Israel e o tiro ao alvo*

Nuno Roby Amorim

Existe uma posição muito irritante, da intelligentsia conservadora europeia e portuguesa em particular, de apoio incondicional a Israel aconteça o que acontecer e ultimamente tem acontecido muito. Este apoio baseia-se no princípio de que o estado hebraico é uma verdadeira democracia, o que é verdade, uma ilha rodeada por fanáticos extremistas e radicais árabes, prontos a violarem os princípios mais básicos da dignidade humana, o que também é parcialmente verdade. Ora bem, só que a democracia é Universal e nada vale se a utilizarmos em casa e na rua andarmos a correr tudo ao estalo, o que é um pouco o que se passa no terreno.

Como em tudo, o problema base prende-se com a falta de informação. Consome-se em demasia o sound bite do momento sem uma leitura abrangente como fazem por exemplo Edward Said, Robert Fisk, Samir Kassir, Adam Curtis, entre muitos outros.
Em 2004, ao serviço da ECHO – European Commission Humanitarian Aid Office, estive mais de um mês em Israel e nos territórios ocupados. Essa viagem marca, como se diz agora, um antes e um depois nas minhas posições sobre este quase eterno conflito. Cada vez mais defendo que não há vítimas inocentes neste processo, ou talvez haja. Esta semana, soldados israelitas mataram duas crianças num exercício de pura e gratuita violência ao praticarem tiro ao alvo.
Esta historia não é única com o também não é a vontade das Nações Unidas de quererem investigar o que se passou. Uma vez mais tudo irá ficar como sempre sem nada nem ninguém ser oficialmente culpado. Eu sei que o nosso país atravessa uma situação difícil e que não existe grande disposição para desgraças alheias. Mas por favor não me venham uma vez mais vender The Power of Nightmares gratuitamente…

* título da nossa autoria.

Comments

  1. l.rodrigues says:

    Posso vender o Power of Nightmares por 10 euros. Pessoalmente, prefiro o Century of The Self.

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