
Morreu Fernando de Mascarenhas, um homem de cultura, um democrata, uma boa pessoa. Conheci-o em Coimbra, quando veio passar aqui um ano na Faculdade de Letras sobretudo para, segundo as suas palavras, assistir às aulas de filosofia de Victor de Matos. Pessoa simples, que nunca ostentou os numerosos títulos nobiliárquicos associados ao seu nome – aos quais, de resto, não dava mais importância do que merece, como para qualquer de nós, por respeito, o nome da família – morou num andar modesto na Solum – um 4º andar sem elevador; sei disso porque morava ao lado – e convivia com os estudantes da oposição, na altura em que estavam em gestação as lutas de 1969 na Academia, processo que acompanhou e com o qual foi solidário ao ponto de dar guarida no palácio de Fronteira a estudantes que se haviam deslocado a Lisboa para, na final da taça de Portugal em que participava a Académica, fazer uma manifestação contra a ditadura. Isso valeu a Fernando de Mascarenhas a fúria de várias instâncias do regime, como se pode ver consultando os jornais da época. Perdeu-se um bom homem.






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