Crato foi um zero

Meu Caro Paulo,

Tenho da vida uma visão muito humilde e procuro, em cada momento, pensar sobre a informação que me vai chegando. Obviamente, li os teus textos e, claro, condiciono a minha escrita à tua posição, na medida em que a considero. Mas, considerar, não significa concordar. E, pelo que já percebi discordo e muito sobre a tua defesa (posso também usar a palavra branqueamento?) da legislatura de Nuno Crato.

Eu, pelo contrário, não tenho dúvidas. Aliás, nunca tive.

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Obviamente, Maria de Lurdes Rodrigues chegou antes de Nuno Crato e isso é um facto histórico e indesmentível (digo eu, que percebo muito pouco disto): naquele tempo, o PS tinha condições para fazer o que fez porque tinha a concordância da direita, isto é, nunca o PSD poderia ter feito o que fez MLR porque o PS estaria contra. Lembro que em 2005 o PS só via “apoio” quando se virava para a direita, ou seja, o ataque de MLR à profissão foi do agrado do PSD e por isso foi possível de concretizar. E, quanto ao ataque de MLR aos Professores, já escrevi no post anterior.

Mas, se me permites, vou buscar alguns dos teus argumentos para subscrever a minha tese de que, para a Escola Pública, Nuno Crato teve uma prática muito menos progressista e onde o investimento na escola pública não existiu, antes pelo contrário. Ou seja, MLR teve uma prática diversa da minha (MUITO!), mas investiu na Escola Pública. NC tem uma prática oposta à minha (TOTALMENTE!) e desinvestiu na Escola Pública. Vamos aos factos: [Read more…]

Professores: O Luto (parte 2)

O que suspeitava aconteceu e a pancada começou a cair.

Não tenho qualquer intenção de branquear nada, como poderás ver neste post. Procuro, antes, colocar alguns factos em cima da mesa que ajudam a fazer uma reflexão. Queria ir para lá do sentimento, queria ir para lá do lugares comuns. Posso falhar, o que provavelmente acontecerá, mas vamos lá continuar.

Numa coisa, MLR foi absolutamente incomparável. Na forma como se relacionou com os Professores.

Não me esqueço do que eu disse no Cinema Batalha, no Porto, onde foi proposta a Manifestação de 2008. Mas, também não me esqueço que estive na rua, uma primeira vez, a 5 de Outubro de 2006 onde 25 mil pessoas me pareciam a maior possível. Na altura, em que o ECD estava para cair, “poucos” quiseram saber – não acordei com a avaliação.

Invoco essa manifestação porque me lembro de que nesse dia, Walter Lemos, ter divulgado um “estudo” que falava em milhões de faltas. Confesso que, nessa altura, estava ainda muito longe de perceber o que estava para vir.

Se estive EM TODAS de alma e coração, tenho hoje a certeza, por testemunhos vários que houve partidos a convocar militantes para as manifestações –naqueles momentos desconhecia isso. Quem estava por dentro das máquinas partidárias sabia, mas eu, apenas ligado ao sindicalismo, desconhecia. Ter menos de 35 anos também ajudava…

E, só percebi isso, quando, já com Crato foi preciso fazer as lutas duras, aquelas que custam: Greve aos Exames, PACC…

Ora, nesses dias, a malta do PSD colocou-se [Read more…]

Crato, o patinador

O governo está a chegar ao fim – há quem assegure que, o dito cujo, morreu de morte morrida, mas atendendo as últimas sondagens, começo a pensar que as notícias da sua morte, são manifestamente exageradas. No embrulho dos mortos por falecer está Nuno Crato, um Ministro que não deixa saudades pelo mal que fez à escola e os seus Passos trocados estão muito para além do simples poupar.

No plano ideológico, Nuno Crato tem um conceito muito redutor da Escola Pública- esta, deve estar ao serviço das classes populares para as formatar ao desempenho silencioso na fábrica mais próxima. Essas coisas da Democracia, da Liberdade, da Igualdade de Oportunidades destinam-se apenas a alguns e esses, assegura Nuno Crato, terão financiamento para se servirem da Escola Privada. [Read more…]

Municipalização? Não, obrigado!

Incompetência!

Não, não se trata da palavra-passe mais usada em 2014 – essa continua a ser

Este vocábulo é muitas vezes escolhido para colocar em orações onde entram outros vocábulos como Pedro, Passos, Paulo, Portas ou até, como muitas vezes acontece nas escolas, junto de Nuno e de Crato.

Mas, se há palavra desadequada para qualificar Nuno Crato, essa palavra é incompetência. Aliás, eu diria que incompetente e Nuno Crato são antónimos. Nuno Crato tem sido o mais competente dos Ministros porque consegue colocar em prática toda a sua matriz ideológica inspirada na experiência americana dos anos 80. Diria, que tem uma espírito santo de orelha – David Justino, mas não deixa de executar o seu papel com enorme competência.

O péssimo professor de matemática que desfilava apontamentos de ignorância em todos os planos, nomeadamente nos mais inclinados, teimou em falar sobre tudo e sempre com uma tónica – a Escola Pública, como está, não serve.

E esta Escola Pública não serve porque ainda permite (a poucos, é certo) a possibilidade de aceder a um dos dois únicos mecanismos de promoção social – o outro são as juventudes partidárias. A aposta no ensino privado foi uma marca de Nuno Crato que, a seu tempo, a TVI mostrou ao país. Essa aposta é concretizada de diferentes formas – se por um lado entregou mais dinheiro aos colégios privados, por outro iniciou um processo de privatização que alguns teimam em chamar municipalização. Nuno Crato, no quadro de um governo hiper-competente, apresentou a alguns autarcas uma proposta de contrato para transferir competências para o nível municipal. Vejamos, então, em cinco pontos, o que está em cima da mesa: [Read more…]

O capitão Grancho

não foi o último a sair do educanic

Liberdade para Educar

Logo do SPN, concurso de professoresA viagem foi de transporte público e o hospital que a recebeu também. Quem a despachou foi o privado, esse reino maravilhoso dos BES e BPN’s. E, ao contrário de alguns camaradas aqui da casa, nada tenho contra o privado, desde que não funcione à pala dos dinheiros públicos o que, em boa verdade, acontece com quase todos os grupos económicos. Serve esta regra também para a Educação: se há pessoas que querem para os seus filhos uma formação com uma forte dimensão religiosa devem ter o direito de o fazer. Não podem é exigir que seja eu a pagar, isto na base do argumento da direita, o famoso utilizador / pagador.

Não era por aqui que eu queria levar o post, mas saberá o caro leitor que a competência na escrita não é uma coisa matemática. Vamos lá então colocar as palavras no eixo para que vieram ao mundo.

As confusões que Pedro Passos Coelho plantou nos concursos de professores levaram um conjunto de ignorantes a tomar como certo um conhecimento que, manifestamente, não faz parte das suas propriedades e, a ignorância é uma coisa do C….! O concurso teve uma fase nacional que correu bem, uma centrada nas escolas que correu como todos sabem e qual é a proposta que nos chega da direita? Acabar com o concurso nacional ( o que correu bem!) e ampliar o concurso local (o que correu mal).

São muitos e variados os motivos que me levam a defender um concurso nacional, único e onde a graduação seja respeitada. Aliás, partilho de tudo o que aqui foi escrito.

Mas, há uma dimensão que gostaria de desenvolver e que se prende com a autonomia do exercício da profissão. [Read more…]

Graduação é o tempo de serviço e a nota da formação. (ponto!)

Os erros do Governo na colocação de Professores são recorrentes e consequência da dificuldade em gerir um processo muito fácil de conduzir. Não fosse o caso de estarem neste momento vários incompetentes à frente do MEC até porque há escolas, há alunos, há professores. Não há é aulas. Certamente, um detalhe, sem importância.

É só meter o Excel a funcionar e está a “andar de moto“. Confesso que já não dou para o peditório Crato – ele, um cadáver político, que entrou como o mais rigoroso de todos os rigorosos, desceu por um plano inclinado e acabou desfeito no chão da 5 de outubro. Sobre ele, the end!

Agora, quanto aos concursos, calma aí, porque os laranjinhas não vão ficar a falar sozinhos.

Vamos lá então, explicar estas coisas, especialmente a si, caro leitor, que de profs percebe pouco, mas que tem alguma curiosidade em entender como é que cerca de 100 mil professores são colocados.

As regras dos concursos, tradicionalmente, juntam dois factores: nota da formação inicial com o tempo de serviço (um valor por cada ano de serviço). Um professor que acabe o curso com 14 e trabalhe 3 anos irá concorrer com 17 e um professor que acabe com 16 e trabalhe um ano concorre com a mesma graduação: 17.

Foi assim durante muitos anos, até que um dia, uma senhora, agora condenada, resolveu inventar a roda e começar a pensar em esquemas alternativos de alocar os seus recursos humanos às unidades de gestão (esta frase saiu mesmo perfeita, não????). [Read more…]

Mentir é feio

Lula da Silva costuma dizer que governar bem é fazer o óbvio e o processo de colocação de professores é um daqueles que é tão simples que não é fácil entender de onde vem tanta confusão.

Como já antes escrevi, enquanto o concurso é nacional, corre tudo bem. Quando o Governo resolve introduzir outras variáveis no concurso, então está o caldo entornado.

A explicação é simples: para os concursos dos professores dos quadros, nas escolas “normais” o MEC faz uma lista (de graduação) em que entram apenas dois factores – nota de curso e o tempo de serviço. Simples e eficaz. Completamente aceite por toda a classe como o mecanismo mais eficaz de criar uma lista ordenada.

Quando chega à fase de escolher os professores contratados, Passos Coelho resolve inventar e introduz outras variáveis, nomeadamente nas candidaturas às escolas TEIP (“mais complicadas”) e às escolas com Autonomia (uma coisa que não existe).

E a prova de que o erro está no concurso “especial” resulta deste facto – o concurso dos professores dos quadros não deu erro e o concurso que colocou docentes a contrato nas escolas “normais” está fechado também sem erros.

Só há erros onde Passos Coelho resolveu inventar.

Perante o erro, há duas semanas atrás no Parlamento, um personagem de quem me recuso a dizer o nome, pediu desculpas e acrescentou duas afirmações mais: vamos corrigir o erro e nenhum professor será prejudicado.

Pois, está visto como são sentidas e honestas as palavras dos homens de confiança de Passos Coelho.

E, se me permitem, esta reflexão vai direitinha para Pedro Passos Coelho uma vez que não há Ministro da Educação:

– a Joana é uma mulher com 30 anos. Tem um filho com 5 e vive em Espinho. Foi colocada na Amadora. Tirou o filho do Jardim de Infância aqui no Norte e rumou a sul, montou uma casa nova e começou a dar aulas na sua nova escola. O filhote teve que se adaptar a uma nova realidade. Hoje, a mãe do Pedro, a Joana, foi chamada à Direção: és o elo mais fraco. Estás despedida.

Sabe, senhor Primeiro Ministro, o que eu estimo é o que lhe desejo. Espero que os seus filhos ou os seus netos possam sentir o mesmo que está a sentir o Pedro. E, já agora, aos seus desejo o mesmo que o senhor desejou à Joana.

Educação em estado de Citius

A justiça entrou no PC e não saiu?

Não há crise, suspende-se.

No caso dos Profs, saiu quem não devia?

Não há crise, anule-se!

Há alunos sem aulas. Muitos!

O país tem acompanhado com particular apreensão o processo de colocação de professores. É verdade que tem dado mais atenção à casa dos segredos, mas talvez a certeza de que ainda há uns milhares de alunos sem aulas ajude a perceber que deve haver um conjunto bem significativo de famílias que percebe o alcance do que está a acontecer.

Se por um lado, Nuno Crato causou prejuízos aos Professores, as consequências que todo o processo está a ter na escolas e nos alunos é difícil de quantificar. Há, por todo o país, uns milhares largos de alunos sem professor, enquanto estes continuam, desempregados e desesperados, em casa sem alunos.

E, ao contrário do que diz o Marques Mendes ou quem se coloca ao nível dele, o problema não está na existência de um concurso nacional para todos os docentes. Aliás, mesmo este ano, enquanto o concurso foi nacional, nada de tecnicamente errado aconteceu. A incompetência do Sr. Ministro só se manifestou quando tentou destruir o concurso nacional e multiplicar por cada escola um processo que seria muito mais fácil de concretizar e claramente mais transparente se continuasse a ser nacional.
Neste momento o ponto de situação é simples: com o modelo criado, Nuno Crato não vai conseguir terminar o processo.
Dito isto, importa agora avançar com soluções para o problema, uma vez que os dias passam e o MEC continua sem conseguir desatar o nó.

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Em defesa da honra e consideração

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Arrastado pelas ruas da amargura, o nome de Crato, identificado com um conhecido ministro, espécie de híbrido entre a União Nacional e o maoismo à portuguesa, tem sido duramente injustiçado. Eu compreendo. Os meus colegas professores, emboscados pelo tratante e seus descerebrados colaboradores, adquiriram um compreensível asco pelo nome e pelos actos do tratante. É um processo de associação inevitável. Por isso, aqui estou a lembrar que o nobilíssimo nome Crato, que já brilhava nas bandeiras do priorado do mesmo nome, é ostentado por um pequeno mas justamente orgulhoso Concelho do Alto Alentejo. Ao contrário do que acontece com a corja da 5 de Outubro do outro Crato, neste tudo é bom. Não é muito povoado, mas os habitantes que tem – não mais de 4000 – são excelsos e entre eles estão algumas das minhas pessoas preferidas, como diria o Derek.

Assim, no sentido de desagravar a ofensa feita à insigne vila do Crato, desafio os meus amigos a visitá-la e comprovar o que aqui digo. Os que podem, assentem arraiais nesta pousada que aqui vos mostro ( restauro do antigo mosteiro da Flor da Rosa). Se não tiverem argumento$ – o que acontece a tantos de nós…- parem aqui para beber um copo ou um simples café. Serão bem recebidos. Mas quando estiverem a falar do Crato (Nuno) tenham cuidado, para não haver confusões. É que o pessoal por aqui anda muito susceptível. E compreende-se.

Um governo de truques

A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.

Porquê esta rapidez? A resposta é muito simples: para evitar que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve no prazo exigido pela lei – ou seja, o Governo faz um truque descarado e sem vergonha para contornar uma lei da República, que permite o exercício de um direito. [Pacheco Pereira, no Público]

Coagidos

coagidos

Crato e os Agarrem-nos Que Fazemos Greve

Nuno Crato é, consabidamente, um homem com severas limitações intelectuais. E morais. Do alto do seu vão saber, governa, servindo os interesses que lhe dão corda, com a competência de uma alforreca e a arrogância de um garnisé. No caminho, vai esgrimindo a sua esperteza saloia, mas não vai só.

Nas dificuldades tem, como é habitual, a mão amiga do costume. Embrulhado nas teias do seu absurdo exame de avaliação destinado a provocar e tentar humilhar os professores contratados (os medíocres têm esta necessidade patológica sempre que provam o poder -“se queres conhecer o vilão põe-lhe o cajado na mão…”), Crato, perante a disposição de luta dos professores, repetiu uma táctica já velha e bem nossa conhecida: disse ai-ai e logo acudiu, mansa e sonsa como de costume, a FNE (UGT), pronta para a habitual estratégia do salame e oferecendo-se, ao levantar a sua participação na greve à prova, para ser a fia fatia que sempre foi.

Em troca de umas festinhas e de uma concessão que, por completa ausência de sentido, torna tudo ainda mais absurdo. Quantas vezes já nos foi servido este prato requentado? Quantas vezes já vimos estes senhores e senhoras falar alto e grosso para logo amansar à ordem do dono? Desta vez, à ordem do Crato, prior desta desordem.

Foram Novamente Enganados

Já aqui escrevi quase tudo sobre a prova.b&w1 (2)

Na altura certa coloquei algumas reservas ao domínio laranja sobre a FNE. Sim, do PSD. Porque se a FENPROF é acusada de ser um braço do PCP, creio que as práticas sindicais da FNE não deixam muitas dúvidas sob o farol que a guia.

Entre os Professores, um pouco por todo o país, crescia a indignação contra a Prova. Sentia-se, em cada escola, um conjunto de sentimentos muito semelhantes aos que apareceram no tempo da Ministra Maria de Lurdes.

Parece-me que a palavra recuar estava escrita nas estrelas porque a Maioria (que nos rouba diariamente) não está em condições de aguentar uma guerra longa com a única classe que verdadeiramente luta contra os diferentes poderes.

A UGT e a FNE, como sempre, estavam ali à mão de semear e uma reunião entre militantes na São Caetano permitiu encontrar uma saída. A prova já não é para todos – é só para alguns, para os que não têm 5 anos de serviço. Confesso que não fiquei surpreendido porque não tenho qualquer tipo de expectativas sobre as práticas sindicais da área da UGT.

Não há meias lutas, nem tão pouco meias vitórias.  Na luta contra a prova só há uma vitória, que até pode chegar pela decisão de um tribunal. Com o acordo de hoje, entre os sociais democratas, até parece que o MEC sai bem na fotografia, que a FNE salva o seu governo, mas, caramba, quem se lixa são sempre os mesmos…

Agora a questão é simples: a prova era um erro ontem e é um erro hoje, seja para quem tem pouco tempo de serviço, ou para quem leva anos disto.

Logo, só nos resta continuar.

Como?

Indo a Lisboa, ao Parlamento, na próxima 5ª feira.

Nota: confesso que me apetecia escrever mais qualquer coisa, por exemplo, questionando o que estiveram a fazer nas ruas do Porto no sábado de manhã, quando à hora de almoço já se sabia que ia acontecer isto, mas…

Prazo de inscrição alargado

Parece que 35 mil já se chegaram à frente. Nada mau, considerando que o MEC não precisa de contratar, com a escolinha minimalista do Crato, mais de 10 mil. É o mercado no seu pior. Mas, se calhar são poucos e por isso a festa continua!

Istá iNdentificado u erru sinhor menistru

A prova continua a dar que falar, quase ao nível da Pepsi. Mas, para mim, que não gosto de comer os sugos com papel e que sou mais do género de suecas sem roupa, a reflexão em torno da prova continua a ser um dos motivos da minha existência. Sim, é mesmo uma coisa a sério – sou, desde há anos, um curioso pela estupidez humana e por isso teimo em escrever sobre este governo e em especial sobre os seus apoiantes.

Mas, voltemos à prova.

De acordo com o Guia que Nuno Crato desenhou para a prova,

Os erros de ortografia, de morfologia, de sintaxe e de pontuação estão sujeitos a desvalorização.
(…) Todas as ocorrências de um mesmo erro estão sujeitas a desvalorização.  (…) São classificadas com zero pontos as respostas que não atinjam o nível de desempenho mais baixo ou
quando se verifique uma das seguintes condições:
– afastamento integral do tema;
– mais de seis erros de sintaxe;
– mais de dez erros inequívocos de pontuação;
– mais de dez erros de ortografia ou de morfologia.

Ora, acontece que irrar é o Mano e por isso a gente tem que compreender os erros do sinhor menistru Nonucratu.

Repare na imagem retirada da aplicação em que os examinandos devem efectuar a sua inscrição. [Read more…]

Guia anti-prova

A FENPROF acaba de divulgar um Guia Anti-prova e o SPN sugere que enviem um mail aos deputados da comissão e que, na segunda-feira, apareçam, na Vigília pela Escola Pública.

Parece-me que este é, a par da via jurídica, um dos caminhos necessários para impedir a sua realização.

Claro que será importante perceber de que forma os sindicatos se voltarão a entender numa Plataforma de acção comum, sendo que me parece haver da parte da FNE um problema – a agenda laranja de tomar o poder na UGT poderá complicar a unidade na acção com a FENPROF. Mas, se for essa a moeda de troca para conseguir que os sindicatos não levem a estocada final, força TSD’s. [Read more…]

Os negócios na Educação

Um manual prático.

O desespero da Escola Pública

Para ler no Público:

Desespero. Letras juntas sob a forma de uma palavra que pintam de preto a Escola Pública. Mas, a Escola Pública não é dele, não é deles. É nossa e só ela garante o nosso Futuro! Por isso, parece-me que vale a pena pegar nos lápis e nos marcadores e agir para pintar a Escola Pública de muitas cores. Para ser possível educar, ensinar e, acima de tudo, aprender!

Quanto custa acabar com o livre-arbítrio

crato ladrão

É barato, para garantir uma nação de gente sem voz.
Evidentemente que os professores e funcionários do privado não poderão dizer mal de quem lhes enche (pouco) os bolsos, nem que seja a prestações e contra emissão de recibos verdes. «Pelo menos trabalham, nem todos se podem gabar do mesmo».
Já nem falo daqueles cujos bolsos e cujas panças se avolumam cada vez mais.
Falta colocar as fotos de ppc e de acs nas paredes das salas de aulas dos colégios…
Adeus, Pátria e Família.

Sócrates está de volta

A minha entrada na blogosfera foi feita por um blogue pessoal que nos anos quentes da luta dos professores contra a Ministra Maria de Lurdes teve um papel instrumental muito forte. Em setembro de 2008 resolvi acabar com o Diário de um Professor escrevendo:

The END
Boas,
car@s amig@s, car@s colegas,

o Diário de um Professor chegou ao fim!
São vários os motivos que me levam a deixar este espaço que ocupei durante três anos:
– um país de faz de conta em que a pior Ministra da Educação da nossa Democracia é vista como um
génio;
– um Primeiro que o foi antes de ser engenheiro…
– uma Democracia de faz de conta, onde a cidadania é vista como uma brincadeira
– uma pro fissão que o deixou de ser…
E claro, o desgaste, o tempo que um espaço como este também exige.

Quando decidi escrever isto tinha um percurso feito de oposição quase permanente a José Sócrates e às suas políticas para as carreiras dos funcionários públicos e em especial os professores. Os ataques feitos à profissão docente foram tão intensos que nem me atrevo a trazer para cima da mesa as decisões acertadas que foram tomadas em relação à Escola Pública. [Read more…]

Inglês II – aprender francês dá para ser porteiro

Isto nas políticas daquele sujeito com traços de javali.

Notas de Matemática

Não há nada como ter um Ministro que alguns pensavam ser um especialista em Educação Matemática.

A Acta dos Professores (iv): quem perde

O tempo vai passando e os olhares que se cruzam são de satisfação, são de dever cumprido. Claro que também se juntavilareal6 uma sensação de alívio porque não era fácil continuar a GREVE às avaliações que se manteve muito perto dos 100% até terça-feira.

Do que tenho lido e ouvido há algumas questões colocadas em cima da mesa que nunca estiveram em discussão, pelo menos no âmbito da luta do mês que agora termina.

Da parte dos docentes contratados até se conseguem queixar do facto da palavra contratados não aparecer na acta. Pergunto:

– quando se consegue que a DT  continue na componente lectiva, estamos a garantir o quê?

– quando se consegue que as cinco horas entrem apenas na componente individual, estamos a defender o emprego de quem?

No caso dos docentes que pertencem aos Quadros de Zona Pedagógica existe uma outra questão, bem complicada. [Read more…]

As consequências

São simples.

Não há reuniões de avaliação, não há notas e sem estas, as pautas não existem.

A primeira consequência é a inexistência de elementos que permitam tomar decisões sobre aprovações ou retenção, isto é, não vai ser possível saber quem passa ou não de ano. Sem esta informação não se poderão concretizar matrículas em novos anos ou até em novas escolas, tal como não será possível desenvolver o processo que levará à entrada na Faculdade.

Numa só expressão, se o ano lectivo 2012/2013 não termina, o que se segue não poderá começar e o arranque das aulas em Setembro começa a ficar realmente em causa.

O problema é sério, mas Nuno Crato e Passos Coelho parecem estar pouco preocupados com a situação que vai colocar em causa um sector vital da nossa economia – o turismo.

Pelo contrário, os Professores continuam muito preocupados e por isso estão disponíveis para continuar esta GREVE que já vai em 8 dias úteis. E as exigências são simples:

– a mobilidade especial (requalificação ou despedimento) não pode ser regulamentada;

– o aumento do horário de trabalho, a acontecer, deverá ser exclusivamente na componente individual (“trabalho de casa”);

– a direcção de turma tem que continuar a ser considerado serviço lectivo.

E, apesar dos números brutais da GREVE (sempre acima dos 90%), há ainda muitos professores que não fizeram qualquer dia de GREVE, ou seja, ainda temos muito caminho para andar. E, apesar da tradicional página em branco do Expresso ou dos posts de ocasião no Aventar, a gente vai continuar

Crato coloca Almeida no mapa dia 2

Ou será que vai mudar o feriado?

Um dia de GREVE é sempre um dia SIMPLES

Porque só há dois lados e o muro é coisa que não existe. Ou se está de um lado ou se está do outro.

Hoje há Educadores que não vão para o jardim de infância, Docentes Universitários que não vão nem dar aulas, nem tão pouco vigiar exames. Haverá certamente milhares, muitos, do 1º ciclo ao ensino secundário que não vão realizar as reuniões de avaliações e serão também muitas as escolas onde os exames de 12º ano não se realizarão.

A GREVE de hoje assume muitas formas e terá muitos rostos. Terá a forma e a dimensão que os Professores lhe quiserem dar.

Aos outros, aos que quiserem dar a mão a Pedro Passos Coelho, a Nuno Crato, a Vítor Gaspar e a Paulo Portas, espero que o arrependimento não chegue em Setembro – será muito tarde. E, claro, podem juntar o carimbo da traição ao vosso passaporte!

A quem, de fora das Escolas, olha para esta luta sugiro a leitura do texto de Pacheco Pereira  e uma ideia que um amigo partilhava há dias: se vocês conseguirem vencer e continuar com 35h, nós, no privado ainda temos alguma esperança de lá voltar. Se perderem, não faltará muito para nos colocarem nas 45.

Se os tiverem

tomates

Segunda-feira fazem GREVE!

Não há qualquer limitação legal ao exercício da GREVE pelos membros das Direcções das Escolas, logo, estão também convocados para se juntarem a nós na GREVE. Ou será que deixaram de ser Professores?

Lembro um detalhe – imaginem que o vosso Agrupamento é transformado em Mega-agrupamento e, continuando a imaginar, perdem o lugar na Direcção. Já pensaram que a Mobilidade está mesmo ali ao virar da esquina?

Mas, claro, podem sempre continuar a fazer de conta que esta luta é coisa de sindicatos e segunda-feira até podem substituir toda a gente, se calhar até podem fazer o exame pelos alunos!

2ª feira TODOS podem e devem fazer GREVE – é a última?

Ora aí está a confirmação que todos esperavam. Depois de nos ter sugerido trocar o exame de português pelo de matemática, Pedro Passos Coelho, seguramente o mais competente primeiro-ministro depois do 25 de abril, vem agora confirmar o que os sindicatos sempre disseram: a Lei não garantia a exigência dos serviços mínimos em educação. Confesso  que não pensava ser possível ter um governante tão competente na convocação de uma Greve.

Aliás, pelo que se vai percebendo, a Direita está em pânico e de trapalhada em trapalhada caminha para o fundo de um buraco que parece não ter fundo. Então agora vão mudar a Lei da Greve?

Quer dizer, perdem o jogo, logo, ‘bora lá alterar as regras. Parece-me que o Glorioso Sport Lisboa e Benfica, a seguir o exemplo do Governo, vai exigir que na próxima época os jogos acabem mesmo aos 90 minutos.

Nuno Crato convocou os sindicatos para uma reunião ainda hoje (16h), mas só há um caminho para os nossos representantes: o MEC retira de cima da mesa a Mobilidade Especial e o aumento da carga horária e os Professores voltam às negociações. Tudo o que seja menos do que isso e a GREVE às avaliações é para continuar.

Quanto à GREVE de 2ª feira, Nuno Crato vai tentar, hoje, forçar os sindicatos à sua desmarcação e, caso o tiro volte a falhar (como tem sido habitual) terá que alterar a data do exame de Português porque há uma mensagem muito clara que todas as escolas estão a dar: segunda-feira a GREVE é mesmo TOTAL!

Todos podem (devem!) fazer GREVE, não há qualquer tipo de condicionamento formal e tudo o que um ou outro imbecil possam dizer para condicionar a GREVE, será uma… imbecilidade. Eu vou MESMO aproveitar, quem sabe não terei outra oportunidade de fazer GREVE.