Valha-lhes São Schäuble

Com estas palavras de Pierre Moscovici, a Comissão Europeia deitou para o lixo um ano de discurso do medo.

PSD, CDS e outros terroristas da palavra ficaram desarmados e balbuciam incoerências, mas apenas porque a sua profissão é não estar calados.

Jornalistas, à míngua de apocalipses para títulos, gaguejam e nem São Schauble, padroeiro dos sem alternativa, lhes vale.

Enfim, uma chatice! Pior: uma geringonça! Pior ainda: o diabo!

João Soares demite-se de ministro

“O estranho caso da bofetada apenas prometida, mas que ricocheteou e atingiu o esbofeteador”, romance de cordel, edições João Soares.

Activistas angolanos condenados. Luaty Beirão, cinco anos e seis meses de prisão

Vamos ler um livro em conjunto e discutir formas democráticas de apear ditadores?

Talvez seja melhor não, podemos ser condenados por associação de malfeitores (nós, pugnando por um pouco de decência, não eles – a clique das malfeitorias organizadas e programadas) e por actos preparatórios de rebelião.
Quem quiser compactuar com isto, pode, porque as acções ficam com quem as pratica, mas quem estiver do lado da justiça, da dignidade humana e do direito de participação, deve começar já a denunciar e reagir. [Read more…]

Respostas para a crise no Brasil?

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Escrevi, há dias, um post sobre a crise no Brasil que, mais do que respostas, fornecia perguntas. A minha ignorância, a distância, o desconhecimento de muitos dos protagonistas e dos seus interesses e ligações, a não verificação da verdade ou da mentira nos “factos” mediáticos, a velocidade dos acontecimentos e a minha própria estupefacção, tudo isso me aconselhava a ter mais dúvidas do que certezas.

Nestes dias vertiginosos fui procurando entender melhor a situação. Avancei pouco e, separado o joio, quase não me sobra  trigo.

Duas ou três certezas,  tenho: o país está divido, a Política e a Justiça não estão devidamente separadas (e ambas albergam muita gente pouco recomendável), o regime (não me refiro ao governo) precisa de refundar-se, a corrupção é transversal e endémica – chegando-se ao ponto de indiciados e pronunciados por corrupção se atreverem, sem um pingo de vergonha ou de oposição no interior dos seus próprios partidos, a acusar, apreciar, votar e pertencer a comissões de investigação de corrupção (aqui chegados, estamos no grau zero da credibilidade)-, a democracia corre riscos evidentes de sequestro. [Read more…]

Para entender melhor a crise no Brasil

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Uma leitora brasileira enviou-nos uma lista de sites e blogues de jornalistas que dão uma visão dos acontecimentos no Brasil a partir de quem os vive de perto.

Se a situação é complexa e divide os brasileiros, ainda o é mais para quem, a partir de Portugal e da nossa imprensa, tenta compreendê-la. Estamos perante uma tentativa de “golpe de estado judicial”, como já li? Existe uma campanha orquestrada para derrubar Lula? Essa campanha conta com o apoio dos militares e da Globo? É possível, como também li, que se corram riscos sérios e generalizados de derramamento de sangue nas ruas? Ou tudo não passa, afinal, de uma manobra desesperada do PT para boicotar uma investigação judicial? Dilma e Lula deram um tiro no pé com a recente nomeação do ex-presidente como ministro? Quais as consequências desta crise para a democracia brasileira? [Read more…]

As gravuras ainda não sabem nadar?

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No início, de modo simplista, havia isto: a barragem ou as gravuras.
Optou-se, bem, pelas gravuras.
Como sempre, parte da substância foi reduzida a discussões de economês básico: qual a solução que geraria mais dinheiro? A barragem, disseram muitos em coro, começando por boa parte da população local.
Paradoxalmente, a defesa das gravuras do Coa foi, talvez, uma das últimas causas capazes de gerar movimentos engajados e participativos em Portugal, integrando vozes e manifestações activas norte a sul, levando a discussões que envolviam modelos de desenvolvimento e salvaguarda de património cultural.
Ora, um paradoxo gera outros, e grande parte dos defensores nunca visitou o local e os percursos postos ao serviço do público, contribuindo, também assim, para a aparente estagnação actual.
E é pena. Pena, porque, de novo, é a gestão do património comum que está em causa, e pena porque se trata de um programa inesquecível para quem nele participa.
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O único artista do mundo que…


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Os artistas antigos criavam as suas próprias tintas e tentavam esconder as fórmulas uns dos outros. Era um comportamento considerado normal, pouco merecedor de censura.
Agora, pela primeira vez, um artista (Anish Kapoor) tem o direito exclusivo de utilizar uma cor produzida industrialmente.
Ainda que mal comparado, é como a apropriação por registo de materiais da natureza, a privatização do ar ou da água, ou como se determinado escritor fosse o único autorizado a usar certas palavras.
Eu sei que não é bem a mesma coisa, mas…