Dia de Portugal

espelho_antigo
O cheiro a sardinhas e à salada de pimentos, o hino de esplendores todos baços como manchas num espelho demasiado antigo, a memória recente da bandeira nacional içada ao contrário, o orgulho reduzido à palavra vazia de povo lá dentro, e sempre e uma vez mais o anúncio: os portugueses são os maiores, ou pelo menos são tão bons quanto os outros: aquele complexo identitário anacrónico a cheirar a môfo (misturado com o cheiro a fumo das sardinhas), medalhas pregadas nos banqueiros e nos super-quadros de feitos multinacionais, a jangada Portugal de repente toda enfunada em navio de almirantes tenreiros, navio negreiro para piratas globais, e lá em baixo os portugueses todos rebentados a dar aos remos, e lá em cima António José Seguro já a subir ao mastro.