Três letras é de gente importante

Ora bem, hoje temos dois duelos para falar. Vou começar pelo muito mais interessante, o Ricardo Araújo Pereira vs João Cotrim Figueiredo. Percebemos que estamos a falar de gente importante quando cada um tem três nomes e, desta forma, podemos abreviar para RAP e JCF. Ultimamente, o RAP tem mostrado mais o seu lado esquerdista, deixando prejudicar as suas performances humorísticas por isso. Entrevistas como as dadas à Ministra da Justiça ou ao Secretário-Geral do PCP são bons exemplos disso. Mas ontem, RAP voltou aos velhos tempos. Aquela provocação saudável, a critica e o humor. Teve tudo. Tinha tudo para ter ganho este duelo e pronto, fica anunciado o vencedor: João Cotrim Figueiredo. O que RAP não esperava era o deputado da IL com um estilo de humorista e as ideias de um liberal consciente. Mas sejamos honestos, apesar do mérito todo do JCF, o RAP não tem culpa. É que as críticas possíveis e fáceis de se fazer ao liberalismo são poucas e previsíveis. Em entretenimento, ganhamos todos. Dois homens inteligentes, com bom humor, que fizeram o seu papel. Em política, ganhamos, porque, em horário nobre, voltamos a ver desmistificadas algumas ideias erradas sobre o liberalismo. Em relação ao digno vencido, sugiro que comece a mandar fazer o epitáfio a dizer RIP RAP. Calma, a ideia não é minha, é dele e podem confirmar isso no vídeo que aqui vai. Mas talvez não seja preciso. Já que trabalha na estação do Rodrigo Guedes de Carvalho, de certeza que este não se importa de lhe dar uma palavra como “vai ficar tudo bem, somos fortes, estamos juntos”. E já que ficaram tão amigos, podiam ajudar-se um ao outro. O JCF oferece ao RAP umas aulas de economia e o RAP oferece ao JCF umas aulas de dicção. Saíamos todos a ganhar.

O segundo duelo que vou abordar é anterior e, admito, mais desinteressante. É entre André Ventura e Ninguém. André Ventura, farto das injustiças internas de que tem sido alvo que estão aos olhos de toda a gente, decidiu anunciar eleições no Partido. E a concorrência qual é? Ninguém. Rigorosamente, ninguém. Ainda ninguém ouviu uma pessoa a levantar-se e dizer que quer um novo rumo no Chega. Portanto, o partido está praticamente todo unido a lutar contra uma oposição interna representada bastante bem por ninguém. E que se desengane quem acha isto fácil. Debater contra pessoas que dizem palavras, apresentam ideias e soltam sons ordenados para as apresentar é fácil. Difícil é debater com ninguém. É que a oposição de André Ventura não vai falhar em nada. Acertar também não vai. O que o Ventura fez foi uma ótima jogada política. Eleições para ganhar com uma percentagem enorme e mostrar a união da força de um partido que representa os valores nacionais e quer resgatar a grandeza… Pronto, e essas coisas à Chega. O que me assusta é ver que o povo recrimina jogadas destas vindas de um partido que tem um deputado apenas e não as recrimina quando vem de um Partido que governa e que aprova e desaprova leis da manhã para a tarde, consoante o grau de popularidade. Ventura e Costa têm muito mais em comum do que nós pensamos, principalmente a atitude maquiavélica que apresentam. Vencedor deste duelo? Vou ter de ir ao VAR. Perdedor? Fácil, o bom senso dos portugueses.

O VAR não é de agora

Saudades dos dias em que era o futebol o tema de conversa. Dos dias em que os números que nos faziam lamentar era o de golos sofridos. Dos dias em que os números que nos faziam celebrarar eram os 3 pontos conquistados. Das discussões por foras-de-jogo de 3 centímetros. De comparar uma grande penalidade de hoje com uma grande penalidade de há 14 anos em vez de compararmos uma pandemia de hoje com outra de 1920. Do Corona ser apenas um jogador de futebol que nos fazia meter em loop um vídeo no telemóvel. Dos dias em que a previsão para o fim-de-semana andava à volta de vitória, empate e derrota, em vez da quantidade de pessoas que terão contraído o vírus. Dos dias em que a minha maior ânsia era que chegasse o jogo do FC Porto, não a ânsia de poder sair de casa livremente. Saudades da altura em que o nosso rival tinha o nome de um clube adversário em vez de Covid. Péssimo nome para clube, digo-vos já.

Penso que todos temos saudades. Até as mães dos árbitros devem ter saudades.

Separados uns dos outros, unidos pelo país e, homenageando o senhor do vídeo, unidos para que o Vítor possa voltar a analisar os foras-de-jogo.

 

Iniciativa do Bom Senso

“Nada como uma boa crise para transformar um bom liberal num intervencionista”. Sim, eu sei, só alguém de muito má índole poderia dizer isto numa altura como esta. Esse alguém é o mesmo agressor de velhinhos que nós temos como Primeiro-Ministro.

Ontem, na Assembleia da República, tivemos a excelente prova do que vale António Costa. Não passa de um político que coloca o poder à frente do bom senso. Anima a malta de esquerda, tenta irritar a direita, mas pior do que tudo, prejudica a vida das pessoas. Portugal não conseguirá andar para a frente, enquanto políticos derem mais importância aos seus jogos do que ao povo. André Ventura aproveita para criticar o Presidente, Costa usa uma crise para criticar os liberais, o Bloco usa a mesma crise para criticar os ricos. Enquanto os meninos brincam aos debates de 5º ano para depois contar em casa que são os maiores, há pessoas que estão doentes e há outras quantas com medo do que pode acontecer. Recorrendo a uma intervenção do Ricardo Araújo Pereira, para não me acusarem de me apropriar de nada “a la Bloco”, no filme Abril do Moretti, há alguém diz “Diz alguma coisa de esquerda!”. Aqui era necessário um “Diz alguma coisa com bom senso”.

Na mesma intervenção, António Costa aproveitou para mostrar os seus dotes humorísticos para chamar Iniciativa Estatal à Iniciativa Liberal. Daqui a 3 anos e meio, quando forem votar, lembrem-se que no dia em que ultrapassámos os 30 mortos, o António Costa falou em “boa crise” e que aproveitou o momento para criticar outros. As pessoas que faleceram não mereciam isto. Os profissionais que todos dias se sacrificam não mereciam isto. Os portugueses não mereciam isto. Mas foi o que escolheram.

Nota: Um obrigado a Rui Rio pelo ato de coragem. Apesar de não concordar com as suas ideias, nunca deixarei de o admirar por ser um homem sério e leal ao que acredita. Alguém que não precisa de saber a cor política para elogiar ou criticar o outro. Que todos os políticos fossem assim sérios. Do André à Catarina, mas não o Costa. Ontem, perdi a esperança.

Força a todos nesta luta sem cores. Fiquem em casa e cuidem dos vossos.