Da Palestina

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Hoje comprei uma caixa de tâmaras maduras da Palestina.
Custou-me quatro vezes mais que as caixas de tâmaras maduras oriundas da mesma área geográfica.
Porque será?

Será que tens mesmo os tomates no sítio, Argentina?

A selecção argentina cancelou o jogo amigável com a sua congénere israelita, devido a alegadas pressões da parte de movimentos organizados que contestam a ocupação violenta da Palestina por forças israelitas. Parece-me uma excelente iniciativa, na medida em que sou da opinião que todos os regimes opressores deste planeta devem ser punidos, sancionados e isolados. Posto isto, aguarda-se, a qualquer momento, o anúncio oficial do boicote da selecção das Pampas ao Campeonato do Mundo, que este ano se realiza na Federação Russa. A ver vamos, de que material são feitos estes argentinos.

A voz do dono e os eufemismos do DN

Diário de Notícias, 14 de Maio de 2018

 

O Diário de Notícias, assim como uma grande parte da comunicação social portuguesa, fala em “confrontos” entre palestinianos e o exército israelita. “Confronto” seria se o embate se desse entre dois exércitos, ou entre dois grupos militares com o mesmo poder de fogo. Mas não é disso que se trata. Trata-se de mais um massacre, um acto bárbaro que fecha com chave de ouro o Festival da Canção. O director do Diário de Notícias costumava ser mais incisivo – e verdadeiro – com as palavras.

 

Imagem: The Guardian

Israel, uma espécie de Irão, versão capitalista, que encarcera menores que ousam beliscar o regime

Fotografia@Expresso

O violento regime de Telavive mantem reclusa uma adolescente palestiniana de 16 anos, Ahed Tamimi, filmada a dar uma chapada num soldado israelita. Ahed faz parte de um universo de 300 menores encarcerados pela democracia de fachada que impera em Israel.

Na passada Segunda-feira, Ahed Tamimi tinha audiência marcada no tribunal militar criado pelo regime israelita para lidar com palestinianos insubmissos que se recusam a ficar de braços cruzados perante as sucessivas ocupações territoriais levadas a cabo por Israel. Como se julgar uma adolescente num tribunal militar por uma chapada, possivelmente bem aplicada, a um soldado do regime opressor não fosse, por si só, suficientemente estúpido, a audiência foi adiada, o que significa que Ahed ficará detida por mais uma semana.

Assim vai a ditadura favorita dos democratas ocidentais.

Jerusalém estava mesmo a precisar de um banho de sangue desnecessário

Fotografia: Chip Somodevilla@Expresso

Esta besta quadrada, este grunho anormal, decidiu incendiar ainda mais o Médio Oriente e deixar a humanidade em pânico, como se os incêndios que faz deflagrar, todos os dias, no mundo inteiro, não fossem já suficientes. Percebe-se: com a sua popularidade a navegar no esgoto, o seu governo a desintegrar-se aos poucos, o acumular de escândalos e a crescente percepção do erro que os norte-americanos cometeram ao colocar um lunático aos comandos da Casa Branca, resta-lhe o lobby carniceiro judeu, a quem periodicamente é necessário oferecer um sacrifício. E Jerusalém estava mesmo a precisar de um banho de sangue desnecessário.

O criação administrativa do estado artificial de Israel faz hoje 100 anos

A missiva tinha a assinatura do então secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, Arthur James Balfour, e o destinatário era o patriarca da família Rothschild, posição hoje ocupada por um tipo de ar sinistro, uma mistura entre Mr. Burns e Freddy Krueger, que corrompe meio mundo, financia ambos os lados de várias guerras e controla políticos e decisores de todo o mundo. Já naquele tempo, o poder desta família de terroristas era imenso, a ponto de terem este nível de influência junto da superpotência mundial da altura, o Reino Unido. Tivesse a Catalunha um gajo destes e já era independente há várias décadas. Continuar a ler “O criação administrativa do estado artificial de Israel faz hoje 100 anos”

Notícias da Palestina

Tamel Abu Ghazaleh nasceu no Cairo em 1986 no seio de uma família palestiniana. Aos 2 anos cantava e tocava música, tendo começado a compor com a idade de 9 anos. Iniciou formalmente a sua educação musical em 1998 no Conservatório Nacional de Música de Ramallah (actualmente, Conservatório Edward Said), onde estudou os seus instrumentos de eleição – o oud e o buzuq -, assim como teoria musical, história, análise, composição, arranjo e performance, sob a supervisão do músico palestiniano Khaled Jubran.

Em 1991, Abu Ghazaleh lançou o seu primeiro single, “Ma Fi Khof” (“Sem Medo”), que passou a ser amplamente cantado em protestos durante a primeira Intifada. O seu primeiro álbum, “El Janayen Ghona” (“Jardins de Música”), com canções por si elaboradas entre os 5 e os 15 anos, foi editado em 2001. Em 2006, com 20 anos de idade, produziu o seu segundo álbum, “Mir’ah” (“Espelho”), que editou em 2008. O registo das sete canções, escritas nos períodos de recolher obrigatório da segunda Intifada, reflecte a experiência de viver na Palestina durante esse período.

Em 2007, fundou a organização de música independente “eka3”, concebida como incubadora de negócios de promoção da música árabe, através da qual fundou a editora musical “Mostakell”, uma empresa de agência musical e uma empresa de licenciamento de música, tendo ainda sido co-fundador da revista de crítica musical “Ma3azef.com”.

Em 2010, Tamel Abu Ghazaleh fundou o grupo musical multi-géneros “Kazamada” com Zeid Hamdan, Mahmoud Radaideh e Donia Massoud e em 2012 co-fundou a banda alternativa “Alif”, com Maurice Louca e Khyam Allami, tendo colaborado com variadíssimos músicos árabes e participado em diversos projectos artísticos desde 2005.

(Do currículo do autor em http://www.tamer.ag/)

No ano passado, editou em nome próprio o álbum “Thult” (“Terceiro Álbum”), de onde vos deixamos o vídeo da música “Khabar Ajel” (“Notícias”): um convite aos famintos do mundo para visitarem a Palestina e deliciarem-se com os manjares que ali são diariamente servidos (a letra está disponível em inglês na página da origem). Bom fim de semana!

A esperança está na cultura

Um livro sobre uma história de amor entre uma israelita e um palestiniano foi retirado dos programas curriculares dos liceus israelitas. Em resposta, Geder Haya tornou-se um dos livros mais vendidos em Israel e “ocupa o primeiro lugar lugar na lista de livros do jornal Haaretz”.
A resposta dos leitores Israelitas só por si agrada-me bastante (assim como a resposta da Time Out de Tel Aviv). Mas também me agrada o comentário de Amos Oz:

“Por que não, então, proibir o estudo da Bíblia, já que se trata de censurar relações sexuais entre judeus e não-judeus?”

Na adversidade, meus amigos, a resposta é ler livros.

 

Frases que nunca pensei escrever ou sequer pensar…

…Mas cá vamos nós:

Alemães dizem ao Primeiro-Ministro de Israel que foram eles os culpados pelo Holocausto e não o árabe que ele quer culpar.

Eu acrescento:

1- O holocausto não foi obra do acaso. Não aconteceu porque alguém “incentivou” ou encourajou Hitler. A ideia da eliminação de determinadas “raças” está inscrita na ideologia nazi que tem como base a pureza racial e a glorificação da violência. Não aconteceu porque um dia alguém se lembrou de dizer a Hitler, “então e se em vez de os expulsar os matasses a todos?” A violência e a destruição fazem parte desta ideologia e não podem nunca ser dessaciados dela.

2- O apoio do Mufti a Hitler – ou o facto dele apoiar a perseguição e os massacres de judeus – nada tem a ver com os palestinianos que hoje vivem e morrem na Faixa de Gaza. Usar o Holocausto para justificar a ocupação ilegal de territórios, para fomentar o ódio entre dois povos, para fomentar a guerra é nojento. Netanyahu não honra o próprio povo. Está a instrumentalizar a Shoah. É um inimigo do povo que diz defender.

Pelo reconhecimento da Palestina

O parlamento britânico aprovou esta semana uma moção de reconhecimento do Estado Palestiniano. Na semana anterior, o primeiro ministro da Suécia declarou a sua intenção de propor o reconhecimento da Palestina. Mas o mapa publicado esta semana pelo Courrier International mostra um seguidismo chocante entre os países da OCDE à política internacional dos EUA. As iniciativas britânica e sueca tem o potencial de criar um efeito dominó na Europa e gerar uma pressão insuportável contra a política da direita e da extrema-direita israelita. Seria tão fácil Portugal aderir a esta tendência, apoio popular não falta.

Quero deixar bem claro que sou um grande apoiante daquela que foi a Iniciativa de Genebra celebrada entre israelitas e palestinianos a favor da promoção da paz e do reconhecimento mútuo. Move-me o combate contra as políticas de direita belicistas, intolerantes e segregacionistas tanto de israelitas como de palestinianos, e não a nacionalidade de cada um. Como já escrevi há uns anos no Cinco Dias, acho que o problema entre Israel e a Palestina é em grande medida uma luta entre soluções de esquerda e de direita. O que é dramático é que a direita (Hamas e Likud) tem o monopólio do poder.

ReconhecimentoPalestina

(Imagem Courrier International)

Paris a arder

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© Laurent Troude

Manifestação pró-Palestina em Paris (19 de Julho de 2014). Esta tarde, e embora interditada pelo Ministro do Interior, preocupado com o anti-semitismo, deverá haver outra. O Novo Partido Anti-Capitalista apela à mobilização dos parisienses

O Hollande é um krido

Depois de uma manifestação de apoio aos palestinianos ter acabado mal, andamos numa daquelas rotinas de o governo de Israel atacar a excessiva densidade populacional de Gaza diminuindo o número de vivos ali residentes, o governo do Partido Socialista Francês decidiu patrocinar a seguinte, proibindo-a.

Como não chegasse, estava tudo a decorrer ritualmente, quando a polícia de Hollande actuou:

[via reportagem do Le Monde]

Perfeito. A cruzada Helena Matos adorou, adorou, adorou.

É disto que falamos quando falamos do que sobra da Internacional Socialista. Acreditar que destes partidos pode vir decência, é um repetido logro. Quem ali ande e seja social-democrata está condenado a fugir, mais cedo que muito tarda. Valha-nos S. Pasok, e de uma forma ou outra estes partidos caminharem para seus seguidores.

Oração

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Não acreditando na tua existência pode parecer um abuso, mas na forma como os homens te criaram, infinitamente bom e misericordioso, escutarás o pedido de um descrente da tua existência como se fosse a de um devoto, sei.

Agora que antes da final um dos teus papas já ganhou a copa e demonstrado de vez não seres brasileiro, garantindo tratamento igual para todos os povos, podias pensar num deles, teu crente, numa parte do planeta onde ainda tens teocracias, que está a levar com os maluquinhos de outro povo, igualmente teu crente, a matar pessoas todos os dias, e a malta já nem repara, nem dá importância, bombardeamentos em Gaza mal é notícia.

Mas devia ser; tal como judeus e ciganos no século passado foram amuralhados antes do extermínio final, agora temos os palestinianos, mais pós-moderno mas o mesmo gueto, os muros, o mesmo apartheid, mas com muito mais dinheiro espalhado pelo mundo para comprar a tolerância com o invasor, a propaganda, para adquirir o silêncio dos mortos.

Também podia dizer umas coisas sobre essa insistência em deixares os teus fanáticos divididos em religiões que se isarael-ó-palestinizam umas às outras, um pouco por toda a parte, mas era abuso, um ateu conhece os limites, fico, caro Deus, por Gaza. Obrigado.

imagem: Prisioneiros ciganos no campo de Belzec, Polónia, 1940.

Israel e o tiro ao alvo*

Nuno Roby Amorim

Existe uma posição muito irritante, da intelligentsia conservadora europeia e portuguesa em particular, de apoio incondicional a Israel aconteça o que acontecer e ultimamente tem acontecido muito. Este apoio baseia-se no princípio de que o estado hebraico é uma verdadeira democracia, o que é verdade, uma ilha rodeada por fanáticos extremistas e radicais árabes, prontos a violarem os princípios mais básicos da dignidade humana, o que também é parcialmente verdade. Ora bem, só que a democracia é Universal e nada vale se a utilizarmos em casa e na rua andarmos a correr tudo ao estalo, o que é um pouco o que se passa no terreno. Continuar a ler “Israel e o tiro ao alvo*”

Yael Ronen

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© Schaubühne

A encenadora israelita Yael Ronen (n.1976) esteve no passado mês de Julho em Lisboa para, no âmbito do Festival de Teatro de Almada, apresentar no Teatro Nacional D. Maria II a sua mais recente criação: A véspera do dia final. Encenadora associada da Schaubühne (a mítica companhia de Berlim), Ronen foi nomeada em 2009 para o New Theatrical Realities Prize, um importante prémio europeu que reconhece a originalidade e a inovação das dramaturgias emergentes. Oráculo prudente, a encenadora trabalha no fio da actualidade, constantemente seguindo o que está a passar-se no teatro do Mundo, incessantemente actualizando o seu objecto teatral: “Estamos sempre prontos para que no fim da representação o Mundo já não seja o mesmo”, explicou a um jornalista alemão. As suas peças têm normalmente actores de diferentes nacionalidades (sobretudo israelitas, alemães e palestinianos), com quem Ronen trabalha em conjunto os seus textos, levando para as peças partes do próprio processo criativo: os telefonemas dos pais dos actores árabes e judeus, pedindo-lhes para que não representem terroristas, para que não falem mal da própria religião; o actor israelo-palestiniano que não teme o terror no Médio Oriente mas sim que alguém em Berlim, onde os teatros não têm checkpoints, entre armado pela Schaubühne adentro e o mate.

Constantemente no fio da actualidade, Yael Ronen tenta contudo ver para além das parangonas dos jornais e da desinformação que distraem a Humanidade daquilo que está a acontecer-lhe: a alienação pela religião, o recrudescimento das identidades nacionais, os grandes conflitos cujos desfechos terão inelutáveis consequências para todos, e de que é evidente paradigma o estado das coisas na Cisjordânia. O racismo, o preconceito, o fundamentalismo religioso, a violência por detrás dos falsos compromissos de negociação entre povos desavindos, a manipulação a que estão constantemente sujeitos, a desesperança: eis a combinação explosiva que segundo Ronen (mas não está sozinha nessa visão) nos afectará a todos se não interviermos atempadamente. Para dissecar as idiossincrasias de tudo o que nos separa ou reúne, Yael Ronen e a sua trupe abordaram as religiões como produtos nos quais apenas o marketing (essa ciência que é um remédio santo) parece ser capaz de encontrar qualidades. Assim, requalificando comercialmente os grandes símbolos (Jesus não já na cruz mas numa cadeira eléctrica, ou o judaísmo como religião de elite – “apenas 0,3% da população mundial mas 35% dos prémios Nobel”), a encenadora israelita consegue demonstrar-nos a que ponto a globalização da bárbara cultura da economia está a alienar-nos da histórica vocação universalista da Europa – actualmente paralisada, apenas capaz de, através do seu tribunal internacional, declarar ilegal o muro de várias centenas de quilómetros que separa os ‘ocupas’ de Israel dos restantes territórios palestinianos.

Palestina reconhecida como estado observador da ONU

palestina cadeira onuO estado do povo a que não deixam ter estado e pretendem dizimar no campo de concentração de Gaza é desde hoje reconhecido como observador pelo mundo (com excepção da Micronesia, Nauru, Palau e mais uns estados menores subsidiados pelo sionazismo internacional, que bem se podem sentar no chão). Portugal votou a favor, o que só demonstra que Paulo Portas tem os seus defeitos mas não é exactamente um criminoso, além de que o governo precisa de exportar portugueses para uns certos países árabes..

Andam por aqui umas bestas antropomórficas da Brigada Mossad, muito chateadas, difundindo a propaganda goebbeliana do costume e criticando aqueles em que votaram.  Podem ir levar no Palau.

Palestina

Não há sol nos céus da Palestina não há luz nos olhos da Palestina roubaram o sorriso à Palestina

São de sangue as gotas de orvalho da madrugada e o vento só é vento quando as balas assobiam roubaram as manhãs à Palestina

O céu de chumbo esmaga as almas e os ossos e é de lágrimas a chuva quando cai não há sol nos céus da Palestina

Do ventre da lua cheia de aço e de amargura nasce a cada hora um menino com bombas à cintura mataram a infância na Palestina Continuar a ler “Palestina”