Os agentes da ortografia

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta.

Mesa & Rui Reininho

Si cada español hablara de lo que sabe y solo de lo que sabe, se haría un gran silencio nacional que podríamos aprovechar para estudiar.

— Manuel Azaña (apud Felipe González)

Wenn der Mann auf dem Bett liegt und dieses ins Zittern gebracht ist, wird die Egge auf den Körper gesenkt. Sie stellt sich von selbst so ein, daß sie nur knapp mit den Spitzen den Körper berührt; ist diese Einstellung vollzogen, strafft sich sofort dieses Stahlseil zu einer Stange. Und nun beginnt das Spiel.

Franz Kafka, (ARD, adapt. 00:26:51)

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Há erros ortográficos que nos dão indicações importantes sobre aspectos fonéticos e fonológicos. Um *’fato’ em vez de ‘facto’ ou um *’contato’ em vez de ‘contacto’, por exemplo, dão-nos interessantes pistas sobre as quais nos podemos debruçar hipoteticamente logo no segundo ponto deste decálogo. De igual modo, é sabido (por exemplo, por Cook) que um falante de uma língua estrangeira, através de certas características ortográficas presentes em textos escritos nessa língua — e não só com dados denunciados pela pronunciação —, pode desvendar particularidades do sistema fonológico da língua materna e não só do sistema de escrita em que o falante, leitor e escrevente aprendeu a ler e a escrever.

Também é sabido há muito (por exemplo, por Maria Helena Mira Mateus) que um <s> em vez de <ç> (como a *’insersão’ em vez de ‘inserção’ dos autores da Nota Explicativa do Acordo Ortográfico de 1990) demonstra a falta de adequação do “critério fonético (ou da pronúncia)”, pois “a ortografia portuguesa é fonológica e etimológica e não fonética”. Sabe-se agora também que <ç> em vez de <s> (como um *’dorço’ em vez de ‘dorso’) leva a polícia brasileira a ter dúvidas sobre a autenticidade de documentos.

Adiante.

No sítio do costume, tudo como dantes.

Através da RTP, percebe-se, [Read more…]

Parabéns, Campeão!

Foto: Martin Divisek/Lusa@Público

Muitas medalhas depois, incluindo a prata que dividiu com o compatriota Emanuel Silva nos Jogos Olímpicos de 2012, na categoria K-2 1000m, Fernando Pimenta é campeão do mundo de K-1 5000m, isto após ter conseguido a prata em K-1 1000m no dia anterior. Há (muita) glória desportiva para lá do futebol. Parabéns, Campeão!

Também ganhei!

Os Jogos Olímpicos marcam estas férias de verão. A medalha de prata em canoagem sabe muito bem. Parabéns ao Emanuel e ao Fernando!
Este acontecimento desportivo e cultural tem muitos campeões: são muitos os atletas, muitos os países, que levam a medalha de ouro, de prata ou bronze.
Mas eu, uma simples espectadora, também ganhei. São admiráveis as suas marcas, os recordes mundiais e olímpicos batidos, a força (levantar 3 vezes o próprio peso, é dose!), a velocidade (Bolt, «o relâmpago» jamaicano), a destreza, a mestria, a beleza, etc. Tudo nos parece muito fácil e, no entanto, são horas de treino diário repetindo centenas de vezes o mesmo gesto, o mesmo exercício até ficar mecanizado.
Mas ganhei mais que isto. O jornalismo permitiu que conhecêssemos muitas histórias curiosas, o lado mais humano destes atletas que nem parecem gente comum, simples mortais como nós…
Não vou esquecer Nur, a grávida malaia de oito meses que não quis perder a oportunidade rara de competir nos Jogos Olímpicos; não vou esquecer a judoca saudita que acabou por lutou com hijab; que história essa a do nadador do Ruanda que teve como treinador principal um manual técnico de natação («Porque não? Tudo é possível», disse); e o cavaleiro japonês Hiroshi com 71 anos, o atleta mais velho a competir e ainda com vontade de ir ao Brasil (nunca deixou de se levantar às cinco da manhã para andar a cavalo, coisa que começou a fazer aos 12 anos); ou ainda o sul-africano Pistorius, o velocista que se tornou no primeiro duplo amputado a participar nos Jogos Olímpicos («a sua deficiência está na cabeça dos outros, não na dele»); etc. Só soube destas. Mas há muitas mais.
E os nossos atletas têm vida difícil também e muito fazem eles! Parabéns à comitiva portuguesa.