Damage Control

Carlos Peixoto

O deputado social-democrata Carlos Peixoto, eleito pelo distrito da Guarda, um dos mais envelhecidos do país, tornou-se viral com um célebre artigo de opinião no jornal I, entretanto desaparecido na neblina da internet, onde afirmava, entre outras tiradas insultuosas, que “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha.“.

As reacções de indignação não se fizeram esperar, mas o agora cabeça-de-lista pelo mesmo distrito escusou-se na altura a comentar a polémica que o próprio criou. Remeteu-se ao silêncio, quem sabe se na esperança que o tempo e a avalanche de informação que nos é diariamente servida fizessem o seu trabalho. Enganou-se. Para o bem e para o mal, as campanhas eleitorais não perdoam, nos cartazes como nas afirmações idiotas. [Read more…]

Iluminação de Natal em Campolide

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Na memória de muitos de nós, 2014 ficará marcado como um ano de escassez. Dos que têm sorte, claro, pois outros há que têm a miséria deste ano marcada na carne. Ou nos olhos que se fizeram sombrios à custa de tanta pobreza. O País está mais pobre. Os jovens não têm emprego, os trabalhadores viram os seus direitos subtraídos e os idosos estão cada vez mais desamparados. [Read more…]

Sopa dos pobres

Deveria ter escrito isto ontem, mas não fui capaz. Deveria ter entrado naquele parque de estacionamento e oferecido a minha ajuda, mas não fui capaz. Deveria ajudar mais quem de mim, de todos nós necessita, mas nem sempre sou capaz. É mais fácil, muito mais fácil, encostar-me no meu canto, ficar com as minhas filhas e com o meu marido e não sair à noite para conviver com a infelicidade alheia.
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Carlos Abreu Amorim

Foi a Fátima almoçar com os velhinhos, mas correu mal…

grijo em fatima com caa

Portas, o esperto

Diz  a canalhada aqui pela terra, que espertos são os cães. Que a qualidade humana equivalente é a inteligência.portas

Palpita-me, por isso, que Paulo Portas se enganou na porta. Mas, que é esperto, ai isso é. Só tem um problema – como se julga esperto, pensa que os outros são burros.

Em jeito de legenda desta imagem, poderia dizer que na sexta o governante do meio falou, o da direita, sorridente esperou por domingo. E disse que, pela velhinha – a da esquerda – iria até ao fim do mundo. Parece que, afinal, o mundo tem fim e bem próximo, tal a celeridade da viagem do Portas. Foi de zero a cem em menos de uma semana – zero cortes nas aposentações até ao, vamos a isso, a todo o vapor. Obviamente, todos sabem que cortar nas aposentações e ainda por cima com efeitos retroactivos é uma inconstitucionalidade tão gritante que até o Marques Mendes, se conseguir subir acima de um banco, conseguirá ver.

Claro que ninguém voltou atrás – claro!

O CDS e o PP, com Portas, nunca voltam atrás: eram pelos contribuintes e são responsáveis pelo maior aumento nos impostos de há memória. Agora, eram pelos velhinhos, mas vão às reformas sem qualquer problema. Sempre o soubemos. Nós e eles – só é pena haver tanto povinho esperto que não vê o que esta gente tem em mente. Será que no Fórum para trocar cromos se conseguem trocar alguns destes?

Não basta aos idosos serem velhos

Em artigo anterior fiz a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), frente à Exploração Capitalista da Saúde. Esta reflexão, contudo, não é tanto em relação ao SNS que existe, mas ao que o SNS poderia vir a ser, se houvesse vontade política. Ao que o SNS poderia vir a ser se houvesse uma vontade séria de eliminar os seus defeitos, as suas imperfeições e as suas carências, no sentido de o programar para um profundo desenvolvimento, indispensável à saúde de um povo.

Hoje, o conhecimento e a experiência médica são muito grandes. A investigação científica atingiu uma dimensão incalculável e a sua aplicação prática trouxe avanços inimagináveis na assistência aos doentes. Existem muitíssimos profissionais idóneos, com excelente formação técnica e humana e com grande vontade de colaborar nesse promissor futuro que seria um SNS de alto nível. Assim como existem instituições vocacionadas para a defesa dos profissionais, dos doentes e do correcto exercício da medicina, com uma consciência mais viva da nobreza da sua missão. Tudo indica, infelizmente, que este valioso património profissional, científico, social e humano será desprezado e destruído pelos poderes governativos vigentes. [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (19)

Idosos abandonam lares para ajudar netos e filhos desempregados

Os nossos velhos passam fome

idosos fome
Embora tivesse consciênca de que isto acontece, sei que há idosos que já não compram medicamentos porque não os podem pagar e não se alimentam convenientemente porque não encontram forma de se sustentar, a realidade parece mais cruelmente real quando me atinge de frente. Há dias disse-me alguém, uma médica que trabalha num hospital, que são cada vez mais os casos de idosos que aparecem nas urgências com uma maleita que mais não é do que FOME. Aparecem, queixam-se de uma qualquer dor, de um qualquer achaque e, quando esta médica lhes pergunta se comeram, a resposta é um não. Ou um encolher de ombros, um baixar dos olhos envergonhados. Logo ali se percebe que aqueles pessoas vão ao hospital na esperança de lá poderem comer qualquer coisa. Alguns insistem mesmo em ser internados. [Read more…]

Vida sexual e limites etários

É notícia que em Espanha se discute a idade mínima legal para iniciar a vida sexual. Por cá, seria bom que fosse discutida uma idade máxima para a manter. Não digo em relação a toda a vida sexual. Apenas naquela parte que diz respeito à fornicação a que o Governo sujeita os mais idosos

Um país a papas

Ainda não estamos totalmente a «pão e água», mas para lá caminhamos…

Lê-se hoje no Público: ” Uma refeição que custa 23 cêntimos ganha outro significado quando o orçamento familiar está em derrapagem. Por isso, a Nestlé já sabia que as vendas da sua histórica marca Nestum iriam crescer com a crise. Contudo, o gigante alimentar não contava com uma subida tão expressiva (…) mais 7% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. (…)Não são só as crianças entre os três e os 10 anos que estão a comer mais Nestum. Também os mais velhos, acima dos 60, substituem o jantar ou o almoço por um prato de papa que “custa menos do que um café e é nutricionalmente equilibrado.”

Nestum ao pequeno-almoço, Nestum ao almoço e Nestum ao jantar.

«- O que nos diz a isto sr. PM?»

«- Há sempre as variantes Nestum Figos, Nestum Mel, Nestum Flocos de Cereais, Nestum Maça Canela…».

O Mel e o Acordeão

Uma das imagens que me ficará deste verão: um casal de idosos com a sua carrinha de caixa aberta estacionada no parque de uma praia de Peniche.

Estavam ali várias horas por dia tentando vender mel. Ao lado dos frascos, um acordeão. Ingenuamente pensei que ainda ouviria o homem tocar…

Aproximei-me deles, curiosa para ver o que ele estava a fazer, debruçado sobre uma mesa onde um estojo de pequenas ferramentas serviam para consertar uma harmónica. A mulher falou por ele, concentrado que estava. O instrumento tinha mais de cinquenta anos e já não funcionava bem.

Acabei por saber que o acordeão era também para vender. «Ontem vendi um», disse o velho músico.

O homem estava a vender o mel da sua vida. As coisas como estão obrigam-no a separar-se até dos seus instrumentos, com que ao longo de uma vida deram doçura e alegria à sua vida (e à vida dos outros).

Um acordeão e um frasco de mel… não é surreal como me tinha parecido à primeira vista.

Não ouvi o acordeão nem a triste harmónica. As coisas não estão para isso.

Suicídios

Um farmacêutico grego de 77 anos deu um tiro na cabeça: preferiu morrer a ter de procurar comida no lixo.

No mês passado, um homem de 60 anos e a mãe atiraram-se da janela de um sexto andar em Atenas. Não conseguiam sobreviver com os 340 euros da reforma dela, única fonte de rendimento.

Estes são apenas dois casos…

O que estão os Governos a fazer na prevenção destas situações? Não se protegem os idosos. Não se pensa nas crianças. Eles não constam dos discursos políticos. Estes casos não os preocupam. Nunca ouvi nenhum político referir-se a este problema nem a lamentar-se, sequer («coisa pouca, irrelevante, não é motivo para alarme», pensam logo dizem). É preciso agir, urgentemente!!

Foi na Grécia, mas em Portugal a crise económica também já está a fazer das suas, pela calada, em silêncio. Nem imaginamos o que por aí anda e bem perto…

Há gente a sofrer porque não tem dinheiro nem emprego, ano após ano. Os problemas aumentam na casa dos gregos e dos portugueses. Há famílias ameaçadas. O divórcio também é uma consequência da crise, para além do suicídio.

Isto é que é importante resolver, assim como ajudar, educar, preparar as pessoas para enfrentar problemas desta natureza. Há tantos cursos e cursinhos e acções de formação que só servem para encher pneus. Ninguém está preparado para o pior. Ninguém nos ensinou e continuamos a não estar capazes nem a preparar para a vida, enquanto pais e professores.

Somos todos gregos

A partir de uma certa idade, as pessoas ficam muito teimosas.

Autarca proíbe pessoas de morrer

Uma difícil arte

 

(Paul Cézanne, Retrato do Pai do Artista, c. 1866)

Às vezes, espreito o que escreve Frei Bento Domingues no PÚBLICO e gosto. Nem sempre concordo, nem sempre compreendo a sua «dureza». Este domingo, talvez pelo uso de palavras mais simples, li a crónica até ao fim.
Julgo que procuramos num texto as palavras que precisamos. Muitas vezes as que alimentam a alma…

Talvez influenciada pelas últimas notícias de idosos que foram encontrados mortos em casa, sós, ao fim de vários dias ou mesmo semanas, as palavras que Bento Domingues escolheu para este domingo 12/2, remeteram-me para essas histórias de vida tristes que não encontraram nos vizinhos e na sociedade a família que não tinham ou que já não os queriam por perto ou que deles se foram afastando por esta ou aquela razão.
Agrada-me e identifico-me com a ideia de “ver o mundo como uma família” e de que a “Igreja deve ser o sinal e o instrumento de um mundo de mãos dadas, de um mundo que tende a entender-se como sendo uma família, na multiplicidade de todos os povos e culturas”.
E sim, é deveras difícil essa “arte de sermos família com pessoas que não escolhemos, mas acolhemos.”

Ao cuidado dos papás

Apesar de se ter tornado uma ambição lusitana comum, o facto é que hoje em dia ser Engenheiro ou Doutor não é princípio de sucesso. Pode ser, sim, reflexo de sucesso, no sentido de alguém, após ter atingido certo patamar social e económico, conseguir ser Engenheiro ou Doutor, o que é bem diferente.

Hoje, é mais difícil arranjar quem saiba de pichelaria ou de carpintaria, do que quem perceba de Direito, Engenharia Civil ou Gestão. O problema é que os primeiros, ao contrário dos segundos, não são tratados por Doutores ou Engenheiros, logo não são tão apelativos. Ainda que os segundos se acantonem, cada vez mais, no “mercado do desemprego”.

Uma medida que poderia potencializar a aproximação do ensino ao mercado de  trabalho, apesar da crise que vivemos, seria criar as licenciaturas em pichelaria, carpintaria, e demais artes, cujos profissionais são mais do que solicitados. Eu tenho-me visto bem mais à rasca para arranjar um picheleiro do que teria, se precisasse, de um pneumologista.

Mas isso depende de mudanças governativas e essas levam tanto tempo a acontecer, que o melhor é desde já os papás começarem a ponderar dar menos importância onde vão pôr o filho a estudar e antes cuidar de os inscrever na mais produtiva juventude partidária. Será mais importante uma inscrição numa boa “Jota”, do que em qualquer escola, colégio  ou universidade. Escola com eventual interesse só se for uma de futebol. O ideal é matricular os filhos numa escola de futebol e, mais tarde, numa “Jota” com boas perspectivas de carreira. O melhor de dois mundos, que tão interligados estão.

O resto, estudos académicos e afins, será o menos. Um bom lançamento pelas escolas  das “Jotas”, será o suficiente para um dia a pessoa até se licenciar por faxe, ou obter mesmo uma pós-graduações antes de ser licenciado. E mesmo que os vossos filhos não se licenciem, não será isso que os impedirá de ganhar milhões de Euros, seja onde for.

Por isso, caros papás, tratem já de garantir o melhor futuro para os vossos filhinhos, não percam as novas oportunidades que o futuro lhes desenha. Pode ser que assim, uma dia mais tarde, eles demonstrem alguma gratidão e vos escolham um bom lar de idosos.

Gulbenkian – Envelhecimento e solidão

Dois projectos virados para o problema da solidão dos idosos e que promovem o diálogo e o convívio entre gerações foram apoiados pela Fundação no âmbito de um concurso que abrangeu o Alentejo e a região do centro.

Pais & Avós e Saltarico, assim se chamam os dois projectos foram apresentados, respectivamente, pela Santa Casa da Misericórdia de Mértola e pela Rede Europeia Anti-pobreza da Guarda. Ambos os  projectos promovem a partilha e a convivência entre crianças e idosos, através da expressão musical e plástica, educação física e introdução às novas tecnologias de informação e comunicação.

Saltarico, dinamiza oficinas etnográficas em que os “mestres” são os idosos e os “aprendizes” são os jovens estudantes do Instituto politécnico da Guarda. Estas actividades pretendem contribuir para a convivência saudável entre gerações, eliminando barreiras , preconceitos e estereótipos.

E se os idosos saem à rua armados com coktails molotov?

O Que se Leva Desta Vida, vídeo de Bruno Canas, a estória no Ionline

Tão simples quanto isto… uma ideia para Portugal

No (i) diz o Prof. Eduardo Anselmo de Castro, da Universidade de Aveiro:

 

"Confundimos inovação com cópia automática do que surge do estrangeiro como último grito da moda. Porque não ser inovadores olhando as actividades tradicionais de forma original?

Podemos fazê-lo com uma actividade em particular; tratar bem dos idosos, nossos e de outros países. A procura é garantida e a expansão tambem. Em vez de carpirmos a crise da segurança social, críariamos valor acrescentado com as reformas dos europeus."

 

E não aumentavamos a dívida, e criavamos postos de trabalho, e investiamos na construção civil, e exportavamos serviços com a vinda de estrangeiros, que comiam o nosso peixe, a nossa fruta e a nossa carne, e vinho e cerveja, e têxteis e sapatos, procuravam os nossos serviços médicos, tudo pago pelas altas pensões dos nossos vizinhos europeus.

 

É que sol, uma temperatura amena e um povo prazenteiro tem procura ; o TGV é que não!

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