Ah, moce marafade!

Quem esteja pouco familiarizado com o Algarve difícilmente compreende o português do título. Antes da massificação da televisão e da democratização do ensino, os sotaques regionais eram mais marcados e certos ditos e dizeres mais comuns.

Em Alvor, hoje uma pequena vila fortemente dedicada ao turismo, vivia-se, há pouco mais de vinte anos, fundamentalmente da pesca. Abrigada junto à foz da ria com o mesmo nome, entre o turismo que já transformava a Praia da Rocha e o enorme areal da Meia Praia – onde viviam os famosos “índios” da Meia Praia – a comunidade de alvoreiros desenvolveu alguns costumes e ditados característicos.  Quando dois “alvorêros garreavem” os piores desejos podiam sair da boca de qualquer deles. Eram as pragas de Alvor, algumas aqui reproduzidas em “algarvie”:

Ah moce marafade! havia de te dar uma dor de barriga tã grande, tã grande, que tevesses que correr e cande más corresses más te doesse e cande parasses arrebentasses.

Oh moce dum cabrão, havia de te crescer um par de cornos tã grandes, tã grandes, que dois cucos a cantarem, cada um na sua ponta, não se ouvissem um ao outro. [Read more…]