O triângulo

A propósito dos dez anos após a morte de Helena Vaz da Silva (1939-2002) e do prémio europeu do Jornalismo do Património Cultural que tem o seu nome e será atribuído pela primeira vez, Guilherme d’Oliveira Martins escreveu no passado dia 12:

“As modernas políticas públicas da cultura ligam a preservação do património à criação e contrapõem-se à ideia de uma economia de especulação e da cultura como luxo. Como poderemos entrar num caminho de recuperação e desenvolvimento sem pôr a qualidade em primeiro lugar, sobretudo num país (na lusofonia e na Europa) com memória e com história antiga? A cultura não pode resumirse a lendas ou ilusões perdidas, feitas de indiferença e de ignorância. (…) Nada do que é vida pode ser estranho à cultura, à educação e à ciência — e a verdade é que este triângulo tem de estar presente, se quisermos recusar a mediocridade e a irrelevância. Mais do que gestos de novoriquismo, do que se trata é de ver a cultura como sinal de sabedoria e de aristocracia do comportamento (…)”.