Horários zero: testemunho na primeira pessoa

É isto que espanta no ministério da educação (e, agora, também da ciência). Todas os anos há mudanças, sem nexo, mudar por mudar para mostrar serviço. Estas mudanças do ministro Crato são isto mas vão mais além, seguindo a filosofia-troika de ir mais além. São mudanças que pioram e muito a qualidade do ensino (turmas de 30 alunos; redução da carga horária de algumas disciplinas) e que permitirão em breve aumentar a diabolização dos professores. Reparem, não há-de faltar muito para que apareça um gráfico a mostrar quantos professores do quadro existem a mais e que, portanto, será preciso agir. Mas isto está a ser feito à custa da qualidade do ensino. Pais, professores, alunos, vós sois os primeiros atingidos. Mexam-se, expliquem aos restantes portugueses o que está a acontecer. É o vosso rabo que está a arder!

Adenda: entretanto o Público disponibilizou online os quatro depoimentos. Podem ser lidos aqui.

Comments

  1. eyelash says:

    Já há muito que ando com esta atravessada: em quem votaram vocês?!
    Tenho 37 anos de serviço, fiz as greves todas (e cá em casa são logo dois ordenados que se vão de cada vez!) e tenho de ouvir os vossos lamentos?
    Organizem-se, ocupem as escolas, boicotem o novo ano escolar. Certamente vou estar lá ao vosso lado, mas já começo a ficar farto de tanta lamentação!

    • jorge fliscorno says:

      Eu votei no programa apresentado por este governo. Que, por acaso, não é o que está a ser executado. Mas não fui enganado, não tenho a menor dúvida que tivesse sido outro partido a ganhar, qualquer que fosse o partido, igualmente veria a acção governativa ser completamente diferente do programa eleitoral. Acredita em outra coisa quem quer.

      • eyelash says:

        Claro que acredito noutras coisas. Só não entendo quando diz: “não fui enganado”. De facto foi enganado, pode é não se importar.

    • jorge fliscorno says:

      Tanta lamentação… É verdade, tem havido muita. Também a mim, não sendo professor nem estando ligado à educação, já a dose de lamentação encheu a medida. Por isso mesmo escrevi “expliquem o que está a acontecer”.

      • MAGRIÇO says:

        Não me parece – e isto não é uma provocação – que o Jorge esteja a ser muito coerente: quando não se acredita que as promessas eleitorais irão ser cumpridas, não creio ser muito avisado votar nelas. Há várias alternativas, para quem não se recorda: abstenção, voto em branco, voto nulo, voto em partidos com pouca probabilidade de ganhar. Pelo menos expressa a nossa discordância…

        • jorge fliscorno says:

          Oh, já votei em branco noutras ocasiões. Mas mesmo esses votos de protesto não são neutros. Umas vezes servem mais o partido do governo, outras a oposição. Nos pequenos também por lá passei. Neste caso foi mesmo votar por forma a que o PS não ganhasse – e o PS até foi o partido em que mais vezes votei mas não me apanham noutra.

          Quanto a votar em promessas que acredito não se virem a concretizar, mais do que incoerência é cinismo. Não acredito que qualquer um dos outros partidos cumprisse as suas promessas eleitorais. Acresce que também não me revejo nas propostas do PCP e do BE. Mas mesmo que com elas me identificasse, não acredito que estes partidos as cumprissem. É da natureza da política. Mas mais do que da política é da natureza dos eleitores que são pouco exigentes com os seus políticos e que aceitam promessas vãs (isto foi o meu lado incoerente a falar).

          • MAGRIÇO says:

            Claro que foi! Acabou de confessar ter sido pouco exigente. 🙂

          • nightwishpt says:

            É por essas e por outras que os portugueses merecem este governo.

        • jorge fliscorno says:

          Olhe que a democracia não se esgota no voto 😉
          E por acaso nem no voto começa, já que, em vez de votarem em pessoas, os eleitores votam em listas escolhidas pelos partidos.

          • MAGRIÇO says:

            Nisso estou de acordo! Se calhar está na altura dos não alinhados formarem um movimento eleitoral de salvação nacional.

          • Ana Abrotona Rego says:

            Valha-nos Deus!

    • Boy cota boi cota a e-skolA é a vóvó ninja? says:

      37 anos de serviço e ainda não pediu reforma?
      esta deve ter entrado com o curso dos lyceus e equivalência a licenciatura dada em 6 meses
      ora 1975 em continuum mesmo com 22 anos em 1974 e passagem admnistrativa para o 5ºano
      dá no mínimo 60 anos a 63 e ainda a dar aulas?
      bolas…

      greve permanente como em 1975 ou ir assinar o livro de ponto e distribuir naifas pelos putos para se entreterem?

      e para quando 12 anos de propedêutico…era mais barato…

      ou o 12º com 3 disciplinas como de 1981 até 1992?
      ou foi 1993?

    • Ana Abrotona Rego says:

      Ó Boy, é tão feio falar mal. Cada qual tirou o curso da forma que o estado definiu na altura.

    • Ana ABrotona Rego says:

      Com tanto boy, votei na BSE.

  2. Esta é uma das profissões mais subestimadas. E, quando as coisas correm tão mal, é preciso denunciá-las. Lamentação? Talvez. E qual é o problema? Lamentar, quantas vezes forem precisas. E também agir, claro. Mas agir não quer dizer que se deixe de denunciar, de “lamentar”.
    Estes erros da política de educação pagar-se-ão caros. Já se estão a pagar. Muitos dos problemas que atingem Portugal são causados por décadas de má política de educação. E, pelos vistos, vai-se de mal a pior.
    Denunciem! Continuem!

  3. chatice says:

    Ganha-se em engenharia social:
    A Nova Esquerda (marxismo cultural):

    • MAGRIÇO says:

      Que chorrilho de parvoíces! Este vídeo só podia ter origem no Reino Unido ou nos EU! É de uma falta de rigor e de um reaccionarismo primário que não poderia deixar de agradar à propaganda política de um qualquer Salazar ou Franco que se prezasse.

  4. fascistasalazarento says:

    Vamos imaginar que no exército todo o soldado recruta reforma-se com o posto de General. Conseguiram imaginar? Não?! Então vamos antes imaginar que todos os professores (ou a grande maioria) reformam-se com o vencimento máximo, já conseguem imaginar? Ainda não?!! Então é um problema de imaginação, pois é isso mesmo que se passa no ensino. Eu detesto este governo e estas políticas, mas ainda sei ver que pagar 2200 euros a um professor do quadro fica mais barato do que pagar 1100 a um contratado, mais a reforma de 2200 euro do professor que entretanto se reformou. Claro que não defendo que haja despedimentos na função pública, mas acho que os ordenados de fim de carreira devem aproximar-se gradualmente dos de início de carreira. Penso que a solução, já que estamos todos no mesmo barco, é reduzir gradualmente os ordenados dos professores até chegar a um tecto salarial justo, que a meu ver é de 1600 geral até 2000 para cargos (limitados) de topo de carreira.

    • João P says:

      Veja -se que:
      Nenhum partido quer reduzir o nº de deputados (actualmente 230) da AR (Assembleia da República) ou casa de “Altas Reformas”.
      Que os responsáveis da governação do pós 25 de Abril, são sempre os mesmos (PS, PSD e, muitas vezes, com a muleta do CDS) e preparam-se para passar a mesma desgovernação entre eles.
      Que recusam aplicar os impostos à Banca, às Mais Valias e às Riquezas Absurdamente grandes, criadas à custa de quem trabalha.
      Que nos roubam tudo sem nos ouvir e sem nada pudermos fazer para o evitar.
      Por tudo isto e muito mais, só há uma solução: criar um grande movimento de não alinhados a qualquer partido, como já antes alguém sugeriu. Mas cuidado!!! É preciso garantir que não se cai nos mesmos defeitos e interesses pessoais dos actuais partidos…

    • Boy cota boi cota a e-skolA é a vóvó ninja? says:

      1100 a um contratado?
      o pessoal contratado salvo especial deferência da direcção é todo do índice 151….

      são 1400 brutos com horário completo

      já um do 10ºescalão roça os 3000 brutos

      2200 é uma reforma das do 9ºescalão…1760 líquidos e às Riquezas Absurdamente grandes ficaram 2% mais baixinhas hoje…

      sim se os impostos chegassem a 100% do PIBe távamos finos
      já vivi num país assim e nem por isso os profes viviam melhor que os mineiros ou a securitate…

      viviam melhor que os ciganos e que os húngaros e mesmo assim….nem muito

      • Boy cota boi cota a e-skolA é a vóvó ninja? says:

        os 230 deputados cortados a zero ou as reformas acima do 10º escalão…2500 brutos são só umas dezenas de milhões por ano…n em a 200 milhões chegam

    • António Fernando Nabais says:

      Um professor é sempre um professor e não passa a general por chegar ao topo da carreira. A comparação com as patentes militares nunca dá resultado.
      Gostava de saber que critério usou para concluir que um professor deva ganhar no máximo 1600 euros. Por que razão não deverá ficar-se pelos 500? Por que razão, à semelhança de Mexias e Catrogas, e tendo em conta a responsabilidade e a importância da função docente, não deverá ganhar 40 000 euros por mês?
      Estamos todos no mesmo barco? Quem são “todos”?

      • E viva la zapata da sapata.... says:

        de resto quase 50 mil professores reformaram-se nos anos 90 com o 9º e 10 ºescalão

        aos 59 e 60 e poucos …alguns destacados em áfrica nos anos 60 com o dobro do tempo a contar até se reformaram aos 55

        e estão 250 deles aqui entre os 75 e os 98…tudo com reformas líquidas de 1760 a 2100
        50 mil x 1800 de média dá…9000 milhões se estivessem todos vivos

        e 50 mil entrados em 74 a 81 vão reformar-se proximamente se o nível tivesse sido mantido…

        e actualizações o ex-reitor da escola técnica saneado em 1974 estava vivo e presidente da associação de solidariedade e lar de professores aqui da zona com 95 anos em 2009….35 anos de reforma…e os lares estão cheios deles

        o lar da Associação cobra 1250 euros de mensalidade
        abre um lar como o diretor da secundáriA da cova da piedade e enche-o de profes reformados já que queres fazer 40 mil

        chama-se iniciativa…

        • E viva la zapata da sapata.... says:

          um professor pode ser sindicalista a tempo inteiro
          ou destacado na gave
          ou diretor de escola ou sub-diretor
          ou passar-se para as editoras…logo pAZINHo o raciocínio teu tamém peca por defeito….

          • jorge fliscorno says:

            Atenção que usar spam para parecerem muitos dá direito a apagar. Estamos falados.

      • fascistasalazarento says:

        “Um professor é sempre um professor”, e como tal, porque é que uns podem receber o dobro de outros? Penso que 1600 euros em fim de carreira e perto de casa é um bom ordenado e uma boa reforma, eu sei que para muitos nem o mundo chega… falei em 1600 por ser um vencimento sustentável. Penso que se as pessoas tivessem uma noção trabalho que é necessário fazer para ganhar 1600 euros noutras actividades como a pesca, agricultura, davam mais valor ao que têm. 500 é muito pouco, embora seja até demais para muitos que por aí andam, que nunca deviam sequer ter entrado na carreira. Não comento a vida de ladrões. Todos? Todos?!! Em que mundo vives???? Sempre ouvi dizer que o dinheiro é feito à base de dois tipos de materiais que nós humanos não digerimos, metais e celulosos. Bom apetite quando ele não der para comprar nada!
        Ainda não acabou!!!
        Os professores do quadro só começaram a ter medo de horários zeros agora que se fala na mobilidade e, em surdina, até em despedimentos, antes até era um maravilha. Só com unidade é que esta classe vai conseguir lutar, mas para isso é preciso que haja igualdade de direitos, coisa que não existe. No ano passado a luta foi entre quadros e contratados, agora que os contratados vão passear, a luta vais ser, no pessoal dos quadros, por um lugar na escola. Já os contratados vão andar às «bulhas» com a avaliação ou provas de acesso à carreira, do género: a partir de que tempo de serviço é que se evitam as provas de acesso à carreira?
        Boa sorte! Até te podia desejar o dobro da minha, mas não desejo mal a ninguém…

        • António Fernando Nabais says:

          Não me lembro de ter dito que concordo com o facto de haver professores a receber o dobro dos outros. Não tenho opinião acerca do que seria justo um professor ganhar, mas considero que os professores devem ser profissionais muito bem pagos. Mais: não há dinheiro que pague um bom professor. Por isso, defendo que os ordenados dos que estão em princípio de carreira é que se devem aproximar dos que estão no fim. A desunião entre os professores é um dado que não contesto e que se confirma no seu comentário. Não o conheço o suficiente (nem o insuficiente) para o tratar por tu. Muito boa sorte!

          • fascistasalazarento says:

            Começo pelo fim e desculpo-me pelo descaramento. No essencial penso que concordamos, os ordenados devem ser ajustados. Penso que para uns ganharem um pouco mais outros terão que ganhar um pouco menos. Acho que o mais justo seria envolver nesta questão todos, mesmo os pensionistas, não acho justo que os direitos absurdos (em comparação com os restantes) de uns (reformados a partir dos 50…) sejam pagos pelo maior sacrifício de outros (precários a tempo inteiro). Acho que o melhor seria dividir justamente direitos e deveres por todos, desde o iniciante na carreira até ao reformado. Não vai acontecer… Infelizmente vai ser bem pior. Eu não desejo o despedimento a ninguém, mas é para aí que tendem estas medidas, e no fim, os que ficarem vão virar a casaca aos restantes pois vão ser aliciados com algumas regalias, e já se sabe no que isso dá…

  5. Boy cota boi cota a e-skolA é a vóvó ninja? says:

    as reformas são só 17 mil milhões de euros divididas por 2 milhões e picos…dá uns 600 por mês só

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