Na Fronteira de Barca d’Alva

comboio-barca-de-alva-1974

Dia 20 de Abril de 1974 em Barca d’Alva, PK 200 da Linha do Douro; lado a lado, locomotivas da CP e da Renfe.
© Autor desconhecido.

Comments

  1. Carlos Pinheiro says:

    O encerramento desta parte da Linha do Douro com ligação a Espanha foi o principio das cavacas nos comboios. E continuam…


  2. Sim, foi das primeiras cavacadas mas já vários ensaios gerais tinham sido feitos antes.

    • joao figueira says:

      pena é ñ sabermos aproveitar os recurosos turisticos k existem e potenciar os envolventes: se falamos do caminho de ferro turistico ds suíca, frança, alemanha, usa, entre outros, não teremos substância para tb o fazermos por cá?

  3. Carlos Pinheiro says:

    Mas desde essa altura que as empresas ligadas ao caminho de ferro, CP, REFER, EMEF só têm feito encerramento de linhas. Investimento e manutenção é mentira. E não é por acaso que acontecem acidentes na Linha da Beira Alta como foi recentemente em Mangualde, na Linha do Norte como foi recentemente em Alfarelos e para compor o ramalhete ontem foram dois na linha de Cascais. Desde essa altura e desde que se começaram a construir auto-estradas com fartura a ideia é acabar com os comboios para dar serviço aos amigos das auto-estradas. Por isso a linha do Oeste está a cair aos bocados, por isso é que a linha da Beira Baixa acaba na Covilhã quando antigamente ia até à Guarda e por isso é que amanhã ou outro dia, quando cairem as barreiras de Santarém, Lisboa deixa de estar ligada ao Porto e vice versa só porque nunca quiseram fazer a variante a Santarém que tem projecto feito e se se tivessem candidatado para essa obra essencial tinham obtido financiamento da UE. Estamos entregues à bicharada.

    • Maquiavel says:

      Explique lá como é que a malfadada “variante a Santarém” teria financiamento da UE.
      As barreiras de Santarém cairão porque nos tempos do fascismo lhes retiraram a vegetaçäo que as sustentava e remediaram com cimento, supostamente, porque “as árvores e plantas eram um risco para a linha”. Há aquela história de quando o Ministro(?) foi apreciar a obra feita, o responsável disse “Está a ver? Isto assim com barreiras em cimento nunca mais cai!”, viraram costas e BRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM, tudo por aí abaixo.

      • Carlos Pinheiro says:

        Não sei porque é que não teriam finaciamento comunitário. Tanta rotunda teve esse tal financiamento e uma obra daquelas não teria porquê? Mas escusamos de ficar descansados. Não vai haver problema nenhum quando aquilo cair. Os mortos será enterrados, os feridos serão encaminhados para um hospital e quem fica a ganhar com isso tudo são os donos das auto-estradas, a alemanha a vender mais camiões, a Galp a vender mais combustiveis e tudo a ficar mais caro. Mis nada.


  4. Carlos Pinheiro, vamos ser precisos: nenhuma empresa ferroviária portuguesa encerrou qualquer linha.
    Diz a Constituição da República, se não erro, no artigo 84.º alínea E que as vias férreas são património público. Logo, o seu abandono é uma opção do Estado, não de nenhuma empresa da área.
    Daí ser correcto afirmar: Cavaco Silva encerrou vias férreas. Mas, claro, ele não esteva só na tomada desse caminho.

  5. Carlos Pinheiro says:

    Naturalmente. Eu só quis dizer que essas empresas que existem, a CP para transportar as pessoas e as cargas, a REFER para manter as linhas e a EMEF para manter as composições, não têm tido ordens nem dinheiro para investir e só têm cumprido ordens ao darem a cara quando se encerram as linhas. E depois ainda houve os negócios da sucata e até levantamentos de linhas como foi no Tua e no Ramal da Lousã, mas isso são outras histórias. De facto o encerramento das linhas não foi só com o cavaco. Os outros todos que se lhe seguiram fizeram todos o mesmo bonito serviço. Veja por exemplo o caso do Metro Mondego. Aquilo funcionava bem ou mal, mas funcionava. Agora não há comboios, não há metro não há nada. Estrudaram todos pela mesma cartilha.


  6. Conheço bem a Linha da Lousã; fazia-me lembrar o troço Valença-Monção, o verde, o fresco, o rio…


  7. E eu conhecia bem a linha do Douro, do Tua, quando fazia Porto – Mirandela em 5 horas, o rio, as escarpas, o Verão. Ficava admirado com a quantidade de turistas na pequena composição que fazia o troço Tua – Mirandela, de facto era algo de muito belo.
    É uma tristeza.

    • Hugo says:

      Actualmente, de carro, demora-se cerca de duas horas entre as mesmas duas cidades e provavelmente fica mais barato. Naturalmente, as pessoas, sobretudo se viajarem em grupo, preferem o carro. Em relação à ligação da linha do Douro a Salamanca, historicamente foi um fiasco, tanto que a operação à época da concessão foi baptizada de “Salamancada” e custou nos anos seguintes centenas de contos ao Estado. Na altura do encerramento, qual era o volume de tráfego nessa linha? Justificava-se a continuação da sua exploração?

      • Carlos Pinheiro says:

        Na sua perspectiva, se estou a entender bem, também não sabe o o volume de tráfego. E se era pouco, porque seria? Alguém dinamizou aquilo? Já viu que só o turismo, naquele troço do Douro Internacional, poderia fazer muito por aquela região? Mas para colher é preciso saber-se semear. Também não percebo quando diz que as pessoas quando viajam em grupo preferem o carro. Seria caso para perguntar se o meu amigo já fez alguma viagem grande de comboio. Mas não pergunto. Será que o carro é mais barato, mais fiável, mais seguro e menos poluente?


        • De facto, ninguém da minha familia possuía ou possui carro, e embora a viagem de comboio demorasse muito mais tempo que a viagem de camioneta, era compensador, porque era mais que uma viagem, era um passeio, e a linha do Douro era conhecida como uma linha turística (fazendo parte de alguns “pacotes” de passeios turísticos onde alternava com a viagem de barco) e volto a referir o facto da quantidade de turistas a fazer a viagem Tua – Mirandela porque era algo realmente incrível, como um pequeno troço centenário perdido no norte de Portugal pudesse ser uma atracção tão procurada. O tráfego de pessoas estava relacionado com o volume populacional que se distribuía entre pequenas aldeias, que em muitos casos se demorava mais de carro de uma aldeia a outra que de comboio. Não era um TGV, mas era qualquer coisa.

      • Maquiavel says:

        Você é o típico tuga que ama mais o seu popó que a si próprio. Você näo gosta de viajar, você gosta é de conduzir.
        Eu gosto de conduzir, mas sei que isso implica ter 4 olhos na estrada. Quando viajo, quero olhar para onde quero, e o comboio nisso ganha a qualquer modo de transporte. Fantástico que quem nunca se sentou num comboio arrota que é só prejuízo, e que carro é que bom, mas quem anda realmente de comboio vê que os turistas os enchem. Os turistas com dinheiro, näo os pelintras tugas para quem viajar é dizer “fui da A1 à A2, e depois andei na A44, e…”. Não há turista estrangeiro nenhum que queira conduzir, querem é comer bem, beber melhor, e tirar fotos. E sabem que fazendo isso näo podem andar de carro, nem de camioneta (cruzes!).

        Porto-Mirandela hoje em dia faz-se em 2,5 horas, que bom para si. E a que custo, já que refere as “centenas de contos” de prejuízo de linhas férreas? Por acaso a AE que permite fazer essas 2,5 horas foi de graça? Por mero acaso o tráfego que tem gera receitas de portagens suficientes? De Amarante para a frente säo uns 2.000 veículos/dia, ou seja, näo se justifica uma AE, que é para quando säo mais de 10.000, e com portagens “normais” näo dá lucro, e o Estado que compense as exploradoras com milhões, pagos por todos nós.

  8. Abeikard Henriques Vilela says:

    Bonitos os batepapos que antes li… São todos o resultado de opções pessoais. Os que gostam de conduzir o pópó querem o automóvel… Os outros, os que gostam da natureza, estimam o comboio, naturalmente. Para mim, compete ao Estado impor o que é mais funcional e conveniente, e, nas suas decisões, tendo de ponderar custos de construção das vias novas e de avaliar perfeitamente o custo da manutenção das estradas já existentes. Isto é coisa a ser tratada por técnicos sérios e libertos de interesses estranhos ao povo.

  9. Carlos Pinheiro says:

    Essa das opção pessoais, tá porreira pá, como disse o outro da outra vez. O País precisava manter as linhas ferroviárias, rectificá-las onde fosse aconselhável, mas manter os comboios que antigamente eram a seiva do interior do país. Mas depois, com estas modernices todas e quando começou a vir dinheiro da CEE aos milhões, optaram por encerrar linhas e linhas de caminho de ferro e distribuir para aí betão com fartura a favor de alguns amigos de peito e por isso temos as PPP com juros a suportar por nós para que os tais senhores tenham rentabilidades malucas que só neste cantinho conseguiriam.
    Começámos a falar de comboios e derivado para a politica que tem feito tudo para acabar com eles, já estamos nas PPP que não sabemos bem quanto custam, mas sabemos que é mais um bodo aos ricos. Antigamente os bodos davam-se aos pobres. Mas como o mundo mudou, neste país o bodo dá-se aos ricos. Mas como isto anda tudo ligado… comboios, auto-estradas e dinheiro, está tudo mesmo ligado e o povo que se lixe e que abandone o interior para ficar uma coutada grande para os senhores da massa irem para lá dar uns tiros como se estivessem na selva. E já estivémos mais longe disso.

    • Francisco Pedro says:

      E com que dinheiro se faz a manutenção e construção dessas linhas? Com mais impostos? Sim porque com o preço dos bilhetes não será certamente. A famosa linha do Tua (na qual cheguei a viajar) fechou porque as composições circulavam com 4 ou 5 pessoas para alem ser impedimento para a construção da polémica barragem. Sejamos sérios e deixe-mo-nos de sentimentalismos bacocos. Portugal era um país de novos ricos em que até os pedreiros tinham carrinhas Audi A4 (em 3ª mão) e ninguém queria ser escravo dos horários e itinerários do “pouca-terra”. As pessoas é que são as verdadeiras culpadas pelo fim de certas ligações ferroviárias ao alterarem os seus hábitos de locomoção.

  10. Carlos Pinheiro says:

    O senhor Francisco Pedro entrou neste debate hoje, 13, quando tudo isto começou já há 4 dias. Mas não é proibido e se eu fosse o dono do blogue até lhe daria as boas vindas. Mas, sendo assim, visto que está a fazer perguntas sobre o tal dinheiro que não há, digo-lhe que se tivessem sido comedidos nas obras faraónicas das auto-estradas à bruta, se tivessem tido mais controlo em obras como foram o CC de Belém, a Expo 98, o Euro 2004 e respectivos estádios, a Casa da Música e outra “obras” como foram o BPN, o BPP e outros que tais e até mesmo a negociação das PPP partindo do principio que algumas delas seriam mesmo precisas, mas também se soubessem combater a economia paralela que já rendeu, quer dizer, já prejudicou as contas do estado, em 43.000 Milhões de euros em 2011, assim podiam-se ter mantido e melhorado as linhas ferroviárias indispensáveis a este país. O caminho de ferro está a ser acarinhado em todo o mundo civilizado. Cá estão a acabar com ele porque mesmo depois das linhas fedcharem, a sucata tem dado muito dinheiro a muita gente. Como o senhor, diz a terminar e muito bem, as pessoas é que são as verdadeiras culoadas de tudo isto. Se soubessem exigir resultados a essa gente que por aí anda a tratar disto, sem experiência nenhuma da vida, outro galo cantaria.

    • joao figueira says:

      e só ñ perceberá isso quem fôr obtuso ou desconhecedor do que se está a questionar.


  11. Todas as opiniões são válidas desde que argumentadas. De preferência, argumentadas com base na realidade dos factos e na frieza dos números!

    • Hugo says:

      Mas, Dario, os números são factos bem reais.


      • Sim, sim; resta saber o que nos conduziu à frieza dos números. Isso tem o nome de “decisão política”.

      • Carlos Pinheiro says:

        Os números podem ser reais, mas se tivessem feito metade do investimento na ferrovia do que fizeram nas auto-estradas que agora estão ao abandono e às moscas, se calhar os números mudavam de figura.

      • Maquiavel says:

        Enganei-me, com a breca. Quem ignora os factos e os números säo os Hugos deste mundo.
        (Dário, faz o favor e apaga-me o comentário anterior que foi engano)

  12. Francisco Pedro says:

    Peço desculpa por ter chegado tarde mas como o assunto estava em destaque na página nem reparei nas datas. Eu ainda sou do tempo em que estudavam os rios e as linhas e ramais ferroviários de portugal no ensino oficial. Tive a sorte de ter podido viajar em alguns dos troços hoje encerrados como a Linha do Tua a qual devido ao facto de ser de bitola estreita ao baixo número de utilizadores e às fracas condições de segurança do traçado foi encerrada com pena de muita gente incluindo eu. E em comparação com o que se faz no estrangeiro fiz o Inter-Rail 7 vezes por isso conheço a diferença. Gosto muito de comboios, tenho saudades do tempo em que linha do Douro chegava a Barca d’Alva, e a Linha do Minho chegava a Monção, mas acho que o declínio do transporte ferroviário em portugal tem a ver com a falta de adesão das pessoas por comodismo e por alternativas mais rápidas. Veja-se o que se passa com a linha do Oeste que já esteve para encerrar devido ao baixo número de passageiros e aos elevados custos de manutenção e logo apareceu um milhar de pessoas a manifestar-se pela sua manutenção. No entanto quem quererá fazer o percurso Cacém – Figueira da Foz em 5 horas de comboio se o pode fazer em 2:30h pela auto-estrada? Quanto aos argumentos da Casa da Música e do Centro Cultural de Belém só lamento que para alguns terem “cultura” outros estejam a passar fome mas isso já é outra história.

    • Carlos Pinheiro says:

      Essa coisa de ter chegado tarde não tem importancia alguma. Concordo na generalidade com as suas palavras. Porém, o abandono a que votaram a ferrovia foi só para justificarem as auto-estradas, foi a razão para depois irem fechando as linhas, porque estavam velhas, porque tinham poucos passageiros, etc, etc. Mas se seguissem essa politica nas auto-estradas quantas é que já estariam fechadas? Pois, é. Mas há as Parcerias Público Privadas que começaram com o Cavaco e a com Ponte Vasco da Gama e nunca mais pararam sempre para beneficiar escandalosamente os amigos de peito, e por isso estamos como estamos. Veja o que fizeram à Linha da Lousã. Arrancarram os carris. Era para transformarem aquilo no Metro Mondego. E como não fizeram nada as pessoas têm obrigatoriamente de utilizar o carro ou o autocarro. E a Linha do Oeste de que fala. É uma vergonha absoluta. Era uma linha de alternativa à Linha do Norte quando a mesma tinha problemas mas também servia cidades como Torres Vedras, Caldas da Rainha, as prais de S. Martinho do Porto e Nazaré, Lediria, Marinha Grande e Figueira da Foz. Mas lá está. As auto-estradas precisam de ser justificadas. Mais nada. Só mais u pormenor. Haverá alguma razão de semanalmente sairem por Vilar Formoso 12.000 camiões de mercadorias? Se tivessemos um caminho e ferro como deve ser quanto é que se poupava em combustiveis, em investimentos nas viaturas que muitas vezes também estão paradas e quanto é que se poupava o ambiente? Os governos, desde há muitos anos, andam a cumprir ordens de fora e a promover o que os outros lhe mandam fazer. Por isso é que isto chegou a este estado.

      • Maquiavel says:

        É isso mesmo, Carlos.
        Näo fazem manutençäo nem melhoramentos nas linhas para que as pessoas as deixem de usar, e depois usa-se esse argumento para as fechar. Tudo para que o dinheiro vá para os amigos que exploram as AEs que foram pagas por Bruxelas.
        E o pagode nem vê à frente dos olhos. Nem vê que os carros andam a pitrol, que cada vez está mais caro.
        A LInha do Norte está mais que sobrecarregada, e o tráfego de mercadorias, pelo menos, poderia ir pela Linha do Oeste. Mas näo. Olha lá! Por isso o Alfa só dá os 200km/h em… 10km dos 300km Lisboa-Porto?
        E se näo pela Linha do Oeste, porque näo meter as cargas pela Linha da Beira Baixa? Só enquanto a UE der dinheiro é que se moderniza e electrifica, como näo däo mais fica o “buraco” entre Covilhä e Guarda… ou usam locomotiva a gasóleo desde Lisboa (e o ambiente que se lixe, que o desGoverno até quer abater os pinhais para meter eucaliptos), ou têm de mudar a carga na Covilhä… se é que a entre a Covilhä e a Guarda ainda existe!

      • Roque&Enrrola says:

        12000 camiões por semana e Vilar Formoso dá mais de 1 camião por minuto ininterruptamente, Se isto é a verdade dos números vou ali e já venho 🙂

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