Há uns dias, o Expresso presenteou-nos com uma reportagem sobre um fenómeno que, pelos vistos, era do desconhecimento de todos: o Ressenteeism. Parece que isto acontece quando um trabalhador não se sente feliz no local de trabalho, mas mantém-no por razões financeiras. Acho que é importante falarmos deste fenómeno. É uma realidade e não é nada positiva. Mas, como é óbvio, o grande foco desta obra jornalística não é o trabalhador que apenas mantém o seu trabalho por querer, vá, comer e manter uma casa. O foco são as empresas que têm visto a sua produtividade a descer. Temos empresas, principalmente as grandes, a tratar trabalhadores como carne para canhão, exploram pessoas fisica e emocionalmente, e admiram-se quando as bases estão desanimadas. O foco devem ser aqueles que necessitam de estar infelizes a trabalhar para terem um sustento, mesmo quando é bastante pouco. É para estes que devemos virar as atenções e procurar soluções. Porque se uma empresa fecha, outras se abrem e isso é menos prioritário do que a vida de pessoas que são forçadas a contribuir para uma cadeira que não querem, por nos encontrarmos num país em que as elites e o Estado estão entrelaçadas e escrevem as regras a seu favor. E depois a culpa é de quem se manifesta. A culpa é de quem faz greves. A culpa é de quem está oito horas a olhar para o boneco a pensar como poupará até ao fim do mês. A culpa nunca é de quem beneficia diretamente de um sistema desigual, que promove a desigualdade e que depois ainda vem de forma sobranceira perguntar “e depois quem cria postos de trabalho?”.
Só as elites, que estão delineadas em dinastias desde os tempos da monarquia, é que olham para isto e acham que podem ter alguma solução. Aqueles que nunca visitaram Castelo Branco, mas que sabem o que é melhor para essas pessoas, porque leram num livro qualquer de um self made man.
Era uma boa ideia começarmos a distinguir liberalismo de ser cão de guarda das grandes empresas que tudo podem, das elites que capturaram a economia, funcionam em cartel e usam as pessoas como peões. Ser liberal não é defender o contrário da esquerda. Ser liberal é defender o indivíduo antes de tudo e não as instituições que alimentam o nosso estilo de vida. Mas aí a esquerda tem razão. Aquela que se diz de direita vive capturada pelas empresas que querem jogar apenas com as suas regras. Se um liberal é liberal nos bons momentos e pedinchão nos maus, desconfia. Não é liberal, é parasita.






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