPress, o qual trata do armazenamento de dados e demais funcionalidades necessárias. Para tal, não preciso da capacidade de cálculo que um processador de texto como o Word exige e, consequentemente, o computador pode especializar-se em outras actividades até aqui secundarizadas (produção e reprodução de áudio, vídeo e fotografia, por exemplo). Este modelo computacional não precisa de um Windows e de um Office por utilizador, pelo que a galinha dos ovos de ouro está prestes a falir.

Além desta mudança, as empresas de software proprietário, como a Microsoft, têm ainda outra frente de batalha: o software livre. Neste momento só paga por software quem quer, dado que com toda a facilidade se encontram alternativas sem custo de aquisição. O software livre traduz-se igualmente em opções no campo da tradicional computação pessoal mas, sendo de custo zero, não se prevê que desapareçam tão cedo. Até porque a computação em rede tem um pequeno calcanhar de aquiles: a qualquer momento pode o fabricante condicionar o acesso ao seu software mediante o pagamento de uma taxa de utilização. Imagine-se, por exemplo, que o Google Docs passava a incluir uma funcionalidade de tal forma útil (digamos, excelente reconhecimento de voz que tornasse desnecessário o teclado). Uma tal funcionalidade, sendo assim tão útil, levaria ao seu uso massivo e, certamente, que continuaria a ter um uso intenso mesmo a Google passasse a cobrar um dólar por mês. Dada a utilidade e o baixo preço, o utilizador consideraria um custo baixo para a vantagem obtida.

Mas até esta forma de licenciamento é fatal à Microsoft. Como reagir, então? A resposta da Microsoft, assim parece, consiste em seguir os líderes da inovação e apresentar o seu tablet. Terá sucesso? Depende do que tiver para oferecer face à concorrência. Ao contrário dos Apple fanboys, não será a marca Microsoft o motor das vendas. Será o mercado Microsoft essa força motriz? Com o tablet, a Microsoft não compete no seu terreno, como vimos, pelo que o mercado aqui não tem impacto considerável. Resta, portanto, que a Microsoft tenha a capacidade de oferecer algo de facto diferenciador face à concorrência. Não será a capa-teclado, um dos aspectos mais destacados pela empresa, nem as versões de demonstração do Office quem acompanham o tablet esses factores diferenciadores. Ainda faltam alguns meses para o Outono e meio ano para o Natal. Ou seja, as surpresas ainda poderão chegar. Aguarde-se, portanto.

PS: Outros pontos de vista no Público

Comments

  1. Não ao PREC de direita says:

    Isto faz lembrar o Zune (vs Ipod).. Alguém se lembra que existiu?


  2. Nestas coisas é sempre melhor esperar para ver. Este “Surface” poderá ainda ter a mesma morte do “Courier“…

  3. Anonymous says:

    Ninguém se lembra do Zune porque foi um dos maiores fiascos da marca que representa! O que me parece que vai acontecer o mesmo com este Tablet e com a rede social da marca! O problema está em que a Microsoft entrou tarde em tudo, ou seja ficou a ver os navios passar! Redes sociais, telemóveis,tablet e futuramente daqui a 2 a 3 anos computadores pessoais e portáteis! O porque disto acontecer é que querem blindar o hardware com o seu próprio software deixando o user barrado no que eles querem! A Apple e a Google têm visões futuristas, ou seja o user é que escolhe o que quer usar num universo imenso de aplicações free e de baixo custo! Boa sorte Microsoft!

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