Uma volta ao mundo em 197 livros – A

1- Afeganistão-Argélia

 

Angola

Bom dia Camaradas, Ondjaki. Caminho.

A história de uma Angola corrompida vista através de os olhos de uma criança feliz.

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Uma Volta ao Mundo em 197 livros

Há uns tempos dei com um artigo sobre uma rapariga paquistanesa de 13 anos que começou um projecto online com o objectivo de ler um autor de cada país do mundo. Isto é mais difícil do que parece dado o número de países que existem e o facto de muitas vezes não termos sequer traduções das línguas originais.

De qualquer maneira pareceu-me uma ideia extraordinária e resolvi por isso roubá-la e aplicá-la aqui no Aventar. Por razões várias, não consigo agora estar a ler todos os livros que irei publicar. Vou ter de me contentar com uma lista e um pequeno resumo.

Comecemos então pelo A:

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O que dizer deste livro?

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Sttau Monteiro escreve-o em 1961 mas podia perfeitamente escrevê-lo em 71 ou 81 ou 91. O livro começa quase sem época. Isto é, a expressão Estado Novo nunca é referida e a primeira referência a um tempo é uma menção à guerra colonial. Assim se percebe, juntamente com a introdução de Pedro, o período em que as personagens vivem. Isto não é de menos pois a indefinição revela já algo do carácter generalista da história. Pessoas como o Gonçalo, a Teresa, o António e, graças aos céus, o Pedro, vão sempre existir. Não precisam de uma ditadura. A ditadura ajuda, mas não é estritamente necessária.

O livro é profético. Sttau Monteiro via claramente o fim do Regime apesar de ele só vir a cair 14 anos mais tarde num belo dia de Abril. Contudo, o que está em causa não é “apenas” o fim do regime em Portugal mas algo muito mais transversal. Aquilo a que Sttau Monteiro chama a “lógica de classe”, ou seja, a injustiça que é conscientemente perpetuada por uma classe privilegiada que despreza os que não nasceram com tais privilégios. Parafraseando o Gonçalo, as classes altas arranjam sempre mecanismos para se protegerem, superando inclusivamente os próprios regimes que as suportam e que elas suportam. Este livro não é mais do que a velha história dos  mais fortes a baterem nos mais fracos e a conseguirem safar-se com isso. Ou quase.

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Manuais Escolares

debater-escola-publica-e1467571337416Há, no nosso país um conjunto de pessoas com uma capacidade fantástica de saberem tudo, sobre tudo. Aliás, há quem diga que a TVI conseguiu colocar um desses a Presidente, mas eu não acredito.

Por maioria de razão, até a Ferreira Leite, por ter sido um dia mãe, achou que podia ser uma excelente Ministra da Educação.

E, trago até si, caro leitor (e cara leitora, para o politicamente correcto, tão em moda) esta reflexão introdutória porque há coisas sobre as quais sou um perfeito ignorante. Não sei falar Castelhano como o Jorge Jesus e estou longe de conseguir miúdas giras como o Pinto da Costa, isto só para citar dois exemplos.

Sobre Manuais Escolares também. É uma daquelas áreas que abordo com algum receio porque me parece que os lugares comuns existentes nas Praças da República deste país não têm permitido uma reflexão séria sobre o modelo. Entendam este texto como um contributo para um debate que poderá e deverá continuar até na caixa de comentários.

Começo por vos deixar a ligação para o site oficial do Ministério da Educação onde podem consultar toda a informação disponível e perceber como está tudo mais que regulamentado. Na prática e para abreviar a prosa, existe um calendário de adopções definido pelo Ministério da Educação, as editoras apresentam aos Professores as suas propostas e depois, em cada escola (ou agrupamento) o grupo de docentes responsável por leccionar cada uma das disciplinas escolhe o manual que entende ser mais adequado. A fase seguinte passa pela aquisição dos respectivos. Agora, no primeiro ano com oferta do Ministério da Educação, com a presença de inúmeras câmaras municipais na oferta de manuais no 1º ciclo, havendo ainda casos em que a colaboração das autarquias com os pais se alarga até ao 3º ciclo. Este envolvimento do governo e do poder municipal na aquisição dos manuais é uma demonstração da dificuldade que esta factura representa para as famílias, a quem compete uma parte demasiado importante desta despesa.

E, a pergunta que quase todos fazem é: não é possível ter uma política de manuais escolares que permita uma despesa menor às famílias? [Read more…]

A esperança está na cultura

Um livro sobre uma história de amor entre uma israelita e um palestiniano foi retirado dos programas curriculares dos liceus israelitas. Em resposta, Geder Haya tornou-se um dos livros mais vendidos em Israel e “ocupa o primeiro lugar lugar na lista de livros do jornal Haaretz”.
A resposta dos leitores Israelitas só por si agrada-me bastante (assim como a resposta da Time Out de Tel Aviv). Mas também me agrada o comentário de Amos Oz:

“Por que não, então, proibir o estudo da Bíblia, já que se trata de censurar relações sexuais entre judeus e não-judeus?”

Na adversidade, meus amigos, a resposta é ler livros.

 

Miguel Relvas, Paula Teixeira da Cruz e o PS dos Negócios

Não, não estamos em Palermo, Nápoles ou numa ditadura do terceiro mundo. Estamos nesse portugalito onde a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não perde a apresentação do livro de Miguel Relvas, o mesmo Relvas que está no centro da investigação do Gabinete da Luta Anti-fraude da União Europeia (OLAF) sobre o financiamento da empresa Tecnoforma através de fundos comunitários em 2004, quando Passos Coelho era gestor da Tecnoforma e o próprio Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local, adjudicou 1,2 milhões de euros à mesma Tecnoforma para a formação de funcionários de aeródromos. O Miguelito de costas quentes, estava radiante na apresentação. Parecia um puto perdoado pela mãe depois de partir a cristaleira.

Se tivéssemos um presidente a sério isto seria motivo para demitir a Ministra, mas não sejamos demasiado exigentes.

Aliás a lista de presenças durante a apresentação do livro de Relvas foi muito esclarecedora: Maria Luís Albuquerque, Durão Barroso, Passos Coelho, Luís Marques Guedes, vários secretários de Estado, Fernando Seara (que também não perdeu a apresentação do livro de Domingos Névoa), Marco António Costa, o empresário José Maria Ricciardi e o PS dos Negócios (tal como o definiu Seguro) representado por Jorge Coelho. Se Nuno Crato também comparecesse, Relvas conseguiria o jackpot da falta de decoro.

A grande questão é: o que sabe Relvas para ter ascendente sobre toda esta constelação? Quando a coisa tem esta dimensão o mais provável são questões de financiamento do partido e/ou de campanhas eleitorais. Nah, estou a reinar, votem outra vez nos mesmos, força!

Os amigos de Relvas

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Quando se traça a geografia política dos amigos de Miguel Relvas é impossível ficar indiferente à amplitude da máquina de influências que Relvas montou. Já conhecíamos o poder que continua a deter sobre Passos Coelho e Paulo Pereira Coelho, ambos envolvidos no caso Tecnoforma que está a ser investigado pelo OLAF (Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia). Hoje, Durão Barroso assume a filiação ao grupo exclusivo dos amigos de Miguel Relvas apresentando o seu novo livro, no qual Aznar assina o prefácio. Este é o mesmo Durão Barroso que em Abril do passado ano lamentou que o ensino em Portugal perdeu exigência, como é sabido Relvas é a encarnação suprema da exigência do ensino nacional. Mas este é certamente um irrelevante detalhe comparado com o serviço que um ex-presidente da comissão irá prestar a uma pessoa que está a ser investigada por múltiplas fraudes curriculares e é suspeito de beneficiar a Tecnoforma quando foi Secretário de Estado da Administração Local. O ex-político mais descredibilizado do país demonstra assim ter um poder notável sobre o nosso primeiro-ministro e o ex-Presidente da Comissão Europeia. Espero que a Procuradoria Geral da República se interesse por esta questão e sobretudo que comunique muito com o OLAF.

Em Abril, Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de Aznar, começou a ser investigado por fraude fiscal. Afinal faz todo o sentido o prefácio de Aznar ao livro de Relvas.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 11/06/2015.