Iluminação de Natal em Campolide

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Na memória de muitos de nós, 2014 ficará marcado como um ano de escassez. Dos que têm sorte, claro, pois outros há que têm a miséria deste ano marcada na carne. Ou nos olhos que se fizeram sombrios à custa de tanta pobreza. O País está mais pobre. Os jovens não têm emprego, os trabalhadores viram os seus direitos subtraídos e os idosos estão cada vez mais desamparados. O Estado demite-se,todos os dias, das suas obrigações sociais. Se as nuvens negras passaram, como diz Passos Coelho, eu não o senti nos rostos das centenas de pessoas que fizeram fila no auditório da Junta de Freguesia de Campolide (JFC), num frio dia do mês de Dezembro, em busca de um cabaz que tornaria a sua consoada um pouco menos insuficiente. André Couto, presidente da JFC, e a sua equipa, trocaram o esplendor das luzes de Natal por um saco com comida para cada família da freguesia, dele necessitada.
Um gesto que dispensa palavras, mas que quase poderia ter estas: “Queremos pensar nos mais frágeis e vulneráveis: as crianças, os desempregados, os mais velhos…”, proferidas por Cavaco Silva e a sua reformada Maria. Há quem queira pensar, e há quem pense e faça.
2014 está a terminar e, com ele, espero que se vá também esta “austera, apagada e vil tristeza” infligida a um povo que resiste passivamente aos erros de poderosos tomando-os como seus.
A esperança, pelo menos a minha, é que os dias de 2015 se tornem menos azedos e a mudança aconteça. Porque naquele frio dia do mês de Dezembro, o que eu senti foi mesmo “uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes”. Estou certa de que vocês me compreendem.

 

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