Hóquei (novamente) de luto

Em 21 de Novembro de 2012, no meu blogue pessoal de então, entretanto a hibernar há anos (http://letrasecoisas.blogspot.com/2012/11/o-hoquei-em-campo-esta-de-luto.html), escrevi, aquando da morte de José Machado, um dos maiores dirigentes que conheci, “A variante indoor foi praticamente introduzida em Portugal por ele, a par de José Nora, que lhe conferiram uma nova identidade. Com eles, esta variante passou a ser respeitada como a grande hipótese que tínhamos de fazer crescer a modalidade, ainda sem campos condignos para a sua prática na variante de campo. Então, se não tínhamos condições, havia que fazer formação num piso onde os mais jovens atletas tivessem condições mais próximas dos outros, os de lá de fora. E os títulos apareceriam: José Machado tinha uma fé enorme no atleta português e nas suas características inatas, o resto teria de ser feito através de trabalho”.
Hoje, no Aventar, atrevo-me a reverenciar o alter ego, o compagnon de route, de José Machado. É que, no passado dia 21, o José Nora faleceu.
Ambos eram um tandem permanentemente aberto ao futuro, sempre prontos a ideias e projectos, perduravelmente na vanguarda. Como atletas, fosse no Vilanovense ou no FC Porto, a par de outros emblemas dos muitos que, entretanto, se perderam, ou como treinadores e dirigentes, de clube, da Associação do Porto ou da Federação Portuguesa de Hóquei, nunca foram agentes desportivos cómodos nem acomodados. A modalidade e o seu futuro mexiam com eles.
Aí por 1974/1975, havia uns encontros de jovens no desporto, os ENDO e os JUVENDO, que englobavam novas modalidades ou mexiam com as existentes, num novo paradigma que pretendia criar-se para o desporto jovem em Portugal.

Vivia-se, então, no hóquei europeu, o aparecimento do hóquei de seis, ou de sala, jogado em pavilhão, o que permitia que os vultos da modalidade nos países mais frios pudessem praticar a modalidade em ambiente indoor, a coberto dos invernos rigorosíssimos. A Alemanha tornou-se líder dessa prática, dominou-a durante décadas sem permitir que alguém se aproximasse, até que um dia, sem contar, perde o primeiro europeu para a Áustria, que, entretanto, se tinha tornado uma potência.
José Machado e José Nora lá desenvincilharam uma tradução das regras, começaram a treinar miúdos, ainda formaram um clube – o Bairro do Cedro – cuja primeira camisola e projecto de símbolo vos mostramos, ainda fizeram um jogo não oficial com o Perosinho, no rinque deste, em 1975, mas em 1976/1977 já eram os infantis do Vilanovense, começando então a competir regularmente. Dessa equipa registamos alguns futuros internacionais absolutos e várias equipas de indoor nos diversos escalões de formação, que marcaram a primeira geração de grandes equipas (todos se lembram da era Vila, da era AA Espinho, da era Sport Clube do Porto, da era AD Lousada ou do Dramático de Cascais e CS Nun’Álvares ou como se tornaram referências as equipas de formação do Lisbon Casuals, Casa Pia AC e do CF Benfica, do GD Viso, do GD Carris…). Este enumerado não obedece a qualquer rigor histórico, apenas pretendi enunciar algumas equipas que pessoalmente me marcaram: umas, por uma, duas, três épocas; outras, por verdadeiras gerações. As que não me vieram à mente e à primeira, me desculpem: o Perosinho, o FC Porto (que vi desaparecer no meu tempo de Presidente da AH Porto, levada pelo mau feitio do actual administrador para o futebol profissional, o Eng.º Luís Gonçalves), o Ramaldense, essa fortaleza hercúlea no campo durante várias gerações, que, no entanto, não resistiu ao tempo, ainda que acredite na sua ressurreição, há muita gente apostada nisso. Ou Serzedo…
Os pioneiros arriscam-se, na sua forte personalidade e por serem constante incómodo para os interesses instalados, a cair no esquecimento de muitos.
José Machado ainda teve, em 2012, direito a um comunicado, com fundo negro da FPH, da tutela da modalidade, até porque José António Machado (a quem agradeço o suporte para esta publicação em datas, factos, competições e fotografias), filho de José Machado, era à data dirigente da Federação.
José Nora já não teve essa sorte. No vórtice de comunicação federativa, um estágio da selecção nacional; a despedida de Rodrigo Castro, a mais jovem esperança-certeza como atleta para a Alemanha, onde vai jogar ao mais alto nível, treinado por um português de Cascais, Bernardo Fernandes; as férias da eminência parda do regime; as intromissões à boa maneira dos haters das redes sociais, de dirigentes em questiúnculas de má índole dos futebóis ; a distracção do Presidente da FPH, figura incontornável como atleta dos maiores que Portugal algum dia viu e como árbitro, que vi brilhar internacionalmente, mas que, ao entregar o poder que tem de ser ele a exercer, está a perder toda a credibilidade que granjeou ao longo da sua esmeradíssima carreira; tudo isso roubou a José Nora o protagonismo numa morte humilde, calada. Até porque José Nora era vilanovense de nascimento, nunca jogou no Casa Pia, para quê avivar a sua memória?!
Por isso partiu, no silêncio de quem lhe deve, ainda hoje, um nome na modalidade. Porque da sua obra emergiu a realidade que permite a alguns estarem onde estão, terem sido quem foram, terem recebido as loas que receberam.
Porque não consigo separar ambas as almas, junto aqui o José Nora ao José Machado, que por certo foi recebê-lo com um enorme abraço à porta do paraíso. Onde, acredito, repousarão as almas com mau feitio, mas com corações de oiro e todos os sonhos do mundo na palma da mão. E terão sempre a sorte de não se cruzarem, como nós ainda do lado de cá temos que suportar, com os prepotentes desta realidade tão tuga, tão pequena, tão rede social, tão “marquetizável”.

O primeiro astronauta arguido

 

Enquanto está a decorrer o processo de seleção de astronautas da ESA através do qual Portugal poderá ter finalmente @ primeir@ astronauta, Mário Ferreira (imagem Blue Origin), igual a si próprio, está a tentar antecipar-se ao processo e pagar um bilhete num voo parabólico da Blue Origin para rapinar para ele o título de primeiro astronauta português. Uma coisa é certa poderá ter o fantástico título de primeiro “astronauta” arguido, esse será garantido. Quanto ao resto não me representa, nem como português, nem como astronauta (um espertalhaço num voo parabólico de 10 min. não tem nada de astronauta). Ele que leve uma bandeirinha de Malta e um crachá da International Trade Winds, a empresa offshore que ajudou a criar.
#espaco #fraude

PS- os humanos que voaram acima da linha de Kármán (que se convencionou ser a altitude a partir da qual é espaço) recebiam da Federal Aviation Administration (FAA) as Asas de Astronauta Comercial. A partir de 2022 esse critério foi abandonado pela FAA que exige que um astronauta realize atividades mais consentâneas com um verdadeiro astronauta do que alguém que faz um mero voo parabólico de 10 min. a bordo da Blue Origin ou de outra companhia que promova voos parabólicos turísticos.

Incêndios: o jornalismo de merda da CMTV exposto em 7 segundos

Abençoada mulher.

Malditos sensacionalistas.

Transfobia Gramatical

Sei que a reflexão que agora apresentarei não cumpre o agenda setting da sazonalidade das crises globais, que o Pride Month terminou e que o meu foco deveria estar agora nestes insustentáveis e inauditos vagalhões de calor à qual os nossos avós apelidaram erroneamente de Verão. Tendo em conta que considero estudar e discutir os elementos do clima tão fastidioso como assistir a Stranger Things estando sóbrio, pronunciar-me-ei sobre gramática, que domino com um bocadinho mais de familiaridade.

A prova definitiva de que a preocupação delirante com pronomes alternativos não é o reflexo de sensibilidades ou preferências individuais, mas sim mais uma importação das doutrinas perturbadas dos manicómios universitários americanos, é o facto de ninguém querer saber dos determinantes.

Os pronomes são utilizados para evitar a repetição de palavras já referidas; no limite, podem ser completamente evitados. Já os determinantes, no português, são pedidos pela língua, exigidos de cada vez que a expiramos. Até aqui, nestas curtas frases, já escrevi dezenas de determinantes, entre artigos, possessivos e contracções; e só usei um pronome aqui e ali. Eu não preciso de me referir a alguém como “ele” e “ela” se utilizar o seu nome. Já o uso dos determinantes, esse é ineludível. Alguém que vive o seu quotidiano dentro da língua portuguesa teria então no uso incorrecto dos determinantes, e não dos pronomes, uma dor de cabeça muito maior.

Até porque, em português, os determinantes assumem género: sejam artigos (o, a, os, as, um, uns, uma, umas), sejam demonstrativos (este, aquela, etc…), praticamente não conseguimos fazer referência a pessoa ou coisa alguma sem assumirmos um género para o determinante. Acontece que o inglês, essa língua bárbara moldada à imagem das cognições mais limitadas, utiliza raros determinantes e os que utiliza – tirando os possessivos – não variam em género.

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Rácios

Fizeram-no nas nossas barbas e nós, passivos internautas, resignamo-nos, que remédio: em Novembro de 2021, o Youtube removeu a contagem pública de dislikes de todos os seus vídeos. O botão continuou disponível, o número de likes continua a ser exibido, mas o rácio like/dislike já não está exposto.

A razão para tão bizarra e impopular decisão? Nobre, claro está, ou não se tratasse esta de uma corporação alinhada com o eixo do qual vemos emanar nada senão probidade. Alega a presidente, a Sra. Susan Wojcicki, que detetaram ondas de dislikes que prejudicavam imenso os pequenos e novos criadores de conteúdos (A Sra. Wojcicki é conhecida, aliás, pelas suas posições em defesa da liberdade dos seus criadores de conteúdos de crescerem independentemente das suas posições políticas e sociais. Mas a isso iremos noutro dia.)
 
Não é preciso chamarem o Poirot para descortinar o verdadeiro motivo desta mudança: o rácio like/dislike era tão hilariantemente negativo em relação a tudo o que se relacionava com o Partido Democrata, Joe Biden e o “combate à pandemia” que começou a tornar-se um glitch na Matrix difícil de ignorar. Os sapientes líderes do “mundo livre” sabem melhor do que ninguém a importância que tem a opinião das massas na moldagem das posições individuais. Usaram isso para todos os pontos da sua agenda criminosa. E as narrativas, para serem mantidas, têm de apresentar a ilusão do consenso à sua volta, precisam de ser blindadas com o escudo da inegabilidade, para que qualquer contestação possa ser descartada como loucura.
 
Eis o guião que temos todos de seguir para que os hamsters continuem, entretidos e sem sobressaltos, a correr na sua roda: Joe Biden foi o presidente mais votado da história dos Estados Unidos da América, logrando mais votos do que Barack Obama e Donald Trump, incríveis fenómenos de popularidade que arrastam legiões massivas de fanáticos seguidores. Ora, se esta premissa já custa aceitar com base no mero contraste entre o carisma de uns e a decrepitude oca do outro, é com certeza mais difícil acreditar quando toda a actividade online do Partido Democrata, ou de Joe Biden em particular, estava eivada de feedback negativo por toda a internet. E não o feedback artificial, incutido, afagador de egos anti-fascistas, propagado por celebridades do bem e propalado pela imprensa em letras garrafais e bombardeamento incessante dos talking points das linhas unidimensionais de pensamento virtuoso; mas sim o feedback do internauta comum, pobre, amante de memes, ignorado por uma cúpula cujos nobres se desligaram tanto da humanidade – quer física, quer espiritualmente – que agora têm dificuldades em sequer agir normalmente como seres humanos, quanto mais falar para eles.

Este feedback negativo estende-se, naturalmente, ao “combate à pandemia”, a maior experiência psicológica em massa da história da nossa incauta humanidade. Até hoje, continuamos a fingir que acreditamos nos preceitos mágicos da seita covidérica com medo da censura social que acarreta qualquer posição contrária (ao qual se juntou, naturalmente, a aversão à admissão do erro). Essa ideia de unanimidade – que os portugueses, tão bem amestrados, adoptaram como bons meninos que são – não foi igual em todo o lado: enquanto os covideiros se masturbavam com as suas fotos, uma grande parte da sociedade americana desde cedo se prontificou a denunciar os crimes hediondos do farsante e despótico Dr. Faucci. No processo de beatificação do salvador da nação, ousaram fazer um filme da Disney de adulação divina e o resultado foi o esperado: apesar das tentativas desesperadas de ocultar a chacota do povo – leiam a nota feita pelo IMDB – este é, sobre qualquer perspectiva, um dos filmes mais odiados de sempre, sem precisar sequer de ser visto. É descarada e abjeta propaganda e a internet, sem desiludir, correspondeu condignamente cuspindo-a fora.

 
A agenda globalista avança a todo o vapor porque é carregada por uma unanimidade mitológica, inexistente, mas artificialmente construída por uma brilhante estratégia, que orbita em redor da disputa social para ver quem tem melhor coração e quem se preocupa mais com as pobres minorias ucranianas não-binárias vítimas de racismo climático. As causas virtuosas – ambiente, rituais covideiros, Ucrânia… – são os escudos perfeitos a qualquer acusação de vileza. A olho nu se vê que todas estas causas são, claro está, burlescos teatros canastrões. Contudo, estar contra o pedantismo nojento destes fidalgos e contra as suas ditatoriais, opressivas e distópicas soluções é estar contra as próprias causas. Ousar questionar a perversidade indisfarçada desta oligarquia psicótica é colocar em causa o futuro da humidade.
 
Como poderia então a elite globalista, alicerçada no falso consenso que as suas marionetes asseguram existir e que tem nestas corporações como o Youtube os cordelinhos com que manuseia os nossos cérebros-fantoche, passar a ideia de que os líderes seleccionados a dedo e as suas ideias não são completamente populares? O risco era demasiado grande. Num mundo em polvorosa, a indignação começa numa acendalha e espalha-se em incêndios descontrolados de rebelião.
 
“Removam-se os dislikes“. A ordem foi dada no Capitólio.
 
Sem eles, volta a reinar a sua unanimidade; sem eles, Biden e Faucci são venerados. E tu, se não queres ser fascista, venerarás também. E sempre que um acesso súbito de consciência te fizer discordar dos seus preceitos perversos e falaciosos, o sistema estará aqui para te mostrar que estás errado, que a maioria discorda de ti e, pior, que a tua posição é perigosa, subversiva, jacobina, uma ameaça à ordem pública e, como tal, justifica-se o seu silenciamento, e o teu. Embalado pelos comprimidos de Soma, adormecerás esfomeado, despersonalizado e oco, um corpo moribundo que usará das suas derradeiras forças para acenar uma última vez a bandeira assassina da unanimidade virtuosa.

Construam-me porra!*

 

 

Há uma canção dos Xutos e Pontapés que começa assim – de Bragança a Lisboa são 9 horas de distância. E por aí fora. De Beja a Lisboa são mais ou menos 175 km de carro, 2 horas e pouco de viagem. Há um aeroporto em Beja. E porque não investir numa linha ferroviária, rápida, entre Beja (aeroporto) e Lisboa? Os custos (financeiros e ambientais) serão ridículos comparados com os custos de um novo aeroporto em Lisboa. Se o Ministro Pedro Nuno Santos, agora transformado em Egas Moniz, tivesse tomates (que demonstrou não ter), era isto que fazia, em vez de andar armado em Duarte Pacheco.

  • Pichagem existente no local de  Alqueva, muitos anos antes da construção da barragem.

Professores: O regresso dos mortos-vivos

Estão doentes durante o ano lectivo inteiro, mas ė vê-los a regressar todos ao serviço na última semana de aulas.
Parecem os mortos-vivos.
Nada de grave. Em Setembro, voltarão a cair de cama gravemente enfermos.
É uma minoria, eu sei. Mas uma minoria extremamente ruidosa. Fazem tanto pela má imagem pública dos professores como fez a escumalha de Maria de Jesus Rodrigues há uns anos.
Como é que eu explico isto a quem se queixa da escola?
O ensino público resistirá. Porque, apesar deles, continua a ser o único sistema justo, democrático e inclusivo.
Lições de moral não recebo. Sou de Esquerda, sou professor e nunca renunciei a alunos nem mandei outros colegas para o desemprego só porque as aulas tinham acabado.
Ao pessoal de Direita que pensa poder usar isto como guerra ideológica, pode dar meia volta.

«Somos o quarto país mais seguro do mundo. Somos um parceiro na construção europeia, numa Europa que não deixa ninguém para trás. Somos o segundo país da OCDE mais aberto ao investimento estrangeiro. E, de acordo com as projeções [sic] da Comissão Europeia, seremos o país da UE com o maior crescimento económico e a menor inflação em 2022, num contexto de contas públicas sãs e sustentáveis»

(António Costa)

Todavia:

«A digressão comemorativa do 60.º [fmv] aniversário do primeiro concerto dos Rolling Stones começa esta quarta-feira em Madrid e não passa por Portugal»

(Expresso)

***

O PSD de cabeça perdida, rendido aos métodos da extrema-direita

Tinha este rascunho de molho, e entretanto passou um mês. O PSD anda tão apagado que acabei por me esquecer que existia. Mas ontem lá tropecei numa notícia sobre as internas de amanhã, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade de tweet. Existem muitas maneiras de criticar um partido ou governante, bem mais eficazes e inteligentes, e dignas também, mas isto é bater no fundo. É, inclusive, um grande favor que faz ao PS. Um “regime totalitário socialista”? Contrataram os estrategas de marketing do CH, foi?

O PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que bem entender. Vivemos em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre a realidade que observamos. O PSD, por exemplo, entende que ficou provado, pelo próprio António Costa, que o que Portugal poderá esperar deste governo é:

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A Sonae no país do sOciaLisMo

Em apenas dois dias, ficamos a saber que a Sonae bateu recorde de vendas trimestrais, na casa dos 1,7 mil milhões de euros, com lucros a ascender aos 42 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, e que se prepara para abrir um hotel de luxo nos Aliados, que custou qualquer coisa como 20 milhões de euros.

Ainda bem que o Estado injectou 450 mil euros no grupo, para o ajudar a suportar o aumento do salário mínimo. De outra forma, e a julgar pelas notícias que nos chegam, ainda corria o risco de declarar falência. A credibilidade do socialismo português está ao nível da existência do termo “democrática” na designação oficial da Coreia do Norte.

Matar e profanar o funeral: bem vindos ao apartheid israelita

No funeral de Shireen Abu Akleh, militares do IDF irromperam por entre a multidão que se despedia da jornalista e distribuíram porrada a torto e a direito, incluindo àqueles que carregavam o caixão.

Só a pior da escumalha vai para um funeral à procura de confusão. Mesmo nas barbas da imprensa internacional, para que todos vejam que o regime israelita, sempre autoritário, fez o que bem lhe apetece e atropela quem tiver que atropelar.

O que distingue esta gente do regime russo?

Alterações ao Código Penal

Código Penal Português

Artigo 164.º

Violação

4 – Não haverá lugar a procedimento criminal se a presumível vítima tiver por qualquer meio provocado as condutas previstas no presente artigo. 

5 – Não haverá também lugar a procedimento criminal se a presumível vítima durante a prossecução dos actos aqui previstos não tiver responsavelmente cessado todas e quaisquer diligências, físicas ou verbais, que visassem a sua própria defesa ou a manutenção da sua integridade. 

Desculpa nº47 and counting…

A chocante falta de razão de quem não está solidário com a Ucrânia revela-se na forma como vão sucessivamente descobrindo argumentos que também sucessivamente são obrigados a deixar cair por… óbvia falta de razão.
Agora são o “maniqueísmo” ou o “macarthismo” dominantes.

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48 anos de liberdade

Faz este ano tantos anos que estamos em democracia como existiram de Estado Novo. Faz sentido refletir sobre a celebração do 25 de Abril – qual o sentido de celebrar e qual o sentido da Direita o celebrar?

A liberdade é o que inspira a política. O dia em que reconhecemos ao outro o direito a lutar por si, pelo seu projeto de vida, pela sua felicidade, para viver como quer, dizendo o que quer, amar quem quer, ser quem quiser. O dia em que nós afirmamos em plenos pulmões que nenhum dirigente do Estado nos pode proibir de pensar, de rir, obrigar a dizer, nem nos pode fazer sentir que só podemos celebrar a liberdade se formos de um partido de esquerda. É o dia em que deixamos bem claro que as ditaduras não nos servem – e que não são exclusivas de tiranos de direita. O problema são os totalitarismos, e esses não tem ideologia.

A Direita das liberdades que é a minha, de pessoas que não estão frustradas com o mundo, que não arranjam desculpas para jusitificar a censura, é uma Direita livre e que adere ao debate entre ideias diferentes. A liberdade é isto e é tudo. É a possibilidade de cada um encontrar o seu caminho, de o tentar, de o fazer com quem queremos, percorrendo rumo ao futuro.

Para quem acha que a liberdade é uma noção egoísta e individual, pelo contrário, é até uma noção até bastante cristã – há uns anos, o Papa Bento XVI disse que haviam 7 mil milhões de caminhos possíveis para chegar até Deus. Esta frase tem um sentido e valor político muito importante. O que deve um governo fazer quando no seu território coexistem milhões de pessoas diferentes? A resposta não pode ser outra que não através da liberdade. Só essa nos permite em igualdade sermos realizados, respeitando todos e dando a todos o espaço para encontrar o seu caminho. É esse o valor que esta data celebra.

Há muitos herdeiros que se dizem donos da revolução. A revolução só teve sucesso porque a esses autores se juntaram milhares de pessoas que nos permitem hoje festejar aquilo que há 48 anos foi o começo de algo novo. Todas essas milhares de pessoas representavam sonhos, ideias, projetos, aspirações que tornaram possível a revolução. É por isso que ela não é de ninguém, é de todos. E ninguém tem o direito de se apropriar dela. Se há quem queira fazer o papel de dono da revolução, que o faça e se exponha ao absurdo.

E que sirva para nos dar força para gritar “NOSSA” liberdade e recusar essa tutela.

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

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O TCE-Rex em Lisboa

Para quem estiver em Lisboa, aqui fica o convite: venham ver o dinossauro gigante que representa o Tratado da Carta da Energia (TCE), à Praça do Comércio, 11h, no dia 24 de Abril.

O TCE-Rex vai fazer uma digressão pela Europa, ao longo dos meses de Abril e Maio, passando pelas principais cidades europeias e alertando que o TCE é uma ameaça para as políticas climáticas da UE e dos Estados-Membros.

O TCE protege os combustíveis fósseis e ataca o bolso dos contribuintes, porque põe os lucros dos investidores estrangeiros acima do direito dos estados a regular, seja pelo clima ou para reduzir o preço da electricidade. É mais do que tempo de os governos da UE se libertarem, nos libertarem, e abandonarem este tratado jurássico.

 

Excerto do mais recente Relatório do IPCC, capítulo 14, p. 81:

“Um grande número de acordos bilaterais e multilaterais, entre os quais o Tratado da Carta da Energia de 1994, inclui disposições para a utilização de um sistema de resolução de litígios entre investidores e Estados (ISDS) concebido para proteger os interesses dos investidores em projectos energéticos das políticas nacionais que poderiam levar a que os seus activos se tornassem obsoletos. Numerosos académicos indicaram que o ISDS pode ser utilizado por empresas de combustíveis fósseis para bloquear a legislação nacional destinada a eliminar gradualmente a utilização dos seus activos (Bos and Gupta, 2019; Tienhaara 2018).”

 

Se aparecer um catalão desmembrado num saco de plástico, já sabem…

Uma investigação do Citizen Lab, da Universidade de Toronto, garante que pelo menos 65 independentistas catalães foram monitorizados pelo spyware Pegasus, um sistema informático israelita usado para espiar “high profile individuals”, que saltou para a ribalta por ter sido usado por Mohammed Bin Salman para vigiar e controlar todos os passos do jornalista Jamal Khashoggi, até ao brutal assassinato ordenado pelo príncipe-carniceiro de Riade, nosso estimado parceiro e destacado fornecedor de petróleo.

O software israelita tem sido um forte aliado de vários autocratas, da Arábia Saudita ao Qatar, passando pelos Emirados Árabes Unidos e Cazaquistão, existindo fortes suspeitas da sua utilização por governos europeus, como o polaco, com o mesmo propósito das monarquias absolutas do Golfo: monitorizar, perseguir e intimidar opositores políticos.

A utilização do Pegasus, contudo, parece não ser um exclusivo de monarcas totalitários e autocratas de extrema-direita. Em Espanha, onde o governo em funções é de esquerda, o software está a ser usado para espiar independentistas catalães. Quando chegamos ao patamar em que uma democracia consolidada recorre a ferramentas de espionagem dignas de um Vladimir Putin – que também o deve estar a usar – percebemos o grau de perigosidade dos tempos que vivemos.

Sobre imbecis indesejáveis

Eu sei que a grande maioria de nós pensa que os que apoiam ou são neutrais em relação a putin ou mesmo aqueles que esboçam a condenação da Rússia e depois não resistem em gritar “mas” são uns imbecis indesejáveis.

Mas não estamos correctos. Imbecis são, indubitavelmente. Aliás enormes imbecis cuja qualificação nasce das motivações que os animam: cobardias quase criminosas, ideologias sem sentido, interesses financeiros ou (a mais imbecil de todas) a histérica necessidade de se afirmarem mais inteligentes que os outros num processo que os aproxima muito mais da idiotice do que da genialidade que à força querem demonstrar.

Mas estamos errados quanto à circunstância de serem indesejáveis. Não são. Ainda bem que existem estes idiotas. Porque e apesar da debilidade da argumentação que apresentam, não deixam de provocar o que nos obriga a diária e sucessivamente termos de examinar e reexaminar o que nos leva a estar do lado certo. Sim porque esse exame recorrente que fazemos só nos ajuda a solidificar a certeza que estamos do lado certo.

Por isso, mas também só por isso, obrigado idiotas. 

Contra o escalar dos conflitos

Primeiro, obviamente não foi um ataque. Foi uma operação informática especial.

Segundo, é preciso compreender o contexto que levou aquela operação especial. É impossível não perceber ali o dedo da NATO, dos EUA, da UE, do grande capital, etc.

Terceiro, em nome da tranquilidade e da paz, pede-se a todos os profissionais informáticos que não contribuam para o PCP poder responder àquela operação especial nem forneçam ferramentas, programas ou aplicações que ajudem o partido a enfrentar os “hackers” para não escalar mais a situação.

Já agora, alguém tem a certeza que não foi o PCP – Partido Comunista Português a sabotar o seu próprio sistema informático?

Mais uma para contar

Como começou:

 

Como acabou:

E assim se cumprem sonhos.

 

A culpa é da Guerra

Parece que começou uma Guerra na Europa e, tal como sempre que acontece algo novo, várias hipocrisias foram colocadas a nu. De repente, o Ocidente descobriu que Putin é um autocrata e que quer fazer da Ucrânia seu território. Uma novidade da qual ninguém esperava. Enquanto o Ocidente das elites coloca-se contra a Rússia, esse perigoso país liderado pelo jovem Putin que apareceu há umas semanas, temos uma esquerda, que toldada pelo ódio aos EUA, não consegue condenar a Rússia por esta invasão. E aqui fica mais uma vez provado: a esquerda não é, nem nunca será, empática com pessoas, mas sim com as suas causas. São aqueles que lutam pela emancipação até de um pau de vassoura, mas que decidem quem é bom homossexual ou bom preto. É o mercado dos valores a funcionar. Estes são aqueles que querem a extinção de um partido, mas que protestam contra a extinção de partidos numa Guerra. No entanto, há que admirar a posição do PCP. O PCP foi igual a si mesmo e mantém a sua postura até ao fim. Manteve o seu fanatismo. Trata a Rússia sem liberdade como se um sistema capitalista tivesse. Para o PCP, quem tem mais de 5 euros no bolso já é capitalista.

Lá por esta visão sem ponta de humanismo, não quer dizer que os restantes sejam inocentes. Esta Guerra levou a que a maioria do espaço político não-socialista a usasse, seja com medidas inconsequentes para parecer bem ou em medidas que vão contra o próprio histórico do partido. Os EUA, depois de se espantarem com o facto de Putin ser autocrata, foram negociar com as democracias sólidas e liberais do Irão e da Venezuela. O que deve ter dado dificuldades, porque, no caso da Venezuela, reconheceram um presidente que não é o que se encontra em funções. A FIFA, essa instituição cheia de valores, também fez a sua parte. Expulsou a Rússia de um Mundial que será jogado no Qatar, país que respeita os direitos das minorias e, principalmente, dos trabalhadores. Em princípio, depois do Mundial, também se fará a marcha LGBT, nesse país tão democrático. [Read more…]

13 Anos de Aventar :: 30 Março :: 2009/2022

Aventar: São muitos anos a virar frangos…

O blogue Aventar nasceu a 30 de Março de 2009 em pleno período áureo da blogosfera em Portugal. O Aventar foi sempre, desde a sua origem, um blogue onde coabitam autores de diferentes proveniências ideológicas. Hoje, no nosso 13º aniversário, partilhamos convosco algumas curiosidades do Aventar: 

Desde 2011* que o Aventar já publicou mais de 35 mil artigos de opinião, recebeu mais de 170 mil comentários dos leitores para um total de audiência que ultrapassa os 20 milhões de leitores entre 2011* e 2022. Olhando para as estatísticas dos meses de Março nos últimos 4 anos, estas mostram que o Aventar volta a subir as suas audiências (de pouco mais de 75 mil leitores em 2019 aos quase 100 mil este mês de Março 2022) numa tendência que já se vinha a acentuar desde o início do ano. Aliás, a pandemia veio reforçar as audiências do nosso blogue. Será uma tendência da blogosfera?

São diversificados os seguidores do blogue Aventar. No Twitter são mais de 2300 enquanto que no facebook já se ultrapassaram os 13 mil. Entre os subscritores diários via wordpress e email já temos mais de 1600 leitores que, todos os dias, recebem notificação dos textos publicados. E de onde chegam, maioritariamente os nossos leitores? Do Google e das redes sociais.

E de onde são os nossos leitores? Em primeiro lugar, de Portugal e de forma destacada. Em segundo lugar, do Brasil e em terceiro dos Estados Unidos. Já tivemos leitores de todos os países do Mundo, segundo o WordPress. Contudo, das Ilhas Falkland, das Antilhas Holandesas, de Quiribati e de Monserrate apenas um visitante. Temos que melhorar os nossos conteúdos para crescer nestes territórios 🙂

Eu já por aqui ando desde 2009. Parece que foi ontem. Obrigado José Freitas pelo convite para esta casa. Obrigado Ricardo por a teres criado e me deixares andar por aqui.

 

*todos os dados estatísticos apresentados são posteriores a 2011. Infelizmente, foram perdidos os dados de 2009 e 2010.

A Caminho de 30 de Março – IV

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

A Caminho de 30 de Março – III

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

A cegueira da “esquerda” pelo ódio à NATO

Fonte: epa

Os embaciados óculos ideológicos de certa esquerda de aquém e além mar, para a qual a adoração da imagem inimiga – no caso, a sem dúvida censurável NATO, –  é superior à sua capacidade de empatia, humanismo e respeito pela soberania dos povos, levam, por estes dias, adeptos seus a pronunciarem-se sobre a guerra na Ucrânia com as conhecidas adversativas e propostas de rendição da Ucrânia.

Taras Bilous é um historiador ucraniano, activista do grupo Sozialny Ruch (Movimento Social) da organização do Movimento Social e editor da revista ucraniana de esquerda Commons.

Pouco depois do início da guerra, Taras Bilous escreveu “A letter to the Western Left from Kyiv”, na qual comunica a uma parte da esquerda do Ocidente o que pensa sobre a sua reacção à agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Deve ler-se na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos: [Read more…]

A Caminho de 30 de Março – II

A 30 de Março de 2009 nascia o Aventar. No próximo dia 30 de Março de 2022 vamos festejar 13 anos de blogue Aventar. Convosco.

Gestores, precisam-se. Vergonha, também

No lançamento do jogo com o Boavista, instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre não ter sido – e normalmente não ser – “possível conciliar, na mesma época, uma campanha europeia de relevo e a conquista da Liga”, Sérgio Conceição foi taxativo: falta dinheiro.

Referia-se ao trajecto – penoso – ao longo do fair-play financeiro e aos 514,5 milhões de passivo, aos capitais próprios negativos de 200,198 milhões, consubstanciados nas perdas de 205,185 milhões na gestão dos últimos quatro anos.

Aliás, na impossibilidade de chegar com luz ao fim do túnel, em gestão normal, enquanto não encontra o ansiado parceiro internacional, interessado em investir no capital da SAD (lembre-se que a SAD portista já teve capital espanhol na estrutura accionista), o Departamento Financeiro vai praticando, em tabuleiros menores, empréstimos obrigacionistas que possam empurrar com a barriga para a frente o reembolso do mútuo anterior, seduzindo os investidores com um ganho de 1%, se trocarem obrigações do anterior empréstimo por obrigações do actual. [Read more…]

Podemos ou Vã Glória de Mandar

Podemos no es en estos momentos una organización ni democrática ni mucho menos plurinacional – Meri Pita, deputada eleita pelo Unidas Podemos na hora em que abandonou a militância, El País, 24 de Março

Agora que temos um novo governo em Portugal e que António Costa, um político com MUITA sorte se livrou do seu Podemos (o Bloco), Sánchez começa o seu caminho das pedras que vai levar Espanha, não tarda nada, a eleições antecipadas.

São constantes as quezílias entre ministros(as) do PSOE e do Podemos. Constantes. As duas últimas bastante graves. Uma profunda divisão sobre a invasão da Ucrânia (o Podemos começou por ter uma posição parecida com a do PCP em Portugal e reafirmou a sua oposição à NATO) e agora sobre a questão do Saara Ocidental (neste caso o PSOE esteve mal, muito mal e apanhou tudo e todos de surpresa). Ora, o Podemos não percebeu o que aconteceu ao PCP e ao Bloco em Portugal e está a empurrar Sánchez e o PSOE para uma tomada de posição similar a que Costa e o PS tomaram em Portugal. E umas eleições antecipadas agora apenas servem ao PSOE e ao VoX. Com o PP em processo de renovação e o Podemos desacreditado (e cada vez mais odiado, diga-se) pode o PSOE conseguir um milagre idêntico ao de Costa e o VoX reforçar, ainda mais, a sua posição de terceira força espanhola com possibilidade de até, pasme-se, chegar a segundo partido mais votado. Uma verdadeira tragédia.

 

PSD: o problema do original e da cópia

O PSD, através da JSD, decidiu colocar este outdoor. A cópia ao estilo IL é por demais evidente. Será isso um problema?

Podia até nem ser. Uma boa cópia até pode ser valorizada. Só que a questão é outra: a mensagem é absolutamente de nicho. A esmagadora maioria das pessoas vai olhar para o cartaz sem fazer a mínima ideia do que raio é a “Succession”. E a minha questão é um pouco mais simples: o objectivo do PSD agora é falar para os nichos? Um partido que se quer líder da oposição e o maior partido do centro direita vai dedicar o seu tempo e os seus recursos a falar para a malta do twitter? É esse o caminho? Cheira a despiste…

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