Diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és

 Ferreira Fernandes escreveu hoje mais uma interessante crónica na revista Notícias Magazine: «A palavra mais palavra do mundo: palavra». Refere-se ao jornalista, membro do júri Goncourt e apresentador de programas de TV francês Bernard Pivot (1935), que se tornou, “durante décadas, uma das personagens mais poderosas de França”.

Num dos seus programas televisivos em que entrevistava gente famosa como Woody Allen, Pivot perguntava-lhes “qual a sua palavra preferida?”. Woody Allen, como não podia deixar de ser, respondeu: “Não posso dizer, a minha mãe pode estar a ver o programa”. Outros disseram «tendresse» (Giroud), «lumière» (Mastroianni), outro «concupiscência».

A tese de Pivot é: diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és. Revelamo-nos nas palavras que escolhemos. Não podemos resumir uma vida numa palavra, “mas buscando na memória, que está cheia de palavras, mesmo quem não quer ser escritor faz um belo livro”.

Há um ano atrás publicou-se o seu livro Les Mots de Ma Vie que, penso, não está editado para português (espero que o seja em breve).

Penso agora nos nossos políticos. Como eles se revelam naquilo que dizem… Político, diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és.

E, já agora, caro leitor e leitora, qual a sua palavra preferida?