Também ganhei!

Os Jogos Olímpicos marcam estas férias de verão. A medalha de prata em canoagem sabe muito bem. Parabéns ao Emanuel e ao Fernando!
Este acontecimento desportivo e cultural tem muitos campeões: são muitos os atletas, muitos os países, que levam a medalha de ouro, de prata ou bronze.
Mas eu, uma simples espectadora, também ganhei. São admiráveis as suas marcas, os recordes mundiais e olímpicos batidos, a força (levantar 3 vezes o próprio peso, é dose!), a velocidade (Bolt, «o relâmpago» jamaicano), a destreza, a mestria, a beleza, etc. Tudo nos parece muito fácil e, no entanto, são horas de treino diário repetindo centenas de vezes o mesmo gesto, o mesmo exercício até ficar mecanizado.
Mas ganhei mais que isto. O jornalismo permitiu que conhecêssemos muitas histórias curiosas, o lado mais humano destes atletas que nem parecem gente comum, simples mortais como nós…
Não vou esquecer Nur, a grávida malaia de oito meses que não quis perder a oportunidade rara de competir nos Jogos Olímpicos; não vou esquecer a judoca saudita que acabou por lutou com hijab; que história essa a do nadador do Ruanda que teve como treinador principal um manual técnico de natação («Porque não? Tudo é possível», disse); e o cavaleiro japonês Hiroshi com 71 anos, o atleta mais velho a competir e ainda com vontade de ir ao Brasil (nunca deixou de se levantar às cinco da manhã para andar a cavalo, coisa que começou a fazer aos 12 anos); ou ainda o sul-africano Pistorius, o velocista que se tornou no primeiro duplo amputado a participar nos Jogos Olímpicos («a sua deficiência está na cabeça dos outros, não na dele»); etc. Só soube destas. Mas há muitas mais.
E os nossos atletas têm vida difícil também e muito fazem eles! Parabéns à comitiva portuguesa.