O problema da “portugalização” da CPLP

Feliciano Barreiras Duarte, segundo o Ventos da Lusofonia, é investigador, o que é, com certeza, importante, mesmo que não se conheça a área de investigação. Feliciano Barreiras Duarte é, ainda, deputado do PSD, que é outra maneira de se ser importante tendo a possibilidade de fazer qualquer coisa. Aliás, de acordo com a biografia da página da Assembleia da República, Feliciano tem, ainda, um Doutoramento em Doutoramento (vd. imagem infra), o que é tão específico como ser investigador em geral e deputado em particular.

(Coincidência ou não, já me tinha cruzado com outro deputado do PSD licenciado em licenciatura. Fica a faltar um mestre em mestrado. Já existia um licenciado sem licenciatura.)

Em declarações à página Ventos da Lusofonia, Feliciano Barreiras Duarte não desilude: o que se espera de um investigador que é também deputado do PSD, doutorado em doutoramento, que tem vários livros em preparação e que publicou, entre outras, uma obra com o estimulante título “Apostar no Bombarral”? Espera-se, obviamente, uma série de declarações vácuo-épicas sobre qualquer assunto.

Sendo o assunto a CPLP, o investigador/deputado/doutorado profere coisas sobre a possibilidade de a dita CPLP poder “ganhar outra voz à escala mundial” e a necessidade de “aprofundar o lado político e linguístico, mas acima de tudo, em simultâneo e com muita pressa, também o lado económico e cultural”. É preciso não esquecer que Feliciano Barreiras Duarte é do PSD e membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o que implica ter de elogiar sempre a CPLP.

A cereja em cima do bolo surge no final, quando, a propósito da próxima entrada da Guiné Equatorial na CPLP, acusa os críticos de quererem “portugalizar” a instituição, já que, manchados por tiques colonialistas, são incapazes de compreender a nobreza aparente de todos aqueles que querem, decerto desinteressadamente, ajudar o povo da Guiné Equatorial. Feliciano faz de conta, é claro, que as críticas não estão relacionadas com os direitos humanos, porque o importante, lembra, é que vivemos “no século XXI, de movimento dos povos, em que o direito à mobilidade das pessoas e das empresas ganha cada vez maior prioridade nas políticas públicas e é importante sabermos as semelhanças e diferenças que existem entre os membros”.

Afinal, a Física está errada: o som propaga-se no vácuo.

 

feliciano

Comments


  1. A VIÚVA QUE NÃO QUERIA A VENDA DO BANIF AO TORCIONÁRIO. NO TEMPO DO SÓCRATES ERAM TODOS DITADORES. AGORA SÃO TODOS BONZINHOS. ESTES TRAFULHAS MENTIROSOS DEVEM SER APEDREJADOS

    Date: Tue, 24 Jun 2014 07:01:04 +0000 To: lidiadrummond@hotmail.com

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  1. […] bastava já o desonesto Acordo Ortográfico, o ingresso da Guiné Equatorial na CPLP e vai agora um filme português com legendas para o Brasil? Por acaso, houve já alguma […]

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