O Roto Chileno e O Zé Povinho: duas espadas na mesma bainha

Em 1839, no sul do sul do mundo ocidental, livrava-se uma guerra entre o Chile e a recentemente criada Confederação Peru-Boliviana. Países recentemente libertados da Monarquia Espanhola. O Chile, em 1818, ajudou o Peru, e em 1820, o Peru a Bolivia. Ganharam a sua autonomia. Do Peru, foi expulso o Vice-rei espanhol e o governador da Bolivia, o Marechal Andrés de Santa Cruz,tomou o mando das duas nações.As nascentes repúblicas sul-americanas enfrentaram um inevitável período de anarquia política até lograr o necessário consenso cidadão para se consolidarem como nações- A criação da Confederação Peru-Boliviana, outorgou a Santa Cruz o poder político  e económico suficiente para projectar-se superiormente contra Chile.O Ditador desenvolveu sérias interferências às actividades comerciais chilenas, violando tratados existentes, em quanto buscava fazer cair ao Governo do General José Joaquín Prieto Vial com variadas tácticas de infiltração política,

Os chilenos não aceitaram, rebelaram-se contra a confederação e a  marcha forçada, cruzaram 3000 quilómetros de território chileno para atacar a quem pretendia derrubar o seu Governo. O ponto nevrálgico para entrar em territórios da Confederação, era assaltar o Morro de Arica, um monte de pedra, guardião das fronteiras dos três países, que tinha que ser ultrapassado. Parecia quase impossível. No entanto, a 20 de Janeiro de 1839, o exército chileno,

com facas e muito aguardente, trepou esses 600 metros de altitude, com 56 Km de comprimento e apenas 8 Km de largura máxima e.914 metros a maior elevação, debaixo do ataque a tiros dos soldados da Confederação. Metralha impossível de atingir aos que escalavam o morro, porque a pendente alta e plana desviava a espingarda para o vazio ou sobre as tropas que protegiam os atacantes e disparavam contra o inimigo. A aguardente, bebido alcóolica do Chile de  40º, sedava, dava forças e embebedava, convertendo os asaltantes em feras sem medo. O calor era imsuportável, o assalto ocorreu ao entardecer, os atacantes em silêncio surpreemderam por trás o exército da Confederação, ganhando o morro, sito na vila de Yungay, na noite de 20 de Janeiro. Comandos pelo General Manuel Bulneses, a vitória deve-se aos notáveis dotes militares do comandante e à admirável capacidade guerreira dos soldados chilenos, que tornaram possível a entrada nas terras confederadas, pelo assalto dos cem soldados, todos rotos (rasgados e com várias escoriações corporais) pela escalada. Foi assim que nasceu a palavra Roto Chileno e a sua comemoração a 20 de Janeiro de cada ano, decretada pelo Allende do Século XIX, o Presidente Liberal José Manuel Balmaceda Fernández, a 7 de Outubro de 1888, que, para homenagear o Roto Chileno, pela sua participação  no triunfo contra a Confederação Peru-Boliviana, mandou erigir uma estatua na Praça de Yungay em Santiago do Chile. É, pois, nesta praça, que desde o dia em que se decretou esta festa, todas os anos se continua a comemorar o nome do Roto Chileno e o seu contributo fundamental para a manutenção da Independência nacional.

* En Chile se entiende por "roto" a la persona de origen humilde que por lo general no sabe comportarse en sociedad, aunque este uso que llega a ser despectivo en mucha ocasiones se utiliza más cuando quien lo utiliza es de otra nación. E o Zé Povinho?. Narrado ontem, o Zé Povinho é o Roto Chileno, com uma grande diferença. O Zé Povinho é uma metáfora nacional criada pelos burgueses do seu tempo para especular sobre o povo e considerar a personagem como um parvo que nem falar sabe. Ou simples, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições, tal como foi referido por João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»": Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente. Pensa-se dele com estes sinónimos: gentalha fofoqueiro desgraçado povo populares gente simples medíocre .

O Roto Chileno é de cepa diferente: nem parvo, nem se engana ao falar. Pelo contrário, a sua inteligência é grande e arguta e sabe manipular as situações mais difícieis para o seu bem- estar.

Os dois, com todo, são louvores entregues ao povo para os manter calmos e destemidos nas piores situações financeiras que acontecem quando não existe no país a arte de governar. O Zé Povinho é desenhado como parvo, o Roto Chileno, é considerado como um ser de grande habilidade.

No entanto, se o Roto Chileno é resultado de factos de guerra e da sua força para batalhar, é apenas uma metáfora, como o Zé Povinho. Os verdadeiros Rotos e Zé Povinhos, são os pobres da nação, como esta imagem nos mostra:

 

Em minha opinião, as metáforas acima referidas devem ser rejeitadas por ofenderem pessoas  da nossa Soberania.