Aos jovens da minha Terra

Sou o Francisco Salvador Figueiredo, tenho 21 anos, estou matriculado em Filosofia – sim, “matriculado” é a palavra certa – e estou a trabalhar em Karviná (República Checa) num projeto de voluntariado com crianças deficientes. Não, isto não é uma apresentação nos Alcoólicos Anónimos. Estejam descansados.

Nasci no Porto, vivi no centro do Porto desde os 10 anos e ainda tive uma passagem por Lisboa. Sim, faço parte dos privilegiados, seja lá o que isso for. Sempre me interessei por política. Era defensor da Marisa Matias em 2016, porque a história de vida dela e a sua qualidade em unir pessoas de várias cores políticas me fascinavam. Simpatizava com o Bloco, porque tinha 16 anos, queria igualdade, liberdade e tudo na paz. Entretanto, as minhas ideias foram caminhando para a direita e desde aí já pensei muita coisa, mas instalei-me rapidamente no Liberalismo. Atualmente, considero-me um liberal em toda a linha, focado no indivíduo e na liberdade como um bem em si mesmo. No entanto, este texto não é para falar da minha ideologia, é um texto dirigido para as pessoas da minha geração.

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José Sócrates, democracia e o monopólio da promiscuidade

João Miguel Tavares, uma das vozes mediáticas que mais ferozmente tem esmiuçado e criticado José Sócrates ao longo dos (pelo menos) últimos 15 anos, no último Governo Sombra:

É fácil ser corrupto, é muito difícil provar a corrupção. Portanto eu acho que todos os indícios que estão na acusação são indícios muito sólidos, mas, de facto, a solidez esbarra em algo que é ainda mais sólido, que é a dificuldade de provar coisas em função daquilo que é a lei portuguesa no que diz respeito à corrupção. E isso é que é muito assustador.

Faço parte do grupo de pessoas que está absolutamente convicto que José Sócrates é culpado da maior parte dos crimes que lhe são imputados pelo Ministério Público. E só não digo todos porque não integro o amplo grupo de pessoas que leram as 6728 páginas da decisão instrutória de Ivo Rosa, nos 15 minutos que se seguiram à leitura do resumo pelo juiz do Ticão, depois de terem analisado a acusação ao mais ínfimo detalhe, para concluir que o Ministério Público fez um excelente trabalho e que a única explicação possível para o revoltante desfecho da instrução é o facto provado de que Ivo Rosa reside no bolso das moedas de José Sócrates. Ao contrário dessas pessoas, não tenho dados objectivos que me permitam saber se Ivo Rosa favoreceu deliberadamente José Sócrates. E acho formidável que se simplifique um problema destes, que é estrutural e está na raiz do regime, muito maior que a Operação Marquês, porque é preciso encontrar um bode expiatório instantâneo para direccionar a raiva das massas. Desta vez foi Ivo Rosa, noutras ocasiões foram advogados, procuradores ou outros magistrados. E enquanto se lincha o juíz, quem escapa em toda a linha abre garrafas de champanhe na Comporta, e já ninguém quer saber deles. Da parte que me toca, quero agradecer a Ivo Rosa por ter liberalizado e oficializado algo que já todos sabíamos mas que, finalmente, ouvimos da boca de um juíz: que José Sócrates é corrupto. E não será a prescrição do crime que alguma vez mudará isso. José Sócrates é corrupto.

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Sócrates de todo o mundo: uni-vos!

Queria aqui propor um soleníssimo minuto de silêncio, em memória da credibilidade daquela malta que está em ebulição desde ontem, motivada, com razão, com o desfecho da decisão instrutória da Operação Marquês, mas que apoia, que defende, que normaliza e que pactua com autarcas corruptos e com a corrupção instalada no poder autárquico, de norte a sul do país, ou porque “são todos iguais”, ou porque o filho tem um tacho na câmara, ou porque a mãe fez um ajuste directo com a junta, ou pelo raio que os parta. 52% das denúncias por corrupção neste país têm origem nas autarquias, segundo dados de 2019 do Conselho de Prevenção da Corrupção. A esmagadora maioria das denúncias é arquivada e nem chega sequer a ir a julgamento. A denúncias que vão terminam igualmente arquivadas ou com penas suspensas. Parabéns a todos eles! Nenhum destes pequenos Sócrates autárquicos poderia algum dia chegar a marquês local sem o seu inestimável contributo. A corrupção agradece os seus contributos.

Pirata André Ventura num mar de Rosas

Ainda o doutor Ivo ia a meio da sua homília e já se ouvia dizer que “quem ganha com isto do Sócrates é o André Ventura”.
Ora bem, ontem mesmo na RTP, a Sandra Felgueiras desmontou mais uma negociata envolvendo a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Está tudo lá naquela reportagem. Mais de oito milhões de euros queimados através de ajustes directos com empresas criadas a pressão, ligações familiares, cunhas e mentiras a rodos. O deboche envolve mesmo uma factura de 260,000€ para um centro de imprensa que ainda não foi utilizado. Augusto Santos Silva garantiu que o contracto “era público para quem o quer consultar”. Mas não era público. Será quando muito púbico, público não é de certeza. O ministro garantiu ainda que “tudo foi feito de forma transparente”. Aqui concordo. Os esquemas são as claras e parentes não faltam.
Mas a preocupação de muita gente é o Chega! e o André Ventura. A sério?
Em parte, eu entendo e lamento que o Chega! aparente ser a única alternativa. Tal não é verdade dado que existem outras alternativas a pocilga do bloco central e dos partidos pajen que os apoiam. E são estes partidos que têm de ser confrontados. Estes e não o Chega!
Pode não dar tanto like, exigir mais trabalho, custar algumas avenças e até amizades. Mas é a vida.
Já enoja esse discurso cheio de arrogância onde nos tentam fazer acreditar que o Ventura é o único perigo para a democracia. Não é. Nem é único, nem sequer o principal.
Eu sei que não é bonito de se dizer e por isso repito-o: O Chega! não é o maior perigo para a democracia.

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Liberais e o Estado, parte 35

Por acaso, o assunto do dia ainda é o caso de José Sócrates, que ontem foi comentado num episódio especial no nosso blogue e que já teve direito a postas bastante certeiras. No entanto, houve uma notícia no jornal Nascer do Sol que não passou despercebida a muitas pessoas de Esquerda, incluindo o meu estimado João Maio, que não faço ideia que calçado usa. (É assim que se faz para vocês pensarem que um de nós vai acabar expulso, não é?) [Read more…]

Sócrates foi corrompido mas não faz mal: o caso prescreveu e não se fala mais nisso

Foram mais de três penosas horas de leitura do longo resumo do gigantesco processo. Durante a mesma, Ivo Rosa lá nos explicou que ou está tudo prescrito, ou não foi produzida prova suficiente que permita sustentar grande parte das acusações, ou não houve intenção, ou não é possível estabelecer uma relação entre os milhões que por aí circularam – e que, estranhamente, foram aparecer nas contas de Sócrates e Carlos Santos Silva – e qualquer acto ilícito. No fim da linha, eis-nos pois, perante o habitual cenário: os poderosos voltaram a safar-se do crime que verdadeiramente interessava: o de corrupção. Isto apesar de Ivo Rosa ter assumido que Sócrates foi corrompido. Parafraseando uma antiga procuradora, “Portugal não é um país corrupto”. Ficamos todos muito mais descansados.

Segue-se um julgamento com tudo para dar em nada, durante o qual Sócrates, Salgado, Santos Silva, Armando Vara e João Perna responderão por crimes menores (quando comparados com o crime de corrupção). Mas, pior que isso, segue-se um perigoso aprofundar do descrédito em que caiu a justiça, que, por não funcionar com os Sócrates e os Salgados desta vida, passa a ser considerada, por cada vez mais pessoas, como um todo inútil e ineficaz, pese embora o seu bom funcionamento noutras áreas. Até nisto, Sócrates, Salgado e restante pandilha são um cancro social: não só se safam, como descredibilizam ainda mais as instituições, que há muito se arrastam pelas ruas da amargura.

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PodAventar: Rescaldo caso Sócrates :: Hoje 23h45

A não perder, hoje, pelas 23h45 um podcast especial sobre a decisão instrutória do juiz Ivo Rosa no caso Operação Marquês. Com a participação de José Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá, Orlando Sousa, António de Almeida e Francisco Salvador Figueiredo.

Um podcast sem filtros do PodAventar.
(foto retirada do site do Observador)

TCIC 122 – Decisão Instrutória :: Ivo Rosa

Pode ler aqui as mais de 6000 páginas que fundamentam a decisão do Juiz Ivo Rosa:

TCIC 122 Decisão instrutória

Quotas? A discriminação do bem.

Estava a fazer uma passagem pelo Twitter e deparo-me com este título de uma notícia: “Plano contra o racismo prevê quotas para acesso de alunos de escolas desfavorecidas às universidades”.

Antes de tudo, admiro-me que estas quotas sejam inseridas num plano contra o racismo. Só há “alunos de escolas desfavorecidas” não-brancos? Há desfavorecidos privilegiados? Sinceramente, esta parece ser a pior forma de racismo de todas: é quando vem disfarçado de igualdade. Esta ideia presume que uma pessoa tem mais ou menos condições, em princípio, pela sua etnia. É um insulto a pessoas de etnias que seriam beneficiadas, pois há uma elite pseudo-antirracista que considera que necessitam de um empurrão. E é também um insulto a quem não seria beneficiado, pois colocam nos ombros destas pessoas o sentimento de que apenas são o que são pela sua etnia, como se não tivessem de trabalhar. [Read more…]

Que comunicação na comunicação de crise em Saúde pública: o papel dos meios de comunicação social (MCS)?

(Autora convidada: Professora Isabel de Santiago, Professora Convidada e Investigadora em Comunicação em Saúde Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UL)

Os dias de pandemia vieram trazer à arena da sociedade politica nacional e mundial os dilemas e os paradigmas sobre os quais os investigadores e teóricos da comunicação em saúde (CS) se debruçam diariamente: sejam em planos de intervenção para reduzir risco em situação epidémica ou pandémica ou, numa esfera mais caseira, na politica de promoção da saúde e prevenção da doença (PSPD), cujo exemplo mais elevado e recente é o do Governo Regional dos Açores, criando um inteligente pilar de desenvolvimento (humano). Veremos aqui, como se desenharam e desenham os caminhos dos MCS.

Nos últimos 50 anos do século XX, desenharam-se grandes teorias de CS que se atravessaram de forma corajosa e invadindo de forma avassaladora os mundos encriptados das ciências da saúde, da medicina, da psicologia, até da enfermagem. A comunicação em saúde não é senão a maior e melhor ferramenta da saúde pública. Pensarmos que todos têm competências para, começa por ser o erro número um. E o erro número 2, e o maior deles, tomar esta área científica como um arremesso de instrumentalização política. O que se aprendeu no terreno com a doença por vírus Ebola, em países lusófonos, dos quais destaco todo o território da Guiné Bissau1, foi  literalmente esquecido com esta pandemia da SARS-CoV2. Ela veio mostrar como a sociologia comportamental dos políticos e a psicologia de determinados egos destruiu aquilo que deveria ser uma mensagem chave singela para os diferentes públicos-alvo, considerando as diferentes idiossincrasias regionais deste País, verdadeiramente vulneráveis. Sem acesso a nada: internet, satélite, televisão por cabo, SMS, jornais ou o que queiram. Os povos deste país, são pobres. São humildes. Sofrem de uma elevada iliteracia em saúde e os maiores responsáveis são os agentes políticos que (des)comunicam saúde para se ouvirem e (des)informarem os seus (inter)pares.

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Extrema-direita e negacionistas: um bromance de ódio ignorância e oportunismo

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2020 alerta para aquilo que só ainda não viu quem não quis: que a extrema-direita e os negacionistas da pandemia se aproximaram. Que andam, na maior parte dos casos, de mão dada.

Para além da ameaça que isto representa para a segurança de todos os portugueses, da nação e da própria democracia, existe uma outra perversidade nesta questão, que consiste em arrastar consigo um debate que pode e deve ser feito, mas que está minado pelo negacionismo, embrulhando, na mesma bola de neve, chalupas irresponsaveis e pessoas bem intencionadas, que questionam, com toda a legitimidade e rigor, várias opções que foram e estão a ser feitas, no domínio social e económico.

É preciso separar as águas. É preciso que quem levanta questões pertinentes não seja confundido com malucos doutorados por páginas “da verdade”. Até nisto, a extrema-direita, ela própria a viver uma fase de negacionismo científico que é anterior à pandemia, é um vírus para o qual urge encontrar uma vacina. Nunca a nossa democracia esteve tão ameaçada. E não são as medidas de confinamento, aplicadas em todas as democracias liberais europeias, a causa do problema. Essas são temporárias. O problema são aqueles que pretendem aplicar outro tipo de medidas de confinamento. Permanentes.

Se a aldrabice pagasse imposto

Por vezes, aparece menos polido, tal como Louçã apareceu há semana e pouco. Por outras, aparece mais polido, como hoje apareceu o João Maio. Mas nunca se deixará de notar no fanatismo ideológico típico do Bloco. Mais um chorrilho de mentiras e que não admira ninguém. Porquê? Porque o Bloco não passa disto. O Bloco faz lembrar as Produções Fictícias, que tinha um lema parecido com “contra factos, arranjamos argumentos”.

Sempre que quiserem visitar um resumo da cartilha bloquista sobre o que os liberais querem para a saúde é visitar o texto do João, que nem conhece o meu gosto por calçado.

O modelo que os liberais defendem para a saúde não caiu do céu. Existe e resulta em vários países europeus. Por muito que o João gostasse que assim fosse, a IL não defende o modelo dos EUA.

A IL defende que acima do lucro, de ser privado, público, etc, está a saúde das pessoas. No entanto, a esquerda está a marimbar-se para a saúde das pessoas, porque é mais importante provar que um modelo falhado funciona.

Até a socialista Marta Temido assumiu que é necessária uma melhor colaboração entre todos os setores. O maior adversário do socialismo, talvez maior do que o liberalismo, é a realidade.

Se temos filas e filas de espera deve-se as péssimas políticas públicas que excluem privados das soluções como se não fossem úteis. Enquanto os liberais querem alargar as hipóteses de escolha, não aumentando a despesa pública, o Bloco pretende aumentar a despesa num modelo mais do que falhado? Parece que sim. E para isto, é necessário criar espantalhos como se a saúde deixasse de ser um direito com o modelo liberal.

O João decide ainda dar um ar da desonestidade a que o Bloco nos habituou e pegar num caso isolado que aconteceu num hospital privado. Foi de facto algo desumano e que não aconteceria se não tivéssemos o privado reservado a ricos. Mas é preferível criar filas de espera intermináveis do que recorrer a todos meios disponíveis. Ou isso, ou o João quer privados a trabalhar de graça. Enfim, é toda uma realidade paralela em que se agitam umas bandeiras fáceis com as mentiras habituais sobre os liberais. Até o termo liberal tentam deturpar.

Os anos passam, a realidade mantém-se: o Bloco não consegue largar os seus preconceitos.

Quando a ideologia é a mentira

No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais. Como o Bloco padece de uma qualidade argumentativa terrível repleta de lugares comuns e bandeiras fáceis como se fossem influenciadores de Instagram, tem de recorrer aos fantasmas que cria para tentar atacar o maior adversário do coletivismo que alimenta o Bloco há mais de 20 anos: o liberalismo.

Uma semana torna-se invulgar se não aparecer alguém desta esquerda a repetir as mentiras de sempre sobre liberais, beneficiando da memória curta das pessoas. Os liberais começaram por explicar a sua ideia para a saúde de uma forma pouco clara, pelo menos para o Bloco, mas a cada vez que isto acontece, os liberais tornam-se mais claros. Mais meia dúzia de meses e vemos liberais a explicar a sua ideia para a saúde com bonecos da Playmobil. [Read more…]

15 de Abril de 2009

Foi a 15 de Abril de 2009. A minha primeira vez.

Quando me perguntam o que mais gosto no Aventar respondo com uma simples palavra: Liberdade. Por sinal, a palavra mais bela. A palavra com sentido.A palavra para expôr ao vento.

Arrepiante!

Há uma ligação muito especial das estruturas de alguns clubes ao próprio clube. A Real Sociedad e o Athletic Bilbao são exemplos disso. Calhou ser a Real Sociedad a levar a Taça para casa e o treinador deu-nos esta pérola. Este exemplo de amor ao clube. Isto é Futebol no seu estado mais puro.

Gisberta Salce Júnior

Em 2006, Gisberta Salce Júnior foi assassinada na cidade do Porto. Gisberta era uma mulher trans e foi vítima de um crime de ódio. Aqui podem ler a História.

O meu Porto, a minha cidade mui nobre e leal, sempre teve valores de resistência ao ódio e ao totalitarismo. Foi o Porto que resistiu contra o absolutismo no século XIX e, mais recentemente, foi o Porto que deu o maior NÃO a André Ventura. Este crime não se enquadra nos valores mais básicos que uma sociedade civilizada deve ter. Muito menos os do Porto.

De pouco vale, porque a Gisberta não voltará, mas ela merece uma homenagem digna e merece saber, esteja onde estiver, que o Porto não tolera o ódio. Esta foi a casa da Gisberta.

Para quem leu sobre o crime, tudo parece ter sido tenebroso. Tenha sido, ou não, motivado pelo ódio, foi com certeza uma atrocidade e aquela pessoa esteve em agonia durante muito tempo. Teve outro condão: o de chamar a atenção para a transexualidade, trazendo o debate à sociedade portuguesa.
Por tal, sim. Faz sentido homenagear a Gisberta, mesmo que certas senhoras na assembleia municipal considerem que “não fez nada pelo Porto”. Sim, é verdade que enquanto pessoa individual, a Gisberta, enquanto cá esteve, não fez nada de mediático na cidade; mas foi uma vítima (e diga-se que transexuais continuam a ser violentados e mortos todos os dias) que trouxe, pelo crime e pela sua identidade, um assunto estigmatizado para debate na praça pública. Rua Gisberta Salce Júnior no Porto, sim.

João L. Maio

Deixo-vos aqui o link para uma petição para atribuir o nome de Gisberta Salce Júnior a uma rua portuense.

Bela acção!

Um brinde às actividades da GALP em Cabo Delgado. A nossa energia cria distopia…

100 anos? Tanto tempo. 500? Foi há dois dias.

Holodomor para aqui, Holodomor para ali, Inês Melo Sampaio, Jurista na Comissão Europeia, disse isto:

E muito bem. Temos de ter prioridades e o combate à pandemia é uma delas. Não, espera, afinal…

Mais rapidamente se apanha um fanático do que um coxo.

Concessão das barragens da EDP: a anatomia de um golpe

Retóricas novilinguísticas sobre socialismos e liberalismos à parte, o caso da concessão das barragens no rio Douro pela EDP à Engie é um daqueles sinais, por demais evidentes, de um longo historial de vassalagem do Estado aos mais poderosos interesses privados. Este negócio, que remonta a 2019, traduziu-se numa venda na ordem dos 2.200.000.000€, estando sujeito ao pagamento de Imposto de Selo de 5% do valor total da transacção, os tais 110 milhões de euros de que tanto temos ouvido falar nos telejornais.

No ano seguinte, estávamos nós já demasiadamente ocupados com vírus e outras pandemias, o governo decide alterar o artigo 60 do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) alargando a isenção do Imposto de Selo a qualquer estabelecimento comercial, industrial ou agrícola que esteja abrangido por operações de reestruturação. E o que fez a EDP? Reestruturou-se.

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A oligarquia do Estado Português

Hoje é dia da mentira. É dia de dizer que o PS é de centro-direita, é dia de culpar o neoliberalismo pelo mal do nosso país, é dia de dizer que não vivemos afogados em impostos… Infelizmente, temos uma esquerda não-PS que constantemente abana estes fantasmas para que não se suje a sua pureza ideológica de igualdade e dos amanhãs que cantam.

 

Ontem, António Costa “anunciou que vai pedir a fiscalização sucessiva dos diplomas com novos apoios sociais que a oposição aprovou no Parlamento e o Presidente promulgou”. A razão que Costa deu é o facto de ser inconstitucional, pois aumenta a despesa fixada no Orçamento de Estado. Finalmente, temos um primeiro-ministro responsável e que tem um respeito máximo pela Constituição. Se fosse o mesmo PM que tínhamos em Abril de 2020, às tantas, dizia que era para manter os apoios “diga o que disser a Constituição”. Pelo menos foi o que esse disse sobre o confinamento. [Read more…]

Não confundir democracia com chalupice

Sábado, em Nicosia, centenas de cipriotas manifestaram-se contra as medidas de confinamento impostas no país e exigiram mais apoios do governo para conter a crise económica. Em todas as imagens transmitidas na peça da Euronews, e foram várias, todos os manifestantes – repito: todos os manifestantes – usavam máscaras. E fizeram-se ouvir, tal como a peça na Euronews demonstra.

Concordando ou não com as suas motivações, está é uma manifestação com a qual simpatizei, como simpatizo com qualquer manifestação cujo objectivo seja o de lutar por mais dignidade, liberdades, direitos, garantias ou por qualquer outro reforço da democracia. Porque ela não foi suspensa, mas o respeito pela segurança e pela saúde dos outros não pode ser submetido a devaneios ideológicos extremistas. Como não pode ser submetido a provocações baratas ou chalupices.

Imaginem que eu sou contra o limite de velocidade imposto por lei, contra as coimas aplicadas à condução perigosa ou contra o uso do cinto de segurança. E que eu, e outros palermas de igual categoria, decidimos fazer uma manifestação para acabar com todas estes limitações à nossa liberdade de sermos umas bestas rodoviárias. Isso dá-nos o direito de conduzir como uns loucos até ao local da manif, sem cinto, em excesso de velocidade e a fazer curvas em drift, até ao Rossio, pondo em risco o bem estar dos restantes? É claro que não. E não é preciso ser um rocket scientist para perceber isto.

Francisco Louçã, um negacionista?

Todos nós conhecemos Francisco Louçã, atual Conselheiro de Estado. Sabemos que tem uma obsessão pelos seus fantasmas neoliberais e que faz parte de uma classe desonesta que tortura a realidade até que ela fique a seu gosto. O próprio Francisco Louçã, que em pouco dignifica o meu bonito nome, teve também momentos infelizes em que tenta colar nomes como Friedman e Hayek a autênticos facínoras, recorrendo a citações totalmente descontextualizadas. Também foi apanhado a mentir sobre a taxa fixa proposta pela Iniciativa Liberal e foi ainda desmascarado por Mário Amorim Lopes numa troca de galhardetes que foi do Expresso ao Observador. [Read more…]

Brasil ultrapassa 300 mil mortes

Essa semana o Brasil ultrapassou a triste marca de 300 mil mortes e com récorde de mais de 3 mil pessoas mortas em 24hs. O país segue com escassez de vacina graças ao negacionismo fundamentalista.  Sumiço de doses, integrantes do poder público furando a fila da vácina, fome e desemprego atingindo fortemente moradores de Vilas e Favelas, uso de “tratamento precoce” (cloroquina e etc) causando necessidade de transplantes, enquanto o presidente inominável tenta hipnotizar a população repetindo o mantra que a responsabilidade não é sua.

No meio disso mais uma troca ideológica no Ministério da Saúde. Um show de incompetência, amadorismo e incapacidade (mental para álguns) em lidar com a pândemia. Salve-se quem puder.

 

Conspirai, conspiracionistas

Matthew Champion, editor da VICE, insinua que a rota do navio Ever Given, que está a bloquear o canal do Suez, levanta algumas suspeitas. Entretanto o preço do petróleo já subiu mais de 5% com o incidente, que continua sem fim à vista num dos canais mais importantes do planeta.

Problema n.º 4: António Oliveira

Como prometido, eis-nos de volta, passados alguns meses, com o problema n.º 4.

Portanto, resolvidos os problemas n.º 1, n.º 2 e n.º 3, descubra agora, sff, os elementos com os quais é nitidamente perceptível que, na redacção do Expresso, se escreveu este texto com os pés.

Mais um minutinho.

Já está?

OK.

SOLUÇÃO: [Read more…]

Azia? Toma lá poesia!

Desde a passagem do FC Porto para os quartos da Champions, o azedume geral acentuou-se. Como tenho respeito por todos, até por aqueles que não gostam de nós, não quero que falte nada. Neste dia especial, não vos vou deixar com fotos dos nossos troféus, dos nossos jogadores ou das nossas vitórias. Deixo-vos com o poema do nosso Hino, porque o que vos lixa mesmo é aquilo que somos. Longa vida! [Read more…]

Salvar o têxtil, reindustrializar Portugal

Estou no sector têxtil há 12 anos. Conheço bem, e por dentro, grandes marcas, pequenas confecções, retalhistas, centros comerciais, department stores, o luxo e o fast fashion, bem como o fluxo de matérias-primas e, sobretudo, a profunda dependência de todo o sector face à China, desde que o Ocidente democrático decidiu abrir-lhe as portas da Organização Mundial do Comércio, decisão da qual resultou, em larga medida, a destruição de grande parte do tecido produtivo de países como o nosso.

O resultado de anos de aprofundamento desta dependência, face a uma potência que não se rege pelos mesmos valores que as democracias liberais, onde, não raras vezes, o trabalhador se confunde com o escravo e os direitos laborais não passam de uma ficção – que muda e torna a mudar com um estalar de dedos no comité central – fez com que a China se tornasse mais “competitiva”, o que lhe permitiu ascender a uma posição monopolista, dominando, quase por completo, a manufactura e a produção de várias matérias-primas, tornando os sectores do têxtil e da moda totalmente reféns de regime totalitário chinês.

O que é que sucede?

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A Deontologia vai de Expresso

Segundo o nosso leitor A. Rebelo Reis, o actual director do Expresso, João Vieira Pereira, acumulou o jornalismo com a assessoria enquanto responsável pela estratégia de comunicação da Federação Portuguesa de Golfe.

Este nosso leitor apresentou uma queixa ao Conselho Deontológico da Carteira Profissional no passado dia 10 de Março:

Serve este email para apresentar participação contra João Vieira Pereira, atual diretor do jornal “Expresso”, por prática de atividade incompatível com a profissão de jornalista.
Entre 2012 e 2016, João Vieira Pereira integrou a direção da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), presidida então por Manuel Agrellos, como é facilmente comprovável neste Relatório e Contas da FPG:

http://portal.fpg.pt/wp-content/uploads/2017/09/RelatorioContas-2014.pdf

Na apresentação da candidatura, Agrellos admitiu que o então diretor-adjunto do Expresso e também diretor da revista “Exame” ficaria “responsável pelo desenvolvimento da imagem e divulgação da Federação Portuguesa de Golfe”:

http://portugalgolf.pt/paginas_212/noticias_varios_8_2012_04_02.htm

Tal situação colide com o art.º 3 do Estatuto do Jornalista: “O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de: (…) Funções de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem (…)”
De igual modo, parece não respeitar o artigo n.º 11 do Código Deontológico dos Jornalistas: “O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios suscetíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional.”
Alguém admitiria que um diretor do Expresso ou de outro jornal de referência fosse, por exemplo, membro da direção da Federação Portuguesa de Futebol, ficando responsável pelo “desenvolvimento da sua imagem e divulgação”?
Na mesma altura em que João Vieira Pereira era diretor-adjunto do Expresso e membro da direção da Federação Portuguesa de Golfe, o semanário distribuía um suplemento de golfe que chegou a noticiar a participação do seu diretor-adjunto num torneio de golfe patrocinado pelo jornal:

https://docplayer.com.br/33047696-Uma-equipa-do-expresso-vai-pela.html

Em 2016, João Vieira Pereira foi candidato a vice-presidente da Federação Portuguesa de Golfe na lista liderada pelo antigo ministro da Saúde Luís Filipe Pereira. A votação acabou, porém, por ser vencida pela lista adversária, liderada pelo atual presidente, Miguel Franco de Sousa.
Face ao exposto, solicito à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista que abra o competente processo de contraordenação para avaliar se a atividade desenvolvida por João Vieira Pereira durante o período em que integrou a direção da Federação Portuguesa de Golfe (2012/2016) é ou não compatível com a atividade de jornalista.

Melhores cumprimentos,

A. Rebelo Reis

Nos últimos tempos sucedem-se notícias nada agradáveis para o jornalismo em Portugal. Não sei se repararam mas, por exemplo, os telejornais da noite dos dois canais privados (SIC e TVI) misturam, cada vez mais, informação com peças “jornalísticas” a promover os seus programas de entretenimento.

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A semântica da eutanásia

O chumbo da lei da eutanásia pelo colectivo de juízes do Tribunal Constitucional, levou Francisco Rodrigues dos Santos e André Ventura a celebrar uma vitória que é sobretudo semântica: a inconstitucionalidade da nova lei assenta, fundamentalmente, no texto apresentado pelos deputados, e enviado por Marcelo para subsequente validação do TC, e não naquilo que é o objecto e o conteúdo da lei.

Enquanto agitavam as suas bandeiras e decretavam a derrota da maioria parlamentar, que incluiu BE, IL, PAN, Verdes, a maioria dos deputados socialistas e 14 deputados do PSD, Rodrigues dos Santos e Ventura não terão certamente dado ouvidos ao presidente do Constitucional, sobretudo quando este afirmou que “O direito à vida não pode transfigurar-se num dever de viver em qualquer circunstância”, algo que pode ser traduzido à letra como “ser humano algum deve ser obrigado a viver em sofrimento atroz, se assim não pretender”, ao que eu acrescentaria “apenas para servir os interesses ideológicos e religiosos de pequenos lobbies que se estão nas tintas para a liberdade individual de cada um”. O presidente do TC foi ainda mais claro, quando afirmou que a inviolabilidade da vida “não constitui obstáculo inultrapassável”. Posto isto, parece-me claro que, ultrapassada a questão semântica, a lei passará pelo crivo do Tribunal Constitucional sem levantar grandes ondas. É uma questão de tempo e de gramática.

Compete agora aos deputados dos partidos proponentes, rever os textos apresentados no hemiciclo e rescrever a lei de maneira a ultrapassar os obstáculos semânticos que a fizeram bater na trave do Constitucional, em particular o conceito de “lesão definitiva de gravidade extrema”. De resto, estamos no bom caminho: no caminho do reforço das liberdades e dos direitos civis. Já faltou mais para nos libertarmos desta amarra conservadora e egoísta, que reserva o direito à morte medicamente assistida apenas e só àqueles que podem pagar pelo privilégio de o fazer na Suíça, ou noutro país onde o procedimento é legal.

Pandemia climática

Um ano depois, a sociedade, a economia, a política e o mundo em geral continuam reféns da crise pandémica, resultante do surto da SARS-CoV-2, a.k.a. covid-19. Lá longe vão os tempos dos arco-íris, do “vai ficar tudo bem” e do “vamos sair disto melhores pessoas”. De lá para cá, o business as usual voltou aos comandos da nossa mothership, de onde na verdade nunca saiu, e o novo normal não difere muito do velho normal. Os zilionários enriqueceram estrosfericamente com a crise, como sempre acontece com qualquer crise, com as 20 maiores fortunas do planeta a crescer na ordem dos 24%, durante o ano de 2020 (números da Bloomberg). Os pobres estão mais pobres, os remediados estão mais perto da pobreza e o fosso entre a super-elite e os demais aprofundou-se. O primeiro mundo luta entre si pelo acesso a mais vacinas, enquanto o terceiro depende da caridade do primeiro, que surge sob a forma de grandes operações de marketing, com grande mediatismo e poucos efeitos práticos. Micro, pequenas e médias empresas submergem sob o peso da burocracia e da inação política, contribuindo para o fortalecimento dos monopólios do costume. O desemprego e a miséria crescem, a precariedade e a exploração laboral florescem e a ausência de esperança é combustível para os novos populistas, que se alimentam do caos e da revolta.

Paralelamente a este cenário dantesco, momentaneamente esquecida ou relegada para segundo plano, a verdadeira pandemia avança, silenciosa e implacável, sem que nada ou quase nada seja feito para a travar. A tal crise climática, que nos arrasta, perigosamente, para um ponto sem retorno. A propósito, a directora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, María Neira, alertou no mês passado para a ligação entre o actual e anteriores vírus, como o Ébola ou o HIV, e os efeitos nefastos provocados pela acção humana no mundo natural. A médica espanhola aponta para a longa lista de vírus transmitidos de animais para humanos, que se relaciona, em larga medida, com a destruição de florestas tropicais. E se a palavra “Amazónia” é a primeira que nos vem à cabeça quando se fala em destruição florestal, é importante sublinhar que a coisa não se resume ao pulmão do mundo. Basta olhar com um pouco de atenção para aquilo que tem acontecido em zona como o Sudoeste asiático, para perceber isso mesmo.

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