Os hospitais públicos já não são hospitais, são Unidades Locais de Saúde (ULS).

Saí das visitas dos HUC, antigos Hospitais da Universidade de Coimbra, a pensar nisto. Agora, “hospital” é uma instituição privada. Hospital da Luz, Hospital da CUF, Hospital Lusíadas. E por aí fora. Para estes, a taxonomia mantém-se. Aqueles que ainda conhecemos como Hospitais são agora, na terminologia oficial, ULS.
É certo que em alguns casos, como na ULS Amadora / Sintra, a palavra hospital continua por lá. Na comunicação social idem, que é o termo que as pessoas reconhecem. Com o passar do tempo talvez vá ficando menos, sobrando o valioso nome para os privados, que continuam a ser chamados de “hospitais”.
Um detalhe, certamente. Mas as palavras têm valor, como nos poderia dizer George Orwell com a sua Novilíngua de “1984”.
Foi um caminho iniciado em 1999 com Guterres, concluído em 2023 com Costa e que teve a participação de todos os governos ao longo deste período. Um autêntico bloco central.
Entretanto, os tentáculos partidários continuam a estender-se na sociedade. Também diz algo sobre a génese das transformações.

Aos poucos vemos o desinvestimento no SNS crescer, na mesma medida em que floresce o negócio dos seguros e estabelecimentos de saúde privados. A escolha é deliberada e reforçada com benefícios fiscais às empresas e aos trabalhadores. Agora, diz Montenegro, irão abrir centros de saúde privados – algo inédito. Pagos com dinheiro público, claro está. São opções políticas.
Este deslumbramento desvanecer-se-á quando o privado dominar. É uma história que já vimos contada em outras situações. O negócio dos livros foi dizimado pela Fnac, a bricolage pelo Le Roy Merlin, o pequeno comércio desapareceu com os hipermercados. Só para ilustrar com alguns exemplos. A estratégia é simples. Começa-se com preços competitivos que arruínam a concorrência e depois faz-se o que se quer.
Na saúde, a conivência do Estado é chave, permitindo a degradação dos serviços ao mesmo tempo que cria condições favoráveis para o privado.
Tal como a noite se segue ao dia, cá chegará o tempo em que uma doença grave poderá levar a família à falência devido ao custos a suportar. Será, então, clara a ilusão que os seguros de saúde criaram. Mas, nessa altura, será tarde.






Nada que mais dívida privada impagável não possa empurrar com a barriga mais um bocadinho.
A saúde está pela hora da morte no que respeita aos tempos de espera em consultas, exames e tratamentos e, tudo isto, não por falta de investimento nem por falta de recursos humanos, mas apenas, por falta de lideranças capazes de os gerirem. Em democracia todos mandam e ninguém obedece e, assim, o sistema colapsa. O SNS seria a única esperança para quem não tem alternativas a um seguro de saúde ou outro para poderem recorrer aos privados, se bem que estes também são bem limitados nos cuidados que prestam, mas o sistema está podre porque os abutres se aproveitam do seu mau funcionamento para exigirem, o que em condições normais, não seria legítimo obterem. Só um novo 25 de Abril para os pôr a todos na ordem já que, tal como está, não se vai a lado nenhum.
O negócio dos livros foi dizimado pela Fnac
Qual o problema? Os livros não ficaram mais baratos? É difícil comprá-los? Estão indisponíveis? Há menos livros a ser editados? As respostas a todas estas perguntas são “não”.
o pequeno comércio desapareceu com os hipermercados
Mas que disparate!!! Há montes de pequeno comércio. Lojas de indianos e de chineses por todo o lado. Todos os meses fecham umas e abrem outras, mas os produtos estão mais disponíveis que nunca. Em especial fruta e vegetais, nunca estiveram tão disponíveis em pqueno comercio como atuamente.
Se muito pequeno comércio desapareceu, isso não se deveu aos maléficos supermercados, mas sim ao envelhecimento dos comerciantes, que se reformaram, e à atualização das rendas, que em muitos casos eram baixíssimas.
De qualquer forma, não houve nem há problema, porque continua a haver montes de pequeno comércio, só que agora os proprietários, em vez de serem portugueses – os quais se reformaram – são chineses ou outros asiáticos.
Creio, que chegamos á triste conclusão, que querem o neoliberalismo em Portugal! Mas antes devem ir confessar-se ao paróquia da V/freguesia!