A variante mais perigosa de todas

A marca Covid, reconhecida mundialmente como líder mundial da promoção do medo, é uma mina infinita de volumes monstruosos de dinheiro. Como tal, há que não deixar a vaca parada a pastar; urge ordenhá-la com o vigor que os benefícios exigem. Como tal, já foi anunciado um novo modelo de Covid. As autoridades já revelaram que se irá chamar Omicron® e terá todas as funcionalidades da versão anterior – como tosse, garganta dorida e desaparecimento, com o olfacto, de qualquer tipo de razoabilidade e lógica – mas apresenta também algumas actualizações à versão original, que a tornam particularmente notável. Este anúncio surge com um precioso timing, a tempo da campanha pelos boosters obrigatórios para todo o mexilhão. Apesar de ter surgido em África – alguns rumores sussurravam que teria sido no Botswana – a marca aconselha a que a origem não seja classificada como africana, por transparecer preconceito racial. Alguns críticos da especialidade já se desfizeram em elogios – como é o caso de Alexander De Croo, primeiro-ministro belga e consultor financeiro de profissão – que já classificou este modelo de Covid como “Covid-21”, pela sua incrível capacidade de propagação. Sajid Javid, secretário da Saúde britânico, foi ainda mais longe e adiantou que tudo indica que o Omicron® se trata da variante mais perigosa de todas. Esta consideração pode assemelhar-se a uma pueril tentativa de propagação de pânico, com adjetivação infantil e linguagem de bicho papão. Mas não se faça confusão; é apenas a opinião imparcial de um especialista maravilhado com a qualidade do produto.

Esta nova versão do Covid vem com alguns features de interesse maior. O que mais me saltou à vista foi definitivamente este:

O Omicron® vem com esta irresistível particularidade: oferece toda a gama de efeitos nefastos de qualquer vacina experimental do mercado. O leitor poderá estar a indagar-se a que se deve então a autêntica explosão de problemas cardiorrespiratórios na população, algo bem espelhado nas complicações do foro cardíaco que grassam o mundo do desporto nos últimos meses, fenómeno que está a começar a ficar difícil de varrer para debaixo do tapete, porque a lista vai já em centenas de ocorrências, a maioria resultando em morte, e ainda há um número cada vez maior de “celebridades”, maiores ou menores, a sofrer de problemas que é razoável assumir terem resultado da injecção mandatória.

Pois acontece que os efeitos do Omicron® são tão potentes – não é por acaso que esta é a variante mais perigosa de todas – que pode apresentar efeitos retroactivos. Indivíduos que ainda não padeciam de Omicron® faleceram já de problemas cardíacos decorrentes de futura infecção. O futuro está aqui, meus amigos. Qualquer associação de complicações cardíacas com a vacinação em massa, e não com a nova variante do Botswana, é uma linear negação da Ciência e todos os seus pilares.

Alguns haters da marca começaram já a lançar maliciosos rumores sobre o novo produto. Não passam, naturalmente, de invejosas carpideiras e provocadores negacionistas. Vejam, por exemplo, o que ousou dizer Angelique Coetzee:

Estamos claramente perante críticas encomendadas pela concorrência. A marca roga-vos então para que não acreditem no que pensam ver, não acreditem no que pensam ouvir, não acreditem no que pensam concluir. Acreditem neles, e só neles, que tudo farão para nos levar a porto seguro. Mas não prometem nada. Ou não se tratasse esta da variante mais perigosa de todas.

Em Tavira: Disneylândia para idosos à custa da agricultura local

Mais um exemplo do desprezo dos governantes – neste caso do Ministério da Agricultura e da DRAP/Algarve, com a conivência da Câmara de Tavira – pelos cidadãos e pela (pequena e média) produção agrícola local e, simultaneamente, exemplo gritante da fossanguice pelo negócio: Em vez de Centro de Experimentação Agrícola, o CEAT de Tavira vai ser capturado para, entre outros, passar a albergar um „Campus“ no qual pessoas idosas usarão videojogos desenhados pela Marvel e pela Disney para manter as suas capacidades físicas e cognitivas. Não é piada. Em compensação, o edifício que devia continuar a apoiar os agricultores locais através da formação, deixa de ter lugar nestas instalações.

Estão em causa “cinco a seis milhões de euros”, que serão financiados com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “já disponibilizadas e que poderão ser reforçadas com outras verbas do PRR e outros fundos europeus”.

Acho que chegámos ao pináculo do absurdo.

Aqui fica a nota de imprensa do Movimento de Cidadãos em Defesa do CEAT:

Centro de Experimentação Agrária em Tavira ou Health Club?

Agricultores e cidadãos organizam marcha de protestoo CEAT também é dos Agricultores” a acontecer no dia 03 de Dezembro pelas 16h00, com início frente à Câmara Municipal de Tavira e fim frente ao Centro de Experimentação Agrária de Tavira (junto à estação de comboios de Tavira).

Convoca-se a participação de tod@s.

Esta manifestação decorre enquanto se discute o plano estratégico nacional da política agrícola comum (PEPAC).

Cidadãos, Agricultores biológicos e pequenos e médios agricultores tradicionais marcam presença.

Agricultores e cidadãos reivindicam infraestruturas de apoio no CEAT, espaço público do estado português tutelado pelo Ministério da Agricultura. Denunciam destruição do conceito de “centro agrário” e a total deturpação do propósito histórico para o qual foi desenvolvido este espaço que conta com 95 anos de existência. Exigem que a Delegação do Sotavento da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve apoie e sirva os agricultores os quais são justamente os garantes da segurança alimentar e da produção dos produtos que alicerçam os valores e princípios da apregoada Dieta Mediterrânica e da alimentação sustentável, afirmam, encontram-se em “vias de extinção” e enfrentam inúmeras dificuldades, nomeadamente a falta de suporte e infra estruturas públicas que assegurem a formação de agricultores e trabalhadores agrícolas no âmbito de cursos práticos de poda, enxertia, apicultura, horticultura, fruticultura, máquinas agricultura, competências ligadas às cadeias de produção e comercialização, bem como de carências no que concerne à aprendizagem de práticas mitigadoras das mudanças climáticas no âmbito duma agricultura regenerativa, biológica ou tradicional, só para mencionar algumas.

Para já os agricultores ficaram “sem casa”. O actual plano para um novo Pólo de Inovação para a Alimentação Sustentável (Terra Futura) privilegia na prática todo o tipo de entidades, actividades e interesses menos os interesses dos agricultores e de uma agricultura realmente sustentável, preservadora da biodiversidade e produtora de alimento bom, limpo e justo. Cidadãos de várias cidades do Algarve e do País já confirmaram presença na marcha de protesto que está marcada para o próximo dia 3.

Na sessão ocorrida ontem (dia 24 de Novembro de 2021), de apresentação da nova  arquitectura para o Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT),  como polo de inovação, foi tudo muito bonito mas para os agricultores não há lugar naquela que deveria ser a casa dos agricultores, de apoio a todos os agricultores. O edificado que é historicamente para a formação dos agricultores passa para a ABC Biomedical Center e porventura o restante edificado é entregue a outras “entidades” sem qualquer ligação direta à agricultura, não tendo sido dada nem uma palavra para a formação e para estruturas de suporte às actividades de agricultores.

Ficamos a saber que a antiga estação agrária de Tavira vai receber um campus ligado à dieta mediterrânica, mais um centro digital de bem-estar e cuidado no envelhecimento.  Através de um protocolo assinado entre a Algarve Biomedical Center, a autarquia tavirense e a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, atribuem a essa clínica o edifício que sempre serviu para dar formação aos agricultores. Esse  edifício  foi historicamente o local da formação dos agricultores, porque  tem condições e está vocacionado para tal: tem cantina, sala de convívio, quartos para alojamento, 30 hectares de terra para praticar. Nele se realizaram cursos de tratoragem, de podas, jornadas, intercâmbios, concursos, convívios e trocas de experiências.

Mais, divulgamos informação que não foi mencionada na sessão de anteontem mas que está explícita na TERRA FUTURA – Agenda de Inovação para a agricultura – GPP : o pólo de alimentação saudável de Tavira é o único pólo não agrícola do país!  Supomos que na sequência de decisão unilateral da Capital do nosso país que pretende continuar a olhar o território Algarvio como um grande resort turístico. Denote-se que também o Algarve já não tem curso de agronomia no pólo do INIAV- Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, apesar de conter inúmeras tradições agrícolas centenárias e nichos de mercado específicos dadas as suas condições climatéricas.

Como se pode constatar no mesmo documento, comparativamente ao sucedido noutros pólos de inovação existiram 0 (zero) processos de auscultação pública no Algarve. Na apresentação do programa destaca-se o primordial envolvimento da população e produtores,  que aconteceu em todo o lado,  menos no Algarve. A apresentação do processo de decisão como democratico e que incorpora os cidadãos e produtores nas decisões é falso, nunca foi feito no Algarve, e sabendo a DRAPAlg da existência de um movimento para manter parte do CEAT activo e debruçado no desenvolvimento da agricultura sustentável e agroecológica de acordo com os objectivos ODS, vemos agora que a UE, os agricultores e cidadãos consumidores foram enganados, num teatro de consulta democrática que só aconteceu na teoria. Na prática as decisões de utilização do espaço foram centralizadas e desviou-se para a nutrição e gerontologia os parcos recursos dedicados ao desenvolvimento do sector de pequena agricultura e agricultura agroecológica. Portanto: desvio de verbas e não auscultação pública e real. Informamos que este movimento somente soube que o edificado, que era destinado a dar apoio às actividades de agricultores, passava para o ABC Biomedical Center durante a sessão protocolar de dia 24 no CEAT.

Em anexo seguem as respectivas imagens da apresentação do projecto do GPP. Denotem, apesar de vir incluído na dita agenda, claramente o pólo de Tavira não se enquadra, nem aparece no mapa das cadeias de valor e inovação – no Algarve apenas aparece o centro do Patacão.

Por via do PRR, o programa de inovação da Agricultura dispõe de “ 36 milhões para renovação/requalificação de 24 polos da rede de inovação, capacitando-os em termos de infraestruturas e equipamentos de forma a dar resposta aos desafios que se avizinham, na sua área de especialização. O Aviso N.º 01/C05-i03/2021 foi lançado no passado dia 9 de setembro e o período de candidatura decorre até o dia 31 de Março de 2022.O IFAP é o beneficiário intermediário e os beneficiários finais são as entidades a quem está afeto o património do Pólo da Rede de Inovação.” Por via desta e de outras medidas, o PRR destina ao todo 92 milhões de euros para a inovação da Agricultura, porém e no que concerne à arquitectura por agora desenhada para a revitalização do CEAT/Pólo de Alimentação Sustentável, de tamanha verba não é destinado nada na prática para infra estruturas e equipamentos de suporte à especialização de agricultores.

Na sessão de anteontem todo o discurso foi sobre alimentação, mudanças climáticas, importância das cadeias curtas de comercialização, segurança alimentar, alimentação de proximidade e sazonal, com alimentos da época; mas em todo este discurso e no âmbito daquilo que serão as estruturas do novo pólo de inovação praticamente não se ouviu uma medida estrutural de suporte aos agricultores, para aqueles que podem garantir um leque variado de alimentos a nível local. Para esses que estão em “vias de extinção”, ou para os que querem iniciar essa actividade e que se deparam com um preço exorbitante da terra, bem como com imensos desafios, porque mesmo que recorram a apoios institucionais, têm que ter capital inicial para investir.

Em Tavira, a valorização e o  preço da terra subiu de 100% no espaço de dois anos e 2400% no espaço de uma década. Dados do último recenseamento agrícola indicam que há menos 15 mil explorações activas apesar do aumento da superfície agrícola útil. Ou seja, perderam-se pequenos e médios agricultores, mas as áreas de agricultura intensiva de sobreexploração e o interesse dos investidores, principalmente estrangeiros, sequiosos de recursos globalmente escassos como solo, água e clima não pára de aumentar.

Ora para que exista a produção de alimentos em pequena escala e multiproduto, para garantir a tão propalada segurança alimentar, tem que se criar condições para que os agricultores produzam, ou sequer existam. Um dos maiores problemas na agricultura actual é o da formação e da existência  de pessoal que saiba trabalhar na agricultura. Estarão a acabar com o conceito de “posto agrário”? a alimentação sustentável é alicerçada em quem? com produtos variados de onde? quem é que sabe trabalhar hoje em dia para produzir a alimentação apregoada? o CEAT transformou-se de centro agrário em centro de alimentação? e essa alimentação é proveniente de quem? e como é que é produzida?

Talvez a primeira ideia que se deveria ter equacionado projetar para aquele espaço fosse a criação de um pólo de formação profissional (género escola agrícola) ou ainda um politécnico (género escola superior agrária) onde houvesse ao mesmo tempo serviços de apoio aos agricultores da região.

É inadmissível Tavira estar tão afastada da formação dos jovens e do apoio aos agricultores, tomando em linha de conta a importância estratégica que já teve no passado, ao nível da região do Algarve, e das infraestruturas que o CEAT possui direcionadas para investigação, apoio e preservação de património agrícola, mas também tendo em linha de conta o presente actual e um futuro a longo prazo.

Defendemos a existência do centro de dieta Mediterrânea. Mas não podemos aceitar que, num centro de formação e experimentação agrária uma das primeiras acções a cumprir seja dar o edifício dedicado à formação dos agricultores (não só de Tavira, mas da região e até do país), e outros edifícios, a diversas entidades, SEM sequer terem estabelecida a logística e a calendarização para o suporte e formação dos agricultores;  isso é a demonstração de que os  discursos repetem o que no momento “fica bem” dizer, mas as decisões continuam no sentido de gastar o dinheiro sem ter em conta o que é fundamental para que o país ganhe independência alimentar e para que os benefícios fruam para  todos os cidadãos. Falam em “alhos” e as decisões são sobre “bugalhos”.

Se o Movimento de Cidadãos em Defesa do CEAT conseguiu travar a estrada para ali proposta pela Câmara Municipal – trata-se de contar a história correctamente – também irá conseguir o seu objectivo principal, a Revitalização do CEAT como centro de experimentação agrária.

Tavira, 26 de Novembro de 2021

Movimento de Cidadãos pelo CEAT e Hortas Urbanas de Tavira

 

 

25 de Novembro, sempre!

Hoje é dia de celebrar uma das datas mais importantes na nossa democracia e que continua a ser lamentavelmente deixada de lado. O 25 de Novembro simboliza a resistência democrática contra aqueles que queriam tirar Portugal das mãos do povo e colocar nas mãos de Moscovo.

Infelizmente, temos uma parte da direita que glorifica esta data ignorando a importância do 25 de Abril e temos uma esquerda, cada vez mais alargada, que faz questão de defender que o 25 de Abril é muito mais importante, mesmo quando ninguém coloca isso em causa. É claramente um mau a perder por não terem conseguido o real objetivo das forças mais radicais.

Mais do que celebrar esta data, não nos devemos esquecer de todas as atrocidades antidemocráticas realizadas nesse período, nas vozes que foram caladas. Tempos em que havia esquerda e a direita que a esquerda permitia que houvesse. Um democrata não pode aceitar isto.

Estamos em 2021 e a luta pela liberdade e pela democracia está inacabada. Os nossos standards devem ser mais exigentes do que no passado e devem ser menos exigentes do que no futuro. A democracia e a liberdade são bens tão importantes e frágeis, que faz parte da sua natureza estarem em perigo. Antes um exagero pela defesa da liberdade do que espasmos em defesa de um Estado todo poderoso. Continuamos um país atrasado, que dá pouca importância às suas liberdades.

Portugal é um país que protesta que todos os políticos são maus, mas teima em aceitar que estes tenham cada vez mais poder para mandar na vida das pessoas. Os políticos são maus, mas aplaudimos que possam decidir, sem critério, os nossos meses.

No dia em que celebramos o dia em que evitamos cair nas mãos comunistas, sabemos que voltamos a um confinamentos disfarçado, porque é para o nosso bem. Como se um pequeno grupo de pessoas soubesse o melhor para todos do que as próprias vítimas desta hipocondria.

Defendamos a liberdade, gente.

A lógica da batata austríaca

A Áustria iniciou esta terça-feira o segundo dia de um confinamento que durará duas semanas e que tem como objectivo conter o aumento de casos de covid-19. O país tinha decretado um confinamento para quem não estava vacinado, o que tinha já levado a um aumento maciço de pessoas nos centros de vacinação. Mas o chanceler, Alexander Schallenberg, disse que não chegou. “As medidas mais recentes aumentaram a vacinação diária, mas não o suficiente.” [PÚBLICO]

Portanto, não vacinados não podiam circular para não infectar. Sobraram os vacinados à solta mas o contágio não parou. Conclui-se uma de duas coisas. Ou a polícia austríaca é ineficaz a controlar os não vacinados e estes continuaram a sair de casa ou os vacinados transmitem a doença e a perseguição aos não vacinados é parva.

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Don’t tread on him!

Esta semana, temos de celebrar o choro da fake media, da esquerda e de todos os que alinham com as agendas dos lobbies que usam a violência para defender as causas do bem. Kyle Rittenhouse foi considerado inocente, como só poderia ser. Perante organizações de extrema-esquerda, alimentadas por radicais que não olham a meios e pelo silêncio de quem não quer ser vítima de um cancelamento em grupo, poucos conseguem condenar os protestos violentos, mas facilmente apontam o dedo ou calam-se quando falamos de um jovem que agiu em legítima defesa. Se o Kyle já não estivesse entre nós, diriam que não podemos generalizar os protestantes e que acidentes acontecem.

Kyle Rittenhouse, nos seus 17 anos, apenas por se defender, atirando sobre indivíduos que o agrediram, aguentou aquilo que quem faz do ódio a sua maior causa nunca enfrentará.

Agora, que nunca se cale. Que não volte a passar por momentos como estes dos últimos dias, que bem devem custar. E que processe cada jornal, cada canal e cada pessoa que o difamaram.

Don’t tread on him!

Heil

Li por aí que poderia até ser bom para dar termo à farsa: quando a comunidade for composta exclusivamente por pessoas que se sujeitaram à injecção experimental e estas continuarem a transmitir a doença e a falecer com a mesma, rapidamente a população se iria aperceber de que a segregação de um segmento da população – se razões precisavam para a rejeitar para lá das humanas, cívicas e morais – é epidemiologicamente injustificada.

Não partilho desse optimismo. Vivemos numa era em que a matemática dos números oficiais é esta: 100% da população portuguesa acima dos 65 anos está vacinada; a esmagadora maioria das mortes está neste sector populacional; mas o problema são os 0% que não estão vacinados. Vivemos uma era prodigiosa na arte do engodo massivo, em que tentam convencer simultaneamente os não-vacinados de que têm de se injetar, sob pena de perderem tudo o que têm na vida, porque a extrema eficácia da mistela é imprescindível no combate à doença; e os vacinados de que têm de tomar mais doses, porque as que tomaram não tiveram grande eficácia. Isto enquanto o Parlamento Europeu se prepara para conceder indeminizações às inúmeras cobaias que tiveram o azar de, eivados de medo ou em busca da liberdade que lhes foi ilegitimamente roubada, sofrerem os efeitos físicos severos de uma terapia sem segurança.

Há uns tempos, eu previ que mais cedo ou mais tarde iriamos estar a falar de certificados segregadores sem sequer referir a doença que os originou. Isso deixou de ser um cenário hipotético. Na Áustria, um teste negativo – o suposto comprovativo de que o indivíduo não carrega a vírus, pelo menos é esse o motivo pelo qual me obrigam a recorrer à zaragatoa – não permite a livre circulação. Só mesmo a sujeição ao tratamento experimental leva a que nos seja concedida a carta de alforria, mesmo sendo um axioma da narrativa de que vacinados transmitem e apanham o vírus. Este axioma – necessário para a perpetuação do sistema vigente, mas que acarreta explícitas contradições – é frequentemente acomodado com um subjectivo “mas muito menos!”, sem que se vislumbre a menor sustentação factual para tal adenda.

Às massas hipnotizadas – tão lestas a pregar empatia comunitária aos negacionistas – são irrelevantes os factos, é perigosa a divergência e é indiferente o sofrimento humano, se este se limitar às minorias dissidentes. Primeiro vieram buscar os comunistas e eu não disse nada, pois não era comunista….vocês conhecem o poema.  Pobres incautos: voluntariamente escravizados, julgam ser verosímil viajar de obediência em obediência até à liberdade final.

SMN: um elogio ao governo das esquerdas

A maioria dos meus artigos tem em comum serem extensos e críticos contra a classe política. Este será um pouco extenso, mas para destacar o que entendo ser o feito mais positivo dos governos das esquerdas.

Portugal tem sido muito mal gerido, não só mas também pela classe política. Ainda assim acho que todos os governos deixaram algo positivo. De forma sucinta e focando-me apenas no positivo, tentarei partilhar o que guardo na memória de cada um. [Read more…]

Energia, autarquias e comunidades

“Somos donos da nossa energia” é o lema da Coopérnico, que visa trazer energia renovável para mais perto dos cidadãos. Nesse sentido, vai publicar o guia “Comunidades de energia“ e realizar eventos sobre Co-criação de Comunidades de Energia em Portugal: o papel das autarquias

A Energy Cities, uma rede de mais de mil municípios europeus (incluindo vários em Portugal) cuja missão é apoiar o processo de transição climática nas cidades, e a Coopérnico CRL, a primeira cooperativa de energias renováveis em Portugal a comercializar eletricidade, irão publicar a tradução portuguesa do guia “Comunidades de energia: um guia prático” e, no contexto do seu lançamento, vão organizar a conferência e workshop “Co-criação de comunidades de energia em Portugal”. 

Podem inscrever-se aqui para o evento online, que se realiza a 3 de Novembro e para as sessões presenciais em Vila Nova de Gaia, que terão lugar no dia 17 de Novembro.

Se não gosta das boleias que o estado português deu e dá à EDP, informe-se sobre alternativas.

Não ao Cartão do Adepto!

Infelizmente, vamos com mais de dois meses de futebol na atual época e a maior agressão à liberdade individual dos adeptos alguma vez vista continua em vigor. Continuamos a ter os adeptos divididos entre potenciais criminosos que têm de ser perseguidos através de um chip e os que não. Neste momento, levar uma bandeira, uma faixa ou um instrumento de sopro para um estádio de futebol só é permitido se o Governo souber onde andas. E se tiveres menos de 16 anos? Não podes levar uma bandeira de qualquer maneira, porque nem podes entrar nas zonas para quem tem Cartão do Adepto.

 

Ao contrário do que previa, confesso que os adeptos portugueses estão a dar uma excelente resposta. As zonas do Cartão do Adepto estão ao abandono. Os próprios grupos estão a resistir como podem, contornando a lei feita às três pancadas. Tal como já nos habituou, o Estado português adora importar ideias que não resultam. Mas desta vez, já não sou eu a dizer que o Cartão não resulta. É a realidade que o diz. [Read more…]

Vende-se coerência a um cêntimo

Na passada quinta-feira, dia 7, António Costa garantia na Assembleia que “era uma política correta não reduzir os impostos sobre os combustíveis”, porque “A emergência climática é uma emergência todos os dias”.

Passada uma semana o Dr Costa vem dizer que sim, afinal dá para baixar. E é já amanhã. Até era para ser hoje ao fim do dia, mas ele levou um assado ao forno e não pode ir tratar do cêntimo. Mas amanhã não falha! O tal cêntimo descontado no gasóleo vai acontecer. A emergência climática pausou e os ursos atingidos pelo degelo das calotas polares terão prioridade nos T3 “a custos controlados” que Medina prometeu e Manuel Salgado carimbou antes de ter aquelas chatices que às vezes a PJ arranja para estorvar o percurso natural da evolução socialista. 

O que mudou? Não sei, mas acredito nada ter a ver com
 medo perante o amontoar de sinais de insatisfação vindos estes dias dos portugueses. Absolutamente não. Um líder convicto como o Dr Costa não recua nem desata a tartamudear assim à toa.
Deve ter sido outra razão, outra e boazinha, que levou o Dr Costa a ir de Greta Tundberg a Toneca Guterres em coisa de uma semana. É acreditar, ir atestar e aproveitar o cêntimo.

A ganância e a rédea solta que lhe dão, ou seja, a questão é: porque é que as offshores são legais?

Foi publicada ontem uma nova investigação internacional pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) – do qual o jornal Expresso é parceiro -, sobre evasão fiscal e branqueamento de capitais. As revelações são baseadas na maior fuga de dados fiscais de sempre, 600 jornalistas de 117 países colaboraram na investigação. O enorme conjunto de dados inclui 11,9 milhões de documentos de um total de 14 fornecedores de serviços financeiros. Dele constam os nomes de numerosas celebridades, políticos e bilionários, demostrando que a evasão fiscal e a criminalidade financeira continuam em grande escala, através de empresas de fachada e trusts.

Entre os visados, destacam-se figuras como o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskiy, o rei Abdullah II da Jordânia ou o primeiro-ministro checo, Andrej Babis.

Também os ministros das finanças do Paquistão e Holanda têm laços com empresas offshore, assim como ex-ministros das finanças de Malta e da França – incluindo o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn.

E claro, também há portugueses envolvidos nos Pandora Papers, como Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, Nuno Morais Sarmento, vice-presidente do PSD e ministro nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e Vitalino Canas, secretário de Estado nos governos de António Guterres. [Read more…]

O Tratado que bloqueia a transição energética: TCE

Está a decorrer de 28 de Setembro a 1 de Outubro a a sétima ronda de negociações para a “modernização” do Tratado da Carta da Energia (TCE). Um Tratado que protege as petrolíferas e condena os estados a pagar muitos milhões. Os 53 países que o assinam abdicam da sua soberania legal e aceitam ser processados por empresas em tribunais arbitrais. Portugal é depositário.

Hoje mesmo, tem oportunidade de saber mais sobre o TCE e as suas nefastas implicações, às 19h, via zoom, neste link.

O evento conta com o especialista Martin Dietrich Brauch, Investigador Jurídico no Columbia Center on Sustainable Investment (CCSI), da Faculdade de Direito e do Instituto da Terra na Columbia University, em Nova York. Não perca!

O rating de schrödinger

As agências de rating, para este leigo que vos escreve, têm a credibilidade de uma Stratton Oakmont. Vocês poderão não se lembrar, mas eu ainda me lembro dos triplos A do Lehman Brothers, que faliu fez esta semana 13 anos. A Moddy’s manteve o rating até ao dia anterior ao colapso.

Não obstante, a opinião das agências da rating é bastante valorizada, no contexto das economias capitalistas, pelo que o anúncio da Moddy’s, que decidiu subir o rating da dívida soberana portuguesa e alterar a perspectiva para “estável”, estará, seguramente, a ser celebrada do lado direito do espectro.

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A América depois do 11 de Setembro através da Frontline

Nos vinte anos do 11 de Setembro, a Frontline apresenta mais um excelente documentário. O “America after 9/11” atravessa as duas décadas entre a queda das torres e a saída do Afeganistão.
Aqui podemos constatar ou relembrar como a administração W Bush, Cheney e Rumsfeld conseguiu que os EUA perdessem a solidariedade global através da sede de guerra, erros militares primários, Guantánamo e mentiras criminosas como as WMDs de Saddam. Seguiu-se Obama e uma esperança efémera após este quebrar promessas eleitorais e dar luz verde ao uso descontrolado de drones ou a trágica saída do Iraque com regresso imediato mas já sem conseguir travar o avanço do ISIS.

Outro ponto fulcral assinalado – mas sempre ignorado por vários analistas – passou pela perda de confiança na imprensa, co-responsabilizada p.e. pelas mentiras das armas de destruição maciça de Saddam.

Noutros documentários podemos também constatar as irresponsabilidades, mentiras e crimes cometidos antes, durante e depois da crise financeira que se seguiu a falência da Lehman Brothers em 2008. Uma crise que se juntou a de 2001 e que envolveu quase os mesmos responsáveis e atingiu praticamente as mesmas pessoas.

“It´s convenient to say that Donald Trum broke America. No, America was broken and so, Donald Trump became president”.
É desta forma que um dos entrevistados se refere a ascensão de Trump. A explosão de ódio nas ruas e o divisionismo é também aqui retratada da mesma forma, sem deixar de vincar as responsabilidades, mentiras e o jogo duplo de Trump em relação ao Afeganistão.

O “America after 9/11” (legendas em inglês) dura duas horas e meia e sintetiza algumas das causas que levaram ao actual estado em que se encontra aquela que foi considerada na década de noventa como “a nação indespensável”.

 

America After 9/11

Que descanse em paz

Enquanto autarca, Jorge Sampaio bateu-se pelo fim das barracas na sua cidade. Teve quase sempre uma postura discreta mas concreta em acções de solidariedade. Timor deve-lhe também muito. Soube várias vezes mobilizar pessoas de diversas áreas e perfis e foi um dos poucos (se calhar dos últimos) capaz de buscar o consenso, fazendo-o de forma sensata e sem espalhafato. Mais haveria a realçar, mas fico-me por aqui.

Sobre a “bomba atómica” de 2004, eu não consigo reduzi-lo a esse episódio, apesar de marcante. E acho triste que persista uma cultura de se analisar a espuma e sem foco nos responsáveis. Nem vou mencionar o facto inegável de que o governo de Santana estava podre na governação e frágil na opnião pública.
Sampaio merece algumas críticas sobre esse período, mas não a fatia de leão da responsabilidade.
Porque Sampaio não tem culpa de que o aparelho do PS não quisesse Ferro Rodrigues para PM.
Mas o pior e acima de tudo: não foi Sampaio que fugiu (fugir o verbo) para Bruxelas!
É o que é. E 2004 não é só o que Sampaio foi. Paz a sua alma.

sexualidade, religião, ética, riqueza e liberdade. Tudo deles, nada vosso.

José Magalhães, um destacado militante socialista referiu-se a Paulo Rangel da forma que se vê. E fê-lo por uma razão muito simples: ele pode, os dele também. Os outros não.

Como Fernando Rosas outrora também pôde.

Porque eles podem.
A esquerda do bem, e outros só por ela autorizada, podem.

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Frutos vermelhos ásperos e amargos

Os governantes portugueses e o seu amor pelo negócio a qualquer custo:

„Enquanto o aumento da área de culturas cobertas de plástico prossegue na região, a seca toma contornos dramáticos: “O baixo Mira está a secar, as plantas aquáticas morrem e os biótopos desaparecem” em nome de um negócio de “247 milhões de euros com frutos vermelhos para serem servidos ao pequeno-almoço na Europa”, realça o semanário alemão.

Face ao diagnóstico da Der Spiegel, o JPS refere que o ímpeto agrícola descrito só é possível porque o “Estado português abdicou de cuidar e vigiar partes muito significativas do seu território, permitindo a instalação de interesses que não devolvem nada à região e que estão em completa contradição com os valores que se pretendem proteger” no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.“

Da mesma maneira que se andou a destruir as cidades costeiras do Algarve com prédios abomináveis, agora destrói-se a terra e a sobrevivência com estas culturas e práticas execráveis.

O legado desta geração é vergonhoso.

Deixem os funcionários públicos em paz

Não compreendo aquela malta que às Segundas, Quartas e Sextas quer mais polícias nas ruas, médicos e enfermeiros nos hospitais e técnicos nos vários sectores da administração pública, e às Terças, Quintas e Sábados rasga às vestes porque existem funcionários públicos a mais. Já é tempo de alguém lhes explicar que não é possível querer tudo e o seu contrário. Os países europeus que ocupam o topo de todos os rankings que interessam têm mais funcionários públicos que Portugal. Muitos mais. Aliás, a esmagadora maioria dos Estados-membros da UE têm mais funcionários públicos que Portugal. O problema não são os funcionários públicos. O problema é critério que privilegia as clientelas partidárias de quem manda, a quem os caciques pagam lealdade e favores com tachos.

E se os chalupas que tentaram agredir Gouveia e Melo fossem de esquerda, Ventura?

O que se passou há dois dias com o vice-almirante Gouveia e Melo é a ilustração perfeita do quanto a extrema-direita defende os interesses dos militares, e das forças de segurança em geral, que é nada, excepto quando a defesa desses interesses se cruza com os interesses pessoais se André Ventura. Imaginem que o vice-almirante era cercado por uma manifestação de esquerda, ainda que pequena e insignificante como aquele ajuntamento de chalupas que ontem vimos, sendo igualmente insultado como ontem foi. Ventura e as venturettes teriam rasgado todas as vestes do armário de onde saíram. Como foram negacionistas, importante base de apoio dos neofascistas, nem um pio se ouviu ou leu da parte do Bolsonaro português. Nem vai ouvir, pelo simples facto de que Ventura se está perfeitamente nas tintas para militares, policias ou quem quer que seja. Para Ventura existe apenas Ventura. Nada mais.

Usemos o pedacinho de poder que temos nas mãos

Este post é um apelo, uma súplica: dentro do possível, compre alimentos produzidos localmente, sazonais e em modo de produção ecológica; no supermercado, olhe para os rótulos; se não houver rótulo, pergunte. Insista. Reclame. Faça escolhas que encurtem a cadeia de valor, compre regional. Se conseguir, compre directo do produtor ao consumidor (há cada vez mais produtores que fazem entrega de cabazes). É difícil? É. Porque tudo está montado para concentrar o poder nas grandes cadeias de intermediários e na produção intensiva, à custa de precariado.

A forma que temos de cortar as vazas a estes políticos irresponsáveis e à sua paixão pelo meganegócio é consumirmos responsavelmente. Produção, transformação, distribuição local dos alimentos é um contributo para a urgente transformação deste modelo económico de globalização obtusa em que andamos há anos, importando carne de suíno do Canadá (CETA) e exportando aquela que produzimos para a China. Uma aberração só possível devido às externalidades (subsídios e não contabilização das emissões que a produção e o transporte produzem) e porque não são consideradas normas (fitossanitárias, laborais, etc.) que são válidas para a UE, mas que lá longe já se acha que não são precisas.

Há uns dias fiz uma visita à Cooperativa Minga, em Montemor-o-Novo. Um projecto que aposta no local e na economia solidária e consegue vender na sua loja de produtos agrícolas e artesanais a preços idênticos ou até inferiores aos das grandes superfícies e promove várias actividades, tendo uma facturação total de €50.000 por mês. Fiquei a saber que a lã produzida localmente passou a ser exportada para a China e depois é reimportada, causando um forte aumento do seu custo enquanto, por outro lado, os produtores, que antes recebiam €1,50 por quilo, passaram a receber 0,25cc; e também que sendo a região de Montemor uma das maiores produtoras carne, só pode vender carne viva, por não haver um único matadouro.

É absurdo, não é? E essa mesma UE que se considera líder no combate às alterações climáticas, continua a aprovar e implementar PACs (Política Agrícola Comum) e acordos de comércio (EU-Mercosul entre tantos outros) que atiçam o fogo para a destruição do planeta.

De Portugal, sabemos como estão a aumentar as explorações agrícolas superintensivas que alavancam as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a escassez e a poluição de água, a degradação do solo e a resistência aos antibióticos, além de fazerem uso de trabalho precário.  E vai tudo continuar no mesmo sentido nos próximos longos cinco anos.  A ministra da agricultura aposta na alteração da alimentação do gado para diminuir as emissões de gases com efeito de estufa produzidas pela pecuária. Isto não é piada.

Não é fácil, mas contribuirmos com o nosso quinhão para a relocalização das cadeias de valor e comermos menos carne é o nosso pequeno contributo para criarmos nichos de resistência contra a insanidade de quem nos governa. Façamos o que podemos.

Imagem: Campanha alemã denuncia a destruição ambiental causada pela agricultura superintensiva no Alentejo e Algarve e o uso de trabalho precário e pede boicote a produtos assim produzidos.

quatro décadas de merda

Uma mulher de Portimão, presa desde Agosto de 2019 viu a sua pena ser suspensa pelo Supremo. Com 67 anos, estava condenada por tentativa de homícidio do marido, um acto que cometeu em defesa da sua vida e dos seus filhos. Condenada inicialmente a seis anos, acabou por ser libertada esta semana. Mas pouca será a verdadeira liberdade. [Read more…]

Otelo – mais uma vaca no milho

Na minha terra natal de Vale de Cambra utiliza-se amiúde a expressão “mais uma vaca no milho” para definir algo que é rotineiro ou previsível. Para mim a morte de Otelo é apenas isso, mais uma vaca no milho. Qualquer pessoa sensata sabe do seu papel no 25 de Abril e nas FP-25 e seus crimes horrendos. Mas a morte de Otelo não me causou nem comoção nem alegria. É um simples rodapé.
Preocupante é este padrão e mais esta prova de que pouco se apurou naquele período revolucionário, poucos foram responsabilizados e que no fim se seguiu o caminho fácil deixando correr várias verdades e aplicando-se pouca justiça.

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A traição aos povos é uma constante histórica – África do Sul

Jacob Zuma desbaratou ignobilmente a África do Sul. Revolvem-se as entranhas, ao ver esta reportagem.

E as KPMGs e as McKinseys deste mundo arrebanham poder e seguem auditando e “aconselhando” negócios e governos.

Uma pessoa, às vezes, não consegue encontrar maneira de saber onde ir buscar um pingo de esperança para enfrentar esta trampa toda.

P.S.- Já agora, ali ao lado, em Moçambique:

Dívidas ocultas: “É uma questão de tempo até que Nyusi seja chamado”.  Caso das dívidas ocultas chega aos tribunais de Moçambique em agosto.

“Ainda hoje estava a ler argumentos da Privinvest, do mesmo julgamento das dívidas ocultas que está a decorrer em Londres, e eles reafirmam que pagaram dinheiro a altos funcionários do Estado e inclusivamente ao Presidente Nyusi.“

“Segundo o Centro de Integridade Pública (CIP), “dois milhões de moçambicanos foram empurrados para a pobreza absoluta, de 2016 a 2019″, por causa do maior escândalo financeiro do país, que envolve cerca de dois mil milhões de euros.”

 

Milhões perdidos em corrupção e os governos não têm vontade de lhe pôr fim…

Todos os anos, a União Europeia perde 904 mil milhões de euros por causa da corrupção. Portugal perde anualmente 18 mil e 200 milhões de euros. É o equivalente a 10 vezes o orçamento da Justiça e mais de metade do orçamento da Saúde.“

Porque… o crime compensa e a vontade política de o cercear é pequenininha. Eu é que sou muito estúpida quando insisto com os vizinhos que para as obras efectuadas no condomínio devemos pagar o IVA.

P.S.:

 Escassez de recursos afeta estratégia anticorrupção

A Comissão Europeia considera que não se verificaram “grandes desenvolvimentos no que se refere ao quadro institucional anticorrupção em Portugal” desde o relatório do ano passado. A “Estratégia Anticorrupção 2020-2024” foi aprovada pelo Governo de António Costa e aguarda, de momento, a votação na Assembleia da República. Esta medida visa “atender a uma necessidade de longa data de criar uma estrutura anticorrupção robusta”.

O Governo propôs ainda outras medidas para garantir um tratamento mais eficaz dos casos complexos de corrupção, mas apesar dos esforços para melhorar o histórico de investigações e processos por corrupção, a Comissão Europeia refere que “as autoridades do Ministério Público consideram a falta de recursos para a polícia e o Ministério Público uma preocupação”.

De acordo com o relatório foi aprovada, em 2019, uma nova alteração ao sistema de declaração de ativos, “mas a entidade de transparência encarregada de verificar as informações ainda não está operacional”. Além do mais, aponta o documento, os recursos “atribuídos ao Conselho de Prevenção da Corrupção permanecem limitados”.

Bruxelas frisa ainda que os riscos de corrupção, como conflitos de interesse, “no âmbito da pandemia Covid-19, foram objeto de várias recomendações a nível nacional”.

Isto chama-se o quê? Conivência?

A salada de intervenções e a linearidade simplista – em Moçambique

No passado dia 12 de Julho, o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia aprovou uma missão de treino militar e apoio logístico e financeiro do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para Moçambique – tudo isto com fraca legitimidade democrática, nomeadamente à margem de qualquer debate no Parlamento Europeu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, veio ufanamente anunciar que a Presidência Portuguesa se “empenhou muito” no “lançamento” da missão de formação militar da União Europeia (UE) em Moçambique (…)”.

Maior o contentamento porque a missão militar será chefiada por um brigadeiro-general do Exército português (Nuno Lemos Pires).

Outra coisa não era de esperar de uma diplomacia que põe as relações entre os chefes acima dos direitos e aspirações dos povos. Numerosas análises já demonstraram que o que se passa em Cabo Delgado tem causas que vão muito além de violência “jihadista” do Estado Islâmico.

„Se, de facto, quisesse ajudar a população de Cabo Delgado, o Governo português, com apoio do secretário-geral da ONU, deveria ter tido coragem e dado o exemplo, posicionando-se contra a corrente dominante de belicistas. Isso implicaria que Portugal tivesse tido a coragem de usar a influência da UE para enfrentar o corrupto GoM, apelando à implementação de todos os meios pacíficos de resolução do conflito, em vez de usar quase exclusivamente o trunfo militar.“

Forças do Ruanda, SADC e UE irão agora formar uma “salada de intervenções militares” – como lhe chama a ONG moçambicana CDD (Centro para a Democracia e Desenvolvimento) – e há fundados receios de „que o conflito se agrave e arraste durante anos, à custa da população civil.“

Quantas voltas mais se quer dar a um tratado anacrónico antes de o atirar pela borda fora? Ou: defendam o Planeta, acima do negócio

É a sexta ronda de negociações sobre a modernização do Tratado da Carta da Energia que está a decorrer de 6 a 9 de Julho.

Há mais de um ano que a UE anda, supostamente, a tentar compatibilizar este tratado da última década do século passado, que protege os combustíveis fósseis, com o acordo de Paris. Em vão. São 55 membros e alterações substanciais exigem unanimidade. Informações “vazadas” sobre a anterior ronda de negociações realizada de 1 a 4 de Junho passado, mostram que não há “avanços substanciais“ quanto à eliminação da protecção aos combustíveis fósseis. Países cuja economia depende em grande medida dos mesmos, como o Cazaquistão, rejeitam liminarmente passos para a eliminação da protecção especial (ISDS) a esses combustíveis, largamente responsáveis por emissões com efeito de estufa.

Perante este impasse, a Comissão Europeia parece estar com vontade de “flexibilizar” a sua posição para procurar “possíveis compromissos”, agarrando-se a um tratado obsoleto, que está a bloquear a tomada de medidas dos governos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, através de tribunais privados exclusivos nos quais as multinacionais exigem indemnizações milionárias, a pagar pelos cidadãos (ISDS). Foi o caso dos Países Baixos, que estão a enfrentar processos de milhares de milhões por terem decidido eliminar progressivamente o carvão para a produção de energia até 2030. [Read more…]

Para o meu tio.

Na passada terça-feira, faleceu João Figueiredo, membro português do Tribunal de Contas Europeu. Foi Juíz Conselheiro do Tribunal de Contas, Secretário de Estado da Administração Pública, Diretor dos Serviços Prisionais, Presidente do Instituto de Reinserção Social, Chefe de Gabinete do Ministro da Justiça e Chefe de Gabinete do Secretário de Estado adjunto do Ministério da Justiça.

No meio de tanto prestígio, trabalho e mérito, João Figueiredo teve o azar de levar este rapaz que vos escreve como sobrinho. Irmão do meu pai, o meu Tio era um exemplo para mim. Pela capacidade de trabalho, pela forma como se preocupava com aqueles que o rodeavam, com a gestão de tempo que fazia… Acreditem: eu perguntava como é possível ele ter 24 horas apenas nos seus dias.

Cada dia que passa torna este vazio mais difícil de aguentar. Esta ideia de que não poderei voltar a desafiar os limites de pensamento com ele para ouvir um “ó Francisco Salvador”.

No meio de tanto dever que tinhas, cada momento contigo parecia que tinhas preparado durante anos. Vivias os momentos e sabias viver.

Ainda me lembro quando fui a Leverkusen alimentar o vício da bola. Estava em Colónia com uma amiga. Estavas no Luxemburgo com a minha prima e o namorado dela. Vieste do Luxemburgo a Colónia para nos buscar, fomos a Aachen e depois a Maastricht. Voltaste a deixar-nos em Colónia. O que nos rimos nessa viagem. Até o “Ana Maria” do Trio Odemira metemos para ouvir o verso fantástico “os beijos de mel que estavam cheios de fel”.

Mas ficaram muitos museus para vermos. Ficaram muitos monumentos para admirar. Ficaram muitas cidades para visitar. Ficou muita arte por ser interpretada. Ficaram muitas piadas por fazer.

E conselhos também, mas aí era diferente. Tinhas a capacidade de me colocar a questionar-me, sem que tivesses uma influência direta. Davas-me o teu ponto de vista, sem intenções que eu ficasse do teu lado. Ajudavas-me a apurar o meu espírito crítico. E discordávamos tanto. Gostava de discordar de ti. Gostava de te questionar. De ver a tua capacidade de criar pontes, de ver o outro lado e encontrar pontos comuns.

E foi um orgulho para mim ver tanta gente a dizer isto mesmo no dia da tua despedida. O impacto que tinhas nas outras pessoas é inqualificável.

Dedicaste-te sempre aos outros. Fosse no sofá da sala ou na mesa da cozinha, num ministério, num tribunal, na Igreja, em Portugal ou na Europa: foi sempre pelo bem comum. Estiveste do lado certo. Abraçavas as lutas certas. Não há voto de pesar ou bandeira nacional que tenha ido contigo que se aproxime minimamente aos ensinamentos que me deixaste. Vou-me tentar portar bem. Agora, por motivos de agenda, não dará. Mas voltaremos a estar juntos para comer uma sandes de salmão.

Obrigado, tio. Faz boa viagem.

 

Censurar a imprensa, e outras metodologias neofascistas do Chega

Na manifestação convocada pelo Chega – que é o mesmo que dizer “pelo André Ventura” – em frente à residência oficial do primeiro-ministro, onde uma imensa multidão de 150 pessoas, mais facho, menos facho, protestaram contra as medidas de combate à pandemia, o novo normal neofascista repetiu-se: um jornalista do Expresso foi impedido de fotografar a manifestação pela segurança de André Ventura e retirado do local à força, mesmo nas barbas de Ventura, sem que o deputado da nação mexesse uma palha para salvaguardar o direito daquele profissional a exercer a sua profissão. Nada que surpreenda. Não é a primeira, nem a segunda vez, e, seguramente, não será a última, a menos que se começam a meter os extremistas do Chega na ordem, como não aconteceu na manifestação do Movimento Zero.

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Illustrated – Russian Journey by Robert Capa and John Steinbeck

As coisas que eu encontro nas minhas tralhas, quando ando à procura de outras.

Estava eu à procura de uma caderneta de racionamento dos tempos da Segunda Guerra Mundial, e dei com esta revista “Illustrated” de Maio de 1948:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O exemplar, apresenta-nos uma reportagem feita por uma dupla excepcional: Robert Capa (fotógrafo) – que o nosso João L. Maio recentemente evocou -, e John Steinbeck (escritor):

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O Cotrim mentiu-nos…

E o Público também. Recentemente, surgiu uma notícia do Público a alegar que o João Cotrim Figueiredo “não vê porque não repetir modelo dos Açores” com PSD e Chega. Vá lá, meteram as aspas até Açores, mas este título trata-se claramente de mais uma tentativa de descredibilizar a IL e colocá-la como braço direito do Chega. Não há uma entrevista que seja feita ao líder da Iniciativa Liberal sem uma referência ao Chega. Se querem escrutinar o trabalho da IL, ao menos que se faça com verdade. Questionem o porquê da abstenção em medidas pró-LGBT, por exemplo. Que já agora também discordo, porque deveria ser voto contra, visto que orientação sexual nunca deve ser um fator de desempate. Achar que a IL é contra LGBT é quase o mesmo que achar que a IL é contra aviões ou bancos. Questionem a abstenção em relação à audiência do Rui Pinto. Tenta coisa que têm, mas a única forma que encontraram para tentar melindrar liberais é falar do Chega. Ora, liberais dão palco a fachos por irem a umas palestras, mas trazer o Chega para a conversa todas as entrevistas é mero escrutínio.

Depois disto, ainda há pessoas que não perceberam o que se passou nos Açores. Não percebem que o acordo da IL é apenas e só com o PSD. Querem um desenho? Então tomem um desenho. Pode ser que seja desta.

E agora chegamos à parte mais grave. Cotrim mentiu-nos e não há como fugir às evidências. Ainda em tempos de legislativas, Cotrim disse não se juntar ao Chega.

Mais tarde, diz o mesmo numa entrevista ao Expresso.

Desta vez, não foi o JCF, mas sim Tiago Mayan a afirmar que não há hipótese para iliberais.

E agora, chegamos à mentira. JCF disse no Polígrafo SIC que seria a última vez que afirmava que não haveria acordos nenhuns com o Chega.

Ora, pois… É mentira. Infelizmente, repetiu dia 17/05 com Miguel Sousa Tavares.

E como se não fosse suficiente, ainda repete na RTP1, no 5 Para a Meia Noite.

Felizmente, temos esta excelente recolha do Myles. Para deixarem de perguntar e mentir sobre as posições liberais, talvez o Cotrim tenha de tatuar na testa “Chega é merda”.

Espero que da próxima vez, não haja resposta. Obviamente, virão os donos da virtude dizer que quem cala consente, mas não há motivo nenhum para repetir isto. Lamentável que os OCS dêem tanto palco a um partido como o Chega que apenas tem um deputado. Mas depois, os mesmos que acham isto normal são aqueles que gritam normalização a cada esquina.