Juridicamente não chega, Marcelo

A CPLP não pode pactuar com mais ditaduras. O regime Dos Santos chega e sobra.

Uma Escola Universal

Que o Estado português e a Igreja Católica portuguesa, representada pela Companhia de Jesus, criem uma rede pública de Escolas, com uma unidade de ensino em cada distrito do território nacional e unidades exteriores em todos os continentes, para tal usando a rede diplomática da CPLP, assim como as parcerias estratégicas já estabelecidas pela diplomacia portuguesa e pela Companhia de Jesus desde há 500 anos.

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E novidades sobre o acordo ortográfico? Não há!

11337_10204484140098622_8880294994241081779_nPronto, confesso, o título é ligeiramente enganador. Em verdade vos digo que no Brasil o dito e chamado acordo ortográfico (AO90) passa a ser obrigatório, terminando, assim, o período de transição.

No entanto, e no fundo, não há novidades. Vejamos.

Alguns defensores do chamado acordo mostraram um tímido contentamento, festejando a ilusão de que, agora sim, passa a haver sintonia ortográfica entre Brasil e Portugal. Convém re-re-relembrar que a par de algumas aproximações ortográficas, o AO90 mantém muitas diferenças preexistentes e, re-re-re-pasme-se!, cria diferenças anteriormente inexistentes, obrigando, por exemplo, a que os hotéis portugueses deixem de ter recepção. [Read more…]

Acordo? Ortográfico?

atar2by2bdesatarEm Díli, durante uma reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), houve um momento de tensão, quando os representantes de Angola e de Moçambique rejeitaram a utilização do chamado acordo ortográfico de 1990 (AO90) na acta da reunião, sendo que o problema começou exactamente na própria palavra “acta”. Relembre-se que o AO90 não está em vigor naqueles dois países africanos.

(Mas o AO90 não veio impor uma ortografia única no mundo da lusofonia? A propósito, o que terá acontecido aos professores portugueses que, em 2013, davam formação a colegas angolanos?)

É curioso relembrar que, há dois anos, os representantes das agências de notícias dos países lusófonos reuniram-se, tendo como um dos objectivos a “escolha do padrão ortográfico” de um site comum.

(Mas qual seria a dúvida? Depois de o AO90 ter sido imposto no Brasil e em Portugal, o padrão ortográfico não estava escolhido por inerência? Mau, Maria!) [Read more…]

Lusofonia arrasa no Carnaval do Rio

Escola vencedora foi financiada pelo mais recente membro da CPLP, o regime do carniceiro Teodoro Obiang.

Aproveitar melhor o fato

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© NUNO FERREIRA SANTOS (http://bit.ly/1rYfBMa)

Segundo a Lusa (os meus agradecimentos aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico):

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio considerou hoje que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa “podia aproveitar melhor” o fato de ter uma língua comum, defendendo mais políticas concertadas de cooperação para o desenvolvimento.

Efectivamente, está tudo dito.

Guiné Equatorial: o «consenso» em torno do país lusófono onde se fala espanhol

Fernando Guimarães

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Xanana está para Timor

como Cavaco está para Portugal ou Teodoro Obiang está para a Guiné Equatorial.

O problema da “portugalização” da CPLP

Feliciano Barreiras Duarte, segundo o Ventos da Lusofonia, é investigador, o que é, com certeza, importante, mesmo que não se conheça a área de investigação. Feliciano Barreiras Duarte é, ainda, deputado do PSD, que é outra maneira de se ser importante tendo a possibilidade de fazer qualquer coisa. Aliás, de acordo com a biografia da página da Assembleia da República, Feliciano tem, ainda, um Doutoramento em Doutoramento (vd. imagem infra), o que é tão específico como ser investigador em geral e deputado em particular.

(Coincidência ou não, já me tinha cruzado com outro deputado do PSD licenciado em licenciatura. Fica a faltar um mestre em mestrado. Já existia um licenciado sem licenciatura.)

Em declarações à página Ventos da Lusofonia, Feliciano Barreiras Duarte não desilude: o que se espera de um investigador que é também deputado do PSD, doutorado em doutoramento, que tem vários livros em preparação e que publicou, entre outras, uma obra com o estimulante título “Apostar no Bombarral”? Espera-se, obviamente, uma série de declarações vácuo-épicas sobre qualquer assunto.

Sendo o assunto a CPLP, o investigador/deputado/doutorado profere coisas sobre a possibilidade de a dita CPLP poder “ganhar outra voz à escala mundial” e a necessidade de “aprofundar o lado político e linguístico, mas acima de tudo, em simultâneo e com muita pressa, também o lado económico e cultural”. É preciso não esquecer que Feliciano Barreiras Duarte é do PSD e membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o que implica ter de elogiar sempre a CPLP. [Read more…]

Batalha das Línguas

A afirmação do Português no Sistema Solar corre paralelamente à prosperidade, ao trabalho e à felicidade de quem o utilize. Nas Redes Sociais e muito para além delas. Mas com rigor ortográfico e elegância de estilo.

A CPLP e Maio. E o Keynes?

Ao ler estas informações acerca de «colóquio subordinado ao tema “O Direito Constitucional de Língua Portuguesa”» (tendo o programa chegado ao meu conhecimento através de publicação de Ivo Miguel Barroso de partilha de Jorge Bacelar Gouveia), deparo com o seguinte cenário catastrófico: uma *receção, oito *perspetiva, um *diretor, uma *subdiretora, dois *objetivo uma *atividade, uma *atuação, uma *ação, um *retroprojetor e, para rematar, dois Maio (exactamente) com maiúscula.

Sabemos, através de nota informativa, que o colóquio é organizado pela CPLP. Tendo o programa sido divulgado por Bacelar Gouveia e participando o próprio activamente no colóquio, convinha alguma cautela nas partilhas em redes sociais e que a organização fosse alertada quer para a extraordinária redacção da base XIX, 1.º, b), quer para o início desta reflexão de Bacelar Gouveia acerca do AO90: «Quem se der ao trabalho de ler esse tratado internacional logo perceberá que se trata de um conjunto de normas sem sanção, aquilo que os romanos designavam por lex imperfecta». Efectivamente, convém alguém “dar-se ao trabalho de ler esse tratado internacional”. A começar pela própria CPLP.

No caso de a CPLP decidir, duma vez por todas, ignorar o AO90, o processo, garanto, é reversível e a solução, como todas as coisas boas da vida, é bastante simples: mantêm-se os dois Maio e, quanto ao resto, não demora muito (uma recepção, oito perspectiva, um director, uma subdirectora, dois objectivo uma actividade, uma actuação, uma acção e um retroprojector). [Read more…]

A CPLP, Abril, o sector e o setor

A Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau, ontem aprovada pelo Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), será sempre lembrada como uma referência quer da crónica inaplicabilidade do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), quer do conceito de heterografia que lhe está associado, quer da precipitação em aplicar-se algo que a própria CPLP assumiu há poucos dias precisar de “diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação” e de posterior “ajustamento”. [Read more…]

Acordo Ortográfico: uma pergunta de António Emiliano

No Público de ontem, António Emiliano responde a um desafio do jornal, fazendo uma pergunta a Francisco José Viegas:

O Acordo Ortográfico [AO], feito há 22 anos, recebeu pareceres técnicos muito negativos e só dois membros da CPLP o aplicam de facto. Portugal subscreveu a declaração de Luanda de 30/03/2012 que diz que o AO produz constrangimentos no processo de ensino e aprendizagem e deve ser revisto (em prazo indeterminado). Não se deveria suspender imediatamente o AO nas escolas e nas instituições do Estado? [Read more…]

Acordo Ortográfico: o que nasce torto nem a CPLP endireita

No dia 30 de Março, os Ministros da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se e, entre outros assuntos, abordaram, também, a questão do Acordo Ortográfico de 1990. A Declaração Final pode ser lida aqui.

O primeiro aspecto a merecer destaque é o facto de o texto respeitar a ortografia portuguesa de 1945, talvez por vontade das representações angolana e moçambicana.

No que respeita à secção relativa à questão ortográfica, para além de declarações vagas sobre a “promoção e defesa da Língua Portuguesa no espaço da CPLP e no Mundo”, os presentes reconheceram que a “aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos que podem, no futuro, dificultar a boa aplicação do Acordo”. [Read more…]

Contra o Acordo Ortográfico: não há uniformização ortográfica

A tese deste texto é a de que o AO90 não produz uniformização ortográfica, e isso, de certo modo, já ficou demonstrado no texto anterior e é reconhecido, aliás, na Nota Explicativa do Acordo Ortográfico, 4.4. (acerca dos casos de dupla grafia). Ora, a verdade é que um dos objectivos do AO90 consistia em criar uma ortografia comum, para que todos os falantes lusófonos pudessem escrever a uma só ortografia.

Em primeiro lugar, é curioso notar que o próprio texto do AO90 contém a demonstração cabal desse falhanço, quando se verifica que são utilizadas duplas grafias como “antropónimos/antropônimos” ou “fónico/fônico”, de modo a respeitar ortografias que continuarão a ser diferentes. Leia-se o seguinte exemplo retirado da Base I:

2.º As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

a) Em antropónimos/antropônimos [sic] originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo, Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista;

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Paulo Portas de malas feitas

Paulo Portas partirá numa viagem pelas capitais dos países da CPLP, procurando encontrar soluções para a situação em que a partidocracia nos colocou. Esta catástrofe poderia ter pertencido à esfera das meras conjecturas, se os governos que têm navegado á vista quanto às prioridades do país, não tivessem descurado aquilo que o “tal sector” – o apontado “maior, mais antigo, transversal  e informal Partido clandestino de Portugal” – tem indicado desde há décadas. Se existe algo a apontar quanto a estes contactos, será pelo atraso. Este périplo não pode cinjir-se à tentativa de venda de dívida pública ou angariação de contratos para as empresas portuguesas. O Estado não é uma agência de negócios privados. Há que ir muito mais longe, mas isso já é do domínio da grande política.

O tempo está contra nós, mas no Palácio das Necessidades, o governo começa como deve.

A urgente CPLP


No excelente blog que é o Bic Laranja, corre uma enorme polémica acerca do pedido da nacionalidade timorense, atempadamente enviado pelo Senhor D. Duarte às autoridades de Dili. Passando sobre umas tantas habituais e inócuas grosserias, a maioria dos comentadores – mais de 80! -, manifesta uma certa estupefacção pelo pedido real, dada a total incompreensão daquilo que é o direito sucessório à Coroa e a manifestação de um visionário projecto de uma portugalidade renovada.

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Uma verdadeira bomba: "Il Portogallo è Grande

Deixando de lado as misérias e mediocridades do nosso triste quotidiano, recomendamos um olhar muito atento a este importante trabalho que da Itália chega. Uma grande quantidade de textos que tem Portugal como objecto de interessado estudo e reflexão. Sem grande surpresa, deparamos com aquilo que há décadas alguns dizem sem que sejam escutados, ou pior ainda, sendo desprezados pela turba que deixa o país nesta situação desesperada.

Os próprios italianos o dizem: temos de nos ver livres daqueles que condenam Portugal a uma desnecessária canga.

“- Portugal é um país central no complexo euro-atlântico e não pode submeter-se a orla periférica do Mitteleuropa;

– A comunidade cultural, linguística e afectiva dos países herdeiros da expansão portuguesa não é um adereço retórico; detém hegemonia económica, demográfica e política sobre a América do Sul e encontra em Angola o mais poderoso Estado da África negra após a África do Sul, posto que a Nigéria perdeu a sua grande oportunidade; [Read more…]

O charco dos sáurios


Esta semana, assistimos a uma aparatosa recepção ao senhor ministro dos Negócios Estrangeiros do regime dos aiatolás, apenas semelhante a outros sistemas protagonizadas por cavalheiros como Kim jong Il, Castro ou Kaddafy. Quando em Portugal os sectores centenários têm andado obcecados na revivificação do espectro anti-clerical, as mesmíssimas pessoas recebem sem qualquer circunspecção, o lídimo representante de um sistema ultra-religioso que nega os direitos a qualquer minoria, cerceia as mais básicas liberdades individuais e reconhece por Lei, a inferioridade das mulheres. Quando ainda há pouco se legalizou o casamento gay como conquista dos direitos humanos, o Palácio das Necessidades escancara as suas douradas portas, a quem activamente açula dúzias de enforcamentos de homossexuais em plena via pública e tem em lista de espera, mulheres às portas da morte por lapidação. É que em Teerão, os guindastes da construção civil, não servem apenas para o alçar de placas betonadas pré-fabricadas que vão erguendo condomínios, onde os mulás impõem o dízimo, geralmente traduzido sob a forma de gratuitas penthouses.

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O (Des)acordo Ortográfico

Encarado nas estritas perspectivas histórica e cultural, não haverá muita argumentação em favor do Acordo Ortográfico.

Recordo o modo como há dezenas de anos que Jorge Amado é apreciado em Portugal e como este autor brasileiro afirmou que como escritor devia muito a Ferreira de Castro. Portanto, ao longo dos tempos a apreciação da literatura de ambos os países é mútua, sem necessidade de codificação comum, e isso parece-me inegável.

Eu não preciso do Acordo Ortográfico para ler autores de língua portuguesa, seja qual for a nacionalidade. Nem vejo qual o ganho com a uniformização. Aliás, em matéria cultural, a uniformização não é sinónimo de maior riqueza, bem pelo contrário.

Acredito, sim, que se trata de um acordo que facilita o mercado editorial/livreiro, que expande mercados, e que congrega e dá maior sentido à CPLP – porque a matéria anda a ser sempre debatida como se fosse uma questão Portugal/Brasil, mas há que lembrar que também há países africanos envolvidos, bem como Timor-Leste.

O Acordo Ortográfico, será, pois, apenas uma questão económica. Tanto mais face ao crescimento exponencial do Brasil que, sendo o único país de toda a América Latina a falar português, consegue, por exemplo, ser líder do Mercosul e a referência de crescimento económico daquele continente.

O Acordo Ortográfico parece-me ser um instrumento económico, ajustado à tendência da emergência de novas potências económicas (China, Índia, Brasil, etc.), e, eventualmente, dará maior congregação e significado á existência da CPLP . Se não for nesta perspectiva, não vislumbro qualquer interesse em tal Acordo, bem pelo contrário: na cultura a uniformização é redutora, logo incompatível com os pressupostos de pluralidade e de riqueza em que deve assentar a evolução cultural.