Quando a cobardia é padrão

O meu amigo Carlos Fonseca, que seria sempre aventador, mesmo que não quisesse voltar a escrever neste seu nosso Aventar, recebeu um telefonema ameaçador de uma figura tão sinistra como cobarde, a começar no modo insidioso como conseguiu obter o número de telemóvel.

O Carlos, com a frontalidade que lhe conhecemos, tinha escrito dois textos no seu Solos sem ensaio: O sagrado sal do Espírito Santo (BES) e A anedota do Banco de Portugal sobre Salgado (BES). Se o ameaçador telefónico fosse qualquer coisa parecida com um ser civilizado, teria aproveitado os comentários ou outros púlpitos para discordar, criticar, emendar. Infelizmente, optou por se comportar como o típico capanga, habituado que deve estar a lidar com subordinados precários ou com outros do submundo engravatado em que se movimenta.

O rapaz está com azar, coitado. Basta ler as palavras que o Carlos escreveu posteriormente acerca da sua espécie: “garotagem bem instalada na vida e que, detentores de estatuto profissional do lado dos dominadores, pensam poder amedrontar com ajustes de contas pessoais, no sentido físico da expressão, quem critica interesses e faltas de ética dos poderosos a quem estão ligados.” Como se isso não bastasse,  ainda ajudou o Carlos a confirmar a ideia de que, a partir dos 50, também a língua se solta.

Talvez, num assomo de civismo, queira aproveitar para corrigir o seu comportamento e, assim, ficar mais próximo da humanidade, mas é pouco provável: depois de se passar muito tempo numa sarjeta, o cheiro nunca mais desaparece.

Por outro lado, confirma-se que revela extrema competência como director de comunicação e o Aventar agradece-lhe: foi graças a ele que o Carlos Fonseca sentiu renovada energia para voltar a escrever também nesta sua casa.

Comments


  1. Felizmente existem C.Fonsecas/A.Nabais para nos animar que nao vivemos nos reino do pai, filhop. e espiritosanto. e talvez nunca mais viveremos -se soubermos votar

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