Anti-semitismo selectivo

IDF admits Tehran synagogue damaged in strike targeting Iranian commander, regrets 'collateral damage' | The Times of Israel

Com a brutalidade a que já nos habituaram, o regime neofascista de Israel e a autocracia americana em construção bombardearam e arrasaram a sinagoga de Rafi-Nia, em Teerão.

Duas notas:
1. Sim, existe uma comunidade judaica no Irão, de cerca de 10 mil crentes, que pratica livremente o seu culto.
2. Sim, isto aconteceu mesmo. As forças armadas israelitas já admitiram o “dano colateral”.

Agora supõe que, no lugar de Israel e EUA, a notícia era “Irão e Afeganistão bombardeiam e arrasam sinagoga”.

Consegues imaginar os trolls e avençados da embaixada de Israel e gritar “anti-semitismo!!!!”, enquanto rasgam as vestes manchadas de sangue palestiniano e libanês?

Eu sei que consegues.

Pode parecer, mas o anti-semitismo selectivo não é uma doença mental. É engenharia social e propaganda patrocinada pelos mesmos monstros que estão por trás do nosso empobrecimento, do regresso em força da censura, da polarização, do aumento da insegurança mundial e dos massacres no Médio Oriente. Não são adversários. São inimigos.

Extrema-Inflação

Pode ser uma imagem de texto que diz "CUSTODE DE VIDA Combustíveis fazem taxa de inflação disparar para oS 2,7% em março 1 SSWIS CRISEENEAGÉTICA CRUSE Linfemixina รฟ่ทุณปิว4 LoE GASOLINA GASÓLEO GASÓLEO Puchan Cacho Ruchas 25iBros M2A222 A taxa de inflação de março já efletiu subida dos produtos energéticos, fruto da crise no Médio Oriente Horacio Villalobos Getty Images"

Não é culpa dos impostos.
Não é culpa dos wokes.
Não é culpa do Estado.
Ou da comunicação social.

Também não é culpa do socialismo, que para alguns académicos da Ventura School of Palermonics é tudo o que não seja a direita mais radical ou extrema.

Mas sim, a inflação que dispara tem dedos no gatilho.

Os dedos de Donald Trump, de Benjamin Netanyahu e de todos os líderes internacionais que apoiam mais um acto de terrorismo de Estado, que se está nas tintas para libertar quem quer que seja, como se viu na Venezuela. Terrorismo esse que, incapaz de derrubar o regime iraniano, derruba as condições de vida, as finanças e a segurança do cidadão comum.

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Percepções

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.

MAGA Civil War

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Há algo inédito a acontecer. Começou com o genocídio em Gaza e intensificou-se com o ataque ao Irão. E um dos culpados para que tenha ganho tracção, ironicamente, foi Donald Trump, que construiu o movimento MAGA em cima de uma visão isolacionista do mundo. America First. E o que está a acontecer, em Gaza e no Irão, é Israel First. Melhor: Zionism First. Porque nem o regime Netanyahu é aclamado pela população, parte significativa da qual protesta frequentemente nas ruas contra ele, nem o que se está a passar é no interesse da generalidade dos israelitas, sob fogo iraniano e prestes a sofrer as mesmas consequências económicas que vamos sofrer aqui.

O que está a acontecer é que figuras com impacto global, de uma direita que apoiou Donald Trump em ambas as corridas, reconhecidas e respeitadas por uma parte muito considerável do eleitorado republicano e muito em particular do movimento MAGA, estão a expor a fraude. Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson, Candace Owens, Andrew Schulz ou Piers Morgan são os mais sonantes. O próprio Charlie Kirk foi muito crítico do regime Netanyahu, nos últimos vídeos que publicou antes de ser assassinado. E isso levantou questões sobre a morte de Kirk, sobretudo entre a direita ultraconservadora e pouco adepta da relação clientelar entre Washington e Telavive.

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Sociopatas no comando

Pode ser uma imagem de o salão oval

Donald Trump começou uma guerra desnecessária e devastadora para a economia mundial, sem consultar os aliados europeus.
Agora, que percebeu que não controla a situação, exige a sua presença no Estreito de Ormuz e ameaça com o fim da NATO, que de resto está moribunda, graças a uma administração de fanáticos que é dúbia em relação às suas responsabilidades na organização, ameaça ocupar a Gronelândia, intimida aliados que não obedecem caninamente e estende o tapete vermelho a Putin, por quem demonstra mais simpatia do que por qualquer líder europeu. Excepto por Viktor Orbán, um corrupto que dirige uma oligarquia semelhante à sua e à russa, em ponto pequeno.
Repara que todo este novo caos é obra do presidente que há poucos meses afirmou ter “obliterado” o programa nuclear iraniano. E que lançou esta guerra sob pretexto da ameaça nuclear que o Irão, cujo programa foi por ele obliterado, pelos vistos ainda representa. E que garantia que o ataque ao Irão iria ajoelhar o regime dos ayatollahs em poucos dias.
Se isto parece conversa de um tipo que tem um plano?
Não, não parece.
E parece ainda menos de quem está efectivamente a ganhar o conflito, nos termos que o próprio inicialmente propôs. Nem a capacidade de resposta do Irão foi neutralizada, nem o regime caiu. O que cai a pique é o stock de mísseis Patriot que, como o dos iranianos, não dura para sempre. E cai também a economia mundial, que nunca esteve tão perto de reeditar 1929.
Claro que os EUA têm a capacidade de terraplanar o Irão, se decidirem fazê-lo. Pode implicar consequências inimagináveis, mas é exequível. Mas o recurso, por exemplo, ao nuclear, não afectaria apenas o Irão. Seria o fim do paraíso instagramável das monarquias absolutas do Golfo. Até Israel sofreria duras consequências dessa decisão. Decisão que, convenhamos, Israel pode tomar por conta própria, recorrendo à sua própria capacidade nuclear.
Felizmente, julgo que nenhum dos malucos com botões nucleares está disposto a usá-los. Excepto em caso de ameaça existencial. Vamos acreditar com muita força que nunca chegaremos aí.
Mas voltando ao plano, Trump não tem um. Tem gut feeling. E como podes ver, na TV, na internet e na tua carteira, está a correr muito bem.
Também não tem noção, e essa ausência vai ter um preço, quando os americanos começarem a sentir, nas suas vidas, o efeito da guerra. Se não começaram já. E tanto sacrifício para deixar tudo como está, com o regime iraniano mais acossado, logo mais repressivo, um Médio Oriente em permanente sobressalto bélico, e a incerteza que daí resulta a crashar tudo o que é mercado e, por conseguinte, a vida das pessoas.
É possível que Trump não perceba os efeitos da sua decisão. Ou que se esteja verdadeiramente nas tintas para eles. Porque vive numa bolha ultra-exclusiva, rodeado pelo topo da cadeia alimentar da finança, da defesa, da tech ou do petróleo. Uma bolha que, ironicamente, se identifica como anti-sistema. Gender issues.
O América First No More Forever Wars Affortable Groceries está a ser um enorme sucesso. De facto, a extrema-direita tem excelentes ideias para aqueles que apreciam pobreza, fome, destruição e morte. Primeiro Putin, agora Trump, sempre Netanyahu.
Eu, no lugar do Bezos, mandava já fazer um documentário.
Já tu – e eu também – vais continuar a pagar a factura de incerteza, das tarifas, das guerras e do aumento do preço do petróleo, que faz aumentar tudo à sua volta, enquanto a elite trumpista aumenta os seus lucros. Tão anti-sistema como Guerra ser Paz, Liberdade ser Servidão ou Ignorância ser Força. O Orwell era um génio, mas deu ideias terríveis a esta quadrilha de sociopatas. Seria bom que os americanos não vacilassem em Novembro.

Giorgia Meloni, esquerdalha antisemita

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "> CONFLITO NO MÉDIO ORIENTE Meloni, primeira ministra italiana, acusa EUA e Israel de terem violado direito internacional ao atacar o Irão: "Itália não participa e não tenciona participar" E"

Quando Pedro Sanchéz constatou o óbvio e recusou envolver Espanha na guerra ilegal que Israel decidiu lançar contra o Irão, coadjuvado pelo cão laranja de Netanyahu, os marretas do costume vieram para a praça rasgar as vestes e acusar toda a esquerda de ser anti-semita/iPhone/vuvuzela, de gelado devidamente espetado na testa.

Agora, que a sua heroína Meloni constata o mesmo, e recusa envolver Itália numa guerra que tem vários objectivos, nenhum do quais libertar o povo iraniano, dos marretas nem um pio.

Nada que surpreenda. De idiotas úteis não se pode esperar pensamento crítico. É aí que reside a sua utilidade.

Henrique Raposo volta a disparatar

No seu espaço de comentário televisivo de 6 de Março, Henrique Raposo falou sobre a guerra do Irão, começando por afirmar que temos de sentir uma certa alegria pela derrota de uma ditadura, que o povo iraniano comemora a derrota de um ditador. Ficamos, então, com a impressão ou mesmo com a certeza de que as acções israelo-americanas provocaram uma derrota.

A ser verdade essa derrota (ou a ser iminente ou considerada iminente), é justo que haja alegria, mesmo que possamos criticar os meios utilizados e mesmo que acreditemos nas boas intenções de Israel e dos Estados Unidos.

É perfeitamente compreensível que haja esperança entre os iranianos, massacrados por uma teocracia hedionda e Henrique Raposo mostra um vídeo de uma iraniana que deixa essa esperança clara.

Logo a seguir, acusa a esquerda de nunca estar do lado dos que querem a democracia. Não apresenta uma única fonte, uma citação, um vídeo que prove uma ocorrência dessa generalização.

Neste segmento sobre o Irão, acaba a afirmar que não é possível fazer uma transição para a democracia e que todas as operações militares americanas no Médio Oriente que tiveram ou fingiram ter essa intenção falharam.

Ainda acrescenta que Trump quer, com este ataque, encurralar a China, o que, sendo verdade, afasta os EUA de um generoso combate pela democracia. [Read more…]

Irão, China e Jeffrey Epstein entram num bar israelo-americano

Why did US and Israel attack Iran and how long could the war last? - BBC News

Não choro a morte de Ali Khamenei. Um fanático totalitário a menos causa-me zero comoção. E já foi tarde.

Digo mais: por mim arranjava-se uma daquelas bombas do Gajo de Alfama, que fosse lá pelo cheiro a fundamentalista religioso, e antecipava-se o encontro com o Criador a todas as criaturas sedentas de o encontrar e de nos levar com elas. Independentemente da religião. Win-win.

O regime iraniano é execrável. E é também um produto directo da política externa norte-americana, parido pelo mesmo golpe de Estado que, em 1953, derrubou Mohammed Mossadegh. Seja como for, o fim do regime dos ayatollahs seria uma excelente notícia para qualquer pessoa que tenha a Liberdade como valor inalienável, mas a morte de Ali Khamenei não o garante.

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Nobel das pás

Fonte

Prometeu paz e atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Dois criminosos com problemas de justiça juntam-se para largar bombas fora de casa.

E Portugal? Paulo Rangel afirmou que os  norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”. Isto não é uma operação da NATO e os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização de uma base que é território nacional. E não está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses mandaram o ogre às favas.

Rangel é um ministro mentiroso num governo de mentirosos. A ministra da saúde mentiu sobre estarem implementados todos os protocolos de actuação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Montenegro mentiu, no seu primeiro governo, sobre a redução do IRS, que veio maioritariamente do anterior governo de Costa. Aliás, houve vários anúncios de coisas feitas pelo governo de Costa, o que é outra forma de mentir. Lúcia Amaral mentiu sobre não haver falhas sobre a prontidão e coordenação da Proteção Civil durante a depressão Kristin – sabemos o que se passou com o SIRESP, para não ir mais longe. Miranda Sarmento mentiu sobre o estado das contas deixadas pelo PS. O Governo no geral mentiu sobre a segurança, falando em percepções, quando o Relatório Anual de Segurança Interna mostra uma descida transversal da criminalidade geral (com ligeiro agravamento da criminalidade grave, colocando-a ao nível pré-covid, e um enorme aumento de violência doméstica que o governo ignorou). Agora, o MNE firma o seu lugar na lista dos ministros mentirosos.

É o governo mais mentiroso que já tivemos, contemporâneo do presidente dos EUA mais mentiroso que o país já teve.

Cessar-fogo em Gaza?

Parece que há acordo para um cessar-fogo imediato em Gaza. Trump está mesmo a dar tudo pelo Nobel da Paz.

E se for esse o preço a pagar para parar o genocídio, que seja.

Não seria o primeiro execrável a vencê-lo. Se um war monger como Henry Kissinger pode ganhar um prémio dedicado à paz, qualquer incendiário é elegível.

Mas o cessar-fogo não chega.

É preciso auxiliar milhares de pessoas.
É preciso reconstruir Gaza.
É preciso acabar com a fome.
É preciso libertar todos os reféns.
E é fundamental que o cessar-fogo dure para lá dessa libertação.

Também é preciso libertar a Palestina, não apenas Gaza, mas toda a Cisjordânia ocupada por colonatos ilegais. Libertar a Palestina de colonos terroristas e de terroristas do Hamas, e de outras organizações de fundamentalistas islâmicos que por ali andam. Deixar aquelas pessoas respirar e ter uma vida minimamente normal.

Será desta?

Espero que sim.

Mas, à cautela, vou festejar moderadamente. Com estes protagonistas, convém refrear as expectativas.

Comparações erradas entre armas no Iraque e no Irão

Na cacofonia do debate sobre o desenvolvimento de armas nucleares no Irão, foi lançado o argumento que equivale a inspeção de armas de destruição em massa ao Iraque em 2003 à inspeção de desenvolvimento de urânio enriquecido ao Irão em curso. Não se equivalem.
Quem leu o livro “Desarmando o Iraque” (título francês mais explícito: “Irak, les armes introuvables“) de Hans Blix, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e diretor das inspeções no Iraque em 2003, não tem dúvidas nenhumas que o resultado das inspeções foi negativo e que a Administração W. Bush mentiu para provocar uma guerra. Para reforçar esta conclusão, Hans Blix dá o exemplo das inspeções realizadas pela AIEA em 1998 em que foram encontradas provas de uma tentativa para desenvolver armas nucleares no Iraque. Um programa então encerrado com a supervisão da Agência.
No caso do Irão, sabemos desde 2008 que o Irão está a tentar enriquecer urânio para lá dos 5% (o máximo para aplicações civis). Aliás, nos termos do Plano de Ação Conjunto Global assinado em 2015, o próprio governo iraniano admite a generalidade das conclusões sobre o desenvolvimento do seu programa nuclear. A novidade agora é que os inspetores da AIEA encontraram provas do desenvolvimento de urânio enriquecido acima dos 60%. As conclusões do último relatório (12 de Junho de 2025) são claras:

A política errática de Trump no acordo nuclear com o Irão

Em 2018, contra os compromissos assinados por Obama, Trump retirava os EUA do Plano de Ação Conjunto Global. Uma decisão que na prática matou o acordo. Era um acordo diplomático exemplar e eficiente que já estava a dar os seus frutos e que tinha a virtude de incluir a China, a França, a Alemanha, a UE, o Irão, o Reino Unido, a Rússia e os EUA.

Alinhado com o tratado de não-proliferação nuclear, o acordo previa a redução das reservas de urânio enriquecido em 98% e a redução das unidades de centrifugação de urânio. O processo estava a ser supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atómica e estava a correr melhor do que pior.

Na altura ficou claro que a decisão de Trump se enquadrou num conjunto de provocações de apoio ao regime de Netanyahu, tendo o próprio primeiro-ministro israelita declarado que apoiava totalmente a decisão de Trump. Também na altura quase todos os peritos do nuclear, da diplomacia e da política internacional alertaram que esta decisão poderia ter consequências catastróficas no futuro. É onde estamos.
O Irão está a enriquecer urânio às escondidas e Israel aplica a receita bruta para eliminar as instalações nucleares.

Andrew Roth no Guardian de hoje: “Iran would not be this close to possessing a nuclear weapon if Trump and prime minister Netanyahu had not forced America out of the nuclear agreement with Iran that had brought Europe, Russia and China together behind the United States to successfully contain Iran’s nuclear ambitions.

Gaz-a-Lago

Trump teve uma ideia para a Faixa de Gaza. Não é uma ideia nova, Putin teve a mesma em relação à Ucrânia. E Xi Jinping tem uma parecida para Taiwan. Trata-se de ocupar e colonizar aquela área. E, no caso americanos, de expulsar os residentes que, seguramente, não terão capacidade financeira para se manter no projecto imobiliário que ali irá nascer. A Riviera de Gaza. Ou, como li por aí, Gaz-a-Lago.

Agora imaginem que Trump, Putin e Xi decidem dividir o resto do mundo em “zonas de influência”.

[Not so] Fun fact: nós ficaríamos na “zona de influência” russa.

Mas pelo menos teremos um novo destino turístico super instagramável.

Como o Hamas derrubou Al-Assad

Ironicamente, o atentado terrorista do Hamas contra civis israelitas, a 7 de Outubro do ano passado, foi o último prego no caixão do regime de Bashar al-Assad.

Como?

Assim: Israel reagiu com a brutalidade genocida que é conhecida, o que levou o Irão a ordenar que o seu proxy Hezbollah explorasse as (alegadas) fragilidades do exército israelita a norte.

Como essas fragilidades não existiam, Israel respondeu com a aniquilação total do topo da cadeia de comando e destruiu a infraestrutura dos fundamentalistas libaneses, deixando o Hezbollah a soro. [Read more…]

Dúvida (i)nocente

Netanyahu agora apresenta o boletim meteorológico?!

Afinal, qual é o limite da liberdade?

Numa altura em que o mundo anda preocupado com vários conflitos, a pergunta que mais se devia colocar é sobre a liberdade. Mas a liberdade como um fim em si mesmo, sem olhar ao lado que nos dá jeito e depois arranjar argumentos que se equiparam ao bola na mão ou mão na bola. Infelizmente, desde há muito que nos foi retirada a real possibilidade de colocar questões legítimas sobre as ações de determinados estados. Sim, podemos colocar as questões, mas não são levadas a sério e não obtém respostas além de um “cala-te, querias viver na Rússia ou na Coreia do Norte, era?”. Vivemos numa era em que um militar antipático interpreta tecnicamente uma guerra e é considerado um assalariado de Moscovo, mas que se idolatra um populista pró-Ucrânia por ter mulher ucraniana e um barbudo que grita asneiras na televisão. Nada procuram sobre a verdade, procuram cavalgar a popularidade de um assunto e desta forma mostrar um caminho àqueles lá em casa que não percebem nada disto.

O Ocidente percebeu que o povo já não tolera a falta de pilares básicos para o funcionamento de uma democracia, entre eles a possibilidade de votar e a liberdade de expressão. Desta forma, teve de arranjar outra forma para controlar as massas. Através de uma falsa ideia de liberdade de expressão, limita as opções dos outros através dos seus instrumentos democráticos. Em vez de permitir apenas comer carne de vaca, permite comer vaca e porco. Aqueles que são beneficiados por este sistema e que alinham no seguidismo ocidental que têm como maiores bastiões os EUA e a NATO dirão que ao menos há democracia. Eu acredito que devemos ser muito mais exigentes com a nossa liberdade, pois estamos mais próximos de sermos a Rússia do que sermos um povo livre.

Condenar agressões a protestantes pró-Palestina em países europeus não é desculpar as atrocidades cometidas pelo Hamas. Defender o direito de Israel existir não é defender um genocídio. Defender Pavel Durov, fundador do Telegram, e a possibilidade de haver informação de dois lados da barricada numa rede social não é defender a invasão russa. Defender que os EUA promoveram uma escalada na Guerra não é defender que a Ucrânia não tem direito a ser defendida. Defender a liberdade de expressão de uma forma ampla no ocidente e combater a turba defensora de governos corruptos e corporações que nos governam oficiosamente não é legitimar ataques aos direitos humanos na Arábia Saudita, na China, no Irão, no Afeganistão, etc.

A liberdade é um bem tão precioso que merece ser cuidada todos os dias como um bem em si mesmo e não apenas quando favorece o meu quintal. Lembremos que nenhum Estado está em condições de dar lições de moral aos outros e que o mundo não se esgota na Europa agradável que temos para viver. Num mundo global, se há algum par que não é livre, então eu não posso ser realmente livre.

Miúdos à porrada, no recreio

Ser adulto é um fingimento. No fundo, somos o que sempre fomos. Podemos engravatar a pose, podemos usar umas palavras mais perfumadas, mas basta um raspão na epiderme e lá está o miúdo que amua ou que se revolta ou que tem medo. Também lá está o bebé manipulador que aprende a chorar quando tem fome ou quanto quer atenção.

Do reino animal, ficou-nos, ainda, a ideia de que um olhar mais demorado é uma provocação. O país, o bairro, a escola, o clube, levam-nos também a acreditar que pertencemos a um grupo essencialmente virtuoso, num contraste sempre avassalador com os outros.

A nossa infantilidade pouco latente, contaminada pela agressividade do animal e pela doutrinação das histórias que nos enchem o imaginário de inimigos, criou os adultos que dirigem o mundo desde sempre, que se bombardeiam uns aos outros, quando antes chutávamos com mais força ou dávamos uns empurrões no recreio.

As razões apontadas pelos adultos que governam o mundo para se agredirem uns aos outros são variantes dos motivos infantis “Eu já cá estava!” e “Ele é que começou!”. No recreio, isso dava direito a um ou outro olho negro; no mundo actual, há gente com armas que custam milhões e matam milhões.

Notas sobre o incidente israelo-iraniano

Três pontos prévios, sobre o incidente israelo-iraniano deste fim-de-semana:

  1. Israel está a levar a cabo um massacre na Faixa de Gaza. O nível de brutalidade da sua ação supera largamente o de Putin na Ucrânia. Não há justificação possível para a desproporção da resposta ao ataque terrorista de 7 de Outubro.
  2. O ataque de Israel ao consulado iraniano na Síria viola o direito internacional e a Convenção de Viena. E acontece não porque Israel se sentiu ameaçado pelo Irão, mas porque se julga acima da lei.
  3. Ao nível interno, Israel ainda é uma democracia. No plano externo é um regime desestabilizador, dos mais violentos e dos que mais desrespeita o direito internacional e as suas instituições.

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Netanyahu, o “nosso” Putin

Netanyahu é um Putin a quem permitimos as maiores atrocidades, para não prejudicar o business as usual. Como de resto permitimos ao Putin verdadeiro durante duas décadas. A desumanidade dos alegados democratas será o seu fim.

Em Belém, onde Jesus nasceu, o Natal foi cancelado

Todos os anos, milhares de peregrinos cristãos chegam a Belém, na Cisjordânia, para participar nos festejos de Natal da terra que viu Jesus nascer.

A cidade prepara-se a rigor, há árvores iluminadas e decoração festiva por toda a parte, os hotéis e os restaurantes estão cheios e o comércio floresce.

Não há registo, que eu tenha conhecimento, de uma única restrição imposta pela Autoridade Palestiniana aos peregrinos cristãos ou à própria comunidade cristã que vive na cidade, que tem como autarca um palestiniano cristão, que sucedeu a uma palestiniana cristã.

Em Belém, cristãos e muçulmanos vivem lado a lado e a tolerância é a regra.

Na Basílica da Natividade, construída sobre o local onde Jesus nasceu, celebra-se, à meia-noite de 24 de Dezembro, a Missa do Galo.

A celebração reúne milhares de palestinianos, turistas, peregrinos e responsáveis civis como o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas. E é considerada, por motivos que me parecem óbvios, uma das cerimónias mais emotivas e significativas do mundo cristão. [Read more…]

Em Gaza, o massacre segue conforme planeado

É surreal, verdadeiramente surreal, a leveza com que se está a normalizar o massacre em curso em Gaza. Fala-se em mais de 10 mil civis assassinados pelo regime israelita, dos quais mais de 4 mil são crianças, e há quem nos queira fazer crer que existe legitimidade democrática nesta barbárie.

Não existe.

A forma como Israel está a conduzir a sua vingança, a bombardear indiscriminadamente civis e a terraplanar Gaza não é algo que se espera de uma democracia liberal. É algo que esperamos de tiranos como Putin, Assad ou Bin Salman. Netanyahu faz parte deste grupo de assassinos. Faz parte do mesmo grupo que o próprio Hamas. [Read more…]

Putin e a extrema-direita israelita: separados à nascença

Para o Kremlin a comunidade LGBT é “extremista” e a sua actividade deve ser banida. Já Yitzhak Pindrus, do partido United Torah, que integra o governo israelita, garante que são mais perigosos que o Hamas e que o Hezbollah.

Palestina: massacre em curso

Enquanto nos entretemos com os nossos problemas de primeiro mundo, a terraplanagem de Gaza continua, a ocupação avança, crianças continuam a ser assassinadas pelos bombardeamentos indiscriminados do exército israelita e morrem recém-nascidos em hospitais à beira do colapso, à porta dos quais se empilham cadáveres. A brutalidade da resposta de Israel ao atentado de 7 de Outubro não é proporcional. É um massacre.

Honestidade e diferença

Conforme o que anteriormente assumi, escrevo sobre o que está a acontecer em Gaza. Em nome da honestidade. Em nome do que distingue os que pensam como eu. 

Primeiro, o que alguns não gostam ou não conseguem ouvir ou, pior, o que nem conseguem sequer admitir que seja possível, mas que não deixa de ser a mais pura das verdades. Ninguém que esteja a ler isto (estou seguro que gajos com acesso a informações privilegiadas, não perdem tempo comigo) sabe quantas são as vítimas dos ataques de Israel a Gaza. Não sabemos, ponto.

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O embaraçoso Marcelo

Foi, no mínimo embaraçosa, a forma como Marcelo Rebelo de Sousa confrontou o diplomata palestiniano Nabil Abuznaid, no final da passada semana, na inauguração da iniciativa Bazar Diplomático.

Fiquei a imaginar se, ao invés de um diplomata palestiniano, Marcelo usasse o argumento “foram vocês que começaram” para advertir um diplomata israelita para o perigo da radicalização. Algo como:

  • Sim, o atentado do Hamas foi uma monstruosidade, mas foram vocês que começaram quando decidiram ocupar a Cisjordânia, expulsar milhares de palestinianos das suas casas e transformar a Faixa de Gaza numa prisão a céu aberto com 2,2 milhões de pessoas lá dentro. [Read more…]

A trafulhice feita ideologia

Foto: Esquerda.net

Se a trafulhice fosse só a fotografia propositadamente tirada de forma a dar ideia que estavam presentes muito mais pessoas do que aquelas que realmente estavam, enfim, era demonstrativo, mas não era grave.

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Piers Morgan vs Bassem Youssef

Uma entrevista que vale a pena ver e ouvir com atenção. Sobre a Palestina, sobre Israel, sobre a ocupação sionista e sobre os terroristas do Hamas.

Foram vocês que começaram

Imaginem a indignação dos avençados de Netanyahu, se Marcelo abordasse o embaixador de Israel, a propósito do ataque do Hamas, dizendo “sim, mas foram vocês que começaram, há 56 anos”.

Putin e Netanyahu, farinha do mesmo saco

Vladimir Putin, que bombardeia diariamente civis inocentes na Ucrânia, disse há dias que a morte de civis inocentes em Gaza é inaceitável. E disse-o sem se rir, o excremento.

Não admira que estes dois sejam tão amigos. E que Netanyahu tenha optado, no que diz respeito à invasão russa da Ucrânia, pelo tipo de “neutralidade” que inclui um aumento do comércio entre Rússia e Israel, o reforço das relações diplomáticas e a aplicação de um total de zero sanções de Telavive a Moscovo.

Sim, eu sei que é chato e que dá cabo da narrativa que se quer verdade absoluta, mas os regimes russo e israelita são farinha do mesmo saco neofascista.

Jabalia: mais um crime de guerra de Israel

O bombardeamento do campo de refugiados de Jabalia é mais um a juntar ao vasto rol de crimes de guerra perpetrados diariamente por Israel.

Alegar que tinha como alvo 1 alto oficial do Hamas não chega para legitimar um ataque desproporcionado que matou dezenas de civis inocentes e feriu centenas, deixando a frágil infraestrutura de Jabalia em ruínas. [Read more…]