INRI

O jovem presidente da República francesa proferiu ontem, às 22h34, um extraordinário discurso, dirigido a todo o mundo civilizado através da comunicação social presente, sobre o incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre Dame, em Paris. Fê-lo sem papel, de improviso, sem nunca se enganar ou corrigir, com uma fluidez, uma clareza e um frémito épico apenas ao alcance de homens escolhidos – não releva, para o assunto em análise, o facto de ter sido escolhido pela indústria financeira.

Macron, que já tinha tuitado sobre a catástrofe parcos 15 minutos após o seu início, agradeceu aos Bombeiros, agradeceu aos Bombeiros e agradeceu aos Bombeiros. Depois referiu-se aos católicos, evocou a História – agora em chamas -, aludiu à Esperança e agradeceu aos Bombeiros. Anunciou o peditório da praxe, agradeceu aos Bombeiros e rematou em registo heróico, afirmando que “o destino da França é reconstruir a Catedral”. A Marselhesa ecoou muda no subconsciente de cada enfant de la Patrie.

Só se esqueceu de uma coisa: da Responsabilidade.

Anselmo Vintém

Ao contrário do que afirma (quase) toda a historiografia positiva, Anselmo Vintém nunca existiu. Diz-se que Eusébio pronunciou o seu nome antes do Adeus dúctil que lhe ofereceu Constantino, mas nada disso foi documentado. E mesmo que tivesse sido, já tinha ardido tudo.

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